Autor: Levon Nascimento

  • 40 anos da Teologia da Libertação

    Dom Helder Câmara, Arcebispo de Olinda e Recife
    no auge da Teologia da Libertação
    * Do Blog do Luis Nassif
    Há 40 anos, um pequeno livro de um sacerdote peruano estremeceu a Igreja católica ao sentar as bases da Teologia da Libertação, uma reflexão acusada de marxista por ressaltar a opção de Deus pelos pobres, mas também elogiada por renovar a mensagem dessa religião. A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 17-12-2011. A tradução é do Cepat.


    O livro Teologia de Libertação. Perspectivas [Vozes], de 1971, é considerado o ato teórico fundacional que deu nome ao movimento teológico mais importante nascido na América e foi escrito pelo peruano Gustavo Gutiérrez, hoje com 83 anos e sacerdote dominicano. “A ideia era dizer que Deus acompanhava os povos do Terceiro Mundo, que estava do seu lado na busca pela Terra Prometida, mas uma Terra Prometida que significava terra, liberdade, justiça, dignidade”, explicou o professor Jeffrey Klaiber, historiador das religiões na Universidade Católica de Lima. Em uma América Latina marcada pela desigualdade social e pelas ditaduras das décadas de 1960 e 1970, essa linha “captou a imaginação” de vastos setores, desde a Nicarágua de Somoza até as Filipinas de Marcos, encontrando ecos na África, segundo Klaiber.


    Gustavo Gutiérrez afirmou que “na Teologia da Libertação (TdL) a pobreza significa insignificância social, ela não se limita à sua dimensão econômica; pobre é o insignificante e excluído por diferentes razões, dali a gravidade da desigualdade social que sofremos no Peru”. “Essa teologia segue presente na América Latina, apesar das quatro décadas transcorridas, e sua mensagem central (a opção preferencial pelos pobres) repercute sobre a tarefa pastoral da Igreja”, disse Gutiérrez. “Bastaria tomar as conclusões da Conferência Episcopal da América Latina e do Caribe em Aparecida (Brasil, 2007) para dar-se conta disso”, evocou o sacerdote peruano sobre a reunião encabeçada pelo papa Bento XVI.

    A opção pelos pobres entusiasmou em um primeiro momento Roma, sob o papa Paulo VI (1963-1978), que designou bispos progressistas para a região com o maior número de fiéis católicos. Contudo, João Paulo II (1978-2005), formado no anticomunismo, a questionou alegando que fomentava a luta de classes e poderia distanciar os fiéis dos setores médios e altos. A ofensiva do Vaticano contra a Teologia da Libertação se traduziu na nomeação de bispos conservadores e se selou com dois documentos (“Instruções”) do então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé,Joseph RatzingerBento XVI desde 2005. “O importante é que os mal-entendidos, quando os houve, há tempo que foram superados através de um diálogo permanente e frutuoso”, ressaltou Gutiérrez sobre suas conversas com Ratzinger entre 1984-1986.
    O paradoxo na posição de Roma é que foram o Concílio Vaticano II (1962) e a Conferência Episcopal Latino-Americana de Medellín (1968) que serviram de inspiração para a TdL.


    Klaiber acredita que, “como corrente intelectual, o tempo da TdL já passou, mas seu espírito continua vigente e ativo no terreno, nas paróquias pobres e amazônicas mesmo que ninguém ouse pronunciar seu nome por medo da hierarquia”. O cardeal peruano Juan Luis Cipriani, primeiro cardeal da Opus Dei nomeado por João Paulo II no mundo, não aceitou fazer um comentário sobre a TdL quando lhe foi solicitado.


    “O que se pratica, na verdade, é a mensagem cristã, o Evangelho, não uma teologia; esta contribui para a vida da Igreja na medida em que reflete sobre essa mensagem tendo em conta o momento que se vive”, matiza Gutiérrez ao responder sobre se reescreveria sem mudanças seu texto de 1971. Gutiérrez não foi o único que impulsionou a TdL, que teve entre seus pioneiros o então sacerdote brasileiro Leonardo Boff e o colombiano Camilo Torres – que integrou as guerrilhas em seu país.

    Os casos dos arcebispos de El Salvador, Oscar Romero, assassinado em 1980, e do brasileiro Hélder Câmara, são referências obrigatórias dos representantes da Teologia da Libertação, que teve no Brasil sua base maior.
  • Artigo do Levon: A primeira vez em que vi Papai Noel e Jesus

    Artigo orignalmente publicado neste blog em 25 de dezembro de 2009. Veja no original neste link.
    Em tempos de Natal, resolvi buscar no baú da memória as referências que tenho sobre as personagens/personalidades que fazem parte dessa festa.

    Pelo que me lembro, a primeira vez em que ouvi falar e vi o Papai Noel foi no Natal de 1980. Nós morávamos em Taiobeiras/MG tinha um ano, mas meu Pai levou a família para passar o Natal em Cordeiros/BA. Estávamos na casa de Tia Ana, que ficava em frente à Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus da Boa Vida (a igreja velha que foi demolida nos anos 1990 para dar lugar à construção da nova). Era início da noite. Passou uma caminhonete C10 com um homem vestido de vermelho e com uma barba branca feita de algodão. Atrás vinha uma meninada sem fim. Eu, meu irmão e meus primos fomos atrás. Ele jogava balas para todos. Não me lembro se conseguimos apanhar alguma no meio daquele corre-corre, empurra-empurra. Sei que o destino final do homem fantasiado de “bom velhinho” foi um coreto acoplado ao fundo da igreja (quem já viu o Alto da Compadecida sabe como é o coreto do qual estou falando) e lá continuou a jogar mais balas para a criançada. Não sei se levava presentes para alguém. Naquele tempo eu não me preocupava com isto. Senti uma enorme alegria por estar ali. Só depois fui entender que se tratava do Natal. Natal – que signfica nascimento. Nascimento de quem? Mas esta pergunta eu só fiz muito tempo depois.

