Tag: Cultura

  • Norte de Minas: Um Brasil profundo entre cerrados, sertões e fronteiras

    Norte de Minas: Um Brasil profundo entre cerrados, sertões e fronteiras

    Este texto é um artigo de opinião construído a partir da reflexão sobre os estudos de João Batista de Almeida Costa e Geová Nepomuceno Mota, considerando os conteúdos de Norte de Minas: Cultura Catrumana, Suas Gentes, Razão Liminar (COSTA, 2021), Fronteira regional no Brasil: o entre-lugar da identidade e do território baianeiros em Minas Gerais (COSTA, 2002) e O fenômeno religioso da romaria sob a perspectiva da fé cristã: a romaria ao Santuário de Bom Jesus da Lapa (MOTA, 2012). A abordagem tem por objetivo promover um olhar sensível e crítico sobre o Norte de Minas, suas gentes e seus territórios, respeitando as referências dos autores citados.

    Por Levon Nascimento

    Quando se fala em Minas Gerais, o imaginário nacional costuma evocar as montanhas históricas, o ouro colonial, as cidades barrocas e a mineiridade da prosa mansa. Mas quem olha para o mapa percebe que, ao Norte, Minas guarda um território diferente, um sertão que não se encaixa nos estereótipos das Gerais. O Norte de Minas é outra coisa. É mistura de cerrado e caatinga, de Minas e Bahia, de catrumano e baianeiro. “É um sertão de múltiplas vozes, marcado por fronteiras simbólicas e sociais, onde se misturam o vaqueiro e o lavrador, o catrumano e o baianeiro, o religioso e o profano” (COSTA, 2021).

    Escrever sobre o Norte de Minas é, portanto, falar do Brasil profundo. Daquele Brasil que as capitais não enxergam, mas que resiste com teimosia às injustiças históricas. É falar de um povo que conhece a dureza da terra, o tempo da seca e o tempo da esperança. Que celebra a vida nos batuques dos quilombos, nas rodas de São Gonçalo, nas romarias ao Bom Jesus da Lapa/BA. “As práticas dos romeiros revelam a força da religiosidade popular nordestina e sertaneja, que transita entre o catolicismo oficial e as expressões locais de devoção, muitas vezes permeadas por elementos mágicos e simbólicos” (MOTA, 2012). “É um Brasil que, como disse Guimarães Rosa, ‘ajunta de tudo, os extremos, delimita, aproxima, propõe transição, une ou mistura: no clima, na flora, na fauna, nos costumes, na geografia, lá se dão encontro, concordemente, as diferentes partes do Brasil’” (ROSA, 1978 apud COSTA, 2002).

    O Norte de Minas nunca foi prioridade no projeto mineiro. Durante séculos, a política e a economia do estado giraram em torno do ouro, do café e das cidades históricas. Enquanto isso, o Norte ficou relegado ao esquecimento, visto como periferia, como sertão inóspito, como problema a ser resolvido ou ignorado (COSTA, 2021).

    Mas essa exclusão não foi apenas econômica. Ela também foi simbólica. “O Norte de Minas é ‘o outro’ dentro de Minas. Seus habitantes carregam o estigma de não serem os mineiros típicos. Falam diferente, comem diferente, rezam diferente. São chamados de baianeiros, como se fossem quase baianos, quase nordestinos, quase mineiros” (COSTA, 2002). Essa identidade liminar – entre ser e não ser – é, na verdade, uma riqueza cultural, mas o preconceito insiste em tratá-la como desvio.

    O Norte de Minas é, historicamente, um território de fronteira. Não apenas uma linha no mapa, mas um lugar onde culturas se misturam e se reinventam. “Durante a colonização, o sertão foi palco de conflitos entre a Bahia e Minas, disputa que terminou com a anexação do território norte-mineiro à capitania das Minas Gerais no século XVIII” (COSTA, 2002). Desde então, essa região carrega em si a marca da fronteira, do entre-lugar, da encruzilhada.

    Essa condição fronteiriça molda o jeito de ser das pessoas. O baianeiro – como se autodenomina boa parte da população – sabe transitar entre as tradições mineiras e nordestinas. Nas feiras, ouve-se o forró e o aboio, mistura-se o feijão tropeiro com o mocotó, o baião com o frango com pequi. “É o sertão em sua síntese, uma cultura plural e viva, que resiste mesmo diante das ameaças do agronegócio e da monocultura que avança sobre os Gerais” (COSTA, 2021).

    Se há algo que une esse povo, além da terra, é a fé. A religiosidade popular no Norte de Minas é um traço fundamental da identidade regional. E ela não é a fé do altar de ouro das catedrais, mas a fé do chão de terra batida, dos terços rezados em roda, das promessas feitas nas estradas de poeira. “É a fé do romeiro que sai de casa com o bornal nas costas, atravessa o sertão e vai até o Bom Jesus da Lapa, levando esperança e pagando promessas” (MOTA, 2012).

    A romaria é, mais do que um evento religioso, um ritual de pertencimento. “Quem vai à Lapa, vai também para reencontrar os seus, para reafirmar a própria existência diante do sagrado e da sociedade” (MOTA, 2012). É um ato de resistência cultural, um modo de dizer: “nós existimos, com nossa fé, nossa cultura e nosso jeito de viver”.

    Apesar de sua riqueza cultural, o Norte de Minas continua sendo uma das regiões mais vulneráveis do Brasil. A pobreza, a seca e a falta de políticas públicas ainda marcam a paisagem. Mas essa realidade não é sinônimo de passividade. “As comunidades tradicionais da região – quilombolas, geraizeiros, veredeiros, apanhadores de flores, indígenas Xakriabá – vêm se organizando para afirmar seus direitos e preservar seus modos de vida” (COSTA, 2021).

    O batuque ressoa como denúncia e celebração. As festas, as danças, as folias de reis, os Catopês, Marujos e Caboclinhos de Montes Claros, as Camponesas e Margaridas de Taiobeiras, as práticas agrícolas sustentáveis e os modos de cuidar da terra são parte de uma luta maior: a de permanecer no território, enfrentando o avanço do agronegócio e a lógica do capital que vê o cerrado apenas como commodity.

    O Norte de Minas é o Brasil profundo. É a síntese de um país marcado por contradições, fronteiras e encontros. Não podemos continuar a ignorar essa região como se fosse um apêndice esquecido de Minas Gerais ou do Nordeste.

