Autor: Levon Nascimento

  • Fidel Castro: O assassinato de Osama Bin Laden

    Fidel Castro
    * Artigo de FIDEL CASTRO, ex-Presidente da República de Cuba, em Adital.

    Os que se encarregam desses temas sabem que, em 11 de setembro de 2001, nosso povo ficou solidário com o dos Estados Unidos e ofereceu a modesta cooperação que no campo da saúde podíamos oferecer às vítimas do brutal atentado às Torres Gêmeas de Nova Iorque.

    Também oferecemos de imediato as pistas aéreas do nosso país para os aviões norte-americanos que não tivessem onde aterrar, por causa do caos reinante nas primeiras horas após aquele golpe.

    Ataques de 11/09/2001
    É conhecida a posição histórica da Revolução Cubana que sempre se opôs às ações que colocassem em perigo a vida de civis.

    Partidários decididos da luta armada contra a tirania de Batista; éramos, no entanto, opostos por princípios a todo ato terrorista que ocasionasse a morte de pessoas inocentes. Tal conduta, mantida ao longo de mais de meio século, outorga-nos o direito de expressar um ponto de vista sobre o delicado tema.

    Em um ato público maciço realizado na Cidade Esportiva expressei naquele dia a convicção de que o terrorismo internacional jamais seria resolvido mediante a violência e a guerra.

    Osama Bin Laden
    Na verdade, ele foi durante anos amigo dos Estados Unidos que o treinou militarmente, e foi adversário da URSS e do socialismo, mas quaisquer que fossem os atos atribuídos a Bin Laden, o assassinato de um ser humano desarmado e rodeado de familiares constitui um fato aborrecível. Aparentemente foi isso o que fez o governo da nação mais poderosa que jamais existiu.

    O discurso elaborado com esmero por Obama para anunciar a morte de Bin Laden afirma: “… sabemos que as piores imagens são aquelas que foram invisíveis para o mundo. O assento vazio na mesa. As crianças que foram forçadas a crescerem sem sua mãe ou seu pai. Os pais que nunca voltarão a sentir o abraço de um filho. Cerca de 3 000 cidadãos marcharam longe de nós, deixando um enorme buraco em nossos corações”.

    Barak Obama
    Esse parágrafo encerra uma dramática verdade, mas não pode impedir que as pessoas honestas se lembrem das guerras injustas desatadas pelos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão, das centenas de milhares de crianças que foram obrigadas a crescerem sem sua mãe ou seu pai, e aos pais que nunca voltariam a sentir o abraço de um filho.

    Milhões de cidadãos marcharam longe de seus povos no Iraque, no Afeganistão, no Vietnã, Laos, no Camboja, Cuba e noutros muitos países do mundo.

    Da mente de centenas de milhões de pessoas também não se apagaram as horríveis imagens de seres humanos que em Guantánamo, território ocupado de Cuba, desfilam silenciosamente submetidos durante meses e inclusive anos a insofríveis e enlouquecedoras torturas; são pessoas seqüestradas e transportadas a cárceres secretos com a cumplicidade hipócrita de sociedades supostamente civilizadas.

    Prisão norte-americana em Guantánamo,
    território indevidamente ocupado em Cuba

    Obama não tem forma de ocultar que Osama foi executado na presença dos seus filhos e esposas, agora em poder das autoridades do Paquistão, um país muçulmano de quase 200 milhões de habitantes, cujas leis têm sido violadas, sua dignidade nacional ofendida, e suas tradições religiosas ultrajadas.

    Como impedirá agora que as mulheres e os filhos da pessoa executada sem Lei nem julgamento expliquem o acontecido, e as imagens sejam transmitidas ao mundo?

    Em 28 de janeiro de 2002, o jornalista da CBS Dan Rather, difundiu por essa emissora de televisão que a 10 de setembro de 2001, um dia antes dos atentados ao World Trade Center e ao Pentágono, Osama Bin Laden foi submetido a uma diálise do rim em um hospital militar do Paquistão. Não estava em condições de ocultar-se e proteger-se em profundas cavernas.

    Assassiná-lo e enviá-lo às profundezas do mar demonstra temor e insegurança, tornam-no em uma personagem muito mais perigosa.

    A própria opinião pública dos Estados Unidos, após a euforia inicial, terminará criticando os métodos que, em vez de proteger os cidadãos, terminam multiplicando os sentimentos de ódio e vingança contra eles.

    4 de maio de 2011, 20h34.
  • 55ª Festa Religiosa de N. Sra. de Fátima em Taiobeiras

    Igrejinha octogonal de N. Sra. de Fátima em Taiobeiras

    Entre 4 e 13 de maio de 2011 ocorre, na Praça da Igrejinha em Taiobeiras (MG), a 55ª Festa Religiosa de Nossa Senhora de Fátima, promovida pela Paróquia São Sebastião. A programação começa, todos os dias, a partir das 18 horas e segue até por volta das 22 horas.

    Participe!

  • A esperança no cristianismo

    João Paulo II
    Na homilia da Celebração Eucarística em que foi declarado “Bem-aventurado” o servo de Deus, Papa João Paulo II (1978-2005), em 1º/05/2011, o Papa Bento XVI disse as seguintes palavras: “Aquela carga de esperança que de certo modo fora cedida ao marxismo e à ideologia do progresso, João Paulo II legitimamente reivindicou-a para o cristianismo, restituindo-lhe a fisionomia autêntica da esperança, que se deve viver na história com um espírito de ‘advento’, numa existência pessoal e comunitária orientada para Cristo, plenitude do homem e realização das suas expectativas de justiça e de paz”.

    O pontífice acerta, sobretudo se suas palavras forem analisadas no contexto em que o Papa Wojtyla viveu em sua Polônia natal durante quase toda a vida, até ser eleito sucessor de Pedro em 1978. Também fazem sentido as frases do Santo Padre, se observadas no contexto destrutivo da Guerra Fria, para os cristãos da Europa, em particular, e para toda a humanidade, no geral. No entanto, humildemente, creio eu, nós católicos precisamos rogar a Deus, e também trabalhar, para que surjam novos “gigantes da fé” a nos devolverem a “autêntica esperança” cristã frente ao avanço do “deus-mercado-capitalista”, que hoje devora corações e mentes em tudo o mundo, sobretudo em nossa América Latina, ameaçando a própria existência da vida na Terra. “A criação geme em dores de parto”. (Rm 8,22)

    Creio eu, também, que muitos destes “gigantes” já estiveram ou estão entre nós, cabendo-nos solicitar ao Espírito Santo o dom da sabedoria, para sabermos discernir seus gritos a nos alertarem.

    Sinto que alguns deles são os seguintes, em nosso contexto de Brasil: Helder Câmara, Aloísio Lorscheider, Evaristo Arns, Luciano Mendes de Almeida, Pedro Casaldáliga, Oscar Romero, Leonardo Boff, Dorothy Stang, dentre tantos outros…

    “Quem tem ouvidos, ouça!” (Mt 13,9)
  • Pronunciamento da Presidenta Dilma Rousseff em 29/04/2011

    Se não teve a oportunidade de ver e/ou ouvir o pronunciamento da Presidenta Dilma Rousseff  (PT) na última sexta-feira, 29 de abril de 2011, em rede nacional de televisão e rádio, assista agora, por meio do canal de vídeos do Palácio do Planalto, no site You Tube. No discurso, a Presidenta do Brasil saúda os trabalhadores e trabalhadoras pela passagem do 1º de maio, Dia Internacional do Trabalho, e ainda aborda temas como o combate à inflação, a criação do Pronatec (Programa Nacional de Aprendizagem em Escolas Técnicas), os programas sociais de erradicação da miséria e os incentivos à chamada “nova classe média” brasileira.

  • A consciência de Taiobeiras

    * Levon do Nascimento

    Taiobeiras é uma cidade de pouca memória pública. Também, pudera! Um lugar onde pouco se lê, quase não se discute questões de interesse coletivo ou político democraticamente e a classe educadora sofre de baixa auto-estima generalizada, não poderia ser diferente.