    E quando fiz a pergunta sobre quem nascera no Natal é que fiquei sabendo que se tratava de um certo menino, o Jesus, que embora nascera 2000 anos antes, nesta época do ano continuava menino, no presépio, acompanhado de seu Pai e de sua Mãe. O primeiro Presépio que vi, aliás, foi em minha casa, creio que naquele mesmo ano do Papai Noel, ou no ano anterior. Não sei ao certo. Chamou-me a atenção o colorido das coisas e as diversas imagens de santos que lá foram colocadas. Não somente José, Maria e o Menino Jesus, mas também todos os santos da casa fizeram um toor na gruta de Belém feita pela minha mãe.

    Ai me veio o questionamento, quando foi a primeira vez em que eu vi Jesus? E ruminando nas lembranças, percebi que foi em situação bem menos auspiciosa do que naquela em que me encontrei com o Velho Noel.

    De novo, foi em Cordeiros. Acho que em 1979. Ainda não havíamos mudado para Taiobeiras, o que só ocorreria em setembro daquele ano. Era uma sexta-feira santa, também à noite. Menor ainda, eu me via caminhando entre uma multidão (procissão). Em outros momentos alguém me carregava nos ombros. Mas eu já era bem grandinho e de novo voltava ao chão. Num desses instantes vi que uma mulher vestida com uma longa roupa escura, a cabeça coberta por um véu, subiu num banquinho e começou a cantar uma canção triste. Enquanto isto ela ia desenrolando um pano que ao final continha um rosto todo marcado e sofrido. E eu perguntei, quem é aquele do retrato? E me disseram: É “Nossinhô”, que morreu para nos salvar.  Só bem depois fui ligar que “Nossinhô” e Jesus eram a mesma pessoa. E que ele morreu, mas também ressuscitou. Venceu a morte e continua Vivo. Menino, Homem e Ressuscitado!

    Dos dois encontros, com o “bom velhinho” e com o Jesus de Verônica, só tempos depois pude tirar as conclusões. E percebi que, entre os dois, o que me deu maior presente foi aquele que entregou sua vida por mim e pela humanidade inteira… tornando-se nosso caminho, nossa verdade e nossa própria vida.

    Feliz Natal para você!

  • Taiobeiras: insegurança geral II

    Propostas para a segurança pública debatidas na reunião ocorrida em 16/12/2011 na sede da ACIT (Associação Comercial e Industrial de Taiobeiras):

    1. Busca de soluções sociais e educativas que previnam o envolvimento da juventude com drogas e/ou ações de recuperação para usuários;
    2. Realização urgente de audiência pública estadual sobre a questão da segurança;
    3. Mediação nos trâmites entre as Polícias Militar e Civil e o Poder Judiciário, de modo a agilizar as ações de segurança;
    4. Implantação do “Olho Vivo” em Taiobeiras;
    5. Descentralização das patrulhas da PM pelos bairros.

    Essas são algumas das ideias que me recordo “de cabeça”. Se alguém que também participou da reunião se lembrar de mais, favor enviar aqui para o blog em forma de comentário, que publicarei. É importante que toda a sociedade de mobilize.

  • Artigo do Levon: O aniversário do Menino-Crucificado

    Publicado na edição impressa do Jornal Folha Regional, Taiobeiras (MG), ano IX, nº 192, página 4, dezembro/2011.

    O capitalismo devorou o Natal e os religiosos de mercado aplaudiram. Só não engoliu o indigesto Menino-Crucificado que teima em nascer nesta época do ano. Nem a ele nem aos discípulos dele. Ao Menino, porque o capitalismo não suporta suas manias: a de repartir pão e peixe ao invés de vendê-los nem a de acolher igualitariamente a cada um nos banquetes que organiza. Aos discípulos dele, porque o mercado não aceita que se adore outro deus senão a divindade do regime monoteísta do capital.


    Cada vez mais cedo, lâmpadas chinesas piscam conclamando ao grande ritual de adoração consumista. Indicam o caminho da satisfação passageira. Adornam o altar-mor do hedonismo. Obscurecem a luz verdadeira do “Sol da Justiça” que, apesar de todo agravo, insiste em permanecer irradiante no horizonte dos deserdados e dos heréticos críticos do culto cujo símbolo é o cifrão.

    O “bom” velhinho cinicamente cobra pelo abraço que empresta às crianças. Os sinos repicam melodias ocas, inaudíveis aos corações que anseiam por justiça e paz. Apelos são feitos em nome de uma felicidade esvaziada de propósito, nos quais o principal personagem que a proporciona é (pelo menos tentam) escamoteado e substituído por figurantes descartáveis e canastrões.

    Em meio à algazarra das vielas de venda e compra, nas sarjetas da história, pessoas insistem em dizer não a esta festa da morte. Elas ocupam as ruas e as avenidas reais e virtuais. Reafirmam a plenos pulmões que “santo, santo, santo” é somente um. E que este Único pode também ser chamado de “caminho, verdade e vida”. Que seu caminho não exige pagamento, mas compromisso. Que sua verdade é duradoura, não se desgastando como produto do mercado. Que sua vida é nova e plena, justa e necessária, eterna e completa para todos.

