Tag: Golpe

  • Análise: Por que Bolsonaro é réu e deve ser preso?

    Análise: Por que Bolsonaro é réu e deve ser preso?

    A decisão unânime do Supremo Tribunal Federal (STF) de tornar Jair Bolsonaro réu por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e atentado à democracia não é um capricho político. Trata-se do resultado de uma investigação com provas sólidas, que revelam um plano estruturado para desestabilizar as instituições. O ex-presidente não apenas levantou dúvidas sobre as urnas eletrônicas, mas também incentivou e coordenou ações para alimentar insurreições e dificultar a transição de poder após sua derrota em 2022.

    Os documentos analisados pelo STF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) mostram que Bolsonaro e aliados promoveram reuniões com militares para espalhar a falsa narrativa de fraude eleitoral, sem apresentar qualquer evidência. O ministro Alexandre de Moraes, ao aceitar a denúncia, foi direto: havia uma “intenção explícita de golpe”. Isso incluiu um “decreto ilegal” para interferir no processo eleitoral e a mobilização de grupos radicais, culminando nos ataques de 8 de janeiro de 2023.

    A CPMI dos Atos Golpistas reforçou essa tese, apontando que o objetivo era criar um clima de caos para justificar uma intervenção militar. Como explicou o jurista Carlos Ari Sundfeld ao ICL Notícias, “as provas são contundentes: há registros de reuniões, mensagens e documentos que comprovam a coordenação entre o núcleo bolsonarista e grupos que vandalizaram as sedes dos Três Poderes”.

    A Primeira Turma do STF, composta por ministros de diferentes perfis ideológicos, tomou uma decisão unânime, o que mostra a força do caso. Em seu voto, a ministra Cármen Lúcia ressaltou que “a democracia não se negocia: ou se defende ou se perde”. Já Flávio Dino, ao apoiar a denúncia, lembrou que “golpe de Estado mata”, alertando para os riscos da violência política.

    A unanimidade também desmonta a tese de “perseguição”. Como destacou a CartaCapital, Bolsonaro passou de “incentivador de golpistas a réu” em 838 dias, um percurso traçado por suas próprias escolhas. Até mesmo antigos aliados, segundo o Brasil 247, admitiram em delações que a intenção era “criar condições para uma ruptura”.

    Curiosamente, algumas defesas dos acusados já não negam a existência de um plano golpista. Advogados citados pelo Brasil 247 reconhecem que “houve articulação, mas não consumação”, tentando minimizar as penas. Esse argumento, no entanto, só reforça a tese da acusação: a tentativa de golpe já configura crime.

    Lá fora, a repercussão tem sido intensa. Bolsonaro buscava apoio de figuras como Donald Trump, mas acabou constrangido. Em artigo no UOL, Leonardo Sakamoto lembrou que Trump “constrangeu Bolsonaro ao validar as urnas que ele tanto atacou”, esvaziando o principal argumento da suposta fraude.

    A questão agora não é apenas jurídica, mas também ética e política. Se a Justiça reconhece que um ex-presidente atentou contra a democracia, permitir sua impunidade abriria um precedente perigoso. Como alertou o ministro Alexandre de Moraes, “a organização criminosa não se dissolve sozinha”. A prisão de Bolsonaro não seria uma vingança, mas uma forma de garantir que novos ataques à ordem constitucional não se repitam.

    Além disso, a sociedade brasileira, que viu tanques nas ruas e discursos inflamados, precisa acreditar que a lei se aplica a todos. Como escreveu Reinaldo Azevedo no UOL, “Bolsonaro encontrou o destino que escolheu”. Se a democracia deve ser protegida, isso inclui consequências para quem tentou destruí-la.

    Num país com um passado marcado por autoritarismo, prender um ex-presidente golpista não é apenas uma questão de justiça, mas um sinal claro de que o Brasil não aceita mais aventuras contra a Constituição. O STF, ao menos desta vez, parece disposto a deixar esse recado na história.

  • Fiasco do ato pela anistia aos terroristas do 8 de janeiro

    Fiasco do ato pela anistia aos terroristas do 8 de janeiro

    Até a tentativa de inflar os números revelou desespero. O UOL citou que PMs teriam sido orientados a “aumentar artificialmente” a presença, evitando “frustrar” a expectativa de força. Já o ICL Notícias lembrou que o governo federal, hoje sob outras lideranças, ignora as pautas bolsonaristas. A manipulação de imagens e a insistência em narrativas conspiratórias só ampliam o descrédito.Os atos de 2025 comprovam que Bolsonaro deixou de ser um ator central na política nacional. Sem apoio popular maciço, sem respaldo institucional e com uma agenda que não dialoga com urgências sociais, seu projeto reduz-se a um eco do passado. Resta saber se ele aceitará esse lugar marginal ou seguirá alimentando crises que, cada vez mais, só interessam a uma minoria.

