Tag: Alto Rio Pardo

  • As consequências da monocultura de Eucalipto no Alto Rio Pardo: entre lucros e riscos socioambientais

    As consequências da monocultura de Eucalipto no Alto Rio Pardo: entre lucros e riscos socioambientais

    Por Levon Nascimento

    A seguir, um texto síntese das leituras que fiz de dois autores regionais, em campos científicos distintos, Rômulo Soares Barbosa, na sociologia, e Lucineia Lopes Bahia Ribeiro, na economia, sobre a monocultura de Eucalipto no nosso Alto Rio Pardo, Norte de Minas Gerais.

    Desde as primeiras plantações comerciais de eucalipto no Alto Rio Pardo, durante a Ditadura Militar (1964-1985), a paisagem e a economia da região passaram por transformações profundas. Terras antes dedicadas ao extrativismo dos frutos do cerrado, como o pequi, ao cultivo de subsistência e à pecuária familiar foram progressivamente cedidas a grandes empresas florestais, atraídas pela demanda crescente de carvão vegetal para a siderurgia mineira. Esse modelo de monocultura trouxe lucros expressivos: projeções de projetos exclusivos de carvão vegetal indicavam taxas internas de retorno superiores a 30 %, mesmo em cenários de preços conservadores, e margens líquidas que chegavam a quase 100 % quando combinados carvão, madeira, lenha e óleo essencial (RIBEIRO, 2020).

    Contudo, a mesma força que impulsionou a economia local passou a ameaçar o frágil equilíbrio socioambiental dos gerais. A elevada taxa de transpiração do eucalipto – quatro vezes maior que a de espécies nativas durante o período seco – acelerou o rebaixamento de nascentes e o assoreamento de córregos, reforçando as pressões sobre a disponibilidade hídrica numa região que em regra enfrenta cinco meses secos por ano (BARBOSA, 2023). Enquanto estudos técnicos ressaltavam que, sob manejo responsável, o eucalipto poderia consumir água de forma comparável a outras florestas plantadas e oferecer benefícios como sequestro de carbono e proteção do solo (RIBEIRO, 2020), as comunidades tradicionais relatavam diminuição de vazão e até o desaparecimento de pontos de captação que sustentavam o consumo doméstico e a criação de pequenos animais.

    A tensão entre visões técnicas e vivenciais tornou-se evidente na disputa por políticas públicas. Por um lado, pesquisadores econômicos elogiavam o arcabouço regulatório brasileiro – da Política Nacional do Meio Ambiente ao Novo Código Florestal – como suficiente para garantir a sustentabilidade das plantações e abrir caminho a programas de créditos de carbono (RIBEIRO, 2020). Por outro, lideranças geraizeiras denunciavam que tais normas não freavam a expansão desigual da monocultura, obrigando-as a promover autodemarcações e articular esforços para demarcar assentamentos agroextrativistas e reservas de desenvolvimento sustentável (BARBOSA, 2023). Essa mobilização não surgiu por acaso: confrontos como o “Trancamento da Rodovia 251” em 2013 e greves de fome em 2014 deram voz a quem via no “deserto verde” um cerco ao modo de vida e ao direito à água.

    O impacto socioambiental se fez mensurável. Mapas de uso do solo comparando 2000 e 2020 mostram que, em áreas onde houve reconversão de eucalipto para sistemas agroextrativistas, a cobertura de cerrado alcançou 41 %, contra apenas 18 % duas décadas antes, e os corpos d’água passaram de 0,03 % para 0,17 % da paisagem (BARBOSA, 2023). Ao mesmo tempo, essa reconversão tornou-se vetor de revitalização de mananciais e de práticas tradicionais de manejo sustentável, reforçando o caráter multifuncional do cerrado como fonte de recursos e preservação da biodiversidade.

    As empresas, por sua vez, continuam a explorar as vantagens competitivas do monocultivo, beneficiando‑se de tecnologias genéticas que reduzem ciclos de crescimento e custos de produção, enquanto as comunidades avançam em processos de regularização fundiária. A diferença de perspectiva ilustra um dilema central: o eucalipto pode ser modelo de empreendimento economicamente rentável e teoricamente sustentável, mas sem uma gestão que integre demandas socioambientais, perpetua desigualdades e agrava a crise hídrica local e climática global (RIBEIRO, 2020; BARBOSA, 2023).

    Na prática, a monocultura intensificou a vulnerabilidade do entorno rural ao ciclo de secas, ampliou riscos de erosão e diminuiu a resiliência dos ecossistemas. Ao mesmo tempo, o potencial de diversificação dos projetos florestais – explorando óleo essencial, madeira e lenha – mostrou‑se promissor para reduzir riscos financeiros, mas não abordou integralmente a urgência de conservar os recursos hídricos (RIBEIRO, 2020). Somente a partir da conscientização crescente e da organização das comunidades geraizeiras, por meio de conferências locais e redes de articulação nacional, será possível pressionar por uma reconversão que alie produção e proteção ambiental (BARBOSA, 2023).

    Por fim, o Alto Rio Pardo vive um momento de virada: os ganhos econômicos oriundos da monocultura de eucalipto não podem ser dissociados dos danos socioambientais que impuseram ao cerrado e às populações tradicionais. A tomada de consciência coletiva e a mobilização em torno de políticas territoriais de base comunitária mostram-se fundamentais para redefinir esse modelo. É imprescindível que o equilíbrio entre lucro e preservação seja reconfigurado, de modo que os próximos ciclos de plantio garantam água, biodiversidade e justiça social para as gerações futuras.

    Referências Bibliográficas

    BARBOSA, Rômulo S. Comunidades Geraizeiras do Alto Rio Pardo – MG: Reconversão Territorial e Produção de Água no Cerrado. Revista Verde Grande: Geografia e Interdisciplinaridade, Montes Claros, v. 5, n. 2, 2023.

    RIBEIRO, Lucineia Lopes Bahia. Análise do Resultado Financeiro da Produção de Eucalipto das Cidades do Território do Alto Rio Pardo – MG. 2020. Guarujá, SP: Editora Científica Digital, 2020.

  • Educação popular e resistência no Alto Rio Pardo são tema de tese de doutorado defendida na UFG

    Educação popular e resistência no Alto Rio Pardo são tema de tese de doutorado defendida na UFG

    Tese de Érika Fernanda Pereira de Souza investiga processos formativos populares em territórios do Norte de Minas e revela como a educação foi fundamental na construção da organização social camponesa

    Foi defendida no final de 2024, na Universidade Federal de Goiás (UFG), a tese de doutorado da educadora Érika Fernanda Pereira de Souza, intitulada “Educação Popular e Organização Social: Processos Formativos e Resistência Popular no Território Alto Rio Pardo – MG”. Fruto de uma extensa pesquisa de campo e análise documental, o estudo mostra como, entre os anos 1970 e 2019, diversas experiências de educação popular contribuíram decisivamente para a formação política e a organização coletiva de camponeses, geraizeiros e comunidades tradicionais na região norte-mineira.

    A pesquisa, orientada pelo professor José Paulo Pietrafesa, insere-se na linha de Trabalho, Educação e Movimentos Sociais do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE/UFG). Com base em referenciais teóricos marxistas e freireanos, a tese analisa a constituição histórica dos conflitos no território do Alto Rio Pardo, intensificados pela expansão do capital agrário e da monocultura de eucalipto, e busca compreender de que maneira os processos formativos populares se articularam à resistência social e política das populações locais.

    Dois eixos centrais atravessam o trabalho: a atuação das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e o Programa de Formação do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA/NM). Ambas as experiências foram fundamentais para criar espaços de formação política, consciência crítica e engajamento em práticas coletivas de enfrentamento às expropriações de terra, degradação ambiental e às violações de direitos das populações tradicionais.

    A autora propõe o conceito de “Pedagogia do Balaio” como forma de designar a metodologia comunitária adotada pelas CEBs — inspirada em práticas que valorizam a partilha, a escuta e a construção coletiva do saber, em oposição à lógica individualizante do capital. Em contraponto, apresenta também a noção de “Pedagogia da Porrada”, expressão atribuída às formações desenvolvidas em contextos de conflito direto, especialmente sob a mediação da Comissão Pastoral da Terra (CPT), quando comunidades precisavam decidir entre resistir ou recuar frente à ofensiva do agronegócio e da mineração.

    Para construir a narrativa, Érika realizou dezenas de entrevistas com sujeitos que vivenciaram esses processos formativos, como educadores populares, lideranças sindicais, agentes pastorais, membros de comunidades camponesas e egressos do Curso de Formação do CAA/NM. Entre os entrevistados estão nomes como Paulo Faccion (CPT), Mirian Nogueira (CAA/NM), Valdir Dias, Aurindo Ribeiro, Udilésio Oliveira, além do professor e pesquisador Levon Nascimento, que colaborou cedendo parte de seu acervo pessoal de cartilhas usadas nas formações das CEBs. Esses documentos se revelaram fontes preciosas para a reconstituição das metodologias pedagógicas e dos conteúdos debatidos ao longo das décadas.

    A tese apresenta ainda um panorama da história agrária do Norte de Minas, com especial atenção à formação do campesinato geraizeiro, às práticas de solidariedade territorial e às conquistas recentes, como o Projeto de Assentamento Agroextrativista Veredas Vivas e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Nascentes Geraizeiras, ambas frutos da organização popular. Ao mesmo tempo, evidencia o esvaziamento das práticas formativas nas últimas décadas como um dos entraves à continuidade da ação coletiva no território, em um contexto de avanço da racionalidade neoliberal e desmonte de políticas públicas voltadas para o campo.

    Por fim, a pesquisadora destaca que compreender a história das formações populares no Alto Rio Pardo é essencial para pensar alternativas à crise da democracia e ao modelo predatório de desenvolvimento que marca a região. A tese se soma ao esforço de construção de uma memória social insurgente e de afirmação de práticas educativas comprometidas com a transformação social, a soberania dos povos do Cerrado e a justiça socioambiental.

  • O que são as Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) e por que incomodam tanto?

    O que são as Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) e por que incomodam tanto?

    Por Levon Nascimento

    As Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) são um tipo de unidade de conservação criado para proteger a natureza sem excluir as populações humanas que dela dependem. Ao contrário de áreas de preservação estrita, as RDS conciliam o uso sustentável dos recursos naturais com o modo de vida de comunidades tradicionais. Previstas pela Lei nº 9.985/2000, que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), elas representam um modelo alternativo de desenvolvimento: mais ecológico, participativo e descentralizado (BRASIL, 2000).

    1. O que é uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável?

    De acordo com o Art. 20 do SNUC, uma RDS é uma área natural que abriga populações tradicionais cuja sobrevivência depende de formas sustentáveis de uso da natureza, desenvolvidas ao longo de gerações. Essas práticas são adaptadas ao ambiente local e desempenham papel importante na proteção da biodiversidade (BRASIL, 2000).

    As RDS não apenas preservam a fauna e flora, mas também reconhecem o valor dos saberes tradicionais. Cada reserva deve ter um Conselho Deliberativo, formado por representantes das comunidades locais, órgãos públicos e sociedade civil, e ser regida por um Plano de Manejo, que estabelece regras de uso e conservação (MATTOS et al., 2011).

    2. Para que serve uma RDS?

    As RDS têm dois objetivos principais: conservar o meio ambiente e melhorar a qualidade de vida das populações tradicionais (BRASIL, 2000). Em outras palavras, elas funcionam como áreas protegidas que promovem a biodiversidade sem excluir as pessoas, ao contrário do modelo clássico de “florestas intocadas”.

    Como mostram Queiroz e Peralta (2006), as RDS permitem a realização de atividades como pesca artesanal, coleta de frutos, cultivo de roças e até o ecoturismo, desde que essas ações estejam em harmonia com a conservação ambiental. Além disso, elas incentivam a pesquisa científica, a educação ambiental e o uso racional dos recursos naturais, tudo isso com a participação ativa das comunidades (PERALTA, 2002).

    3. Como funcionam os fluxos econômicos em uma RDS?

    Nas RDS, o dinheiro circula a partir de atividades sustentáveis que geram renda sem destruir a natureza. Entre os principais fluxos econômicos estão:

    • Extrativismo vegetal, como a coleta de castanha-do-Brasil, açaí, óleos e fibras, com processamento artesanal e venda por meio de cooperativas;
    • Pesca artesanal, respeitando os períodos de reprodução e as cotas estipuladas pelo plano de manejo;
    • Roças tradicionais, com sistemas de policultura adaptados ao solo e ao clima local;
    • Ecoturismo comunitário, onde visitantes pagam por hospedagem, trilhas, passeios e produtos locais (QUEIROZ & PERALTA, 2006; DIAS et al., 2007).

    Essas atividades geram benefícios econômicos diretos e indiretos, como aponta o estudo de Peralta (2002) sobre a RDS Mamirauá, no Amazonas. Lá, a autogestão comunitária aumentou a renda familiar sem comprometer a floresta.

    4. A importância das RDS para a natureza e as pessoas

    As RDS são espaços de convivência equilibrada entre seres humanos e o meio ambiente. Elas ajudam a proteger espécies ameaçadas, restaurar florestas, manter rios limpos e conservar solos férteis. A RDS Mamirauá, por exemplo, abriga mais de 400 espécies de aves, 45 de mamíferos e cerca de 300 espécies de peixes, além de ser um exemplo de modelo participativo de gestão (WIKIPÉDIA, 2024).

    Além do impacto ecológico, as RDS têm um papel social e cultural importante. Elas valorizam identidades locais, línguas, rituais e práticas tradicionais, protegendo comunidades que muitas vezes sofrem com a exclusão social. Como destacam Lima-Ayres e Alencar (1993), as populações locais passam a ter voz ativa nas decisões sobre o território, o que fortalece a cidadania ambiental.

    Essas reservas também funcionam como barreiras ao desmatamento, controlam queimadas e reduzem o avanço do agronegócio predatório, mantendo corredores ecológicos essenciais para o equilíbrio climático (KITAMURA, 2001).

    5. Por que políticos e empresários resistem às RDS?

    Apesar de seus benefícios, a criação de RDS costuma enfrentar forte resistência de setores políticos e empresariais. Isso ocorre por diversos motivos:

    • Restrição à expansão econômica convencional: a criação de uma RDS impede o avanço de grandes empreendimentos como soja, pecuária ou mineração (MATTOS et al., 2011);
    • Conflitos fundiários e políticos: prefeitos e parlamentares muitas vezes representam interesses de fazendeiros e investidores locais, que temem perder espaço e influência (RIBEIRO, 1994);
    • Lobby empresarial no Congresso: grupos ligados ao agronegócio pressionam por leis que flexibilizem o uso da terra, criando um ambiente de insegurança jurídica para as RDS (MATTOS et al., 2011).

    Esse cenário faz com que a demarcação de novas reservas enfrente atrasos, judicializações e campanhas de desinformação, mesmo quando o território já cumpre função ambiental e social essencial.

    Conclusão

    As Reservas de Desenvolvimento Sustentável representam uma alternativa viável ao modelo predatório de desenvolvimento, pois unem proteção ambiental, valorização cultural e justiça social. No entanto, seu sucesso depende da vontade política e do reconhecimento do direito das comunidades locais de viver com dignidade e autonomia.

    A resistência que enfrentam revela o conflito entre dois projetos: o do lucro rápido, concentrado e destrutivo, e o do futuro comum, sustentável e partilhado.

    Referências

    BRASIL. Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000. Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC).

    DIAS, A. et al. (2007). Aspectos socioeconômicos e ambientais em RDS Ponta do Tubarão. Gaia Scientia.

    KITAMURA, P. C. (2001). Biodiversidade na Amazônia: por uma abordagem regional das unidades de conservação.

    LIMA-AYRES, D.; ALENCAR, E. (1993). Ocupação humana na área da RDS Mamirauá. Anais da ABEP.

    MATTOS, P. P. et al. (2011). Reserva de Desenvolvimento Sustentável: avanço na concepção de áreas protegidas? Sociedade & Natureza.

    PERALTA, N. (2002). Implantação do Programa de Ecoturismo na RDS Mamirauá. OLAM – Ciência e Tecnologia.

    QUEIROZ, H. L.; PERALTA, N. (2006). Manejo integrado e gestão participativa em RDS. Gaia Scientia.

    RIBEIRO, N. F. (1994). Um novo modelo de proteção ambiental para Mamirauá.

    WIKIPÉDIA (2023). Reserva de Desenvolvimento Sustentável.

    WIKIPÉDIA (2024). Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.

  • Minha Casa Minha Vida em Rio Pardo

    Minha Casa Minha Vida em Rio Pardo

    Por Levon Nascimento

    Da esquerda para a direita: deputado Leleco Pimentel (PT), eu, vereador Gean Marcos (PT/Rio Pardo de Minas) e Romário Rohm, assessor dos deputados Leleco e Padre João, com a bandeira de Rio Pardo de Minas em destaque.

    Sempre admirei Rio Pardo: povo gentil e guerreiro, cidade-mãe da nossa região. Sem ela, não existiriam Salinas, Taiobeiras, São João do Paraíso e tantos outros.

    Agora, a admiração cresce com esta conquista: 150 famílias assinaram contratos para a construção de moradias rurais (Faixa 1) do Minha Casa Minha Vida, do presidente Lula. Resultado da luta do vereador Gean, do assessor Romário, das lideranças das comunidades de Ilha das Cabras, Raiz e Sobrado, com apoio fundamental dos deputados Padre João e Leleco.

    Na foto, aponto para a bandeira como símbolo da luta coletiva. Não foi presente de prefeito, foi fruto da organização das comunidades e do PT. Um exemplo da importância de eleger vereadores e deputados do PT, comprometidos com o povo.

    As 150 moradias serão na zona rural, e outras 50 já estão previstas para a área urbana. Parabéns, Rio Pardo!

  • Vlade Patrício: o contador de histórias do Alto Rio Pardo

    Vlade Patrício: o contador de histórias do Alto Rio Pardo

    Em um mundo onde tudo corre depressa e as memórias parecem escorregar pelo tempo, surge um contador de histórias que faz questão de resgatar e eternizar as lembranças do seu povo. Esse é Vlade Patrício, um mineiro de Rio Pardo de Minas, que transforma o cotidiano em literatura e nos convida a mergulhar no universo rico e simples do Norte de Minas Gerais.

    Com dois livros na bagagem – “Um olhar no passado” e “Retalhos de Prosas” – Vlade se firma como um verdadeiro artesão das palavras. Ele não apenas escreve, mas transporta o leitor para um tempo em que as histórias eram contadas ao redor do fogão a lenha, passadas de geração em geração. Seu olhar sensível para as pessoas e os detalhes transforma cada cena em um retrato vivo da cultura popular.

    Seus textos são um convite para conhecer figuras pitorescas, reviver tradições e se encantar com a simplicidade cheia de significados da vida interiorana. O humor e a poesia caminham lado a lado em sua escrita, criando um equilíbrio entre o real e o imaginário. Ele nos faz rir, refletir e, acima de tudo, sentir.

    Em “Um olhar no passado”, Vlade nos presenteia com crônicas que capturam a essência de Rio Pardo de Minas, retratando personagens e situações que marcam a história local. Já em “Retalhos de Prosas”, ele afina ainda mais sua arte, costurando lembranças e ficção de maneira tão realista que quase podemos ouvir as vozes dos personagens. Sua escrita é cinematográfica: quem lê, enxerga, sente, vive.

    O grande trunfo de Vlade é dar alma às suas histórias. Seus personagens são gente de verdade, com alegrias e dilemas, virtudes e defeitos. Nada é idealizado, tudo é profundamente humano. Além disso, ele desempenha um papel essencial na preservação da memória cultural de sua terra, garantindo que essas histórias não se percam no tempo.

    Vlade Patrício é um tesouro da literatura do Norte de Minas. Seu trabalho é um presente para quem aprecia boas histórias, cheias de alma e identidade. Que suas palavras continuem ecoando, levando consigo o calor, a sabedoria e o encanto do nosso povo.

    Disponível também em https://levonnascimento.blogspot.com/2025/03/vlade-patricio-o-contador-de-historias.html

  • As letras de Milton Santiago e o Alto Rio Pardo

    As letras de Milton Santiago e o Alto Rio Pardo

    Milton Santiago, escritor e colunista natural de Salinas, autor de vários livros, dente eles “Miltonalidades” (O Lutador, 2014) e “A menina e o poeta” (O Lutador, 2017), tem desempenhado um papel fundamental na valorização e divulgação da cultura e das particularidades do Alto Rio Pardo, no Norte de Minas Gerais. Através de suas colunas no WebTerra, ele compartilha reflexões que entrelaçam memória, identidade e a riqueza do cerrado mineiro.

    Em “Forjando a harmonia” (23 de outubro de 2024), Santiago revela sua admiração pela linguagem poética e pelos grandes escritores que o influenciaram, destacando como suas experiências moldaram sua escrita.

    Na coluna “Conexão com o Cerrado” (16 de outubro de 2024), ele revisita memórias de infância, ressaltando a importância de manter um olhar encantado sobre o mundo e a natureza ao nosso redor.

    Em “Incompletude de um poeta” (9 de outubro de 2024), Santiago aborda a ideia de que o ser humano está em constante evolução, inspirando-se nos ensinamentos de Paulo Freire sobre a educação como ferramenta de transformação.

    A preocupação ambiental é evidente em “Queimadas: arde a mãe terra e matam os bichinhos” (2 de outubro de 2024), onde o autor alerta sobre os impactos das queimadas no cerrado e a necessidade de uma relação mais harmoniosa entre homem e natureza.

    Em “Precisamos reencantar com a vida, seguindo o exemplo das crianças” (25 de setembro de 2024), Santiago enfatiza a importância de resgatar o encantamento e a simplicidade presentes na visão infantil, tanto na vida cotidiana quanto na escrita.

    A coluna “Contexto ampliado da BR-251” (18 de setembro de 2024) traz uma reflexão sobre a evolução das estradas no Norte de Minas, desde os caminhos dos tropeiros até as atuais rodovias, e seu impacto na região.

    Em “Minha realidade, meu melhor argumento” (11 de setembro de 2024), o autor destaca a importância de escrever sobre o cotidiano e como suas experiências pessoais enriquecem suas colunas.

    Na coluna “Guimarães Rosa deu voz ao povo do sertão e eu dou voz ao povo do cerrado” (4 de setembro de 2024), Santiago traça um paralelo entre sua escrita e a de Guimarães Rosa, ressaltando a missão de dar voz às histórias e culturas locais.

    “A Travessia pelo Sertão de Guimarães Rosa continua” (28 de agosto de 2024) celebra os 70 anos da jornada de Rosa pelo sertão, conectando-a com as próprias travessias de Santiago pelo cerrado e suas influências literárias.

    Por fim, em “Sertão, savana e cerrado são mundos parecidos” (21 de agosto de 2024), o autor explora as semelhanças entre essas regiões e como elas servem de inspiração para sua escrita poética.

    Através dessas colunas e inúmeros outros textos, tanto no WebTerra, quanto em sua obra poética diversificada, Milton Santiago não apenas compartilha suas vivências e reflexões, mas também enriquece a identidade cultural do Alto Rio Pardo, do Vale do Jequitinhonha e do Norte de Minas Gerais, promovendo um olhar atento e sensível sobre o locus e seus habitantes.

  • Novo Minha Casa Minha Vida Rural em Taiobeiras

    Novo Minha Casa Minha Vida Rural em Taiobeiras

    Neste domingo (10/9/23), estive nas reuniões das associações comunitárias de Lagoa Dourada e Mirandópolis, juntamente com Rafael Ferreira, Geraldo Caldeira Barbosa, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras e Flaviana Costa Sena Nascimento, candidata a Conselheira Tutelar de Taiobeiras.

    Na oportunidade, falamos do novo programa Minha Casa Minha Vida Rural, das políticas públicas do Governo Lula, do associativismo e da importância de fazer parte do sindicato e esclarecemos sobre o processo de eleição do Conselho Tutelar, que ocorrerá no próximo dia 01 de outubro.

    Gratidão a Nelson, Nilson e dona Elza, que nós convidaram para participar desses frutíferos encontros.

  • Padre João e Leleco Pimentel no Riacho de Areia e em Olhos D’Água, em Taiobeiras

    Padre João e Leleco Pimentel no Riacho de Areia e em Olhos D’Água, em Taiobeiras

    No sábado (9/9/23), o Projeto “Juntos para Servir”, dos mandatos do Deputado Federal Padre João e do Deputado Estadual Leleco Pimentel (Partido dos Trabalhadores – MG), esteve em Taiobeiras, no Alto Rio Pardo.

    Primeiramente, os deputados se reuniram com os moradores da Comunidade de Olhos D’Água, onde prestaram contas do trabalho legislativo e fizeram a entrega de uma carreta-tanque e de um subsolador, frutos de emendas parlamentares, à associação comunitária.

    Em seguida, foi a vez da Comunidade Riacho de Areia, onde houve uma confraternização com os moradores e convidados das comunidades vizinhas. Foram entregues às associações de Manteiga e Riacho de Areia um trator e uma grade agrícola.

    Na oportunidade, os deputados reafirmaram os compromissos com as comunidades, a agricultura familiar, a educação do campo e a moradia popular de caráter social.

    Esclareceram sobre o novo Minha Casa Minha Vida Rural e as demais políticas públicas emancipadoras do Governo do Presidente Lula. Os diretores do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras, Geraldo Caldeira, Lourival Sena, Rafael Lucas, Gabriel Ferreira e Luciana, além de Tia Kêu, participaram das atividades com os deputados, organizadas pelo assessor regional Romário Fabri Rohm.

    O professor Levon Nascimento e os presidentes das associações visitadas, Antônio , Fabiano, Renilva e Marli, também acompanharam as atividades.

    Vilmar, presidente da Associação Municipal das Comunidades Rurais de Taiobeiras fez presença na reunião em Riacho de Areia.

    Edianilha (Nina), da Cooperativa de Restauradores do Cerrado Mineiro, presenteou os deputados com licores artesanais de frutos típicos da flora de Taiobeiras. Gratidão a todas e a todos!

  • Audiência na CODEVASF

    Audiência na CODEVASF

    Na segunda (11/9/23), participei de uma audiência na 1a. Superintendência Regional da CODEVASF, em Montes Claros, a convite do Deputado Federal Padre João (PT) e do Deputado Estadual Leleco Pimentel (PT), juntamente com várias lideranças populares da base do Projeto “Juntos Para Servir” das regiões Norte de Minas e Alto Rio Pardo.

    Discutimos e cobramos o atendimento célere das demandas de políticas públicas estruturantes para os nossos municípios.

    Entre os participantes, Geraldo Caldeira Barbosa, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras, Rafael Ferreira Lucas, mobilizador do Programa Minha Casa Minha Vida Rural em Taiobeiras, Romário Fabri Rohm, assessor dos mandatos “Juntos Para Servir” no Alto Rio Pardo, e Letícia, vereadora de Águas Vermelhas.

  • Chove, chuva! por Levon Nascimento

    Chove, chuva! por Levon Nascimento

    A última vez que vi tanta chuva aqui no Alto Rio Pardo (Norte de Minas Gerais) foi há 30 anos, entre 1991 e 1992. Naquela época, pontes caíram, barragens se romperam, os rios Salinas e Pardo invadiram suas respectivas cidades homônimas, casas e muros das pessoas mais pobres tombaram em toda a região. Idem no Sudoeste e Sul da Bahia.

    Três décadas depois, com tantos sofrimentos e secas nesse intermédio, ainda não aprendemos a nos preparar para receber este bem tão precioso.

    É fato que o sertão ressequido pela própria natureza e, agora, pela ganância e imprudência humanas, precisa de chuva, muita chuva! Tanto que ao período das águas, diferentemente de outros lugares, chamamos de “tempo bom”.

    Porém, é evidente que é necessário frear o desmatamento, desassorear o leito dos rios, investir nas barraginhas de contenção, construir reservatórios sustentáveis, melhorar a qualidade das residências de baixa renda e promover uma urbanização que comporte as águas pluviais.

    O que se vê no Sul e Sudoeste da Bahia, Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha, é uma benção convertendo-se em tragédia. Isso desnuda a crônica falta de planejamento estratégico dos diferentes níveis do Estado brasileiro e a inexistência de políticas públicas de contenção de desastres naturais.

    Precisamos de chuvas, sempre! Mas necessitamos também de planejamento e gestão, de modo a recebê-las como a dádiva que realmente são.

  • 110 anos do distrito de Taiobeiras

    110 anos do distrito de Taiobeiras

    Há 110 anos, em 30 de agosto de 1911, a Lei Estadual de Minas Gerais, nº 556, determinava a criação do distrito de Taiobeiras, subordinado ao município de Rio Pardo de Minas (MG).

    O cônego Newton de Ângelis, no volume II de seu livro Efemérides Riopardenses, assim relata:

    “30 de agosto – 1911 – A Lei Mineira nº 556 de hoje, cita no nº CXXIV, o Município de Rio Pardo abrangendo seis distritos: 1º. Rio Pardo (Sede – Cidade); 2º. Nossa Senhora do Patrocínio de Serra Nova; 3º. S. João do Paraíso; 4º. Água Quente (Santana da); 5º. Veredinha (N. Senhora da Ajuda da); 6º. Bom Jardim de Taiobeiras” (DE ÂNGELIS, 1998, v. II, pp. 211-212).

    Em 07 de setembro de 1923, o distrito de Taiobeiras seria transferido de Rio Pardo de Minas para Salinas.

    A elevação a cidade (sede municipal) somente se consumaria a 12 de dezembro de 1953, 42 anos após a criação distrital.

  • Semana da Cidadania no Circuito de Lives do Professor Levon Nascimento

    Semana da Cidadania no Circuito de Lives do Professor Levon Nascimento

    Entre 19 e 23 de abril de 2021, o Professor Levon Nascimento realizará a Semana da Cidadania, com uma programação de lives que contará com a entrevista de parlamentares progressistas e da juíza da Comarca de Taiobeiras.

    O objetivo geral da Semana da Cidadania, segundo o Professor Levon, é subsidiar o debate pela valorização da democracia, do Estado de Direito e das lutas populares no Brasil sob os efeitos da pandemia da COVID-19.

    Em específico, é desejo do Professor Levon contribuir com o livre debates de ideias – especialmente as ideias progressistas – no Alto Rio Pardo (Norte de Minas Gerais).

    19/04: Deputado Federal Padre João (PT/MG) e Leleco Pimentel, Deputado Estadual Suplente e membro da Comissão Executiva do PT mineiro.

    Padre João / Leleco Pimentel / Levon Nascimento

    20/04: Dra. Juliana Campos, Juíza de Direito da Comarca de Taiobeiras.

    Dra. Juliana Campos / Levon Nascimento

    22/04: Deputada Estadual Leninha (PT/MG).

    Leninha / Levon Nascimento

    23/04: Deputada Estadual Beatriz Cerqueira (PT/MG).

    Beatriz Cerqueira / Levon Nascimento

    A inspiração para a realização da Semana da Cidadania vem dos tempos em que o Professor Levon Nascimento participou da Pastoral da Juventude, nos anos 1990, quando na semana do feriado de Tiradentes (21 de abril), ocorria tal programação nos grupos de jovens.

    As lives ocorrerão nas datas divulgadas acima, das 19h às 20h, pela página @professor.levon na rede social Facebook.

  • O Alto Rio Pardo precisa ser visto pelos governos

    Beatriz Cerqueira, Tânia Ladeia e Levon Nascimento durante
    a Plenária Regional de Educação do Sind-UTE/MG em Salinas/MG
    SÍNTESE DA MINHA INTERVENÇÃO NA PLENÁRIA REGIONAL DA EDUCAÇÃO EM SALINAS (24/09/2017)
    Por Levon Nascimento, professor de História.
    O Alto Rio Pardo tem características históricas, sociais e econômicas comuns. É um região humana e potencialmente rica do Norte de Minas Gerais.
    Precisa alcançar também a visibilidade e o respeito no esquema organizacional do Estado de Minas Gerais. Não é mais admissível que a região não seja sede de campi de universidades públicas de relevo ou que esteja esquartejada quanto à estrutura do sistema de ensino estadual, com municípios distribuídos e divididos entre as SREs de Montes Claros, Janaúba, Araçuaí e Almenara.
    Também não é possível que tenhamos como principal acesso, sem qualquer sinal de melhoria, a temerária BR-251, um verdadeiro corredor da morte, nem que seja destino apenas de ambulâncias e viaturas, sem investimento efetivo em saúde, segurança, seguridade e políticas públicas de promoção da dignidade humana.
    A gestão da água e dos recursos do meio ambiente precisam ser encaradas com o olhar criterioso dos interesses públicos e humanos, não o do capital e da ganância de uns poucos grupos econômicos.
    Enfim, é preciso avançar também na integração das manifestações culturais e na valorização dos agentes que promovem a essência “de ser” do povo geraiseiro alto-riopardense.
    P.S.: Os municípios que compõem o Alto Rio Pardo são: Taiobeiras, Salinas, Rio Pardo de Minas, São João do Paraíso, Águas Vermelhas, Rubelita, Montezuma, Berizal, Novorizonte, Fruta de Leite, Santa Cruz de Salinas, Santo Antônio do Retiro, Vargem Grande do Rio Pardo, Berizal, Indaiabira, Ninheira, Curral de Dentro e Divisa Alegre.
  • A resistência cultural no Alto Rio Pardo

    * Levon Nascimento

    Apesar da realidade sombria do Brasil, do golpe de Estado, da retirada neoliberal de direitos e da ditadura da toga – ou talvez até por conta dela, como anticorpo benéfico – a esperança tem se feito presente na arte, na literatura e na comunicação do Alto Rio Pardo, do Vale do Jequitinhonha e do Norte de Minas.

    Lancei meu livro “CRER E LUTAR” em Taiobeiras no dia 02 de junho de 2017, como um brado de fé e de militância contra o processo de fascistização da sociedade, tendo a inspirada capa da multiplicação dos pães e dos peixes, pintada em tela pela nossa internacional Lizz Nobel e apresentação da jornalista montes-clarense Valéria Borborema.


    O Atalho Alternativo Cultural de São João do Paraíso, dos amigos Lídio Ita BlueMárcia Barreto e do rapper Flávio, nadam contra a maré massificadora levando arte, boa música e reflexão às praças paraisenses.


    O poeta Carlos Renier Azevedo escreveu o cordel “Vaqueiro Centenário”, narrando a trajetória do Sr. Lydio Barreto (pai de Lídio Ita Blue), de Pedra Azul, resgatando as tradições, “os fazeres” e as raízes sertanejas do Vale do Jequitinhonha/Norte de Minas.


    Felipe Cortez Aragão Grimaldy e Marileide AP, em incessante ativismo por cultura, comunicação e direitos humanos, garantiram para Taiobeiras a 7ª edição do Encontro de Comunicadores do Vale do Jequitinhonha, a ocorrer em fevereiro de 2018.


    Enquanto isso, nosso poeta Milton Santiago, de nossa vibrante Salinas, se prepara para lançar mais uma obra de ternura e amor à região, o livro “A menina e o poeta” no próximo 06 de setembro.


    E nossa histórica Rio Pardo de Minas ganhará de presente o livro de Vlade Patrício, em 16 de setembro, “Um olhar no passado”.


    O Alto Rio Pardo está vivo, na luta, contra os retrocessos, transmutando-se em literatura, música, performances, ativismo político e muita vontade de se eternizar na HISTÓRIA!


    A luta continua…


    * Professor e escritor, de Taiobeiras/MG.

  • Artigo: Quintino de Rio Pardo e as reformas temerosas

    Vista da cidade de Rio Pardo de Minas antigamente. Foto extraída
    do site “Fotos Antigas de Rio Pardo de Minas”.
    * Levon Nascimento

    Há 129 anos, em 13 de maio de 1888, a regente do Império do Brasil princesa Isabel, na ausência do pai o imperador dom Pedro II, em viagem ao exterior, assinou a famosa Lei Áurea, colocando fim a quase quatro séculos de escravidão no país. Fim legal, pois as formas de trabalho análogas ao escravismo continuariam a existir em solo brasileiro até os dias atuais.

    Por motivos de argumentação e de curiosidade histórica, relato dois fatos pitorescos ocorridos naqueles dias no Vale do Rio Pardo (norte de Minas). Recorro à coleção de informações apresentadas nos quatro volumes da obra “Efemérides Riopardenses”, publicada em 1998 pelo cônego Padre Newton de Ângelis, da cidade de Rio Pardo de Minas.

    A 11 de junho de 1888, vinte e oito dias depois da abolição, os poderes públicos da região ainda se encontravam na “árdua” tarefa de proteger o patrimônio privado e desfigurar a dignidade humana. Em Rio Pardo, o delegado de polícia mandou amarrar em frente à porta da casa do subdelegado um negro chamado Quintino, que chegara à cidade em 19 de maio (quatro dias depois da publicação da Lei Áurea), “fugindo de seu dono”, morador de São José do Gorutuba, região da futura Janaúba. O “dono”, um tal de Vitorino Nunes de Brito, à revelia das autoridades, ameaçava levar o negro de trinta e poucos anos amarrado ao rabo do cavalo de volta à sua fazenda.

    Pela lei da princesa, Vitorino não era mais senhor de escravos, Quintino era um homem livre e mesmo que não fosse a legislação da época também não permitiria tal atrocidade, caso empregada corretamente pelas autoridades. Porém, pouco importava. Valia mesmo era a noção torta de propriedade, atrelada aos conceitos de autoritarismo, patrimonialismo, racismo e latifúndio, marcas da colonização e da formação do Estado brasileiro e de nossa sociedade. Em outras palavras, corrupção da lei. Característica ainda muito forte nestas terras esquecidas do Vale do Rio Pardo. Vitorino rugia enquanto Quintino sangrava.

    Também em Rio Pardo, a 12 de julho de 1888 – um mês adiante –, o vereador Atanásio Silva sugeriu à Câmara Municipal rio-pardense a nomeação de uma praça com o nome de TREZE DE MAIO, em homenagem à libertação dos escravos. Segundo relatos, foi naquele espaço, alguns dias depois de 13 de maio (sem exatidão de data), que os ex-escravos “fizeram a grande festa da liberdade (…) e batucaram (…) até o alvorecer do dia seguinte”. Não sei se a praça ainda existe com o mesmo nome naquela cidade.

    A verdade é que no episódio de Quintino, as autoridades já sabiam do fim legal da escravidão. A festa da liberdade na praça comprova isso. Por que não interviram no assanhamento do ex-dono que queria levar o jovem ex-escravo de volta à senzala? Pior, por que elas próprias algemaram um homem livre e inocente à porta do subdelegado?

    Talvez a resposta esteja na cultura da violência autoritária e na desumanização do outro, sempre presentes na história brasileira, sobretudo quando se trata do negro, dos indígenas, do desvalido (vide o caso da guarda municipal de São Paulo, seguindo ordens do prefeito, tomando colchões e cobertores de moradores de rua em pleno frio paulistano), da mulher, do submisso, do indefeso, enfim, do pobre. Só é gente para as autoridades encasteladas no Estado brasileiro aqueles que se apresentam como proprietários. A condição humana apenas, não basta.

    Quintino, “o negro forro” que fugiu dos maus-tratos, mesmo tendo a lei a seu favor, não tinha a proteção do Estado de Direito que lhe garantisse a liberdade e o respeito frente a um senhor ilegítimo e cruel. Ele representa, com altas cores de atualidade, os brasileiros trabalhadores de 2017. Cidadãos que a despeito das garantias da avançada Constituição de 1988 estão à mercê da gangue temerária que se apossou da República com o golpe de 2016.

    O Estado brasileiro sempre esteve comprometido com a manutenção do status quo da elite perdulária, perpassado por um ou outro período em que esse predomínio plutocrático se fez menor ou ameaçado. O getulismo, o janguismo e o lulismo se constituíram nesses curtos momentos, mas todos igualmente golpeados e fulminados pelos “verdadeiros” donos do poder.

    As medidas do governo Temer, tais como o teto dos gastos públicos para a seguridade social, a selvagem lei das terceirizações, a reforma trabalhista que mata a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) aprovada sob Getúlio Vargas, o desmanche das políticas públicas da era Lula-Dilma e a indefectível reforma da previdência, que pretende fazer com que os brasileiros morram sem se aposentar, são comparáveis – em forma e conteúdo – à desenvoltura com que Vitorino Nunes de Brito, diante do delegado de polícia, afrontava a lei vigente ameaçando de morte alguém que não lhe pertencia mais, mas que estava atado a um tronco por quem lhe deveria dar segurança. Nossa pergunta: onde estão as instituições, como o STF, que nos deveriam proteger da sanha dos golpistas de hoje?

    Se o povo brasileiro não desafiar a conjuntura e se reunir na praça, como aqueles negros de Rio Pardo de Minas nos dias que se seguiram à Lei Áurea e, com força, celebrar a liberdade com batuques, palavras de ordem e enfrentamentos de luta, até o alvorecer de uma República mais justa, as reformas dos senhores de escravos de hoje passarão e reduzirão os trabalhadores à condição de indivíduos prostrados, como Quintino, prontos para serem arrastados pelo humilhante rabo do cavalo da história.

    Às ruas. Às praças. Para Brasília.

    * Levon Nascimento é professor de História, sociólogo e mestrando em “Estado, Governo e Políticas Públicas” pela Fundação Perseu Abramo e Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais.
  • Taiobeiras e Salinas repudiam Reforma da Previdência de Temer

    Manifestação em Taiobeiras

    O mês de março foi de muita luta contra a PEC da Reforma da Previdência enviada ao Congresso pelo governo (considerado golpista pelos trabalhadores) de Michel Temer.

    Manifestação em Salinas

    Na microrregião Alto Rio Pardo, temendo os impactos negativos para a maioria da população, professores, alunos e trabalhadores rurais realizaram paralisações e manifestações para alertar contra os riscos dessa reforma.

    Audiência na Câmara de Taiobeiras

    Nos dias 08, 15, 28 e 31 de março os professores de várias escolas da região paralisaram as aulas. Já os trabalhadores rurais, convocados pelo coletivo de mulheres, manifestaram-se no dia 29 pelas ruas de Taiobeiras. Em São João do Paraíso, no Dia Internacional da Mulher, alunos e professores foram às ruas contra o projeto de Temer.

    Moção de Repúdio da Câmara de Taiobeiras

    No dia 15, professores foram às ruas de Salinas, convocados pela coordenação regional do SindUTE (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais), para conscientizar a população dos itens trágicos da proposta enviada ao Congresso. No dia anterior, alunos de Ensino Médio de Novorizonte realizaram passeata com o mesmo fim pelas ruas da cidade.

    Moção de Repúdio da Câmara de Salinas

    No sábado 25, em assembleia do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras, esse mesmo debate foi realizado com os associados.

    Manifestação em São João do Paraíso

    Na segunda 20, os vereadores de Salinas aprovaram por unanimidade uma moção de repúdio à elevação da idade mínima de aposentadoria para 65 anos, de autoria da vereadora Etelvina Ferreira. No dia seguinte, foi a vez da Câmara de Taiobeiras também aprovador unanimemente outra moção também criticando a PEC 287/2016, por iniciativa do vereador João Eudes de Oliveira.

    Protesto em Novorizonte

    Nas duas ocasiões, o povo lotou as galerias das duas casas legislativas demonstrando estar atento e preocupado com os perigos embutidos na reforma previdenciária. Queixa-se dos 49 anos de contribuição, da idade mínima de 65 anos, da supressão dos regimes especiais de professores e trabalhadores rurais e da equiparação injusta de mulheres e homens, além da desvinculação de aposentadorias e salário mínimo.

    Protesto em Montezuma

    Em outras cidades também ocorreram manifestações, como Curral de Dentro, Águas Vermelhas e Montezuma. A ameaça e o risco de morrer sem se aposentar une classes, categorias e políticos de todos os matizes no Alto Rio Pardo.

  • Ajude a encontrar criança desaparecida em Rio Pardo de Minas

    Por favor, ajude. Vamos encontrar essa criança que está desaparecida desde sábado, 4 de maio, em Rio Pardo de Minas.

  • DNJ 2012: Juventude: Qual vida vale a pena ser vivida?

    Professor Levon fala aos jovens da EFA-NE

    Na manhã do domingo, 21 de outubro de 2012, a convite da direção do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras, fiz uma participação no 2º Encontro da Juventude do Alto Rio Pardo, realizado na sede da Escola Família Agrícola Nova Esperança (EFA-NE), tratando sobre o tema do DNJ – Dia Nacional da Juventude 2012 (da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) “Juventude & Vida” para cerca de 200 jovens (estudantes da EFA-NE e convidados).

    Abordei questões relacionadas aos sinais de morte que invibilizam a vida da juventude (violência, drogas, consumismo, falta de acesso à educação e à cultura, etc…) e aos sinais de vida que dão esperança aos jovens (Escola Família Agrícola, participação cidadã, movimentos sociais, etc…), culminando com a procura de respostas para o questionamento proposto no lema do DNJ 2012 (Qual vida vale a pena ser vivida?).

    Juventude presente ao 2º Encontro do Alto Rio Pardo

    A Escola Família Agrícola Nova Esperança, sediada na região da Matrona, município de Taiobeiras/Norte de Minas Gerais, é uma conquista dos movimentos sociais e sindical da microrregião do Alto Rio Pardo através das ações do Território da Cidadania (ligado a vários Ministérios do Governo Federal; especialmente ao MDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário).

    Cartaz do DNJ 2012

    A iniciativa do encontro com a juventude é um bom começo para a reorganização de atividades de formação numa região onde o movimento juvenil já foi bastante forte em décadas anteriores.

  • Alto Rio Pardo: umas das piores secas da história

    Rio Pardo (norte de Minas) praticamente seco já em abril (2012).
    Na foto cujos créditos são do Perfil Beri Notícias do Facebook, vê-se um trecho do Rio Pardo neste mês de abril de 2012 em situação trágica de falta de água. As últimas chuvas “de porte” que ocorreram na microrregião Alto Rio Pardo (extremo norte de Minas Gerais) se deram exatamente no dia 1º de janeiro deste ano. De lá para cá, já são três meses de seca justamente no período em que tradicionalmente costuma chover.

    O Rio Pardo é a maior fonte de água da região. Estamos nos aproximando de uma das piores estiagens da história do Alto Rio Pardo.

  • Governo Dilma entrega Escola Família Agrícola de Taiobeiras

    O delegado do MDA em MG, Alcides Guedes, e a
    Presidente da EFA, Ivanete Rodrigues
    Fruto da luta dos movimentos sociais e dos sindicatos de trabalhadores rurais do Alto Rio Pardo, foi inaugurada nesta segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012, a Escola Família Agrícola Nova Esperança, situada no município de Taiobeiras/MG, contando com investimentos do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) do Governo Federal e apoio das prefeituras da microrregião.

    A Escola Família Agrícola abrigará, a prinicípio, noventa jovens estudantes provenientes de famílias do campo residentes nos municípios do Alto Rio Pardo (norte de Minas Gerais). Lá será ofertado o Ensino Médio numa modalidade especial e inovadora na qual os alunos mesclarão atividades acadêmicas com inserções em campo (trabalho com agricultura).