    Pode, sim! Tem que ser diferente. A história é algo que se realiza mediante a tomada de consciência de seus sujeitos. Não há determinismo que impeça as pessoas de exercerem as transformações sonhadas, possíveis e desejadas. Não há cabresto econômico ou ideológico que segura as pessoas quando estas libertam suas mentes e corações para o “bom combate”. Tem boas lutas a ser travadas em Taiobeiras.


    Texto curto e de ideias incompletas, este, não? Claro que sim. Nossa memória é bastante curta, conforme já explicitado lá no primeiro parágrafo. Forcemos nossa consciência a respeito do que devemos valorizar em nosso passado. Apertemos um pouquinho o pensamento sobre os desafios a que todos temos que enfrentar. Sejamos criativos e apontemos soluções. Completemos este raciocínio… coletivamente.
  • Homenagem a Donila Maria de Souza

    Donila Maria de Souza (1907 – 2011)
    * Por Levon do Nascimento

    Ela nasceu Donila Maria de Oliveira, em 15 de setembro de 1907, um domingo, dia do Senhor em quem ela tanto confiou nesta vida terrena. Filha de Antônio e Teodora, veio ao mundo como inúmeros brasileiros e brasileiras, nordestinos e sertanejos, na pobreza dura do sertão, na comunidade rural de Baraúnas, município de Jacaraci, no Estado da Bahia. Por força do casamento, passou a se chamar Donila Maria de Souza.

    Fez sua caminhada sobre este chão que “geme em dores de parto” por exatos 103 anos, 7 meses e 6 dias. Um tempo dela, mas, sobretudo, um tempo de Deus. Taiobeiras, em Minas Gerais, a acolheu há 32 anos.

    Este mesmo Deus e Senhor, “Nossinhô”, em seu linguajar carinhoso, a chamou de volta ao lar na última quinta-feira, 21 de abril de 2011, às 8 horas da manhã. Notem, não foi uma quinta-feira qualquer. Foi a quinta-feira que antecede o grande dia em que o Senhor Jesus se entregou, por nossas limitações, a toda sorte de suplícios, pelo nosso reencontro com o Pai. Foi na quinta-feira na qual a Igreja celebra o grande dom da partilha fraterna, da comunhão solidária e da Eucaristia – alimento eterno – que faz nosso corpo e nossa alma nunca desanimarem da caminhada rumo ao Reino Definitivo.

    O Senhor efetivamente escolheu o melhor dia. Um dia de festa. Sim, porque Eucaristia, comunhão e partilha são festas. Festa na Terra e festa no Céu. O povo que crê em Jesus, definitivamente, é um povo que crê na comum-união. É um povo que não se apega às coisas que possui. É um povo que doa bens e dons. E Donila era assim.

    Sua mesa de pobre do sertão sempre foi rica no pouco que com Deus sempre se fez muito. Sim, “o pouco com Deus é muito”, repetia ela o provérbio sábio do povo brasileiro. Seu prazer era se colocar a serviço. Não estudou. O Brasil no qual ela nasceu não lhe ofereceu este benefício. Mas aprendeu. E aprendeu muito. E também ensinou.

    Aprendeu a servir sua família. Aprendeu a servir ao próximo. Parteira de comunidade rural aonde médico não ia, ajudou a trazer dezenas de filhos de Deus à luz divina irradiada sobre esta Terra de Santa Cruz, chamada Brasil. Não havia hora certa. Certa era a hora em que necessitavam dela e ouviam um sim corajoso.

    Casou-se com Leordino. Viveram juntos até que o Senhor o chamou em 1988. 12 filhos tiveram. Três o Senhor chamou ainda nos primeiros dias de vida. Outros três também fizeram a passagem, mas já com as famílias constituídas. O seis restantes louvam a Deus pela vida de Donila, vida de ensinamentos e de exemplos.

    Catequista por excelência, de sua boca nunca se ouviu um lamento contra a vontade do Pai. Uma crença muito forte em Jesus e na misericórdia intercessora de Nossa Senhora. Vida de oração, sem fanatismo ou pedantismo. Vida de oração. Vida de tolerância e de respeito, até mesmo quando alguns dos seus passaram a professar crenças diferentes da sua. Acreditou até no último instante. Levantou os ramos (mesmo diante da celebração televisionada) para o Senhor entrar mais uma vez em Jerusalém, a Jerusalém do seu coração, até no último domingo, o de Ramos, em que pôde estar presente nesta Terra.

    Hoje, nesta celebração, rogamos ao Deus da Vida, que ressuscitou Jesus dentre os mortos, que conforte os corações dos que lamentam a passagem de Donila.

    Porém, mais do que isto, aqui nos reunimos no entorno do altar da Eucaristia, do Pão Vivo descido do Céu, neste tempo Pascal em que o Senhor Ressuscitou, orando para que Jesus receba Donila junto de si, que ela compartilhe do banquete celestial, que ela tenha morada junto do Pai, que ela seja feliz eternamente…

    Bendito seja Jesus Cristo, pela salvação que nos ofereceu pelo mistério da Cruz. Bendito seja Jesus Cristo que, pela sua Ressurreição, ressuscita dentre os mortos, para a vida eterna, todos aqueles que crerem e praticarem o seu eterno amor.

    Amém!

    * Mensagem lida durante a Ação de Graças da Celebração Eucarística de 7º dia, em 28/04/2011, às 19h, na Igreja Matriz de São Sebastião de Taiobeiras (MG).


    Texto publicado também no site da Arquidiocese de Montes Claros (MG). Clique aqui.

  • Nota de falecimento

    Faleceu hoje, nesta quinta-feira santa, 21 de abril de 2011, às 8 horas da manhã, a senhora Donila Maria de Souza, a quem considero como avó, aos 103 anos, 7 meses e 6 dias de vida. Que o Deus de Jesus Cristo, em quem ela sempre teve fé, a acolha junto de si em seu Reino que não terá fim. O sepultamento será na sexta-feira santa, 22 de abril de 2011, às 16 horas, no Cemitério do Santo Cruzeiro, em Taiobeiras (MG).


    Correção: O sepultamento ocorrerá, de fato, às 13 horas de 22/04/2011.


    Missa de 7º dia: Quinta-feira, 28 de abril de 2011, às 19 horas, na Igreja Matriz de São Sebastião de Taiobeiras (MG).


    Donila nasceu em 15 de setembro de 1907, na comunidade rural de Baraúnas, município de Jacaraci, estado da Bahia. Em 1945, já casada com Leordino Neres de Souza, mudou-se para a comunidade rural de Barra do Rio, próximo ao Distrito de Alegre, no município de Condeúba, também na Bahia. Em 1979, já idosos, o casal passou a viver na cidade de Taiobeiras, estado de Minas Gerais, para onde vários filhos já haviam se transferido. Em 1988 seu esposo faleceu. Ela ainda sobreviveria a ele 23 anos.
  • STJ: proteção a professores agredidos

    * Matéria extraída da versão on line do Correio do Brasil

    17/4/2011 7:35

    Na matéria especial desta semana, a Rádio do STJ aborda um dos temas mais debatidos dos últimos dias: violência nas escolas. O foco, desta vez, é a agressão contra professores por seus próprios alunos.

    A reportagem traz o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, com o ministro Castro Meira, em decisão que confirmou indenização de R$ 10 mil a uma professora agredida no Distrito Federal. Além de opiniões de profissionais da área de educação, representante do Sindicato dos Professores do DF e do legislativo local. E ainda, o resultado de uma pesquisa sobre o percentual dessa agressão no país.

    Dados da Unesco, revelaram que mais de 80% dos professores nas principais capitais brasileiras já conviveram com violência no trabalho. Já o ministro Castro Meira, ressaltou que é preciso melhorar o tratamento dado a professores no país. A deputada distrital Rejane Pitanga, também entrevistada, apresentou um projeto para criar uma cultura de paz nas escolas do DF.

