Tag: Jesus Cristo

  • Levon Nascimento: “Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé”

    Levon Nascimento: “Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé”

    “Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé”.

    Essa frase repetida como oração pelo povo católico, é para mim a exata medida da explicação do fenômeno da fé e de sua oposição ao fundamentalismo cristão.

    Fé é acreditar, mas com a consciência de que há dúvidas. E sem o medo de duvidar. A maturidade da fé é relativamente proporcional à intensidade das incertezas.

    Fé que se apresenta como “certa de tudo” é fanatismo; e não há nada mais prejudicial a um cristão do que ser fanático religioso.

    Jesus sempre se posicionou aberto, lúcido, inclusivo e incentivador do pensamento crítico. De outro modo, por que ensinaria através de parábolas, que levam o interlocutor a raciocinar? Raciocínio é lucidez. Onde se raciocina não se fanatiza.

    Diria até que o método pedagógico freiriano é antes de tudo um modo de ensino desenvolvido, na prática, por Jesus.

    Encarar a ciência como inimiga, ao invés de presente de Deus à humanidade, é pecar contra a fé que se diz deter nos dons do Espírito Santo.

    Antivacinas, armamentistas, neofascistas e outras doutrinas mortíferas que se alimentam dos instrumentais da fé cristã para se legitimarem, nada têm à ver com Jesus; são manifestações fanáticas e se compõem de elementos doentios confundidos como se fossem fé.

    Portanto, toda expressão cristã que se enrijece e leva seus seguidores a se fanatizarem, de fato não é cristã e, por consequência, tem outra coisa que não é fé.

  • Professor Levon: Os fariseus passarão. Os genocidas, também!

    * Professor Levon

    Tenho acompanhado as redes sociais do querido Padre João PT (Deputado Federal de esquerda). Sacerdote íntegro, que liga fé e vida em seu trabalho parlamentar e assume a política como parte inerente de sua vocação sacerdotal e missão cristã, ele tem sido vítima frequente dos comentários cibernéticos de gente que se diz muito católica/cristã, cujo conteúdo coraria de vergonha alguém com um pingo de temperança no coração.

    Ao ler tais vômitos, lembrei-me da Bíblia e de suas histórias. Repetindo um jargão de senso comum, poderia dizer: “já estava escrito lá”.

    Os fariseus eram aquelas pessoas muito religiosas do tempo de Jesus. Muitíssimo! Sabiam o Antigo Testamento de cor e salteado. Seguiam todas as regras litúrgicas: vênias, dias santos, jejuns, sacrifícios, etc. Adoravam julgar e condenar quem não fazia como eles.

    Jesus não perdia uma oportunidade de confronta-los, denuncia-los e os chamava por vários nomes: sepulcros caiados (belos por fora e podres por dentro) e hipócritas (que falam uma coisa e vivem outra bem diferente) eram alguns dos cognomes com os quais o Mestre de Nazaré os brindava.

    Alguns fariseus se converteram. José de Arimateia foi um deles. A maioria, no entanto, tramou com os sumo-sacerdotes a entrega de Jesus ao poder romano, para ser torturado, crucificado e morto. Os fariseus adoravam julgamentos sumários e processos sem prova (estilo lava-jato) e uma intervenção militar (chamaram as tropas romanas para prenderem o Cristo).

    Na hora H, preferiram Barrabás, “o mito”, ao invés do justo contra o qual se erguera um processo farsesco. Por meio de fake news, os fariseus e sacerdotes do templo ainda levaram o povo, diante do coroado de espinhos, a gritar: “crucifica-o” e “que o seu sangue caia sobre nós e nossos filhos”.

    Os fariseus eram religiosos que adoravam um espetáculo violento, com muita dor e sangue aos seus desafetos. Se fosse hoje, tenho certeza de que eles emendariam uma missa católica ou culto evangélico na TV com um programa do Sikera Jr ou do Datena, como se fosse algo natural e até complementar.

    Os fariseus estão de volta. Atacam bispos, padres, pastores, freiras e leigos que tentam viver o Evangelho da forma mais parecida com a qual Jesus o anunciou: misericórdia, perdão, amor, cuidado com as pessoas independentemente de seus defeitos e pecados, compassividade e compromisso com a fração do pão entre os pobres e famélicos.

    Os novos fariseus adoram gritar que “Deus está acima de todos” e que o fazem “em nome de Jesus”. Porém, sua prática revela que eles não acreditam em Deus, mas no dinheiro, nas armas e na política genocida. Também, odeiam ao Jesus real e histórico. Se Ele voltasse hoje, os fariseus, “em nome de Jesus”, prenderiam-no e o torturariam e crucificariam de novo.

    Os fariseus adoram um líder religioso eloquente no discurso, de preferência, que negocie a fé com teologia da prosperidade ou que posa para fotos segurando metralhadoras, ao lado de astrólogos malucos escondidos em um buraco qualquer do neo-Império Romano.

    Os fariseus passarão. Os genocidas, também!