    Os recentes atos públicos convocados por Jair Bolsonaro, em São Paulo e no Rio de Janeiro, confirmaram uma crise de apoio que vai além da queda nas ruas. Com público estimado em 3 mil pessoas na Avenida Paulista e metade do comparecimento de 2024 no Rio, os eventos foram definidos como “fiasco” por veículos como Brasil 247 e Cartacapital. O objetivo de pressionar por uma anistia a processos contra o ex-presidente fracassou, evidenciando a perda de relevância de sua narrativa.

    A deserção do Centrão explica parte do colapso. Como aponta o ICL Notícias, lideranças dessa base evitaram aderir ao projeto de anistia, temendo associar-se a um “projeto derrotado”. Sem o respaldo de partidos-chave, Bolsonaro ficou isolado. “Não existe frente ampla pela anistia”, resumiu o UOL, destacando que até aliados históricos preferiram distância. A estratégia de usar o Congresso como escudo mostrou-se inviável.

    O discurso de “perseguição do STF”, repetido em Copacabana, já não mobiliza como antes. A Revista Fórum destacou que o ex-presidente segue “com explicito medo da prisão”, mas sua retórica soa anacrônica. Para o público geral, a insistência em vitimismo não esconde a falta de autocrítica sobre erros passados. Como observou a Cartacapital, o tema da anistia interessa mais a bolhas ideológicas do que ao eleitorado médio.Até a tentativa de inflar os números revelou desespero. O UOL citou que PMs teriam sido orientados a “aumentar artificialmente” a presença, evitando “frustrar” a expectativa de força. Já o ICL Notícias lembrou que o governo federal, hoje sob outras lideranças, ignora as pautas bolsonaristas. A manipulação de imagens e a insistência em narrativas conspiratórias só ampliam o descrédito.

    Os atos de 2025 comprovam que Bolsonaro deixou de ser um ator central na política nacional. Sem apoio popular maciço, sem respaldo institucional e com uma agenda que não dialoga com urgências sociais, seu projeto reduz-se a um eco do passado. Resta saber se ele aceitará esse lugar marginal ou seguirá alimentando crises que, cada vez mais, só interessam a uma minoria.

  • Sem anistia para os golpistas do 8 de janeiro

    Sem anistia para os golpistas do 8 de janeiro

    Em 8 de janeiro de 2023, apenas oito dias após a posse do Presidente Lula, eleito pela terceira vez, democraticamente, pelo voto da maioria dos brasileiros, um novo golpe de Estado foi tentado no Brasil. Mais um, em nossa história interminável de golpismo.

    Centenas de pessoas, enraivecidas pela lavagem cerebral cultivada em suas mentes, nos últimos dez anos, pela extrema-direita sanguinária, marcharam para Brasília num domingo. Invadiram as sedes dos três poderes da República e destruíram os prédios públicos, as obras de arte, defecaram, atentaram contra a vida de policiais. Acharam que poderiam fazer voltar ao poder o ex-presidente, genocida, responsável pela morte de 700 mil brasileiros por negligência durante a pandemia. Queriam esfolar, prender, matar. A morte brilhava em seus olhos emburrecidos pela pregação do ódio bolsonarista.

    Foi um fenômeno dos novos tempos (ou dos velhos, pois no nazismo e no fascismo do século XX também era assim). Queriam tirar do poder o governo democraticamente eleito para por no lugar uma ditadura comandada pelas forças armadas, pelo pior do agrobusiness, por neoescravocratas racistas, por pastores vendilhões do templo e por uma desclassificada classe política nazifascista. Suas bandeiras eram a morte, o armamentismo, o ódio de classe, de raça e aos pobres, a intolerância política e ideológica, o negacionismo científico, o fanatismo religioso e o retrocesso das conquistas sociais e trabalhistas duramente construídas pelo povo brasileiro.

    Foi a Intentona dos “Patriotários”: gente que se chamava de patriota, mas que não duvidou em nenhum momento de que destruir o que é público e, pior, a democracia, nada tem de amor pela Pátria. Gente que “fez faculdade” através de vídeos de fake news e autoajuda charlatã dos coaches de WhatsApp. Alguns até de boa vontade, mas de coração invadido pela ruindade e malignidade bolsonarista.

    O golpe daquele 8 de janeiro foi controlado. A idiotia e o mau-caratismo tentam fazer crer que foi a esquerda, e não ela própria, a extrema-direta, a responsável pelo quebra-quebra brasiliense. Mas, como disse Tancredo Neves, certa vez: “morto o dragão do autoritarismo, tarefa mais difícil é retirar sua carcaça fedida do meio da praça”. Assim, é preciso condenar exemplarmente os mandantes, os financiadores e as autoridades que flertaram ou condescenderam com a traição da Constituição e da democracia brasileiras. “Traidor da Constituição é traidor da Pátria”, declarou o velho Ulysses Guimarães ao promulgar a Constituição de 1988.

    Sem anistia para os golpistas.