    Então, vale a pena conferir! A reportagem está disponível na página da Rádio, neste domingo (17), a partir das 8h, além de integrar a programção da Rádio Justiça, FM 104.7.

  • Atualizando o blog

    Olá amigos (as) e seguidores (as) deste blog. Há mais de uma semana não posto por aqui. A temporada de aplicação de provas, correções e entregas de resultados do 1º bimentre têm me impedido de escrever ou publicar. Pretendo fazer isto na próxima semana. Tenho muito coisa para compartilhar. Eis alguns itens:

    1. A paralisação dos professores da rede estadual de Minas Gerais e a manifestação em Ouro Preto na próxima terça, 19 de abril;

    2. Mais um artigo meu, sobre a “Religião que agrada a Deus”; e

    3. Uma entrevista, seguida de uma matéria, que fiz com/e/sobre o empresário e potencial pré-candidato a Prefeito de Taiobeiras, Carlito Arruda.

    Permaneçam acessando o blog. Comentem. Enviem sugestões.

    Um abraço a todos. Feliz semana! Que ela seja “santa” para todos (as)!

  • A tragédia na escola do Rio de Janeiro

    Sobre a tragédia do tiroteio perpetrado por um ex-aluno numa escola municipal da cidade do Rio de Janeiro, ocorrida hoje, 7 de abril de 2011, algumas palavras:

    1. Não me atrevo a analisar as motivações do assassino (suicida?), com vem tentanto fazer todas as redes de televisão aberta em seu afã sensacionalista. Não me cabe esta análise. Creio que somente aos especialistas. E se a análise for feita corretamente, servirá a muitos: profissionais da educação e da segurança pública, políticos, famílias, religiosos… de modo a prevenir novas barbaridades como esta.

    2. A morte que afligiu tantos alunos em ambiente escolar nos emudece.

    3. Somente agora o país, diante do choque, toma conhecimento de uma realidade que, há muito, nós professores já chamávamos a atenção e não éramos ouvidos, nem pelos pais, nem pela sociedade, muito menos pelos políticos: a questão da segurança nas escolas. Além dos baixos salários pagos aos educadores, do sucateamento da educação pública, da progressão automática direta ou indireta (todo mundo passa, professor querendo ou não), o fato é que nossas escolas não têm qualquer sistema de segurança para quem nelas estuda ou trabalha. Enquanto bancos dispõem de guardas armados e de portarias eletrônicas, escolas são escancaradas, mal-projetadas e esquecidas, especialmente as que estão sob responsabilidade de estados e municípios. Sinal de que em nossa sociedade valem mais os templos do capital do que os santuários da cultura e da informação. Mais vale o dinheiro do que as pessoas.

    Que, apesar da tristeza deste dia, fique a lição a quem de direito para que novas tragédias não se repitam.

    Mais:
    Após tragédia no Rio, professores organizam paralisação
    Carta do suicida: terrorismo islâmico ou cristão?
    A cobertura tendenciosa da Globo
    O que fazer quando a religião cega o ser humano?

  • Amor e Revolução

    Surpreendi-me positivamente com duas coisas relacionadas à nova novela do SBT, Amor e Revolução, que não estou acompanhando, diga-se de passagem.

    1ª. O grande número de alunos e até de colegas professores que vem se “supreendendo” com a crueldade da Ditadura Militar brasileira (1964 – 1985) apresentada na trama. Quer por vocação política, quer por força de ofício (sou professor de História), as informações e descrições do regime militar não me são novidades, embora sempre que os revisito em leituras e conversas me despertem continuada indignação.

    2ª. O fato do SBT, emissora de pouquíssimo conteúdo relevante, ter a coragem de apresentar uma novela com temática tão importante para a memória histórica do Brasil, também me interessou, e espantou. Não é comum. Mas é bom. Nosso país, de memória curta, precisa conhecer sua história, criticar seu passado e exorcizar seus “demônios” por meio da informação e da verdade. A TV, meio de comunicação de maior audiência entre os brasileiros, deveria se prestar mais a cumprir este papel de educadora. Evidentemente que não faço aqui uma análise das qualidades técnicas e de teledramaturgia do folhetim em questão.

    Que outras iniciativas do gênero prosperem!

  • "O Velho – A história de Luis Carlos Prestes" no Cine Clube de Taiobeiras

    O Cine Clube de Taiobeiras, o Arte em Cena, apresenta sessão neste domingo, 3 de abril de 2011, às 16 horas no plenário da Câmara Municipal, o filme O Velho – A história de Luis Carlos Prestes.

    Leia a sinopse que extraí do blog Acervo Nacional:

    “O fim da guerra fria e da ditadura militar tornou possível a realização de um filme inédito sobre um dos personagens mais emblemáticos da história do Brasil no século XX: Luiz Carlos Prestes. Um nome, por si só, carregado de estigma, aversão, entusiasmo, desconfiança … O Velho, a história de Luis Carlos Prestes é a história de um mito, de um homem que encarnou uma causa. Um comunista convicto que carregou ideais, hoje soterrados pelos escombros do muro. O roteiro atravessa setenta anos da história contemporânea brasileira, da qual Prestes foi um dos agentes principais. O caminho de “ouro de Moscou” na insurreição comunista de 35; Olga Benário, o primeiro amor de Prestes, na verdade espiã do Exército Vermelho; a participação dos agentes estrangeiros no levante; o cruel assassinato de Elza por importantes dirigentes do PCB; o surpreendente acordo entre Vargas e Prestes em 46; a equivocada posição do Velho diante do iminente golpe de 64 … Finalmente, estes fatos marcantes e obscuros são trazidos à tona para ajudar a entender nosso passado recente. Foram colhidos os depoimentos de políticos, historiadores, escritores, jornalistas, amigos, família e ex-membros do Comitê Central do PCB. Uma exaustiva pesquisa de filmes de época na precária memória da país revela imagens raríssimas de Luiz Carlos Prestes. O Velho é um abrangente painel sobre a história da esquerda brasileira. Sempre clandestinos ou foragidos, poucos registros visuais sobre os comunistas brasileiros resistiram à feroz perseguição policial. É a primeira iniciativa do gênero, um filme sobre a história não oficial do Brasil. O Velho carregou durante toda sua vida um projeto coletivo. Neste final de século [começo do século XXI], onde as utopias viraram pó histórico e a humanidade se encontra envolvida com seus pequenos projetos individuais, o filme nos resgata a trajetória de um Quixote que entregou sua vida a uma causa social. No índice remissivo da história, as páginas da vida de Prestes, como o destino do Brasil, estão coladas num epílogo sem fim …”

    A história pessoal e política de Luis Carlos Prestes sempre me fascinou, seja pelos ideiais; seja pelas “lendas” dos “revoltosos” por ele liderados, que há mais de 80 anos passaram pelas regiões onde nasci (na Bahia) e onde fui criado (aqui em Taiobeiras); ou também por Olga Benária, sua primeira companheira. Enfim, um grande herói e um mito da história do Brasil do século XX.

    Vá à sessão e veja o filme.

  • Aprovação inicial do Governo Dilma supera as de Lula e FHC


    BRASÍLIA (Reuters) – O governo Dilma Rousseff registrou no início de sua gestão uma taxa de aprovação superior às obtidas pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso no começo de seus mandatos, mostrou pesquisa divulgada nesta sexta-feira. A sondagem realizada pelo Ibope por encomenda da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou o governo Dilma com avaliação ótima ou boa para 56 por cento dos entrevistados em março. Já 27 por cento veem como regular o governo Dilma e outros 5 por cento o avaliam como ruim ou péssimo.

