Amigos e amigas de fora de Taiobeiras estão me perguntando sobre o porquê de tanta comoção em torno da saída do Padre Vanderlei da Paróquia São Sebastião de Taiobeiras. Alegam que é comum e natural que os padres sejam transferidos de tempos em tempos. Estão espantados com tantas manifestações e sem entender o que ocorre.
De fato, é normal a transferência regular; e até saudável para a vida dos sacerdotes e das paróquias essa movimentação.
Porém, o caso específico de Taiobeiras está relacionado com a rapidez com que o padre está sendo transferido. Não tem nem um ano que ele chegou aqui.
E, também, com o fato de que os católicos taiobeirenses entendem que nos últimos anos a Igreja local estava pastoralmente parada, perdendo gradativamente a importância no contexto evangelizador e social, e em franca decadência. Com a chegada do Padre Vanderlei, em pouquíssimos meses, essa situação se reverteu. Foi como a chegada da chuva ao sertão, sucedendo a uma longa e rigorosa estiagem.
Então, há um estranhamento profundo no laicato católico e um clima de suspeição, de que algo obscuro e oculto está tramando para essa saída repentina. Isso explica o porquê das redes e da vida concreta terem sido tomadas pela hashtag #ficapadrevanderlei.
Para além disso, o episódio desnuda o quanto de autocracia e surdez hierárquica ainda corroem as artérias do catolicismo, mesmo depois de mais de cinquenta anos do Concílio Vaticano II (que modernizou a relação clero-laicato), de inúmeros documentos dos pontífices e do próprio exemplo colegial do Papa Francisco.
Fala-se muito na responsabilidade que os leigos devem assumir para com a Igreja, mas o clero continua a não conversar, a não ouvir e a mandar como antigos senhores feudais. Não é esta última a sua vocação e cabe aos irmãos leigos auxiliá-los nesse discernimento.
E, aqui, não discuto as boas intenções de bispos e provinciais. Não duvido que eles trabalham para o bem da Igreja e da evangelização. Não duvidamos de sua boa fé. Critico o método e a estrutura engessada.
Transferências e nomeações realmente são naturais. Não é por causa do padre que se deve frequentar ou não as celebrações, o templo e as atividades pastorais. Mas, conhecer a história, o contexto e a realidade do laicato, bem como sua opinião, pouparia a Igreja de muitos problemas.
Fica aqui um fraterno e filial apelo ao Provincial dos Missionários da Sagrada Família, Padre Itacir Brassiani, e ao Sr. Arcebispo Metropolitano de Montes Claros, Dom João Justino de Medeiros Silva, para que, no uso caridoso de suas respectivas autoridades, não tomem a manifestação do povo católico de Taiobeiras como desaforo ou desobediência.
Como o próprio Senhor Deus, Nosso Pai, fez no Egito, “ouçam o clamor do povo e desçam para libertá-lo”.



