    Ouvir as vozes do sertão norte-mineiro é essencial para entender o Brasil real. “Um Brasil que vive nas veredas, nos currais, nas romarias, nos batuques e nas lutas diárias pela dignidade” (COSTA, 2021). Como disse João Batista de Almeida Costa, “não se trata de romantizar o sertão, mas de reconhecer as gentes que ali vivem e resistem” (COSTA, 2021).

    O Norte de Minas não é apenas um lugar no mapa. É um território de memória, cultura e esperança. E, mais do que nunca, merece ser ouvido, respeitado e incluído.

    REFERÊNCIAS:

    COSTA, João Batista de Almeida. Norte de Minas: cultura catrumana, suas gentes, razão liminar. Montes Claros: Editora Unimontes, 2021.

    COSTA, João Batista de Almeida. Fronteira regional no Brasil: o entre-lugar da identidade e do território baianeiros em Minas Gerais. Sociedade e Cultura, v. 5, n. 1, p. 53-64, 2002.

    MOTA, Geová Nepomuceno. O fenômeno religioso da romaria sob a perspectiva da fé cristã: a romaria ao Santuário de Bom Jesus da Lapa. Montes Claros: Editora Unimontes, 2012.

    ROSA, João Guimarães. Grande sertão: veredas. 10. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1976.

    FOTOGRAFIA:

    SANTOS, Eliana Alves dos. As Camponesas de Taiobeiras. 2024. Disponível em: https://www.facebook/eliana.alvesdossantos.94. Acesso em: 16 jul. 2025.

  • SOB O PEQUIZEIRO SAGRADO: a epopeia do Cruzeiro que trouxe a chuva

    SOB O PEQUIZEIRO SAGRADO: a epopeia do Cruzeiro que trouxe a chuva

    Tentei transformar em prosa as 164 sextilhas de Hermínio Miranda Costa, publicadas em 1997 sob o título Santo Cruzeiro dos Martírios, sobre o monumento de mesmo nome, em Taiobeiras. Eis o resultado:


    O sol do Alto Rio Pardo não dava trégua. Era 1897, e a seca mais cruel em décadas transformara os gerais de Taiobeiras num deserto de poeira e silêncio. O gado tombava nas cercanias da Taboca, as veredas secaram e os olhos do povo, acostumados à esperança, viam seus sonhos virarem areia.

    Foi então, sob a sombra retorcida de um pequizeiro antigo, árvore sagrada do sertão mineiro, que os moradores se reuniram e fizeram uma promessa ousada, quase desesperada:

    “Se Deus nos mandar chuva, ergueremos um Cruzeiro santo onde a estrada para Matrona cruza o descampado!”

    Homens de barba grisalha, mulheres com crianças no colo, jovens de olhos úmidos de fé: todos partiram em romaria. Vieram a pé, das roças distantes, carregando pedras na cabeça, botijas d’água nas costas, flores nas mãos e esperança no coração. Caminharam do Coqueiro, onde as cacimbas já tinham secado; do Catolé, trazendo imagens de santos em panos vermelhos; e do Curral Queimado, com os pés sangrando entre pedregulhos.

    Até os bravos do Mato Grosso, em Rio Pardo de Minas, atravessaram léguas e léguas sob um céu de chumbo, trazendo nos ombros imagens santas, madeiras e um sonho coletivo. À frente, João Velho conduzia o terço, sua voz rouca rompendo o silêncio dos gerais:

    “Não é esmola que pedimos, Senhor…
    É justiça para a terra!”

    Quando chegaram ao descampado marcado pela fé, o milagre começou a acontecer. No exato momento em que ajoelharam na terra rachada, uma brisa fresca, improvável, quase impossível, soprou entre eles. Parecia um suspiro dos próprios gerais, aliviados pela devoção do povo.

    Ali mesmo, com as mãos calejadas de quem sabe manejar enxada e esperança, começaram a erguer o madeiro santo. Clementino, carpinteiro de Salinas, liderou o trabalho. Seu serrote, como quem esculpe a fé, moldava a cruz enquanto o povo cantava:

    “Madeiro pesado, dor redimida…
    Cravaremos aqui a nossa vida!”

    No dia 2 de julho de 1897, enquanto o sol se escondia atrás de nuvens escuras, o Cruzeiro dos Martírios foi fincado no chão ressequido. Dizem os mais velhos que, na mesma hora, Zezinho Costa selou o casamento ali mesmo, e as primeiras gotas de chuva tocaram a testa das crianças: bênção para quem espera com paciência de sertanejo.

    Mas o verdadeiro milagre estava nos símbolos pendurados na cruz: os cravos, lembrando o sofrimento que se transforma em esperança; a coroa de espinhos entrelaçada com flores de sempre-viva; e a escada de José de Arimateia, porque naquele instante, o céu encontrou o chão, ao alcance dos humildes do sertão.

    Anos depois, quando a seca voltou a ameaçar, o povo retornou em procissão. Desta vez, já havia uma igrejinha, construída por Dona Josefa, que doara o terreno. Durante um temporal, as paredes de barro desabaram, mas a imagem de Nossa Senhora do Amparo permaneceu intacta entre os escombros – sinal claro de que a fé resiste até às tempestades.

    Em 1997, no centenário do Cruzeiro, a cidade celebrou com foguetes e missa campal. O vigário, erguendo a voz ao vento, anunciou:

    “Esta cruz é testemunha!
    Enquanto o geraizeiro tiver coragem de semear em terra seca e esperar a chuva, o sertão viverá!”

    E nas noites de lua cheia, quando o vento varre o cerrado em silêncio, alguns juram ouvir sussurros. São as 164 sextilhas de Hermínio Miranda, poeta geraizeiro, que eternizou em versos a coragem de um povo que nunca deixou de acreditar.

  • 13 de maio: Por que Maria é importante para a humanidade?

    13 de maio: Por que Maria é importante para a humanidade?

    A figura de Maria, mãe de Jesus, transcende fronteiras religiosas e temporais, consolidando-se como um dos pilares mais complexos e inspiradores da espiritualidade ocidental. Sua relevância histórica não se restringe ao papel biológico de dar à luz o Cristo, mas se expande em camadas teológicas, sociais e culturais que a tornam um arquétipo universal. No contexto do 13 de maio de 2025, data que celebra Nossa Senhora de Fátima, refletir sobre sua importância exige um olhar que integre tradição e contemporaneidade, dogma e humanidade.