    Os que de fato infringem o Natal do capital postam-se do lado das causas dos pobres, defendem a vida dos inocentes e dos encarcerados nas inúmeras prisões que o tempo lhes condena; assumem a condição dos destituídos de toda dignidade. São os fortes; os que fazem de sua fraqueza material seu estofo moral e ético, sua grandeza espiritual e fraterna.

    Por isso, deseja-se mais do que feliz natal. Dizemos, com a ênfase dos que gritam sem auto-falante em meio ao barulho do trânsito: Feliz aniversário, Menino-Crucificado! Feliz aniversário àquele que não se deixa ser comprado! Viva o que se doa a quem o procura, por inteiro e por amor!

    Restam, pois, apenas duas perguntas para a celebração do aniversário ficar ainda mais completa. Quem é o Menino? Quem são seus discípulos?
  • Taiobeiras: insegurança geral

    Acabo de chegar de uma reunião da qual participei a convite do presidente da ACIT, Carlito Arruda, onde se discutiu a criação de uma agenda de ações em prol da segurança pública em Taiobeiras. Muita perplexidade e indignação diante dos fatos de insegurança que estamos vivendo (mais um assassinato brutal à luz do dia em um supermercado da cidade). Também algumas ideias da sociedade civil para serem levadas a sério por quem tem poder de fato. A sociedade de Taiobeiras precisa passar urgentemente da comoção à participação, para ver se as coisas mudam para melhor. Darei maiores informações em outro post.
  • Aniversário de Taiobeiras: O Conto das Taiobas – origem do nome Taiobeiras

    Marileide Alves Pinheiro
    Conto de Marileide Alves Pinheiro

    Conta-se que há muito, muito tempo atrás, um certo lavrador que era um senhor muito sério e trabalhador, queria se casar. Mas onde ele morava não havia nenhuma moça disponível. As mulheres que lá havia ou já eram comprometidas ou eram muito crianças ainda. Como o lavrador já estava numa certa idade, ele queria urgência. Então resolveu sair pelo mundo a fora à procura de sua amada. Andou… Andou… Andou… Chegava num lugar, perguntava e nada. Chegava noutro e perguntava e nada. Assim foi passando dias e noites, noites e dias e o pobre lavrador ainda não tinha conseguido encontrar a sua amada e terem os seus filhos que ele tanto sonhara.

    Certo dia, quando já estava quase desistindo de tudo, parou perto de um pequeno córrego para beber água e descansar. Percebeu que por ali tudo era muito triste como ele também se sentia. As poucas árvores que lá havia estavam secas, sem folhas, sem frutas, sem vida. Mesmo assim, resolveu se deitar perto de uma árvore, se escorando numa pedra que havia por perto. Começou a cochilar e logo adormeceu de tão cansado.

    Enquanto ele dormia, acabou sonhando. Sonhou que estava correndo e nunca conseguia chegar aonde ele queria. No momento que estava bastante ofegante de tão cansado ele viu uma linda moça no meio de uma plantação bem verde, com folhas grandes que balançavam, balançavam produzindo uma deliciosa brisa fresca.

    A linda moça estava com um lindo e longo vestido verde da mesma cor da plantação. Tinha os cabelos negros, longos e cacheados, soltos ao vento e repleto de flores perfumadas. Chamava-o para perto dela. As suas pernas se acabaram e quando se assustou, percebeu que havia algumas flores perfumadas do cabelo daquela moça encima da pedra em que ele estava escorado, descansando. O lavrador esfregou os seus olhos e ficou ali sentado imaginando encontrar realmente aquela moça: “Aquela sim era a moça que eu sempre sonhara para viver o resto de minha vida”.

    Depois disso, resolveu que iria fazer a sua morada perto daquele pequeno córrego na esperança de um dia encontrar a moça de seus sonhos. Passou a cuidar das águas e das plantas que ali havia. Construiu a sua casinha exatamente ao lado daquela pedra onde adormecera. Quando chegou o período das águas, naquele lugar começou a brotar uma planta igual àquela que ele havia sonhado; folhas grandes e verdes. Deu-lhe o nome de “taioba”. Sua batata (raiz) foi entremeando pelo solo úmido, se espalhando à margem do córrego e se tornou uma grande plantação verde, muito bonita.

    Tempos depois, estava passando perto dali uma linda moça, morena, de cabelos longos e cacheados. Ao ver toda aquela plantação de taioba sentiu-se atraída e encantada pela beleza desta planta. Ela se aproximou da casa do lavrador, os dois se apaixonaram se casaram e ela ficou por lá morando com ele.

    Perceberam que aquela planta era comestível. Poderia comer tanto as suas folhas quanto a sua batata (raiz). Foi assim que passaram a fazer delicioso ensopado de taioba com carne de sol, biscoitos com o polvilho da taioba, caldo verde com torresmo e muitas outras guloseimas…

    Dizem que quanto mais o amor deles aumentava, a plantação de taioba aumentava mais ainda. Foi assim que por algum tempo, toda essa região ficou conhecida como “Sítio Bom Jardim das Taiobeiras”. Muitos tropeiros, viajantes que passavam por aqui se sentiam também atraídos pelo lugar, gostaram tanto que muitos foram ficando. Muito tempo depois este mesmo lugar se tornou uma linda cidade que recebeu o nome de TAIOBEIRAS.

    (Este conto foi baseado em muitas outras estórias que já ouvi de meus pais e avôs quando ainda era criança)

    Marileide Alves Pinheiro
  • 12 de dezembro: 58 anos de Taiobeiras

    Vista lateral da Igreja Matriz de S. Sebastião – Taiobeiras-MG
    Nesta segunda-feira, 12 de dezembro de 2011, Taiobeiras completa 58 de emancipação política-administrativa. Parabéns ao povo taiobeirense!

    Para ter uma visão resumida sobre a história de Taiobeiras, clique aqui.

  • Presidenta Dilma libera recursos para Taiobeiras

    Com informações da assessoria do Deputado Federal Reginaldo Lopes (PT-MG), repasso os valores liberados pela presidenta Dilma Rousseff (PT) para investimentos no município de Taiobeiras.

    Expansão da Rede de Esgoto: R$ 13.428.404,36 (Treze milhões, quatrocentos e vinte e oito mil, quatrocentos e quatro reais e trinta e seis centavos). Recursos do PAC 2.
    Construção da Escola Técnica (Programa Brasil Profissionalizado): R$ 6.000.000,00 (Seis milhões de reais).
  • Além de gênio do futebol, Sócrates foi um campeão da cidadania, diz presidenta em nota


    A presidenta Dilma Rousseff divulgou hoje (4) nota de pesar pelo falecimento do jogador Sócrates. Segundo ela, além de “gênio do futebol”, com “toques sofisticados” em campo, o doutor Sócrates foi um campeão da cidadania, atuante politicamente, preocupado com seu povo e seu país.


    Na nota, a presidenta destaca o sistema democrático que Sócrates ajudou a implantar no Corinthians e sua participação ativa na campanha pelas Diretas-Já.


    Leia abaixo a íntegra da nota.

    Nota de pesar da presidenta Dilma Rousseff pelo falecimento do jogador Sócrates

    O Brasil perde um de seus filhos mais queridos, o doutor Sócrates. Nos campos, com seu talento e seus toques sofisticados, foi um gênio do futebol, a ponto de ser considerado o melhor jogador sul-americano de 1983, e ser escolhido pela FIFA, em 2004, como um dos 125 melhores jogadores vivos da história. Como jogador do Corinthians, deu muitas alegrias à torcida.

    Além de ídolo do futebol, Sócrates foi um campeão da cidadania. Fora dos campos, nunca se omitiu. Foi um brasileiro atuante politicamente, preocupado com o seu povo e o seu país. Procurando o bem-estar de seus companheiros, ajudou  a implantar um sistema democrático no clube em que atuava. Participou também ativamente da campanha pelas Diretas-Já e de outros momentos importantes da redemocratização do país.

    Lamento a perda de um grande brasileiro e envio meu abraço solidário a seus parentes, amigos e admiradores.

    Dilma Rousseff
    Presidenta da República Federativa do Brasil

  • Audiência Pública: Norte de Minas se preocupa com impacto da atividade mineradora

    Audiência no plenário da Câmara Municipal de Taiobeiras
    Por Júnior Dias, no Paraisofest.com.br

    Com informações da ALMG

    A Comissão de Minas e Energia esteve em Taiobeiras, no Norte de Minas nesta sexta-feira (2), a pedido do Deputado Estadual Rogério Corrêa, onde realizou audiência pública sobre os investimentos minerários da região. O momento serviu também para as comunidades atingidas pela mineração apresentarem denúncias, já que a ação das mineradoras têm causado muitos problemas. As comunidades reclamam de falta de informação sobre os projetos, e também de transtornos já provocados na fase de pesquisas.

    Na comunidade quilombola de Peixe Bravo, município de Rio Pardo de Minas por exemplo, moradores ficaram por mais de uma semana sem poder consumir água de suas nascentes devido a contaminação causada pelas empresas que pesquisam o minério. Já em Riacho dos Machados, a empresa mineradora tem pressionado a sociedade dos municípios a apoiarem o processo e tem trabalhado diligentemente para o não cumprimento de muitas condicionantes, inclusive não tem apresentado todos os estudos necessários e mesmo assim, tem recebido as licenças para funcionamento.

    Essas foram apenas algumas das questões que contrapuseram aos interesses dos prefeitos e empresários que também estiveram presentes na reunião. Essa audiência foi solicitada pelo Mastro – Movimento Articulado dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais do Alto Rio Pardo e pela Associação Amigos de Porteirinha.
    Os movimentos sociais da região foram mobilizados para fortalecer a luta pela justiça e pelos direitos dos povos!

    Taiobeiras é vizinha de uma grande jazida de ferro e ouro. A exploração é pretendida por 7 empresas que devem iniciar as atividades a partir de 2014.

    Na audiência, um biólogo que percorreu a região apontou as consequências da mineração para o meio ambiente, segundo ele, responsável por 38% do lixo produzido no planeta. Ele alertou ainda quanto ao potencial turístico na área que é cheia de grutas e cavernas.

    Os deputados devem realizar um debate público em Belo Horizonte com a presença das empresas que estariam pressionando os proprietários a venderem as terras.

    Foto: Jornal Folha Regional

  • Deputados discutirão em Taiobeiras os impactos da mineração


    A Comissão de Minas e Energia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais realizará nesta sexta-feira (2/12/11), audiência pública em Taiobeiras, Vale do Jequitinhonha, norte de Minas, para discutir as perspectivas de desenvolvimento socioeconômico e os possíveis impactos decorrentes dos grandes empreendimentos de mineração de ferro e ouro a serem implantados em municípios da região Norte do Estado.

    Requerida pelos deputados Rogério Correia (PT) e Sávio Souza Cruz (PMDB), a reunião será às 9h30, na Câmara Municipal de Taiobeiras (Avenida da Liberdade, 314, Centro).

    A população do Norte de Minas, segundo Rogério Correia, vive a expectativa de um novo ciclo econômico com a exploração do minério de ferro e do gás natural. A discussão, segundo o parlamentar, envolverá a sociedade civil organizada para “esclarecer os impactos sociais, econômicos e ambientais que esses projetos causarão à região”.

    Convidados – Foram convidados a participar da audiência o deputado federal Padre João (PT); o procurador da República, André de Vasconcelos Dias; o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg), Vilson Luiz da Silva; o promotor de Justiça e coordenador da Regional de Defesa do Patrimônio Público do Norte de Minas, Paulo Márcio da Silva; o arcebispo Metropolitano de Montes Claros, D. José Alberto Moura; a promotora de Justiça e coordenadora Regional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente das Bacias do Rios Verde, Grande e do Rio Pardo de Minas, Ana Eloísa Marcondes da Silveira; o biólogo e perito Ambiental da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Flávio Fonseca do Carmo; o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Pardo de Minas, Elmy Pereira Soares; o representante do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas, Eliseu José de Oliveira; o representante da Comissão Pastoral da Terra, Alvimar Ribeiro dos Santos; o representante do Movimento dos Atingidos por Barragens, Moisés Borges de Oliveira; e o presidente da Associação dos Amigos de Porteirinha, Halley Mendes Cunha.

  • Ficção: O "tesouro"

    14 de maio de 1940. Em meio à invasão da Holanda pelas tropas nazistas, um jovem advogado judeu recém-casado não vê outra opção senão fugir de sua cidade com a esposa no porão de um navio de bandeira mexicana. Na iminência dos ataques aéreos da Luftwaffe e da invasão de residências suspeitas de servirem como abrigo a semitas pelas forças da SS, Estêvão e Judith apanham algumas poucas coisas e partem para a embarcação que zarpará em seguida rumo ao continente americano. Um pacote, em especial, ele faz questão de apanhar com maior cuidado. Guardou-o junto aos outros pertences que pode carregar. Antes, porém, colou junto a este objeto o que parecia ser um envelope de carta já lacrado. Passos largos, nem tão rápidos nem tão lentos. Precisavam de urgência, mas não podiam chamar a atenção. Ao chegar junto ao navio Exaltación encontram outro compatriota judeu. Jacob, seu nome. Era grande a correria. A sombra de um ataque iminente se refletia nos semblantes atribulados. Estêvão entrega o pacote a Jacob ainda com mais cuidado e lhe confidencia algo. Seus gestos denunciam que não desejava que percebessem o que fazia. Parecia que se separava de um tesouro. Jacob vai à frente. Sua missão era embarcar e conseguir uma maneira do jovem casal também o fazer. Ele consegue entrar no navio. Quando então olha para trás, já em meio aos sons das sirenes que marcavam a partida, vê que Estêvão e Judite não tiveram a mesma sorte. As tropas da SS já os encaminhava para os veículos escuros onde, aterrorizante, se podia ver o emblema da suástica.

    Duas semanas depois, em alto mar, Jacob, cujo semblante já não revelava outra expressão senão a morbidez de quem já desacreditava na vida, num estalo de consciência, lembra-se da enigmática encomenda que seu jovem amigo lhe havia pedido para fazer a entrega. Ainda não se dera conta, ante à brutalidade dos acontecimentos que tormentavam a sua mente, do que queria o seu compatriota ao lhe entregar aquele embrulho. Não se atreveu a abrí-lo. Parecia-lhe uma ofensa demasiado grave contra a confiança de quem desde a infância fora seu vizinho e colega. Ainda mais, lhe parecia uma invasão, se violasse o conteúdo do pacote, contra a memória de quem, agora, naquele instante, se já não estivesse morto através de uma execução sumária, deveria estar sofrendo agruras indígnas em algum campo de trabalhos forçados dos cães nazistas. Teve raiva. Chorou. Não abriu o “tesouro”. Limitou-se a ver que no envelope anexo estava escrito o nome e o endereço do destinatário. Leu: “FREI JUCUNDIANO DE KOK, Paróquia S. Sebastião. Distrito de Tayobeiras, Município de Salinas, MG, Brazil”. Lembrou-se que Jucundiano era o nome religioso adotado por um outro colega de infância, não judeu como ele e Estêvão, mas católico, Adrianus Cornelius. Apesar de todo o preconceito que havia entre cristãos e judeus, cresceram juntos, brincavam na rua, eram amigos. Sabia que após abraçar a vida religiosa, Adrianus havia sido mandado ao Brasil. Não pensou mais. Estava exausto. Dormiu. Nas semanas que seguiram, em longa e cansativa viagem, abraçado pelo terror e pelo sentimento de perda, Jacob não mais voltou a observar a estranha encomenda de Estêvão.

    18 de julho de 1940. Jacob desembarca num porto mexicano. Apesar da tristeza, a esperança fala mais alto naquele instante. Imaginou que sua vida estava começando de novo naquele diferente e inquietante país. Debaixo do braço, carregava um pacote com extremo zelo.

    15 outubro de 1941. Um frade visitador da Província Franciscana de Santa Cruz, proveniente da capital de Minas Gerais, Belo Horizonte, chega ao pequeno distrito de Taiobeiras para inspecionar o trabalho pastoral empreendido pelo administrador, um seu confrade e conterrâneo holandês de nome Frei Jucundiano de Kok. Chama-lhe a atenção os alicerces da nova matriz paroquial que o jovem pároco começara a erguer. Espanta-se com o tamanho da construção, muito grande para um povoado tão pequeno e de tão reduzidas possibilidades populacionais e econômicas. Mesmo assim, admira a fé e o empenho do confrade que ali se esmera em lhe dar detalhes de como será o novo templo. Entre os tantos objetos que trás consigo, muitas correspondências provenientes da Holanda são entregues a Jucundiano. Mas chama a atenção um pacote que está dentro de um grande envelope postado a partir da Cidade do México.

    24 de dezembro de 1941. Após o retorno do frade visitador, o jovem pároco Jucundiano resolve abrir o pacote. Apesar de inicialmente estranhar a postagem proveniente do México, o trabalho pastoral lhe absorvera de tal forma naqueles dias que não teve curiosidade de saber o que ali havia até aquele momento, véspera de Natal. Apanha-a e, antes de abrir, lê a carta que lhe está anexa. Seus olhos brilham quando vê que é de Estêvão, seu amigo de infância. Pausa a leitura e lembra que sua Holanda está ocupada pelos nazistas. Sabe como eles tratam os judeus. Semblante crispado, retoma a leitura. Fica atônito com o que lê. Mais atribulado ainda quando abre o pacote e se dá conta do que acaba de receber. Demora um tempo até tomar fôlego. É simplesmente incrível e terrível!
    Convicto de que não tinha condições de revelar o que lhe fora confiado por seu amigo judeu, provavelmente, àquela altura, imolado num campo de concentração nazista, o frade põe o conteúdo do que recebera numa caixa metálica e lacra-a com um cadeado. Após celebrar a Missa do Galo, já na madrugada de 25 de dezembro de 1941, dirije-se às obras da nova igreja e enterra a caixa debaixo do local do “Santuário”, no templo que, em alguns anos, será a nova matriz de sua humilde missão em solo latino-americano. Diz para sim mesmo: “Não há melhor lugar. Não há melhor lugar”.
  • Poder "injusticiário"

    Essa informação aqui abaixo corrobora minha tese intuitiva de que o pior de todos os poderes constituídos do Brasil é o Judiciário. Na verdade, não temos Justiça. Podemos afirmar que, salvo as honrosas excessões, temos um “injusticiário” (para os pobres e desvalidos). Leia:

    Marcos Mariano da Silva teve um enfarte enquanto dormia, após receber notícia de indenização

    Angela Lacerda, correspondente – 23/11/2011 – 15:58


    O ex-mecânico Marcos Mariano da Silva, de 63 anos, que passou 19 anos preso injustamente, morreu no início da noite de terça-feira (22), em sua casa, no bairro de Afogados, Recife, enquanto dormia. Ele teve um enfarte durante o sono, algumas horas depois de saber que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou recurso do governo de Pernambuco e determinou o pagamento da segunda parcela de uma indenização por danos materiais e morais. O valor total da indenização era de R$ 2 milhões. Ele já havia recebido metade em 2009.

    Marcos Mariano já esperava a decisão do STJ, que lhe foi repassada, por telefone, pelo seu advogado José Afonso Bragança Borges, por volta das 15 horas. “Foi como se ele tivesse aguardado a corroboração da sua inocência para poder morrer em paz”, afirmou o advogado que acompanhou a sua “agonia e luta para provar ser um homem digno e honrado”.

    O ex-mecânico foi preso acusado de homicídio, em 1972, e solto seis anos depois, em 1982, quando o verdadeiro culpado foi preso. Três anos depois, em 1985, ele voltou à prisão – como foragido – depois de ter sido reconhecido por um policial, durante uma blitz, quando dirigia um caminhão.

    Marcos Mariano penou mais 13 anos no cárcere sem que ninguém desse crédito à sua história. Pegou tuberculose e ficou cego depois de atingido por estilhaços de uma bomba de gás lacrimogêneo jogada pelo batalhão de choque da Polícia Militar durante uma rebelião no Presídio Aníbal Bruno. Um mutirão judiciário reconheceu a injustiça e ele voltou a viver em liberdade em 1998, quando entrou com a ação judicial contra o governo estadual.

    Desde então, diante da consternação da opinião pública, ele passou a receber uma pensão mensal de R$ 1 mil do governo estadual que foi suspensa quando, em 2009, recebeu a primeira parcela da indenização. Marcos Mariano comprou uma casa, ajudou a família e passou a ter uma vida digna. Mas já não tinha alegria de viver, segundo o advogado, que se transformou em amigo: “Ele me dizia que vivia em um cárcere escuro e daria tudo para enxergar novamente”.

    Abandonado pela mulher e 11 filhos depois de ser preso pela segunda vez, Marcos Mariano conheceu Lúcia, que acompanhava a mulher de um companheiro de cela nas visitas, e se casou com ela. Seu corpo, velado no cemitério de Santo Amaro, foi enterrado na tarde desta quarta-feira (23/11/2011).

  • Artigo do Levon: Morde & Assopra

    Pelas manhãs, ouvindo os elogios e as críticas do povo de Taiobeiras no programa “Boca no Trombone” da Rádio Norte Mais FM, – diga-se de passagem, uma excelente opção comunicativa de construção da cidadania coletiva – uma pergunta nos vem à cabeça: “Como pode que as pessoas elogiem tanto uma administração e ao mesmo tempo reclamem em igual proporção pela má-qualidade ou inexistência da prestação de alguns serviços básicos de sua responsabilidade à população?”

    Em especial, na área de saúde, os cidadãos ligam e pedem ajuda para tratamentos complexos ou a compra de remédios caros, reclamam da demora na marcação de consultas especializadas ou de exames, ou mesmo de um suposto mal-atendimento por parte de alguns servidores públicos, para logo em seguida se derramarem em elogios aos gestores setorializados ou os do próprio governo municipal. Os culpados, na boca do povo, são sempre os “funcionários”, os “servidores”, os “assessores”. É como se estes não tivessem chefias ou não seguissem ordens superiores. O mesmo se repete em relação a outros setores e serviços de responsabilidade da municipalidade, não ficando as reclamações restritas à área da saúde. Nem os elogios.

    O que seria isso? Ingenuidade? Desconhecimento do processo político? Desinformação quanto às estruturas de governo? Manipulação? Talvez tudo isso ou nada.

    Somos herdeiros da cultura da despolitização e do clientelismo coronelista. “O cachimbo entorta a boca”, diz o ditado. Talvez nosso povo ainda não esteja suficientemente adaptado aos novos tempos de democracia que o Brasil tenta experimentar. Despolitização, na medida em que o povo é chamado a participar da política apenas na época de votar, de balançar bandeiras e de seguir carreatas em campanha; jamais para refletir criticamente sobre as escolhas que são feitas pelo Estado e que acabam por atingir a vida da sociedade inteira. Clientelismo coronelista, quando esta mesma população despolitizada é levada a uma relação não-cidadã com seus representantes políticos, ficando órfã de regras, de cobertura legal e de direitos e deveres estabelecidos.

    A relação que o povo conhece – não por sua culpa somente – é de paternalismo estrutural. É como se não existisse o direito. E se não há direitos, tampouco se pode cobrar que haja consciência dos deveres. No lugar há o favor e a troca. Tudo que se consegue dos políticos é visto ou tratado como ato de benevolência ou de favor da parte deles em relação ao necessitado que os procura na hora da “precisão” (necessidade). Evidente que daí se formou uma cultura muito mais complexa, deformada e cínica, na qual os indivíduos se tornam hábeis “pedintes” (de favores pessoais) aos políticos de plantão; e estes, mesmo os com boas intenções e noção republicana, se tornam reféns da própria condição nefasta de se manter o poder. Têm que dar para receber.

    Na verdade, as pessoas que reclamam e elogiam, ao invés de fazer política, como deve ser e é de direito de cada cidadão, continuam perpetuando os velhos vícios que negam a sua cidadania plena. Elas mordem e assopram. Reclamam do que lhes é de direito, mas não prestado satisfatoriamente, incriminando a quem não tem o poder de lhes provocar algum dano maior (funcionários, em geral; trabalhadores como elas próprias, em busca da sobrevivência). E assopram os chefes maiores, a quem sabem que cabe a responsabilidade de fato, mas a quem ou temem a reação ou de quem esperam conseguir algo mais vultoso em tempos de eleição. As broncas no rádio, dessa forma, embora necessárias, caem na esterilidade, uma vez que as pessoas não se juntam e não se organizam comunitariamente para fazer valer aquilo de que precisam e do qual tanto reclamam. A crítica não é ao modelo do programa. A decepção é com a própria sociedade que não avança – a partir da “deixa” civilizatória dessa atração comunicativa do rádio – rumo a uma possibilidade real de crescimento nos aspectos de cidadania. Apesar de todo o exposto aqui, a esperança não se abate. Já é um bom começo botar a boca no trombone.

    E assim vamos, com uma cultura política deformada, assassina da cidadania, caminhando numa democracia de faz de conta, num cinismo que perpetra o Estado e a sociedade, à espera que no futuro existam homens e mulheres, na mesma sociedade e também no governo, corajosos a ponto de interromper este círculo vicioso. Cidadania plena é a que desejamos para todos.

    Publicado também na versão impressa do Jornal Folha Regional, Taiobeiras/MG, ano IX, nº 191, novembro/2011 e no site da Arquidiocese de Montes Claros, neste link.

  • Wernner Lucas: Ao meu irmão

    Wernner Lucas
    * Por Wernner Lucas em seu blog.

    Um amigo será sempre um irmão.
    (Benjamin Franklin)

    Bruno Volpiano, meu querido amigo. O conheci em 2006, ele fazia um trabalho voluntário com alguns Demolays pelas ruas da cidade, entregando comida e agasalho para mendigos. Não sabia, mas naquele dia, conhecia também meu irmão. Nesse primeiro momento, reparei em sua maior qualidade: ele tratava aqueles moradores de rua como iguais, o que eles realmente são. Com o passar do tempo, percebi que todas as pessoas que ele encontrava na vida, foram tratadas da mesma maneira. Pode parecer pouco, mas isso é tão raro e belo, que ele foi colecionando amigos e admiradores. É difícil encontrar alguém que não gostasse do Volpiano, pois apesar dos seus defeitos, inerente à qualquer pessoa, ele transpirava honra, companheirismo e lealdade.

    O Volpi era parceiro para todos os momentos e apesar das diferenças que tínhamos, éramos muito mais que parecidos. Tudo o que eu amo fazer nessa vida, o Volpi fazia ou já havia feito junto comigo. Longos papos cabeças, noites jogando RPG, poker, W11, as melhores baladas que fui em Pouso Alegre. Fui a todo tipo de lugar com meu amigo, por isso digo que ele era parte de mim. Afinal ele sempre estava comigo, pra tudo. E essa ausência gigante que hoje existe é que dói.

    Em uma das jantas que fiz aqui em casa, surgiu um papo sobre morte e ficar triste quando alguém querido falece. Naquele momento eu disse que no máximo ficaria triste um ou dois dias se alguém querido morresse, porque sabia que a morte é algo natural e que nada natural pode ser ruim. Mas hoje eu conheci a morte de um jeito diferente. Não é a morte de famintos na África, ou a morte de pobres vítimas de um terremoto no Haiti, essas, quando tive que encarar de frente, eu tirei de letra . É a morte de um irmão, é um pedaço meu que é amputado.

    Por mais que eu seja forte e não goste de choros compulsivos em velórios, hoje eu descobri que chorar e se entristecer pelo falecimento de alguém que a gente ama, é tão natural quanto a própria morte. E nada natural pode ser mau. E essa foi a última lição que o Volpi deixou pra mim. De tantas outras que aprendi desde o nosso primeiro encontro, desde o início da nossa parceria. Mas essa dor não vai permanecer. Por ele e sua alegria de viver, ela vai passar.

    Fiz questão de carregar o caixão até a sepultura e ser o último a tocar a nova casa do corpo do meu amigo, para poder mostrar através de uma atitude que ia com ele até o fim desse ciclo. Ciclo, e não morte. Porque agora o Volpiano vive no rosto, nas atitudes, nos gestos de todas as pessoas que conheceram e receberam um pouco do seu amor. A natureza não deixa que nada acabe, e o fim, na verdade, é só uma ilusão que ela usa para nos ensinar lições importantes da vida. Com a morte, a vida se renova, e o Volpiano agora vive em todos nós.

    * Wernner Lucas nasceu em 25 de dezembro de 1985 em Taiobeiras. Foi meu aluno no Ensino Médio no Centro Educacional Beliza Corrêa. É um intelectual orgânico e acadêmico. Mora em Pouso Alegre/MG.

  • Pronunciamento da professora Martinha no lançamento de Blogosfera dos Gerais

    Martinha
    * Professora Matilde de Oliveira Mendes (Martinha). No lançamento do meu segundo livro, Blogosfera dos Gerais. Taiobeiras, abril de 2009.

    As tecnologias do mundo moderno fizeram com que as pessoas deixassem a leitura de livros de lado. Sabemos que a melhor forma de obter conhecimento é cercar-se de bons livros, pois isso possibilita que tenhamos uma visão melhor de mundo e de nós mesmos.

    Saber ler e compreender o que os outros dizem nos difere dos animais irracionais, pois comer, beber e dormir até eles sabem. É a leitura que proporciona a capacidade de interpretação.
    Levon, ai de nós se não fossem as memórias escritas. Sabemos que a memória humana, além de falha, é curta. Daí a importância de registrar por escrito, para preservação histórica e conhecimento da posteridade, os fatos mais significativos que exercem influência no comportamento e no desenvolvimento do homem.
    Tempo é dinheiro e quanto mais depressa se obtiver a informação melhor. Num país onde há relativamente poucos leitores, este hábito deve ser estimulado na infância, para que o indivíduo aprenda desde pequeno que ler é algo importante e prazeroso.
    E você consegue colocar em seus livros “Posts” com informações objetivas e curtas que são prazerosos de ler, os “Links” em favor da vida deixam o leitor “Conectado” ao social. Eventualmente, ficaremos a conhecer o mundo e um pouco melhor de nós próprios.

    “Navegando” pela política percebemos a importância de estarmos bem informados para não sermos “analfabetos políticos”. É preciso estar atento, porque sem a fiscalização e a participação do povo o caminho fica livre para os maus políticos. Pois sabemos que o desinteresse da população é o que facilita a corrupção.
    É como diz Rubem Alves: “Ler é estimulante e o comportamento do professor no processo de motivação é fundamental”.
    PARABÉNS pelo trabalho!
    E é bom lembrar que o todo poderoso lá em cima não tem um MSN… Mas rogo a ele que esteja on-line todo o tempo com você e sua família.
    Em se tratando de estar plugado na cultura e na educação posso dizer com firmeza que: VOCÊ É O CARA! MUITO SUCESSO!

    * Martinha, como é conhecida, é professora de Geografia nos ensinos fundamental e médio da Rede Estadual de Minas Gerais em Taiobeiras.
  • São João do Paraíso recebe cruz e ícone da Jornada Mundial da Juventude

    Chegada dos símbolos da JMJ em São João do Paraíso/MG
    A Paróquia São João Batista de São João do Paraíso (Microrregião Alto Rio Pardo – extremo Norte de Minas Gerais) recebeu na manhã desta quinta-feira, 10 de novembro de 2011, a Cruz e o Ícone, símbolos da Jornada Mundial da Juventude, que estão visitando as dioceses brasileiras em preparação para a Jornada no Rio de Janeiro, que ocorrerá em 2013 com a presença do Papa Bento XVI.

    São João do Paraíso faz parte da Diocese de Janaúba.

    Confirma mais clicando em Paraísofest.com.