Por Valéria Borborema, jornalista montes-clarense, em seu blog Apenas uma ideia, só isso…
A oposição ficou em polvorosa assim que soube de lista da prestigiadíssima revista “Time”, que elegeu as cem personalidades mais influentes do mundo e que colocou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no topo.
Há duas versões em circulação na mídia brasileira. A primeira, e mais confiável, é a confirmação do prestígio do líder brasileiro, em destaque no site da revista CartaCapital e no blog do Luís Nassif.
Coube ao cineasta norte-americano Michael Moore escrever o perfil de Lula, que “tem lições a dar aos Estados Unidos. “A grande ironia da presidência de Lula – ele foi eleito para o segundo mandato em 2006 e servirá até este ano – é que enquanto ele tenta impulsionar o Brasil para o Primeiro Mundo com programas sociais como o Fome Zero, destinado a acabar com a fome, e planos para melhorar a educação disponível à classe trabalhadora, os EUA se parecem a cada dia mais com o Terceiro Mundo”. Moore disse que a concentração de renda nos Estados Unidos está aumentando e ameaça deteriorar a condição econômica dos mais pobres. “Nós, nos EUA, em contraste onde a população 1% mais rica detém mais riqueza financeira do que o conjunto dos 95% mais pobres, estamos vivendo em uma sociedade que está rapidamente se tornando parecida com o Brasil””.
A segunda versão, e menos confiável, circula em larga escala nos grandes jornais on line. O JB On line, por exemplo, perde-se em explicações. “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encabeçava a lista de personalidades com maior influência do mundo, segundo um ranking publicado quinta-feira pela revista Time, incluindo o número 1 estampado ao lado de seu nome na edição online. Mas a revista, ao tomar conhecimento de que a notícia circulava amplamente pela internet, negou que houvesse um ranking. Ao ser incitada a explicar o porquê da numeração, decidiu, então, modificar a página. No fim da tarde de quinta-feira (horário de Brasília), o número 1 foi retirado. Mesmo negando que Lula ocupava o primeiro lugar – à frente do presidente dos EUA, Barack Obama – a Time deu destaque ao brasileiro, publicando um comentário escrito pelo cineasta e documentarista Michael Moore.”
Enquanto a Folha On line preferiu destacar o ex-presidente Bill Clinton. “Segundo a “Time”, na categoria das pessoas que podem ser consideradas heróis, há acadêmicos que “fingem ser próximos ao povo”, e populistas que “desejam se passar por estudiosos”, mas ninguém consegue um equilíbrio “tão perfeito” entre “razão” e “emoção” como Clinton. A lista da revista, dividida em quatro categorias principais –líderes, heróis, artistas e pensadores– colocou Clinton entre os 25 heróis mais influentes do ano, ao lado de pessoas como o líder iraniano Mir Hossein Mousavi, candidato à Presidência em seu país e o bombeiro Karls Paul-Noel, que assim como outros integrantes do grupo elencado pela “Time”, atuou nos esforços emergenciais dos EUA no Haiti após o terremoto que destruiu o país.”
E Lula???? Bem, a Folha não se furtou a comentar o prestígio do presidente operário. “A lista da publicação que anualmente elege as cem pessoas mais influentes do mundo colocou ainda o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na lista dos 25 maiores líderes do ano.”
Políticos da oposição espernearam, tentaram desqualificar a publicação, choraram… …. …. .
Foto: corneliodigital
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"Time" prestigia Lula. Oposição à beira de ataque de nervos
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Papa reúne-se com bispos que investigam os Legionários de Cristo
* Do Yahoo NotíciasCidade do Vaticano, 30 abr (EFE).- O papa Bento XVI se reuniu hoje de surpresa com os cinco bispos que investigam os Legionários de Cristo e que tinham um encontro agendado com cardeal secretário, Tarcisio Bertone, para apresentação dos relatórios, informa uma nota do Vaticano.Nos últimos meses, os cinco bispos coletaram depoimentos da Congregação fundada pelo mexicano Marcial Maciel, culpado de abusos sexuais de menores seminaristas e de levar uma vida dupla com pelo menos duas mulheres, com as quais teve três filhos.O papa, que antes de aceder ao Pontificado foi prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Santo Ofício), escutou a partir das 11h no horário local (6h em Brasília) os primeiros resultados das investigações e as propostas dos prelados sobre o futuro dos Legionários de Cristo, informaram à Agência Efe fontes vaticanas.Por enquanto, não se sabe o conteúdo da reunião, mas fontes do Vaticano informaram que em uma segunda fase o papa tomará medidas para limpar a ordem.O Vaticano não confirmou se a reunião continuará amanhã, mas não emitiu comunicado algum sobre o fim do encontro como anunciou que seria feito anteriormente o porta-voz, Federico Lombardi. EFE.Fonte: Yahoo NotíciasComentário:A atitude do Papa Bento XVI, em participar ativamente dos processos de investigação, é muito bem vinda e necessária. Vem em boa hora para demonstrar que a Igreja sofre e está indignada com os crimes de pedofilia de alguns membros do clero. -
Pronunciamento de Lula em 29/04/2010
Veja o pronunciamento do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a 29 de abril de 2010, em rede nacional de televisão, fazendo um balanço das ações do Governo Federal e homenageando os Trabalhadores pelo seu dia (1º de maio) na mesma data em que foi eleito pela revista “Time” como um dos líderes mais influentes do mundo neste ano.
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A esperança e o preconceito: as três batalhas de 2010
* Arlete Sampaio, no site Adital

A campanha de 2010 não é apenas uma, mas pelo menos três grandes batalhas combinadas. Uma disputa política, dos que apóiam as conquistas do governo Lula contra aqueles que sempre as atacaram e agora se esquivam de dizer o que pensam e o que representam. Uma disputa econômica, dos que defendem o protagonismo brasileiro e sabem da importância central do estado na sustentação do crescimento, contra os que querem eletrocutar nossas chances de desenvolvimento com a proposta de “choque de gestão” e de esvaziamento do papel do estado. Finalmente, uma disputa ideológica entre, de um lado, a esperança de um país mais justo, igualitário e sem medo de ser feliz, contra, do outro lado, a indústria da disseminação de preconceitos.Na disputa política, a popularidade do presidente Lula criou uma barreira que a oposição prefere contornar do que confrontar. Serra não quer aparecer como aquilo que ele realmente é: o anti-Lula. O mesmo anti-Lula que ele próprio foi em 2002 e que Alckmin fez as vezes, em 2006. Daí a tentativa de posar como “pós-Lula”. A oposição irá para a campanha na vergonhosa condição de fingir que não é oposição, que concorda com o que sempre atacou, que quer melhorar o que tentou, a todo o custo, destruir. Os eternos adeptos da ideia de que o Brasil não pode, não dá conta e não consegue, agora, empunham o discurso de que o Brasil pode mais.
