Tag: Chuva

  • Chove, chuva! por Levon Nascimento

    Chove, chuva! por Levon Nascimento

    A última vez que vi tanta chuva aqui no Alto Rio Pardo (Norte de Minas Gerais) foi há 30 anos, entre 1991 e 1992. Naquela época, pontes caíram, barragens se romperam, os rios Salinas e Pardo invadiram suas respectivas cidades homônimas, casas e muros das pessoas mais pobres tombaram em toda a região. Idem no Sudoeste e Sul da Bahia.

    Três décadas depois, com tantos sofrimentos e secas nesse intermédio, ainda não aprendemos a nos preparar para receber este bem tão precioso.

    É fato que o sertão ressequido pela própria natureza e, agora, pela ganância e imprudência humanas, precisa de chuva, muita chuva! Tanto que ao período das águas, diferentemente de outros lugares, chamamos de “tempo bom”.

    Porém, é evidente que é necessário frear o desmatamento, desassorear o leito dos rios, investir nas barraginhas de contenção, construir reservatórios sustentáveis, melhorar a qualidade das residências de baixa renda e promover uma urbanização que comporte as águas pluviais.

    O que se vê no Sul e Sudoeste da Bahia, Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha, é uma benção convertendo-se em tragédia. Isso desnuda a crônica falta de planejamento estratégico dos diferentes níveis do Estado brasileiro e a inexistência de políticas públicas de contenção de desastres naturais.

    Precisamos de chuvas, sempre! Mas necessitamos também de planejamento e gestão, de modo a recebê-las como a dádiva que realmente são.

  • Taiobeiras: muita chuva no dia do padroeiro, S. Sebastião

    Procissão de S. Sebastião em Taiobeiras/MG

    Chuva intensa, necessária e esperada em Taiobeiras (Alto Rio Pardo, norte de Minas) neste 20 de janeiro, dia da memória litúrgica de São Sebastião, mártir do terceiro século cristão, padroeiro da cidade.

    Se há ou não coincidência, fica por conta de quem acredita ou não. Importante é que, com a chuva, o risco iminente da falta d’água se dissipa por um tempo. No entanto, é necessário que, para além da fé, as pessoas se mobilizem para encontrar diversas soluções de convivência com a seca períodica no Alto Rio Pardo, quais sejam:
    * Recuperação das matas ciliares nos diversos rios e demais cursos d’água;
    * Construção de médias e pequenas barragens, para estoque de água e perenização dos rios e córregos;
    * Educação popular para evitar o desperdício de água;
    * Responsabilização de empresas (Copasa) e órgãos de governo (prefeitura, estado e União) para a solução dos problemas graves de construção e manutenção em boas condições dos reservatórios de água, sobretudo para os momentos mais agudos de crise.

    Salve, São Sebastião! Salve a chuva! Salve o Povo que se organiza.

  • Taiobeiras: celebrar a chuva no Santo Cruzeiro dos Martírios

    Conjunto histórico-cultural do Santo Cruzeiro dos Martírios
    (Taiobeiras/MG) e a chuva, em foto de
    02 de novembro de 2012.

    A chuva demorou. Mas chegou. Conforme a devoção. Embora a ciência meteorológica também a previsse. Mas valeu (e vale) a fé do povo. Deveria também valer o planejamento estratégico e a longo prazo por parte de quem tem poder.

    Assim sendo, vamos comemorá-la (a chuva). Nada melhor do que celebrar as benesses do céu neste lugar (da foto) onde há mais de 100 anos os sertanejos-geraizeiros, do mesmo sofrimento da seca cruel, mas de inquebrantável fé, faziam suas promessas e penitências, piamente esperando pela chuva. Chuva que molha a terra e a fecunda. Que produz os frutos. Que nos dá o pão. Que sacia nossa sede de justiça e enternece nossas ressequidas relações humanas.

    Celebremos a chuva, dom de Deus (necessidade do Ser Humano) no Santo Cruzeiro dos Martírios (Taiobeiras/MG), debaixo do velho Pequizeiro sesquicentenário, com a Capelinha de Todos os Santos por testemunha. Celebremos a vida que, a despeito da chuva ter vindo no dia de Finados, se renova, transborda e deseja, ardentemente, continuar vivendo.

    Para saber mais sobre o Santo Cruzeiro dos Martírios, clique nos seguintes links:
    1. Re-sacralizar nossa cultura;
    2. História de Taiobeiras: O Santo Cruzeiro dos Martírios;
    3. Taiobeiras: Santo Cruzeiro dos Martírios.

  • Chuva e "Balada da Caridade"

    Chuva o dia inteiro aqui no sertão de Minas. Muito bom! Precisamos de água! No entanto, a chuva me relembra uma canção “de igreja” bastante conhecida. Um canto que motiva a contemplar nos sinais da vida a necessidade a que muitos estão expostos, especialmente os mais pobres, os excluídos dos bens necessários à vida com dignidade. Antiga? Não. Atualíssima por este mundo a fora. Confira a “Balada da Caridade”


    Balada da Caridade
    Composição: Gomes/Ribeiro

    Para mim a chuva no telhado
    É cantiga de ninar
    Mas o pobre meu Irmão
    Para ele a chuva fria
    Vai entrando em seu barraco
    E faz lama pelo chão

    Como posso
    Ter sono sossegado
    Se no dia que passou
    Os meus braços eu cruzei?

    Como posso ser feliz
    Se ao pobre meu Irmão
    Eu fechei meu coração
    Meu amor eu recusei? (bis)

    Para mim o vento que assovia
    É noturna melodia
    Mas o pobre meu irmão
    Ouve o vento angustiado
    Pois o vento, esse malvado
    Lhe desmancha o barracão