    Em março de 2003, o governo Lula tinha 51 por cento de avaliação positiva e quatro anos depois essa aprovação era de 49 por cento. No caso de Fernando Henrique, no início de seu primeiro, em março de 1995, o Ibope verificou 41 por cento de avaliação ótima ou boa, proporção que caiu para 22 por cento quatro ano depois. Para o gerente-executivo de Pesquisa, Avaliação e Desenvolvimento da CNI, Renato da Fonseca, o desempenho da economia e a herança da popularidade do governo Lula ajudam na boa avaliação do governo Dilma. “A boa avaliação do governo Lula acaba passando para o governo Dilma”, disse.

    A aprovação pessoal de Dilma chegou a 73 por cento, segundo o levantamento, contra 12 por cento dos entrevistados a desaprovam, enquanto 14 por cento disseram não saber ou não responderam.

    O Ibope também pediu que os entrevistados comparassem o governo Dilma com o de seu antecessor e padrinho político. Para 64 por cento dos ouvidos pelo Ibope os dois governos são iguais, ao mesmo tempo que 13 por cento avaliam a administração da presidente como pior e 12 por cento a consideram melhor. Pesquisa CNI/Ibope realizada em dezembro, antes de Dilma assumir, mostrou que 62 por cento dos entrevistados na ocasião tinham expectativa de que o governo da petista seria ótimo ou bom. Mostrou ainda aprovação de 80 por cento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    O levantamento divulgado nesta sexta mostrou também que 44 por cento dos entrevistados afirmaram que o combate à inflação deve ter prioridade igual a outras políticas do governo, enquanto 40 por cento avaliaram que deve receber prioridade maior. Segundo a pesquisa, 48 por cento aprovam as medidas do governo para combater a elevação dos preços, enquanto 42 por cento a desaprova. A política de juros do governo tem 43 por cento de aprovação e exatamente o mesmo percentual de desaprovação. Levantamento do Datafolha divulgado no dia 20 de março apontou avaliação positiva do governo de 47 por cento.

    O Ibope entrevistou 2.002 pessoas em 141 municípios entre os dias 20 e 23 de março. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais.
  • Morre o ex-vice-presidente José Alencar


    Por Vagner Magalhães, direto de São Paulo.

    Morreu nesta terça-feira, aos 79 anos, o empresário mineiro e ex-vice-presidente da República José Alencar (PRB), no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Alencar lutava contra o câncer desde 1997.

    O ex-vice foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na segunda-feira, com um quadro de suboclusão intestinal, em “condições críticas”. Ele havia recebido alta em 15 de março, após uma internação de mais de um mês na instituição devido a uma peritonite (inflamação da membrana que reveste a cavidade abdominal) por perfuração intestinal.

    Nascido em 17 de outubro de 1931, José Alencar foi o 11º filho de um total de 15 do casal Antônio Gomes da Silva e Dolores Peres Gomes da Silva. O ex-vice-presidente nasceu em um povoado às margens de Muriaé, cidade de 100.063 mil habitantes no interior de Minas Gerais. José Alencar era casado com Mariza Campos Gomes da Silva e deixou três filhos reconhecidos: Josué Christiano, Maria da Graça e Patrícia.

    Ele começou a trabalhar aos 7 anos, no balcão da loja do pai. Em 1946, aos 15, deixou a casa da família, na zona rural, para trabalhar como balconista em uma loja de tecidos da cidade. Dois anos depois, em maio de 1948, José Alencar mudou-se para Caratinga, onde conseguiu emprego como vendedor. Ao completar 18, em 1950, Alencar abriu seu próprio negócio, com a ajuda de um dos irmãos. Em 1967, em parceria com o empresário e deputado Luiz de Paula Ferreira, fundou, em Montes Claros (MG), a Companhia de Tecidos Norte de Minas (Coteminas), hoje um dos maiores grupos industriais têxteis do País.

    Nos anos seguintes, José Alencar foi presidente da Associação Comercial de Ubá, diretor da Associação Comercial de Minas, presidente do Sistema Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria.

    Estabelecido no setor empresarial, candidatou-se para o governo de Minas em 1994 e, em 1998, disputou uma vaga no Senado Federal, elegendo-se por Minas Gerais com quase 3 milhões de votos. No Senado, foi presidente da Comissão Permanente de Serviço de Infraestrutura, membro da Comissão Permanente de Assuntos Econômicos e membro da Comissão Permanente de Assuntos Sociais.

    Embora tenha se caracterizado como a principal voz dissonante do governo Lula em relação à política de juros ao longo dos oito anos de mandato, sua inclusão na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 foi decisiva para que o petista conquistasse o apoio do empresariado e, pela primeira vez, a Presidência do País.

    A presença de Alencar foi decisiva na vitória de Lula ao angariar o apoio do empresariado, desconfiado com a possibilidade de um presidente da República sindicalista. Em 2004, Alencar passou a acumular a vice-presidência com o cargo de ministro da Defesa, função que exerceu até março de 2006. Em 2007, assumiu o segundo mandato como vice-presidente após ser reeleito, novamente, ao lado de Lula.

    Alencar se desligou do Partido Liberal (PL) em 29 de setembro de 2005, após a crise envolvendo o nome de seu sobrinho Daniel Freitas, um dos fundadores da DNA Publicidade e falecido em 2002. A DNA, que tem como sócio o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, foi investigada por suposto envolvimento no escândalo do mensalão. Ainda em 2005, juntamente com outros ex-membros do PL, Alencar participou da fundação de um novo partido: o Partido Republicano Brasileiro (PRB).

    No tempo em que ocupou o cargo de vice-presidente, José Alencar ganhou os títulos de cidadão honorário dos Estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe, do Distrito Federal e de 53 municípios brasileiros, sendo 51 deles em Minas Gerais.

    Juros
    Desde o início do primeiro mandato, o empresário foi voz discordante da política econômica do governo Lula, comandada então pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci. Mudou o titular da pasta, assumiu Guido Mantega, mas não o discurso de Alencar. Ao longo de oito anos, sua posição pela queda na taxa de juros foi tão ferrenha que se tornou uma marca registrada.

    Tanto que, ao comentar o bom estado de saúde do então vice após a cirurgia de 17 horas a que ele se submeteu em janeiro de 2009 – a mais complexa que enfrentou na luta contra o câncer -, o então presidente Lula afirmou, em tom de brincadeira: “tenho certeza de que a primeira palavra dele será para pedir a redução da taxa de juros”.

    Câncer
    Alencar lutou contra o câncer desde 1997, quando, após um check-up, foi encontrado um tumor no rim direito e outro no estômago, retirados naquele mesmo ano. Em 2000, uma nova cirurgia retirou um tumor na próstata. Depois da remoção de outros nódulos no abdome, Alencar foi diagnosticado com câncer no intestino.

    Em janeiro de 2009, ele enfrentou cerca de 17 horas de operação para a retirada de nove tumores na região abdominal. Na mesma cirurgia, os médicos retiraram parte do intestino delgado, outra do intestino grosso e uma porção do ureter, canal que liga o rim à bexiga. Alencar chegou a ficar internado 22 dias após a operação.

    Reconhecimento de paternidade
    Alencar morreu em meio a um polêmico reconhecimento de paternidade disputado na Justiça. Em julho de 2010, a Justiça de Caratinga (MG) concedeu à professora Rosemary de Morais, 55 anos, o direito de ser reconhecida como filha do empresário. Ela seria fruto de um relacionamento com uma enfermeira, na década de 50.

    Alencar se recusou a fazer o teste de DNA e sua defesa contestou a decisão. Em setembro do mesmo ano, o então vice-presidente obteve no Tribunal de Justiça de Minas uma liminar para impedir o uso do sobrenome e a mudança do registro de nascimento da professora. O recurso ainda será analisado pela corte.

    Internação antes do 2° turno e infarto
    Alencar foi internado no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, no dia 25 outubro de 2010, a menos de uma semana do segundo turno das eleições. O ex-vice deu entrada na instituição com quadro de suboclusão intestinal, um entupimento parcial do intestino. Por estar hospitalizado, Alencar não pôde registrar seu voto no pleito, que encerrou com a vitória da petista Dilma Rousseff.

