A Independência


A história do Brasil é profundamente marcada pela riqueza cultural de seu povo, mas também pelas tristezas resultantes do processo exploratório da colonização portuguesa.

No princípio, desde a Pré-História, o que viria a ser nosso país, foi ocupado por homens e mulheres que deram origem aos povos indígenas. Eles viviam daquilo que a natureza lhes oferecia. Caçavam, pescavam, plantavam milho, mandioca e coletavam os frutos dos cerrados e das florestas. Viviam em harmonia. Tinham sua cultura, suas crenças e seus próprios modos.

Em 1500, durante o processo de expansão comercial e marítimo dos europeus, chegaram a estas terras os brancos portugueses em suas caravelas comandadas por Cabral. Vieram para ocupar, explorar as riquezas e, segundo alguns, expandir sua fé cristã. No entanto, mataram, pilharam, ludibriaram e corromperam os primeiros habitantes. Escravizaram os indígenas. Usufruíram de vários ciclos econômicos. Pau-brasil, cana-de-açúcar, drogas do sertão, criação de gado extensivo. Quando o índio já não mais lhe servia, igualmente foram ao Continente Africano trazer de lá, amarrados em navios-senzalas, os povos negros, e os escravizaram, retirando-lhes a dignidade e a liberdade.

Muitos foram os que resistiram. Quilombos pipocaram por todo o Brasil. O mais famoso foi o de Palmares, onde os negros Ganga Zumba e Zumbi, reis e heróis dos povos escravizados dos Brasis, lideraram a resistência contra a opressão.

Aprofundando-se mais e mais por este território, os portugueses miscigenados com os índios e com os negros, transformaram-se em Bandeirantes, conquistando do Atlântico até a grande Floresta Amazônica.

Ao chegar o século XVIII, com ele vem o ciclo do ouro em Minas Gerais. Tudo o que os portugueses sempre buscaram. Nas Minas, a riqueza do ouro, dos diamantes, do barroco de Atayde e Aleijadinho. As intrigas e os mistérios da Chica da Silva do Tijuco.

O mundo aspirando à liberdade burguesa, a revolução acontecendo na França e nos Estados Unidos. Tudo isto faz os brasileiros sonharem com a Independência. Tiradentes, o alferes, foi o primeiro a bradar. Vieram os conjurados baianos depois, e os pernambucanos em seguida. Por fim, o próprio filho do Rei de Portugal proclama a independência.

Independência para os ricos fazendeiros brancos, donos de escravos negros. Morte para indígenas, negros e brancos pobres. A independência proclamada em 7 de setembro de 1822 não serviu de nada aos pobres, que ainda lutam, até hoje, para alcançar a emancipação. Em 1889 veio a República. Passamos a ter presidentes. Deodoro foi o primeiro. Hoje temos Lula, o primeiro operário a chegar lá.

Ao longo deste tempo, tivemos pais dos pobres e mães dos ricos no poder. Getúlio e JK. Construção de Brasília e ditadura militar sufocante e escandalosa sobre nossos ombros. Mas o povo sempre resistiu. Muitos morreram pelo caminho, na luta por reforma agrária, distribuição de renda, melhores salários e condições dignas de trabalho.

Hoje estamos conquistando a democracia. Não sem esforço e luta. Muitos já tombaram por ela. O que queremos do futuro? O futuro é dos homens e das mulheres, todos iguais perante a lei e em dignidade. Marchemos pela nossa Independência verdadeira!
Este artigo também está disponível no site da Arquidiocese de Montes Claros. Clique aqui para conferir.

Descubra mais sobre Professor Levon Nascimento

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Comentários

Deixe um comentário