Autor: Levon Nascimento
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"Nós somos o mundo" pelo Haiti
We are the world (Nós somos o mundo) pelo Haiti:Sempre gostei da música “We are the world”. Sei que os EUA são grandes responsáveis, em parte, pelos problemas sociais e econômicos do Haiti. Mesmo assim acho bonita a música e a atitude de alguns cidadãos norte-americanos em participar da campanha pela reconstrução do Haiti. Não esquecendo que o Brasil tem um papel importantíssimo neste processo. Viva o povo do Haiti! Viva nossa América Latina! -
Aos 30 anos do martírio de São Romero
* Dom Pedro Casaldáliga
Tradução: Adital.
Celebrar um Jubileu de nosso São Romero da América é celebrar um testemunho que nos contagia de profecia. É assumir comprometidamente as causas, a causa pelas quais nosso São Romero é mártir. Grande testemunho no seguimento da Testemunha maior, a Testemunha fiel, Jesus. O sangue dos mártires é aquele cálice que todos/as podemos e devemos beber. Sempre e em todas as circunstâncias, a memória do martírio é uma memória subversiva.
Trinta anos se passaram desde aquela Eucaristia plena na Capela do Hospital. Naquele dia nosso santo nos escreveu: “Nós cremos na vitória da ressurreição”. E, muitas vezes, disse, profetizando um tempo novo, “se me matam, ressuscitarei no povo salvadorenho”. E com todas as ambiguidades da história em processo, nosso São Romero está ressuscitando em El Salvador, em Nossa América e no Mundo.Este jubileu deve renovar em todos nós uma esperança, lúcida, crítica; porém, invencível. “Tudo é graça”, tudo é Páscoa, se entramos com todo o risco no mistério da ceia partilhada, da cruz e da ressurreição.
São Romero nos ensina e nos “cobra” que vivamos uma espiritualidade integral, uma santidade tão mística quanto política. Na vida diária e nos processos maiores da justiça e da paz, “com os pobres da terra”, na família, na rua, no trabalho, no movimento popular e na pastoral encarnada. Ele nos espera na luta diária contra essa espécie de gangue monstruosa que é o capitalismo neoliberal, contra o mercado onímodo, contra o consumismo desenfreado. A Campanha da Fraternidade do Brasil, neste ano é ecumênica e nos recorda a palavra contundente de Jesus: “vocês não podem servir a dois senhores, a Deus e ao dinheiro”.Respondendo àqueles que, na sociedade e na Igreja, tentam desmoralizar a Teologia da Libertação, o caminhar dos pobres em comunidades, esse novo modo de ser Igreja, nosso pastor e mártir replicava: “existe um ‘ateísmo’ mais próximo e mais perigoso para nossa Igreja: o ateísmo do capitalismo quando os bens materiais são erigidos em ídolos e substituem a Deus”.Fieis aos signos dos tempos, como Romero, atualizando os rostos dos pobres e as urgências sociais e pastorais, devemos sublinhar nesse jubileu causas maiores, algumas delas verdadeiros paradigmas. O ecumenismo e o macroecumenismo, em diálogo religioso e em koinonia universal. Os direitos dos emigrantes contra as leis de segregação. A solidariedade e a intersolidariedade. A grande causa ecológica.
Precisamente nossa Agenda Latinoamericana desse ano está dedicada à problemática ecológica, com um título desafiador: “Salvemo-nos com o Planeta”). A integração de Nossa América. As campanhas pela paz efetiva, denunciando o crescente militarismo e a proliferação das armas. Urgindo sempre umas transformações eclesiais, com o protagonismo do laicato, pedido em Santo Domingo, e a igualdade da mulher nos ministérios eclesiais. O desafio da violência cotidiana, sobretudo na juventude, manipulada pelos meios de comunicação alienadores e pela epidemia mundial das drogas.
Sempre e cada vez mais, quando maiores sejam os desafios, viveremos a opção pelos pobres, a esperança “contra toda esperança”. No seguimento de Jesus, Reino adentro. Nossa coerência será a melhor canonização de “São Romero da América, Pastor e Mártir”.< * Dom Pedro Casaldáliga é Bispo Emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia/MT.
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Novidades…
Novidades interessantes…
A artista plástica (pintora) Elisiana Alves, ex-secretária de Cultura de Taiobeiras, que já foi tema de um post neste blog no final de fevereiro, está atuando em projetos bastante importantes. Como pintora ela trabalha na criação de 22 aquarelas (vide imagem) que ilustrarão o Plano Nacional de Desenvolvimento das Regiões Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro. Importante ressaltar que é nestas regiões que serão instaladas as plataformas de exploração do Pré-Sal. Como consultora da SEPLAG do Rio de Janeiro e da Petrobrás, Elisiana também participa da elaboração dos capítulos de Etnografia deste mesmo plano nacional. Confira mais informações em seu blog clicando aqui.
Outra novidade é a criação do blog do Padre Lucimar de Assis, sf, natural de Taiobeiras, que mora na Espanha. Para conhecer o blog que se chama Família, pressione aqui.
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A falta de liderança nossa de cada dia
* Levon do Nascimento, para a Folha Regional
Já ouvi de várias pessoas as seguintes frases: “Taiobeiras só teve bons prefeitos”. “Uilton era organizado”. “Isalino foi muito honesto na prefeitura”. “Lúcio era um empreendedor”. “Joel, além de popular, trouxe muitas obras”. “Nen Sena e Dona Lia investiram muito na expansão do ensino e na melhoria da saúde”. “Denerval é um bom administrador e planeja tudo”.