    Os fariseus passarão. Os genocidas, também!
    Professor Levon: Os fariseus passarão. Os genocidas, também!
  • O santo e o fariseu

    Eu vejo Francisco como um papa que tenta trazer as pessoas para perto do amor de Jesus Cristo: divorciados, gays, imigrantes, pobres, mulheres, muçulmanos, orientais, etc, sem a necessidade de mutilá-los em sua cultura com nossos dogmas milenares; ao mesmo tempo em que denuncia a sociedade de consumo que desumaniza as pessoas e descaracteriza a criação divina, nossa casa comum.
    Estranho mesmo é gente que se diz de Igreja (quaisquer igrejas) pregando o ódio, falando mais no diabo do que em Deus, mergulhando no irracionalismo tipo “shalarilarabá”, adorando o vil metal como se fosse bênção e afastando todos aqueles a quem Francisco tenta abraçar.
    Essa é a diferença entre um santo e um fariseu aos nossos olhos.
  • O Senhor é Rei!

    Hoje é a solenidade de Cristo, Rei do Universo, último domingo do calendário litúrgico (2017) católico.

    Jesus é rei porque se põe a serviço dos outros, cura em dia de sábado, mesmo aos não-judeus, dá de comer aos famintos, tem compaixão dos órfãos e das viúvas, expulsa os vendilhões do templo, transforma água em vinho para alegria dos festejantes, salva a mulher do apedrejamento patriarcal, deixa fariseus e outras autoridades em saia justa com sua sabedoria, incomoda os instalados no poder em sua época e se entrega individualmente para salvar coletivamente.

    Já os “reis” da Terra reinam com mordomias descabidas, lucros exorbitantes, riqueza concentrada à custa da pobreza institucionalizada, manipulação do Estado para interesses privados, jantares suntuosos a quem deveria legislar pelo bem comum em troca da destruição dos direitos dos pobres e dos trabalhadores, instrumentalização da justiça para absolver os aliados da iniquidade e condenar os inimigos do status quo, e deboche perseguidor aos que lutam por um mundo mais fraterno.


    A diferença entre a realeza de Cristo e a glória passageira dos homens poderosos está na humanidade de Jesus e no egoismo de quem só tem poder porque dá golpes.


    “Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos” (Marcos 9,35).

    Àquele que era, que é e que vem, honra e glória. Vem, Senhor Jesus!

  • Quando os bons partem e nos deixam órfãos

    Dom Helder Câmara

    DOM HÉLDER CÂMARA foi um revolucionário na Igreja Católica brasileira. Enfrentou a ditadura militar, passou a morar como os mais pobres de sua Arquidiocese de Olinda e Recife e um dos articuladores do “aggiornamento” provocado pelo Concílio Vaticano II. Um santo de nosso tempo. Faleceu em 1999. Um processo de beatificação está em curso.

    Dom Luciano Mendes de Almeida

    DOM LUCIANO MENDES DE ALMEIDA, arcebispo de Mariana, primaz de Minas Gerais, foi presidente da CNBB nos anos de ouro da conferência dos bispos e conduziu-a no auge do engajamento da Igreja em favor dos pobres, além de profundo defensor da ação das comunidades eclesiais de base latino-americanas e das pastorais sociais, testemunhando Jesus na vivência de uma religião lúcida, engajada com os grandes temas do bem comum para o Brasil. Partiu em 2006.

    Dom José Maria Pires

    DOM JOSÉ MARIA PIRES, emérito da sé da Paraíba, primeiro arcebispo negro do Brasil, conhecido como dom Zumbi, por sua defesa dos afrodescendentes, outro grande prelado católico que a segunda metade do século XX nos legou. Seguiu rumo ao Reino ontem (27 de agosto).

    Todos foram boicotados pelo Vaticano inverno eclesial de Wojtyla/Ratzinger, mas sua obra sobrevive, porque marcadamente fundamentada no Evangelho de Jesus e no amor aos semelhantes, especialmente os pobres e deserdados.

    Os três se foram em anos diferentes, mas num 27 de agosto. Coincidência ou providência, pouco importa. São homens santos, testemunhas fiéis do crucificado-ressuscitado. Tomara os atuais ministros da Igreja sigam seus luminosos exemplos.


    Precisamos de sucessores desses profetas para enfrentar os mares revoltos do presente.

  • Os ataques a Francisco

    Dia de São Pedro é também o Dia do Papa. Por que tantos ataques ao papa atual vindos de grupos de dentro da própria Igreja? Vejamos:
    Há quatro anos Francisco assumiu a chefia de uma instituição bimilenar atolada em denúncias de pedofilia e em que os casos eram acobertados por altas autoridades do clero. Ele não só deu publicidade, instituiu normas de controle, encontrou-se com vítimas e baniu até mesmo cardeais que acobertavam pedófilos.
    Quando assumiu, a cúria romana estava desgovernada, com vazamentos de documentos secretos, fato que segundo consta fizeram até mesmo o seu antecessor (Bento XVI) chegar ao ato extremo de renunciar, coisa que não acontecia na Igreja há mais de cinco séculos. Ele criou uma comissão externa de aconselhamento, destituiu lideranças envolvidas nos escândalos e iniciou um processo de reestruturação da cúria, focando-a mais na vocação para o serviço evangélico do que em ser a corte mundana de um monarca absolutista.
    Em 2013, encontrou o Banco do Vaticano envolvido em falcatruas diversas. Demitiu todos os envolvidos e aceitou todas as normas e procedimentos que as autoridades civis julgam necessárias para a transparência e honestidade das finanças da Igreja.
    Encontrou um igreja com o umbigo voltado para o fundamentalismo xenófobo eurocêntrico. Abriu-a para as questões das mulheres, dos refugiados e das “periferias do mundo”, nomeando cardeais dos lugares mais improváveis da Terra, como de países pobres da África, da Ásia e da América Latina, além de ter-se comprometido com pautas de redução das desigualdades sociais, ambientais e de gênero.
    Demitiu bispos que viviam em mansões e constrói lavanderias comunitárias, cozinhas populares e centros de recepção de desabrigados e refugiados dentro dos próprios palácios vaticanos, para os pobres de Roma e de fora.
    Enquanto grupos cristãos extremistas pregam a guerra contra o Islã ou sofre ameaças de atentados por parte de terroristas islâmicos, busca o diálogo e o respeito com a comunidade muçulmana.
    Agora, descobre-se que grupos extremistas da Igreja, quase medievais, escandalosamente se divertem com “previsões demoníacas” que apontariam para a morte iminente do Papa Francisco. Outros (grupos católicos), acham maravilhoso que Trump tenha ganho várias “paradas”, porque enxergam no presidente americano o grande rival de Francisco. Outros, ainda, já não temem gravar vídeos em que o tratam por “estúpido”. Pior, uma apatia de certos indivíduos do clero em implementar suas decisões e conselhos.
    Nunca me foi tão claro quanto agora de que, em verdade, para quem tem fé, o Papa Francisco foi realmente escolhido por Jesus para guiar a Igreja neste momento tão difícil pelo qual passa a humanidade. E mais, conta com a força do Mestre para reconstruir a Casa de Deus e a Casa Comum, como o outro Francisco, o de Assis.
    Vida longa a Francisco! Deus o abençoe, o proteja e o mantenha firme. Nós precisamos dele e de sua coragem nestes tempos de neofascismo e extremismo.
  • Aparecida no Carnaval

    Acabei de assistir o vídeo do desfile da Escola de Samba Unidos de Vila Maria, de São Paulo, homenageando os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil. Desfile lindo, encantador e emocionante, ocorrido na madrugada de sexta para sábado.
    Que se mordam os conservadores! Nossa Senhora e o Evangelho do Filho dela têm de ir a todo lugar, inclusive ao sambódromo, que é onde o povo está.
    A fé só é viva se entranhada na cultura.

    Postado no Facebook em 27 de fevereiro de 2017.
  • Poeira, Pérola e Perdão

    Por Levon Nascimento

    Já fui tentado diversas vezes a “sacudir a poeira dos pés” para lugares, pessoas e situações que me indignam.

    Vontade que só aumenta quando se trata de indivíduos com posturas fascistas, ingratas ou canalhas.

    Certa vez, Jesus disse aos discípulos como deveriam agir com as cidades que não aceitavam a Boa Notícia, segundo Mateus 10,14-15…

    “Se não vos receberem e não ouvirem vossas palavras, quando sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi até mesmo o pó de vossos pés. Em verdade vos digo: no dia do juízo haverá mais indulgência com Sodoma e Gomorra que com aquela cidade.”

    Anteriormente, ele já tinha falado “Não deis aos cães as coisas santas, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para que não aconteça que as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem” (Mt 7,6), provavelmente se referindo àquelas situações em que damos o melhor a quem não quer ou não valoriza o que recebe.

    Mas estou me aguentando e fazendo um esforço para seguir outro ensinamento do mestre: “Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará” (Mt 6,15).
  • 6 de janeiro: Os santos reis do oriente e a tolerância

    Cultura popular e tolerância religiosa
    * Por Levon Nascimento

    O calendário litúrgico e a cultura popular celebram hoje o fim do ciclo do Natal com a festa dos Reis Magos.

    Segundo o evangelista Mateus (2,1-2), que não cita o número de personagens, eles foram os primeiros a reconhecer a divindade de Jesus, pois vieram para adorá-lo: “Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém. Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo”.

    Na bela canção “Ouro, incenso e mirra”, o poeta Padre Zezinho nos brinda com esta letra: “São três reis que chegam lá do oriente/ Para ver um rei que acaba de nascer/ Dizem que um é branco, o outro, cor de jambo/ O outro rei é negro e que vieram ver”.

    Na verdade, é a tradição emendando a história para significar que os magos representam a universalidade das etnias humanas abertas à mensagem da tolerância cristã, tão em falta atualmente.

    Outros, ainda, nos revelam seus nomes: Baltazar, Melchior e Gaspar. Seriam homens do “Oriente”, ou seja, de outras crenças, que vieram respeitosamente encontrar o “rei dos Judeus” recém-nascido a partir de suas experiências e conhecimentos em astronomia (ou astrologia!?). Credos que se reverenciam, ao contrário do fundamentalismo de alguns.

    No Brasil, “Santos Reis” é sinônimo das folias cantadas de casa em casa, lapinha a lapinha, presépio a presépio, em humildade ritual de devoção, carinho e fraternidade.

    Viva Santos Reis! Viva a fé simples, altruísta e compreensiva, que não se jacta melhor do que as demais! Todas elas carregadas da verdade de Deus.
  • Papa Francisco: diálogo ao invés de vigança

    O papa Francisco, lúcido e cristão, apela ao diálogo fraterno com todas as religiões, ao entendimento e ao amor, mesmo diante de um padre católico degolado por terroristas islâmicos. Não prega o ódio, a vingança ou a guerra. Age como seu Mestre e Senhor, Jesus Cristo.
    Triste é ver católicos tradicionalistas criticando o papa por não demonstrar ira ou convocar uma nova cruzada contra o Islã. Essa gente é como os fascistas que querem mais armas nas mãos dos cidadãos ante a violência urbana, reduzir a maioridade penal ou aprovar penas de prisão perpétua ou de morte. Se não forem os mesmos. Eles se nutrem de raiva.
    Está certo o papa Francisco por não sucumbir aos sentimentos sanguinários nem vingativos. O autêntico sucessor do apóstolo Pedro, representante de Jesus na Terra, tem de ser ponte (pontífice) entre os homens de diversas raças e culturas, entre a humanidade e o Pai celestial.
    Estou contigo, Francisco!
  • Romaria dos Mártires da Caminhada 2016

    Encerrou-se hoje a edição 2016 da Romaria dos Mártires da Caminhada em Ribeirão Cascalheira, no Mato Grosso, local onde o padre João Bosco Penido Burnier foi assassinado pela polícia durante a Ditadura Militar (outubro de 1976), por defender os direitos dos índios, dos pobres e dos ribeirinhos daquela região.
    No dia do atentado contra o padre João Bosco (11/10/1976), ele e Dom Pedro Casaldáliga, bispo de São Félix do Araguaia (MT), foram à cadeia interceder por duas mulheres que estavam sendo torturadas. Na verdade, os policiais queriam matar o bispo Casaldáliga, que foi poupado daquela barbárie porque os algozes o confundiram com o padre João Bosco.
    Nos dias seguintes ao martírio, o povo destruiu a cadeia, afugentou os policiais criminosos e, no local, ergueu uma igreja, o Santuário dos Mártires da Caminhada, numa evidente declaração de luta contra a ditadura brasileira.
    Durante a Romaria dos Mártires da Caminhada, militantes das comunidades eclesiais de base, das pastorais sociais e dos grupos ligados à teologia da libertação católica meditam e celebram a memória de todos os que deram a vida pela causa da justiça, associando-os à causa de Jesus.
    Que o sangue dos mártires da caminhada brasileira e latino-americana, unido ao sangue de Cristo martirizado-ressuscitado, nos anime na luta contra a nova ditadura que ora surge do golpe e na construção de um mundo novo, justo, solidário e fraterno! Venha teu Reino, Jesus!
  • Texto do Levon: Seguir

    Seguir
    * Levon Nascimento
    É Jesus…

    Não te sigo para ter a benção da prosperidade material. Os bens materiais se enferrujam e apodrecem.
    Não te sigo por causa de milagres espetaculosos. Eles só cabem em filmes hollywoodianos.
    Não te sigo por causa de uma suposta moral elevada e perfeita, superior à das demais pessoas. Por conta dela, civilizações inteiras foram extirpadas em banhos de sangue.
    Não te sigo por medo de morrer. Afinal, a todos ela vem, “ao fraco e ao forte”, como disse teu amigo Francisco de Assis.
    Então, por que ou para que te sigo?
    Para que a adúltera não morra a pedradas;
    Para que o cego enxergue;
    Para que o filho ingrato volte à casa dos que o amam;
    Para que o rico compartilhe seus bens;
    Para que o paralítico volte a andar;
    Para que a pescaria renda aos pescadores;
    Para semear em terra fértil;
    Para multiplicar o pão e repartir com a multidão;
    Para possibilitar uma vida mais justa ao órfão, à viúva e ao pobre;
    Por causa do peso de tua cruz.
    Por causa do teu imenso amor.

  • Artigo do Levon: Estradas no deserto, rios em terra seca


    Muitos companheiros não creem. Nem é minha intenção fazê-los acreditar. Ainda mais numa época em que a fé tem sido instrumentalizada para alimentar o preconceito desvairado e o fascismo depravado. Quero é compartilhar com vocês como a fé dialoga comigo neste tempo de angústias e incertezas, de modo a atiçar esperanças e a motivar a luta. Sim, a fé também é combustível para os que lutam à esquerda, por uma sociedade mais justa e igualitária. Não é monopólio dos trogloditas do fundamentalismo.

    A liturgia (católica)deste tão emblemático dia 13 de março de 2016, 5º domingo do tempo da Quaresma, traz como primeira leitura um trecho da profecia de Isaías (43,16-21). Aos olhos de quem entende a escritura não como um tratado de regras sobrenaturais e anacrônicas, mas como um amparo interpretativo para a humanidade inserida nos contextos históricos, o profeta proclama: “Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis? Pois abrirei uma estrada no deserto e farei correr rios na terra seca (…)” (Is 43,19).


    Aos olhos do militante de fé, este texto ilustra muito bem a angústia dos dias atuais. Vemos renascer das sombras o fascismo, a intolerância, a militância irracional (nas ruas e nas redes sociais) dos velhos medos e ódios de classe, incomodada com as conquistas populares alcançadas na última década. Um monstro de ódio que transforma pessoas em zumbis agressivos a reverberar palavras de horror, rancor e destruição. Hoje mesmo, neste de 13 de março, o “demônio” sai às ruas propugnando o retrocesso como novo ídolo para a “salvação” do Brasil. Grita contra a corrupção convocado e ladeado pelos maiores corruptos e corruptores da Pátria. Não se envergonha em clamar contra o direito do pobre, como se fosse ele a causa dos problemas econômicos e sociais da Nação. Não se importa que os poderes do Estado desviem-se para o linchamento moral e o justiçamento daqueles que buscaram, ainda que incipientemente, a inclusão de milhões de irmãos e irmãs “mais fracos”. Não almeja a devida justiça ou correção legítima e ampla de eventuais desvios.

    Em que a palavra de Isaías, escrita na velha Palestina, àquela altura como agora, vítima da ocupação imperialista das potências estrangeiras, resistindo a partir de sua fé e cultura, tem a dizer ao militante de fé no contexto brasileiro de 2016? Que tenha esperança! Que não se resigne a acreditar que o passado de golpes se repetirá inexoravelmente, nem se apegue às velhas cartilhas e métodos (“Não relembreis coisas passas, não olheis para fatos antigos”). Claro, isto não é um incitamento à negação da história, nem ao revisionismo. Pelo contrário, é um indicativo para a construção da novidade, ainda que em realidade adversa. Aliás, sempre foi difícil para nós, conforme jargão já vulgarizado. Não é tempo para lamentações ou indicação de culpas. É hora da unidade das esquerdas e de todos os que lutam por um mundo mais justo e fraterno. É momento de verificar as novidades que, assim como do parto dolorido vem à luz a bela criança, nascem neste tempo tão insano (“Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis?”). Os meninos que ocuparam as escolas de São Paulo contra a “reorganização” neoliberal, os movimentos sociais combativos sem a mordaça institucional dos partidos, a juventude que tem se reconhecido como “de esquerda” ante ao avanço irracional do fundamentalismo e, mesmo os velhos camaradas de lutas, diante do sacrifício imposto pelas Lava-jatos da vida, que se rendam ao novo e inaugurarem uma nova era de lutas. Construamos estradas no deserto da Paulista. Façamos jorrar rios na terra seca das instituições instrumentalizadas pela velha elite egoísta ou por seus lacaios temerosos da perda de privilégios.


    A fé indica que há esperança em meio a este mar de angústia. Na mesma liturgia, Jesus rompe com as tradições de justiçamento judaicas ao absolver a adúltera. “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra” (João 8,7b). Palavra certeira para o carola e justiceiro juiz Sérgio Moro, tão rígido e hipócrita como um fariseu daquele tempo. Rígido com petistas. Hipócrita e seletivo para com as inúmeras denúncias a tucanos e congêneres. “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?” – pergunta Jesus a ela em João 8,10. A mulher responde: “Ninguém, Senhor”. Ao que ele lhe afirma “Eu também não te condeno” (Jo 8,11). Vemos que a fé, corretamente vivida, passa longe dos julgamentos sumários ou linchamentos morais de nossos juízes, procuradores, mídia e igrejas bancárias. Contrariamente, é reeducação, compreensão, inclusão e retorno ao convívio da normalidade democrática.


    Enfim, também é da palavra da liturgia deste 13/03 que nos vem a certeza, conforme o salmista cantou (Salmo 125): “Os que lançam as sementes entre lágrimas, ceifarão com alegria”. Semeemos, semeemos, semeemos, lutemos… pois a luta continua… com alegria… sempre! Ceifaremos!
  • São João: o melhor período do ano

    O quadro de estilo barroco de São João Batista, quer seja na bandeira, no estandarte ou dependurado numa das paredes das casas simples, reproduzido em milhares de lares do sertão brasileiro, especialmente no Nordeste do país e no Norte de Minas Gerais, mais do que qualquer símbolo do marketing capitalista, é um ícone que ao ser observado por quem viveu algum grau da cultura do sertão, dispara de imediato a memória afetiva e desperta, a despeito de todas as agruras e sofrimentos, uma sensação de felicidade, de encontro e ternura. Rosto angelical de criança, cabelos cacheados e emoldurados por uma auréola circundada de arabescos; o ombro coberto por uma pele de ovelha; abraçado a um cordeiro de olhar piedoso, com uma das mãos segura a cruz rústica, de madeira ainda esperançosamente verde, na qual se entrelaça uma faixa branca onde está escrito em latim “ECCE AGNUS DEI” – “Eis o Cordeiro de Deus” – , frase proferida pelo próprio João Batista ao avistar Jesus, segundo a descrição do quarto Evangelho, no capítulo 1, versículo 36, na qual imagem e texto se revestem de especial figura de linguagem, ocasião em que o Cristo é comparado ao cordeiro que os hebreus imolavam na Páscoa desde a libertação do Egito, nos tempos de Moisés; embaixo, uma nuvem da qual brotam ramos floridos de cores variadas; em torno, um céu azul pontilhado de estrelas.


    A utilização desta imagem alegórica no tempo junino é cultura popular de amálgama ou reunião, genuinamente cristã e brasileira. Junta em si as tradições hebraicas, ibéricas, indígenas e africanas, afirmando-se como algo sempre novo e autenticamente do Brasil.


    Neste tempo em que a intolerância política e o fanatismo religioso de certos grupos querem e parecem estar conseguindo alcançar o poder no Brasil, é necessário que a cultura popular, como as festas juninas, sejam resgatadas, de modo incutir nas novas gerações a lembrança das raízes afetivas que, apesar da violência da colonização, produziram a reunião da tolerância simbólica e a ternura fraterna estampada no rosto de São João.


    Em volta da fogueira de 23 de junho, melhor tempo do ano popular, quando há fartura de pão e de alegria, ouvindo os estampidos de traques e rojões, observando o colorido das bandeirolas, “chuvinhas” de prata e fogos de artifício, que se busque recobrar o sentido de brasilidade e se condene o neofascismo político-religioso que tenta nos empobrecer e “capitalizar” o espírito!

  • Dom Geraldo Majela de Castro: minhas memórias

    Dom Geraldo Majela de Castro, O. Praem.

    Nesta quinta-feira, 14 de maio de 2015, partiu desta vida para a casa do Pai, o arcebispo emérito de Montes Claros, Dom Geraldo Majela de Castro, O. Praem, quase aos 85 anos de idade, os quais completaria em 24 de junho próximo. Destes, quase três, os últimos, internado num leito da Santa Casa montes-clarense, vítima de uma doença rara, a ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica). Mais cedo, ao saber da notícia, prometi escrever alguma coisa. Não um resumo biográfico, já disponível em diversos meios de comunicação. Optei por relatar as experiências que tive ao seu lado em diferentes momentos da minha vida.

    Porém, antes de prosseguir, destaco que seu falecimento ocorreu um dia depois da data na qual a Igreja celebra a grande Mãe de Deus, Maria Santíssima, sob o título de Nossa Senhora de Fátima (13 de maio). Um destes misteriosos detalhes, quiçá irrelevantes, mas que merecem de nossa parte uma atenção especial. Dom Geraldo era especialmente devoto da Mãe de Jesus. Parece que, neste momento, ouço seu canto nas celebrações, saudando a ela: “Neste dia, ó Maria, nós te damos nosso amor!” Talvez, jamais saberemos, a mãe veio em auxílio de um filho que tanto a venerava, num momento de tanto sofrimento e dor.

    As primeiras vezes em que vi Dom Geraldo foram durante as festas de Nossa Senhora de Fátima, em Taiobeiras. Em princípio, ainda na condição de bispo-coadjutor, vinha substituir Dom José Trindade, seu antecessor no governo da Diocese de Montes Claros. A partir de 1988, quando assumiu em definitivo o pastoreio montes-clarense, passou anualmente a vir à maior manifestação religiosa do povo taiobeirense.

    Ainda adolescente, eu comecei a tomar conhecimento de suas ideias lendo o famoso Documento Azul (Compromissos Eclesiais e Diretrizes Pastorais – CEDP da Igreja Particular de Montes Claros), síntese da 3ª Assembleia Diocesana de Pastoral, de 1990, então convocada e presidida por Dom Geraldo. Líamos os números do documento em grupos de reflexão ou nas tão educativas novenas de Natal realizadas com as cartilhas produzidas em Montes Claros, outra conquista sua. Os materiais de Montes Claros, contextualizados na realidade de nosso sertão norte-mineiro, vieram a substituir as novenas “importadas” de outras realidades, muitas vezes tão distintas da nossa.

    Em 1992, o primeiro contato pessoal. Dom Geraldo presidiu o momento em que recebi o Sacramento da Confirmação do Batismo, a Crisma. “Recebe, por este sinal, o Dom do Espírito Santo!” – disse ele. Daquele momento em diante, assumi categoricamente a missão do Evangelho de Jesus, especialmente no serviço à causa dos pobres e dos marginalizados. Compromisso que, apesar dos meus limites e da minha pequenez humana, continuo tentando realizar sob o auxílio daquele mesmo Espírito de bondade e justiça.

    Aliás, as celebrações de crisma são um capítulo à parte. Demonstram o quanto Dom Geraldo foi comprometido com a sua função de colaborador de Cristo, pastor do Povo de Deus e sucessor apostólico. Amava viajar por todas as comunidades da sua querida Diocese de Montes Claros. Todas, sem exceção de limites, distâncias e dificuldades. Na Paróquia São Sebastião de Taiobeiras, tão distante de Montes Claros, e que em sua época também abrangia Berizal, ficava até mesmo a semana inteira, realizando as missas de crisma nas comunidades. Conhecia-as e ao povo de Deus que delas participava.

    Numa dessas celebrações, na Comunidade de Olhos D’Água (Taiobeiras), após o término, foi convidado a almoçar numa casa muito simples, mas de mesa farta. Mesmo já estando com restrições alimentares por conta de sua saúde, fez questão de não desapontar aos seus anfitriões, provando um pouco do que, tão carinhosamente, lhe haviam preparado. Mas, o mais belo, foi, ao final da refeição, chamar o casal para uma conversa reservada. A comunidade, propositalmente, já havia escolhido aquela casa para receber o Arcebispo porque sabia que ali a família passava por dramas de convívio. Naquele diálogo, aconselhou aos dois, orou com eles, explicou-lhes a palavra de Deus e abençoou-os.

    Mais especificamente, estreitei laços com Dom Geraldo no período em que estive na militância da Pastoral da Juventude da Diocese de Montes Claros. Sempre presente, atento e educador. Ainda que proveniente de uma formação conservadora, foi aberto, democrático, paciente e flexível conosco. Permitiu-nos caminhar na Igreja e com a Igreja. Não nos tolheu em nossa caminhada. Apoiou-nos. Claro que, como homem tinha limites e uma visão de mundo que lhe era própria. Mas nem um nem a outra o impediram de abraçar uma juventude que ansiava por um “novo jeito de ser Igreja”.

    De forma especial, permitiu-me, durante os anos em que morei em Montes Claros e trabalhei na Pastoral da Juventude, escrever no jornal diocesano “Far-Elo de Vida”, muitas vezes contra a oposição de figuras da própria Igreja. Devo-lhe isto, a confiança em mim despositada.

    Igualmente, devo-lhe também pela confiança expressa em mim quando me candidatei a vereador em Taiobeiras, em 2004. Sem misturar o púlpito com o palanque, mas fazendo uso coerente daquilo que aprendemos a chamar de caridade cristã manifestada na militância política do leigo, demonstrou-me apoio humano e abençoou a minha luta. Dom Geraldo estava mais uma vez em Taiobeiras para celebrar crismas. Era agosto. A campanha eleitoral a pleno vapor. Não fui lhe pedir que me desse declaração de apoio político. Mandou me dizer que queria falar comigo na casa paroquial. Quando cheguei lá, entregou-me um papel escrito de próprio punho e disse-me: “Pode publicar”, sem mais.

    Texto manuscrito de Dom Geraldo

    No papel estava escrito (veja fotografia do original): “Há muitos irmãos e irmãs nossos que têm o ideal de servir desinteressadamente a todos. Levon resolveu colocar o nome dele como candidato a vereador. Pelo que viveu até hoje, penso que posso recomendá-lo! Será um bom vereador! É confiável!”.

    Não venci aquela eleição. Também, pouco importa. De fato, vale a confiança daquele homem à minha pessoa. Confiança de quem tanto aprendi, especialmente a amar Jesus Cristo e sua mensagem. Da mensagem, aquilo que mais me toca são os gestos e a palavra. “É confiável” – disse Dom Geraldo.

    A última vez em que nos falamos foi quando os franciscanos deixaram a Paróquia de Taiobeiras. Era o início de fevereiro daquele ano. Eu estava na condição de Conselheiro Paroquial. Momento grave! Depois de 72 anos, os frades da Ordem de São Francisco entregavam Taiobeiras. Dom Geraldo me disse que também sentia muito por aquela mudança inesperada. Informou-me de que havia feito todos os esforços junto ao provincial franciscano para que retrocedesse daquela decisão. Porém, como já era fato consumado, que insistiu que tivéssemos confiança em Jesus, de que as coisas se ajeitariam da melhor forma.

    Enfim, era um legítimo pastor, um homem de Deus e um servo incansável da Igreja. Como homem, dotado de limitações e contradições. Como ministro do Evangelho, uma luz para a caminhada deste nosso povo de Deus sertanejo.

    “It et Vos” ou “Ide também vós para a minha vinha”, como mandado do Senhor, foi o seu lema de bispo. Mais do que uma frase, tornou-se a expressão de sua vida. Ele foi a todos os recantos da grande vinha que o Senhor lhe concedeu: a Arquidiocese de Montes Claros, levar a Palavra ilumina e o exemplo que arrasta.

    Neste momento de imensa dor por sua partida, lembro-me de Dom Geraldo Majela de Castro com a oração da Igreja que ele tanto amava: “Dai-lhe, Senhor, o descanso eterno! E brilhe sobre ele a vossa luz!”

  • O Evangelho é revolucionário!

    Para além da confissão religiosa ou da inexistência dela, o Evangelho (mensagem + prática de Jesus) é revolucionário:

    a) dar a outra face;

    b) não julgar; c) não vingar;

    d) perdoar; e) misericórdia;

    f) compaixão;

    g) desapego econômico e partilha solidária;

    h) justiça;

    i) não-discriminação;

    j) doação e sacrifício pelos outros;

    k) combate ao egoísmo idolátrico e cultivo do altruísmo.

    Tão distante da cultura vingativa, machista e escravista da época em que Jesus viveu na Terra! Tão diferente da “ética” capitalista de alguns religiosos! Tão atual, urgente e necessário! Pena que, em 2000 mil anos, tão poucos o tenham compreendido e vivido.

    Ainda falta muito.

  • Razões da minha fé

    Ter fé independe de estar filiado a uma instituição religiosa. Eu tento viver a fé em um Deus misericordioso e bom, o Deus de Jesus de Nazaré, que a todos convida ao seu encontro e se entrega por causa dos fracos. O Deus que desce e faz opção pelos pequeninos. Minha fé se baseia na tradição católica popular do Brasil (de herança ibérica e afro-ameríndia) e nas referências da Igreja pós-Vaticano II, em especial da caminhada latino-americana iniciada em Medellin. É a fé de Jesus, de Maria, dos santos, de Francisco de Assis e de tantas anônimas testemunhas do mundo inteiro. Não sou prosélito. Tento ser ecumênico. E sei diferenciar religião e laicidade. Minha fé não pode ser imposta a ninguém. Cada um deve ser livre para exercer sua fé ou nenhuma fé, sem ser constrangido por qualquer instituição religiosa. Enfim, busco viver a fé com inteligência, bem longe do fundamentalismo religioso de qualquer matiz e de todo tipo de fanático que esta praga costuma gerar. (26 de abril de 2015)

  • Romero, Helder Câmara e Luciano: tempo de colher santos

    Dom Oscar Romero
    Dom Helder Câmara e Dom Luciano Mendes de Almeida

    Dom Oscar Romero em breve será beatificado. Dom Helder Câmara declarado “Servo de Deus” pelo Papa Francisco. O processo de beatificação de Dom Luciano Mendes de Almeida já avança. Houve um tempo em que as sementes foram plantadas na América Latina; e regadas pelo sangue do Cordeiro e dos Mártires da Caminhada. Agora é hora de colher Santos

  • Reflexões pascais de 2015

    Engraçado! Quando o Papa Francisco fala mensagens reconfortantes, bonitinhas, quase de autoajuda, um monte de gente curte e compartilha. Já quando o mesmo pontífice prega pelo fim da pena de morte e contra a redução da maioridade penal, a maioria dos católicos ignora ou se cala. Seguir Jesus na entrada de Jerusalém, quando povo o recebeu com ramos de oliveira e gritos de “Hosana” é fácil. Quero ver carregar a cruz com ele, debaixo de chicotadas, na sexta-feira da paixão! (3 de abril de 2015)

    Segundo a imprensa e na boca dos que a seguem, o Brasil está passando por uma crise econômica violentíssima por culpa da Dilma. No entanto, a mesma imprensa dá a notícia de filas imensas na frente de lojas especializadas que vendem ovos de páscoa de chocolate. Alguns, de até R$ 500,00, já estão esgotados. Que crise é esta, meu povo?! (3 de abril de 2015)

    Tem um tipo de cristão que só lê o Levítico e o Deuteronômio: machista, misógino e intolerante. Recomendo uma ou várias leituras bem aprofundadas dos quatro Evangelhos, em especial das partes que tratam do Sermão da Montanha. Aprenda diretamente com Jesus sobre respeito às mulheres, tolerância com os diferentes e capacidade de acolhimento aos que são considerados “pecadores”. (3 de abril de 2015)

    Apesar de toda a tristeza do sábado santo, que pode ser comparada, em significado e em profundidade, às várias lamúrias e tempestades de nossa vida pessoal, social e coletiva, temos nos ouvidos e na memória a exortação de Jesus: “Não tenham medo”! Sabemos que, assim como o sábado triste deságua na alegria do domingo da Ressurreição Pascal do Cristo, também nossa luta por justiça, dignidade e igualdade se concluirá com a vitória do Reino Definitivo. É só mais um pouco… mais um pouco de tempo histórico… e logo… logo mesmo… vai raiar a Aurora da Páscoa (definitiva)! (4 de abril de 2015)

  • "Eu vim para servir" é o lema da Campanha da Fraternidade 2015

    Começa nesta Quarta-feira de Cinzas um precioso tempo que Deus nos dá para a mudança de vida, a conversão e o serviço aos que sofrem: a Quaresma. Junto com ela, a Campanha da Fraternidade. Como cristãos, busquemos, a exemplo de Cristo, ficar do lado “dos órfãos e das viúvas” (os mais pobres e excluídos em sentido amplo).

    O tema da Campanha da Fraternidade de 2015 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) é “Fraternidade: Igreja e Sociedade”. Já o lema, baseado no Evangelho de São Marcos, capítulo 10, versículo 45, é “Eu vim para servir”.