* Levon Nascimento
Por que não quero estar nas comemorações oficiais do sete de setembro de 2017?
Porque o Brasil passou por um golpe de Estado em 2016, que retirou a suprema mandatária eleita com 54 milhões e meio de votos, sem que ela tivesse cometido crime de responsabilidade, para colocar uma quadrilha em seu lugar. Golpe que continua em pleno movimento catastrófico, nos conduzindo ao inferno nazista.
Porque há um governo ilegítimo no poder destruindo as conquistas sociais e os direitos mais fundamentais dos brasileiros e enchendo as elites de mais privilégios.
Porque as instituições da República foram entregues a gângsteres ou a patifes.
Porque quem saiu às ruas vestido com a camisa amarela da corrupta associação de futebol nacional, adorando o pato de borracha e batendo em panelas, eram zumbis inoculados com ódio através da mídia cartelizada e antinacional.
Porque no Brasil a lei não é para todos. Um jovem pobre, negro e favelado é condenado a onze anos de cadeia por portar um pinho-sol numa passeata, acusado de terrorismo, enquanto o filho traficante da desembargadora, o helicóptero do pó e a mala monetária do “mineirinho” permanecem impunes. As malas do baiano e do Drácula, idem.
Porque o MPF segue o roteiro da mídia.
Porque aquela vara de Curitiba parece se conduzir pela prática do lawfare.
Porque a Consolidação das Leis do Trabalho, fruto das lutas populares dos trabalhadores, foi rasgada pela antirreforma trabalhista, devolvendo os brasileiros à condição de empregados semi-escravos.
Porque só um partido é criminalizado, enquanto o analfabetismo político é estimulado.
Porque o governo ilegítimo e golpista pôs a Amazônia à venda aos estrangeiros.
Porque as castas superiores das carreiras de Estado ejaculam sobre a lei, fingem combater a corrupção e estupram a Constituição.
Porque no Brasil se pratica um jornalismo de guerra, panfletário, manipulador, assassino da verdade e avesso aos interesses nacionais.
Porque, em nome do combate à corrupção, concederam-se regalias aos corruptores, enlamearam a política como via correta da resolução dos conflitos, destruíram o conhecimento e o patrimônio acumulados das companhias empresariais brasileiras, promoveram o desmonte da economia nacional e a miserabilização da maioria do povo, abrindo espaço generoso ao imperialismo dos mercados internacionais e à loucura do pensamento fascista.
Porque a idiotice reina nas redes sociais, vertendo ódio pelos poros, travestida de bom-mocismo da “gente de bem”, coberta sacrilegamente pela sagrada Bandeira Nacional.
Porque enquanto os fascistas do ódio e os aventureiros da política têm espaço, nosso maior estadista sofre perseguições injustas e julgamentos-espetáculos à moda das ditaduras de direita e de esquerda, para se impedir que o povo reconquiste o poder central.
Porque no Brasil a classe média se escandaliza com o direito ao Bolsa Família, mas não se envergonha dos privilégios concedidos e dos altos salários dos escalões superiores do sistema judicial.
Porque nossos índios continuam a ser exterminados por ambiciosos exploradores da terra.
Porque a lama de Mariana – e de quantas Marianas mais? – ainda está sem punição.
Porque nossa terra e os alimentos nela cultivados permanecem envenenados por antiéticas figuras que em mais nada pensam senão no próprio bolso.
Porque os negros, os jovens, as mulheres, os homossexuais e os pobres persistem a sofrer discriminação, preconceito, machismo, homofobia e retirada de direitos.
Porque a perseguição ideológica pelas elites só aumenta na forma de projetos esdrúxulos em nossas casas legislativas.
Porque quem paga imposto no Brasil é o pobre, enquanto os bancos têm a melhor remuneração do planeta.
Porque há provas concretas contra uns, que estão livres, leves e faceiros, mas apenas palavrórios em delações premiadas de presos querendo ganhar a liberdade servem para perseguir os líderes políticos do campo ideológico oposto ao da elite.
Não, não vou assistir à marcha de sete de setembro, porque o Brasil não é independente. Quem gosta de marchas mecânicas são os ditadores e os candidatos a ditadores, a exemplo das sincrônicas paradas da Coreia do Norte.
Continuo amando a Nação que tem por símbolo a bandeira verde, amarela, azul e branca. Amando seu povo, sua diversidade e sua cultura. Mas não vou ver a marcha carnavalesca de sete de setembro. O carnaval é melhor em fevereiro. Porque, em geral, quem patrocina essa atração momesca temporã não é verdadeiramente patriota, não luta pela soberania nacional e se vendeu à ideologia ultra-liberal para a qual as pátrias são apenas espaços de bons negócios.
Como um bom brasileiro, prefiro lutar pelo Brasil, por sua soberania e por seu povo, exercendo meu patriotismo a gritar com e pelos excluídos, fazendo eco ao nosso lindo Hino: “Verás que um filho teu não foge à luta”!
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O 7 de setembro: comemorar? #7deSetembro
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Dilma afirma: "Falhou quem apostou contra o Brasil!"
Presidenta Dilma no desfile cívico de 7 de setembro de 2013,
em Brasília/DF. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.A presidenta Dilma Rousseff comemorou resultados econômicos alcançados nas últimas semana e afirmou que o governo precisa ter humildade para entender o direito da população de reclamar e de se manifestar, autocrítica para reconhecer que o país que ainda precisa melhorar muito seus serviços públicos. Mas assinalou que há muitos avanços a serem observados.
Em dez minutos do tradicional pronunciamento, além do breve balanço geral apresentado, Dilma endereçou alguns recados específicos. Ao colunismo econômico, reafirmou que a economia está firme e, apesar do cenário internacional adverso, cresceu no primeiro semestre mais que os ricos EUA, Alemanha e que os concorrentes emergentes, como México e Coreia do Sul. “Nosso tripé de sustentação continua sendo a garantia do emprego, a inflação contida e a retomada gradual do crescimento”, disse, acentuando que “falhou” quem apostou o contrário.
A presidenta também alinhou-se ao clima de manifestações instalado para o 7 de setembro, ao falar em humildade e autocrítica do governo para reconhecer a precariedade dos serviços públicos e o direito das pessoas de protestar. As palavras escolhidas dão entender que vai também um recado aos órgãos de imprensa que carregam nas notícias negativas na tentativa de minar a aprovação do governo. “Não podemos aceitar que uma capa de pessimismo cubra tudo e ofusque o mais importante: o Brasil avançou como nunca nos últimos anos”.
Mesmo lembrando mais o tom confiante de pronunciamentos feitos antes de junho, Dilma incorporou o ambiente pós-onda de protestos. “Estamos aprofundando os cinco pactos para acelerar melhorias na saúde, na educação e no transporte, e para aperfeiçoar a nossa política e a nossa economia”, listou. Mas foi direta, logo na abertura da fala, aos que tentam se apropriar do clima com vistas a influenciar as eleições de 2014: “Hoje, nosso Grito do Ipiranga é o grito para acelerar o ciclo de mudanças que, nos últimos anos, tem feito o Brasil avançar. O povo quer, o Brasil pode e o governo está preparado para avançar nesta marcha”.
Houve ainda um recado para o Congresso Nacional, no que diz respeito às preferências da presidente em torno do balaio de propostas e torno de um reforma política. Dilma foi categórica em defender o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) elaborado por parlamentares do PT, PCdoB, PSB, e PDT e que obteve mais de 180 assinaturas, o bastante para ser entregue na Diretora da Câmara na semana passada para poder tramitar. O projeto prevê plebiscito em torno de temas caros aos movimentos sociais, como o fim do financiamento privado de campanhas.
Matéria do site Rede Brasil Atual.
Veja o vídeo do pronunciamento da Presidenta Dilma em 6 de setembro de 2013.<a class="BLOGGER-object-element tr_noresize tr_placeholder" data-original-id="BLOGGER_object_8" href="http://“>
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Independência do Brasil

“Aqui se vive intensamente.
Os corpos possuem a vibração vinda
da própria atmosfera” (foto: Getty Images)Releia ou leia o artigo que escrevi há um ano sobre a INDEPENDÊNCIA DO BRASIL. Clique aqui.Leia também este excelente artigo do ex-Governador de São Paulo, Cláudio Lembro (DEM).Viver a VidaNenhuma notícia na imprensa pátria. Desconhecimento absoluto. Como se nada houvesse acontecido. No entanto, ocorreu. Uma onda de suicídios de executivos varre a França.A França é o país europeu onde mais se verificam atos de morte voluntária. Todos os anos, mais de cento e sessenta mil pessoas atentam contra a própria vida. Doze mil morrem. O caso francês, com situações correlatas em outros países da União Europeia, indica uma situação social de anormalidade. A Europa encontra-se esgotada. O velho continente já não aponta para novas conquistas intelectuais ou materiais. Está em processo de fragilização. No entanto, muitos brasileiros ainda ficam extasiados quando se referem à Europa. São incapazes de perceber que o vento do novo sopra sobre a América Latina, apesar das aparências por vezes em contrário. É neste continente – exatamente o Novo Mundo – onde se realizam as grandes mudanças.Após anos de colonização direta e mental, os latino-americanos compreenderam a importância de se debruçar sobre as próprias raízes e captar a seiva que vem desta experiência. Já não há menosprezo para os autóctones. Ser descendente dos colonizadores ibéricos já não é importante. Leva-se em consideração, na atualidade, o saber viver os valores locais.Durante séculos, a História dos povos latino-americanos foi contada de acordo com a ótica do colonizador. Tudo era visto, a partir das descrições dos padres missionários. A situação mudou. Os antigos manuais utilizados nos confessionários foram postos de lado. O pesado complexo de culpa que era disseminada na sociedade foi superado.Hoje, nos trópicos e subtrópicos vive-se mais espontaneamente. De acordo com a natureza e de conformidade com valores elaborados, por aqui, no decorrer dos séculos. Os surtos de melancolia que percorrem a Europa não atingem as praias do Atlântico Sul ou do Pacífico austral. Novas formas de convivência brotaram abaixo do Equador, de maneira acentuada no Brasil. Não recebemos os acordes tristes do fado. Ficamos com os ritmos vibrantes da África. Admiramos a capoeira e a transformamos no balé das terras do Sol.Tudo isto parece mero ufanismo. Talvez seja. É incontestável, contudo, que se vive, nestas terras ensolaradas, de maneira diferente de nossos ancestrais europeus. Eles trouxeram as velhas tradições de culto aos mortos. Ergueram cemitérios grandiosos. A morte se encontrava presente em todos os aspectos do cotidiano. Nada, porém, menos presente nos costumes nacionais que a morte. Diferente de outros povos, onde o culto à morte é fundamental, os brasileiros amam a vida.Querem viver e deixar viver. A dramática onda de suicídio presente na França, dificilmente ocorreria por aqui. As pessoas contam, aqui, com tantos desafios. Estes geram otimismo espontâneo. É importante que os brasileiros, especialmente aqueles que se orgulham de suas posições acadêmicas, exponham mais sobre o Brasil e suas qualidades.São poucos os mestres que buscam na História do Brasil base para suas aulas. Gostam de mostrar erudição. Citar autores nacionais parece pouco qualificado. São os intelectualmente colonizados. Precisam se libertar das amarras com o velho continente sem vigor. A nostalgia não é sentimento presente na alma brasileira. Aqui se vive intensamente. Os corpos possuem a vibração vinda da própria atmosfera. É preciso entender as exigências de nossa sociedade sob pena de alienação.Os dramáticos suicídios disseminados entre os franceses demonstram um esgotamento de energia no espaço europeu. Vamos aproveitar a energia de nossa gente e construir novas formas de convivência.