  • Artigo: Foi um golpe de Estado

    * Levon Nascimento

    O ano de 2016 chega ao fim e tristemente constatamos de que nele houve um golpe de Estado no Brasil. Aliás, o golpe continua.
     
    As massas médias vestidas de verde-e-amarelo (mas apaixonadas pela bandeira estadunidense), midiática e propositalmente desinformadas, foram levadas a acreditar que os governos do PT promoveram os maiores escândalos de corrupção da história do Brasil e que este partido gastava abusivamente o dinheiro público, para elas, razão da grave crise econômica. Como ter memória política não é um dos fortes dessa gente, as mentiras colaram feito visgo de jaca e ela pagou o mico do século ao ir às ruas defender o atraso fascista fantasiada de Batman tupiniquim. O mundo sentiu vergonha alheia.
     
    Assim, o impeachment de Dilma Rousseff ocorreu sem maiores problemas dentro das podres instituições da República, capitaneado por Eduardo Cunha e Renan Calheiros, desencadeado pelo choro de perdedor de Aécio Neves, urdido pela traição de Michel Temer, açodado pelas seletivas decisões do juiz Moro, permitido pela omissão vergonhosa do STF e amplificado pela manipulação da Globo e das demais mídias do cartel brasileiro. E por motivo fútil: as tais pedaladas fiscais praticadas por qualquer governante brasileiro ou mundial sempre que se necessita remanejar recursos públicos de uma área para outra. Mais escandaloso ainda, sem que a presidenta fosse ré em qualquer tipo de processo. Uma mulher honesta derrubada por um bando de ladrões repugnantes.
     
    Pergunte a qualquer brasileiro imbecilizado sobre o motivo de Dilma ter sido afastada da presidência e ele lhe dirá: “por causa da roubalheira e da corrupção generalizada” ou “ela acabou com o Brasil”. É o perfeito otário, sem meias palavras. Nunca ouviu falar do “Caso Banestado”, julgado pelo mesmo Moro ou da “Privataria Tucana”, nunca levada a juízo. Não se informa. Só recebe passivamente as rações diárias servidas pelo “Partido da Imprensa Golpista”, o PIG.
     
    Na verdade, Dilma, Lula e o PT foram os bodes expiatórios. Não sou tolo a ponto de achar que não houve desvios éticos em seus governos. Porém, que qualquer pessoa minimamente séria sabe que são fichinhas perto do que os velhos profissionais da direita praticam à luz do dia desde o desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro. Fosse para acabar com a corrupção e equilibrar as contas públicas, a tal Lava-jato não estaria protegendo os maiores corruptos do país – do PSDB, do PMDB e do DEM – e o (des)governo Temer não teria ampliado a gastança de forma tão descarada – e com motivos extremamente fúteis, bem ao contrário do rigor dilmista. O fato é que o golpe de Estado veio para destruir a parte virtuosa dos governos petistas: os programas sociais, a melhora na distribuição de renda e a queda (ainda que tímida) da desigualdade social. Qualquer um que seja responsável saberá entender que os golpistas trabalham incessantemente para aumentar os privilégios da camada rica e esfolar os trabalhadores (aqui incluída a imbecil classe média que odeia o PT) e os pobres.
     
    Mas o golpe foi além. Não somente as conquistas de Lula e de Dilma são os alvos do trator que tomou o poder. É o próprio pacto democrático instituidor da Constituição de 1988 que está em risco. Com a PEC 55 (a do corte de gastos em saúde, educação e seguridade) e a Reforma da Previdência (que deixa de lado militares, juízes e políticos, mas desce o cacete em todos os demais trabalhadores, especialmente as mulheres, os rurais e os professores, que terão as idades mínimas de aposentadoria unificadas em 65 anos de idade e 49 de contribuição), o que se pretende é dar marcha ré em direção à República Velha.
     
    A Constituição de 1988, ao instituir o SUS (Sistema Único de Saúde), a gratuidade e universalidade do ensino e o sistema de seguridade social, colocou o Brasil no mundo civilizado. Claro que esses sistemas nunca funcionaram a contento, pois se trata de uma Nação periférica do sistema capitalista, cheia de incongruências estruturais, mas a simples menção disso no ordenamento jurídico maior dá a direção do projeto daquilo que o país desejava se tornar.
     
    A camarilha golpista que assumiu o poder com a destituição de Dilma Rousseff é uma coalizão escabrosa que une os velhos e corruptos coronéis do PMDB, os lesa-pátria sofisticados do PSDB, as corporações intocáveis do Judiciário, do Ministério Público, da Polícia Federal e dos militares, o baixo clero do Congresso (especialmente a bancada religiosa), a falida FIESP (do pato que os idiotas vão pagar) e a grande mídia brasileira (sob a batuta da indefectível Globo). Todos sob o comando unificado e perverso do mercado financeiro, o qual leva 45% de tudo o que os brasileiros produzem na forma de juros e pagamentos da dívida pública.
     