    No dia 11 de novembro, Alencar se sentiu mal no hospital e foi diagnosticado um infarto agudo do miocárdio. Ele foi submetido a um caterismo, mas os médicos não encontraram obstruções arteriais importantes. O então vice ficou internado até 18 de novembro.

    Hospitalizado, Alencar perde posse de Dilma Rousseff

    Após outra internação e da 16ª cirurgia no final de novembro, Alencar voltou ao Sírio-Libanês em 22 de dezembro de 2010, com um sangramento intestinal grave. Apesar dos procedimentos que controlaram a hemorragia e da insistência do então vice em acompanhar a transmissão de cargo de Lula para Dilma Rousseff, os médicos não permitiram a viagem até Brasília.

    Homenagem no aniversário de São Paulo
    Em 25 de janeiro de 2011, quando a capital paulista completou 457 anos, Alencar recebeu a Medalha 25 de Janeiro, uma homenagem da prefeitura, das mãos da presidente Dilma Rousseff. O ex-vice deixou o hospital, com autorização da equipe médica, somente para a cerimônia.

    Visivelmente emocionado, Alencar afirmou que fazia um discurso “de coração” e que está “vencendo as dificuldades”. “Eu tinha um texto preparado no bolso, mas resolvi falar do coração. Ainda que (as dificuldades) sejam fortes, estamos vencendo. Quem fica num hospital esse tempo (90 dias, segundo seus cálculos), tem muitas reflexões… Se eu morrer agora, é um privilégio, porque é tanta gente torcendo por mim… Se eu morrer agora, tá bom demais”, disse. O evento contou com a presença do ex-presidente Lula.

  • Comblin: Bastão de Deus que fustiga os acomodados

    Teólogo Pe. José Comblin,
    falecido em 27/03/2011
    Faleceu neste domingo, 27 de março de 2011, o padre e teólogo José Comblin, no Estado da Bahia, aos 88 anos de idade. Leia artigo sobre Comblin.

    * José Lisboa Moreira de Oliveira, disponível em Adital

    Estou acompanhando o que se anda dizendo nos últimos dias sobre o nosso irmão teólogo José Comblin. Houve quem tentou até se compadecer dele dizendo que já passou dos oitenta e chegou a insinuar que ele está meio “gagá”. E por está gagá, coitadinho, passou a dizer umas coisas fora de lugar, fazendo umas afirmações pessimistas, vendo o horizonte escuro, tendo uns ataques de “alucinação”, enxergando coisas que não existem, falando mal da hierarquia da Igreja e assim por diante.

    Todas essas coisas me fizeram imediatamente pensar nos profetas de todos os tempos. Também eles, quando começaram a falar sem meios-termos, a “dar nomes aos bois”, a colocar o dedo em certas feridas, foram logo acusados de serem visionários, lunáticos, inimigos da religião e do rei. Amós, por exemplo, foi acusado por Amasias, sacerdote de Betel e “capanga” de Jeroboão, de ser um visionário. Por essa razão foi impedido de profetizar no santuário do rei (Am 7,10-17). Jeremias foi surrado e preso (Jr 20,1-6). Antes deles, Elias teve que se refugiar no deserto para não ser assassinado por Jezabel (1Rs 19,1-8). Geralmente todos os profetas são perseguidos e ridicularizados por que falam a verdade e não camuflam a realidade. Creio que o paradigma de todos os profetas é Miquéias, odiado porque nunca profetizava coisas boas, mas só desgraças (1Rs 22,8). Ou seja, não era bajulador e conivente com os poderosos, mas falava apenas o que Javé mandava falar (1Rs 22,14). Era fiel somente a Deus.

    Também Jesus, o profeta por excelência, não escapou da fúria dos poderosos. Falou o que pensava, do que estava convencido, atacando tanto o sistema religioso como o poder político. Por essa razão chegaram a pensar que ele estava louco (Mc 3,21). Terminou os seus dias crucificado como um malfeitor. Tinha feito tremer a ordem estabelecida e ameaçado a posição dos privilegiados, desmascarando suas hipocrisias e suas falsidades (Mt 23,1-36).

    Não. Comblin não está gagá, não está louco, não está tomado de pessimismo e nem tão pouco de derrotismo. Comblin é um dos poucos profetas que ainda temos na Igreja dos nossos dias. Infelizmente em tempos de exílio eclesial, como o que estamos vivendo atualmente, é rara a figura do profeta. “Nesse nosso tempo, não há chefe, profeta ou dirigente” (Dn 3,38). Quando a corrupção atravessa os limiares da religião, e permanece entranhada dentro dela, são poucas as pessoas dotadas de clareza e de lucidez (1Sm 3,1). Todos querem fazer carreira e preferem silenciar, mesmo sabendo interiormente que o que acontece não condiz com o projeto de Deus. Como verdadeiro profeta, Comblin não se deixa enganar e não se ilude com o que vê. Enxerga longe, além das aparências e dá o seu prognóstico, mesmo que tal prognóstico, como no caso de Miquéias, apareça cruel, sem piedade e sem esperança. Mas é assim mesmo e assim deve ser, pois se trata de profeta e de profecia.

    O profeta é o bastão de Deus que fustiga os acomodados. E onde há profetas verdadeiros e autênticas profecias há incômodo e mal-estar para muita gente. Dom Tonino Bello, bispo de uma minúscula diocese do sul da Itália, falecido ainda jovem, vítima de um câncer, gostava de afirmar que o autêntico cristão deve consolar os aflitos e afligir os consolados e acomodados. De fato, ele incomodou bastante seus colegas bispos italianos. Sua simplicidade e pobreza, sua determinação em defender os pobres, especialmente os imigrantes africanos, o colocou em rota de colisão com as eminências e excelências. Teve inclusive que dar explicações à cúpula da Igreja acerca da sua atitude audaciosa de acolher no palácio episcopal alguns imigrantes africanos. Mandaram-lhe como visitador um bispo de uma diocese da Sicília, o qual, logo depois de sua visita a Dom Tonino, ficou conhecido no país por suas ligações com a máfia, sendo inclusive processado pela justiça italiana. Não foi preso porque a diplomacia vaticana entrou em ação e não permitiu que isso acontecesse.


    Comblin é um autêntico teólogo e como tal não se contenta em ficar repetindo o que os outros já disseram. Não é teólogo-papagaio e nem faz teologia de coorte, apenas repetindo frases do Catecismo ou de documentos da Igreja para agradar a cúpula eclesiástica, receber elogios ou até compensações, como, por exemplo, uma roupa roxa ou avermelhada. Comblin faz teologia de verdade, ousando dizer o que ninguém diz, propondo alternativas para o que aí está, apontando caminhos que podem ser trilhados. Como teólogo-profeta mostra que certos modelos atuais de Igreja estão carcomidos pelo tempo e por vícios seculares e não dizem mais nada para a humanidade que sonha com outro mundo possível e com uma comunidade eclesial que, de fato, seja sinal desse novo mundo.

    Com sua ousadia e determinação profética, Comblin não tem medo de afirmar que a Igreja precisa perscrutar os “sinais dos tempos”. Não pode viver acomodada, acreditando que o atual modelo eclesiástico é o melhor de todos os tempos. Creio que Comblin está sendo ridicularizado porque do alto de sua sabedoria anciã tem a coragem de falar palavras proféticas como essas: “A experiência mostra que a hierarquia errou muitas vezes na condução da Igreja em circunstâncias determinadas. O Espírito mostra o caminho por outros meios. A hierarquia deve estar atenta aos sinais dos tempos que alguns cristãos têm o dom de entender. Deve escutar se não quer errar e provocar desastres” (A profecia na Igreja, São Paulo: Paulus, 2008, p. 11). Alguns membros da hierarquia não suportam tanta sinceridade e honestidade. Estendendo o dogma da infalibilidade papal para todos os casos e para todos os hierarcas, sem exceção, não admitem que alguém diga que alguns deles, em algum momento, erraram e continuarão a errar se não souberem escutar. Atribuem a si mesmos uma prerrogativa divina, ocupando na Igreja e na terra um lugar que pertence exclusivamente a Deus.