Diante do fato de que alguém precisa assumir o impopular ataque ao governo e ao presidente, para alvejar a candidatura governista, surgiram duas frentes. A mais aberta e declarada é realizada pela imprensa mais tradicional, a que tem relações orgânicas com o grande empresariado brasileiro e com uma elite política que a ela é comercialmente afiliada.
Na ânsia de conseguir, contra Dilma, o que não conseguiu em 2006 contra Lula, esta imprensa tomou para si a tarefa de tentar derrotar ambos. Para tanto, tem enveredado em um padrão autoritário que significa um retrocesso claro até se comparado a seu comportamento na época da ditadura. Naquela época, a ditadura era a justificativa de suas manchetes. Hoje, não. Se não fosse pela democracia e pela mídia regional e alternativa, a situação seria igual à vivida quando era mais fácil ter notícias fidedignas a partir da imprensa internacional do que pela grande imprensa brasileira.
Um exemplo: o tratamento dado à participação do presidente Lula na cúpula nuclear em Washington. Dois dos mais tradicionais jornais brasileiros (Estadão e Folha) deram manchetes idênticas (“Obama ignora Lula…”), numa prova não de telepatia, mas de antipatia. Um editorial (“O Globo”, 14/4) chegou a dizer que “Lula isola Brasil na questão nuclear”. Se contássemos apenas com esses jornais, teríamos que apelar à Reuters, ao Wall Street Journal, ao Financial Times ou à Foreign Policy para sabermos que a China mudou de posição por influência do Brasil e declarou oficialmente sua opção pelo diálogo com Teerã.
Seria demais pedir que se reproduzisse, por exemplo, o destaque dado à cúpula dos BRICs, que no jornal Financial Times e na revista Economist foram bem maiores do que o conferido à cúpula de Washington. Até hoje, porém, o fato de nosso país estar galgando a posição de polo dinâmico da economia mundial, de modo acelerado, é visto com desdém pelos que não acreditam que o Brasil pode mais.
A questão nuclear teve a preferência porque cai como uma luva à tentativa de trazer para 2010 a questão do terrorismo, além de demonstrar a relação que existe entre as campanhas anti-Dilma, declaradas e mascaradas. A questão do terrorismo é um curioso espantalho invocado pelos próprios corvos (para usar uma imagem apropriada ao lacerdismo que continua vivo na direita brasileira e em parte de sua imprensa). A diferença sobejamente conhecida e reconhecida entre guerrilha e terrorismo e o fato de que os grupos armados brasileiros sempre se posicionaram contra o terrorismo como forma de luta política são esquecidos. Durante a ditadura, os grupos armados eram acusados de terroristas pela mesma linha dura que arquitetava explodir um gasoduto no Rio e bombas no Riocentro para inventar terroristas que, de fato, não existiam. A parte da imprensa que, por conta própria, reedita o autoritarismo faz jus ao título de “jornalismo linha dura”.
No campo da política econômica, a batalha será igualmente ferrenha e desigual, apesar dos feitos extraordinários de Lula. Seu governo é de fato o primeiro na história do País a conseguir combinar crescimento econômico, estabilidade (política e econômica) e redução das desigualdades. Segundo estudos, o Brasil conseguiu avançar em termos sociais em ritmo mais acelerado do que o alcançado pelo estado de bem-estar social europeu em seus anos dourados. Mesmo isso não tem sido suficiente para abalar a aposta de alguns setores da elite econômica de que a principal tarefa a ser cumprida é a de tornar o Brasil o país com o estado mais acanhado dentre os BRICs. São os que querem o Brasil mirando o Chile, e não a China, em termos econômicos. Para alguns, que sempre trataram o Brasil como um custo em sua planilha, não importa o tamanho do país, e sim o tamanho de suas empresas.
O que se vê até o momento não é nada diante do que ainda está por vir, dado o espírito de “é agora ou nunca” da direita em sua crise de abstinência. Os ataques declarados são amenos diante da guerra suja que tem sido travada via internet, por mercenários apócrifos que disseminam mensagens preconceituosas.
Dilma é “acusada” de não ter marido, de não ter mestrado, de não ter sido parlamentar. As piores acusações não são sobre o que ela fez, mas sobre o que ela não fez. As mais sórdidas são comprovadas mentiras, como a de ter sido terrorista.
Simone de Beauvoir disse que “a ideologia da direita é o medo”. O medo foi o grande adversário de todas as campanhas de Lula, e ele foi vencido em duas, dentre cinco. Desta vez, o fato de Lula ser governo desfaz grande parte das ameaças que antes insuflavam o temor entre os setores populares. O grande adversário dessa campanha não é mais o medo; tampouco é Serra, candidato de poucas alianças, sem programa e que esconde seu oposicionismo no armário. O grande adversário são os que estão por trás do tucanato e o utilizam como recurso político de uma guerra elitista, preconceituosa, autoritária e desigual.
A oposição cometeu o ato falho de declarar que “o país não tem dono”, mostrando que ainda raciocina como na época em que vendeu grande parte do patrimônio público e tratou o Brasil como terra de ninguém. Mas, por sorte, o país tem dono, sim. É o povo brasileiro. E, mais uma vez, é apenas com ele que contaremos quando outubro vier.
* Arlete Sampaio é médica. Foi Vice-governadora do DF (1995-98), deputada distrital (2003-06) e secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Social, na gestão de Patrus Ananias (2007-09).
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Video: história da PJ de Taiobeiras (1ª parte)
Veja no You Tube a 1ª parte do video contendo a História da Pastoral da Juventude de Taiobeiras (MG) no período decorrido entre 1989 e 1992. São fotografias, em animação, dos eventos comemorativos do Dia Nacional da Juventude, ressaltando o lema e a temática de cada um. Em breve novas partes serão lançadas em videos do You Tube, perfazendo os anos restantes até 2005.
Estes videos fazem parte do Projeto Memorial da Juventude de Taiobeiras, aprovado pelo Ministério da Cultura, que será lançado ainda este ano. Dentro dele, será levantada toda a memória fotográfica e documental dos movimentos de juventude [sociais, políticos e religiosos (várias igrejas)] de Taiobeiras, das décadas de 1980, 1990 e 2000.
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Sugestões de leitura
Para iniciar bem informado(a) a semana de Tiradentes – o alferes da Conjuração Mineira – recomendo as seguintes leituras para você. Basta clicar no título que lhe interessa.
Mulheres conjuradas, de Frei Betto.
Então, sou de esquerda, de Emir Sader.
Carta aberta aos bispos católicos de todo o mundo, de Hans Küng.
Ibas e Bric declaram apoio às principais bandeiras da política externa do Brasil, do Portal PT.
O dia em que Bologoff visitou Kátia Abreu, de Nancy Cardoso Pereira.
Onde dormirão os pobres?, de Maria Clara Lucchetti Bingemer.