    Essa turba, blindada pela ignorância do brasileiro médio, que detesta o PT e tudo quanto lhe lembre que também é proletário e pobre, está literalmente destruindo o país, a Constituição de 88, as instituições, a economia real e qualquer sonho de uma Nação soberana para o futuro. E dá-lhe PEC 55, reforma da previdência e ampliação do estado de exceção (aliás, a regra no país dos golpes).
    Foi um golpe de Estado. Aliás, é um golpe, enquanto a economia patina rumo à depressão. E ele tende a se ampliar, porque golpes sempre são seguidos de ditaduras. É um golpe contra você, ainda que tenha acreditado que a grande culpada de tudo era a dona Dilma.

    * Levon Nascimento é professor de História e mestrando em “Estado, Governo e Políticas Públicas” pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais – Flacso Brasil.
  • A República dos golpes

    Deodoro da Fonseca
    * Levon Nascimento
    A República brasileira começou há exatamente 127 anos com um golpe de Estado contra o governo do imperador Dom Pedro II, não por apreço aos valores republicanos, mas em vingança à princesa Isabel, herdeira do trono, que um ano antes havia assinado a abolição da escravatura negra. Um misto de machismo e ódio de classe. Qualquer semelhança com a deposição de Dilma Rousseff em 2016 não é mera coincidência.
    Golpe comandado pelo marechal Deodoro da Fonseca (leia-se: os militares do Exército brasileiro, motivados pelo positivismo racista, última moda importada no final do século XIX). Atrás de si, um séquito de homens brancos, ricos, racistas e autoritários. Qualquer semelhança com o governo de Temer em 2016 não é mera coincidência.
    De lá até aqui, é sempre com golpes de Estado que a elite brasileira se perpetua no poder. Uma lista longa: república do café-com-leite, “revolução” de 30, Estado Novo, golpe militar de 64, golpe parlamentar de 2016.

    E, igualmente, é da mesma forma que combatem os movimentos sociais: Canudos, Revolta da Vacina, Revolta da Chibata, Contestado, Intentona Comunista, Ligas Camponesas, movimento estudantil, MST, etc.

    Aristides Lobo, naquele longínquo 15 de novembro de 1889, em que a República foi proclamada, narrou que “o povo assistiu àquilo bestializado”. Continua a bestialização pela tela da Globo.

  • O interminável 2016

    Ana Júlia: “a menina que fala por nós”.
    * Levon Nascimento

    Este ano ficará marcado na história do Brasil como aquele em que um golpe de estado foi desferido pela “treta” entre a mídia, o parlamento, o judiciário e as corporações estatais (ministério público e polícia federal) contra uma mulher honesta, a primeira brasileira eleita para a presidência da República, pelo motivo fútil das “pedaladas fiscais” – artifício anteriormente praticado sem nenhuma consequência grave por todos os seus antecessores – e pela adesão dos golpistas a todos os pressupostos ultraliberais e fascistas que põem em risco o Estado Democrático de Direito pactuado pela Constituição de 1988 e os direitos trabalhistas herdados da era Vargas. Não foram apenas Lula, as esquerdas ou os movimentos sociais os derrotados, mas as garantias mínimas para a construção de uma Nação civilizada que saíram gravemente feridas deste triste episódio.

    Os erros do governo Dilma, típicos do presidencialismo de coalizão, e o agravamento da crise mundial do capitalismo no Brasil deram a senha para um impeachment sem outro fundamento senão a inconformidade do candidato perdedor de 2014 com a derrota que teve nas urnas.

    Com o golpe, veio o fascismo. Exemplos se encontram na famosa “operação lava-jato”, seletiva até a raiz do fio de cabelo mais recôndito de seu magistrado-símbolo. As delações premiadas que revelam nomes de políticos do tucanato e da direita em geral são trancadas a sete chaves em gavetas mágicas, enquanto que o apuro desmesurado de supostas irregularidades na posse de sítios e de apartamentos que, por mais que se comprove não pertencerem ao presidente mais popular da história brasileira, servem para desgastá-lo e ao seu partido, judicial e eleitoralmente, à exaustão. Prisões temporárias convertidas em “perpétuas”. Calendário de operações com timingmidiático e focado nas eleições. Rigor inquisitorial para petistas e leniência com fraudadores bilionários alinhados à banca financista. Torquemada, Mussolini e Franco teriam inveja.

    O fascio também se faz notar na escandalização da opinião divergente. Ouve-se: “Ah, mas a menina que discursou no Paraná é filha de um advogado petista”. Escreve-se: “Tem escola colocando petista pra (sic) dar ‘palestra’ falando mau (sic) da PEC 241 com desculpa de q (sic) serve pro (sic) ENEM”. É como se o fato de ser petista ou esquerdista invalidasse o direito inalienável à opinião, à participação política ou obscurecesse as verdades contidas nos discursos de indivíduos ou de grupos sociais não alinhados ao pensamento dos golpistas. Em outras palavras: patrulhamento ideológico e censura.