    1. A teologia clássica: mãe de Deus e nova Eva

    Na teologia cristã, Maria é definida como Theotokos (Mãe de Deus), título consolidado no Concílio de Éfeso (431 d.C.), que enfatiza sua centralidade no mistério da Encarnação (Arquidiocese de Uberaba). Os Padres da Igreja, como Irineu de Lyon, a viram como a “Nova Eva”, cujo “sim” ao anjo Gabriel reparou a desobediência da primeira mulher (Rosary Center). Essa perspectiva a coloca não apenas como protagonista da salvação, mas como mediadora graciosa, ponte entre o divino e o humano. Dom Leonardo Steiner, citado pelo IHU, reforça que em Maria “encontramos respostas” para inquietações existenciais, pois sua disponibilidade a Deus a torna modelo de fé ativa.

    2. A mariologia feminista: entre a revolução e a tradição

    A teologia feminista, porém, desafia visões tradicionais que reduziram Maria a um ícone passivo de pureza. Analisando criticamente sua figura, teólogas recuperam sua agência: ela foi uma mulher judia que enfrentou riscos sociais ao aceitar uma gravidez fora dos padrões (James Tabor, IHU). Para Michele Giulio Masciarelli (IHU), Maria é “mais jovem do que o pecado”, não por negação da realidade, mas por sua coragem em abraçar um projeto disruptivo. Essa releitura a transforma em símbolo de resistência, especialmente em contextos onde mulheres são marginalizadas. Como afirma o IHU, “num momento da história, o centro de tudo está numa mulher”, ecoando a ideia de que Maria personifica a força do feminino sagrado.

    3. Maria pós-Vaticano II: humanidade e universalidade

    O Concílio Vaticano II (1962-1965) reposicionou Maria como “membro eminente da Igreja”, evitando excessos devocionais que a divinizavam. O Papa Francisco, conforme destacado pelo IHU, lembra que “Maria é mãe, não deusa”, reafirmando sua humanidade. Essa abordagem ressalta sua trajetória terrena: uma mãe judia que viveu dúvidas, dores e alegrias, como qualquer pessoa. Leonardo Boff, em A Porção Feminina de Deus, assinala que Maria revela a face materna do Divino, integrando o feminino na compreensão do sagrado. Sua história, assim, torna-se acessível a todos, independentemente de credo.

    4. Maria na pós-modernidade: respostas a uma crise de sentido

    Em meio à fragmentação pós-moderna, Maria emerge como figura de reconciliação. Artigos do IHU (Instituto Humanitas Unisinos) destacam que sua “glorificação” não a distancia da realidade, mas a aproxima das crises humanas. A poesia de Pedro Casaldáliga, que a transforma em “todas as mulheres”, ilustra como sua imagem transcende o religioso, simbolizando esperança para os oprimidos. Ela é, nas palavras de Casaldáliga, a mãe dos sem-terra, das viúvas, dos excluídos — uma metáfora da compaixão ativa.

    Maria: espelho do humano e do divino

    Maria não é importante apenas por quem gerou, mas por quem ela foi: uma mulher que encarnou paradoxos — humilde e revolucionária, silenciosa e profética, humana e transcendente. Sua história desafia dogmas estéreis e convida a uma espiritualidade encarnada, onde o divino se manifesta no cotidiano. No 13 de maio de 2025, celebrá-la é reconhecer que, em sua trajetória, encontramos um mapa para navegar as complexidades da existência, unindo céu e terra, tradição e renovação. Como síntese do feminino sagrado e da disponibilidade ao mistério, Maria permanece, afinal, uma resposta viva aos anseios mais profundos da humanidade.

    Referências
    ARQUIDIOCESE DE UBERABA. A Virgem Maria na Teologia. Arquidiocese de Uberaba, [s.d.]. Disponível em: https://arquidiocesedeuberaba.org.br/a-virgem-maria-na-teologia/. Acesso em: 12 maio 2025.
    CASALDÁLIGA, Pedro. Poesia de Pedro Casaldáliga transforma Maria em todas as mulheres. Instituto Humanitas Unisinos (IHU), [s.d.]. Disponível em: https://www.ihu.unisinos.br/categorias/605492-poesia-de-pedro-casaldaliga-transforma-maria-em-todas-as-mulheres. Acesso em: 12 maio 2025.
    IHU UNISINOS. Como Maria, a mãe judia de Jesus, se tornou a virgem que deu à luz a Deus. Instituto Humanitas Unisinos (IHU), [s.d.]. Entrevista com James D. Tabor. Disponível em: https://ihu.unisinos.br/78-noticias/602004-como-maria-a-mae-judia-de-jesus-se-tornou-a-virgem-que-deu-a-luz-a-deus-entrevista-com-james-d-tabor. Acesso em: 12 maio 2025.
    IHU UNISINOS. Contemplação do encontro de Maria com o Ressuscitado. Instituto Humanitas Unisinos (IHU), [s.d.]. Disponível em: https://ihu.unisinos.br/78-noticias/597943-contemplacao-do-encontro-de-maria-com-o-ressuscitado. Acesso em: 12 maio 2025.
    IHU UNISINOS. Dom Leonardo: Em Maria, encontramos respostas; nos tornamos pessoas mais disponíveis. Instituto Humanitas Unisinos (IHU), [s.d.]. Disponível em: https://ihu.unisinos.br/categorias/615135-dom-leonardo-em-maria-nos-encontramos-respostas-nos-nos-tornamos-pessoas-mais-disponiveis. Acesso em: 12 maio 2025.
    IHU UNISINOS. Francisco encerra polêmicas seculares sobre Nossa Senhora: “Maria é mãe, não deusa”. Instituto Humanitas Unisinos (IHU), [s.d.]. Disponível em: https://ihu.unisinos.br/607814-francisco-encerra-polemicas-seculares-sobre-nossa-senhora-maria-e-mae-e-nao-deusa-expressoes-as-vezes-exageradas. Acesso em: 12 maio 2025.
    IHU UNISINOS. Maria, a glorificada, e a crise pós-moderna. Instituto Humanitas Unisinos (IHU), [s.d.]. Disponível em: https://ihu.unisinos.br/185-noticias/noticias-2016/559142-maria-a-glorificada-e-a-crise-pos-moderna. Acesso em: 12 maio 2025.
    IHU UNISINOS. Maria de Nazaré à luz da mariologia desenvolvida a partir do Concílio Vaticano II. Instituto Humanitas Unisinos (IHU), [s.d.]. Disponível em: https://ihu.unisinos.br/78-noticias/598632-maria-de-nazare-a-luz-da-mariologia-desenvolvida-a-partir-do-concilio-vaticano-ii. Acesso em: 12 maio 2025.
    IHU UNISINOS. Maria, a mulher mais jovem do que o pecado. Instituto Humanitas Unisinos (IHU), [s.d.]. Artigo de Michele Giulio Masciarelli. Disponível em: https://ihu.unisinos.br/185-noticias/noticias-2016/563199-maria-a-mulher-mais-jovem-do-que-o-pecado-artigo-de-michele-giulio-masciarelli. Acesso em: 12 maio 2025.
    IHU UNISINOS. Não façam isso com a mãe de Jesus. Instituto Humanitas Unisinos (IHU), [s.d.]. Disponível em: https://ihu.unisinos.br/78-noticias/589385-nao-facam-isso-com-a-mae-de-jesus. Acesso em: 12 maio 2025.
    IHU UNISINOS. Para Maria, por Jesus: A virgem na teologia feminista. Instituto Humanitas Unisinos (IHU), [s.d.]. Disponível em: https://ihu.unisinos.br/categorias/615453-para-maria-por-jesus-a-virgem-na-teologia-feminista. Acesso em: 12 maio 2025.
    IHU UNISINOS. “Num momento da história, o centro de tudo está numa mulher”. Instituto Humanitas Unisinos (IHU), [s.d.]. Disponível em: https://www.ihu.unisinos.br/sobre-o-ihu/78-noticias/574634-num-momento-da-historia-o-centro-de-tudo-esta-numa-mulher. Acesso em: 12 maio 2025.
    BOFF, Leonardo. A porção feminina de Deus. Leonardo Boff, 30 ago. 2014. Disponível em: https://leonardoboff.org/2014/08/30/a-porcao-feminina-de-deus/. Acesso em: 12 maio 2025.
    ROSARY CENTER. Maria na Teologia dos Padres – Parte 2. Rosary Center, [s.d.]. Disponível em: https://rosarycenter.org/pt/ll73n2-mary-in-the-theology-of-the-fathers-part-2. Acesso em: 12 maio 2025.
    REVISTA CULTURA TEOLÓGICA. Maria de Nazaré: Perspectivas teológicas. Revista Cultura Teológica, [s.d.]. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/culturateo/article/download/14360/11834/38580. Acesso em: 12 maio 2025.

  • Poesia com Nair

    Poesia com Nair

    Nair Marques Freitas transforma os clássicos da poesia brasileira em momentos de pura emoção. Em seu canal do YouTube Ópcevê a poesia!, ela declama versos com uma naturalidade que faz a poesia se tornar uma conversa íntima.

    Hoje professora aposentada, com vasta experiência no magistério público, Nair foi minha professora na 8ª série (atual 9º ano do Ensino Fundamental) e no 1º ano do Ensino Médio, na Escola Estadual Oswaldo Lucas Mendes, em Taiobeiras, Norte de Minas Gerais. Ela também prefaciou meu primeiro livro, Palavras da caminhada (Editora O Lutador, 2006), deixando sua marca na minha trajetória literária.

    No canal, ganham vida obras como “As Pombas”, “Meus oito anos”, “O Pato”, “Poema Pimentinha” e “Oração do Milho”, de Cora Coralina. Cada declamação é um convite para sentir a musicalidade dos versos e a força da nossa cultura.

    Agora, Nair se prepara para lançar seu livro, Buscando fios, que explora as raízes históricas e pitorescas de sua família norte-mineira. Tive a honra de ser convidado por ela para escrever a apresentação e digo que essa obra promete revelar, sem dar spoilers, a beleza dos fios que unem histórias e memórias, conectando passado e presente em cada poema.

    Através de sua voz e sensibilidade, Nair nos convida a redescobrir a poesia como um elo que une vidas, transformando cada verso em uma celebração da nossa identidade.

  • Perpétua se perpetua

    Perpétua se perpetua

    * Levon Nascimento

    Vamos falar da personagem Perpétua, interpretada magistralmente pela atriz Joana Fomm, da novela Tieta (1989), de volta no Vale a Pena Ver de Novo, de Aguinaldo Silva, inspirada no livro Tieta do Agreste, de Jorge Amado.

    Perpétua era beata, ia à missa e se confessava diariamente. Na mocidade, fez promessa de entregar Ricardo, o primeiro filho, ao seminário, como pagamento por ter conseguido se casar com o major Cupertino Batista. Dizia-se decente, recatada e do lar. Viúva, cobria-se de preto dos pés à cabeça, mesmo passado muito tempo da morte do marido militar.

    Interesseira, vivia de olho na riqueza da irmã Tieta. Mesquinha, queria tomar o armarinho falido da irmã Elisa e do cunhado Timóteo. Despeitada, tratava mal a madrasta Tonha. Fofoqueira, tomava conta da vida alheia, levando e trazendo com as comparsas Amorzinho e Cinira.

    Cínica, enlouquecia o Padre Mariano confessando os pecados dos outros em vez dos próprios. Egoísta, fingia pobreza para Tieta, enquanto mantinha três casas alugadas. Falsa piedosa, comia pouco na frente dos outros, insinuando que não se entregava ao pecado da gula, mas sozinha à noite, empanturrava-se de guloseimas. Fascista, desejava a morte do mendigo “Bafo de Bode”, pois segundo ela, ele “não servia para nada”.

    Moralista, mantinha um segredo cabeludo dentro de uma caixa branca no armário do quarto de dormir. Tudo isso, enquanto bradava aos quatro cantos do agreste: “Deus está do meu lado!”

    Fosse hoje e não 1989; fosse Santana do Agreste o Brasil ou o mundo todo, certamente Perpétua votaria no mito, ou em Trump, e seria “pró-vida”, por Deus, pela Pátria e pela família. Perpetuou-se.