Obama e o xadrez da nova doutrina, de Gilson Caroni Filho.
Leia, divulgue para seus amigos, familiares ou alunos(as) e envie comentários para este blog.
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Um pouquinho de ficção não faz mal a ninguém
* Luiz Carlos Azenha, em Vi o Mundo
Vamos que eu esteja planejando uma campanha insidiosa contra alguém. Assim sendo, autorizo um de meus repórteres a publicar uma ficha falsa na capa do Viomundo. Desconfio que seja falsa ou sei que é falsa. Mas sei, também, que se sair na capa de meu jorn… digo site, ganha um ar de credibilidade. Depois eu sempre posso alegar que não foi possível comprovar que a ficha é verdadeira, nem falsa. O importante é que a ficha atinja o grande público, fique impressa fotograficamente no cérebro de alguns milhares de eleitores.
Mais tarde a mesma ficha, mesmíssima, é distribuída a milhares de internautas em correntes que trazem o alerta:
Ela vai governar o Brasil ?
***Ao reenviarem apague meu endereço, como fiz a quem me enviou***
***E não deixe de enviar aos seus contatos***Isso acrescenta à campanha um certo ar de “conspiração do bem”. É preciso guardar segredo, caso contrário seremos vítimas deles. Ah, sim, e é preciso acrescentar alguma prova definitiva, fotográfica. Quem sabe isso:
Arte bem acabada, texto simples e direto. Junto, aquela ficha que saiu no jornal. Agora, em nossa novelinha ficcional, chegou a hora de provocar o assunto, fazer com que ele ingresse no dia-a-dia dos eleitores. O que faço eu? Provoco a vítima da campanha insidiosa a falar sobre o assunto. Mesmo que ela negue, tenho pela negação o assunto em pauta.
O eleitor que recebeu o e-mail fica com a pulga atrás da orelha: a candidata diz que é mentira, mas eu recebi aquele e-mail de um amigo e agora faço parte da corrente secreta do bem. O ciclo se fecha com os comentaristas da internet, que invadem os blogs tentando associar o nome da candidata a codinomes que ela teria usado ou de fato usou noutros tempos. Ou promovendo outro candidato como “o candidato do bem”, do Brasil que “pode mais”. Ah, essa minha imaginação!!!
Fiquem com o artigo do Vermelho, que é uma leitura muito mais agradável…
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São João do Paraíso tem novo prefeito
* Da versão online do Jornal Folha Regional, de Taiobeiras (MG)
SÃO JOÃO DO PARAÍSO – No dia 12 de abril, o presidente da Câmara Municipal desta cidade, Roberto César, o popular César Lagarto [foto], por determinação da Justiça Eleitoral de Rio Pardo de Minas, foi reempossado no cargo de prefeito pela segunda vez num intervalo de cinco meses. A primeira posse aconteceu em novembro de 2009, quando a decisão ainda estava na 1ª instância.
Desta vez, a posse de César no cargo de prefeito foi determinada pelo presidente do Tribunal Regional Eleitoral – TRE, desembargador José Antonino Baía Borges. Isso aconteceu porque os juizes do TRE-MG decidiram, por unanimidade, confirmar a cassação do prefeito Sousa e do vice-prefeito Antônio Pereira, o popular Toninho.
Além de determinarem a posse do presidente da Câmara, os desembargadores ainda decidiram marcar novas eleições no município para o próximo dia 30 de maio, pois a chapa cassada teve mais de 50% dos votos. “Até a diplomação dos novos eleitos, a prefeitura será comandada pelo presidente da Câmara Municipal”, sentenciou o desembargador José Antonino, presidente do TRE.
Os juizes da Corte Eleitoral seguiram o voto do relator do processo, juiz Maurício Torres, que concluiu que foi comprovada a captação ilícita de sufrágio na campanha eleitoral dos candidatos. Também o procurador regional eleitoral, José Jairo Gomes, se manifestou pela confirmação da cassação.
A ação contra o prefeito [José de Sousa] Nelci foi ajuizada pelo segundo colocado em 2008, Manoel de Andrade Capuchinho (PSDB) e julgada procedente pela juíza eleitoral de Rio Pardo de Minas, Vânia Pinto, a qual pertence o município São João do Paraíso.
Enquanto isso, o prefeito José de Sousa [Nelci] foi para Brasília em busca de uma liminar para permanecer no cargo até que julgue o processo na 3ª instância.
Acompanhe todos os detalhes na próxima edição do Jornal Folha Regional.
Foto: Alex Video.
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Portal do PT foi inavido por hackers
* Do Portal do PT, às 18:30 de 13/04/2010.
O portal do PT esteve indisponível por mais de 24 horas e somente retornou à normalidade na tarde desta terça-feira (13). Devido a alertas emitidos na manhã de segunda-feira (12), a Secretaria Nacional de Comunicação decidiu tirar o portal do ar e solicitar uma varredura.
Após as análises realizadas pela empresa responsável pelo suporte técnico, concluiu-se que o portal sofreu uma “inserção de iframes maliciosos em diversos arquivos, com extensão .html e .php”. Um iframe é uma seção de uma página web que carrega o conteúdo de outra página ou site.
Segundo os técnicos, os invasores “injetam iframes maliciosos em uma página web ou em outro arquivo do servidor HTTP. E na maioria dos casos esses iframes são configurados para que eles não aparecam na página web quando alguém faz a visita, mas o conteúdo malicioso que está no iframe acaba sendo carregado”.
De acordo com a conclusão técnica, parte dos arquivos que compõem o portal do PT sofreram “a inserção do código suspeito no dia 12 de abril de 2010 às 3h05”. A ação foi realizada com a utilização de acesso indevido e a sua origem deverá ser apurada.
Foram realizados trabalhos de “limpeza” de todos os arquivos, não tendo sido registrados danos aos sistemas básicos dos servidores do portal. O portal está recuperado e funciona normalmente.
Com relação aos usuários que acessaram o portal PT, os técnicos afirmaram que é aconselhável que eles adotem as medidas cabíves de varredura de suas máquinas com a utilização de softwares antivírus.
Dentro em breve também serão normalizados os acessos ao portal, através do Firefox e também com relação aos serviços de busca no Google.
O secretário nacional de Comunicação do PT, deputado federal André Vargas (PT-PR), lamentou o ocorrido. “É lamentável essa ação de desocupados na rede de computadores. É coisa de gente que não gosta do PT”, afirmou.
Vargas também comentou as suspeitas levantadas desde ontem de que o incidente estivesse ligado a uma “guerra suja na internet”, deflagrada pelos aliados do candidato tucano José Serra. “Esperamos sinceramente que a candidatura adversária não esteja estimulando este tipo de comportamento. Isso seria péssimo para a democracia”, enfatizou
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Dilma Rousseff no Twitter
A pré-candidata a Presidente da República pelo Partido dos Trabalhadores, Dilma Rousseff [foto] iniciou oficialmente no domingo, 11 de abril de 2010, sua presença no microblog Twitter, através do endereço http://twitter.com/dilmabr. Em poucos segundos, milhares de internautas se tornaram seus seguidores, conforme a linguagem empregada no twitter para designar aqueles que compartilham diretamente das informações deste site de relacionamentos. E o número continua a aumentar rapidamente.
Dilma Rousseff foi ministra das Minas e Energia e da Casa Civil do Presidente Lula. Deixou o governo em 31 de março passado, conforme a lei eleitoral determina, para se candidatar à Presidência da República nas eleições deste ano. Sua campanha se estrutura na ideia de dar continuidade aos avanços sociais, econômicos e diplomáticos alcançados nos dois Governos Lula.
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A Igreja ainda tem futuro?
Por Rui Martins do Direto da Redação em Portal Luis Nassif.
Berna (Suiça) – Quando tomei o trem para me encontrar com o teólogo Hans Kung [na foto] (em alemão com trema no u), na cidade de Tubingen, via Zurique e Horb, tinha digerido um volumoso livro com mais de 700 páginas. Em alguns dias, minhas anotações e orelhas lhe deram uma feição de livro batido e envelhecido.
O título – Memórias, uma Verdade Contestada, uma foto de Hans Kung, ele sim um intelectual idoso de 82 anos, mas lúcido, vivo e de hábitos bem suíços, nascido que foi em Lucerna. Mal cheguei em sua casa, que é também sede do seu Instituto de ética planetária, já nos sentamos para a entrevista que gravei no meu digital mini-disk profissional, para evitar qualquer dúvida depois da publicação.
A quase íntegra ocupa uma página no Expresso, deste sábado, jornalão semanário de Lisboa. O título – O grande problema é o celibato dos padres, com um sobretítulo – teólogo reformador diz que é urgente agir. Kung queria que falássemos só do conteúdo do livro, respondi que para isso não precisaria ter viajado mais de quatro horas. Aceitou, me deu um máximo de 45 minutos, que acabaram sendo mais de uma hora e disparei – a Igreja ainda tem um futuro?
Hans Kung é um teólogo contestador que se poderia também dizer provocador. Não foi proibido de falar, como aconteceu com o nosso Leonardo Boff, mas há vinte anos, a Cúria romana lhe tirou o direito de ensinar a teologia católica na Universidade de Tubingen. Naquela época não se falava em pedofilia, mas num dogma duro de se engolir, mesmo para um teólogo católico apostólico romano – o da infalibilidade papal. Kung escreveu um livro contestando, lembrando que, no primeiro milenário cristão, isso não existia, mas que o absolutismo da Igreja veio bem depois.
Ao lhe aplicar a punição, a Igreja pensava ter aplicado uma pena inquisitorial capaz de silenciar o irreverente e reduzi-lo a um padre anônimo. Nada disso aconteceu. Kung recebeu o apoio dos estudantes, do governo alemão revoltado com a intromissão do Vaticano numa de suas universidades e até de teólogos protestantes, não só alemães mas de todo mundo. Deixou de ensinar teologia, mas a universidade criou a cadeira de ecumenismo e, enquanto o novo professor de teologia católica ficava com a classe às moscas, as aulas de Kung eram disputadas, ainda mais por já não terem um cunho confessional.
Durante a entrevista, Kung lembrou-se dos brasileiros que encontrou durante o Segundo Concílio do Vaticano, convocado pelo Papa João XXIII, para uma grande reforma na Igreja; Paulo Evaristo Arns, Aloísio Lorscheider, Helder Câmara e Sérgio Mendes Arceu.
Em pouco tempo, logo depois da morte de João XXIII e a eleição de Paulo VI, a Cúria Romana reassumiu o controle da situação e todas as reformas foram esquecidas, cometendo-se ainda outros absurdos como a encíclica contra os anticoncepcionais, justamente quando as mulheres descobriam a pílula. A chegada do polonês João Paulo II foi ainda mais contundente, acentuando o reacionarismo, fundamentalismo e o mediavelismo de uma Igreja, hoje rejeitada pelo jovens e cedendo rapidamente terreno aos evangélicos na América Latina.
O livro de Hans Kung conta com pormenores a época em que Joseph Ratzinger, convidado por Kung, veio também lecionar em Tubingen. Ambos despontavam como jovens teólogos da Igreja, porém, pouco a pouco foram se distanciando ideologicamente a ponto de estarem, hoje em posições opostas.
O Papa Bento XVI nada tem a ver com o jovem Ratzinger que também participou com Kung dos encontro do Vaticano II. A Igreja Católica de hoje vive num impasse e para sobreviver precisa rever alguns de seus dogmas e posições, como o celibato clerical, o absolutismo Papal e sua pretensa infalibilidade, o dogma da assunção de Maria, a questão dos anticoncepcionais, sua posição diante do ecumenismo e o próprio papel da mulher dentro da Igreja.
Kung argumentou num artigo no jornal Le Monde que o celibato clerical criou problemas no clero católico e é uma das principais causas da pedofilia dentro da Igreja e das instituições dirigidas pela Igreja. Enfim, a Igreja – segundo ele – tem ainda seu futuro mas os bispos e os fiéis precisam agir, durante este Papado, ou na eleição do próximo Papa, a fim de se retornar aos princípios do Vaticano II.
Resumindo, a hora é grave para a Igreja, que insiste em não querer ver o mundo no qual vivem seus fiéis. Muitos bispos não estão dispostos a continuar aceitando os escândalos, mesmo se o Vaticano substituiu todos os cardeais e bispos reformadores por reacionários não só no Brasil mas em todo mundo.