    No entanto, nada é mais sintomático do fascismo do que o sumiço das hordas de zumbis “apartidários”, vestidos de camisas amarelas, quando o assunto é a supressão dos direitos dos pobres e dos trabalhadores pelo governo golpista.

    O Estado Democrático de Direito advindo de 1988 é solenemente atacado quando o Supremo Tribunal Federal, último guardião da Constituição, a pisoteia ferindo de morte o direito de greve, a permitir que governos “cortem o ponto” de grevistas do serviço público mesmo sem que a paralisação tenha sido declarada ilegal. Ou quanto a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) é relativizada em favor de convenções coletivas ou acordos com o patronato. Além, quando um juiz de primeira instância manda invadir o Senado e outro, no Distrito Federal, ordena que a polícia aplique práticas de tortura psicológica em menores de idade, afim de que estudantes legitimamente exercendo sua cidadania desocupem a escola que lhes pertence.

    Tal despropósito também se faz notar quando o Ministério da Educação (MEC), ao invés do diálogo com os estudantes que ocupam as escolas, prefere utilizar a velha tática de dividir para conquistar, colocando alunos contra alunos, como no caso do adiamento do ENEM para aqueles candidatos que fariam as provas nas instituições convertidas em espaço de resistência. Estes adolescentes lutam em seus educandários por contrariedade com a reforma arbitrária do Ensino Médio, por não aceitarem o projeto de mordaça denominado “escola sem partido” e indignados com a famigerada PEC 241, agora PEC 55 no Senado, a qual congelará os investimentos em saúde, educação e seguridade social por 20 anos. Vale lembrar que os TREs dialogaram com o movimento estudantil e conseguiram realizar o 2º turno das eleições municipais sem maiores transtornos. Por que o MEC não poderia fazer o mesmo com o ENEM? Canalhice, talvez a melhor resposta.

    Os brasileiros ainda estão adormecidos ou intoxicados. Uns dormem o sono da negação da política, afirmando que “nenhum presta”, “voto nulo” ou que “é tudo ladrão”, do jeito que os programas policiais de fim de tarde lhes hipnotizaram. Outros estão envenenados pela lavagem cerebral midiática que lhes manda gritar “o PT quebrou o Brasil”, “fora PT” ou “Lula na cadeia”. Quando acordarem ou se descontaminarem, os direitos já terão sido retirados e o sonho de um país soberano e justo terá se convertido em pesadelo.

    Por hora, à exceção de Ana Júlia Ribeiro, a adolescente de 16 anos que pôs o dedo na cara dos deputados paranaenses, não há sinais de esperança para 2017.

    * Levon Nascimento é professor de história, graduado em Ciências Sociais e mestrando em “Estado, Governo e Políticas Públicas” pela Flacso Brasil.
  • Artigo do Levon: A última carta de Dilma

    Dilma Rousseff, primeira mulher a ser eleita presidenta
    da República brasileira. Vítima de um golpe de Estado.

    A carta proclamada pela presidenta-eleita Dilma Rousseff ao Povo Brasileiro e ao Senado da República, na tarde desta terça, 16 de agosto de 2016, tem tudo para se tornar um documento histórico.

    Histórico porque representa a última ação, em favor da manutenção da democracia brasileira, de uma mulher íntegra, honesta, que não cometeu crime de responsabilidade, a primeira do sexo feminino a ser eleita e reeleita para o mais alto cargo do Estado brasileiro, conclamando a Nação a resistir a mais um golpe de estado. Lembre-se de que o Brasil é o país onde este tipo de golpe é a regra e não a exceção.

    Dilma Rousseff teve problemas em seus governos, errou muito, mas acertou outro tanto. Buscou governar para os pequenos, os fracos, os pobres e os trabalhadores. Não teve jogo de cintura para lidar com a gula insaciável do mercado e nem com os gangsteres que povoam a política brasileira desde que Cabral pôs os pés em Porto Seguro. Talvez, aí esteja o maior erro de Dilma. Não fez concessões a Eduardo Cunha e sua gangue. Isto lhe custou o mandato conferido por 54 milhões e meio de brasileiros.

    O petrolão, a Lava-jato, a piração religiosa em torno da polêmica do aborto, a misoginia, a imbecilidade política da classe média, o machismo e o racismo contra sua política inclusiva fizeram um inferno cotidiano sobre o qual Dilma Rousseff teve que ter estômago mais pródigo do que o de avestruz. Dilma foi duas vezes torturada: na ditadura passada (1964-1985), em favor da democracia; na ditadura midiático-judiciária dos golpistas hodiernos, novamente pelos valores democráticos.

    Dilma Rousseff é uma mulher de fibra, como muitas brasileiras anônimas, autêntica e patriota. Pena que milhões de brasileiros levarão umas duas gerações até perceber que crucificaram a pessoa honesta e colocaram livres os verdadeiros bandidos, de quebra, entregando-lhes o poder sobre a Nação!