    Não temos como negar. É visível a mudança de rota na Igreja Católica Romana a partir do final da década de 1970. Aos poucos as propostas e intuições do Concílio Vaticano II são postas de lado ou reinterpretadas a partir de uma eclesiologia jurídica, segundo a qual o direito canônico está acima do Evangelho. Enquanto se perde tempo com a discussão de temas banais, questões sérias não são enfrentadas. Basta lembrar, por exemplo, o caso da centralidade da celebração eucarística. Institui-se um ano eucarístico, afirma-se que a Eucaristia é o centro e o cume da vida cristã, e, no entanto, não se resolve o problema gravíssimo das milhares e milhares de comunidades católicas que ficam meses e até anos sem a celebração eucarística dominical.

    Qualquer pessoa honesta, que conheça bem a situação da Igreja no momento atual, não poderá negar que ela está sendo dominada por grupos e movimentos ultraconservadores. Tais grupos e movimentos estão trazendo de volta a Igreja da Contra-Reforma, fechando cada vez mais os espaços de participação do povo de Deus, impondo uma moral rigorista e “tirando do baú” costumes e tradições arcaicas, “mofadas” e ridículas. Os pobres são cada vez mais esquecidos e é notória a adesão desse modelo de Igreja a sistemas políticos de direita. Com isso a Igreja Católica Romana vai se distanciando da realidade do povo e se tornando cada vez mais um sinal opaco e sem sentido do Reino de Deus. Por essa razão é cada vez mais visível o afastamento das comunidades eclesiais de pessoas com um pouco de bom senso e com consciência crítica. A Igreja Católica vai se transformando, no dizer de Cappelli, numa comunidade “infantil, feminil e senil”. Uma Igreja só de crianças e de mulheres idosas. Alguns até se empolgam porque, de vez em quando, aparecem jovens distraídos em alguns espaços religiosos. Mas não deveriam se iludir. A participação de jovens nas comunidades católicas não ultrapassa a percentagem de 1% do total de jovens da nossa sociedade.

    Dizia pouco antes, citando o profeta Daniel, que na atualidade não temos mais nem chefe e nem profeta. De fato, as lideranças cristãs transformaram o serviço de coordenação e de presidência das comunidades em puro carreirismo. Por isso adotam uma atitude de subserviência, não se importando com os reais problemas de suas comunidades. Os próprios bispos não mais cultivam a solicitude por todas as Igrejas, elemento fundamental do ministério episcopal e do colégio episcopal. Assim sendo, não falam com as instâncias vaticanas com a autoridade de bispos das Igrejas locais e da Igreja Católica, de igual para igual. Agem com timidez e medo, deixando de oferecer à direção da Igreja em Roma seus pareceres sobre questões e problemas eclesiais inadiáveis. Sem falar em todo o problema da onipotência da burocracia eclesiástica que, como nota o próprio Comblin, não se move e não faz nada para uma maior descentralização (cf. Quais os desafios dos temas teológicos atuais? São Paulo: Paulus, 2005, pp. 60-64).

    Por que, então, tanto escândalo e tanto alvoroço com aquilo que Comblin falou ultimamente? Será que perdemos a capacidade de enxergar? Por que insistimos num comportamento de avestruz, recusando-nos a ver o que é tão visível? Por que duvidar da possibilidade de “politicagem e de conchavos” dentro da Igreja Católica? Por acaso não conhecemos a sua história para saber que ela sempre esteve cheia desses casos? Será que esquecemos que os escritores dos primeiros séculos do cristianismo a chamavam de “casta meretrix”, de “casta prostituta”? Será que chegamos a um nível tal de arrogância a ponto de achar que o atual sistema eclesiástico é tão perfeito a ponto de não mais precisar de reformas e nem de profetas para pregar a conversão da Igreja?

    Comblin é um profeta que possui sensibilidade para perceber o que está acontecendo. E por isso fala sem medo e sem falsas contenções. Ele, enquanto ancião, é um verdadeiro modelo para as novas gerações de cristãos e de cristãs. Como o velho Eleazar (2Mc 6,18-31) prefere a morte, a perseguição e a calúnia do que trair suas próprias convicções. Não aceita fingir para escapar dos olhares mortíferos dos acomodados e incomodados. Recusa-se a ser tratado com benevolência e a trocar sua fidelidade por vantagens. Assim, “coerente com a sua idade e com o respeito da velhice, coerente com a dignidade dos seus cabelos brancos” (2Mc 6,23), prefere continuar firme em sua profecia. Como Eleazar, ele tem consciência de que o fingimento, em troca de certas vantagens e do “bom nome”, escandalizaria os mais jovens. Assim é para todos nós um exemplo honrado de fidelidade. Uma fidelidade diferente, é claro. Ele não pretende amar a Igreja mais do que os outros, como insinuou alguém. Apenas ama-a de um modo diferente, radical e corajoso. Um modo, aliás, que não se tem visto ultimamente, inclusive entre os anciãos, e do qual tanto precisamos em nossos dias.

    * José Lisboa Moreira de Oliveira é filósofo,  doutor em teologia,  ex-assessor do Setor Vocações e Ministérios/CNBB, ex-presidente do Instituto de Pastoral Vocacional, gestor e professor do Centro de Reflexão sobre Ética e Antropologia da Religião (CREAR) da Universidade Católica de Brasília.
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  • Artigo do Mino Carta: A ausência de Lula

    Luís Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil
    * Mino Carta, diretor da Revista CartaCapital

    O ausente foi mais presente do que os presentes. A frase não é minha, é do professor Delfim Netto, e diz respeito às reações da mídia nativa à ausência de Lula no almoço oferecido pela presidenta Dilma a Barack Obama. Os jornalões mergulharam no assunto em colunas e reportagens por três dias a fio, entregues com sofreguidão à tarefa de aduzir o porquê daquela cadeira vazia sem receio de provar pela enésima vez sua vocação onírica.

    Neste espaço, o sonho midiático foi meu tema da semana passada, mas os especialistas em miragens insistem em mostrar a que vêm, sem contar o complexo de inferioridade tão explicitamente exposto com a visita do presidente americano apresentada como um celebrity show. As emissoras globais ficaram no ar 24 horas para contar todos os passos de Obama ou mesmo para esperar que ele os desse. A certa altura vimos um perdigueiro da informação aguardar no Galeão, por mais de uma hora, a chegada do avião que levava o visitante de Brasília ao Rio, em proveito exclusivo de uma visita instrutiva dos telespectadores a um aeroporto às moscas.

    É o recalque do vira-lata, e esta definição também não é minha, já caiu da boca de Lula. Quanto à sua ausência no almoço de Brasília, li entre as versões que ele não apareceu para “não ofuscar” a anfitriã, a mostrar toda a sua pretensão, acompanhada pela dúvida de um colunista: “ao recusar o convite”, foi malandro ou zé mané? Textos de calibres diversos clamam contra “a descortesia”. Uma colunista do Estadão aventa a seguinte hipótese: o ex-presidente quis evitar o constrangimento “de ouvir sem compreender a conversa na mesa, da qual fazia parte Fernando Henrique Cardoso”. Ah, o príncipe dos sociólogos, este é um poliglota. E não falta quem convoque a inveja de Lula por Dilma, que recebe Obama em lugar dele, embora o tivesse convidado em 2008.

    Segundo um colunista do Valor Econômico, o ex também foi descortês com Obama, que já o tratou tão bem. A Folha localizou “um amigo de Lula” disposto à revelação: ele está irritado “com os elogios excessivos da mídia a Dilma”. Uma colunista da Folha vislumbra na ausência de Lula a demonstração “do contraste de estilos” e até a torna mais evidente. Neste esforço concentrado no sentido de provocar algum desentendimento entre o ex e a atual, imbatível o editorial do Estadão de domingo 20, provavelmente escrito por um aluno de Maquiavel incapaz de entender a ironia do mestre.