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O escândalo da pedofilia
* Dom Demétrio Valentini (foto), no site Adital, numa reprodução de conteúdo da Diocese de Jales (SP).Está tendo ampla repercussão a divulgação de casos de pedofilia, envolvendo membros do clero da Igreja Católica. O assunto merece ser analisado com cuidado, para perceber com objetividade sua dimensão, e distinguir os dados verdadeiros, da exploração que deles se faz com o intento de denegrir a imagem da Igreja, universalizando para toda a instituição o que se constitui em erros pessoais, de todo condenáveis, mas que não podem ser imputados como se fossem de autoria de toda a Igreja.Em primeiro lugar, a própria Igreja se antecipa em reconhecer e em confessar a gravidade da situação, admitindo inclusive que houve culpa por falta de vigilância em coibir abusos, permitindo que padres pedófilos continuassem exercendo o ministério, favorecendo assim a continuidade dos delitos.Independente da quantidade de casos constatados, mesmo que fosse um só, merece a clara condenação de todos, e se praticado por algum membro do clero católico, o reconhecimento de quanto isto depõe contra a imagem da Igreja.Em recente carta à Igreja da Irlanda, onde foram constatados diversos casos de pedofilia praticada por padres católicos, o Papa Bento 16 faz uma dura advertência à hierarquia da Igreja daquele país, para que redobre a vigilância, e afaste do ministério todos os envolvidos na prática da pedofilia.Se há uma conseqüência positiva, decorrente da discussão levantada no mundo inteiro em torno da pedofilia, é o crescimento da consciência da criminalidade dos atos de abusos sexuais praticados com crianças. Eles se constituem em crimes, que precisam ser denunciados, e devem ser condenados, com responsabilização adequada de todos os que incorrem em alguma responsabilidade por seu cometimento.As crianças têm o direito de serem preservadas das distorções sexuais dos adultos, sejam eles quem forem. Esta consciência da necessidade de preservar as crianças da maldade dos adultos precisa avançar muito mais. É toda a sociedade que precisa estar atenta para preservar a inocência das crianças. Nisto toda a sociedade tem culpa em cartório. Se fosse usado o mesmo rigor com que agora se aponta para os padres pedófilos, quantas situações precisariam ser denunciadas, nas famílias, na sociedade, sobretudo nos meios de comunicação social, onde não despertou ainda a consciência dos prejuízos causados às crianças pelas situações a que elas ficam expostas.Mas no que se refere diretamente à pedofilia, seria muita hipocrisia achar que ela se limita aos casos praticados por padres católicos. Existe inclusive uma evidente campanha, levada adiante por pessoas interessadas em denegrir a imagem da Igreja Católica, que está se aproveitando desta situação para tornar ainda mais virulentas as acusações contra ela. Por isto, no Brasil não é nada de estranhar que uma conhecida rede de televisão se esmere agora em ampliar o que é sua razão de ser: acusar continuamente a Igreja Católica, usando para isto todos os meios de que dispõe.Neste sentido, sem fazer dos números uma desculpa, é importante olhar os dados com objetividade. O Professor Carlos Alberto di Franco, Doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra (difranco@iics.org.br), traz a seguinte constatação: desde 1995, na Alemanha, houve 210.000 denúncias de abusos de pedofilia. Destas denúncias, só trezentas se referem a padres católicos. Isto é, só 0.2% por cento do total. E por que só se insiste em falar da Igreja, tentando inclusive envolver o Papa, acusando-o de responsabilidade por ter aceito um padre pedófilo na sua diocese, no tempo em que era arcebispo de Munique? Por que não se fala dos outros 99,98 por cento dos casos?Se olhamos o clero do Brasil, em sua imensa maioria constituído de beneméritos ministros devotados à sua missão, com os limites humanos de que todos somos revestidos, a proporção é certamente parecida com a análise apresentada pelo Prof. Di Franco. Os raros casos de pedofilia constatados no clero brasileiro, por mais deploráveis que sejam, não justificam a hipócrita escandalização, levada em frente por meios de comunicação que trazem evidente a marca da tendenciosidade, que fica desmascarada à luz de qualquer dado objetivo.A Igreja Católica está disposta a uma severa autocrítica de sua própria instituição, diante dos casos reais de pedofilia praticada por membros do seu clero. Ela aceita de bom grado os questionamentos objetivos que podem ser feitos pela sociedade. Mas ela dispensa a hipocrisia de quem generaliza as acusações, escondendo seus interesses escusos, e desvirtuando uma análise objetiva do problema da pedofilia.* Dom Demétrio Valentini é Bispo Diocesano de Jales (SP) e Presidente da Cáritas Brasileira.
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Frei Betto: Vinde a eles as criancinhas?
* Frei Betto, em Adital.
As sucessivas denúncias de pedofilia e abuso sexual cometidos por sacerdotes e acobertados por bispos e cardeais envergonham a Igreja Católica e abalam a fé de inúmeros fiéis.
No caso da Irlanda, onde mais de 2 mil crianças entregues aos cuidados de internatos religiosos foram vítimas da prática criminosa de assédio sexual, o papa Bento XVI divulgou documento em que pede perdão em nome da Igreja, repudia como abominável o que ocorreu e exige indenização às vítimas.
Faltou ao pontífice determinar punições da Igreja aos culpados, ainda que tenha consentido em submetê-los às leis civis. O clamor das vítimas e de suas famílias exige que a Santa Sé aja com rigor: suspensão imediata do ministério sacerdotal, afastamento das atividades pastorais e sujeição às leis civis que punem tais práticas hediondas.
A crescente laicização da sociedade europeia reduz drasticamente o número de fiéis católicos e a freqüência à igreja. O catolicismo europeu, atrelado a uma espiritualidade moralista e a uma teologia acadêmica, afastado do mundo dos pobres e imbuído de um saudosismo ultramontano que o faz ignorar o Concilio Vaticano II, perde sempre mais o entusiasmo evangélico e a ousadia profética.
Dominado por movimentos fundamentalistas que cultivam a fé em Jesus, mas não a fé de Jesus, o catolicismo europeu cheira a heresia ao incensar a papolatria e encarar o mundo não mais como vale de lágrimas e sim como refém de um relativismo que corrói as noções de autoridade, pecado e culpa.
Ao olvidar a dimensão social do pecado, como a injustiça, a opressão, o latifúndio improdutivo ou a apologia da desigualdade, o catolicismo liberal centrou sua pregação na obsessão sexual. Como se Deus tivesse incorrido em erro ao tornar a sexualidade prazerosa.
Como o Espírito Santo se vale de vias transversas para renovar a Igreja, tomara que as denúncias de pedofilia eclesiástica sirvam para pôr fim ao celibato obrigatório do clero diocesano, permitir a ordenação sacerdotal de homens e mulheres casados e ultrapassar o princípio doutrinário, ainda vigente, de que, no matrimônio, as relações sexuais são admissíveis apenas quando visam à procriação.
Ora, tivesse Deus de acordo com tal princípio, não teria feito do gênero humano uma exceção na espécie animal e, portanto, destituiria o homem e a mulher da capacidade de amar e expressar o amor por meio de carícias e incutiria neles o cio próprio dos períodos procriatórios dos bichos, o que os faz se acasalar.
Jesus foi celibatário, mas é uma falácia deduzir que pretendeu impor sua opção aos apóstolos. Tanto que, segundo o evangelho de Marcos, curou a sogra de Pedro (1, 29-31). Ora, se tinha sogra, Pedro tinha mulher. E ainda foi escolhido como primeiro cabeça da Igreja.
Os evangelhos citam as mulheres que integravam o grupo de discípulos de Jesus: Suzana, Joana etc. (Lucas 8, 1-3). E deixam claro que a primeira pessoa a anunciar Jesus como Deus entre nós foi uma apóstola, a samaritana (João 4, 39).
Nos seminários e casas de formação do clero e de religiosos é preciso avaliar se o que se pretende é formar padres ou cristãos, uma casta sacerdotal ou evangelizadores, pessoas submissas ao figurino romano ou homens e mulheres dotados de profunda espiritualidade evangélica, afeitos à vida de oração e comprometidos com os direitos dos pobres.
No tempo de Jesus, as crianças eram desprezadas por sua ignorância e repudiadas pelos mestres espirituais. Jesus agiu na contramão dos preceitos vigentes ao permitir que as crianças dele se aproximassem e ao citá-las como exemplo de fidelidade a Deus. Porém, deixou claro que seria preferível amarrar uma pedra no pescoço e se atirar na água do que escandalizar uma delas (Marcos 9, 42).
As sequelas psíquicas e espirituais daqueles que confiaram em sacerdotes tarados são indeléveis e de alto custo no tratamento terapêutico prolongado. As vítimas fazem muito bem ao exigir indenização. Resta à Igreja punir os culpados e cuidar para que tais aberrações não se repitam.
[Autor de Um homem chamado Jesus (Rocco), entre outros livros. Transcrito do jornal ‘Estado de Minas’ em 08/04/2010].
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O modelo finlandês de Educação
* Do Blog do Luis Nassif
A rede BBC esta publicando uma série sobre os fatores de sucesso em programas de educação ao redor do mundo. Esta semana eles focaram a Finlandia, que consistentemente lidera o PISA (exame da OECD para alunos de 15 anos) só ficando em segundo em matemática. Alguns pontos da reportagem:
– A filosofia da Finlandia é de que cada aluno contribue e que ninguem é deixado para trás;
– Uso de um professor adicional para ajudar alunos com problemas em alguma matéria;
– A escola é integrada até o aluno chegar aos 13 anos, com o mesmo professor desde o começo. O professor cresce com os alunos e conhece todos muito bem;
– As crianças começam na escola só aos 7 anos de idade, até la a enfase é brincar;
– Uma cultura muito forte de leitura e envolvimento das familias;
– A carreira de professor é de muito prestigio, muito procurada com padrões de ensino elevado.Fonte: http://news.bbc.co.uk/2/hi/programmes/world_news_america/8601207.stm e Blog do Luis Nassif.
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Entrevista com Dom Pedro Casaldáliga
Uma entrevista com Dom Pedro Casaldáliga (Bispo Emérito), disponível no site da Prelazia de São Félix do Araguai/MT, porém sem data de quando foi realizada.
Eduardo Lallana e Charo Garcia de la Rosa de São Félix do Araguaia (MT)
Muitas já foram as entrevistas feitas com dom Pedro Casaldáliga. Umas abordam a sua tomada de postura ante a situação mundial, outras, sua verve ante os problemas e desafios da Igreja. Mas a entrevista a seguir busca uma peculiaridade: alcançar o coração da pessoa, do pastor, do místico, do poeta – duas vezes indicado ao Prêmio Nobel da Paz, bispo emérito de São Félix, um dos líderes da teologia da libertação, figura internacional na defesa dos direitos humanos.
Qual seria o lema da sua vida?
Dom Pedro Casaldáliga – Relativizar o que é relativo e absolutizar o que é absoluto.E para você, o que é absoluto?
Dom Pedro – Tenho um poeminha que diz “que tudo é relativo, menos Deus e a fome”.Que passagens da Bíblia são as que mais têm influenciado sua vida, as que mais têm guiado sua ação pastoral?
Dom Pedro – “Deus é amor” e “Deus amou o mundo de tal modo que enviou seu Filho não para condenar o mundo, mas para salvá-lo”.Falemos de seus guias, mestres espirituais, aquelas pessoas que iluminaram seu caminho além desta fonte evangélica.
Dom Pedro – Evidentemente Jesus de Nazaré, Francisco de Assis, Teresa de Lisieux, Charles de Foucault, companheiros de episcopado, aqui na América Latina.Você é conhecido por sua alma de poeta. Se tivesse que eleger dentro da literatura universal, quais seriam seus poetas preferidos?
Dom Pedro – San Juan de la Cruz, Antonio Machado.Se tivesse que eleger algum poema?
Dom Pedro – O próprio “Auto-retrato” de Antonio Machado, “A seqüência de Páscoa” e outro poema imortal para mim, o “Canto Espiritual de Joan Maragal”.Somos humanos, somos feitos de virtudes e defeitos. Qual seu maior defeito?
Dom Pedro – A impaciência.E a maior virtude?
Dom Pedro – A esperança.Qual é o grande pecado do mundo de hoje?
Dom Pedro – O capitalismo neoliberal.E um dos pecados importantes da Igreja santa e pecadora?
Dom Pedro – A falta de capacidade para unir-se às igrejas, absolutizando o que não é absoluto, e não respondendo ao testamento de Jesus, “que todos sejam um”.Entrando mais em aspectos pessoais de sua vida, qual é o momento mais triste de sua vida?
Dom Pedro – Não saberia dizer em virtude de relativizar o que é relativo, o momento da morte de meu pai, de minha mãe, a morte de líderes, militantes, agentes de pastoral. São momentos tristes, mas como a esperança continua não chega a ser um drama, uma tragédia. Não creio que possa dizer que tenho vivido tristezas maiores. Relativizar porque a esperança continua dando garantia posterior a todos os fracassos, a todas as decepções. Eu digo em algum lugar de um diário meu: “Deus é amor, nós somos amor, traição e medo, mas também esperança”. E essa esperança resolve todas as decepções e todas as tristezas, todos os fracassos.Por contraste, quais os momentos mais felizes de sua vida?
Dom Pedro – Cada vez que vejo que uma comunidade, um líder que assume sua missão, assume suas causas, cada vez que vejo que há comunidades, pessoas, capazes de solidaridade, arriscando inclusive a própria vida. O testemunho de nossos mártires.Sabemos que foi perseguido, ameaçado de morte em várias ocasiões. Quando realmente temeu por sua vida?
Dom Pedro – Durante a ditadura militar, houve bastantes momentos. Na ocasião da morte do padre Juan Bosco Penido Burnier: a bala era para mim. Eu tenho o poder de esquecer o mal e quando olho para trás nunca posso dizer que estou olhando para trás com raiva. Não. Esse absoluto que é Deus resolve todos esses problemas e todas as tristezas e decepções.Falando de decepções, qual foi a maior decepção de sua vida?
Dom Pedro – Maior nenhuma, porque seria uma decepção maior chegar a um túnel sem saída, mas a saída está sempre adiante. Não posso falar de decepções maiores: políticos amigos que falharam, projetos militantes ou pastorais que falharam, mas eu os relativizo.Quais são os seus três maiores desejos?
Dom Pedro – Que se acabe a fome no mundo, que se acabe a fabricação de armas, a carreira armamentista, que se acabe a guerra sobretudo essa guerra religiosa ou respaldada por religiões.E as três maiores preocupações?
Dom Pedro – Que as igrejas não se unam, que não sejamos capazes de administrar este mundo que daria para todos e tenhamos que seguir vivendo em meio a uma humanidade em que dois terços não têm o direito de viver. E no cotidiano, os erros, sobretudo os nossos e dos agentes de pastoral.Olhando para trás, qual seu maior erro?
Dom Pedro – Não ter sido compreensivo o bastante em muitas ocasiões.Do que se arrepende?
Dom Pedro – De muitas coisas. De tudo um pouco. Podia ter feito melhor, com mais esperança, com mais simplicidade, com maior generosidade. Eu recordo sempre a frase daquele santo que dizia que quando se apresentasse diante de Deus lhe pediria: “esqueça-se das minhas boas obras, vamos falar somente dos meus fracassos, dos meus pecados, que isso sabes resolver muito bem”.Uma de suas características mais destacadas tem sido a relação com os povos indígenas. O que tem aprendido nesta experiência com eles?
Dom Pedro – A convivência com a natureza, um certo sentido de comunidade, relativizar também muitas coisas que nossa civilização considera como absolutas.Poderia recordar quando, como e se houve algum momento especial no qual fez essa opção pelos pobres que tem guiado e marcado sua existência?
Dom Pedro – Em minha infância ouvi muitas vezes de meu pai e minha mãe: “Nós somos pobres”. Já firmado na infância, pouco depois com contatos, com análises, convivências religiosas passei a sentir que a opção pelos pobres tem que ser a opção fundamental da Igreja. Uma opção que defina a Igreja recordando aquela frase de Van-der Meerch: “A verdade, Pilatos, é estar do lado dos pobres”. Para a Igreja também.Quais são, para você, os três grandes desafios para a Igreja do terceiro milênio?
Dom Pedro – O ecumenismo e o macroecumenismo. A pobreza estrutural de suas instituições. A profecia contra sistemas, estruturas que matam, que excluem, que proíbem. Então seria, a união das próprias igrejas, a profecia diária, uma profecia que denuncia, anuncia e consola.Se fosse nomeado papa, quais seriam as três primeiras decisiões mais importantes que tomaria?
Dom Pedro – Estamos brincando, não? A primeira seria suprimir o Estado Pontifício e que o papa deixasse de ser chefe de Estado. A segunda, suspender a Cúria Romana e, a terceira, convocar um encontro chamado Concílio verdadeiramente ecumênico, para refazer totalmente a Cúria Romana, para redefinir o ministério de Pedro e para propor com seriedade a integração dos diferentes povos e a relativização do que é relativo, que pode ser o próprio celibato sacerdotal.Chama atenção em sua vida o fato de que sendo bispo não tenha empregado os símbolos do poder episcopal. Qual é a motivação última e profunda, de que nunca tenha usado a mitra e o cajado? Qual é a raiz dessas suas decisões?
Dom Pedro – Com todo respeito aos irmãos que os usam, creio que não são símbolos nem gestos evangélicos. Estão vinculados a um status e seria o mais lógico prescindir de escudo, prescindir de mitra, de cajado, e celebrar as eucaristias com simplicidade. Não creio que essas simbologias façam nenhum bem à Igreja.Para você, qual é a virtude humana que mais valoriza?
Dom Pedro – A coerência.E a virtude evangélica?
Dom Pedro – A esperança.Como gostaria de ser recordado?
Dom Pedro – Como alguém que crê que Deus salva todos e tudo.Para você, ser um homem ou uma mulher espiritual é…?
Dom Pedro – Viver em profundidade, assumir opções dignas de uma vida humana. Ser coerente, abrir-se às necessidades do próximo. Celebrar a vida.Agora vou lhe dizer algumas palavras soltas e lhe pediria que respondesse com o fogo de sua mente e de seu coração. Algunas relativas à geografia. África?
Dom Pedro – A maior dívida da humanidade.América Latina?
Dom Pedro – Minha segunda pátria.Cataluña?
Dom Pedro – A família, a língua, a paisagem.Brasil?
Dom Pedro – Uma casa de última hora e definitiva.Araguaia?
Dom Pedro – Nosso rio.Soria?
Dom Pedro – Antonio Machado, “Tierra Sin Males”, solidariedade.Injustiça?
Dom Pedro – A negação do amor.O chamado “terceiro mundo”?
Dom Pedro – Um escândalo na história humana. Porque “terceiro mundo” por definição significa um mundo proibido, marginalizado, explorado, inferior.“Primeiro mundo”?
Dom Pedro – A prepotência, o lucro, o egoísmo, o consumismo, o imperialismo.Liberdade?
Dom Pedro – A possibilidade de vencer o medo, a possibilidade de ser o que se é, a possibilidade de ajudar todos que vivem sem liberdade.Movimento dos Sem Terra?
Dom Pedro – Hoje em dia, o maior movimento popular social da América Latina.Latifúndio?
Dom Pedro – Uma ineqüidade, o abuso da terra de todos, o egoísmo estrutural no campo.Globalização?
Dom Pedro – A transformação da humanidade em mercado.Solidaridade?
Dom Pedro – Como disse a poeta nicaragüense: “a ternura dos povos”. A caridade estruturada de povo para povo.Guerra?
Dom Pedro – A negação da vida.Bem. Agora, também com algumas palavras, sugiro que evoque seu pensamento, seu sentimento sobre alguns personagens. Lula?
Dom Pedro – Uma experiência, operária, política, importante para a América Latina. Uma certa decepção, quiçá porque exigimos o que no momento não se pode exigir, mas em todo caso, na história do Brasil, na história da América Latina, haverá sido um passo político importante.Bush?
Dom Pedro – Uma epidemia mundial.Fidel Castro?
Dom Pedro – Um grande estadista, um pai da pátria latino-americana, mas ao mesmo tempo, autoritário, imperialista, que talvez não tenha sabido abrir os espaços que deveria ter aberto para democratizar mais as conquistas de saúde, de educação que Cuba fez, que seria um testemunho mais acessível aos outros povos.Evo Morales?
Dom Pedro – Uma vitória dos povos indígenas depois de 500 anos de proibição, de exclusão.E para terminar, o que lhe dizem estas palavras? Vida Eterna?
Dom Pedro – A convivência plena com Deus vivo, e com todos os filhos e filhas de Deus.Vida Plena?
Dom Pedro – A partir da palavra de Jesus: “que todos tenham vida e a tenham em abundância”, vida plena, aqui do lado de cá da morte, sempre é uma vida relativa, mas em esperança: vamos à vida eterna plena.E a última pergunta; o que tem dado sentido a sua vida?
Dom Pedro – A Boa Nova do Evangelho. -
Leonardo Boff: Lição por linhas tortas
DEUS PODE ESTAR TENTANDO DIZER QUE É HORA DE A IGREJA ABOLIR O CELIBATO IMPOSTO POR LEI.
