![]() |
| Dom Helder Câmara, Arcebispo de Olinda e Recife no auge da Teologia da Libertação |
![]() |
| Dom Helder Câmara, Arcebispo de Olinda e Recife no auge da Teologia da Libertação |
Artigo orignalmente publicado neste blog em 25 de dezembro de 2009. Veja no original neste link.Pelo que me lembro, a primeira vez em que ouvi falar e vi o Papai Noel foi no Natal de 1980. Nós morávamos em Taiobeiras/MG tinha um ano, mas meu Pai levou a família para passar o Natal em Cordeiros/BA. Estávamos na casa de Tia Ana, que ficava em frente à Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus da Boa Vida (a igreja velha que foi demolida nos anos 1990 para dar lugar à construção da nova). Era início da noite. Passou uma caminhonete C10 com um homem vestido de vermelho e com uma barba branca feita de algodão. Atrás vinha uma meninada sem fim. Eu, meu irmão e meus primos fomos atrás. Ele jogava balas para todos. Não me lembro se conseguimos apanhar alguma no meio daquele corre-corre, empurra-empurra. Sei que o destino final do homem fantasiado de “bom velhinho” foi um coreto acoplado ao fundo da igreja (quem já viu o Alto da Compadecida sabe como é o coreto do qual estou falando) e lá continuou a jogar mais balas para a criançada. Não sei se levava presentes para alguém. Naquele tempo eu não me preocupava com isto. Senti uma enorme alegria por estar ali. Só depois fui entender que se tratava do Natal. Natal – que signfica nascimento. Nascimento de quem? Mas esta pergunta eu só fiz muito tempo depois.
E quando fiz a pergunta sobre quem nascera no Natal é que fiquei sabendo que se tratava de um certo menino, o Jesus, que embora nascera 2000 anos antes, nesta época do ano continuava menino, no presépio, acompanhado de seu Pai e de sua Mãe. O primeiro Presépio que vi, aliás, foi em minha casa, creio que naquele mesmo ano do Papai Noel, ou no ano anterior. Não sei ao certo. Chamou-me a atenção o colorido das coisas e as diversas imagens de santos que lá foram colocadas. Não somente José, Maria e o Menino Jesus, mas também todos os santos da casa fizeram um toor na gruta de Belém feita pela minha mãe.
De novo, foi em Cordeiros. Acho que em 1979. Ainda não havíamos mudado para Taiobeiras, o que só ocorreria em setembro daquele ano. Era uma sexta-feira santa, também à noite. Menor ainda, eu me via caminhando entre uma multidão (procissão). Em outros momentos alguém me carregava nos ombros. Mas eu já era bem grandinho e de novo voltava ao chão. Num desses instantes vi que uma mulher vestida com uma longa roupa escura, a cabeça coberta por um véu, subiu num banquinho e começou a cantar uma canção triste. Enquanto isto ela ia desenrolando um pano que ao final continha um rosto todo marcado e sofrido. E eu perguntei, quem é aquele do retrato? E me disseram: É “Nossinhô”, que morreu para nos salvar. Só bem depois fui ligar que “Nossinhô” e Jesus eram a mesma pessoa. E que ele morreu, mas também ressuscitou. Venceu a morte e continua Vivo. Menino, Homem e Ressuscitado!
Dos dois encontros, com o “bom velhinho” e com o Jesus de Verônica, só tempos depois pude tirar as conclusões. E percebi que, entre os dois, o que me deu maior presente foi aquele que entregou sua vida por mim e pela humanidade inteira… tornando-se nosso caminho, nossa verdade e nossa própria vida.
Feliz Natal para você!
Essas são algumas das ideias que me recordo “de cabeça”. Se alguém que também participou da reunião se lembrar de mais, favor enviar aqui para o blog em forma de comentário, que publicarei. É importante que toda a sociedade de mobilize.
O capitalismo devorou o Natal e os religiosos de mercado aplaudiram. Só não engoliu o indigesto Menino-Crucificado que teima em nascer nesta época do ano. Nem a ele nem aos discípulos dele. Ao Menino, porque o capitalismo não suporta suas manias: a de repartir pão e peixe ao invés de vendê-los nem a de acolher igualitariamente a cada um nos banquetes que organiza. Aos discípulos dele, porque o mercado não aceita que se adore outro deus senão a divindade do regime monoteísta do capital.
| Marileide Alves Pinheiro |
Certo dia, quando já estava quase desistindo de tudo, parou perto de um pequeno córrego para beber água e descansar. Percebeu que por ali tudo era muito triste como ele também se sentia. As poucas árvores que lá havia estavam secas, sem folhas, sem frutas, sem vida. Mesmo assim, resolveu se deitar perto de uma árvore, se escorando numa pedra que havia por perto. Começou a cochilar e logo adormeceu de tão cansado.
Enquanto ele dormia, acabou sonhando. Sonhou que estava correndo e nunca conseguia chegar aonde ele queria. No momento que estava bastante ofegante de tão cansado ele viu uma linda moça no meio de uma plantação bem verde, com folhas grandes que balançavam, balançavam produzindo uma deliciosa brisa fresca.
A linda moça estava com um lindo e longo vestido verde da mesma cor da plantação. Tinha os cabelos negros, longos e cacheados, soltos ao vento e repleto de flores perfumadas. Chamava-o para perto dela. As suas pernas se acabaram e quando se assustou, percebeu que havia algumas flores perfumadas do cabelo daquela moça encima da pedra em que ele estava escorado, descansando. O lavrador esfregou os seus olhos e ficou ali sentado imaginando encontrar realmente aquela moça: “Aquela sim era a moça que eu sempre sonhara para viver o resto de minha vida”.
Depois disso, resolveu que iria fazer a sua morada perto daquele pequeno córrego na esperança de um dia encontrar a moça de seus sonhos. Passou a cuidar das águas e das plantas que ali havia. Construiu a sua casinha exatamente ao lado daquela pedra onde adormecera. Quando chegou o período das águas, naquele lugar começou a brotar uma planta igual àquela que ele havia sonhado; folhas grandes e verdes. Deu-lhe o nome de “taioba”. Sua batata (raiz) foi entremeando pelo solo úmido, se espalhando à margem do córrego e se tornou uma grande plantação verde, muito bonita.
Tempos depois, estava passando perto dali uma linda moça, morena, de cabelos longos e cacheados. Ao ver toda aquela plantação de taioba sentiu-se atraída e encantada pela beleza desta planta. Ela se aproximou da casa do lavrador, os dois se apaixonaram se casaram e ela ficou por lá morando com ele.
Perceberam que aquela planta era comestível. Poderia comer tanto as suas folhas quanto a sua batata (raiz). Foi assim que passaram a fazer delicioso ensopado de taioba com carne de sol, biscoitos com o polvilho da taioba, caldo verde com torresmo e muitas outras guloseimas…
Dizem que quanto mais o amor deles aumentava, a plantação de taioba aumentava mais ainda. Foi assim que por algum tempo, toda essa região ficou conhecida como “Sítio Bom Jardim das Taiobeiras”. Muitos tropeiros, viajantes que passavam por aqui se sentiam também atraídos pelo lugar, gostaram tanto que muitos foram ficando. Muito tempo depois este mesmo lugar se tornou uma linda cidade que recebeu o nome de TAIOBEIRAS.
(Este conto foi baseado em muitas outras estórias que já ouvi de meus pais e avôs quando ainda era criança)
| Vista lateral da Igreja Matriz de S. Sebastião – Taiobeiras-MG |
Para ter uma visão resumida sobre a história de Taiobeiras, clique aqui.
A presidenta Dilma Rousseff divulgou hoje (4) nota de pesar pelo falecimento do jogador Sócrates. Segundo ela, além de “gênio do futebol”, com “toques sofisticados” em campo, o doutor Sócrates foi um campeão da cidadania, atuante politicamente, preocupado com seu povo e seu país.
Nota de pesar da presidenta Dilma Rousseff pelo falecimento do jogador Sócrates
O Brasil perde um de seus filhos mais queridos, o doutor Sócrates. Nos campos, com seu talento e seus toques sofisticados, foi um gênio do futebol, a ponto de ser considerado o melhor jogador sul-americano de 1983, e ser escolhido pela FIFA, em 2004, como um dos 125 melhores jogadores vivos da história. Como jogador do Corinthians, deu muitas alegrias à torcida.
Além de ídolo do futebol, Sócrates foi um campeão da cidadania. Fora dos campos, nunca se omitiu. Foi um brasileiro atuante politicamente, preocupado com o seu povo e o seu país. Procurando o bem-estar de seus companheiros, ajudou a implantar um sistema democrático no clube em que atuava. Participou também ativamente da campanha pelas Diretas-Já e de outros momentos importantes da redemocratização do país.
Lamento a perda de um grande brasileiro e envio meu abraço solidário a seus parentes, amigos e admiradores.
Dilma Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil
![]() |
| Audiência no plenário da Câmara Municipal de Taiobeiras |
Com informações da ALMG
A Comissão de Minas e Energia esteve em Taiobeiras, no Norte de Minas nesta sexta-feira (2), a pedido do Deputado Estadual Rogério Corrêa, onde realizou audiência pública sobre os investimentos minerários da região. O momento serviu também para as comunidades atingidas pela mineração apresentarem denúncias, já que a ação das mineradoras têm causado muitos problemas. As comunidades reclamam de falta de informação sobre os projetos, e também de transtornos já provocados na fase de pesquisas.
Na comunidade quilombola de Peixe Bravo, município de Rio Pardo de Minas por exemplo, moradores ficaram por mais de uma semana sem poder consumir água de suas nascentes devido a contaminação causada pelas empresas que pesquisam o minério. Já em Riacho dos Machados, a empresa mineradora tem pressionado a sociedade dos municípios a apoiarem o processo e tem trabalhado diligentemente para o não cumprimento de muitas condicionantes, inclusive não tem apresentado todos os estudos necessários e mesmo assim, tem recebido as licenças para funcionamento.
Essas foram apenas algumas das questões que contrapuseram aos interesses dos prefeitos e empresários que também estiveram presentes na reunião. Essa audiência foi solicitada pelo Mastro – Movimento Articulado dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais do Alto Rio Pardo e pela Associação Amigos de Porteirinha.
Os movimentos sociais da região foram mobilizados para fortalecer a luta pela justiça e pelos direitos dos povos!
Taiobeiras é vizinha de uma grande jazida de ferro e ouro. A exploração é pretendida por 7 empresas que devem iniciar as atividades a partir de 2014.
Na audiência, um biólogo que percorreu a região apontou as consequências da mineração para o meio ambiente, segundo ele, responsável por 38% do lixo produzido no planeta. Ele alertou ainda quanto ao potencial turístico na área que é cheia de grutas e cavernas.
Os deputados devem realizar um debate público em Belo Horizonte com a presença das empresas que estariam pressionando os proprietários a venderem as terras.
Foto: Jornal Folha Regional
A Comissão de Minas e Energia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais realizará nesta sexta-feira (2/12/11), audiência pública em Taiobeiras, Vale do Jequitinhonha, norte de Minas, para discutir as perspectivas de desenvolvimento socioeconômico e os possíveis impactos decorrentes dos grandes empreendimentos de mineração de ferro e ouro a serem implantados em municípios da região Norte do Estado.
Requerida pelos deputados Rogério Correia (PT) e Sávio Souza Cruz (PMDB), a reunião será às 9h30, na Câmara Municipal de Taiobeiras (Avenida da Liberdade, 314, Centro).
A população do Norte de Minas, segundo Rogério Correia, vive a expectativa de um novo ciclo econômico com a exploração do minério de ferro e do gás natural. A discussão, segundo o parlamentar, envolverá a sociedade civil organizada para “esclarecer os impactos sociais, econômicos e ambientais que esses projetos causarão à região”.
Convidados – Foram convidados a participar da audiência o deputado federal Padre João (PT); o procurador da República, André de Vasconcelos Dias; o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg), Vilson Luiz da Silva; o promotor de Justiça e coordenador da Regional de Defesa do Patrimônio Público do Norte de Minas, Paulo Márcio da Silva; o arcebispo Metropolitano de Montes Claros, D. José Alberto Moura; a promotora de Justiça e coordenadora Regional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente das Bacias do Rios Verde, Grande e do Rio Pardo de Minas, Ana Eloísa Marcondes da Silveira; o biólogo e perito Ambiental da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Flávio Fonseca do Carmo; o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Pardo de Minas, Elmy Pereira Soares; o representante do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas, Eliseu José de Oliveira; o representante da Comissão Pastoral da Terra, Alvimar Ribeiro dos Santos; o representante do Movimento dos Atingidos por Barragens, Moisés Borges de Oliveira; e o presidente da Associação dos Amigos de Porteirinha, Halley Mendes Cunha.
O ex-mecânico Marcos Mariano da Silva, de 63 anos, que passou 19 anos preso injustamente, morreu no início da noite de terça-feira (22), em sua casa, no bairro de Afogados, Recife, enquanto dormia. Ele teve um enfarte durante o sono, algumas horas depois de saber que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou recurso do governo de Pernambuco e determinou o pagamento da segunda parcela de uma indenização por danos materiais e morais. O valor total da indenização era de R$ 2 milhões. Ele já havia recebido metade em 2009.
Marcos Mariano já esperava a decisão do STJ, que lhe foi repassada, por telefone, pelo seu advogado José Afonso Bragança Borges, por volta das 15 horas. “Foi como se ele tivesse aguardado a corroboração da sua inocência para poder morrer em paz”, afirmou o advogado que acompanhou a sua “agonia e luta para provar ser um homem digno e honrado”.
O ex-mecânico foi preso acusado de homicídio, em 1972, e solto seis anos depois, em 1982, quando o verdadeiro culpado foi preso. Três anos depois, em 1985, ele voltou à prisão – como foragido – depois de ter sido reconhecido por um policial, durante uma blitz, quando dirigia um caminhão.
Marcos Mariano penou mais 13 anos no cárcere sem que ninguém desse crédito à sua história. Pegou tuberculose e ficou cego depois de atingido por estilhaços de uma bomba de gás lacrimogêneo jogada pelo batalhão de choque da Polícia Militar durante uma rebelião no Presídio Aníbal Bruno. Um mutirão judiciário reconheceu a injustiça e ele voltou a viver em liberdade em 1998, quando entrou com a ação judicial contra o governo estadual.
Desde então, diante da consternação da opinião pública, ele passou a receber uma pensão mensal de R$ 1 mil do governo estadual que foi suspensa quando, em 2009, recebeu a primeira parcela da indenização. Marcos Mariano comprou uma casa, ajudou a família e passou a ter uma vida digna. Mas já não tinha alegria de viver, segundo o advogado, que se transformou em amigo: “Ele me dizia que vivia em um cárcere escuro e daria tudo para enxergar novamente”.
Abandonado pela mulher e 11 filhos depois de ser preso pela segunda vez, Marcos Mariano conheceu Lúcia, que acompanhava a mulher de um companheiro de cela nas visitas, e se casou com ela. Seu corpo, velado no cemitério de Santo Amaro, foi enterrado na tarde desta quarta-feira (23/11/2011).
Publicado também na versão impressa do Jornal Folha Regional, Taiobeiras/MG, ano IX, nº 191, novembro/2011 e no site da Arquidiocese de Montes Claros, neste link.
![]() |
| Wernner Lucas |
Bruno Volpiano, meu querido amigo. O conheci em 2006, ele fazia um trabalho voluntário com alguns Demolays pelas ruas da cidade, entregando comida e agasalho para mendigos. Não sabia, mas naquele dia, conhecia também meu irmão. Nesse primeiro momento, reparei em sua maior qualidade: ele tratava aqueles moradores de rua como iguais, o que eles realmente são. Com o passar do tempo, percebi que todas as pessoas que ele encontrava na vida, foram tratadas da mesma maneira. Pode parecer pouco, mas isso é tão raro e belo, que ele foi colecionando amigos e admiradores. É difícil encontrar alguém que não gostasse do Volpiano, pois apesar dos seus defeitos, inerente à qualquer pessoa, ele transpirava honra, companheirismo e lealdade.
O Volpi era parceiro para todos os momentos e apesar das diferenças que tínhamos, éramos muito mais que parecidos. Tudo o que eu amo fazer nessa vida, o Volpi fazia ou já havia feito junto comigo. Longos papos cabeças, noites jogando RPG, poker, W11, as melhores baladas que fui em Pouso Alegre. Fui a todo tipo de lugar com meu amigo, por isso digo que ele era parte de mim. Afinal ele sempre estava comigo, pra tudo. E essa ausência gigante que hoje existe é que dói.
Por mais que eu seja forte e não goste de choros compulsivos em velórios, hoje eu descobri que chorar e se entristecer pelo falecimento de alguém que a gente ama, é tão natural quanto a própria morte. E nada natural pode ser mau. E essa foi a última lição que o Volpi deixou pra mim. De tantas outras que aprendi desde o nosso primeiro encontro, desde o início da nossa parceria. Mas essa dor não vai permanecer. Por ele e sua alegria de viver, ela vai passar.
Fiz questão de carregar o caixão até a sepultura e ser o último a tocar a nova casa do corpo do meu amigo, para poder mostrar através de uma atitude que ia com ele até o fim desse ciclo. Ciclo, e não morte. Porque agora o Volpiano vive no rosto, nas atitudes, nos gestos de todas as pessoas que conheceram e receberam um pouco do seu amor. A natureza não deixa que nada acabe, e o fim, na verdade, é só uma ilusão que ela usa para nos ensinar lições importantes da vida. Com a morte, a vida se renova, e o Volpiano agora vive em todos nós.
* Wernner Lucas nasceu em 25 de dezembro de 1985 em Taiobeiras. Foi meu aluno no Ensino Médio no Centro Educacional Beliza Corrêa. É um intelectual orgânico e acadêmico. Mora em Pouso Alegre/MG.
![]() |
| Martinha |
![]() |
| Chegada dos símbolos da JMJ em São João do Paraíso/MG |
Confirma mais clicando em Paraísofest.com.