    Fala-se em “mudança de mentalidade que emana do Planalto”, “sobriedade em lugar de espalhafato”, “distanciamento das inevitáveis servidões” do ofício presidencial. Transparente demais a manobra. Não escapa, porém, ao ato falho, ao discordar da presidenta no que se refere à posição de Dilma quanto “ao atual surto inflacionário”, embora formulada a objeção com suave cautela, para aplaudir logo o propósito do governo de abrir os aeroportos à iniciativa privada em regime de concessão.

    São teclas antigas de quem professa a religião do Deus Mercado e enxerga nas privatizações os caminhos da Graça. Os praticantes brasileiros dos jogos financeiros não estão sozinhos: de fato, para variar, trata-se de pontuais discípulos, ou imitadores. Os Estados Unidos ensinam, por lá os vilões do neoliberalismo, responsáveis pela crise mundial, continuam a postos para atiçar a doença. O exemplo seduz. Aí se origina a tentativa, levada adiante obviamente pela mídia, de derrubar o ministro Guido Mantega, representante da continuidade que a tigrada gostaria de ver interrompida de vez.

    As consequências da aventura neoliberal, que deixaria o próprio Adam Smith em pânico, atingem inclusive o Brasil. No ano passado crescemos 7,5%, este ano a previsão fica bastante abaixo, entre 4% e 4,5%. Será um bom resultado no confronto com outros, mas dirá que ninguém está a salvo. CartaCapital confia na permanência de Mantega e na continuidade, ainda que, desde a posse, reconheça na presidenta a capacidade de imprimir à linha do governo características da sua personalidade.

    É simplesmente tolo imaginar a ruptura almejada pela mídia, perfeita intérprete de um sentimento que sobe das entranhas de burgueses e burguesotes contra o metalúrgico nordestino eleito à Presidência duas vezes por larga maioria e destinado a passar à história como o melhor e mais amado desde a fundação da República. Pelo menos até hoje. Os senhores do Brazil zil zil ainda cultivam o ódio de classe. O mesmo Lula, que frequentemente mantém contatos com a sucessora, a qual, do seu lado, sabia previamente da ausência do antecessor ao almoço, observa: “Quando me elegi, me apresentaram como a continuidade de FHC, agora dizem que Dilma não dá continuidade ao meu governo”.

    O ex-presidente tucano formula, aliás,- a sua hipótese sobre a ausência de Lula: inveja dele mesmo, FHC. Quem sabe o contrário se dê de fato quando, dentro de poucos dias, Lula receber o canudo honoris causa da Universidade de Coimbra.

    Teste final: se Lula fosse ao almoço, que diria a mídia? Foi para: A. Não ficar atrás de FHC; B. Pronunciar um discurso de improviso em louvor a Chávez, Fidel e Ahmadinejad. C. Ofuscar Dilma.
  • 20 anos da chegada das Irmãs em Taiobeiras

    Ir. Letícia com livro Memorial da Juventude de Taiobeiras

    20 anos atrás, em 16 de março de 1991, chegavam a Taiobeiras as Irmãs da Divina Providência. Elas assumiam mais uma missão no Norte de Minas. Fundaram a Comunidades Jesus Peregrino, vinculada à Paróquia São Sebastião, situada no bairro Vila Formosa. O pároco da época era o Frei João José de Jesus, OFM. As primeiras religiosas a assumir o trabalho pastoral foram irmã Laudeci Ouriques de Sousa e irmã Maria Eliza de Brida, provenientes do estado de Santa Catarina.

    A atuação das irmãs gerou grandes e boas mudanças na caminhada das Comunidades Eclesiais de Base taiobeirenses. Houve uma intensa formação de lideranças leigas, articulação das comunidades rurais, reforço nas Pastorais da Juventude, da Criança, do Batismo e da Liturgia, além da criação do CEIA (Centro Educacional para a Infância e Adolescência) e da Banda Divina Providência.

    Outras irmãs também vieram conviver nos vários momentos da Comunidade Jesus Peregrino. São elas: Nilza Cascaes, Neusa F. Nascimento, Maria Rita, Glauciene Ribeiro, Marias das Neves, Letícia Rocha, Elídia, Edilza, Maria Aparecida e Aparecida Ribeiro.

    A presença das irmãs ainda despertou três jovens vocações taiobeirenses que ingressaram na Congregação. São as hoje irmãs Markelísia, Ilsa e Elizete.

    Em 2005 as Irmãs da Divina Providência, deixando um grande legado evangelizador, partiram de Taiobeiras para prosseguir sua missão na Diocese de Almenara, a convite do Bispo Diocesano Dom Frei Hugo von Steekelemburg, OFM.

    Na foto que ilustra este post, veja um momento da visita da irmã Letícia Rocha – missionária da Comissão Pastoral da Terra –  (com livro Memorial da Juventude de Taiobeiras nas mãos), que recebi em minha casa na semana do carnaval.

  • O futuro prefeito de Taiobeiras

    Confirmando tendência que adiantei a mais ou menos uma semana atrás aqui no blog, hoje a Rádio Norte Mais FM, no Programa Boca no Trombone, pesquisou a opinião dos eleitores taiobeirenses sobre os prováveis nomes que poderão vir a disputar a cadeira de Prefeito de Taiobeiras nas eleições de 2012. Os nomes giram e recaem sobre os mesmos, já indicados aqui.

    Creio que, mais do que especular sobre pré-candidados, o melhor que os cidadãos, os meios de comunicação e toda a sociedade, em geral, devem fazer é discutir ideias, levantar os problemas da cidade e do campo, e construir programas voltados para o desenvolvimento humano, social, cultural e econômico de Taiobeiras. Imagino que um bom candidato, ou candidata, seja aquele que, mais do que ter padrinhos políticos ou recursos financeiros, se encaixe no perfil dos que estejam atentos aos clamores do povo, especialmente do que está, desde há muito, alijado dos bens sociais que a municipalidade produz.

    Um salto de qualidade em nossa política ocorrerá quando um grande número de pessoas compreender que os custos de nossas campanhas eleitorais devem cair. Isto para que, uma vez eleito algum cidadão, o seu compromisso seja com o bem-estar de todos e, não somente, com os que financiam e apoiam sua candidatura.

  • Guia: Como reconhecer um direitista enrustido?

    Este artigo, cômico e verdadeiro, me foi enviado por e-mail pelo meu ex-aluno Thales Queiroz. Compartilho-o com todos(as) os(as) leitores(as) deste blog.

    Levon

    * Por André Lux, jornalista e crítico-spam (de esquerda)

    Inspirado pelo texto do jornalista Leandro Fortes (clique aqui para ler), resolvi fazer uma listinha básica com dicas para quem quer aprender a identificar um direitista enrustido. Porque, como bem sabemos, ninguém tem coragem de admitir que é de direita no Brasil, mas prestando atenção aos discursos e atitudes das pessoas fica fácil identificá-los. Vamos lá:

    Direitista votaria em Hitler?

    1) Como bem apontou Fortes, o direitista enrustido costuma bradar que odeia política e políticos em geral e que “não existe esse negócio de direita e esquerda”. Mas, na prática, é diferente. O cara vota no Maluf, em alguém do PFL, do PSDB ou em qualquer um que for o anti-petista ou anti-esquerdista da vez. Se Adolf Hitler em pessoa ressuscitar e chegar ao segundo turno contra Marta Suplicy, por exemplo, adivinhem só em quem ele vai votar?


    2) Eles adoram xingar os abusos da Telefônica, da CPFL e os pedágios caríssimos das estradas. Enquanto você concorda, são só sorrisos. Porém, na hora que você lembra que a culpa de tudo isso recai sobre as privatizações lesa-pátria ocorridas nos oito anos de governo FHC, ele fecha a cara e começa a defendê-las, alegando que “antes a gente tinha que esperar anos pra conseguir um telefone” e que a culpa é das “agências reguladoras” (que também foram criadas pelo FHC). Aí você explica que não é contra parcerias público-privadas, desde que elas sejam feitas em favor da população e não de um grupelho de “amigos do rei”. E então faz aquela fatídica constatação: “Realmente, hoje você consegue uma linha rapidinho, só que paga as tarifas mais caras do mundo, recebe em troca um serviço horrível e não tem ninguém para reclamar”. Se depois disso a pessoa se enfurecer e começar a falar mal do Lula, do PT ou de Cuba, pode ter certeza que você está diante de um direitista.

    3) Toda pessoa de direita acredita piamente que as pessoas são pobres porque querem. “O problema do Brasil é que pobre não gosta de trabalhar”, costumam repetir. De tanto ler a Veja e ver o Jornal Nacional, eles passam a crer que o sujeito mora numa favela e só consegue trabalhar de lixeiro porque “não quis estudar” ou “não se esforçou o suficiente para subir na vida”. Quando você lembra que essas pessoas não têm condições nem para comer, são obrigadas a trabalhar desde cedo largando os estudos e, devido a tudo isso, só conseguem arrumar subempregos, o direitista novamente vai fechar a cara e começar a resmungar coisas sem nexo do tipo: “Pode ser, mas se um vagabundo desses entrar na minha casa eu meto tiro!”.

    4) Ainda em relação aos excluídos, o direitista vive dizendo que a solução para os problemas sociais do país é “investir em educação”. Claro que, como bom esquerdista, você vai concordar com ele. Mas você será obrigado a explicar que a direita, que governou o país desde que o Cabral invadiu essas terras, nunca investiu em cultura e em educação. Pelo contrário. E foi durante a ditadura militar de direita que o sistema público de ensino sofreu seu golpe mais duro, ficando totalmente sucateado. Então vai lembrar ao direitista que se todo mundo tivesse estudo e condições iguais para “subir na vida”, ele (ou ela) seria obrigado(a) a fazer faxina na própria casa ou a recolher o lixo da rua, já que ninguém mais precisaria se sujeitar a trabalhar nesses subempregos, exceto de forma voluntária para ajudar a comunidade – igual acontece em Cuba – ou no mínimo ganharia um salário igual ao de um médico. Pronto. Depois dessa é melhor você correr para um abrigo!

    5) Pessoas de direita tendem a ser extremamente incoerentes. Via de regra, elas falam mal de tudo (política e políticos, programas na TV, filmes, jornalistas, sexualidade, música) e repetem que “o mundo está perdido”, “nada mais presta” ou “na minha época não tinha nada disso”. E geralmente terminam suas reclamações dizendo que a única solução para tudo isso é “jogar uma bomba atômica e começar tudo de novo”. Aí, logo depois, eles afirmar que são “conservadores”…

    Fidel Castro

    6) Conheço uma dúzia de caras, por exemplo, que adoram o Pink Floyd (até tocam suas músicas em bandas cover) enquanto repetem jargões que deixariam até um nazista envergonhado. “Vai dizer que o Roger Waters é petista agora??” costumam vociferar quando você aponta essa incongruência a eles. Obviamente, os direitistas confundem ser “de esquerda” com “ser petista” ou “ser comunista”. Quando eles cantam “Imagine”, do Lennon, com certeza não se tocam que aquela é uma música que contesta o sistema vigente que eles defendem, ou seja, é de esquerda. E aí, voltamos à lógica esquizofrênica exposta acima: o direitista enrustido é contra tudo, acha que o mundo está perdido, que o ser humano não presta e que político é tudo FDP, mas na hora das eleições, dá seu voto aos sujeitos mais conservadores, reacionários e corruptos que existem. Justamente aqueles que, além de não mudar nada, vão deixar tudo ainda pior. Aqueles que, como diz Mino Carta, “querem deixar as coisas como estão para ver como é que ficam”.

    7) Uma forma fácil de identificar um(a) direitista enrustido(a) é começar a falar sobre Cuba. Disfarçado no discurso “a favor da democracia e da liberdade”, você vai poder identificar todos os clichês mais obtusos que a mídia de direita usa para doutrinar os incautos. Não adianta você dizer que antes do Fidel, Cuba era uma ditadura de direita na qual a maioria esmagadora da população passava fome e não tinha direitos. Nem que, depois do Fidel, ninguém mais passa fome e todos têm acesso gratuito à educação, à saúde, à alimentação e ao transporte. Também é inútil explicar que, em Cuba, não existem crianças na rua pedindo esmola e que a maioria da população tem curso superior adquirido gratuitamente. Pois o direitista vai jogar na sua cara que em Cuba não existem carros zero km, nem telefone celular, nem shopping centers, nem DVD, nem liberdade de imprensa. Sim, trata-se da mesma pessoa que acabou de vociferar que “o mundo está perdido”, “na televisão só tem porcaria”, “jornalista é tudo safado e a imprensa é uma merda”, “hoje em dia essa molecada só quer gastar dinheiro com lixo” e “o problema do Brasil é a falta de educação e cultura”. Eu disse que coerência não é o forte deles, não disse?

    8) Direitista enrustido que se preze é a favor do neoliberalismo. Não, ele não tem idéia do que é isso nem quem inventou esse negócio, mas como ouviu o Arnaldo Jabor e o Django Mainardi [da Veja] dizendo que era a solução para os problemas do mundo, ele acreditou. E passou a repetir tudo como um bom papagaio: são contra o Estado e as Estatais (mas não reclamam quando dinheiro público é usado para salvar bancos privados da falência), a favor das privatizações (sim, as mesmas que o fazem espumar de ódio contra a Telefônica) e pregam a “redução dos impostos” (ao mesmo tempo em que choram de raiva por terem que pagar fortunas para ter plano de saúde privado). Como são manipulados pela mídia de direita, adoram meter o pau no governo Lula, não reconhecem nenhum mérito nele e acreditam (mesmo!) que tudo de bom que acontece hoje no país é resultado do governo FHC (embora eles odeiem política e todos os políticos, inclusive os do PSDB, lembram?).


    9) Outra característica marcante da turma da direita é a certeza absoluta que são donos da verdade. Quando eles falam sobre qualquer assunto, não estão emitindo uma opinião, mas sim uma verdade única e incontestável. A melhor forma de fazer um tipinho desses sair do armário e mostrar sua verdadeira face é simplesmente contestá-lo com argumentos sólidos e muita calma. Eles até vão tentar rebater, mas quando perceberem que o que estão dizendo é APENAS uma opinião e que, por mais que tentem te ridicularizar ou denegrir, você não vai mudar a sua opinião, o direitista enrustido vai então partir para ataques chulos e de cunho pessoal, como que tentando convencer os outros que o que você diz não tem valor, afinal trata-se de uma pessoa má, feia, fedida, chata ou qualquer outra coisa. Em última instância, o direitista enrustido vai perder todas as estribeiras e acabará apelando para o último recurso usado na tentativa de calar o interlocutor: ameaçar processá-lo!

    E então? Você conhece ou não conhece um monte de gente assim por aí? Vai ver você é uma delas. Mas não se desespere, pois sempre é hora para mudar. E, como diz John Lennon, eu espero que um dia você possa se juntar a nós para que o mundo possa ser um só…
  • Agência do INSS: inaugurada mais uma obra de Lula e Dilma em Taiobeiras

    Depois da agência da Caixa Econômica Federal, no final de 2010, hoje foi a vez de mais uma obra dos governos Lula e Dilma ser inaugurada em Taiobeiras. Trata-se da agência do INSS (Previdência Social) de Taiobeiras. A agência taiobeirense favorecerá toda a população que necessita de serviços previdenciários na cidade e em municípios vizinhos, evitando que tenham de se deslocar até Salinas, como acontecia até então.

    A obra do Governo Federal, iniciada sob Lula e concluida sob Dilma, custou R$ 781.018,37 e está situada à Rua Rio Pardo, n. 1035, no Bairro Sagrada Família.