O projeto de poder

* Levon Nascimento

– O poder… Ah! O poder! Que mal há em ti?
– Todos e nenhum.
– Mas, como? Que mistério é esse, o teu?
– Ora, todos os vícios e malícias humanas passam por mim; ou pelo desejo de me possuir.
– Então, de fato, tu és maligno!?
– Não. Em verdade, eu não tenho essência ou alma, como queira. Sou como o vidro translúcido. Nada se agarra em mim. Diria que minha grande característica é a de ser escorregadio, como a pedra coberta pelo musgo.
– Ora, se tu não és em essência, por que tantos te querem?
– Não me querem por quem sou ou pelo que eu sou, mas pelo que ambicionam ser, cada um e cada uma.
– Não entendo. Querem-te para quererem a si próprios.
– Sim, para se afirmarem quem são.
– Mas, e o mal que tu dizes ter e que também afirmas não ser?
– É! Não tenho o mal. Nem sou o mal. Sou um intermeio. Por mim podes amar e odiar, construir e destruir, elevar e fazer cair.
– Então, o que há de bom em ti?
– Se queres servir, não há melhor meio do que por mim. Se queres dominar, também o farás, se me dominar.
– Então, a escolha está em mim?
– Se me queres apenas para ti, serás consumido por mim. Se me queres por bem-querer aos teus semelhantes, para servi-los de bem-comum, serei teu parceiro.


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