  • Lançamento do livro Torpes Labéus

    Lançamento do livro Torpes Labéus

    Em 8 de dezembro de 2023, na sede da Câmara Municipal de Taiobeiras, norte de Minas Gerais, ocorreu o lançamento do livro “Torpes Labéus: Diário da Pandemia Fascista Brasileira (2013-2023)”, publico pela Editora Autografia, de autoria do professor Levon Nascimento.

    A obra retrata a década de 2013 a 2023, passeando pelos fatos históricos, políticos e sociais do Brasil no período, em formato de diário, com um viés crítico.

    No evento de lançamento, estiveram presentes o deputado federal Padre João (PT/MG), o deputado estadual Leleco Pimentel (PT/MG), lideranças políticas, religiosas, sociais e comunitárias da microrregião do Alto Rio Pardo, educadores, músicos, poetas e ativistas sociais e culturais.

    Confira as fotografias…

  • Derrubaram pé de pequi do Cruzeiro em Taiobeiras

    Derrubaram pé de pequi do Cruzeiro em Taiobeiras

    Um dia para chorar!

    Derrubaram o pequizeiro do Santo Cruzeiro, árvore histórica e tombada, patrimônio natural, histórico e cultural de Taiobeiras. Era um dos três elementos do conjunto que se compõe com o Santo Cruzeiro dos Martírios e a capelinha.

    Foi sob sua sombra que os peregrinos dos gerais, em penitência por chuva, no longínquo 1896, fizeram a promessa de erguer um cruzeiro ornamentando com os instrumentos do martírio de Cristo se alcançassem a benção do fim da seca.

    Graça conquistada, pagaram o compromisso em 2 de julho de 1897, levantando a grande cruz ao lado do pequizeiro.

    No mínimo, 150 anos de memórias sucumbiram pela motosserra em questão de segundos. A dor da destruição!

    É importante que a lei seja aplicada, com direito à defesa, para punir os eventuais responsáveis. E a nós, resta chorar, feito o dia de hoje (21/07/2023), em que até os céus vertem lágrimas sobre Taiobeiras.

    #taiobeiras #patrimoniocultural #patrimoniohistorico #cultura #historia

  • Levon Nascimento lança “Guia Pessoal de Cultura 2023”

    Levon Nascimento lança “Guia Pessoal de Cultura 2023”

    Olá! Sou Levon! Professor de história, mestre em políticas públicas, doutorando em direito ambiental, escritor, poeta e ativista da defesa da Pessoa Humana e da Casa Comum que é a Terra.

    Neste livreto você encontra um guia da minha produção intelectual, artística e cultural.

    São vídeos, poemas, programas de rádio e, principalmente, livros.

    Produtos de uma intensa e batalhada caminhada, cujo propósito não é comercializar, mas compartilhar.

    Compartilho dons. Dom é presente.
    De graça recebi. Gratuitamente reparto.

    Você pode conhecer mais a minha obra.
    Siga-me nas redes sociais e leia meus textos.

  • Santos Juninos: nascimento de São João Batista

    Santos Juninos: nascimento de São João Batista

    O mês de junho, apesar da pandemia do coronavírus, é o tempo especial que a cultura popular sertaneja do Brasil reserva aos festejos dos populares Santo Antônio, São João e São Pedro; aí incluído junto com o dono das chaves dos céus, também o apóstolo São Paulo.

    24 de junho é reservado à celebração do nascimento de São João Batista, o mais vistoso dos santos juninos.

  • Doutor Lobisomem

    Astromar Junqueira (Rui Rezende), pernóstico de dia
    e lobisomem à noite, com Mocinha (Lucinha Lins),
     a filha da aristocracia.

    * Por Levon Nascimento

    Respondam-me: o que consegue ser mais brega, atrasado e pé-no-saco (assim mesmo, sem firulas) do que os floreios, as citações em latim, os rapapés, as togas e os vocativos mofados de “vossa excelência” prá cá e “doutor” prá lá, na boca da maioria dos “ilustres” operadores do direito no Brasil? Remontam à cultura bacharelista da colônia e do império (muito latim e pouco trabalho).

    No caso das autoridades judiciárias, guardadas as devidas e merecidas exceções, utilizam-se de um linguajar pernóstico e pomposo, tipo “embromation”, para esconderem que nos custam caro e produzem pouco.

    Quem viveu a década de 1980 – eu tinha uns 10 anos quando passou – se lembra perfeitamente dos discursos sonolentos do professor Astromar Junqueira, papel interpretado pelo ator Rui Rezende na festejada telenovela Roque Santeiro, de Dias Gomes.

    Como nosso Judiciário, de dia Astromar fazia discursos rebuscadíssimos e cortejava a mão de dona Mocinha (Lucinha Lins), filha do prefeito Florindo Abelha (Ary Fontoura); pela noite, virava lobisomem.

  • A resistência cultural no Alto Rio Pardo

    * Levon Nascimento

    Apesar da realidade sombria do Brasil, do golpe de Estado, da retirada neoliberal de direitos e da ditadura da toga – ou talvez até por conta dela, como anticorpo benéfico – a esperança tem se feito presente na arte, na literatura e na comunicação do Alto Rio Pardo, do Vale do Jequitinhonha e do Norte de Minas.

    Lancei meu livro “CRER E LUTAR” em Taiobeiras no dia 02 de junho de 2017, como um brado de fé e de militância contra o processo de fascistização da sociedade, tendo a inspirada capa da multiplicação dos pães e dos peixes, pintada em tela pela nossa internacional Lizz Nobel e apresentação da jornalista montes-clarense Valéria Borborema.


    O Atalho Alternativo Cultural de São João do Paraíso, dos amigos Lídio Ita BlueMárcia Barreto e do rapper Flávio, nadam contra a maré massificadora levando arte, boa música e reflexão às praças paraisenses.


    O poeta Carlos Renier Azevedo escreveu o cordel “Vaqueiro Centenário”, narrando a trajetória do Sr. Lydio Barreto (pai de Lídio Ita Blue), de Pedra Azul, resgatando as tradições, “os fazeres” e as raízes sertanejas do Vale do Jequitinhonha/Norte de Minas.


    Felipe Cortez Aragão Grimaldy e Marileide AP, em incessante ativismo por cultura, comunicação e direitos humanos, garantiram para Taiobeiras a 7ª edição do Encontro de Comunicadores do Vale do Jequitinhonha, a ocorrer em fevereiro de 2018.


    Enquanto isso, nosso poeta Milton Santiago, de nossa vibrante Salinas, se prepara para lançar mais uma obra de ternura e amor à região, o livro “A menina e o poeta” no próximo 06 de setembro.


    E nossa histórica Rio Pardo de Minas ganhará de presente o livro de Vlade Patrício, em 16 de setembro, “Um olhar no passado”.


    O Alto Rio Pardo está vivo, na luta, contra os retrocessos, transmutando-se em literatura, música, performances, ativismo político e muita vontade de se eternizar na HISTÓRIA!


    A luta continua…


    * Professor e escritor, de Taiobeiras/MG.

  • Aparecida no Carnaval

    Acabei de assistir o vídeo do desfile da Escola de Samba Unidos de Vila Maria, de São Paulo, homenageando os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil. Desfile lindo, encantador e emocionante, ocorrido na madrugada de sexta para sábado.
    Que se mordam os conservadores! Nossa Senhora e o Evangelho do Filho dela têm de ir a todo lugar, inclusive ao sambódromo, que é onde o povo está.
    A fé só é viva se entranhada na cultura.

    Postado no Facebook em 27 de fevereiro de 2017.
  • 6 de janeiro: Os santos reis do oriente e a tolerância

    Cultura popular e tolerância religiosa
    * Por Levon Nascimento

    O calendário litúrgico e a cultura popular celebram hoje o fim do ciclo do Natal com a festa dos Reis Magos.

    Segundo o evangelista Mateus (2,1-2), que não cita o número de personagens, eles foram os primeiros a reconhecer a divindade de Jesus, pois vieram para adorá-lo: “Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém. Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo”.

    Na bela canção “Ouro, incenso e mirra”, o poeta Padre Zezinho nos brinda com esta letra: “São três reis que chegam lá do oriente/ Para ver um rei que acaba de nascer/ Dizem que um é branco, o outro, cor de jambo/ O outro rei é negro e que vieram ver”.

    Na verdade, é a tradição emendando a história para significar que os magos representam a universalidade das etnias humanas abertas à mensagem da tolerância cristã, tão em falta atualmente.

    Outros, ainda, nos revelam seus nomes: Baltazar, Melchior e Gaspar. Seriam homens do “Oriente”, ou seja, de outras crenças, que vieram respeitosamente encontrar o “rei dos Judeus” recém-nascido a partir de suas experiências e conhecimentos em astronomia (ou astrologia!?). Credos que se reverenciam, ao contrário do fundamentalismo de alguns.

    No Brasil, “Santos Reis” é sinônimo das folias cantadas de casa em casa, lapinha a lapinha, presépio a presépio, em humildade ritual de devoção, carinho e fraternidade.

    Viva Santos Reis! Viva a fé simples, altruísta e compreensiva, que não se jacta melhor do que as demais! Todas elas carregadas da verdade de Deus.
  • Diadorim repousa em Taiobeiras?

    Praça Joaquim Teixeira, local do antigo cemitério de Taioberias/MG

    Reza a lenda de que a verdadeira Diadorim, a que teria inspirado o genial João Guimarães Rosa na obra “Grande Sertão Veredas”, estaria sepultada debaixo do solo que alimenta estas imensas árvores (foto) da Praça Joaquim Teixeira, em Taiobeiras, exato lugar onde ficava o antigo cemitério de Bom Jardim. Verdade ou mito?

  • Segundo ativista cultural, Prefeitura de Taiobeiras negou transporte aos artistas locais que vão ao FESTIVALE 2014

    Marileide Alves Pinheiro, ativista cultural

    A ativista cultural, poeta e professora Marileide Alves Pinheiro postou em seu perfil na rede social Facebook o seguinte texto de indignação para com os gestores municipais de Taiobeiras:

    “A CULTURA DE TAIOBEIRAS PEDE SOCORRO!!!!!

    Infelizmente a Prefeitura Municipal de Taiobeiras barrou o carro para transportar artistas e artesãos para o FESTIVALE 2014 em Araçuaí. Faz mais de 10 anos que participamos dos Festivales nas cidades do Vale do Jequitinhonha e essa foi a primeira vez que fomos vetados.

    Na verdade que perde não são apenas os ARTISTAS – atores, pessoas que participarão das oficinas e artesãos, mas toda a cidade, pois tudo que aprendemos durante o evento é repassado de forma multiplicadora para desenvolver ainda mais a cultura da nossa cidade e região. Sem falar que a venda dos produtos dos ARTESÃOS ajuda no desenvolvimento econômico da família dos mesmos e também na economia da cidade. Pena que alguns GESTORES PÚBLICOS só enxergam através da picuinha e pirraça por questões políticas partidárias tentando impedir o crescimento cultural do seu povo.

    Estamos tentando um PATROCÍNIO para pagar o FRETE do carro – São 150 Km para ida e 150 Km para volta. Valor em média de 1000,00 (Um mil reais). Caso alguém possa e queira nos patrocinar entre em contato comigo o mais rápido possível.

    A luta continua!!! Não podemos perder a esperança e desistir de nossos sonhos. Mesmo com todas as adversidades e falta de vontade política da nossa cidade, estaremos lá em Araçuaí para participar do FESTIVALE 2014.

    LISTA DOS ARTISTAS E ARTESÃOS QUE FIZERAM INSCRIÇÃO PARA PARTICIPAR DO FESTIVALE 2014 – ARAÇUAÍ

    1- Marileide Alves Pinheiro – Representando Encena & Cia – Teatro, Cinema e poesia
    2- Nina Almeida – Representando Encena & Cia – Teatro e música
    3- Pedro Alves Martins – Artesão
    4- João Alves – Artesão
    5- Ronaldo Saturnino – Artesão
    6- Ariadna Ferreira – Artesã
    7- Fabiano A. Pereira – Representando a música e Corais
    8- Diene – Esposa de Fabiano – Representando a música e Corais
    9- Zilma Dutra – Representando Teatro
    10- João Selmo – Representando – Comunicação e Mídia.”

  • São João está dormindo…

    Nada como as lendas que nos são contadas na infância e nas quais acreditamos até que a crua realidade nos é imposta pela maturidade e pela vida.

    Quando eu era criança, ouvia histórias de que a partir deste dia, 20/06, “Nossinhô” colocava São João para dormir e só o acordava depois do dia 24 de junho. É que São João era por demais “arteiro” e não caberia em si de ver tanta alegria nas fogueiras e quadrilhas em sua homenagem, o que elevaria o risco dele por “fogo no mundo” de tanta satisfação. Melhor colocá-lo para dormir e torcer para que não acordasse enquanto a festança familiar e comunitária não acabasse.

    Como eu tinha medo de que ele despertasse durante os arraiais!

    Que tempo maravilhoso! Quanta inocência! Não sabia eu que quem bota fogo no mundo são os homens gananciosos, aqueles que não têm espaço no coração para o calor benfazejo de uma fogueira de São João.

  • Final de novela: o beijo entre Niko e Félix ou a reconciliação entre Félix e César?

    Cena final de Amor à Vida: reconciliação entre Félix e César

    Discutir novela é uma atividade comparável às elucubrações dos teólogos bizantinos do século XV. Enquanto os turcos otomanos cercavam Constantinopla, prontos para atacá-la e subjugá-la – como de fato ocorreu em 1453 – seus sábios gastavam todo o tempo em questões vãs, como a definição sobre a qual gênero (sexo) pertenceriam os anjos, se masculino ou feminino. Mas mesmo sendo um “bizantinismo”, vou falar um pouquinho do final de “Amor à Vida”.

    Na noite de 31/01/2014, pouco depois do final da exibição do último capítulo da trama de Walcyr Carrasco pela Rede Globo de Televisão, as redes sociais pipocaram, em especial o Twitter. Todos comentavam sobre o primeiro beijo entre dois homens exibido pela poderosa TV Globo em uma de suas novelas. Em tempo, o SBT já havia feito isso, em 2011, na novela “Amor e Revolução”, do autor Tiago Santiago. No caso, entre suas mulheres. A maioria aplaudia o autor e os atores Mateus Solano e Thiago Fragoso. Um outro tanto, repudiava. Não vou entrar no mérito do beijo. Acho até que foi uma cena menos chocante do que as punhaladas desferidas por uma personagem em seu amante ou do que as cenas de sexo quase explícitas entre homens e mulheres em outros núcleos da mesma novela. O que me desperta a curiosidade é justamente o interesse despertado, de amor ou de ódio, de admiração ou de repulsa, pelo beijo de dois homens e não a cena justamente posterior a esta, também envolvendo dois homens, o atores Mateus Solano, intéprete de Félix, e Antônio Fagundes, que deu vida a César. No caso, filho e pai, separados pela incompreensão e pelo rancor. A cena, em questão – a última e, na minha opinião, a mais bela e importante de toda a novela – mostrava ambos, pai e filho, diante do nascer do sol em uma praia. O filho, repudiado pelo patriarca durante toda a novela, em grande parte teve seu caráter deformado por conta do desprezo paterno por sua condição homossexual. Ainda assim, com o pai vitimado pela cegueira e por um derrame cerebral, mesmo sendo diariamente ofendido por este, toma para si a tarefa de cuidar e zelar do velho homem.

    Na cena final, um pai velho, doente, triste e rancoroso ouve do filho – que foi a vida inteira espezinhado – um emocionante “Pai, eu te amo” e, para surpresa de Félix, responde “Eu também te amo, meu filho!”. Aqui reside minha incompreensão. Mais importante do que o revolucionário beijo entre duas pessoas do mesmo sexo, exibido em horário nobre da televisão, num país ainda extremamente hipócrita e preconceituoso, creio que a reflexão mais importante que deveria estar rolando nas redes sociais, no botequins e nas residências, deveria ser a cena do perdão, da reconciliação, da compreensão que deveriam existir entre pais e filhos, entre famílias. O episódio final, da declaração de amor entre Félix e César, deveria ser uma constante entre entes familiares. Se atitudes como aquela fossem comuns, teríamos menos “Félixes” reais descartando bebês em caçambas ou latas de lixo, menos “Alines” urdindo planos de vingança ou de golpes financeiros, menos “Césares” adúlteros ou homofóbicos, menos “Pilares” aviltadas pela traição e compungidas a cometer crimes por ódio.

    Os últimos instantes de uma novela, produto popularesco e de pouca qualidade artística e técnica, mas ainda o maior artigo de formação de opinião consumido pela massa brasileira, não poderiam ser mais necessários, como foram os de “Amor à Vida”. Necessários enquanto convite à família brasileira ao dever do diálogo entre pais e filhos, maridos e esposas, pessoas que se amam.

  • Taiobeiras: Espaço voluntário de cultura fecha as portas por falta de apoio do poder público

    Fachada da casa-sede do Espaço Encena & Cia,
    em Taiobeiras/MG

    O ano de 2014 começa amargo para as iniciativas de valorização e fomento da cultura no município de Taiobeiras, no norte de Minas Gerais. Através de manifesto em seu perfil na rede social Facebook, a educadora e ativista cultural Marileide Alves Pinheiro expressou a tristeza que está vivendo por ter de entregar ao locatário a casa onde funciona o Espaço Encena & Cia, mantido com o esforço dela e de poucos colaboradores.

    Oficina de cinema desenvolvida voluntariamente
    no Espaço Encena & Cia.

    Segundo Marileide, as contribuições já não são suficientes para manter os pagamentos de aluguel, água, luz e demais despesas do “projeto cultural”, que funciona inteiramente através do esforço de voluntários, sem apoio dos poderes públicos.

    Ainda segundo a ativista cultural, ela já procurou diversas vezes os agentes públicos do município de Taiobeiras para tratar do assunto, mas não alcançando o apoio necessário para a manutenção do Espaço Encena & Cia neste casarão da década de 1940, que fica numa região histórica do centro da cidade.

    Na casa do Espaço Encena & Cia eram realizadas, sempre de forma gratuita, exposições de artesanatos e pinturas, saraus literários, ensaios de banda de rock de adolescentes e jovens, reforço escolar gratuito, além de mostras de cinema e oficinas de artes com temas variados.

    Leia aqui o desabafo da educadora Marileide:

    A ativista cultural Marileide em meio às crianças atendidas
    voluntariamente no Espaço Encena & Cia

    “QUE TRISTE!
    INFELIZMENTE O SONHO ACABOU….
    Teremos que entregar a casa ESPAÇO ENCENA & CIA. Não posso assumir sozinha todos os custos do projeto: aluguel, água, luz e limpeza – Totalizando em média 600,00… O FIM deste sonho – ESPAÇO ENCENA & CIA interfere na vida de muitos artistas: Artesãos que expõem lá, os garotos da Banda AK47 que ensaiam, os alunos do curso de TEATRO, Aula de REFORÇO, as crianças e adultos que vão assistir aos filmes do CINECLUBE ARTE EM CENA, a exposição de artistas como Elisiana Alves e Paulo César, Mini- Museu de Antiguidades de Taiobeiras….. Muitos sairão perdendo! Agradecemos desde já a todos os que sonharam junto conosco, acreditando, nos apoiando, visitando. Enfim, participando dos nossos eventos….Abraços fraternos e beijos no coração!”

  • Livro do taiobeirense Hermínio Miranda

    Trata-se de um poema em 164 sextilhas (estilo cordel)
    narrando a epopeia da construção do monumento do
    Santo Cruzeiro dos Martírios, no final do século XIX,
    no local que viria a se transformar na cidade de
    Taiobeiras/MG. Este poema foi escrito entre 1995 e 1997,
    para comemorar os cem anos do “Santo Cruzeiro”.

    Mexendo aqui nos meus livros, encontrei “SANTO CRUZEIRO DOS MARTÍRIOS”, de autoria do taiobeirense, já falecido, HERMÍNIO MIRANDA COSTA, poema em 164 sextilhas, publicado em 1997. Uma preciosidade. Vou postar umas sextilhas para vocês. Vejam como é atual!

    […]
    5.
    Neste inteirim da antiguidade
    Começou a povoar Taiobeiras
    Por necessidade
    Em um clima de primeira
    Hoje é uma cidade
    Marcada por uma estrela

    6.
    Há muitos anos na localidade
    No perímetro era gerais
    Já falavam em sociedade
    Em conhecimentos iguais
    Em sem ter piedade
    Passavam os outros pra trás

    […]
    17.
    Nos tempos de seca
    A terra fica turva
    As flores ficam pecas
    As estradas se encurvam
    Também se aceita
    Os que vêm pedir chuva

    […]
    19.
    Assim vem acontecendo
    Desde o princípio do mundo
    O povo não está compreendendo
    Nem nas horas e segundos
    Não se fica arrependendo
    Aí o castigo é profundo

    […]

  • Alguns pensamentos meus por Taiobeiras

    Matriz em Reforma, obra da artista plástica Elisiana Alves, retrata
    o interior da Igreja Matriz de S. Sebastião de Taiobeiras durante
    a última reforma, em 2010

    Originalmente, frases escritas no calor dos acontecimentos, na “tela quente” do Facebook, transcrevo-as e republico-as aqui no Blog, para “perpétua memória”! Aventure-se…!

    * Quando a Autoridade descamba para o varejo dos gracejos, para a seara das agressões verbais mais vis, é porque a crise se desnudou bem mais grave do pensávamos. Ou não tem mais autoridade ou porque nunca teve. (04/10/2013)
    * Quando vejo pessoas sérias comemorando o erro, fazendo de conta que a desonestidade é honesta, sinceramente, dá uma alegria imensa de ter as posições que tenho, de ser quem sou, de lutar pelo que luto… por um mundo mais justo, mais ético, mais humano! (04/10/2013)
    * O maior defeito do ignorante é a falta de dúvida, o mesmo que excesso de certeza. (04/10/2013)
    * Ó “ignorância” amada
    Idolatrada
    Salve, salve! (04/10/2013)
    * Vivemos no tempo das “falsas verdades” ou das “verdadeiras mentiras” ou sei lá… Resulta tudo na mesma decadência, ao final. (04/10/2013)
    * Existem “falsas mentiras”?
    Em caso afirmativo, é de se supor que, de fato, são verdades na clandestinidade. (04/10/2013)
    * Infeliz do tempo em que se comemoram os erros, as imundícies e as ilegalidades, ainda que travestidos dos mais reluzentes mantos de beatitude! (03/10/2013)
    * Assumir-se como situação ou como oposição é um ato de coragem política e de vigor intelectual. É mais fácil ser situação, estar do lado de quem está no poder. No entanto, numa democracia, é necessária a audácia dos que não se dobram e nem calam, a oposição, principalmente nas pequenas cidades como nossa Taiobeiras. (03/10/2013)
    * Quando você está no Facebook, discutindo as questões do dia-a-dia da cidade, do estado, do país, do mundo, você também está fazendo política. Numa manifestação de rua, numa greve, também é política. Nos partidos, também é política. O importante é que você tenha propósito e esteja do lado daquilo que beneficiará a comunidade, especialmente àqueles que mais necessitam de ajuda. Faça política, não tenha medo! (03/10/2013)
    * Toda eleição é política. Mas a política não se resume apenas a eleições. (03/10/2013)
    * Cumpra seus deveres, especialmente com a coletividade. Mantenha as ruas limpas, jogue o lixo na lixeira, não quebre os equipamentos públicos (bancos de praça, orelhões, lixeiras, banheiros públicos, etc.). Não é destruindo o que é de todos que se ataca a velha elite que nos retira a possibilidade de obter maior cidadania. (03/10/2013)
    * Exija seus direitos. Especialmente aqueles que sirvam para o bem de muitas pessoas, da comunidade, da coletividade. Não queira favores, “ajeitos”, regalias. Não venda sua consciência. (03/10/2013)
    * O conhecimento não pode estar separado da prática.
    Não é possível ser professor e não fazer política.
    Professor = magistério = ensino = conhecimento.
    Política = práxis = prática = bem comum. (03/10/2013)
    * Enquanto nossos direitos forem tratados como favores, não teremos uma sociedade democrática. (03/10/2013)
    * Agora à tarde
    A natureza está com aqueles rodeios
    Típicos de primavera no sertão
    Fazendo a corte
    Galanteando o espaço
    Pra ver se chove ou se não chove
    Tomara que chova! (02/10/2013)
    * Comunicador que assassina a “última flor do Lácio” é igual a:
    a) professor que não conhece a matéria que leciona;
    b) pedreiro que não levanta paredes;
    c) cozinheira que não entende de ligar o fogão;
    d) comerciante que não sabe vender;
    e) etc… (02/10/2013)