Deve ser líquido e certeiro que todas essas assertivas do compêndio popular, listadas no parágrafo anterior, carregam um gérmen de verdade. Mas cabe uma análise histórica metódica para confirmar cientificamente tais afirmações. Deixo isto para algum momento posterior ou para outros que queiram aceitar a empreitada. Lanço, de fato, um questionamento crítico. Se sempre tivemos bons líderes, como parece correto, então por que tão poucas opções de nomes se viabilizam para a discussão de ideias e para o embate político propriamente dito, nestas terras de Bom Jardim das Taiobeiras? Em outras palavras: temos várias pessoas com potencial de liderança, porém pouquíssimas ou nenhuma se aventuram a propor um debate de ideias sobre o desenvolvimento e o futuro do município.
Verificamos, na história passada e na presente, uma órbita composta por vários nomes-satélites que se ligam a verdadeiros astros-messias que gravitam de tempos em tempos. Partindo de Joel e chegando ao presente grupo de Denerval, à sombra destes senhores não florescem potenciais sucessores com identidade própria e definida. E não posso afirmar que seja por culpa deles ou se por conta de uma condicionante histórica socialmente construída ao longo do tempo. Aos nomes que se assentam à távola não tão redonda destes senhores, impõe-se a dura sina de repetir mecanicamente os mantras entoados por seus mestres. No passado o discurso era o da busca de obras ou o de que o chefe era perseguido por sua bondade para com o “povão”. No presente, cantarolam a lisura das contas, o arrojo empreendedor da máquina pública e a administração científica empresarial. Nenhuma fala é criativa ou distinta “em substância” à do senhor.
Notem, não proponho que quem esteja num governo qualquer afronte o eleito com críticas disparatadas ao seu modo de agir. Falo de brilho, de carisma, de ideias próprias e de lucidez política dos que, eventualmente, poderiam assumir a liderança de um novo projeto, sucessório ou não, ao dos grupos que integram.
Para ser mais claro, se compararmos nossos “bons prefeitos” com árvores frondosas, testemunharemos que debaixo de sua sombra não nascem novas árvores que venham a atingir o mesmo porte. Eles nunca se preocuparam ou nunca quiseram construir grandes líderes que lhes sucedessem. A construção é sempre de pálidos reflexos de seus próprios egos. Daí se explica porque as campanhas eleitorais em Taiobeiras são tão caras, dispendiosas e insanas; e isto em linha ascendente na história. Pois, o que não se consegue pelo carisma, pelo debate franco de ideias e pela “bagunça” democrática, se tenta alcançar pelas forças do dinheiro e da sedução dos interesses pessoais.
Vamos pensar, meu povo! Que líderes queremos? Os vinculados somente ao dinheiro, que com ele criam uma situação de ficção visual; ou os peregrinos das ideias, que na luta podem provocar verdadeiras transformações? A resposta é sua, na urna e na participação. Incrivelmente, eu lamento já intuí-la. Mesmo assim, não perco a esperança.
* Publicado em 10 de março de 2010 na edição impressa do Jornal Folha Regional, Taiobeiras/MG (Ano VIII, nº 159)
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O tempo
Chega um tempo em que as coisas mudam de lugar.Em que o predomínio da vontade única sede caminho aos anseios plurais.Chega um tempo em que o poder cai sobre a areia.Em que suas raízes apodrecem e dão espaço a novas.Chega um tempo em que não vemos mais embaçada a realidade diante de nossos olhos.
É o tempo da confiança e do amadurecimento.Chegou o vento da novidade! É o tempo de esperança! -
A miséria moral de ex-esquerdistas
* Emir Sader, sociólogo.
Alguns sentem satisfação quando alguém que foi de esquerda salta o muro, muda de campo e se torna de direita – como se dissessem: “Eu sabia, você nunca me enganou”, etc., etc. Outros sentem tristeza, pelo triste espetáculo de quem joga fora, com os valores, sua própria dignidade – em troca de um emprego, de um reconhecimento, de um espaçozinho na televisão.
O certo é que nos acostumamos a que grande parte dos direitistas de hoje tenham sido de esquerda ontem. O caminho inverso é muito menos comum. A direita sabe recompensar os que aderem a seus ideais – e salários. A adesão à esquerda costuma ser pelo convencimento dos seus ideais.
O ex-esquerdista ataca com especial fúria a esquerda, como quem ataca a si mesmo, a seu próprio passado. Não apenas renega as idéias que nortearam – às vezes o melhor período da sua vida –, mas precisa mostrar, o tempo todo, à direita e a todos os seus poderes, que odeia de tal maneira a esquerda, que nunca mais recairá naquele “veneno” que o tinha viciado. Que agora podem contar com ele, na primeira fila, para combater o que ele foi, com um empenho de quem “conheceu o monstro por dentro”, sabe seu efeito corrosivo e se mostra combatente extremista contra a esquerda.
Não discute as idéias que teve ou as que outros têm. Não basta. Senão seria tratar interpretações possíveis, às quais aderiu e já não adere. Não. Precisa chamar a atenção dos incautos sobre a dependência que geram a “dialética”, a “luta de classes”, a promessa de uma “sociedade de igualdade, sem classes e sem Estado”. Denunciar, denunciar qualquer indicio de que o vício pode voltar, que qualquer vacilação em relação a temas aparentemente ingênuos, banais, corriqueiros, como as políticas de cotas nas universidades, uma política habitacional, o apoio a um presidente legalmente eleito de um país, podem esconder o veneno da víbora do “socialismo”, do “totalitarismo”, do “stalinismo”.
Viraram pobres diabos, que vagam pelos espaços que os Marinhos, os Civitas, os Frias, os Mesquitas lhes emprestam, para exibir seu passado de pecado, de devassidão moral, agora superado pela conduta de vigilantes escoteiros da direita. A redação de jornais, revistas, rádios e televisões está cheia de ex-trotskistas, de ex-comunistas, de ex-socialistas, de ex-esquerdistas arrependidos, usufruindo de espaços e salários, mostrando reiteradamente seu arrependimento, em um espetáculo moral deprimente.
Aderem à direita com a fúria dos desesperados, dos que defendem teses mais que nunca superadas, derrotadas, e daí o desespero. Atacam o governo Lula e o PT como se fossem a reencarnação do bolchevismo, descobrem em cada ação estatal o “totalitarismo”, em cada política social a “mão corruptora do Estado”, do “chavismo”, do “populismo”.
Vagam, de entrevista a artigo, de blog à mesa redonda, expiando seu passado, aderidos com o mesmo ímpeto que um dia tiveram para atacar o capitalismo, agora para defender a “democracia” contra os seus detratores. Escrevem livros de denúncia, com suposto tempero acadêmico, em editoras de direita, gritam aos quatro ventos que o “perigo comunista” – sem o qual não seriam nada – está vivo, escondido detrás do PAC, do Minha casa, minha vida, da Conferência Nacional de Comunicação, da Dilma – “uma vez terrorista, sempre terrorista”.
Merecem nosso desprezo, nem sequer nossa comiseração, porque sabem o que fazem – e os salários no fim do mês não nos deixam mentir, alimentam suas mentiras – e ganham com isso. Saíram das bibliotecas, das salas de aula, das manifestações e panfletagens, para espaços na mídia, para abraços da direita, de empresários, de próceres da ditadura.
Vagam como almas penadas em órgãos de imprensa que se esfarelam, que vivem seus últimos sopros de vida, com os quais serão enterrados, sem pena, nem glória, esquecidos como serviçais do poder, a que foram reduzidos por sua subserviência aos que crêem que ainda mandam e seguirão mandado no mundo contra o qual, um dia, se rebelaram e pelo que agora pagam rastejando junto ao que de pior possui uma elite decadente e em vésperas de ser derrotada por muito tempo. Morrerão com ela, destino que escolheram em troca de pequenas glórias efêmeras e de uns tostões furados pela sua miséria moral. O povo nem sabe que existiram, embora participe ativamente do seu enterro.
Fonte: Portal Luis Nassif.
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Prefeitos abrem guerra contra mineroduto no Norte de Minas
* Fonte: Blog do Latinha, de Guanambi/Bahia.
O anúncio de investimentos para a exploração das jazidas de minério de ferro descobertas no Norte de Minas – estimadas em 12 bilhões de toneladas – criou a expectativa de geração de mais de 20 mil empregos numa região que sempre conviveu com pobreza, agravada pela falta de chuvas. Mas gerou também uma polêmica em torno do escoamento da produção. Um dos grupos investidores anunciou a intenção de construir um mineroduto ligando a região até um porto no Sul da Bahia, alegando redução de custos.
A iniciativa confronta com a proposta do governo de Minas, que gostaria de implantar uma ferrovia de 200 quilômetros de Grão-Mogol a Caetité, também na Bahia. O argumento é que a ferrovia gera mais desenvolvimento e poderia transportar passageiros. A queda de braço está formada e o governo encontrou aliados nos prefeitos da região, que apontam danos ambientais e alegam que o mineroduto gera um grande consumo de água e o Norte de Minas é uma região seca. A proposta de construção do mineroduto é dos dirigentes do chamado Projeto Salinas, liderado pela Sul-Americana de Metais (SAM), controlada pela Votorantim Novos Negócios (VNN) – que está, neste momento, transferindo o empreendimento para a empresa chinesa Hondridge Holdings Ltd, por US$ 430 milhões.
O Projeto Salinas envolve 94 permissões de exploração de direitos minerários numa área que compreende cerca de 20 municípios mineiros, onde as reservas podem chegar a 6,5 bilhões de toneladas. A previsão dos empreendedores é produzir 25 milhões de toneladas por ano, com o projeto devendo entrar em operação entre 2012 e 2014. De acordo com o geólogo João Carlos Cavalcanti, sócio do empreendimento (é dono de 22% da empresa Sul-Americana de Metais), os chineses vão garantir os investimentos de US$ 3,5 bilhões em toda logística para retirada e venda do minério.
Cavalcanti assegurou que, dentro da infraestrutura, a ser bancada pelos chineses, foram feitos estudos para a construção de um mineroduto, ao longo de 460 quilômetros, entre Rio Pardo de Minas, sede do Projeto Salinas, e o Porto Sul, entre Itacaré e Ilhéus – num local chamado Ponta da Tulha, no Sul da Bahia. O porto, segundo ele, será implantado pelo governo federal, com o apoio do governo baiano.
Conforme o geólogo, o mineroduto deverá custar entre US$ 800 milhões e US$ 1 bilhão. Cavalcante disse que tomou conhecimento da disposição do governo de Minas de construir uma ferrovia e que aceita discutir o projeto, mas argumenta que o custo do transporte do minério de ferro via mineroduto é de US$ 0,36 por tonelada. Por ferrovia, disse, o valor pode chegar a US$ 15 ou US$ 16 por tonelada transportada.
O argumento, contudo, não convence o prefeito de Rio Pardo de Minas, Antônio Pinheiro (PRTB), que se opõe à construção do mineroduto. “A população é contra o mineroduto porque vai contaminar o meio ambiente. Além disso, ele precisa de muita água, o que não temos”, afirma. O mineroduto também é rechaçado pelo prefeito de Taiobeiras, Denerval Germano da Cruz (PSDB). “A exploração mineral vai trazer desenvolvimento. Mas não pode levar um bem muito precioso para a região, que é a água”, observa, lembrando que há 12 anos lideranças regionais lutam pela construção da barragem de Berizal (no município homônimo, vizinho a Taiobeiras), financiada com recursos federais, mas que está emperrada devido à falta de licenciamento ambiental. “A ferrovia será uma opção para trazer outras riquezas para o Norte de Minas”, acredita.
Por sua vez, o geólogo Carlos Cavalcanti ameniza as alegações dos prefeitos em relação aos impactos que seriam provocados por um mineroduto, alegando que, para cada tonelada de minério de ferro, apenas 30% seriam de água – “é uma espécie de uma polpa”, diz. O sócio do Projeto Salinas disse também que os investidores encomendaram estudos que apontam que a água para o mineroduto seria retirada de “uma grande barragem” na região, mas não informaram qual.
A proposta do governo de Minas é a construção de uma ferrovia que sirva também para o transporte de outros produtos. O subsecretário de Desenvolvimento Mínero-metalúrgico e de Política Energética, Paulo Sérgio Ribeiro, disse que o estado não vai se opor de forma sistemática à construção de um mineroduto se a obra for apontada como essencial para a viabilidade econômica do empreendimento. Ele lembra, porém, que o governo do estado faz a opção pela ferrovia porque pretende agregar valor à exploração mineral, estimulando outras atividades econômicas no Norte de Minas, hoje, a região do estado com o mais baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O subsecretário disse que o governo vai encomendar um estudo técnico sobre a construção da ferrovia.
Estado de Minas
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Sobre Mulheres e Conceitos
* Do Blog Amor & Cia Ltda, disponível no Blog do Luis Nassif.
Tudo bem que a Liberdade feminina nos ajudou em muitas coisas…
Conquistamos espaços nunca antes sequer almejados por nossas mães ou avós…
Tudo bem que agora temos empregos bem remunerados,com cargos antes sob o domínio masculino,podemos frequentar lugares sem estarmos acompanhadas ….
Tudo bem que agora temos leis que nos amparam contra a violência ,a lei Maria da Penha,temos o direito a criar filhos sozinhas em caso de separação,temos direito á pensão alimentícia..
Tudo bem que somos donas de nossos narizes,independentes !!
Tudo bem que é ótimo termos nossas própias contas bancárias !!
Tudo bem que desencostamos a barriga do tanque e do fogão,pois SABEMOS E PODEMOS fazer mais do que cozinhar e limpar !!
Tudo bem … tudo bem … tudo bem !!!Mas será que não confundimos as coisas ??
Será que muitas de nós não acabamos confundindo LIBERDADE com LIBERTINAGEM ??Vendo a banalização do casamento,onde casa-se e separa-se em questão de dias…
Vendo a promiscuidade que impera..
Vendo virgindade sendo leiloada pela internet..
Vendo mulheres escravas do silicone, do botox, da vaidade…
Vendo milhares de mulheres e meninas escravas da prostituição…
Vendo milhares de crianças jogadas nas ruas por causa da falta de responsabilidade de muitas mulheres, que engravidam na mesma velocidade que abortam, que abandonam filhos em latas de lixo, jogam em rios…Será que conquistamos mesmo a liberdade ???
Por ondem andam as milhares de feministas que queimaram os sutiãs á anos atrás,em nome desta liberdade ??? Como estão suas vidas,suas famílias seus filhos, seus sonhos ???Sou grata a tudo que conquistamos sim, mas as vezes também sinto vergonha do caminho para o qual enveredou nossas conquistas… Não temos mais as heroínas,as Joanas Darc, as Madres Teresa de Calcutá, as Irmãs Dulce…
Mas temos a Mulher Melancia, a Mulher Melão e por que não a Mulher Jaca…
Temos muito mais a conquistar do que isso… muito mais a oferecer do que bundas e peitos de fora..
Temos sim !!!
A liberdade de escolher o nosso própio caminho, com dignidade !!!Feliz Dia Internacional da Mulher.
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Cine Clube "Arte em Cena" é muito bom
Participei ontem à noite (06/03/2010) da inauguração do Cine Clube “Arte em Cena” na Câmara Municipal. O projeto é da Associação Companhia Teatral Encena, de Taiobeiras/MG.
Professora Marileide, uma das coordenadoras do Cine Clube Arte em Cena. >Já hoje (07/03/2010), levei minha filha para assistir às duas primeiras exibições do Cine Clube, também no plenário da Câmara de Taiobeiras. Vimos os filmes da sessão livre, Isabel e o Cachorro Flautista, de Cristian Sagaard e Mitos do Mundo: Como Surgiu a Noite?, de Andrés Lieban. Antes da sessão houve apresentação de grupos de Capoeira da cidade.
A cada domingo novos filmes nacionais serão exibidos em sessões às 17h e às 19h30. Divulgarei a programação aqui no blog às sextas-feiras.
Muita boa a iniciativa, que é possível graças aos recursos federais do Ministério da Cultura, através do Mais Cultura Cine.
> Grupo de Capoeira na abertura da 1ª sessão do Cine Clube.
No entanto, o público ainda foi pequeno. Falta mais divulgação e, especialmente, maior envolvimento da classe dos educadores em incentivar alunos e famílias a participarem. Os meios de comunicação da cidade, rádios, jornais e sites também podem ajudar. Cinema, ainda mais do bom, é sinal de cultura e crescimento intelectual.
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Igreja, pedofilia, padres casados e sacerdócio feminino
O mais recente escândalo de pedofilia na Igreja Católica – a minha Igreja – envolvendo sacerdotes alemães da região da Bavária, local de origem do Papa Bento XVI, chegando a atingir pessoas que estavam bem próximas a um irmão do pontífice, me fez mais uma vez recordar ideias que, julgo, talvez pudessem minorar este drama e devolver a credibilidade e a respeitabilidade a esta instituição tão combalida, porém tão necessária, nos dias atuais.
As ideias ainda estão em estado bruto, sem muito amadurecimento ou elaboração. São apenas diretrizes para a formulação de um programa futuro a ser construído. Vamos a elas:
1. Impedimento de que crianças, pré-adolescentes e adolescentes sejam aceitos em regime de internato em conventos e/ou seminários, enquanto menores de idade. O acompanhamento vocacional destes jovens, meninos e meninas, seria obrigatoriamente dirigido por uma equipe mista que envolvesse leigos casados, religiosas, sacerdotes e familiares, antes do ingresso em qualquer instituto, o que só poderia ocorrer ao atingirem a maioridade legal, segundo as leis de seus respectivos países.
2. Oferecimento de acompanhamento psicológico a jovens postulantes da vida religiosa e do sacerdócio, bem como aos seus formadores, sobretudo com um enfoque voltado para o aprimoramento da dimensão afetiva e do pleno conhecimento das potencialidades da sexualidade, bem como dos limites que a prática cristã pressupõe para a vivência desta.
3. Oferecimento de apoio especializado àqueles que apresentarem padrões psicológicos que poderiam levar a comportamentos de pedofilia, bem como promover punição eclesial e civil aos eventuais culpados por estes crimes, sem acobertamento.
4. Supressão do celibato obrigatório. Uma vez que esta regra não é preceito bíblico ou dogma de fé, mas uma definição administrativa que foi útil a um determinado período histórico da Igreja e que não se coaduna mais com o momento presente, o celibato seria facultativo. Padres casados, com vida familiar, em geral estariam mais protegidos da possibilidade de cometer atos de pedofilia.
5. A pedofilia na Igreja, para além de desvios de conduta individuais, pode muito bem ser uma patologia social, uma vez que nos meios eclesiásticos a sexualidade e a afetividade são tolhidas e confundidas com o mau ou com o pecado. Desta forma, a transgressão pedófila é a tentativa doentia, desastrada e criminosa de se estabelecer uma relação de afeto por meio da imposição do poder ao mais fraco e da submissão ao “discípulo”. Uma boa formação cristã, que ensinasse que a vida sexual é bem vista aos olhos de Deus, desde que bem vivida no matrimônio cristão, cuidaria de sepultar os caminhos da pedofilia na Igreja. Para tanto, a Igreja teria que gradativamente incentivar o casamento dos seus sacerdotes e não o contrário. Pedro, o primeiro Papa, era casado, pois Jesus curou sua sogra, de acordo com os Evangelhos.
Evidentemente que, a pedofilia é um desvio de comportamento. Em tese, nenhuma das ideias acima seria suficiente para debelar este mal do seio da Igreja. Acredito, porém, que ajudariam a minorar o problema e a devolver a Igreja ao seu leito natural de missão: o anúncio verdadeiro do Evangelho de Cristo e o testemunho fiel de sua Palavra no mundo.
Ah… já ia me esquecendo. O sacerdócio feminino também seria uma boa ação. Dificilmente se houve falar de pedofilia entre freiras. Além do mais, nas várias comunidades eclesiais de base, grupos de oração e demais movimentos de leigos, as mulheres já exercem o ministério da liderança a muito tempo. Falta fazer cair a mentalidade machista e patriarcal no centro da Igreja.
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Boas leituras para você
Minhas dicas de leitura para o seu fim de semana. Quem lê entende melhor as coisas à sua volta.
Luciana Alvarez: Professores estaduais de SP aprovam greve a partir desta segunda: Clique aqui.
Gilberto Maringoni: O rosnar golpista do Instituto Millenium: Clique aqui.
Eduardo Guimarães: Veja requenta “escândalo” de 2005: Clique aqui.
Paul Craig Roberts: Corrida insana dos EUA por hegemonia põe em risco a vida na Terra: Clique aqui.
Leonardo Boff: Economia: três usos do dinheiro: Clique aqui.
Dom José Alberto Moura: Aflição do povo: Clique aqui.
Boa leitura!
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Com os olhos da fé
O Evangelho da Transfiguração do Senhor (cf. Lucas 9,28b-36), meditado no 2º domingo da Quaresma deste ano, permite fazer uma reflexão menos racionalista dos mistérios divinos, sem dirigir para um sentimentalismo estéril ou para uma alienação religiosa primária.A Transfiguração do Senhor no Monte Tabor, com toda aquela luminosidade irradiante e alocução de uma voz transcendente que provém da nuvem, aponta para a valorização da mística, inerente ao mistério cristão. Mística tão esquecida nas práticas burocráticas de nossas vidas paroquiais e nos rituais litúrgicos congêneres. Mística tão excessivamente abusada em “teologias” populistas de pouco fôlego e de muito barulho, achegadas a uma pirotecnia da fé.
Não, a transfiguração não é pretexto para pregações milagreiras ou devotadas ao mundo mágico dos mitos, das curas e das pretensas “libertações”. A irradiante luz que alvejou as roupas do Senhor não apontavam, em nenhum instante sequer, para uma vivência da fé de maneira individualista, nem para a conformação com os problemas do mundo, à espera de um reino meramente pós-morte. Ao contrário, quando os apóstolos quiseram ali ficar, levantando tendas para melhor se aconchegarem àquele momento de sutil tranquilidade espiritual, o Senhor novamente lhes deu a missão de descerem e não contarem o que viram até a sua Ressurreição gloriosa (vitória sobre o mundo e sobre a morte). Em outras palavras, Jesus ordena manter a fé na verdade vista e escutada no Monte Tabor, no segredo do coração, porém com os pés bem fincados no sopé do monte, na planície da vida, no vale dos enfrentamentos humanos.
A transfiguração vista pelos apóstolos abriu-lhes os olhos da fé. Fez com que ao avistarem as realidades celestes, preparassem o coração e a mente para as realidades terrestres. Não os fez se conformarem. Não lhes tornou egoístas a ponto de ficarem com a impressão daquele momento apenas para si. Impulsionou-os a descer e a viver aquela transfiguração no relacionamento com os demais irmãos e irmãs, sem que houvesse a necessidade de verbalizar tudo o que experimentaram naquele instante.
A fé, ao contrário do que alguns dizem, quando não é alienada e conformista, torna-se força motriz dos fieis para a transfiguração do mundo, para a transformação dos corações, para edificação do Reino de Deus no universo tangível aos nossos sentidos, abrindo caminho para o intangível. Enxergar com os olhos da fé não significa apagar os erros de nossa humanidade transgressora. Qualifica-nos para o exercício da correção mútua e fraterna.
Desçamos do monte. Caminhemos com o Senhor na História dos homens… até a Ressurreição.
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Aeciolândia: R$ 1,69 bilhão para a côrte e nada para o povo
O Governador Aécio Neves, do PSDB, inaugurou hoje o complexo chamado de “Cidade Administrativa de Minas Gerais”, em Belo Horizonte, onde ficarão reunidas a sede do Governo Estadual e todas as Secretarias de Estado. Uma obra inicialmente orçada em torno de meio bilhão, mas que acabou gastando quase R$ 2 bilhões e que levará 18 anos para ter o custo compensado, de acordo com o jornal Folha de S. Paulo. Veja o link da matéria aqui.
Enquanto isto, a educação de Minas Gerais – as escolas caindo aos pedaços e os salários vergonhosos do professorado – vai de ruim a pior ainda, causando um verdadeiro escândalo: gastos com o luxo da côrte e cortes naquilo que pode transformar o futuro de nossas crianças e adolescentes.Aécio, um político “jovem”, porém voltado para o “passado”. Não custa lembrar que o mesmo tipo de gasto exorbitante, a construção do Palácio de Versalhes pelo rei Luís XIV no início do século XVIII, levou a França à grande revolução que acabou com o poder absolutista dos Bourbons. Oxalá que o mesmo ocorra nos Gerais de Minas. -
Notáveis do Alto Rio Pardo (cobertura)
Acompanhe a cobertura completa da Festa dos Notáveis do Alto Rio Pardo, realizada em 27 de fevereiro passado no Avenida Hall, para comemorar o oitavo ano de circulação do Jornal Folha Regional, de Taiobeiras.
Acompanhe os sites Folha Regional, de Taiobeiras e Paraíso Fest, de São João do Paraíso. As fotos podem ser vistas pressionando aqui.
Foto: Foto & Filme.
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6 de março: "Arte em Cena" em Taiobeiras
A Associação Companhia Teatral Encena realizará inauguração do Projeto Arte Em Cena Cine Clube no sábado, 6 de março de 2009, às 19 horas e 30 minutos, no plenário da Câmara Municipal de Taiobeiras.
A entrada é franca e os convidados poderão apreciar cinema, literatura, música e lançamento de livros. Dentre as atrações, as seguintes: lançamento da Coleção Dagobé de Lipa Xavier, Curta: Homenagem a João Guimarães Rosa e Atrações artísticas (Reisado, Yure Colares, Bet Durães e Carla).
Maiores informações na Secretaria de Cultura de Taiobeiras – MG, no telefone (38) 3845-3972 e com Marileide, no celular (38) 9137-3002.
Em breve divulgarei aqui no blog mais detalhes deste projeto.
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Sobre direção perigosa
Do site montesclaros.com no último dia 19 de fevereiro:
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Elisiana Alves
Conheço Elisiana Alves (foto) há algum tempo. Tivemos uma aproximação rápida em 2006, quando lancei meu primeiro livro, Palavras da Caminhada, e ela respondia como titular do Departamento de Cultura da Prefeitura de Taiobeiras. Graças ao seu empenho, a cerimônia de lançamento daquele trabalho se realizou.
Apesar de vivermos na mesma cidade, não nos vemos e nem nos falamos muito. Passeando hoje pela internet, encontrei seu blog e pude acompanhar algumas de suas peripécias artísticas. Elisiana Alves é pintora. Suas telas retratam a vida, o cotidiano, o povo do Alto Rio Pardo e do Jequitinhonha.
Transcrevo aqui o seu perfil exposto no blog:
“Elisiana é natural de Mortugaba – BA. Reside há mais de 20 anos em Taiobeiras, norte de Minas Gerais. Iniciou-se como pintora em 1998. Autodidata, experimentou inúmeras técnicas. Sempre manteve a sua predileção pelos hidrossolúveis.”
Seu blog é http://elisianaalves.blogspot.com/. Creio que vale boas visitas aos interessados pela arte das imagens.
Créditos: fotografias extraídas do próprio blog de Elisiana Alves.
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Dilma cresce em intenção de voto e já encosta em Serra, diz Datafolha
* da Folha Online
Pesquisa Datafolha publicada na edição de domingo da Folha, mostra que a ministra petista Dilma Rousseff (Casa Civil) cresceu cinco pontos nas pesquisas de intenção de voto de dezembro para janeiro, atingindo 28%.
No mesmo período, a taxa de intenção de voto no governador de São Paulo, José Serra (PSDB), recuou de 37% para 32%.
Com isso, a diferença entre os dois pré-candidatos recuou de 14 pontos para 4 pontos de dezembro para cá.
A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. No entanto, é impreciso dizer que o levantamento indica um empate técnico entre Serra e Dilma.
A pesquisa foi realizada entre os dias 24 e 25 de fevereiro. Foram ouvidas 2.623 pessoas com maiores de 16 anos.
Leia a matéria completa na Folha deste domingo, que já está nas bancas.
* Fonte: Folha Online (Folha de S. Paulo).
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A maldição branca
* Eduardo Galeano
Fonte: Grupo de Discussão Discriminação RacialNo primeiro dia deste ano, a liberdade completou dois séculos de vida no mundo. Ninguém se inteirou disso, ou quase ninguém. O Haiti foi o primeiro país onde se aboliu a escravidão. Contudo, as enciclopédias mais conhecidas e quase todos os livros de escola atribuem à Inglaterra essa histórica honra. É verdade que certo dia o império que fora campeão mundial do tráfico negreiro mudou de idéia; mas a abolição britânica ocorreu em 1807, três anos depois da revolução haitiana, e resultou tão pouco convincente que em 1832 a Inglaterra teve de voltar a proibir a escravidão.
Nada tem de novo o menosprezo pelo Haiti. Há dois séculos, sofre desprezo e castigo. Thomas Jefferson, prócer da liberdade e dono de escravos, advertia que o Haiti dava o mau exemplo, e dizia que se deveria “confinar a peste nessa ilha”. Seu país o ouviu. Os Estados Unidos demoraram 60 anos para reconhecer diplomaticamente a mais livre das nações. Por outro lado, no Brasil chamava-se de haitianismo a desordem e a violência. Os donos dos braços negros se salvaram do haitianismo até 1888. Nesse ano o Brasil aboliu a escravidão. Foi o último país do mundo a fazê-lo.
O Haiti voltou a ser um país invisível, até a próxima carnificina. Enquanto esteve nas TVs e nas páginas dos jornais, no início deste ano, os meios de comunicação transmitiram confusão e violência e confirmaram que os haitianos nasceram para fazer bem o mal e para fazer mal o bem. Desde a revolução até hoje, o Haiti só foi capaz de oferecer tragédias. Era uma colônia próspera e feliz e agora é a nação mais pobre do hemisfério ocidental. As revoluções, concluíram alguns especialistas, levam ao abismo. E alguns disseram, e outros sugeriram, que a tendência haitiana ao fratricídio provém da selvagem herança da África. O mandato dos ancestrais. A maldição negra, que empurra para o crime e o caos.Da maldição branca não se falou.
– Qual foi o regime mais próspero para as colônias?– O anterior.
– Pois, que seja restabelecido.
E, para substituir a escravidão no Haiti, enviou mais de 50 navios cheios de soldados. Os negros rebelados venceram a França e conquistaram a independência nacional e a libertação dos escravos.Em 1804, herdaram uma terra arrasada pelas devastadoras plantações de cana-de-açúcar e um país queimado pela guerra feroz. E herdaram “a dívida francesa”. A França cobrou caro a humilhação imposta a Napoleão Bonaparte. Recém-nascido, o Haiti teve de se comprometer a pagar uma indenização gigantesca, pelo prejuízo causado ao se libertar. Essa expiação do pecado da liberdade lhe custou 150 milhões de francos-ouro. O novo país nasceu estrangulado por essa corda presa no pescoço: uma fortuna que atualmente equivaleria a US$ 21,7 bilhões ou a 44 orçamentos totais do Haiti atualmente. Muito mais de um século demorou para pagar a dívida, que os juros multiplicavam. Em 1938, por fim, houve e redenção final. Nessa época, o Haiti já pertencia aos brancos dos Estados Unidos.
Nem Bolívar
Em troca dessa dinheirama, a França reconheceu oficialmente a nova nação. Nenhum outro país a reconheceu. O Haiti nasceu condenado à solidão. Tampouco Simon Bolívar a reconheceu, embora lhe devesse tudo. Barcos, armas e soldados lhe foram dados pelo Haiti em 1816, quando Bolívar chegou à ilha, derrotado, e pediu apoio e ajuda. O Haiti lhe deu tudo, com a única condição de que libertasse os escravos, uma idéia que até então não lhe havia ocorrido. Depois, o herói venceu sua guerra de independência e expressou sua gratidão enviando a Port-au-Prince uma espada de presente. Sobre reconhecimento, nem uma palavra.
Na realidade, as colônias espanholas que passaram a ser países independentes continuavam tendo escravos, embora algumas também tivessem leis que os proibia. Bolívar decretou a sua em 1821, mas, na realidade, não se deu por inteirada. Trinta anos depois, em 1851, a Colômbia aboliu a escravidão, e a Venezuela em 1854.
Em 1915, os fuzileiros navais desembarcaram no Haiti. Ficaram 19 anos. A primeira coisa que fizeram foi ocupar a alfândega e o escritório de arrecadação de impostos. O exército de ocupação reteve o salário do presidente haitiano até que este assinasse a liquidação do Banco da Nação, que se converteu em sucursal do City Bank de Nova York. O presidente e todos os demais negros tinham a entrada proibida nos hotéis, restaurantes e clubes exclusivos do poder estrangeiro. Os ocupantes não se atreveram a restabelecer a escravidão, mas impuseram o trabalho forçado para as obras públicas. E mataram muito. Não foi fácil apagar os fogos da resistência. O chefe guerrilheiro Charlemagne Péralte, pregado em cruz contra uma porta, foi exibido, para escárnio, em praça pública.
A missão civilizadora terminou em 1934. Os ocupantes se retiraram deixando no país uma Guarda Nacional, fabricada por eles, para exterminar qualquer possível assomo de democracia. O mesmo fizeram na Nicarágua e na República Dominicana. Algum tempo depois, Duvalier foi o equivalente haitiano de Somoza e Trujillo.
E, assim, de ditadura em ditadura, de promessa em traição, foram somando-se as desventuras e os anos. Aristide, o cura rebelde, chegou à presidência em 1991. Durou poucos meses. O governo dos Estados Unidos ajudou a derrubá-lo, o levou, o submeteu a tratamento e, uma vez reciclado, o devolveu, nos braços dos fuzileiros navais, à Presidência. E novamente ajudou a derrubá-lo, neste ano de 2004, e outra vez houve matança. E de novo os fuzileiros, que sempre regressam, como a gripe.
Entretanto, os especialistas internacionais são muito mais devastadores do que as tropas invasoras. País submisso às ordens do Banco Mundial e do Fundo Monetário, o Haiti havia obedecido suas instruções sem pestanejar. Eles o pagaram negando-lhe o pão e o sal.
Náufragos anônimos
Teve seus créditos congelados, apesar de ter desmantelado o Estado e liquidado todas as tarifas alfandegárias e subsídios que protegiam a produção nacional. Os camponeses plantadores de arroz, que eram a maioria, se converteram em mendigos ou emigrantes em balsas. Muitos foram e continuam indo parar nas profundezas do Mar do Caribe, mas esses náufragos não são cubanos e raras vezes aparecem nos jornais.
Agora, o Haiti importa todo seu arroz dos Estados Unidos, onde os especialistas internacionais, que é um pessoal bastante distraído, se esquecem de proibir as tarifas alfandegárias e os subsídios que protegem a produção nacional.
Na fronteira onde termina a República Dominicana e começa o Haiti, há um cartaz que adverte: o mau passo. Do outro lado está o inferno negro. Sangue e fome, miséria, pestes… Nesse inferno tão temido, todos são escultores. Os haitianos têm o costume de recolher latas e ferro velho e, com antiga maestria, recortando e martelando, suas mãos criam maravilhas que são oferecidas nos mercados populares.
O Haiti é um país jogado no lixo, por eterno castigo à sua dignidade. Ali jaz, como se fosse sucata. Espera as mãos de sua gente.
* Eduardo Galeano é escritor e jornalista uruguaio, autor de As Veias Abertas da América Latina e Memórias do Fogo.
Este texto me foi enviado por Delci Alvez Luz, Secretário Municipal de Administração da Prefeitura Municipal de Cordeiros – Bahia, através de e-mail datado de 27/fev/2010.
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Artigo do Padre Gledson: O valor da oração
* Padre Gledson Eduardo de Miranda Assis
No mundo hodierno, faz-se mister ratificar, dia após dia, em todo tempo e lugar, o valor da oração, sobretudo em família. A oração não só nos ajuda a perseverar na fé e na aquisição das virtudes, mas também, nos defende contra as ciladas do mal.
Quando os discípulos de Jesus quiseram aprender como rezar corretamente, pediram isso ao Mestre: “Senhor, ensina-nos a orar, como João ensinou a seus discípulos” (cf. Lc 11,1). O Evangelista Mateus apresenta Jesus ensinando aos seus discípulos, dentro do sermão da montanha, a melhor forma de rezar, que não consiste na quantidade de palavras usadas, mas sim na sinceridade do coração (cf. Mt 6,7). De fato, não devemos rezar apenas com o intuito de que os outros vejam que estamos rezando, mas sim para que o Pai do Céu, que vê no segredo, nos dê a recompensa (cf. Mt 6,5-6). E Jesus acrescenta: “Vosso Pai sabe do que tendes necessidade muito antes de lho pedirdes” (cf. Mt 6,8). A partir daí ensina, pois, a oração do “Pai Nosso” como modelo de toda oração, como prece universal (cf. Mt 6,9-13).
Logicamente, muitas outras orações nos permitem fazer uma experiência de proximidade com Deus, seja através d’Ele mesmo, seja através da intercessão dos santos, modelos de seguidores de Jesus para nós cristãos nos dias atuais, quer com fórmulas já prontas ou com expressões que espontaneamente brotam do nosso coração cheio de fé. Enquanto recomendação, diríamos que a Oração do Terço, por exemplo, como qualquer outra oração, deve ser rezada com devoção, atenção e piedade, evitando, enquanto possível, todo tipo de distrações. Ao recitá-lo, devemos meditar sobre os mistérios contemplados. Assim, enquanto se sucedem, em doce harmonia, as Ave-Marias, como proveitosa oração vocal, o nosso espírito se deixa elevar na meditação dos mistérios mais profundos de nossa fé, constituindo-se, também, valiosa oração mental.
Se volvermos nossa memória a um passado não muito distante, constatamos que era um fervoroso costume no seio de nossas famílias a oração diária e conjunta, como sinal de fé e devoção. Isso, sem dúvida alguma, era um dos motivos que sustentavam as famílias na serenidade e na paz, num tempo em que a vida não era fácil, tudo era conseguido com muito esforço, dificuldades, lutas e sofrimentos, mas que, não obstante tudo isso, o mundo ainda não era tão dominado por uma violência escabrosa, por um egoísmo avassalador e por uma falta de fraternidade incomensurável. Na verdade, podemos dizer que, pela oração, nossas famílias sustentavam sua solidificada união entre seus membros e perseverante esperança na providência divina, numa total atitude de confiança e abandono nas mãos do Pai. Belos tempos em que o temor a Deus era reinante, em que vizinho ajudava vizinho sem o interesse de receber nada em troca, comadre partilhava com comadre pelo simples prazer de exercer a fraternidade – como ainda hoje costuma acontecer nas cidades do interior – e todos juntos lutavam por um objetivo comum, acreditando que era possível, já aqui na terra, fazer o Reino de Deus acontecer.
Ainda é bom lembrar que a oração é sempre proveitosa e eficaz. Contudo, quando rezamos em comunidade, temos uma presença especial de Deus. É o próprio Jesus quem disse: “Quando dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles” (cf. Mt 18, 20). Todavia, o valor da oração não está na quantidade, mas sim na qualidade. Ela se torna perfeita e agradável a Deus quando feita com amor e sem pressa. Ao pronunciar com os lábios as palavras da oração, devemos acompanhá-las com o coração, com o sentimento e com a alma. É assim que falamos com os pais, com os amigos e com as pessoas de quem mais gostamos. E é assim também que deveríamos falar com Deus.
* Padre Gledson Eduardo de Miranda Assis é sacerdote da Arquidiocese de Montes Claros/MG, atuando na Paróquia São Sebastião daquela cidade. No seu período de seminarista, fez estágio em Taiobeiras/MG.
















