Blog

  • Taiobeiras 2025: o futuro é agora

    Taiobeiras 2025: o futuro é agora

    * Levon Nascimento

    Em 2020, tive a ousadia de apresentar meu nome como candidato a prefeito de Taiobeiras. Digo ousadia porque se tratava de uma utopia, sobretudo ante as forças econômicas e sociais que polarizavam o debate eleitoral.  Naquele momento, sob a coordenação de campanha de Romário Fabri Rohm, Tia Kêu do Sindicato e eu apresentamos ao povo de Taiobeiras um programa de governo que nasceu da escuta atenta das comunidades, dos trabalhadores e trabalhadoras, da juventude e dos mais necessitados. Não era um projeto de poder pelo poder, mas um chamado à construção coletiva de uma Taiobeiras mais justa, mais humana e mais inclusiva. Cinco anos depois, muito do que propusemos continua sendo urgente e necessário. E faço questão de sinalizar aquelas apostas neste texto presente. Não como revanchismo, pois o que deve prevalecer é a vontade do eleitor; mas como testemunho histórico de nossa luta constante e da participação cidadã que sempre caracterizou nossas vidas. Se o tempo mudou, nossa responsabilidade permanece a mesma: adaptar nossas ideias à realidade de 2025 e seguir lutando por um município que pertença, de fato, ao seu povo.

    Educação Libertadora: do sonho à construção

    Em 2020, defendemos a valorização da educação como base de um projeto de transformação social. Hoje, em 2025, essa pauta se torna ainda mais essencial diante das mudanças na economia e no mercado de trabalho. Precisamos fortalecer a Educação do Campo, garantir que as crianças e jovens do meio rural tenham acesso à aprendizagem sem precisar abandonar suas comunidades. A ampliação da educação em tempo integral continua sendo uma meta prioritária, assim como a oferta de cursos técnicos e tecnológicos alinhados às novas demandas econômicas. Inaugurar de fato a Escola Técnica de Taiobeiras, preferencialmente como o campus de uma instituição federal de ensino, deve ser uma luta de todos.

    O Programa Psicólogo Presente, que propusemos para atuar nas escolas e cuidar da saúde mental dos estudantes, é hoje uma necessidade gritante diante dos desafios emocionais que a juventude enfrenta. A ampliação da estrutura física das escolas, com bibliotecas e espaços culturais acessíveis, também precisa sair do papel e se tornar realidade.

    Saúde: direito fundamental, não mercadoria

    A pandemia global dos últimos anos mostrou, de forma incontestável, que um sistema de saúde robusto e universal é uma questão de sobrevivência. Em 2020, defendemos a ampliação dos serviços do SUS no município, com 100% de cobertura dos PSFs e acesso digno a exames e medicamentos.

    Nosso compromisso com a saúde mental também precisa se aprofundar. O Programa Vivo Todo Dia!, que desenhamos para apoiar jovens e adultos em situação de dependência química, deve ser fortalecido com novos centros de atendimento e políticas de prevenção. A ampliação da saúde preventiva, com maior foco em nutrição, práticas integrativas e acompanhamento contínuo, é um caminho necessário para um município mais saudável.

    Economia Popular e Agricultura Familiar: trabalho digno para todos

    A proposta que apresentamos há cinco anos para fortalecer a agricultura familiar e a economia do conhecimento segue mais atual do que nunca. O desenvolvimento econômico de Taiobeiras passa pela valorização da produção local e pelo incentivo a novas tecnologias que agreguem valor ao que produzimos.

    O Programa de Horticultura Popular, que defendemos para garantir soberania alimentar às famílias em situação de vulnerabilidade, pode ser expandido em 2025 com o uso de novas técnicas agroecológicas e incentivo ao cooperativismo. O Circuito Turístico-Cultural dos Gerais, pensado para impulsionar a cultura e o turismo sustentável na região, deve sair do papel para colocar Taiobeiras no mapa das cidades que valorizam sua identidade e seu povo.

    Segurança Cidadã e Direitos Humanos: uma nova abordagem

    A segurança pública nunca pode ser reduzida à repressão. Nossa visão, desde 2020, é a de uma segurança cidadã, baseada na prevenção e na inclusão social. O Projeto Guardiã Maria da Penha, para combater a violência de gênero, precisa ser ampliado, assim como as políticas de proteção aos jovens em situação de risco.

    O Programa Psicólogo-Presente nas escolas também pode contribuir para reduzir a violência juvenil, ajudando a identificar precocemente situações de vulnerabilidade. A criação da Guarda Civil Municipal Comunitária, voltada para ações preventivas e de mediação de conflitos, ainda é um projeto essencial para a construção de uma cidade mais segura.

    Água, Meio Ambiente e Sustentabilidade: Taiobeiras tem sede de soluções

    A crise hídrica, fruto das mudanças climáticas, continua sendo um desafio para Taiobeiras. Em 2020, defendemos o Programa Água Para Todos, propondo soluções criativas e sustentáveis para garantir o abastecimento à população. Em 2025, a inovação tecnológica deve ser nossa aliada, com captação inteligente de água da chuva, reuso e incentivos à preservação dos recursos naturais.

    O fortalecimento da educação ambiental, aliado ao investimento em energias renováveis e ao estímulo a práticas agroecológicas, precisa ser prioridade. O futuro de Taiobeiras depende de nossa capacidade de equilibrar desenvolvimento econômico e preservação da natureza.

    2025: o presente que construiremos juntos

    Os desafios mudaram, mas a essência do nosso projeto segue inalterada: Taiobeiras precisa ser governada para o povo e pelo povo. Nossas propostas de 2020 eram ousadas porque acreditamos que o impossível só existe até que alguém prove o contrário.

    Agora, em 2025, seguimos comprometidos com o mesmo ideal de transformação. Se o futuro é incerto, que seja porque estamos dispostos a construí-lo com coragem, coletividade e esperança. Taiobeiras tem pressa, mas também tem força. E juntos, seguimos sonhando e lutando.

    * Levon Nascimento, professor de história e doutorando em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável

  • Povos tradicionais, a governança ambiental e a sustentabilidade: os geraizeiros norte-mineiros

    Povos tradicionais, a governança ambiental e a sustentabilidade: os geraizeiros norte-mineiros

    * Levon Nascimento

    Os povos originários e tradicionais do Brasil, como indígenas, quilombolas e os geraizeiros do Norte de Minas Gerais, enfrentam desafios constantes para a preservação de seus modos de vida, culturas e territórios. Apesar de algumas garantias constitucionais, muitos desses grupos ainda sofrem com a falta de reconhecimento legal e ameaças ambientais e climáticas que comprometem sua existência.

    O conflito entre regimes jurídicos

    A legislação brasileira nem sempre foi clara ou eficiente na proteção dessas comunidades. O país é signatário da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que determina a proteção dos povos tribais, mas, na prática, as normas nacionais nem sempre garantem a segurança jurídica necessária. Isso cria lacunas e inconsistências que dificultam o reconhecimento e a defesa dos direitos desses grupos.

    A Constituição de 1988 representou um avanço ao reconhecer os direitos dos povos indígenas e, em menor escala, dos quilombolas. No entanto, povos como os geraizeiros – tradicionais habitantes do cerrado mineiro – ainda enfrentam dificuldades para terem seu modo de vida protegido de forma eficaz.

    Ameaças ambientais e conflitos territoriais

    As principais ameaças enfrentadas por esses povos incluem a expansão agrícola e mineradora, que avança sobre territórios tradicionalmente ocupados por essas comunidades. No caso dos geraizeiros, grandes monoculturas de eucalipto e projetos de mineração têm provocado desmatamento, conflitos por terra e pela água, além da destruição de modos de vida sustentáveis.

    A grilagem de terras e a fragilidade da governança pública tornam a situação ainda mais crítica. Muitas áreas ocupadas por geraizeiros são consideradas terras devolutas pelo Estado, permitindo que sejam negociadas com grandes empresas sem a consulta ou consentimento das comunidades locais.

    O caso dos geraizeiros norte-mineiros

    Os geraizeiros estão em comunidades tradicionais que vivem no Norte de Minas Gerais, região do cerrado marcada por extensos chapadões e áreas de vegetação nativa. Ao longo dos séculos, esses povos desenvolveram um modo de vida sustentável, baseado na agricultura familiar, na coleta de frutos do cerrado e no uso racional dos recursos naturais. No entanto, a expansão da monocultura de eucalipto e a chegada de empreendimentos mineradores têm ameaçado sua existência. A grilagem de terras e a falta de reconhecimento legal colocam os geraizeiros em uma posição vulnerável, muitas vezes impedindo seu acesso a territórios historicamente ocupados por suas comunidades.

    Além da questão fundiária, os geraizeiros enfrentam desafios relacionados à preservação de suas tradições culturais e conhecimentos ecológicos. A substituição da vegetação nativa por culturas de grande escala altera drasticamente o equilíbrio ambiental, secando nascentes e reduzindo a biodiversidade local. O desmonte desses ecossistemas compromete não apenas o sustento dessas comunidades, mas também impacta negativamente o clima e os recursos hídricos da região. Diante desse cenário, torna-se fundamental o fortalecimento das políticas públicas de proteção territorial e a implementação de medidas que garantam a autonomia e os direitos dos geraizeiros frente às ameaças ambientais e econômicas.

    Governança e sustentabilidade

    A questão da governança, tanto pública quanto privada, é essencial para garantir os direitos desses povos. O Estado tem o dever de respeitar e aplicar a Convenção 169 da OIT, além de regulamentar e fiscalizar os empreendimentos que impactam diretamente essas populações. Ao mesmo tempo, empresas que atuam nessas regiões devem adotar práticas mais responsáveis, levando em conta a sustentabilidade ambiental e os direitos sociais.

    A proteção dos conhecimentos tradicionais dessas comunidades também deve ser prioridade. Os saberes sobre manejo sustentável da biodiversidade e os modos de vida tradicionais oferecem alternativas para a preservação ambiental e podem contribuir para soluções diante da crise climática global.

    O futuro dos povos tradicionais

    A luta pelo reconhecimento legal e pela proteção dos povos originários e tradicionais continua. Movimentos sociais, pesquisadores e entidades vêm trabalhando para ampliar a visibilidade dessas questões e pressionar o poder público para ações mais efetivas.

    Garantir os direitos dessas comunidades não é apenas uma questão de justiça histórica, mas também uma estratégia fundamental para a conservação ambiental e a construção de um modelo de desenvolvimento mais sustentável para o país. O respeito à diversidade cultural e à relação dessas populações com a natureza pode ser um caminho essencial para um futuro mais equilibrado e inclusivo.

    Conclusão

    A defesa dos direitos dos povos originários e tradicionais não é apenas uma demanda dessas comunidades, mas uma responsabilidade coletiva da sociedade e do Estado. A preservação de seus territórios e saberes não só garante sua sobrevivência, mas também contribui para um modelo de desenvolvimento mais sustentável e consciente. Proteger esses grupos é, portanto, uma forma de preservar a diversidade cultural e ambiental do Brasil, assegurando um legado para as futuras gerações.

    *Levon Nascimento é professor de história e doutorando em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável

  • Frei Jucundiano de Kok: Uma vida de devoção e serviço ao sertão mineiro

    Frei Jucundiano de Kok: Uma vida de devoção e serviço ao sertão mineiro

    * Levon Nascimento

    Em janeiro de 2025, visitei o Arquivo Arquidiocesano de Montes Claros, em busca do livro do tombo da Paróquia de Santo Antônio de Salinas. O objetivo foi ver se naquele documento histórico havia alguma referência à passagem da Coluna Prestes pelo Alto Rio Pardo, em 1926. Nada encontrei. Porém, para minha grata surpresa, achei um relato sucinto sobre a data da morte de Frei Jucundiano de Kok, no ano de 1974, em Taiobeiras. E, a lápis, o frade de Salinas, à época, anotou “Revista da Província Franciscana de Santa Cruz, ano XXXIX, nº 4, de 1974, a partir da página 277”. Copiei.

    Chegando a Taiobeiras, busquei na internet o contato da Província de Santa Cruz. Vi no site o endereço eletrônico do arquivo da referida circunscrição franciscana, que tem sede em Belo Horizonte. Mandei um e-mail, com os dados tomados do livro do tombo de Salinas, solicitando acesso ao material, caso estivesse digitalizado.

    Poucos dias depois, recebi com imensa alegria uma resposta, com todo o material solicitado em PDF. O documento original tem oito páginas, em fonte com tamanho bem pequeno, provavelmente 10. A princípio, tenho a imensa honra de disponibilizar esta síntese aos leitores, já no clima da celebração dos 90 anos da Paróquia São Sebastião de Taiobeiras (20 de maio), visto que Frei Jucundiano foi seu primeiro pároco. Leia com atenção o resumo.

    No coração do sertão mineiro, onde a fé e a simplicidade se entrelaçam, viveu e atuou Frei Jucundiano de Kok, um missionário franciscano holandês que dedicou sua vida ao serviço religioso e comunitário. Nascido Adrianus Cornelis de Kok, em 18 de fevereiro de 1901, na pequena vila de Dongen, na província de Brabante, Holanda, Frei Jucundiano deixou um legado de humildade, dedicação e amor ao próximo, que permanece vivo na memória dos que o conheceram.

    Filho de uma família pobre, mas profundamente religiosa, Jucundiano, ou “Juca”, como era carinhosamente chamado, cresceu em um ambiente marcado pela fé católica e pelo trabalho árduo. Seu pai, sapateiro, sustentava a família com o suor do seu ofício, enquanto a mãe cuidava da casa e dos filhos. Desde cedo, Juca demonstrou inclinação para a vida religiosa, inspirado pelos exemplos de piedade que o cercavam. “Ele era um menino piedoso, obediente, humilde”, como descreveu em sua autobiografia, deixada como um testemunho de sua trajetória.

    Aos 21 anos, após cumprir o serviço militar na cavalaria holandesa, Juca decidiu seguir seu chamado religioso. Ingressou no seminário dos Missionários da Sagrada Família, mas foi na Ordem de São Francisco que encontrou seu verdadeiro lar espiritual. Em 1928, tornou-se Frei Jucundiano, emitindo seus votos simples no ano seguinte; e os votos solenes em 1932. Foi então que ele recebeu a missão que definiria sua vida: servir como missionário no Brasil.

    Chegando ao Brasil em 1932, Frei Jucundiano enfrentou os desafios de adaptação a um país tão diferente de sua terra natal. “Na manhã da partida chegaram bem atrasados à estação de Sabará para viajar a Divinópolis. Mas olha! o trem estava esperando”, relembrou ele, surpreso com a gentileza do povo brasileiro. Na ocasião, os frades acharam que o trem os esperava por bondade, mas logo descobriram que a verdadeira razão era outra: o trem havia sido obrigado a dar passagem a um comboio especial com soldados que retornavam da revolução em São Paulo. Apesar disso, o episódio foi visto como uma espécie de “ditada daqueles fradinhos”, uma expressão carinhosa que refletia a simplicidade e a fé com que encaravam os desafios da missão.

    Ordenado sacerdote em 1934, ele iniciou seu ministério em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, onde logo se destacou por sua dedicação e zelo pastoral. Ao longo de mais de três décadas, Frei Jucundiano serviu em diversas paróquias da região, incluindo Itinga, São Pedro do Jequitinhonha e, finalmente, Taiobeiras, onde fixou residência e se tornou uma figura querida e respeitada. “O povo aqui é bom, como em Itinga”, escreveu ele, referindo-se aos sertanejos humildes e piedosos que o acolheram como um pai. Em Taiobeiras, ele construiu uma igreja espaçosa e promoveu festas religiosas que atraíam multidões, consolidando a comunidade católica local.

    Um dos marcos de seu trabalho em Taiobeiras foi a criação do “jubileu” em honra a Nossa Senhora de Fátima. Frei Jucundiano, com o apoio da comunidade, ergueu uma capela votiva dedicada à Virgem de Fátima, que se tornou um local de peregrinação e devoção. Anualmente, o jubileu atraía fiéis de diversas regiões, que vinham para participar das celebrações e renovar sua fé. “Graças a Juca, Taiobeiras também tem seu jubileu”, destacou um de seus confrades, referindo-se ao impacto espiritual e social que o evento teve na região.

    Sua vida foi marcada pela simplicidade e pelo desapego material. “Não fazia despesas supérfluas, econômicas até o extremo, para poder ajudar seus seminaristas no estudo”, relatou um de seus confrades. Apesar de não ter conseguido formar um sucessor, Frei Jucundiano deixou um legado de fé e serviço que transcende gerações. Ele era conhecido por sua franqueza, bondade e simplicidade, mas também por sua firmeza em defender os valores da Igreja. “Era difícil convencê-lo do préstimo de uma novidade”, observou um padre da Cúria, destacando sua resistência a mudanças que considerava contrárias ao bem de sua comunidade.

    Nos últimos anos de vida, Frei Jucundiano enfrentou problemas de saúde, incluindo uma grave ferida no pé que quase o levou à amputação. Mesmo assim, ele insistiu em continuar servindo sua paróquia, celebrando missas e administrando sacramentos até onde suas forças permitiam. “Se devia morrer, queria morrer como um bom soldado, no campo da batalha, armas na mão, sem recuar, sem fugir”, escreveu ele, refletindo seu espírito incansável.

    Frei Jucundiano faleceu em 27 de julho de 1974, após uma vida dedicada à fé e ao serviço. Sua morte foi sentida profundamente pela comunidade de Taiobeiras, que o via como um patriarca e guia espiritual. “Era o pai da grande família de paroquianos, o mentor, o amigo dos grandes e pequenos, conhecido, respeitado, consultado, estimado, quase adorado por todos”, descreveu um de seus confrades.

    Hoje, Frei Jucundiano de Kok é lembrado não apenas como um missionário, mas como um exemplo de dedicação, humildade e amor ao próximo. Sua história nos inspira a refletir sobre o verdadeiro significado do serviço e da fé, especialmente em um mundo cada vez mais marcado pelo individualismo e pela busca de riquezas materiais. Que sua vida continue a iluminar os corações daqueles que buscam seguir os caminhos da fé e da caridade.

    * Levon Nascimento é professor de história em Taiobeiras/MG.

  • Tudo está interligado

    Tudo está interligado

    * Levon Nascimento

    Enquanto Donald Trump abandona o Acordo de Paris e busca salvar os canudinhos de plástico, em prejuízo do clima, de rios, mares, oceanos e da vida aquática; taxa os países pobres e em desenvolvimento de maneira exorbitante para garantir a riqueza de poucos bilionários, vindo a causar desemprego e fome nas periferias do mundo e de sua própria nação; expulsa os imigrantes dos Estados Unidos, à custa da contradição de ser ele próprio filho e marido de mulheres que migraram para aquele país; ameaça deportar massivamente os palestinos de suas casas e terras na Faixa de Gaza; em rebeldia, devemos nos recordar da poesia da criação, no capítulo primeiro do Gênesis, independentemente de crença ou descrença religiosa.

    O sagrado autor da tradição hebraica, ao elencar a criação da luz, do dia, da noite, do céu, da terra e do mar (Gn 1,3-10); da vegetação, (Gn 1,11-13); do sol, da lua, das estrelas (Gn 1,14-19); dos animais aquáticos e das aves (Gn 1,20-23); dos animais terrestres (Gn 1,24-25); e do ser humano (Gn 1,26-31), sempre arremata com “E Deus viu que era bom” (Gn 1,10b.12b.18b.21b.25b); e finaliza exultante, diante da humanidade, “Então Deus viu tudo quanto havia feito, e era muito bom” (Gn 1,31).

    No início do segundo milênio cristão, Francisco de Assis retoma essa visão de bondade criativa e exalta a natureza como presente divino. Il poverello de Assisi, assim cantou em êxtase, diante da beleza do mundo:

    Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente o meu senhor irmão sol, o qual faz o dia e por ele nos alumia. E ele é belo e radiante com grande esplendor: de Ti, Altíssimo, nos dá ele a imagem. Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã lua e pelas estrelas, que no céu formaste claras, preciosas e belas. Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão vento, pelo ar, pela nuvem, pelo sereno, e todo o tempo, com o qual, às tuas criaturas, dás o sustento. Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água, que é tão útil e humilde, e preciosa e casta. Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão fogo, pelo qual iluminas a noite: ele é belo e alegre, vigoroso e forte”.

    O padroeiro da ecologia enxergou a criação como extensão da bênção do criador. Retomou no cristianismo a visão religiosa que liga espírito e criação, humanidade e todos os demais seres vivos, o cósmico e o natural, a divindade e o mundo.

    Mais recentemente, o Papa Francisco, em sua Carta Encíclica Laudato Si’, retorna ao Gênesis e a São Francisco. Nela, o primeiro papa latino-americano aborda o cuidado da “Casa Comum”, que é o nosso Planeta Terra, destacando uma ecologia integral, que una as preocupações ambientais e sociais. Francisco convoca todos, crentes e não crentes, a refletirem sobre a degradação ambiental, como as alterações climáticas, a perda de biodiversidade e as desigualdades sócio-econômicas entre os seres humanos, propondo uma mudança de paradigma, para um desenvolvimento sustentável e solidário.

    Francisco conclui a Laudato Si’ convidando a todos para adotarem um novo estilo de vida, mais simples e solidário, expurgando a tentação consumista. Ele enfatiza a importância da esperança e da ação. Para o argentino, a criação é um ato de amor de Deus, logo, ela não pode ser encarada como objeto de troca econômica, de ganância e lucro, mas como dom e presente para todos os seres humanos e para todas as criaturas não-humanas. Tudo interligado.

    Partindo dessas três fontes irretocáveis da tradição cristã: o Gênesis, São Francisco de Assis e o Papa Francisco, pode-se proclamar que as escolhas de Trump, de seus asseclas da extrema-direita mundial e de sua demoníaca teologia do domínio são heréticas. Instrumentalizam Deus e seu Filho Jesus em nome do capital, da guerra e do lucro. Contaminam e profanam a criação, tanto quanto poluem as águas, os solos e os ares. Ignoram que “tudo está interligado, como se fôssemos um”. Entregam-se à morte e condenam os inocentes a morrer.

    É urgente resgatar a teologia do cuidado dentro da tradição cristã, quaisquer que sejam as denominações. Fontes teológicas é que não faltam. A fraternidade e a ecologia integral serão as formas pós-contemporâneas da verdadeira fidelidade de todo crente ao Evangelho de Jesus.

    * Levon Nascimento é leigo católico, professor de história e doutorando em  Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável.

  • Branco Tiú (parte 1)

    É sábado. À frente, vai o menino guiando os bois que vagarosamente puxam o carro. O eixo em atrito canta a se ouvir de longe. Na carga, alforjes com mantas de carne, sacos contendo farinha de mandioca e malas cheias de rapadura. Tudo para vender na feira de Condeúba.

    À beira da estrada, um homem robusto, de semblante castigado pelo ambiente, branco, de olhos claros, cerca de vinte e cinco a trinta anos de idade, acorrentado a um tronco de segurar doido, ao lado de um casebre, grita: – Menino, vem cá. Tem carne aí? Me dá um tiquinho. Estou com fome.

    Otílio, meio assustado, freia os bois e espera Antônio, seu pai, que ficou para trás, a conversar com um compadre que encontrara pelo caminho.

    – Pai, o homem disse que tem fome. Quer um pedacinho de carne.

    – Bom dia, meu senhor – fala Antônio, aproximando-se do infeliz aprisionado.

    – Estou para morrer de fome! Me dá um de comer – insiste.

    Antônio volta-se para Otílio e manda o menino ir à uma das bruacas, cortar um naco de carne de sol e dar ao homem. De susto, uma mulher sai correndo da choupana. – Não dá carne pra ele não! Ele é doido – grita ela, indicando o homem amarrado. – Eu sou a mulher dele. Dá pra mim – pede.

    Um pouco confuso, Otílio olha ao pai, que assente para que entregue o donativo à mulher.

    Seguem para a feira de Condeúba. O carro de boi estribilha. O ano é 1921.

  • Newton Cardoso

    *Levon Nascimento

    Morreu hoje, 2 de fevereiro de 2025, o ex-governador de Minas Gerais (1987-1991), o baiano Newton Cardoso (PMDB), nascido em Brumado.

    Empresário muito rico, dono de fazendas de gado e reflorestamento de eucalipto, inclusive a Veredão, em Berizal, adquirida no tempo em que aquelas terras ainda faziam parte do município de Taiobeiras.

    Consta que a única vez que um presidente da República pisou os pés em solo taiobeirense foi quando Newtão, como era conhecido, recebeu José Sarney na sede de sua propriedade. O avião presidencial pousou no aeroporto que até hoje serve ao latifúndio do então governador mineiro. Dizem as más línguas que aquela pista aeroportuária era para ser construída na cidade de Taiobeiras. Eu era criança, não sabia de nada.

    Muito próximo do ex-prefeito taiobeirense Joel da Cruz Santos, é justamente deles dois juntos que guardo memórias, flashes do meu tempo de menino. Lembro-me do dia em que inauguraram o prédio da Escola Estadual Presidente Tancredo Neves, atualmente minha unidade de trabalho. Também me recordo da inauguração da estação de captação e tratamento de água de Taiobeiras, na margem do Rio Pardo, na estrada que vai para São João do Paraíso. A festa foi na Praça da Matriz, com Newtão descerrando a placa e Joelão abrindo o hidrante e jogando água no povo, que pulava de emoção.

    Outra memória que tenho é de 1989. Eu na sexta série, na Escola Estadual Oswaldo Lucas Mendes. Nossa professora de história, Edna Silveira, liderou a greve histórica por melhorias salariais para os trabalhadores em educação. Houve uma celeuma entre ela e a diretora. Obviamente, tomamos partido do lado da professora. Num dos dias da greve, com a Avenida Amazonas deserta, colamos cartazes nas palmeiras que até hoje existem, em frente do Colégio, com charges que continham o corpo de um suíno desenhado e a cabeça do então governador, recortada de propagandas eleitorais, colada no bichinho. Enfim, coisas de adolescentes que viveram a redemocratização dos anos 80.

    Também é necessário dizer que no Arquivo Nacional, em pesquisa recente que realizei, encontrei referências à novela da Barragem de Berizal que remontam a 1989. Os documentos da época, que qualquer cidadão pode encontrar online,  afirmam que a obra não saiu do papel por decisão de Newton Cardoso, para não desagradar ao aliado Geraldo Santana, então deputado estadual por Salinas e presidente da CEMIG.

    Newton Cardoso foi sucedido no governo de Minas Gerais por Hélio Garcia.

    *Professor de História em Taiobeiras

  • A prisão do general de Bolsonaro

    A prisão do general de Bolsonaro

    Para que serve um general? Em tese, para liderar as forças armadas de seu país contra perigos externos, que ameacem o seu povo.

    Do que é acusado o general Braga Netto, ex-candidato a vice de Bolsonaro, preso hoje? De planejar: golpe de Estado, que mataria a liberdade democrática de sua própria Pátria, e o assassinato do presidente eleito Lula, do vice-presidente eleito Alckmin e do ministro-presidente da Justiça Eleitoral Alexandre de Morais.

    Em vez de defender a todos os brasileiros, independentemente da opção político-partidária destes, como é o dever de um general, Braga Netto preferiu atacar uma parte considerável dos seus próprios compatriotas, que elegeram Lula em 2022, mas que tinham escolhido Bolsonaro em 2018, como acontece nas democracias.

    O general teria praticado esses crimes porque não concordava em ter perdido a eleição presidencial? Obviamente, não se justifica. Na democracia, a guerra se resolve na política. Quem ganha, governa. Quem perde, vira oposição. Quatro anos depois, o quadro pode se inverter. E assim, sucessivamente. Não há espaço para golpes e assassinatos.

    Enfim, se tivesse dado certo o plano do general Braga Netto, estaríamos em uma ditadura. Perderíamos o direito de manifestar e votar. Pessoas como você e eu, hoje, talvez estivéssemos em prisões, sendo torturadas, ou até mesmo mortas. Por qual crime? Nenhum. Apenas pelo fato de termos posições políticas diferentes das do modo como pensa a extrema-direita.

    Entendeu o risco e o perigo? Por isso, atitudes como a de Braga Netto e seus comparsas devem ser combatidas com a lei. Nada contra os militares honestos, que cumprem o seu papel constitucional.

  • Perpétua se perpetua

    Perpétua se perpetua

    * Levon Nascimento

    Vamos falar da personagem Perpétua, interpretada magistralmente pela atriz Joana Fomm, da novela Tieta (1989), de volta no Vale a Pena Ver de Novo, de Aguinaldo Silva, inspirada no livro Tieta do Agreste, de Jorge Amado.

    Perpétua era beata, ia à missa e se confessava diariamente. Na mocidade, fez promessa de entregar Ricardo, o primeiro filho, ao seminário, como pagamento por ter conseguido se casar com o major Cupertino Batista. Dizia-se decente, recatada e do lar. Viúva, cobria-se de preto dos pés à cabeça, mesmo passado muito tempo da morte do marido militar.

    Interesseira, vivia de olho na riqueza da irmã Tieta. Mesquinha, queria tomar o armarinho falido da irmã Elisa e do cunhado Timóteo. Despeitada, tratava mal a madrasta Tonha. Fofoqueira, tomava conta da vida alheia, levando e trazendo com as comparsas Amorzinho e Cinira.

    Cínica, enlouquecia o Padre Mariano confessando os pecados dos outros em vez dos próprios. Egoísta, fingia pobreza para Tieta, enquanto mantinha três casas alugadas. Falsa piedosa, comia pouco na frente dos outros, insinuando que não se entregava ao pecado da gula, mas sozinha à noite, empanturrava-se de guloseimas. Fascista, desejava a morte do mendigo “Bafo de Bode”, pois segundo ela, ele “não servia para nada”.

    Moralista, mantinha um segredo cabeludo dentro de uma caixa branca no armário do quarto de dormir. Tudo isso, enquanto bradava aos quatro cantos do agreste: “Deus está do meu lado!”

    Fosse hoje e não 1989; fosse Santana do Agreste o Brasil ou o mundo todo, certamente Perpétua votaria no mito, ou em Trump, e seria “pró-vida”, por Deus, pela Pátria e pela família. Perpetuou-se.

  • Quando Deus fala

    Quando Deus fala

    * Levon Nascimento

    É incrível como o Evangelho de Jesus pode ser às vezes desconcertante. E isso é muito bom!

    Deus “gritou” pela boca da bispa episcopal de Washington, Mariann Budde, na cara de Donald Trump, um dia após sua segunda posse como presidente dos EUA.

    Profetizou a religiosa:

    “As pessoas que colhem em nossas plantações, limpam nossos prédios, trabalham em granjas, frigoríficos e hospitais podem não ter a documentação adequada, mas a grande maioria dos imigrantes não é criminosa.

    Peço que tenha misericórdia, Sr. Presidente, daqueles em nossas comunidades cujos filhos temem que seus pais sejam levados embora. Que ajude aqueles que estão fugindo de zonas de guerra e perseguição em suas próprias terras a encontrar compaixão e boas-vindas aqui.

    Há crianças gays, lésbicas e transgêneros em famílias democratas, republicanas e independentes, algumas que temem por suas vidas”.

    Mariann Budde está certa e foi corajosa. Seguiu a tradição das mulheres da bíblia. Afinal, foi a própria Virgem Maria, mãe de Jesus, segundo o evangelista Lucas, que disse: “Derruba os poderosos de seus tronos e eleva os humildes; dispersa os ricos sem nada e enche de bens os famintos”.

    Como de hábito, Trump classificou a missa em questão como “desagradável” e exigiu um pedido de desculpas da bispa, chamando-a de “nojenta e pouco inteligente”.

    Vindos dele tais xingamentos, creio que a episcopisa de Washington só tem a se orgulhar da missão evangélica cumprida.

    Como diz o canto de comunhão: “Se calarem a voz dos profetas, as pedras falarão”.

    * Professor de História.

  • Ainda sobre Finados e o fim da História

    Há quem considere os cemitérios um desperdício econômico. “Como assim gastar espaço com quem nada mais produz?” – pensam. “Cremar é melhor, sobra pouca coisa e é uma atividade rentável” – imaginam. E dá-lhe justificativas espiritualistas, que eu respeito, mas não concordo: não estão mais no corpo; é só matéria; vivem em outro plano, no vento, nas árvores; e etc…

    No fundo, subjacente, encontra-se a velha e mofada ética do capital, a cultura do descartável, o prazer pela obsolescência e a objetificação do que é humano, tanto quanto de tudo que há na Casa Comum: animais, rios, montanhas… Se não serve mais, joga-se fora, explora-se o terreno, especula-se o espaço imobiliário. E, junto a isso, o desprezo pela memória e pela história; pela coletividade, sejamos mais específicos.

    Cemitérios, além de melancolia ou saudade, são também lugares de pesquisa e museus que comunicam mensagens científicas, políticas e sociológicas ao presente. Que dizer dos enfileirados que morreram entre 2020 e 2021, vítimas da COVID19? Ou da seção de jovens entre 15 e 29 anos, de tiro, na guerra do tráfico? Mais: símbolos de que somos e existimos no universo. Servem mais aos vivos do que aos defuntos. Transmitem informações e lições. Podem funcionar como livros para quem tem a sensibilidade de ler em suas entrelinhas silenciosas.

    O homem morreu! Viva o lucro!

  • Balanço de 2024

    Balanço de 2024

    * Levon Nascimento

    O trabalhador mais explorado se vê como o “empreendedor” que, “ao se esforçar muito (ser explorado por um patrão anônimo) e mudar o mindset (mentalidade )”, se tornará o “vencedor”, consumidor de neo-bugigangas com obsolescência programada.

    Saíram vitoriosos os discursos dos coaches, o individualismo extremo, que nega a solidariedade entre os iguais e estimula a rivalidade entre “as inimigas invejosas”, a heresia da Teologia da Prosperidade e a religião de mercado.

    Falar a essas pessoas sobre direitos humanos básicos, meio ambiente e crise climática, cidadania, democracia, coletividade, garantias fundamentais e consciência de classe não encontra mais eco e significado em seus cotidianos.

    Some-se a isso o dinheiro do Orçamento Secreto nas campanhas das direitas locais, a burocratização da utopia nos governos de esquerda, as oligarquias de mandatos dentro do PT e a sabotagem à militância histórica, como correu conosco aqui em Taiobeiras, e tem-se o quadro de derrota das pautas e candidaturas progressistas.

    Isso explica as vitórias eleitorais e anti-civilizatórias, avassaladoras, da centro-direita e, relativas, da extrema-direita.

  • Comunicado sobre pré-candidatura a prefeito de Taiobeiras

    Comunicado sobre pré-candidatura a prefeito de Taiobeiras

    Em 2020 fui candidato a prefeito de Taiobeiras pelo PT, contando com a parceria da querida Tia Kêu do Sindicato, nossa candidata a vice-prefeita.
    Era um momento difícil: perseguição ideológica às esquerdas, pandemia da Covid-19 e desarticulação do PT.

    Mas, valeu a pena! Além do aprendizado, mobilizamos as forças para que, dois anos após, em 2022, Lula tivesse uma votação significativa no difícil contexto de Taiobeiras.

    Nossa candidatura também favoreceu, para agora, a formação de um excelente chapa de pré-candidatos a vereadores e vereadoras pela Federação PT/PV.

    Neste ano, meu nome voltou a figurar como pré-candidato a prefeito pelo PT. Com o apoio de muitos companheiros, iguais à minha esposa Flaviana, o Deputado Federal Padre João, o Deputado Estadual Leleco Pimentel, o assessor do Juntos Para Servir Romário Rohm, a presidente local do PT, Professora Marileide, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Sr. Geraldo Caldeira e a direção do PV, nas pessoas de Gilvano Ribeiro Célio e Fernando Rocha, e de vários de nossos pré-candidatos a vereadores.

    Agradeço, de coração, a cada um de vocês. É por conta da confiança de pessoas queridas assim que sigo sempre na luta por um mundo mais justo e de bem-viver.

    No entanto, informo a vocês e à Frente Brasil da Esperança em Taiobeiras (PT e PV), que no período das convenções partidárias não apresentarei meu nome como candidato a prefeito ou a qualquer outro cargo a ser disputado nas eleições de 2024, por dois motivos:

    1º: Devido à impossibilidade de conciliar a campanha eleitoral com o Curso de Doutorado em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável que estou realizando em Belo Horizonte, pelo programa Trilhas de Futuro Educadores, da Secretaria de Estado de Educação.

    2º: Porque o ambiente político de Taiobeiras inspira a união das forças e não a dispersão delas em várias candidaturas majoritárias.

    Desse modo, de minha parte, deixo o PT e a Federação livres para escolherem o caminho que percorrerão nas eleições e, desde já, manifesto minhas fidelidade, lealdade e obediência partidárias à decisão que for tomada, como aliás sempre fiz.

    Para o futuro, em outras eleições, quem sabe meu nome poderá estar disponível para novas lutas.

    Um grande abraço a todas e a todos.

    Levon Nascimento Taiobeiras, 11 de julho de 2024.

  • É preciso apontar para a esperança

    É preciso apontar para a esperança

    * Levon Nascimento

    Em 15 de junho de 2024, participei do Encontro Municipal do Partido dos Trabalhadores em Taiobeiras, no qual foi oficializada a Federação Brasil da Esperança no município, junto com o Partido Verde, para as eleições proporcionais.

    No mesmo evento, mulheres e homens da classe trabalhadora apresentaram as suas pré-candidaturas a vereadora, vereador e prefeito, para o pleito de 2024.

    Perguntei-me, no íntimo, o que de fato fazíamos ali. O que significa a nossa luta neste mundo de hoje?

    Enquanto…

    1. o governo de extrema-direita de Israel mata milhares de vidas palestinas, especialmente crianças, idosos e mulheres;
    2. Trump, com seu discurso negacionista, racista e xenófobo, lidera as pesquisas de intenção de votos para a presidência dos Estados Unidos;
    3. a extrema-direita europeia, anti-imigração, anti-negros e anti-latinos, faz barba, cabelo e bigode nas eleições parlamentares da União Europeia;
    4. as mudanças climáticas provocam, em todo o planeta, dilúvios bíblicos e secas homéricas, calor excessivo e derretimento das geleiras, desabrigados ambientais e desequilíbrios econômicos crescentes, com efeitos devastadores aos países do Sul global e às populações mais pobres do mundo;
    5. no Brasil, o nazifascismo bolsonarista continua popular e impune, apesar do genocídio de 700 mil vidas perdidas pela negligência na pandemia, da tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023 e da corrupção concreta e ideológica que propagou nos infernais quatro anos de Bolsonaro na presidência;
    6. o agronegócio, a mineração predatória e o desmatamento para fins econômicos continuam a envenenar o solo e as águas, aprovando mais e mais agrotóxicos; matando indígenas e grilando terras; apoiando o armamentismo e financiando o processo de ignorância cultural do povo brasileiro;
    7. a alienação religiosa e cultural leva dominados a emularem o papel dos dominadores; a explorados sem consciência da exploração; aos pobres negando os próprios direitos e destruindo suas próprias identidades étnicas e culturais;
    8. Artur Lira e seu bando, hipócritas, usam o nome de Deus para proteger estupradores, atacam o direito das mulheres sobre o arbítrio do próprio corpo e chantageiam o Governo democraticamente eleito pela maioria dos brasileiros;
    9. Em Taiobeiras, muitos perderam a vontade de decidir sobre o seu próprio destino, terceirizando a uma elite – que já se bastou a si própria e perpetuou-se no tempo – o poder de comandar os rumos da coletividade.

    O que nós, da classe trabalhadora, fazemos na luta política diante de todo esse enredo maligno?

    Não tenho respostas prontas para a pergunta que me fiz. Mas, admito suposições. Suponho que, fazendo mais do mesmo não teremos realidade novas.

    É preciso que rompamos com a sociedade que se acomodou com o discurso dos “especialistas em coisa nenhuma”, dos coaches de mensagens sentimentalistas e vazias e dos mascates da fé.

    Mais do que eleições, miremos na formação do povo e na superação do individualismo. É pela cultura que renovaremos a esperança da nossa gente por justiça social e inclusão humana.

    Vencer uma eleição é necessário. Porém, mais do que um mandato, necessitamos de refundar o caráter antissistêmico da esquerda política. Não dá mais para nos conformarmos com a falácia de que o capitalismo é o fim da história. Temos de descortinar o dia posterior, a luz no fim do túnel, a esperança em vez do “é assim mesmo”.

    É urgente apontar à esperança!

    * Professor de História. Graduado em Ciências Sociais pela Unimontes. Mestre em Estado, Governo e Políticas Públicas pela Flacso/Fundação Perseu Abramo. Doutorando em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pela Escola Superior Dom Helder Câmara. Pré-candidato a Prefeito de Taiobeiras.

  • Com o que deveremos nos preocupar nas eleições municipais?

    Com o que deveremos nos preocupar nas eleições municipais?

    * Levon Nascimento

    O Governo do Presidente Lula tem feito o dever de casa daquilo que lhe compete, apesar da gritaria da mídia alinhada ao mercado financeiro, da óbvia oposição de extrema-direita ou da sabotagem do chamado “centrão”. Uso das palavras do jornalista Mario Vitor Santos, colunista do Brasil 247, em artigo de 04/06/2024: “um governo com emprego beirando recorde histórico, inflação em queda e salários em recuperação”.

    É claro que temáticas artificiais e inócuas, produzidas pelas usinas de fake news e besteirol, a serviço de interesses in(confessos) dos liberais xucros, estarão na pauta das eleições municipais: ideologia de gênero, armamentismo da população, combate ao comunismo, Deus, Pátria, Família, etc. Também os negacionismos ridículos baterão o ponto, como à ciência, às mudanças climáticas e às vacinas. A Terra Plana capotará. Teorias conspiratórias, globalismo e outras sandices, também.

    Porém, para quem tem mais de dois neurônios, que sabe do valor do Estado laico e entende que a família precisa é de saúde, moradia, emprego, salário com poder de compra e educação para as crianças, a pauta verdadeira das eleições deverá girar em torno dos problemas reais do povo; e das competências básicas das municipalidades em resolver a vida das pessoas.

    E é aí que surge o dever do império da responsabilidade para as candidaturas sérias, que de fato se apresentarão com propósito de viabilidade. Candidatos a vereadores/as, vices e prefeitos/as, que se propõem a fazer história e a deixar legado para as gerações futuras, deverão abandonar o terraplanismo e o verde-amarelismo de ocasião, e se pautarem pela racionalidade honesta, na hora de conversar com as pessoas. Campanha eleitoral também é momento de educação popular.

    Sola de sapato, ouvido e saliva, à exaustão, deverão ser usados para encontrar o povo, ouvir suas necessidades e debater com as bases sociais acerca das concretas necessidades dos cidadãos e cidadãs, que vivem é no município, como disse alguma raposa política do passado, em grandiloquente síntese de razão e veracidade.

    Que o eleitor e a eleitora compreendam que só se pode cobrar dos candidatos e candidatas, nesta eleição, aquilo que é de competência do nível municipal da federação. Esqueçam-se das motociatas e bravatas, bem como dos coaches de internet. Eles vivem nas bolhas das redes, não no universo real em que eu e você precisamos de políticas públicas para melhorar, de fato, as nossas vidas.

    É momento de exigir: a universalização da rede de coleta e tratamento de esgoto sanitário; a melhoria da iluminação pública; sistemas eficientes de drenagem das águas das chuvas; estradas rurais em permanente estado de boa conservação; escola pública com segurança e qualidade pedagógica; sistema de saúde que atenda às reais demandas de quem não pode pagar pelos tratamentos; apoio à educação do campo; políticas de meio ambiente voltadas para a mitigação da crise climática; adesão dos municípios ao Programa Minha Casa Minha Vida, alimentação saudável, ar puro e livre de venenos em nossas cidades e campo; etc.

    Se vender o voto, votar no candidato festeiro ou seguir os rebanhos religiosos da política, mais uma vez dará um tiro no pé. É urgente pensar com a própria cabeça.

    A Prefeitura e a Câmara de Vereadores não podem fazer de tudo. Há coisas que são o papel da sociedade, como a solidariedade e a organização cidadã. Mas, aquilo que é de responsabilidade objetiva de prefeito e vereadores, eles devem fazer com o máximo de qualidade e presteza.

    Deixem o Presidente Lula trabalhar naquilo que é competência do Poder Executivo federal. Deixem a oposição fazer o seu papel em Brasília. Agora, é o momento de decidir a vida do município.

    * Professor de História. Graduado em Ciências Sociais pela Unimontes. Mestre em Políticas Públicas pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais. Doutorando em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pela Escola Superior Dom Helder Câmara. Autor de oito livros.

  • E você, quem é o seu Jesus?

    E você, quem é o seu Jesus?

    * Levon Nascimento

    Jesus nasceu na Palestina durante o período da ocupação romana, por volta de 753 da fundação de Roma. Mais tarde, o antigo calendário juliano seria modificado e o ano de seu nascimento tornado o número 1. Erros à parte, alguns estudiosos dizem que Jesus na verdade nasceu uns 7 a 8 anos antes da data inaugural do calendário cristão. Pouco importa. Fosse hoje, muitas bombas norte-americanas vendidas ao governo de Israel cairiam sobre sua cabeça.

    O fato certo é que Jesus viveu na periferia do mundo antigo. Uma espécie de Sul global da época, como agora são o Brasil, a África, o Haiti e… a Palestina (Gaza). O trabalho de seus parentes e amigos enriquecia a elite judaica, complacente, e o Império Romano, invasor.

    Maria, sua mãe, séculos depois elevada pela devoção popular e a oficialidade religiosa a Rainha do Céu, Mãe de Deus e Madonna – Ops! Calma calabreso! Madonna, em italiano, é Nossa Senhora – era uma mulher bem consciente da realidade em que vivia. De acordo com o evangelista Lucas (1,52-53), é dela as frases: “Derruba do trono os poderosos e eleva os humildes; despede os ricos de mãos vazias e enche de bens os famintos”. Nos dias atuais, seria cancelada, acusada de lacração e comunismo.

    Voltando a Jesus, seus principais adversários eram os religiosos fariseus. Gente que ia assiduamente às sinagogas, as capelas locais, e ao templo de Jerusalém. Conheciam bem as leis e os textos bíblicos. Achavam-se, por isso, melhores do que as outras pessoas. Espécie de classe média, “gente de bem, família como Deus criou”, os fariseus detestavam as mulheres, os estrangeiros e toda sorte de gente estranha que andava com Jesus. Foram eles os responsáveis pela denúncia que levou à sua prisão, tortura e morte.

    Jesus não vivia com o Antigo Testamento debaixo do braço, mas testemunhava seus preceitos de maneira muito prática, sem extremos ou fanatismo.

    Jesus não era contra os ricos, porém preferia andar com os pobres. Aos ricos, mostrava a efemeridade dos bens que tinham, e quanto tais riquezas lhes escravizava. Aos pobres, repartia pão e defendia das pedradas dos fariseus.

    Jesus não era comunista, como dizem alguns amigos bem intencionados; pois seria um anacronismo. O marxismo só surgiria uns dezoito séculos à frente. Na verdade, o socialismo/comunismo é que imitaria alguns preceitos da prática cristã, como a sociedade comunal em que viveram os primeiros seguidores de Jesus.

    As doutrinas bíblico-religiosas afirmam que Jesus é o filho de Deus, o Cristo esperado pelos judeus messiânicos; o próprio Deus, na Santíssima Trindade, com o Pai e o Espírito Santo; ou o espírito mais evoluído a passar pela Terra. Como crente de uma dessas fés, eu professo alguns componentes de tais doutrinas sobre Jesus. Mas não é isso que vem ao caso neste texto.

    Trato aqui do Jesus histórico. Aquele que não aceitaria a confusão de seu nome com a diabólica Teologia da Prosperidade, pregada na maioria das denominações cristãs de agora pelos coaches da fé; nem cruzadas, charlatanismo, mercantilização da crença alheia, exclusão, guerras, armamentismo, tortura, fascismo e outras aberrações do passado e do presente.

    Como escreve o bispo Dom Vicente Ferreira, há uma “ruptura entre o Cristo da fé e o Jesus histórico”. Igualmente, outros têm se tornado telegrafistas de Maria, conforme seus interesses particulares. Toda expressão cristã que não se calça na historicidade de Jesus é fanatismo ou má fé, mato no meio da roça de feijão, joio no trigo. Deve ser combatida.

    Mais fácil Jesus abraçar um ateu de boa vontade do que um religioso cristão de mercado. Jesus, hoje, seria crucificado pela maioria dos que se dizem seus seguidores.

    O Jesus histórico é o ser humano excelente. Sua divindade se revela em sua condição humana amorosa.

    E você, quem é o seu Jesus?

    * Professor de História.

  • Taiobeiras: a morte tem odor de esgoto e veneno

    Taiobeiras: a morte tem odor de esgoto e veneno

    * Levon Nascimento

    À tardezinha, um fedor paira no ar. Com o perdão da má expressão, é catinga de merda, mesmo. Esgoto não-tratado lançado a céu aberto.

    De uns dias para cá, primeiro achei que fossem os registros do fogão que estavam abertos. Parecia gás de cozinha. Não era. Está em todo lugar, pela casa, no quintal, na rua, nos ares. É veneno. É fumaça de agrotóxico.

    Alguns amigos e familiares me dirão que eu não deveria expor isso aqui. Só tenho a perder: pessoalmente e politicamente. As pessoas não gostam de que apontemos os problemas do lugar em que vivemos. Afinal, fazemos a melhor festa de maio da região, não é!? A propaganda oficial nos condiciona a dizer que somos a melhor do Alto Rio Pardo, quiçá do Norte de Minas. Nenhuma palavra pode ser dita para manchar a reputação da cidade, sob pena de sermos chamados de traidores.

    Mas de que valeria minha vida e minha participação política, não fossem elas voltadas a defender o bem-comum, o bem-viver e o bem-estar da coletividade? Para mim, nunca foi projeto pessoal de poder. É e será ad eternum a luta pela vida plena, em abundância, para todos os seres humanos e para o planeta, nossa Casa Comum.

    Que me critiquem os “pró-vida” de ocasião, que só enxergam ameaças de morte no aborto e nas orientações sexuais alheias. Eles chafurdam na suicida teologia da prosperidade e no tradicionalismo oco e estéril. Valorizam mais as vestes e alfaias do que a Criação divina expressa no rosto humano e na Mãe Natureza.

    O fato é que a metáfora da arca de Noé nunca foi tão precisa quanto nestes tempos de crise climática e de adoração do empreendedorismo da ganância. As pessoas bebem, comem e festejam, alienadas do que ocorre ao seu redor. O calor do aquecimento global, as enchentes torrenciais e o envenenamento da comida e dos ares pelo agro-pop estão aí, para quem quiser ver, sentir e cheirar. Mas, entretidos por coaches e líderes de extrema-direita, os indivíduos recusam a verdade e crucificam os que lhes ousam dizer.

    Taiobeiras, nestes dias de festa e alegria, de ganhos e emoções, de vaidades e torpes poderes, está impregnada do odor de esgoto e de veneno. É um projeto irracional em nome do lucro e do poder de alguns. O salário, como no caso do pecado, é a morte.

    Lutemos pela vida, enquanto ela se deixa encontrar.

    * professor de História, doutorando em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável, mestre em Políticas Públicas, graduado em Ciências Sociais.

  • Emergência climática e a Laudate Deum

    Emergência climática e a Laudate Deum

    O planeta está esquentando. O calorão do fim do ano passado, o dilúvio no Rio Grande do Sul, neste mês, e uma infinidade de outros acontecimentos comprovam, praticamente, o que a ciência já vinha alertando há anos.

    Não são necessários profetas do terror e do medo. Não é castigo de um Deus cruel e sanguinário, que para punir os pecadores mata os inocentes. É ciência. É capitalismo predatório. É questão ambiental e climática. Sem negacionismo e fake news!

    Os estudos científicos mostram que esse aquecimento é acelerado pela ação humana, através da emissão dos Gases de Efeito Estufa.

    Trata-se do Antropoceno, período histórico-geológico marcado pela presença e ação do ser humano sobre a natureza.

    Se você é cristão ou, simplesmente, pessoa de boa vontade, recomendo que leia a este livreto da foto. Trata-se da Exortação Apostólica Laudate Deum, sobre a Crise Climática, lançada pelo Papa Francisco em 04 de outubro de 2023.

    Vamos ver o que ainda é possível ser feito…

    #papafrancisco #laudatosi #laudatedeum #criseclimática  #mudançaclimática

  • Mudanças Climáticas: Há culpados pelas inundações no Rio Grande do Sul?

    Mudanças Climáticas: Há culpados pelas inundações no Rio Grande do Sul?

    A tragédia das inundações no Rio Grande do Sul tem culpados, sim! E não é Deus, nem São Pedro, nem Lula.

    Os políticos de direita ou extrema-direita, quando precisam da ajuda dos governantes de esquerda, têm a mania de dizer: “-Sem ideologia, agora! Não é hora de buscar culpados! É hora de união!”.

    Foi o que fez e disse o governador gaúcho, tucano, Eduardo Leite, pego com as calças na mão pelo maior desastre climático da história do Brasil, quando teve de pedir socorro ao Presidente Lula.

    Dias antes, o tucano, em vez de ligar e ir pelos canais corretos, quis dar uma de bonzão dando ultimatos ao presidente por rede social.

    O mesmo governador que, 15 dias antes, havia recebido relatórios dos institutos climáticos, a anunciar o caos que viria, e nada fez.

    O mesmo governador que modificou, no ano passado, o código florestal do Rio Grande do Sul, abrindo a porteira para a boiada do desmatamento desenfreado do bioma dos pampas, predominante naquele estado.

    O mesmo governador que ataca as políticas sociais e ambientais do Governo Lula e namora com o discurso negacionista e antipreservacionista do agro e da extrema-direita.

    Aliás, cadê os políticos bolsonaristas que falavam que Mudança Climática não existe? Inclusive, um deputado gaúcho do Partido Novo, muito idolatrado por certos inteligentinhos daqui. Cadê Mourão? Cadê Ricardo Sales? Cadê Bolsonaro, numa hora dessas? De certo, andando de Jetski.

    As chuvas disruptivas do Sul têm culpado. Não é Deus e nem São Pedro. É a Mudança Climática, fruto da emissão desenfreada de CO2 na atmosfera e da ganância do grande capital mundial. Não adianta negar. Se negar se afoga.

    Abraçar o Acordo de Paris e reduzir as emissões eram para ontem. Já passamos do ponto de não retorno. O calorão do fim do ano, as pandemias, as avalanches de mosquitos da dengue e as enchentes torrenciais, agora, são a nova realidade. Precisa-se de políticas públicas de mitigação, de consciência ética e ecológica e do combate à acumulação de capital desordenada, que drena a riqueza de bilhões de pessoas para apenas algumas poucas centenas de seres humanos.

    E ao povo, acreditar menos nas fake news da extrema-direita – que só trabalha para o lucro ganancioso do agro, que não está nem aí para as mudanças climáticas, pois mora nas melhores mansões, protegidas das intempéries, com ar condicionado e água potável – já é um bom começo.

    Sim, governador Leite, agora é hora de união. Inclusive, o Nordeste, que tantos os sulistas atacam com racismo e xenofobia, lidera as regiões do país em ajuda aos irmãos gaúchos. Mas é preciso apontar o dedo para os culpados, sim! E o senhor é um deles.

    Créditos da imagem: Reprodução da internet.

  • Em 2026, 100 anos da passagem de Luiz Carlos Prestes em Taiobeiras

    Em 2026, 100 anos da passagem de Luiz Carlos Prestes em Taiobeiras

    * Levon Nascimento

    Único grande fato da História do Brasil que teve Taiobeiras como pano de fundo de seu desenrolar, a Coluna Prestes caminha para completar 100 anos.

    Em 26 de abril de 2026, terá se completado o centenário da passagem do Capitão Luiz Carlos Prestes, líder da revolta tenentista conhecida como Coluna Prestes, pelo vilarejo de Taiobeiras, então distrito do município de Salinas.

    Naquela segunda, 26/04/1926, os revoltosos, como os combatentes de Prestes ficaram conhecidos por aqui, vinham da espetacular manobra militar batizada como “Laço Húngaro”, uma mostra da genialidade do “Cavaleiro da Esperança”. Deram um nó tático, nos desfiladeiros de Serra Nova, município de Rio Pardo de Minas, nas tropas legalistas e mercenárias a serviço do Governo Federal do presidente coronelista Artur Bernardes, deixando-as desnorteadas.

    Ao atravessar Taiobeiras, encontram o povoado deserto. As famílias fugiram para o Grama. Somente o comerciante João Rêgo e sua família permaneceram. Atenderam bem aos revolucionários. No final, Prestes o pagou com um coturno cheio de moedas. Era o preço da Guerra Civil brasileira.

    A Coluna Prestes, que durou de 1925 a 1927, percorreu 25 mil quilômetros de Brasil, pregando a luta contra o regime oligárquico do café-com-leite, que vigorava na política nacional.

    Prestes, seu líder, nas palavras do poeta Pablo Neruda, foi o dirigente revolucionário latino-americano que “teve uma vida tão trágica e portentosa quanto” nenhum outro.

    Referências:
    COTRIM, Dário Teixeira. O Laço Húngaro: Uma estratégia militar bem sucedida. 1. ed. Montes Claros: Millennium, 2008.
    MIRANDA, Avay. Taiobeiras: Seus fatos históricos. 1. ed. Brasília: Thesaurus, 1997. V. I.
    PRESTES, Anita Leocádia. Luiz Carlos Prestes: Patriota, revolucionário, comunista. 2. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2011.

  • Lula, Israel, holocausto e genocídio

    Lula, Israel, holocausto e genocídio

    Holocausto é a palavra para designar o genocídio de 6 milhões de judeus em 13 anos de governo nazista na Alemanha sob Hitler.

    Não foi o único genocídio da história humana e nem o maior. Basta lembrar das dezenas de milhões de indígenas massacrados na colonização das Américas e da escravização de populações negras capturadas na África e dispersas pelo mundo em navios tumbeiros.

    Repudiamos o holocausto judeu. No entanto, o sofrimento dos judeus no passado – e mesmo a violência do terrorismo do Hamas em 07/10/2023 – não autoriza o atual governo de extrema-direita de Israel a cometer genocídio, uma espécie de holocausto reverso, contra dezenas de mulheres de crianças, mulheres e inocentes palestinos.

    Foi essa a fala de Lula, contra a morte de milhares, a favor da paz e responsabilizando os culpados. Ele está certo, pois fala a verdade. Lula foi o primeiro presidente brasileiro a visitar Israel e a honrar a memória das vítimas do holocausto. Lula defende a solução pacífica de dois Estados: um palestino e um israelense no território da antiga Terra Santa.

    E mais: usar a Bíblia para justificar os crimes atuais do Estado israelense é, além de ignorância religiosa e política, estupidez e pecado (de quem se diz cristão).