    Na carta, Dilma pede a chance de voltar à presidência para convocar um plebiscito no qual os brasileiros escolheriam em manter o seu mandato até 2018 ou convocar novas eleições. Não acredito que a maioria do Senado, tão subserviente aos interesses do capital financeiro e seus próprios, inconfessáveis e particularistas, se comoverá. O “golpeachment” se efetivará. Dilma Rousseff e os anos de ouro dos governos do PT, nos quais pobre teve vez na agenda pública, ficarão para a História fazer justiça. Num primeiro momento, condenados pelo efeito da manipulação da manada. No futuro, como símbolo do Brasil que quase deu certo, não fosse sua elite perdulária e sua emburrecida classe média.

    Hoje, sinceramente, não tenho mais esperanças na política e nem acredito em eleições num regime que depõe uma mulher honesta para entregar o poder a homens brancos, velhos, ricos e corruptos.

  • Poema: O lado certo da História

    Levon Nascimento


    Que estamos do lado certo da História,
    Nunca tive dúvidas.
    Que isto não nos sirva de consolo,
    Nem de desculpas para parar a luta.
    A luta continua,
    Antes, pelo avanço
    Da democracia brasileira.
    Agora, para que a democracia
    E os direitos não se percam.
    Quem é de luta está comigo
    E eu com ele(a).
    Aos golpistas,
    A lata de lixo
    E a vala comum.

  • Novo FEBEAPÁ: o golpe de 2016

    FEBEAPÁ (Festival de Besteiras que Assola o País) é o título de uma série de três livros escritos pelo cronista, escritor, radialista e compositor brasileiro Sérgio Marcus Rangel Porto (Rio de Janeiro, 11 de janeiro de 1923 — 30 de setembro de 1968), mais conhecido por seu pseudônimo Stanislaw Ponte Preta. No FEBEAPÁ, Ponte Preta ironizava as pérolas dos anos iniciais da Ditadura Militar brasileira. Pois não é que com o golpe de 2016, um novo FEBEAPÁ está acontecendo na vida política e social brasileira!
    Conta-nos, Stanislaw, que nos anos 60 do século passado, a repressão invadiu um sindicato à procura de todos os livros do “comunista comedor de criancinhas” Karl Marx, o velho filósofo alemão que viveu no século XIX, mas que acabou fichado no DOPS (órgão da ditadura brasileira) como figura muito suspeita que ameaçava o regime. O primeiro livro estranho encontrado foi levado e queimado na rua por ter a capa vermelha. Era uma Bíblia doada aos líderes sindicais do mundo inteiro pelo Papa João XXIII, durante uma solenidade de São José Operário, em algum 1º de maio. Mas, como estava escrita em latim e, ainda, com capa vermelha, só podia ser coisa de comunista ateu (risos). “O Capital”, livro de Marx, permaneceu incólume, pois tinha capa preta e edição discreta. Agora, nos tempos do usurpador golpista temerário, do deputado Bolsonaro, que elogia torturadores na sessão do impeachment, de Eduardo Cunha, que apronta todas e nunca vai preso e dos parlamentares obscurantistas, uma professora do Paraná foi afastada da escola – pasmem! – por ensinar as teorias de Karl Marx na aula de sociologia, coisa que consta do curriculum de qualquer escola brasileira, americana, inglesa ou japonesa que preze por oferecer um ensino de qualidade.
    A julgar pelo ridículo e pelo desmonte das políticas públicas que o governo golpista está operando em apenas dois meses, todos os professores de História, Ciências, Sociologia, Geografia e Filosofia que se preparem, pois a nova ditadura “temerária” brasileira, que pôs fim à Nova República inaugurada por Tancredo Neves em 1985, vai em breve nos censurar e perseguir por ensinar Paulo Freire, Milton Santos, Guerra Fria, evolucionismo darwinista, cultura afro-brasileira e indígena, teoria do subdesenvolvimento e o artigo 5º da Constituição de 1988, aquele que trata sobre os direitos dos cidadãos e cidadãs do Brasil.
    Não bastasse querer elevar a aposentadoria para 70 anos, entregar o pré-sal para as multinacionais americanas, aumentar a jornada diária de trabalho de oito para doze horas, agora é a tal da “Escola Sem Partido”, defendida pelo ator pornô Alexandre Frota na visita que fez ao Ministro da Educação do governo golpista de Temer, ainda em maio.
    Fora Dilma! Bem-vinda nova ditadura! A história se repetindo, como em 1964. Quantos serão torturados e mortos novamente?
  • Texto do Levon: Quem é o inimigo a ser morto?

    Bem, o esperado está acontecendo.
    Primeiro, demonizaram o PT e esconderam a podridão dos outros partidos (PSDB, PMDB, PP, PTB, etc.), muito maiores do que as do PT. E é fácil provar que são realmente muito maiores. Depois, tramaram contra Lula que, apesar de nem ser réu, não podia ser nomeado ministro, enquanto que o governo golpista está cheio de investigados na Lava-jato e em outras lambanças, sem contar Eduardo Cunha na presidência da Câmara, mesmo com a revelação das contas na Suíça. Em seguida, o impeachment de Dilma, mulher honesta, que não cometeu crime de responsabilidade. Agora, justamente no período eleitoral, bloqueiam a conta do PT. A desculpa, como sempre, é a de combater a corrupção. Mas só tem PT nesse emaranhado de 35 partidos políticos? É só desculpa. O objetivo é cortar o financiamento das candidaturas de petistas e deixar livres os demais. Justamente, os demais!
    O tolo que acredita que a corrupção está sendo combatida com a destruição do PT deve achar que, enfim, o Brasil se tornará um mar de rosas. Pobre coitado! Asno!

    É um golpe. O PT é apenas o símbolo do inimigo a ser combatido. Só o símbolo. O verdadeiro inimigo a ser “morto”, extirpado como um câncer, é o pobre, é o trabalhador, é aquele que vai perder os poucos direitos que conquistou na última década, durante os governos petistas:
    * Valorização do salário mínimo,
    * “Minha Casa Minha Vida”,
    * PAC,
    * ProUni,
    * Fies,
    * Brasil Sem Fronteiras,
    * Luz para Todos,
    * Água para Todos,
    * Caminhos da Escola,
    * Bolsa Família,
    * Cotas para pobres, negros e indígenas,
    * Políticas de proteção à mulher,
    * Pronaf,
    * Previdência social,
    * “Mais Médicos”,
    * Escolas técnicas,
    * Institutos federais,
    * Concursos públicos,
    * 14 novas universidades,
    * Integração latino-americana,
    * Inclusão de 40 milhões de pessoas retiradas da extrema miséria, etc…

    Anos sombrios e terríveis pela frente, só porque você gritou “Fora Dilma e leve o PT junto”. Prepare-se para sofrer.

  • Claro como o sol e escuro como a noite

    É nítido como a luz que brilha o quadro político brasileiro atual. As forças que perderam o comando do país em 2002, com a eleição de Lula para a presidência do país, querem dar um golpe de estado e destituir a Presidenta Dilma Rousseff. Quando não os mesmos, têm idêntico DNA dos que levaram Getúlio Vargas ao suicídio, tumultuaram o mandato de Juscelino Kubistchek, conclamaram o golpe de 1964 contra João Goulart e as Reformas de Base, deram suporte político e ideológico à ditadura civil-militar (1964-1985) e nunca engoliram a chegada do torneiro mecânico e da guerrilheira mineira ao posto máximo da República. Emprestaram a cadeira que sempre lhes pertenceu, desde que Cabral pôs os pés nesta terra, mas agora querem retomá-la a qualquer custo. Como não conseguiram em 2014, com seu candidato aviador, não se importam em manchar a imagem do país com um novo golpe, desta vez de inspiração hondurenho-paraguaio, midiático-judicial.

    Sim, trata-se de um golpe de estado! E não há como dizer que não é. Dirão que o impeachment está previsto na Constituição de 1988, que já foi usado contra Collor, etc. É verdade. Mas se esquecem de que o impeachment(cassação do mandato do presidente da República) só é permito pela Carta Magna quando há comprovação inequívoca de cometimento de crime de responsabilidade. Com Collor, havia dezenas de provas. Com Dilma, apesar do esforço da mídia, da oposição política e de setores do judiciário, não se provou exatamente nada contra ela. A Rede Globo tenta fazer a população acreditar de que se trata de uma “ladra, vagabunda e desequilibrada”. O juiz Moro quebra seu sigilo telefônico e “vaza a jato” no Jornal Nacional. Mas, tudo o que conseguiram provar é de se trata de uma mulher de fibra, que não se vergou aos torturadores da ditadura nem aos abutres – da atualidade – que a querem fora (viva ou morta) do cargo para o qual foi reconduzida com mais de 54 milhões de votos.

    É um golpe, sim! Com dois anos de investigação da Lava-jato, quebra de sigilo telefônico e dezenas de delações premiadas, nada se provou contra a honestidade de Dilma Rousseff. Tanto é um golpe que, apesar de todos os rumores acerca da Petrobrás, para pedir o seu impeachmentna Câmara, tiveram que inventar como motivo as tais “Pedaladas Fiscais”. Sim! Dilma não está ameaçada de perder o cargo de presidenta por conta do “Petrolão”. Querem cassar o seu mandato por causa das “pedaladas fiscais”. Aposto que você não sabia! A grande mídia, que manipula e aliena as pessoas, não faz questão de lhe explicar.

    Segundo a tese das pedaladas, Dilma teria cometido crime porque, ao iniciar os meses sem dinheiro no caixa do Tesouro Nacional, pegou dinheiro no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal – que são instituições públicas, sob seu comando, inclusive – para pagar os gastos do governo com os programas sociais: Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, ProUni, etc. Posteriormente, quando o dinheiro entrava no caixa, repassava-o de volta aos bancos federais. Em outras palavras, não estão “tirando” Dilma do poder porque ela pegou dinheiro público e pôs no próprio bolso, mas porque, assim como uma mãe, ela preferiu retirar dinheiro dos bancos ao invés de atrasar os compromissos com os programas sociais que tanto contribuem na inclusão de milhões de brasileiros pobres e trabalhadores. É necessário acrescentar que, vários outros presidentes antes de Dilma também realizaram as pedaladas fiscais e não sofreram impeachment, assim como diversos governadores de estado e prefeitos municipais. O vice Michel Temer, quando no exercício da presidência, também praticou as tais pedaladas. Se Dilma deixar de ser presidente por isto, então todos os governadores e prefeitos deveriam ser cassados.

    É um golpe de estado! E isto fica claro quando se percebe que a tal planilha ou lista da empreiteira Odebrecht, fruto das investigações da operação Lava-jato, contém mais de 300 nomes de políticos brasileiros, de quase todos os partidos políticos, menos os de Lula e Dilma. Enquanto que as gravações telefônicas dos dois foram divulgadas com estardalhaço pelo juiz Moro e pela Globo, sem nada provar contra eles, sobre a mesma lista, que levaria os “moralistas sem moral” à cadeia, também o mesmo juiz decretou sigilo judicial e o Jornal Nacional fez escandaloso silêncio. Acho que você nem sabia da existência dessa lista!

    É um golpe, sim! Pois os que agora tramam a queda de Dilma já negociam como seria o pacto do futuro governo comandado pelo vice Michel Temer. Em acordo com o PSDB, aquele mesmo que foi derrotado nas últimas quatro eleições presidenciais, Temer liquidaria com a Petrobrás, acabaria com o controle brasileiro sobre o pré-sal (por Lula destinado à saúde e à educação) e o entregaria à exploração das petroleiras americanas, daria prosseguimento à política tucana de privatização selvagem, reduziria os direitos sociais conquistados nos governos do PT, acabaria com as políticas públicas de inclusão social, perseguiria os movimentos sociais e a esquerda política e, pasmem!, abafaria a operação Lava-jato, de modo que ela ficasse restrita apenas à punição e execração pública dos petistas, salvando os corruptos e corruptores dos demais partidos políticos.

    É um golpe, sim! Uma presidenta sobre a qual, apesar de tanta investigação, não se conseguiu provar nenhum envolvimento em crimes ou roubalheiras, mas que pelo contrário, dá autonomia à Polícia Federal para que investigue a tudo e todos, inclusive os de seu próprio partido e a ela mesma, sendo ameaçada de perder o mais alto cargo da República, conquistado com a aprovação de mais de 54 milhões de votos, por um político mais sujo do que pau de galinheiro, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, com mais de duas dezenas de processos, provas de contas secretas na Suíça, machista declarado, contrário aos direitos sociais e atolado até o pescoço em corrupção. Metade dos deputados escolhidos para compor a comissão que analisa o impeachment de Dilma na Câmara é investigada na Lava-jato ou tem outros processos pesando contra si. São os verdadeiros corruptos posando de bons moços e ameaçando o mandato da presidenta, contra a qual não pesa atos de corrupção.

    É um golpe, sim! O país está em crise econômica. A luz, os combustíveis e os alimentos estão caros. O desemprego avança. Mas  grande mídia não explica que é uma crise mundial. E que esta crise afetou o Brasil. Mas que o Brasil, apesar de tudo, passa por ela melhor do que a média dos demais países do mundo. Quem se lembra de outras crises pelas quais o Brasil já foi atingido sabe que havia quadros de fome generalizada. Hoje, apesar da gasolina alta, a maioria dos brasileiros tem carro ou moto e não deixa de rodar. Pode ter reduzido certos hábitos de consumo, mas nem de longe deixa de se alimentar. No passado, antes dos governos Lula e Dilma, quando se falava em crise no Brasil, o quadro era africano. A crise econômica atual é ampliada pela turbulência política. Enquanto não deixarem Dilma governar em paz, ela não passará. O golpe do impeachment só agravará a situação.

    É um golpe, sim! Está nítido e cristalino. É tão claro como o sol que raiou pela manhã. Nenhuma pessoa que está calada, apenas observando, poderá dizer no futuro que não tinha conhecimento ou de que fez confusão sobre os lados desta batalha. Embora ninguém seja anjo neste jogo, está muito claro quem são e quem não são os demônios. É de uma clareza insólita qual é o lado certo e qual é o lado errado, quem realmente está do lado povo e quem está contra. Há o golpismo e a defesa da jovem democracia brasileira. Se você não compreender a clareza solar desta situação e não se posicionar, o Brasil será envergonhado internacionalmente por mais um golpe de estado e se transformará numa realidade tão escura quanto a noite. Ficar no muro também é tomar partido, do lado dos golpistas. A História julgará cada um pelo lado que escolher.

    * Levon Nascimento é professor de História e mestrando em “Estado, Governo e Políticas Públicas” pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais.