Tag: Brasil
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Artigo do Levon: A polêmica dos crucifixos e a laicidade do Brasil
A recente polêmica sobre a retirada de crucifixos dos plenários de tribunais e parlamentos no Brasil, já bastante antiga em países da Europa, reabre o debate sobre a laicidade do Estado brasileiro. Afinal, desde a proclamação da República em 1889, passamos a constituir um país onde instituições políticas e religiosas estão oficialmente separadas. Cada um pode pertencer à religião que quiser ou a nenhuma, enquanto o Estado não possui e não estimula qualquer uma, embora lhes garanta a total liberdade de culto e expressão. Pelo menos no papel.Na prática, símbolos religiosos estão em espaços públicos, políticos ajudam na construção de templos e a bancada religiosa no Congresso, principalmente a evangélica, cresce a cada eleição e interfere bastante nos assuntos do Estado nacional. Temas de fé para as religiões e de saúde pública para o Estado, como a questão do aborto, ainda que com argumentos superficiais e instrumentalizados por maus políticos de extrema direita, incrivelmente e lamentavelmente foram mais discutidos do que emprego e educação nas últimas eleições presidenciais (2010). Trabalho digno e educação contextualizada com qualidade, além de boa formação moral e familiar, podem prevenir muito mais o aborto do que a discussão estéril da época eleitoral.Posso estar equivocado a respeito do assunto em questão – e espero opiniões contraditórias para um bom debate –, mas mesmo sendo católico, compartilho com a ideia da retirada de símbolos religiosos de prédios públicos. E antes que me acusem, afirmo que a confusão é prejudicial a todos, inclusive para a autenticidade do catolicismo. O crucifixo é o símbolo da fidelidade do Redentor para com seu povo e do compromisso católico com a entrega total da vida em favor da dignidade divina do ser humano. Não vejo sentido nos casos em que um sinal de tal grandeza esteja exposto em ambientes onde, na maioria das vezes, os valores cristãos são maculados, negligenciados e profanados. A presença de um crucifixo numa sala política não pode se constituir para os católicos em simbologia triunfalista. Nossa missão é superior a isto. Nossa vocação é o Reino Definitivo. Ou como diz S. Paulo: “Pensai nas coisas do alto, e não nas coisas da terra” (cf. Colossenses 3,2).Também me coloco no lugar dos não católicos. Isto é uma exigência da catolicidade: pôr-se no lugar dos outros. Qual não deve ser o impacto para eles, que também pagam impostos e sustentam os lugares públicos assim como nós, em ver símbolos de outra fé, diferente da sua, privilegiados nos espaços que são de todos? Nossa suposta maioria católica no país não nos dá esse direito. O que acharíamos se um símbolo evangélico, budista ou do candomblé estivesse em destaque no Fórum ou na Câmara de Vereadores? Com certeza, não nos agradaria. O próprio mestre Jesus nos ensina: “Tudo que desejais que os outros vos façam, fazei-o também vós a eles…” (cf. Mateus 7,12).A separação entre Estado e Igreja foi um avanço para a sociedade. Permitiu à Igreja ser livre dos poderes do mundo para se dedicar à sua missão espiritual-social com altivez e independência. Também deu ao Estado a capacidade de atuar nas questões de sua competência sem oprimir as pessoas por seus credos e práticas religiosas. Evidentemente, não queremos, de forma alguma, nos tornar teocracias como algumas do Oriente Médio, onde os credos diferentes, em algumas situações, são perseguidos e proibidos.A fé católica pressupõe liberdade de opção e maturidade no seguimento de Jesus Cristo. Assim, com respeito e autenticidade, se formam os verdadeiros “discípulos e missionários” convocados a irradiar o Evangelho de vida e justiça no mundo.* Levon Nascimento exerceu o serviço pastoral de Conselheiro da Paróquia S. Sebastião de Taiobeiras/MG entre 2004 e 2008. -
Dia da Mulher: 80 anos do voto feminino no Brasil
Há 80 anos atrás a mulher conquistava o direito de votar no Brasil. Dois anos após, o direito de ser candidata. Hoje a mulher já conquistou até a Presidência da República. Mulheres alcançando a cidadania. Mas ainda falta muito. Feliz Dia Internacional da Mulher! -
Propaganda europeia anti-Brasil
Video de propaganda oficial da União Europeia (os pais do colonialismo que subjugou o mundo nos últimos 500 anos) prega união dos europeus contra “ameaça” chinesa, indiana e brasileira. No video, um chinês, um indiano e um brasileiro são destacados como ameças a uma mulher europeia que, apesar do medo, se multiplica em várias e domina os agressores. Clara propaganda xenófoba. A Europa mais uma vez… Sinal de que somos fortes.Veja o video. -
Urariano Mota: O extermínio das falas regionais na Globo

Boa ironia… Por Urariano Mota, em Direto da RedaçãoMais de uma vez eu já havia notado que os apresentadores de telejornalismo têm uma língua diferente da falada no Brasil. Mas a coisa se tornou mais séria quando percebi que, mesmo fora do trator absoluto do Jornal Nacional, os apresentadores locais, de cada região, também falavam uma outra língua. O que me despertou foi uma reportagem sobre o trânsito na Avenida Beberibe, no bairro de Água Fria, que tão bem conheço. E não sei se foi um despertar ou um escândalo. Olhem: http://globotv.globo.com/rede-globo/netv-1-edicao/v/falta-de-sinalizacao-em-avenida-movimentada-do-recife-traz-perigo-para-pedestres/1772082/Na ocasião, o repórter, o apresentador, as chamadas, somente chamavam Beberibe de Bê-Bê-ribe. O que era aquilo? É histórico, desde a mais tenra infância, que essa avenida sempre tenha sido chamada de Bibiribe, ainda que se escrevesse e se escreva Beberibe.Ligo para a redação da Globo Nordeste. Um jornalista me atende. Falo, na minha forma errada de falar, como aprenderia depois:– Amigo, por que vocês falam bê-bê-ribe, em vez de bibiribe?– Porque é o certo, senhor. Bé-Bé é Bebê.– Sério? Quem ensina isso é algum mestre da língua portuguesa?– Não, senhor. O certo quem nos ensina é uma fonoaudióloga.Ah, bom. Para o certo erram de mestre. Mas daí pude ver que a fonoaudióloga como autoridade da língua portuguesa é uma ignorância que vem da matriz, lá no Rio. Ou seja, assim me falou a pesquisa:“Em 1974, a Rede Globo iniciou um treinamento dos repórteres de vídeo… Nesse período a fonoaudióloga Glorinha Beuttenmüller começou a trabalhar na Globo. Como conta Alice-Maria, uma das idealizadoras do Jornal Nacional: “sentimos a necessidade de alguém que orientasse sua formação para que falassem com naturalidade”.Foi nesta época, que Beuttenmüller, começou a uniformizar a fala dos repórteres e locutores espalhados pelo país, amenizando os sotaques regionais. No seu trabalho de definição de um padrão nacional, a fonoaudióloga se pautou nas decisões de um congresso de filologia realizado em Salvador, em 1956, no qual ficou acertado que a pronúncia-padrão do português falado no Brasil seria do Rio de Janeiro”. (Destaque meu.)Mas isso é a morte da língua. É um extermínio das falas regionais, na voz dos repórteres e apresentadores. Os falares diversos, certos/errados aos quais Manuel Bandeira já se referia no verso “Vinha da boca do povo na língua errada do povo/ Língua certa do povo”, ganha aqui um status de anulação da identidade, em que os apresentadores nativos se envergonham da própria fala. Assim, repórteres locais, “nativos”, se referem ao pequi do Ceará como “pê-qui”, enquanto os agricultores respondem com um piqui.De um modo geral, as vogais abertas, uma característica do Nordeste, passaram a se pronunciar fechadas: nosso é, de “E”, virou ê. E defunto (difunto, em nossa fala “errada”) se transformou em dê-funto. Coração não é mais córa-ção, é côra-ção. Olinda, que o prefeito da cidade e todo olindense chamam de Ó-linda, nos telejornais virou Ô-linda. Diabo, falar Ó-linda é histórico, desde Duarte Coelho. Coisa mais bela não há que a juventude gritando no carnaval “Ó-linda, quero cantar a ti esta canção”. Já Ô-linda é de uma língua artificial, que nem é do sudeste nem, muito menos, do Nordeste. É uma outra coisa, um ridículo sem fim, tão risível quanto os nordestinos de telenovela, com os sotaques caricaturais em tipos de físicos europeus.Esse ar “civilizado”de apresentadores regionais mereceria um Molière. Enunciam, sempre sob orientação do fonoaudiólogo, “mê-ninô”, “bô-necÔ”, enquanto o povo, na história viva da língua, continua com miní-nu e buneco. O que antes era uma transformação do sotaque, pois na telinha da sala os apresentadores falariam o português “correto”, atingiu algo mais grave: na sua imensa e inesgotável ignorância, eles passaram a mudar os nomes dos lugares naturais da região.O tão natural Pernambuco, que dizemos Pér-nambuco, se pronuncia agora como Pêr-nambuco. E Petrolina, Pé-tró-lina, uma cidade de referência do desenvolvimento local, virou outra coisa: Pê-trô-lina. E mais este “Nóbel” da ortoépia televisiva: de tal maneira mudaram e mudam até os nomes das cidades nordestinas, que, acreditem, amigos, eu vi: sabedores que são da tendência regional de transformar o “o” em “u”, um repórter rebatizou a cidade de Juazeiro na Bahia. Virou JÔ-azeiro! O que tem lá a sua lógica: se o povo fala jUazeiro, só podia mesmo ser Jô-azeiro. -
PT completa 32 anos
O partido político mais vitorioso da história do Brasil e que está mudando este país para melhor completa em 11 de fevereiro 32 anos de fundação. -
Wernner Lucas: O que vi em Pinheirinho

Wenner Lucas O nosso conterrâneo taiobeirense Wernner Lucas, ativo militantes das causas populares, esteve no Pinheirinho, em São José dos Campos e, em seu blog, nos relata o que viu.“Desde domingo cedo, acompanhando as notícias sobre a reintegração de posse que estava ocorrendo em São José dos Campos (SJC), sinto-me profundamente abalado. Não suporto violência, discriminação e perversas demonstrações de violação aos direitos daqueles moradores, direito à cidade, à moradia, regularização fundiária, dignidade, e no mínimo, o direito que cada um tem de ser respeitado. Mas eu precisava ver de perto o que estava acontecendo, precisava ajudar no que fosse possível. Porque eu não consigo ficar parado enquanto algo tão grave acontece. E cedo peguei um ônibus rumo ao Vale do Paraíba, informando – via celular – meus amigos que também estão comovidos com a situação cruel e desumana que aquelas pessoas estão sendo expostas.”Continue a ler o relato do Wernner clicando aqui. -
Dilma tem recorde de popularidade, afirma Datafolha
No Blog do Luis NassifAprovação de Dilma supera a de Lula após primeiro anoA presidente Dilma Rousseff atingiu no fim do primeiro ano de seu governo um índice de aprovação recorde, maior que o alcançado nesse estágio por todos os presidentes que a antecederam desde a volta das eleições diretas, informa reportagem de Bernardo Mello Franco, publicada na Folha deste domingo.Segundo pesquisa Datafolha, 59% dos brasileiros consideram sua gestão ótima ou boa, enquanto 33% classificam a gestão como regular e 6% como ruim ou péssima.Ao completar um ano no Planalto, Fernando Collor tinha 23% de aprovação. Itamar Franco contava 12%. Fernando Henrique Cardoso teve 41% no primeiro mandato e 16% no segundo. Lula alcançou 42% e 50%, respectivamente.O Datafolha ouviu 2.575 pessoas nos dias 18 e 19 de janeiro. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. -
Poder "injusticiário"
Essa informação aqui abaixo corrobora minha tese intuitiva de que o pior de todos os poderes constituídos do Brasil é o Judiciário. Na verdade, não temos Justiça. Podemos afirmar que, salvo as honrosas excessões, temos um “injusticiário” (para os pobres e desvalidos). Leia:Marcos Mariano da Silva teve um enfarte enquanto dormia, após receber notícia de indenização
O ex-mecânico Marcos Mariano da Silva, de 63 anos, que passou 19 anos preso injustamente, morreu no início da noite de terça-feira (22), em sua casa, no bairro de Afogados, Recife, enquanto dormia. Ele teve um enfarte durante o sono, algumas horas depois de saber que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou recurso do governo de Pernambuco e determinou o pagamento da segunda parcela de uma indenização por danos materiais e morais. O valor total da indenização era de R$ 2 milhões. Ele já havia recebido metade em 2009.Marcos Mariano já esperava a decisão do STJ, que lhe foi repassada, por telefone, pelo seu advogado José Afonso Bragança Borges, por volta das 15 horas. “Foi como se ele tivesse aguardado a corroboração da sua inocência para poder morrer em paz”, afirmou o advogado que acompanhou a sua “agonia e luta para provar ser um homem digno e honrado”.
O ex-mecânico foi preso acusado de homicídio, em 1972, e solto seis anos depois, em 1982, quando o verdadeiro culpado foi preso. Três anos depois, em 1985, ele voltou à prisão – como foragido – depois de ter sido reconhecido por um policial, durante uma blitz, quando dirigia um caminhão.
Marcos Mariano penou mais 13 anos no cárcere sem que ninguém desse crédito à sua história. Pegou tuberculose e ficou cego depois de atingido por estilhaços de uma bomba de gás lacrimogêneo jogada pelo batalhão de choque da Polícia Militar durante uma rebelião no Presídio Aníbal Bruno. Um mutirão judiciário reconheceu a injustiça e ele voltou a viver em liberdade em 1998, quando entrou com a ação judicial contra o governo estadual.
Desde então, diante da consternação da opinião pública, ele passou a receber uma pensão mensal de R$ 1 mil do governo estadual que foi suspensa quando, em 2009, recebeu a primeira parcela da indenização. Marcos Mariano comprou uma casa, ajudou a família e passou a ter uma vida digna. Mas já não tinha alegria de viver, segundo o advogado, que se transformou em amigo: “Ele me dizia que vivia em um cárcere escuro e daria tudo para enxergar novamente”.
Abandonado pela mulher e 11 filhos depois de ser preso pela segunda vez, Marcos Mariano conheceu Lúcia, que acompanhava a mulher de um companheiro de cela nas visitas, e se casou com ela. Seu corpo, velado no cemitério de Santo Amaro, foi enterrado na tarde desta quarta-feira (23/11/2011).
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Lula agradece as mensagens de carinho e de apoio
Veja o vídeo que o ex-Presidente Luíz Inácio Lula da Silva (PT) gravou nesta terça-feira, 1º de novembro de 2011, na saída do Hospital Sírio-Libanês, onde fez a primeira sessão de quimioterapia para conter um câncer de laringe diagnosticado no sábado, 29 de outubro de 2011. Na mídia, o ex-Presidente agrade o apoio de todos os que enviaram mensagens desejando-lhe saúde e plena recuperação. -
Sobre Lula: Comentários cancerígenos

Luiz Inácio Lula da Silva Por Michel Blanco, nos Colunistas do Yahoo Brasil.A repercussão do câncer de Lula na internet remete ao clima de baixarias que inundaram as redes sociais nas eleições 2010. Não à toa. Lula é peça-chave no jogo político, e a boçalidade destampada no período eleitoral continua a ser alimentada à farta.O ex-presidente fez bem ao tornar logo público o tumor na laringe. Agiu com a transparência que se espera de quem deixou o Planalto com índice de aprovação de 87%. Não se trata apenas de um drama pessoal. Embaralha qualquer cenário que se vislumbre para as eleições municipais de 2012 e, obviamente, para a sucessão presidencial de 2014.É nesse contexto que desponta nas redes sociais a campanha “Lula, faça o tratamento pelo SUS”. Ela renova o ódio reacionário que marcou a disputa eleitoral do ano passado, em que o auge foi a exortação do afogamento de nordestinos em São Paulo.Lula poderia ir a um hospital público, como o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, mas preferiu o Sírio-Libanês, onde seus médicos trabalham – também ali se trataram de câncer o então vice-presidente José Alencar e a então chefe da Casa Civil Dilma Rousseff. Aliás, é desejável que ele não ocupe vaga de quem depende da rede pública de saúde.Por que a campanha para Lula se tratar pelo SUS? Só ressentimento e ignorância explicam tamanha estupidez. Algum mimimi se no lugar do petista estivesse um tucano de densa plumagem? E se Lula fosse ao Instituto do Câncer não receberia tratamento de ótima qualidade, como todos que lá estão? O mais curioso é ver que o sujeito que quer Lula num leito público também comemorou o fim da CPMF, cuja extinção beneficiou uma parcela de brasileiros que, da classe média para cima, deixaram de entregar 0,1% sobre o valor de cada movimentação financeira para a saúde pública.O ódio dessa minoria contra Lula escandaliza agora alguns de seus críticos sensatos na imprensa. Mas não se trata de cobrar comportamento decente de leitores, quando parte da mídia é responsável por fomentar essa raiva e dela se beneficia. Basta recordar como foi a cobertura do título honoris causa concedido a Lula pela Sciences Po.Choca que a galera vomite nas redes tanta escrotidão com a mesma — ou até mais — desinibição que em círculos íntimos. A parada, porém, é mais profunda. Não é uma questão de compostura, mas classe. Melhor, classes. Num clima que transborda o ódio de quem sente as referências de exclusividade social se esvair, ainda que muito, mas muito lentamente. -
Desejamos saúde a LULA e a todos(as)!
Ao melhor Presidente da República que este país (Brasil) já teve em sua história (2003-2010), que hoje (31/10/2011) inicia o tratamento quimioterápico contra um câncer de laringe, desejamos a Bênção de Deus, a saúde e a cura. E na pessoa dele, que simboliza tão bem o nosso Povo Brasileiro, estendemos nossos votos de recuperação a todos e todas que se encontram em situação similar. FORÇA LULA! FORÇA POVO BRASILEIRO! -
Contra a "Casa Grande" a memória da "Senzala"
Em tempos de comportamento “dor-de-cotovelo” e de “Casa Grande” da nossa mídia em Paris, quando os da “Senzala” são homenageados lá fora, nada melhor do relembrar nosso triste e vergonhoso passado escravocrata. -
Homenagens a Lula: "Pés na cozinha"

Lula recebe “Honoris Causa” na Sciences Po, na França * Por Walter Hupsel, no Yahoo Notícias.O ex-presidente Lula recebeu o titulo de Doutor Honoris Causa pelo Instituto de Ciência Política de Paris, a Sciences Po. Um titulo honorífico que é concedido por instituições de ensino respeitadas àqueles que, de certa maneira, fizeram algo que as instituições acreditem ser relevante. E a Sciences Po julgou que Lula fez algo de relevante e mereceu o título. Muita gente e instituições pelo mundo têm o mesmo julgamento. “O cara”, como já foi chamado, foi homenageado em dezenas de lugares ao redor do mundo. Mas uma parte da imprensa brasileira não vê motivo. Eles enxergam vários problemas do governo Lula e nenhum mérito (ok, para esta parte da imprensa o grande “plus” de Lula foi não ter feito nada exceto continuar as políticas do príncipe FHC). Valorizar é, por definição, uma ação subjetiva e, como tal, pessoal e intransferível. Se ela, esta parte da imprensa, não vê valores positivos no governo Lula, mais do que normal. Entretanto, como bem retratou o jornal argentino Página 12, a imprensa daqui se portou como escravocrata. As perguntas que questionavam a escolha do ex-presidente do Brasil para o título de Honoris Causa foram, no mínimo, rudes. Como alguém que se orgulha da falta de educação formal pode ser Doutor Honoris Causa? Como pode laurear alguém que chamou Kaddafi de “irmão”? Além de mostrar total desconhecimento da homenagem (Honoris Causa é honraria, oras, e não um título de mérito acadêmico), mostraram também ignorância sobre política. Afagos, fotos, sorrisos para a câmera e gentilezas, além é claro dos interesses, fazem parte da política interna e externa. Chamamos isso de realpolitik (procurem por fotos do mesmo Kaddafi com Clinton, Condoleeza Rice, Sarkozy e perceberão o tamanho da ignorância da pergunta). Eu vou além. Não foram apenas ignorantes e rudes. Foram também um misto de arrogância e daquilo conhecido como “complexo de vira-lata”. Uma repórter do Globo questionou do por quê escolherem Lula e não FHC. Se os dados econômicos e sociais não falassem por si, e se a pergunta não demonstrasse a escancarada preferência política da repórter, a indagação do jornal ansiava por um endosso da Sciences Po ao príncipe da sociologia e poliglota FHC, como se dissesse: este merece ser homenageado por vocês, ter seu trabalho reconhecido, um grande presidente, cultíssimo e que, como brasileiro, tem um pé na cozinha. Questionava, portanto, aquilo que é subjetivo e, ao mesmo tempo, pediam um carimbo parisiense de “aprovado” ao ex-presidente-sociólogo, afinal o que é gringo é sempre melhor que o que é nacional, tupiniquim. Um pé na cozinha não foi suficiente para a laurear FHC. Não foi a honraria concedida a Lula pelo seu governo que incomodou tanto, foram seus dois pés de Lula no cômodo dos fundos. -
Dilma é a 1ª mulher na história a abrir Assembleia da ONU

Dilma discursa na ONU * Matéria via e-mail do Diretório Nacional do PTRepresentantes de diversos países assistiram hoje, pela primeira vez na História, ao discurso de uma mulher na abertura do Debate Geral da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). A presidenta Dilma Rousseff tratou de uma série de temas como representatividade das mulheres, crise econômica, reforma do Conselho de Segurança da ONU, Palestina e meio ambiente.A presidenta afirmou ter certeza de que este será o século das mulheres. “Pela primeira vez na história das Nações Unidas, uma voz feminina inaugura o Debate Geral. É a voz da democracia e da igualdade se ampliando nesta tribuna que tem o compromisso de ser a mais representativa do mundo”, disse. Após Dilma, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, discursou na ONU.
Leia aqui a íntegra do discurso.
Assista ao vídeo com a fala de Dilma na abertura da assembleia das Nações Unidas.
Veja também:
Dilma abre a Assembleia Geral da ONU
Promover os direitos humanos é combater a discriminação
Uso de redes digitais é essencial para governos mais transparentes -
Newsweek destaca Dilma na capa da próxima edição
Da Agência Estado no Yahoo NotíciasA presidenta Dilma Rousseff é capa da próxima edição da revista ‘Newsweek’ internacional e da edição nacional americana. A revista deve chegar às bancas nesta semana. Com o título ‘Don’t mess with Dilma’ (em tradução literal ‘Não mexa com a Dilma’), a reportagem principal aborda o governo, a história política e também a vida pessoal da presidenta.A revista cita detalhadamente o crescimento econômico do Brasil e a participação de Dilma nesse processo de mudanças, iniciado com a gestão Lula. O assunto é endossado pela frase do presidente dos EUA, Barack Obama, quando esteve no Rio de Janeiro em março deste ano, dizendo que o Brasil era o país do futuro. Dilma será a primeira mulher a abrir uma Assembleia Geral da ONU, fato descrito como positivo e influente.Na matéria, a presidenta afirma saber do potencial brasileiro e pergunta ao repórter da ‘Newsweek’ se ele sabe qual é a diferença entre o Brasil e o resto do mundo. A própria Dilma responde dizendo que, em nosso País, os instrumentos de controle políticos existentes são fortes o bastante para combater um crescimento mais lento ou até a estagnação da economia mundial – diferente de outros países. Segundo Dilma, o Brasil pode cortar as taxas de juros porque fez empréstimos cautelosos e tem um Banco Central rígido.A presidenta Dilma Rousseff vai receber o prêmio Woodrow Wilson Public Service Award, na próxima terça-feira, 20, em jantar no Hotel Pierre, em Nova York. A premiação também já foi concedida a Lula, em 2009. -
Independência do Brasil

“Aqui se vive intensamente.
Os corpos possuem a vibração vinda
da própria atmosfera” (foto: Getty Images)Releia ou leia o artigo que escrevi há um ano sobre a INDEPENDÊNCIA DO BRASIL. Clique aqui.Leia também este excelente artigo do ex-Governador de São Paulo, Cláudio Lembro (DEM).Viver a VidaNenhuma notícia na imprensa pátria. Desconhecimento absoluto. Como se nada houvesse acontecido. No entanto, ocorreu. Uma onda de suicídios de executivos varre a França.A França é o país europeu onde mais se verificam atos de morte voluntária. Todos os anos, mais de cento e sessenta mil pessoas atentam contra a própria vida. Doze mil morrem. O caso francês, com situações correlatas em outros países da União Europeia, indica uma situação social de anormalidade. A Europa encontra-se esgotada. O velho continente já não aponta para novas conquistas intelectuais ou materiais. Está em processo de fragilização. No entanto, muitos brasileiros ainda ficam extasiados quando se referem à Europa. São incapazes de perceber que o vento do novo sopra sobre a América Latina, apesar das aparências por vezes em contrário. É neste continente – exatamente o Novo Mundo – onde se realizam as grandes mudanças.Após anos de colonização direta e mental, os latino-americanos compreenderam a importância de se debruçar sobre as próprias raízes e captar a seiva que vem desta experiência. Já não há menosprezo para os autóctones. Ser descendente dos colonizadores ibéricos já não é importante. Leva-se em consideração, na atualidade, o saber viver os valores locais.Durante séculos, a História dos povos latino-americanos foi contada de acordo com a ótica do colonizador. Tudo era visto, a partir das descrições dos padres missionários. A situação mudou. Os antigos manuais utilizados nos confessionários foram postos de lado. O pesado complexo de culpa que era disseminada na sociedade foi superado.Hoje, nos trópicos e subtrópicos vive-se mais espontaneamente. De acordo com a natureza e de conformidade com valores elaborados, por aqui, no decorrer dos séculos. Os surtos de melancolia que percorrem a Europa não atingem as praias do Atlântico Sul ou do Pacífico austral. Novas formas de convivência brotaram abaixo do Equador, de maneira acentuada no Brasil. Não recebemos os acordes tristes do fado. Ficamos com os ritmos vibrantes da África. Admiramos a capoeira e a transformamos no balé das terras do Sol.Tudo isto parece mero ufanismo. Talvez seja. É incontestável, contudo, que se vive, nestas terras ensolaradas, de maneira diferente de nossos ancestrais europeus. Eles trouxeram as velhas tradições de culto aos mortos. Ergueram cemitérios grandiosos. A morte se encontrava presente em todos os aspectos do cotidiano. Nada, porém, menos presente nos costumes nacionais que a morte. Diferente de outros povos, onde o culto à morte é fundamental, os brasileiros amam a vida.Querem viver e deixar viver. A dramática onda de suicídio presente na França, dificilmente ocorreria por aqui. As pessoas contam, aqui, com tantos desafios. Estes geram otimismo espontâneo. É importante que os brasileiros, especialmente aqueles que se orgulham de suas posições acadêmicas, exponham mais sobre o Brasil e suas qualidades.São poucos os mestres que buscam na História do Brasil base para suas aulas. Gostam de mostrar erudição. Citar autores nacionais parece pouco qualificado. São os intelectualmente colonizados. Precisam se libertar das amarras com o velho continente sem vigor. A nostalgia não é sentimento presente na alma brasileira. Aqui se vive intensamente. Os corpos possuem a vibração vinda da própria atmosfera. É preciso entender as exigências de nossa sociedade sob pena de alienação.Os dramáticos suicídios disseminados entre os franceses demonstram um esgotamento de energia no espaço europeu. Vamos aproveitar a energia de nossa gente e construir novas formas de convivência.







