* Levon Nascimento
O Governo do Presidente Lula tem feito o dever de casa daquilo que lhe compete, apesar da gritaria da mídia alinhada ao mercado financeiro, da óbvia oposição de extrema-direita ou da sabotagem do chamado “centrão”. Uso das palavras do jornalista Mario Vitor Santos, colunista do Brasil 247, em artigo de 04/06/2024: “um governo com emprego beirando recorde histórico, inflação em queda e salários em recuperação”.
É claro que temáticas artificiais e inócuas, produzidas pelas usinas de fake news e besteirol, a serviço de interesses in(confessos) dos liberais xucros, estarão na pauta das eleições municipais: ideologia de gênero, armamentismo da população, combate ao comunismo, Deus, Pátria, Família, etc. Também os negacionismos ridículos baterão o ponto, como à ciência, às mudanças climáticas e às vacinas. A Terra Plana capotará. Teorias conspiratórias, globalismo e outras sandices, também.
Porém, para quem tem mais de dois neurônios, que sabe do valor do Estado laico e entende que a família precisa é de saúde, moradia, emprego, salário com poder de compra e educação para as crianças, a pauta verdadeira das eleições deverá girar em torno dos problemas reais do povo; e das competências básicas das municipalidades em resolver a vida das pessoas.
E é aí que surge o dever do império da responsabilidade para as candidaturas sérias, que de fato se apresentarão com propósito de viabilidade. Candidatos a vereadores/as, vices e prefeitos/as, que se propõem a fazer história e a deixar legado para as gerações futuras, deverão abandonar o terraplanismo e o verde-amarelismo de ocasião, e se pautarem pela racionalidade honesta, na hora de conversar com as pessoas. Campanha eleitoral também é momento de educação popular.
Sola de sapato, ouvido e saliva, à exaustão, deverão ser usados para encontrar o povo, ouvir suas necessidades e debater com as bases sociais acerca das concretas necessidades dos cidadãos e cidadãs, que vivem é no município, como disse alguma raposa política do passado, em grandiloquente síntese de razão e veracidade.
Que o eleitor e a eleitora compreendam que só se pode cobrar dos candidatos e candidatas, nesta eleição, aquilo que é de competência do nível municipal da federação. Esqueçam-se das motociatas e bravatas, bem como dos coaches de internet. Eles vivem nas bolhas das redes, não no universo real em que eu e você precisamos de políticas públicas para melhorar, de fato, as nossas vidas.
É momento de exigir: a universalização da rede de coleta e tratamento de esgoto sanitário; a melhoria da iluminação pública; sistemas eficientes de drenagem das águas das chuvas; estradas rurais em permanente estado de boa conservação; escola pública com segurança e qualidade pedagógica; sistema de saúde que atenda às reais demandas de quem não pode pagar pelos tratamentos; apoio à educação do campo; políticas de meio ambiente voltadas para a mitigação da crise climática; adesão dos municípios ao Programa Minha Casa Minha Vida, alimentação saudável, ar puro e livre de venenos em nossas cidades e campo; etc.
Se vender o voto, votar no candidato festeiro ou seguir os rebanhos religiosos da política, mais uma vez dará um tiro no pé. É urgente pensar com a própria cabeça.
A Prefeitura e a Câmara de Vereadores não podem fazer de tudo. Há coisas que são o papel da sociedade, como a solidariedade e a organização cidadã. Mas, aquilo que é de responsabilidade objetiva de prefeito e vereadores, eles devem fazer com o máximo de qualidade e presteza.
Deixem o Presidente Lula trabalhar naquilo que é competência do Poder Executivo federal. Deixem a oposição fazer o seu papel em Brasília. Agora, é o momento de decidir a vida do município.
* Professor de História. Graduado em Ciências Sociais pela Unimontes. Mestre em Políticas Públicas pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais. Doutorando em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pela Escola Superior Dom Helder Câmara. Autor de oito livros.