Neste tempo em que se espera pelo Natal de Jesus Cristo e se vê o quanto a sociedade consumista distorceu o significado da data para vender suas ilusões, no meu coração, sinto tristeza e alegria.
Tristeza, uma vez que os verdadeiros valores vividos e anunciados pelo aniversariante da data são negligenciados em favor da sociedade do capital. Os valores são: amor, perdão, misericórdia, partilha, conversão, salvação…
Alegria, pois um ser sobrenatural – Deus conosco, Emanuel – se compadeceu de nossa pequenez humana e veio morar conosco. Deus nos ama. Nós temos importância, junto com a criação inteira. A humanidade tem jeito, futuro e esperança.
E assim, não me esquecendo da situação de exclusão e exílio a que eu e muitos de minha Paróquia fomos submetidos por conta do autoritarismo e da arrogância de alguns que se imaginam poderosos na Igreja local, ponho-me a relembrar minhas impressões de Natal, fazendo desta situação de sofrimento um grande tempo de advento.
Recordo-me de dois cânticos natalinos que marcaram momentos de minha vida. O primeiro, do qual não encontrei os créditos da autoria, era cantado por nós lá pelos idos da segunda metade da década de 1980, na minha infância/pré-adolescência, durante as novenas de Natal que fazíamos na Rua Governador Valadares e imediações, no Bairro Nossa Senhora de Fátima, em Taiobeiras. Este cântico começou a despertar em mim a noção de que o mistério espiritual do Natal de Cristo não está desconectado da realidade de vida e sofrimento dos seres humanos aqui na terra. Veja:
É NATAL MAIS UMA VEZ…
1. É Natal mais uma vez…/ E Jesus continua procurando um lugar…/ pelas ruas e avenidas, lá vai ele a caminhar…/ pede esmola, por clemência… Sua cruz, sem idade, já começa a carregar./ É a dor, é a fome e a vontade de brincar…/ Só lhe ensinam violência.
/:Vem, Senhor, neste Natal libertar-nos do pecado/ Que flagela a tua face no menor abandonado!:/
2. É Natal mais uma vez…/ E Herodes continua violento, muito mais…/ maltratando este Jesus que só lhe tira a sua “paz”, com desprezo, sem piedade!/ E, às vezes, dá um trabalho bem pesado ao “marginal”…/ mão-de-obra tão barata rende mais ao “capital”: Esta é sua caridade!
/:Vem, Senhor, neste Natal libertar-nos do pecado/ Que flagela a tua face no menor abandonado!:/
Já o segundo cântico, de autoria do maestro José Acácio Santana, de Santa Catarina, marcou minha adolescência/juventude, já na década de 1990, quando da minha participação na Pastoral da Juventude e Equipe de Liturgia da Paróquia São Sebastião de Taiobeiras. Permanece válido e atual e nos convida a refletir sobre os verdadeiros compromisso e sentido do Natal cristão. Veja:
NATAL É CONVERSÃO
1. Chegou a hora de sonhar de novo,/ de tornar-se povo e se fazer irmão./ Chegou a hora que ligeiro passa,/ de ganhar a graça e a conversão.
/: Meu caro irmão,/ olha pra dentro do teu coração,/ vê se o Natal se tornou conversão/ e te ensinou a viver.:/
2. Chegou a hora de viver o Cristo,/ acreditar que isto é se tornar maior./ Chegou a hora de pensar profundo/ e perceber que o mundo pode ser melhor.
/: Meu caro irmão,/ olha pra dentro do teu coração,/ vê se o Natal se tornou conversão/ e te ensinou a viver.:/
3. Será difícil tantas mãos unidas/ não fazer da vida um tempo sem igual./ Será difícil tanto amor e afeto/ não tornar concreto o gesto do Natal.
/: Meu caro irmão,/ olha pra dentro do teu coração,/ vê se o Natal se tornou conversão/ e te ensinou a viver.:/
A todos e todas eu desejo um FELIZ NATAL DE JESUS CRISTO. Com Jesus e seus valores, a humanidade tem jeito, futuro e esperança.