(*) Lula Miranda
Temos visto, praticamente todos os dias, o Partido dos Trabalhadores sendo esculachado nos grandes jornais e nos telejornais em horário nobre. Poucas dessas críticas são construtivas. A maior parte delas é nitidamente enviesada, capciosa, eleitoreira (miravam 2012 e já miram 2014) e visa pouco a pouco desgastar a imagem do partido e corroer a sua credibilidade junto à sociedade. Algumas descambam para o mero “golpismo”, pois refletem a intenção de tomar o poder no grito – mesmo que para tanto seja necessário repetir uma mentira, em uníssono, reiteradas vezes, até que ela se transforme numa “verdade”. Nem que seja necessário processar, condenar e prender o Lula sem provas – para tanto recorreram ao ardiloso artifício do “domínio do fato”. Nem que seja necessário dar um “golpe paraguaio” na Dilma. Essa é a ordem dos tratores.
Os principais críticos e detratores do partido são dois ou três professores universitários neoconservadores e uma dezena de jornalistas, já bastante conhecidos pela sua “imparcialidade” e “pluralismo de ideias”, mas que têm espaço de destaque e oportunidade assegurados nas tribunas e tribunais mais “nobres” da grande imprensa – espaço este que é, diga-se, seguidamente negado aos que tem uma visão de mundo que lhes é antagônica. Portanto, sem direito ao contraditório ou ao chamado “outro lado”. Assim funciona a democracia e o pluralismo de faz de conta que eles vendem para os incautos. Mas, a despeito disso, é nosso dever combater esse desequilíbrio. De que modo? Cobrando o espaço que nos é devido ou utilizando dos veículos da imprensa alternativa. Só não pode se deixar intimidar e calar.
Alguns analistas políticos insistem em dizer, de modo equivocado e/ou “ufanista”, que o suposto “escândalo do mensalão” não causou prejuízos ao Partido dos Trabalhadores; que tanto é assim que o partido ganhou em São Paulo; que conquistou o maior número de eleitores e que os maiores orçamentos estarão sob sua gestão nas prefeituras; que elegeu muitos prefeitos etc. Ora, a forma como a grande imprensa explorou esse episódio causou, está causando e ainda poderá causar grande prejuízo ao PT, na medida que os formuladores e representantes desse partido na sociedade não reagem à altura – ou seja, com a competência necessária para rebater as acusações e os impropérios que lhe são impingidos. O partido necessita resgatar e comprovar sua inocência.
Mais que isso, precisa mostrar e lembrar à sociedade sua história de lutas e conquistas – e ao mesmo tempo indicar, projetar, construir os caminhos rumo ao futuro. O partido deve mostrar, de modo pedagógico, para seus militantes, mas também, e principalmente, para todos os cidadãos brasileiros, quais as políticas públicas que implantou e as que serão daqui para a frente implementadas para o crescimento continuado e o desenvolvimento do país, para que tenhamos uma distribuição de renda mais equânime e justa. O PT precisa deixar claro para a sociedade qual a contribuição que o partido ainda pode oferecer para melhorar, ainda mais, as condições de vida do povo brasileiro. Deve, novamente, seduzir a sociedade como um todo. Deve, para tanto, repelir, peremptoriamente, a agenda negativa que lhe está sendo imposta – e ao país – e colocar na pauta uma agenda positiva. Mas onde estão seus formuladores e porta-vozes na sociedade para tanto?
É forçoso reconhecer: o Partido dos Trabalhadores teve um papel fundamental na construção desse novo Brasil em que vivemos. Sim, pois só os demasiados “distraídos” ou os empedernidos partidários da oposição não concordam que hoje vivemos um novo e melhor momento, auspicioso. E que isso, certamente, não foi obra do acaso, mas de conquistas do povo brasileiro, juntamente com os partidos de esquerda e de centro-esquerda –e aí não só o PT, obviamente.
É preciso fazer a louvação do que bem merece: reconhecer os méritos daqueles jovens de classe média que no passado, lá no começo da década de 1980, saindo de uma renhida e desgastante luta contra a ditadura, ajudaram a criar o PT. Jovens que se juntaram a uma classe operária emergente, construindo assim o embrião daquilo que viria a se consolidar como um novo sindicalismo [vale lembrar que preponderava até então o chamado “peleguismo”]. Colocando, muitas vezes, em segundo plano suas vidas pessoais e laços familiares – e em prejuízo de suas próprias carreiras profissionais. É preciso relembrar que a estes jovens e operários se associaram alguns intelectuais, religiosos e estudantes, que fundaram então o Partido dos Trabalhadores. E que esse partido ajudou a mudar a cara do país. Alguém precisa (re)contar e (re)lembrar ao país essa bela história.
É essa história que agora pretendem corromper, negar, apagar. E junto com ela todas as suas conquistas. Não se pode permitir.
Mas para isso, para contar e defender a sua história, um partido, qualquer que seja, precisa de bons quadros e de intelectuais à sua altura e/ou à altura de sua história.
Por isso, insisto na pergunta: onde foram parar os intelectuais do PT? Pois, repito, vejo o partido e suas lideranças sendo cotidianamente linchados em praça pública, sua história sendo vilipendiada, achincalhada – e pasmo não vejo quase nenhuma reação! Será que todos esses pecados que lhes imputam são devidos?! E as suas virtudes, inexistem? O que pesa mais na balança de sua história: os erros ou os acertos; os pecados ou as virtudes?
Repito a pergunta: onde foram parar os intelectuais do PT? Ou os seus simpatizantes na academia, na imprensa e na sociedade em geral? Pois é constrangedor e ensurdecedor o silêncio que se ouve aqui na blogosfera e na mídia em geral. Estarão acomodados e apaziguados em alguma sinecura, como dizem algumas línguas viperinas? Estarão intimidados, acovardados; seriam pusilânimes? Ou estariam esperando para só ir “na boa” e não entrar em bola dividida?
Por onde andarão os intelectuais que ajudaram a construir essa história tão bonita e que agora se ausentam do debate, se omitem?
Avança mais aquele que luta mais, que caminha mais – e ainda há um longo percurso a percorrer. A bola, caprichosa e sedutora, está nos pés do PT. Ele precisará dos seus craques, dos seus melhores quadros. Pois a dívida social do país para com os seus filhos ainda é colossal. Cabe-nos lembrar. E precisará lutar – muito. Iluminar os caminhos. Formar. Informar. Criar fortes laços e raízes em todas as classes e estratos sociais. E caminhar. E assim transformar aos poucos a sociedade. Afinal, esse é o seu papel.
(*) Lula Miranda é poeta e cronista. Foi um dos nomes da poesia marginal na Bahia na década de 1980. Publica artigos em veículos da chamada imprensa alternativa, tais como Carta Maior, Caros Amigos, Observatório da Imprensa, Fazendo Média e blogs de esquerda. Artigo publicado originalmente no site Brasil 247.
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Onde estão os intelectuais do PT?
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Dilma premia aluno de Taiobeiras na OBMEP

Estudante Gustavo Souza Amorim e a Presidenta do Brasil, Dilma Rousseff Parabéns ao Gustavo Souza Amorim, aluno do 8º ano (antiga 7ª série) do Ensino Fundamental da Escola Estadual Presidente Tancredo Neves – Taiobeiras/MG – , por ser um dos premiados na OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas) pela Presidenta Dilma Rousseff em cerimônia que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro/RJ.
Gustavo é filho da professora Nídia Souza e do instrutor de capoeira Gilson Amorim. -
"Conduzindo Miss Daisy" na véspera da eleição americana
Conduzindo Miss Daisy, uma bela comédia dramática que mostra o contato difícil, a princípio, entre uma rica senhora judia (Jessica Tandy) e seu motorista negro (Morgan Freeman) no sul dos EUA (Atlanta, Georgia) no final dos anos 1940, mas que se transforma numa bela e sólida amizade, acima dos preconceitos raciais, sociais e culturais.
Na véspera da eleição que definirá o futuro da maior potência do planeta, que poderá afetar a vida de todos nós, vale a pena assistir a esta bela produção. Assisti ontem à noite (domingo, 4/11/2012).
Ficha técnica:
Conduzindo Miss Daisy, 1989, Estados Unidos, vencedor de três Oscars. -
Lula e o exorcismo que vem aí
Por Luiz Carlos Azenha, no blog Viomundo:
Uma capa recente do Estadão resumiu de forma enxuta os caminhos pelos quais a oposição brasileira pode enveredar para tentar interromper aos 12 anos o domínio da coalizão encabeçada pelo PT no governo federal.
De um lado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sugeria renovação do discurso do PSDB.
De outro, um novo depoimento de Marcos Valério no qual ele teria citado o nome do ex-presidente Lula:
Valério foi espontaneamente a Brasília em setembro acompanhado de seu advogado Marcelo Leonardo. No novo relato, citou os nomes de Lula e do ex-ministro Antonio Palocci, falou sobre movimentações de dinheiro no exterior e afirmou ter dados sobre o assassinato do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel.
Curiosamente, no dia seguinte acompanhei de perto uma conversa entre quatro senhores de meia idade em São Paulo, a capital brasileira do antipetismo, na qual um deles argumentou que Fernando Haddad, do PT, foi eleito novo prefeito da cidade por causa do maior programa de compra de votos já havido na República, o Bolsa Família. Provavelmente leitor da Veja, ele também mencionou entrevista “espírita” dada por Marcos Valério à revista, na qual Lula teria sido apontado como chefe e mentor do mensalão.
Isso me pôs a refletir sobre os caminhos expressos naquelas manchetes que dividiram a capa do Estadão.
Sobre a renovação do discurso do PSDB sugerida pelo ex-presidente FHC, pode até acontecer, mas não terá efeito eleitoral. O PT encampou a social democracia tucana e, aliado ao PMDB, ocupou firmemente o centro que sempre conduziu o projeto de modernização conservadora do Brasil. Ao PSDB, como temos visto em eleições recentes, sobrou o eleitorado de direita, o eleitorado antipetista representado pelos quatro senhores de meia idade e classe média que testemunhei conversando no Pacaembu.
Estimo que o eleitorado antipetista represente cerca de 30% dos votos em São Paulo, capital, talvez o mesmo em outras metrópoles. Ele alimenta e é alimentado pelos grandes grupos de mídia, acredita e reproduz tudo o que escrevem e dizem os colunistas políticos dos grandes jornais e emissoras de rádio e TV. Há, no interior deste grupo de 30% dos eleitores, um núcleo duro dos que militam no antipetismo, escrevendo cartas aos jornais, ‘trabalhando’ nas mídias sociais e participando daquelas manifestações geralmente fracassadas que recebem grande cobertura da mídia do Instituto Millenium.
Este processo de retroalimentação entre a mídia e os militantes do antipetismo é importante, na medida em que permite sugerir a existência de uma opinião pública que reflete a opinião publicada. É por isso que os mascarados de Batman, imitadores de Joaquim Barbosa, aparecem com tanta frequência na capa de jornais; é por isso que os jornais escalam repórteres e fotógrafos para acompanhar os votos de José Dirceu e José Genoíno e geram um clima de linchamento público contra os condenados pelo STF; é por isso que os votos de Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski nas recentes eleições foram usados de forma teatral para refletir a reação da “opinião pública” (de dois ou três, diga-se) ao “mocinho” e ao “bandido” do julgamento do mensalão. Curiosamente, ninguém se interessou em acompanhar os votos de Luiz Fux e Rosa Weber.
O antipetismo é alimentado pelo pensamento binário do nós contra eles, pelo salvacionismo militante segundo o qual do combate às saúvas lulopetistas dependem a Família, a Pátria e a Liberdade.
Criar essa realidade paralela é importante. Em outras circunstâncias históricas, foi ela que permitiu vender a ideia de que um governo popular estava sitiado pela população. Sabe-se hoje, por exemplo, que João Goulart, apeado do poder pelo golpe cívico-militar de 1964 com suporte dos Estados Unidos, tinha apoio de grande parcela da população brasileira, conforme demonstram pesquisas feitas na época pelo Ibope mas nunca divulgadas (por motivos óbvios).
[Ver aqui sobre o apoio a Jango]
Hoje, o mais coerente partido de oposição do Brasil, a mídia controlada por meia dúzia de famílias, forma, dissemina e mede o impacto das opiniões da militância antipetista. O consórcio midiático, no dizer da Carta Maior, produz a norma, abençoa os que se adequam a ela (mais recentemente a ministra Gleisi Hoffmann, que colocou seus interesses particulares de candidata ao governo do Paraná adiante dos do partido ao qual é filiada) e pune com exílio os que julga “inadequados” (o ministro Lewandowski, por exemplo).
Diante deste quadro, o Partido dos Trabalhadores, governando em coalizão, depende periodicamente de vitórias eleitorais como uma espécie de salvo conduto para enfrentar a barulhenta militância antipetista.
Esta sonha com as imagens da prisão de José Dirceu, mas quer mais: o ex-presidente Lula é a verdadeira encarnação do Mal. É a fonte da contaminação do universo político — de onde brotam águas turvas, estelionatos como o Bolsa Família e postes eleitorais que só servem para disseminar o Mal.
O antipetismo é profundamente antidemocrático, uma vez que julga corrompidos ou irracionais os eleitores do PT. Corrompidos pelo “estelionato eleitoral” do Bolsa Família ou incapazes de resistir à retórica demagoga e populista do ex-presidente Lula e seus apaniguados.
A mitificação do poder de Lula, como se emanasse de alguém sobre-humano, é essencial ao antipetismo. Permite afastar o ex-presidente de suas raízes históricas, dos movimentos sociais aos quais diz servir, desconectar Lula de seu papel de agente de transformação social. O truque da desconexão tem serventia dupla: os antipetistas podem posar de defensores do Bem sem responder a perguntas inconvenientes. Quem são? A quem servem? A que classe social pertencem? Qual é seu projeto político? Quais são suas ideias?
A crença de que vencer eleições, em si, será suficiente para diminuir o ímpeto antipetista poderá se revelar o mais profundo erro do próprio PT diante da conjuntura política. O antipetismo não depende de votos para existir ou se propagar. Estamos no campo do simbólico, do quase religioso.
Os quatro senhores do Pacaembu, aos quais aludi acima, estavam tomados por uma indignação quase religiosa contra Lula e o PT. Pareciam fazer parte de uma seita capaz de mobilizar todas as forças, constitucionais ou não, para praticar o exorcismo que é seu objetivo final. Como aconteceu às vésperas do golpe cívico-militar de 64, o que são as leis diante do imperativo moral de livrar a sociedade do Mal? -
Taiobeiras: celebrar a chuva no Santo Cruzeiro dos Martírios
Conjunto histórico-cultural do Santo Cruzeiro dos Martírios
(Taiobeiras/MG) e a chuva, em foto de
02 de novembro de 2012.A chuva demorou. Mas chegou. Conforme a devoção. Embora a ciência meteorológica também a previsse. Mas valeu (e vale) a fé do povo. Deveria também valer o planejamento estratégico e a longo prazo por parte de quem tem poder.
Assim sendo, vamos comemorá-la (a chuva). Nada melhor do que celebrar as benesses do céu neste lugar (da foto) onde há mais de 100 anos os sertanejos-geraizeiros, do mesmo sofrimento da seca cruel, mas de inquebrantável fé, faziam suas promessas e penitências, piamente esperando pela chuva. Chuva que molha a terra e a fecunda. Que produz os frutos. Que nos dá o pão. Que sacia nossa sede de justiça e enternece nossas ressequidas relações humanas.
Celebremos a chuva, dom de Deus (necessidade do Ser Humano) no Santo Cruzeiro dos Martírios (Taiobeiras/MG), debaixo do velho Pequizeiro sesquicentenário, com a Capelinha de Todos os Santos por testemunha. Celebremos a vida que, a despeito da chuva ter vindo no dia de Finados, se renova, transborda e deseja, ardentemente, continuar vivendo.
Para saber mais sobre o Santo Cruzeiro dos Martírios, clique nos seguintes links:
1. Re-sacralizar nossa cultura;
2. História de Taiobeiras: O Santo Cruzeiro dos Martírios;
3. Taiobeiras: Santo Cruzeiro dos Martírios. -
Taiobeiras: De novo, o boneco, e nada de pedido de desculpas…

Atitude que representou a baixa politização em
Taiobeiras. Imagem disponível no FacebookCom entrevista em rádio e tudo o mais, mesmo assim nada da grandeza moral de pedir desculpas por esse atraso ilustrado aí na foto (boneco). Fica a pergunta: cadê o exemplo de civilidade?
Aproveito para reproduzir dois parágrafos de um manifesto de indignação que alguns eleitores de Taiobeiras publicaram na p. 9 da edição 206, ano IX, mês de outubro de 2012, do Jornal Folha Regional (Taiobeiras/MG):
“[…] 1. O estímulo de atitudes de Ódio contra pessoa de Carlito Arruda e aos seus principais formuladores de campanha, por parte de membros da campanha adversária, por meio das redes sociais ou de instrumentos de ‘zombaria’ e desqualificação moral, revelam o perigo social e ético ao qual Taiobeiras está exposto, comparável à Alemanha na época do movimento nazista. E a falta de manifestação das lideranças vencedoras em desaprovar tais atos só vem a comprovar e a agravar a situação de pobreza moral e cultural à qual nossa sociedade se rebaixou.
2. A confecção, exposição e mutilação de um boneco que mimetiza a figura pública de Carlito Arruda choca a boa consciência e escandaliza o suposto avanço ético e cultural que tanto disseram que Taiobeiras havia alcançado. Não pode ser considerada avançada uma sociedade onde a suposta elite não se envergonha de tal atitude típica da barbárie. Na impossibilidade de matar o homem Carlito, mataram o boneco. Não perceberam que o significado de quem construiu o boneco e o malhou; de quem o postou nas redes sociais e de quem ‘curtiu’ é um só: ‘destruir fisicamente quem pensa diferente e quem ousa dizer o que pensa’. Ato gravíssimo de intolerância e de desrespeito às liberdades democráticas. Nenhuma vitória justifica incitamento aos comportamentos mais obscuros da alma humana.
[…]” -
Taiobeiras: "Lata d’água na cabeça" e "Tomara que chova três dias sem parar"
Em meio à crise da falta de água (junto com falta de planejamento a longo prazo), nunca é demais sanear a aridez cultural com um pouco das boas produções artísticas da genuína música brasileira.
Lata d’água na cabeça (1952)
Tomara que chova três dias sem parar (1950) -
Vídeo: A previsível falta de água em Taiobeiras
Não é nada satisfatória a constatação que é feita nesse video. Não agrada a ninguém a realidade vivida, das faltas de água e de planejamento. Mas é necessário que seja mostrado, a fim de que a sociedade tome consciência das responsabilidades de suas autoridades. Pela tomada de conhecimento se avança na capacidade da comunidade em ter condições de controlar as políticas públicas e os seus agentes (os políticos).
É um trecho do discurso do então candidato a prefeito de Taiobeiras/MG, Carlito Arruda (PDT), num comício realizado na Avenida Caiçara, esquina com a Rua Diamantina, no dia 22 de setembro de 2012. Infelizmente, a previsão se fez realidade até mesmo antes do que muitos imaginavam.
O problema é que, na ocasião, o então candidato foi duramente criticado por ter dito essas palavras. Vigorava, naquele momento, a ilusória ideia de que Taiobeiras era um verdadeiro paraíso em meio ao Vale do Rio Pardo, com ausência total de problemas de quaisquer ordem. Bastou apurar as urnas.
Vamos ao vídeo. -
Taiobeiras: o boneco, a manifestação, o cravo e a canela
Fico encabulado com a HIPOCRISIA SOCIAL em dois atos:

O boneco (Foto: disponível no Facebook) 1º: Fazer boneco representando a pessoa de um candidato (inclusive com um arremedo de símbolo religioso atrelado ao pescoço da “obra de arte”), chutá-lo, rasgá-lo e queimá-lo em praça pública… PODE! E não se fala mais nisso. Acham bonito. Talvez, o ápice da demonstração de civilidade e de amor ao município!

Manifestação popular em frente ao Fórum 2º: Falar a verdade, fazer crítica política e demonstrar opiniões sociais… NÃO PODE! É feio, errado, bagunça e burrice, no dizer dos mesmos que bateram palmas para o “sarau do boneco”.

Capa de Gabriela, Cravo e Canela Nos tempos vindouros, quando estudarem essa nossa época e essa nossa Taiobeiras, os futuros escritores precisarão recriar uma “nova Gabriela, Cravo e Canela” (que acabei de ler, maravilhosa obra!) para desmascarar este tempo, assim como fez Jorge Amado em relação à Bahia dos coronéis da República Velha.
Em tempo: Acredito que ação perpetrada contra o boneco foi tão somente o deleite do fetiche, na impossibilidade de fazer o mesmo sobre a pessoa real e aos seus companheiros. -
27 de outubro: 10 anos da eleição de Lula
27 de outubro de 2012:
* 67 anos atrás, no sertão de Pernambuco, nascia mais uma criança nordestina-brasileira, Luiz Inácio da Silva, aquele que viria a ser o Lula.
* 10 anos atrás, no país inteiro, depois de três disputas sem sucesso, se elege consagradoramente Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro homem do povo Presidente do Brasil.
De lá para cá, as taxas de desemprego caíram. O país cresceu e ficou independente do FMI. 14 novas universidades federais e mais de uma centena de campi universitários foram criados. O PROUNI levou filhos de lavradores e pedreiros a se tornarem “doutores”. Os Programas Sociais tiraram quase 40 milhões de brasileiros (mais do que uma Argentina inteira) da miséria absoluta. A maior revolução social da história do Brasil e, tudo, pacificamente, apesar dos ataques insistentes da “casa grande”!
Claro que ainda falta muito. Afinal, foram mais de 500 anos de dominação. Não se muda tudo de uma hora para a outra. Nem mesmo em 10 anos. Mas foi o melhor começo de uma nova história. E eu sou feliz por ter acreditado, lutado e participado (ainda que, infimamente) dessa grande transformação.
Feliz aniversário, Lula! Parabéns, Brasil! -
Taiobeiras: "a seca borrou a maquiagem"

Foto: Jornal Folha Regional (Taiobeiras/MG) Utilizando expressão do jornalista Alex Sandro Mendes, diretor do Jornal Folha Regional, em seu perfil no site de relacionamentos Facebook, “a seca está borrando a maquiagem” de Taiobeiras, Alto Rio Pardo (Norte de Minas).
Na imagem, caminhões-pipa da COPASA chegam à cidade nesta quinta, 25/10/2012, para buscar água muito… muito… muito longe, já que o Rio Pardo secou. Reproduz uma cena lamentável para a nossa história, em pleno século XXI.
Ao contrário do que muitos dizem, o problema não é só de falta de chuvas (previsível e cíclico na região), mas de ausência de planejamento a longo prazo. Agora, resta orar aos céus e exercer a cidadania, poupando água e cobrando a quem de direito e de dever. -
Taiobeiras: baixaria ou cidadania?

Exercício de liberdade de expressão em frente ao Fórum
de Taiobeiras, infelizmente ridicularizado em algumas
redes e ambientes sociais supostamente civilizadosNuma terra onde as liberdades políticas de pensamento e expressão são consideradas baixaria e o ato de esculhambar com a honra alheia é visto com bons olhos por certos setores supostamente civilizados, qual será o futuro?
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Taiobeiras: Literarte 2012

Mesa de Abertura do Literarte 2012
em foto de Rhansley SantosEstive nesta segunda, 22/10/2012, participando da abertura da edição 2012 do Literarte (Festival de Literatura e Artes) da Escola Estadual Oswaldo Lucas Mendes (Ensino Médio) de Taiobeiras, a convite da diretora Mônica Alves Costa.
Juntamente com a professora, poeta e militante cultural Marileide Alves Pinheiro e com o jornalista e escritor Isaias Costa (Zazau), falei sobre a função social e libertadora da Literatura. Também fiz uma breve explanação sobre o conteúdo dos meus três livros já publicados.
A culminância do Literarte 2012, com exposições promovidas pelos alunos sobre os estilos literários ao longo da história do Brasil, ocorre no próximo dia 9 de novembro. -
A entrevista de Carlito Arruda
Infelizmente, durante o período eleitoral não houve um debate entre os candidatos a Prefeito de Taiobeiras (Norte de Minas Gerais), como ocorre em lugares civilizados. O então candidato do PSDB não quis nem falar no assunto. Mesmo assim, Carlito Arruda, do PDT, aceitou o convite do jornalista Stanley Colombo, site www.TudoSuper.com.br, para dar essa entrevista que vale a pena ser reapresentada agora, já um pouco fora do calor da disputa, com maior serenidade e espírito de interesse público.
Vamos lá… (para não dizer explicitamente, Vamos juntos!). -
Juíza de Taiobeiras recebe manifestantes

Manifestantes pela 3ª vez em frente ao Fórum de Taiobeiras Manifestando-se em frente ao Fórum da Comarca pela terceira vez em uma semana e meia, eleitores de Taiobeiras foram recebidos no final da tarde de segunda, 22/10/2012, pela Juíza Eleitoral da 266ª Zona, Marcela Decat.
De acordo com a versão on line do Jornal Folha Regional, a magistrada “ouviu todas as alegações dos eleitores que cobram apuração das denúncias de compra de votos contra o candidato eleito Danilo Mendes (PSDB (…) considerou que as denúncias são realmente graves e garantiu esforço para sentenciar o processo ainda este ano”.Veja aqui os links das matérias sobre as manifestações anteriores:
2ª manifestação 17/10/2012
1ª manifestação 11/10/2012 -
DNJ 2012: Juventude: Qual vida vale a pena ser vivida?
Professor Levon fala aos jovens da EFA-NE Na manhã do domingo, 21 de outubro de 2012, a convite da direção do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras, fiz uma participação no 2º Encontro da Juventude do Alto Rio Pardo, realizado na sede da Escola Família Agrícola Nova Esperança (EFA-NE), tratando sobre o tema do DNJ – Dia Nacional da Juventude 2012 (da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) “Juventude & Vida” para cerca de 200 jovens (estudantes da EFA-NE e convidados).
Abordei questões relacionadas aos sinais de morte que invibilizam a vida da juventude (violência, drogas, consumismo, falta de acesso à educação e à cultura, etc…) e aos sinais de vida que dão esperança aos jovens (Escola Família Agrícola, participação cidadã, movimentos sociais, etc…), culminando com a procura de respostas para o questionamento proposto no lema do DNJ 2012 (Qual vida vale a pena ser vivida?).Juventude presente ao 2º Encontro do Alto Rio Pardo A Escola Família Agrícola Nova Esperança, sediada na região da Matrona, município de Taiobeiras/Norte de Minas Gerais, é uma conquista dos movimentos sociais e sindical da microrregião do Alto Rio Pardo através das ações do Território da Cidadania (ligado a vários Ministérios do Governo Federal; especialmente ao MDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário).

Cartaz do DNJ 2012 A iniciativa do encontro com a juventude é um bom começo para a reorganização de atividades de formação numa região onde o movimento juvenil já foi bastante forte em décadas anteriores.
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Sobre a falta de água em Taiobeiras

Rio Pardo em foto do mês de maio de 2012.
Agora… secou!Sobre as recentes notícias a respeito da falta de água em Taiobeiras, “linkadas” abaixo, destaco a postagem do artista plástico taiobeirense, Acácio Custódio, originalmente em seu perfil no site de relacionamentos Facebook, como sendo uma das mais corretas avaliações. Segue…
“Entrar nesse jogo de empurra é no mínimo deselegante. Todos nós sabíamos que á situação deteriorava a cada ano, e que esse dia seria inevitável. E nada foi feito, nem por parte da copasa e muito menos pela prefeitura. Quem passava pela ponte do rio a 30 dias atrás sabia que á água estava acabando. O que assusta é informar a população 2 dias antes de acabar. A população não merece esse descasso. Estavam todos no glamur da eleição e esqueceram do primordial para cidade. Fugir das resposabilidades é uma atitude vil. E mesmo com a piedade dos ribeirinhos, não vai resolver o nosso problema, a água desses poços é muito pouca, da mau para as criações. Se não chover nos próximos dias, a nossa situação é DRAMÁTICA. E sem falar do problema de saude que a cidade vai enfrentar. Com a palavra as nossas autoridades!”
Links:
Prefeito Denerval detona COPASA
COPASA firma TAC e Ribeirinhos deixam bombear água dos poços
Taiobeiras pode ficar sem água


