Tag: consumismo

  • A cultura do descarte

    A cultura do descarte

    O consumismo é consequência direta do capitalismo, que é o grande “demônio” dos tempos de hoje. Diferentemente da satisfação das necessidades fundamentais, o consumo excessivo é artificialmente estimulado e doentiamente estabelecido para enriquecer uns poucos, às custas da destruição inconsequente de todos e de tudo. Do consumismo das coisas, nasce a cultura do descarte das pessoas, que é ainda pior. Está presente em todos os lugares e situações.

    Nos ambientes mais ligados à economia do capital, empregos, mídia, comércios, relações de trabalho, nem se fala! Você vale enquanto produz. Pode ser o mais destacado e proativo “colaborador”, o mais brilhante “empreendedor”, o artista mais talentoso. Adoeceu, ficou ansioso, angustiado, tirou licença, caiu um pouco de produção… torna-se objeto para refugo.

    Pior é na família, nas comunidades e movimentos da Igreja, nas amizades… Não se iluda! O descarte também ocorre sem cerimônia nesses espaços “virtuosos”, onde o discurso da preocupação com a salvação do próximo faz parte do repertório. Assimilaram os piores exemplos da sociedade do capital. O esquecimento é praxe. Você e eu estamos a passar por isso. A lata de lixo do ostracismo está reservada para nós.

    É a obsolescência das relações humanas imitando à das coisas. Gente que não presta mais. O meio ambiente natural e o social poluídos pelo desenfreio do consumo, consumindo-se. Isso é real, cruel e anticristão.

    Se quisermos ter futuro, viver e ser felizes, mais do que votos de feliz ano novo, precisamos enfrentar o capitalismo e sua cultura de descarte, em todas as dimensões.

  • Taiobeiras: valer pelo quem tem ou pelo que é?

    Ser ou Ter?

    Publicado inicialmente no site de relacionamentos Facebook e transcrito paro o Blog:

    Pensa num lugar onde a pessoa vale pelo que tem e não pelo que é. Uma terra onde as aparências significam muito mais que o conteúdo. Este aqui. Sim, este aqui mesmo!

    Mesmo assim, eu teimo em querer contribuir para melhorá-lo. E não me arrependo. A cada dia, mais pessoas “acordam” e tomam consciência de que é preciso superar o “superficial” e abraçar o “perene”.

    De minha parte, assumo a missão do pequeno beija-flor que leva um pingo d’água no bico e o despeja sobre o grande incêndio na floresta, enquanto os demais animais, de braços cruzados, apenas observam irônicos. Ainda assim, o beija-flor insiste. Ele faz a sua parte na grande tarefa da vida: “só é alguém, de verdade, aquele a serviço dos outros”.

  • Artigo do Levon: Consumo, logo sou?

    O modo de produção capitalista, em sua ditadura do consumo, é pródigo em tecnologias supérfluas e descartáveis. Tudo para nos fazer sentir vontade daquilo que não necessitamos. Não há freios para a indução. Todos os dias, novidades são lançadas no mercado. O objetivo não é o bem estar da pessoa humana. A meta é, sempre e mais, o acúmulo do capital e o enriquecimento de poucos indivíduos (e de seus respectivos grupos econômicos), num mundo onde bilhões de homens, mulheres, idosos e crianças são tratados como meros fantoches em suas mãos.

    O discurso e a propaganda conduzem as mentes e os corações de todos, especialmente dos mais jovens, não para os verdadeiros exercícios da sabedoria e do discernimento, mas para a alienação e a cobiça. Diariamente escutamos e vemos:
    – “Compre!”;
    – “Você não pode deixar para depois, compre agora!”;
    – “Seja feliz, peça já para o seu pai ou a sua mãe!”;
    – “Você precisa!”.

    Será que precisamos mesmo? No capitalismo, a única coisa que interessa é que o ser humano se transforme em nada mais do que um CONSUMIDOR. Você só é gente se consumir. Consumir, eis o verbo mágico dos tempos em que vivemos. “Consumo, logo sou”, poderia se dizer, parafraseando o grande filósofo Descartes. A pessoa só é vista como gente quando se porta como uma grande compradora e devoradora de bens de consumo.

    Você só é gente se consumir???
    O ser humano está se reduzindo à condição parasitária como um grande produtor de reservas de lixo, fruto do consumo desenfreado, frenético e sem planejamento. A moda e os modismos nos induzem e incutem em nós o desejo irrefreável de comprar, usar e descartar. Novamente, comprar, usar e descartar. E assim por diante, comprar, usar e descartar.

    Está chegando o dia em que a Terra, nossa casa e nossa mãe, não aguentará tanto descarte, tanto lixo, tanta cultura de morte e tanta moda de destruição voraz.

    O que é luxo para poucos se torna lixo para milhões
    Enquanto uns consomem muito, até aquilo de que não têm necessidade premente, outros, como nas periferias das cidades e do mundo, passam fome, frio e sofrem das mais variadas doenças, além de estarem sujeitos às intempéries climáticas resultantes da própria má-ação humana sobre o meio ambiente.

    Reflitamos: Que nosso consumo seja controlado e dentro do necessário para suprir a existência. Sejamos seres humanos livres. Libertos e independentes, porque há algo em nosso coração. Não mais escravos dos produtos descartáveis com os quais enfeitamos nosso corpo e nossa alma! Mais do que aparência consumista e artificial, tenhamos consistência e conteúdo interior.