* Leonardo Boff, para o Jornal O Estado de São Paulo, disponível em Estadão On Line.
O levantamento dos padres pedófilos em quase todos os países da cristandade católica está ainda em curso, revelando a extensão desse crime que tantos prejuízos tem provocado em suas vítimas. É pouco dizer que a pedofilia envergonha a Igreja. É pior. Ela representa uma dívida impagável com aqueles menores que foram abusados sob a capa da credibilidade e da confiança que a função de padre encarna. A tese central do papa Ratzinger que cansei de ouvir em suas conferências e aulas vai por água abaixo. Para ele, o importante não é que a Igreja seja numerosa. Basta que seja um “pequeno rebanho”, constituído de pessoas altamente espiritualizadas. Ela é um pequeno “mundo reconciliado” que representa os outros e toda a humanidade. Ocorre que dentro desse pequeno rebanho há pecadores criminosos e é tudo menos um “mundo reconciliado”. Ela tem que humildemente acolher o que dizia a tradição: a Igreja é santa e pecadora e é uma “casta meretriz”. Não é suficiente ser Igreja. Ela tem que trilhar, como todos, pelo caminho do bem e integrar as pulsões da sexualidade que já possui 1 bilhão de anos de memória biológica para que seja expressão de enternecimento e de amor e não de obsessão e de violência contra menores.
O escândalo da pedofilia se constitui num sinal dos tempos atuais. Do Vaticano II (1962-1965) aprendemos que cumpre identificar nos sinais uma interpelação que Deus nos quer transmitir. Vejo que a interpelação vai nesta linha: está na hora de a Igreja romano-católica fazer o que todas as demais Igrejas fizeram: abolir o celibato imposto por lei eclesiástica e liberá-lo para aqueles que veem sentido nele e conseguem vivê-lo com jovialidade e leveza de espírito. Mas essa lição não está sendo tirada pelas autoridades romanas. Ao contrário, apesar dos escândalos, reafirmam o celibato com mais vigor.
Sabemos como é insuficiente a educação para a integração da sexualidade no processo de formação dos padres. Ela é feita longe do contato normal com as mulheres, o que produz certa atrofia na construção da identidade. As ciências da psique nos deixaram claro: o homem só amadurece sob o olhar da mulher e a mulher sob o olhar do homem. Homem e mulher são recíprocos e complementares. O sexo genético-celular mostrou que a diferença entre homem e mulher, em termos de cromossomos, se reduz a apenas um cromossomo. A mulher possui dois cromossomos XX e o homem, um cromossomo X e outro Y. Donde se depreende que o sexo-base é o feminino (XX), sendo o masculino (XY) uma diferenciação dele. Não há, pois, um sexo absoluto, mas apenas um dominante. Em cada ser humano, homem e mulher, existe “um segundo sexo”. Na integração do animus e da anima, vale dizer, das dimensões de feminino e de masculino presentes em cada um, se gesta a maturidade sexual.
Essa integração vem sendo dificultada pela ausência de uma das partes, a mulher, que é substituída pela imaginação e pelos fantasmas que, se não forem submetidos à disciplina, podem gerar distorções. O que se ensinava nos seminários não é sem sabedoria: quem controla a imaginação, controla a sexualidade. Em grande parte, assim é. Mas a sexualidade possui um vigor vulcânico. Paul Ricoeur, que muito refletiu filosoficamente sobre a teoria psicanalítica de Freud, reconhece que a sexualidade escapa ao controle da razão, das normas morais e das leis. Ela vive entre a lei do dia, em que valem as regras e os comportamentos estatuídos, e a lei da noite, em que funciona a pulsão, a força da vitalidade espontânea. Só um projeto ético e humanístico de vida (o que queremos ser) pode dar direção a essa dialética e transformá-la em força de humanização e de relações fecundas.
Nesse processo o celibato não é excluído. Ele é uma das opções possíveis que eu defendo. Mas o celibato não pode nascer de uma carência de amor, ao contrário: deve resultar de uma superabundância de amor a Deus que transborda para os que estão a sua volta.
Por que a Igreja romano-católica não dá um passo e abole a lei do celibato? Porque é contraditório com a sua estrutura. Ela é uma instituição total, autoritária, patriarcal e altamente hierarquizada. Ela abarca a pessoa do nascimento à morte. O poder conferido ao papa, para uma consciência cidadã mínima, é simplesmente tirânico. O cânon 331 é claro. Trata-se de um poder “ordinário, supremo, pleno, imediato e universal”. Se riscarmos a palavra papa e colocarmos Deus, funciona perfeitamente. Por isso se dizia: “O papa é o deus menor na terra”. Uma Igreja que coloca o poder em seu centro fecha as portas e as janelas para o amor, a ternura e o sentido da compaixão. O celibatário é funcional para esse tipo de Igreja.
O celibato implica cooptar o sacerdote totalmente a serviço, não da humanidade, mas desse tipo de Igreja. Ele só deverá amar a Igreja. Enquanto essa lógica perdurar, não esperemos que a lei do celibato seja abolida. Ele é muito cômoda para ela.
Mas como fica o sonho de Jesus de uma comunidade fraterna e igualitária? Bem, isso é um outro problema, talvez o principal.
* Leonardo Boff é teólogo, escritor e professor emérito de ética da UERJ.
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Balanço da Conferência Nacional de Educação (CONAE)
Por Erisson, no Blog do Luis Nassif
Eu já tinha comendado isso antes, mas passou em branco. Reproduzo aqui minha colocação:
A 1ª Conferência Nacional da Educação ( CONAE ) acabou de terminar e entre pontos polêmicos, aprovou as seguintes decisões:
– Cotas Raciais para ingresso nas Universidades Públicas
-Inclusão de temática LGBT nos livros didáticos
– Eleição Direta para Diretores nas escolas
O destaque negativo desta CONAE fica pela pífia cobertura do evento, tanto pela imprensalona, quanto pelos blogs alternativos. Exceto algumas notas neste blog, nenhum veículo alternativo dedicou maior atenção ao evento.
No Viomundo, apenas um artigo sobre o SUS da educação no dia 31;
No Escrivinhador, nenhum artigo.
No Carta Maior, nenhuma menção.
No Conversa Afiada, nenhuma nota.
Creio que hoje ou amanhã, com o fim do evento e a participação do presidente Lula hoje, as atenções da grande mídia, e por conseguinte, da mídia alternativa, devem se voltar para o tema, seja por conta das eleições antecipadas, seja por conta de aspectos polêmicos votadas nesta conferência.
De minha parte, vou aguardar a divulgação do documento final aprovado.
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Filme: Segurança Nacional
Saiba mais sobre este filme brasileiro que será lançado em maio clicando aqui ou vendo o trailer abaixo:












