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  • Especial Igreja: Boff: Ambiguidades marcam a história de Ratzinger

    Agência Brasil. EBC – Empresa Brasil de Comunicação. Adital


    “Uma coisa é o Ratzinger professor e acadêmico, que era extremamente gentil e inteligente, além de amigo dos estudantes. Dava metade do salário aos estudantes latinos e da África. Outra coisa é o Bento XVI, que exerce função autoritária e centralizadora, sem misericórdia com homossexuais e [adeptos da] camisinha“, analisa o teólogo e professor universitário Leonardo Boff.

    11 de fevereiro de 2013. Por Pedro Peduzzi. Repórter da Agência Brasil.

    Brasília – Apesar de serem a mesma pessoa, Joseph Ratzinger e o Papa Bento XVI eram duas personalidades diferentes. A opinião é do teólogo e professor universitário Leonardo Boff, um dos poucos brasileiros que conviveram com o líder católico que anunciou hoje (11) o fim de seu pontificado. Ex-integrante da ordem franciscana e um dos expoentes da Teologia da Libertação no Brasil, Leonardo Boff falou à Agência Brasil sobre o papa Bento XVI “de função ambígua e polêmica” e de atitudes rígidas.
    “Uma coisa é o Ratzinger professor e acadêmico, que era extremamente gentil e inteligente, além de amigo dos estudantes. Dava metade do salário aos estudantes latinos e da África. Outra coisa é o Bento XVI, que exerce função autoritária e centralizadora, sem misericórdia com homossexuais e [adeptos da] camisinha”, disse Boff.

    O teólogo define Ratzinger da fase pré-papal como um pastor e professor extremamente erudito e de fácil acesso. “Era pessoa simples que, ao se tornar cardeal, mudou de comportamento e passou a assumir posições duras. Tratava com luvas de pelica os bispos conservadores e com dureza teólogos da libertação que seguiam os pobres”.

    Segundo Boff, dois aspectos caracterizaram o Ratzinger da fase posterior. “Primeiro, o confronto com a modernidade, no encontro com as culturas e com outras religiões. Tinha a compreensão de que a Igreja Católica era o único porta-voz da verdade, e a única capaz de dar rumo a toda humanidade. Por isso, teve dificuldades com muçulmanos e judeus”.

    O segundo aspecto tem origem à época em que era cardeal. “Ele pedia aos bispos que impedissem que padres pedófilos fossem levados aos tribunais civis. Na medida em que a imprensa mostrou que havia não apenas padres, mas também bispos e cardeais suspeitos dessa prática, o Vaticano teve de aceitar a realidade. Ratzinger carrega essa marca de, quando cardeal, ter sido cúmplice desses crimes”, declarou Boff.

    Na avaliação do ex-franciscano, outro ponto fraco da atuação de Bento XVI como maior líder da Igreja Católica foi o de levar um papado tradicional, voltado para dentro da Europa. Na opinião de Boff, o papa construiu “uma igreja baluarte: fortaleza cercada de inimigos por todos os lados”, e contra os quais tinha de se defender.

    “Acho que o projeto dele era uma reforma da igreja ao estilo do passado, voltada para dentro e tendo como objetivo político a reevangelização da Europa. Nós, fora de lá, consideramos esse projeto como ineficaz e como opção pelos ricos. Projeto equivocado”, argumentou. “Não é um papa que deixará marcas na história”.

    Boff disse não ter recebido com surpresa a notícia de que o Papa Bento deixará o posto, e que já sabia que ele vinha tendo problemas de saúde que o comprometiam física e psicologicamente para exercer o ofício.
    “Recebo com naturalidade essa notícia. Essa decisão segue sua natureza objetiva. Não é praxe um papa renunciar. Ele desmistificou a figura do papas, que geralmente ficam [no cargo] até morrer. Provavelmente por entender o papado como um serviço. Essa atitude merece toda admiração e respeito. Esperamos, agora, que até a Páscoa, em meados de março, elejam um novo papa. De preferência um papa mais aberto. Até porque 52% dos católicos vivem no terceiro mundo e não mais na Europa”, completou.

    [Edição: José Romildo].
  • Especial Igreja: Papa, um gesto emocionante

    Roberto Malvezzi, Gogó. Equipe CPP/CPT do São Francisco. Músico. Filósofo e Teólogo, em Adital.

    Mais do que surpreendente, o gesto de Bento XVI é emocionante. Cercado de gente conservadora que ele mesmo promoveu, há tempos ele pensava em renunciar, mas vários de seus mais próximos sempre o desaconselharam. A renúncia era tida como um gesto de fraqueza. Na verdade, talvez seja o gesto de maior grandeza que tenha feito em toda sua vida.

    A idade pesa. O cargo é exigente. Então, reconhecer os próprios limites e ousar dar um passo que não acontecia na Igreja Católica desde 1415 é mesmo histórico.

    Muitos católicos –como eu– têm a sensação que nossa Igreja ainda não entrou no século XXI. Os grandes desafios humanos e do planeta no qual habitamos são temas secundários na agenda Católica. Claro que muitos cristãos e muitas igrejas particulares já se lançaram sobre esses temas, caso da própria CNBB, mas falta o gesto profético da Igreja Universal.

    Nada garante que o sucessor de Bento XVI tenha uma visão de mundo que o impila a sair dos muros do Vaticano, ou da própria Igreja, para cumprir seu papel de fermento, sal e luz para toda a humanidade. Claro que grande parte da humanidade também está de costas para qualquer iniciativa que venha da Igreja, mas, independente disso, a sua tarefa é promover o Reino de Deus e a sua justiça.

    O gesto do Papa parece revelar um sopro do Espírito, humildemente acolhido. Quem sabe o Espírito venha em toda a sua plenitude.
  • Fraternidade e Juventude: da tragédia à esperança

    Artigo do Padre Gledson Eduardo de Miranda Assis, de Montes Claros – MG.


    Hoje, dia em que escrevo este artigo, é segunda-feira de carnaval. Já desde ontem esboçava algumas (ou a maioria) das ideias esboçadas aqui. Na quarta-feira, chamada “de cinzas”, a Igreja inicia o tempo da quaresma e, concomitantemente, há anos, vive Campanha da Fraternidade (CF), já tradicionalizada no contexto brasileiro. Neste ano de 2013 a CF versa sobre o tema da juventude. Tema pertinente e importante, uma vez que havia 21 anos não tínhamos uma campanha sobre a juventude. Aliás, pelo que disseram nos bastidores, incompreensivelmente, essa CF só foi conseguida pelo recolhimento de centenas de milhares de assinaturas e pedidos, quase que implorando à CNBB a prioridade à causa da juventude.


    Bastidores a parte, não podemos deixar de considerar que a CF desse ano, sobre a juventude, foi antecipada pela ceifa de mais de 200 jovens na recente tragédia de Santa Maria (RS), acontecimento, sem sombra de dúvidas, desolador. Que pensar? Vontade de Deus? Certamente não. Contudo, como lembra Leonardo Boff, “mesmo naquilo que não é vontade de Deus nós podemos perceber PRESENÇA DE DEUS”. Isso é mais importante. E essa presença de Deus, mesmo diante de um fato tão assolador para tantas famílias, nos ajuda a refletir algumas coisas importantes (que, inclusive, já refleti com o povo em algumas celebrações).


    Aos que partiram, infelizmente só nos resta a oração pelo conforto de seus familiares. Mas e os jovens que ainda estão neste mundo correndo os mesmos riscos? A eles e a nós é dada a oportunidade de revermos algumas atitudes, como, por exemplo: 1) A consciência de que não posso colocar 1000 pessoas onde só cabem 600, independente da margem de “lucro” que isso vá me trazer; 2) que não posso forrar um lugar fechado com material inflamável; 3) que não posso soltar fogos de artifício tóxicos em lugares fechados… e assim por diante. Mas será que a partir dessa tragédia o mundo vai agir diferente? Talvez não. E isso é que deve ser visto como causa de preocupação.

    Agora todos estão tentando identificar os culpados: prefeitura, bombeiros, boite, banda, etc… Mas ainda há mais uma realidade que precisa ser considerada e que certamente ainda não foi porque talvez seja a mais dolorida de ter que se reconhecer: infelizmente, meus amores, quase nenhum daqueles jovens que estavam lá procuraram antes saber se aquele lugar oferecia segurança a eles quando entraram. Infelizmente nenhum de nós faz isso. Somos convidados para festas em salões, por mais sofisticados que sejam, e simplesmente vamos entrando, mas nunca nos preocupamos em saber se tais lugares nos dão a segurança necessária ante uma fatalidade. E quando não damos atenção a isso, corremos o risco de nós mesmos, com nossas próprias pernas, caminharmos, mesmo que inconscientemente, ao encontro da morte. Claro que donos de casas como aquela devem oferecer segurança às pessoas que as frequentam. Mas ninguém cuida de nós ou se preocupa melhor conosco tanto quanto nós mesmos. Por mais que se preveja segurança, nada sobrevive a uma fatalidade de tal porte.


    Lembro-me que numa das reportagens transmitidas pela TV uma jovem disse: “Meu pai sempre me dizia pra olhar nos lugares onde eu ia se tinha extintor, saídas de emergência, etc… Quando cheguei na Kiss vi que só tinha uma porta, então procurei ficar mais no fundo, perto dela, por isso não tive dificuldades para sair quando o fogo começou”. É isso! O pai, a mãe, o educador, o avó, o padrinho… pessoas que nos orientam neste sentido. Quando dizemos que uma das prioridades da Igreja é a juventude não quer dizer que sua prioridade seja cuidar dos jovens, mas sim “ajudar os jovens a cuidar de si mesmos”. A Campanha da Fraternidade desse ano quer ser um auxílio nessa conscientização. Os pais precisam ajudar seus filhos a cuidarem de si mesmos, orientando neste aspecto. Será que estamos fazendo isso? Será que vamos passar a ter estes cuidados a partir de agora? O resultado da tragédia de Santa Maria é irreversível. Mas ainda podemos olhar com esperança para o futuro que nos é proposto e fazer diferente a partir de então.


    Lembrei-me de meu pai que, com toda sua fé e simplicidade, diz assim numa ocasião como essa: “Se estivessem todos numa Igreja rezando isso não tinha acontecido”. E fiquei pensando comigo que a fatalidade mereceria outra reflexão acerca de nós mesmos? Quem pode garantir que não aconteceria se estivessem numa Igreja? Agora os bombeiros estão numa empreitada ferrenha para fiscalizar e fechar as casas noturnas impróprias para o uso. Mas e se isso tivesse acontecido numa Igreja? A essa altura as casas noturnas nem estariam sendo lembradas e nossas Igrejas é que estariam sendo todas fiscalizadas. Aliás, não é porque estamos rezando que estamos seguros. Na verdade, pode ser até o contrário. Estava refletindo sobre isso e cheguei à conclusão de que se os bombeiros fossem fiscalizar nossas Igrejas (Templos), quase nenhum deles permaneceria aberto. E aí temos que reconhecer que nossas Igrejas, na grande maioria das vezes, não oferece NENHUM tipo de segurança ao fieis que as frequentam: nenhum extintor de incêndio, nenhuma saída de emergência, nenhum sensor de fumaça (até mesmo porque se tivessem nem poderíamos mais usar o turíbulo), nenhuma placa de luminosidade indicando a saída, muitas vezes só uma porta no fundo, que é a mesma de entrada pra todo mundo. Às vezes construídas sem projeto adequado por quem é de direito, às vezes ainda em construção e em funcionamento, cheias de gambiarras de fios de eletricidade soltos pelas paredes afora.


    Pois é, queridos(as)! Talvez então tenhamos mesmo que começar por nós. Costumo brincar que se formos levar à risca os padrões de segurança para locais de grande frequência de pessoas (tiremos o foco de casas noturnas e consideremos todos os outros), nossas igrejas, na grande maioria, “não são lugares de se frequentar”. Claro que fatalidade é fatalidade e pode acontecer em qualquer lugar e tempo. De outra parte, se formos alimentar nossas neuras com todas essas coisas, nem saímos de mais de casa. Mas, também, se ficamos em casa, pode vir a enchente e nos invadir, ou o terremoto e jogar tudo por terra.

    De fato, estamos cercados de todos os lados, mas se soubermos prevenir nosso caminho e o caminho dos outros, poderemos evitar muitos males maiores. Já pensaram, por exemplo, nos shows pirotécnicos que são feitos por ocasião de nossas festas de padroeiros? Podem até ser bonitos, mas além de ser uma verdadeira queima de dinheiro, na grande maioria das vezes são realizados por pessoas sem a especialização ou autorização necessárias para tal manuseio. E não se busca especialização só “pra ficar mais baratinho, porque tem um paroquiano aqui que tem costume de fazer isso há muito tempo e faz ‘muito bem’”.   Há alguns anos (saiu em tudo que foi jornal), por ocasião do encerramento do Jubileu de São José Operário, em Barbacena, uma daquelas girândolas subiu e não estourou… desceu e estourou no meio de todo mundo. Conclusão? Anos e anos a Arquidiocese pagando indenização às vítimas. Hoje todas as programações impressas de festa de padroeiro, têm que trazer a seguinte nota: “Por determinação da Arquidiocese, a paróquia NÃO se responsabiliza por fogos de artifícios soltos durante as festividades”. Correto, por que assim, quem soltar os fogos é que assume a responsabilidade pelos mesmos.

    Só estou dizendo tudo isso porque agora no carnaval mais uma vez milhões de nossos jovens estão saindo para as ruas e, depois, também para as casas noturnas, no meio de fogos, de serpentinas metalizadas (apesar de terem sido proibidas mas ainda comercializadas) e de bebida alcoólica. Será que eles seriam capazes, sob efeito de álcool, de correr a tempo caso outra fatalidade acontecesse. Os blocos comportam mesmo a quantidade de pessoas que neles tem? Será que já nos esquecemos da tragédia de Santa Maria? Tomara que todos estejam tendo um bom carnaval e não se esqueçam de levar em conta o sinal de Santa Maria para fazermos de modo diferente a partir de então. Só depende de nós.


    Eu vos escrevo, jovens, porque sois fortes, porque a Palavra de Deus permanece em vós (1Jo 2,14c). Que a Palavra de Deus nos ilumine e a Campanha da Fraternidade deste ano ajude nossos jovens a construir um futuro melhor para suas vidas, pensando não só na curtição, mas também, e sobretudo, na prevenção, “em todo tempo e lugar”. Só assim estaremos prontos a, como Isaías, diante de Deus, oferecermo-nos também como servos disponíveis a continuar a construção do seu Reino. A Juventude é a grande esperança da Igreja. E tal esperança só se concretizará com base na disponibilidade de cada coração para o exercício da missão. Que possamos todos juntos, quando o Senhor nos perguntar: “Quem enviarei? Quem irá por nós?” Respondermos com firme e comprometida voz: “Eis-nos aqui. Envia-nos” (Is 6,8).
  • 2013: "Deus criou o infinito pra vida ser sempre mais!"

    “Deus criou o infinito pra vida ser sempre mais”

    2013 começou! Nossa missão e nossa luta persistem. Por um mundo melhor, por um país mais justo. Por uma cidade e campo mais fraternos. Estejamos do lado daqueles que ainda não “têm voz, nem vez, nem lugar”! Acreditemos, com alegria, que “Deus criou o infinito pra vida ser sempre mais”!

    Se calarem a voz dos profetas (Pão da igualdade)
    Se calarem a voz dos profetas,
    as pedras falarão.
    Se fecharem os poucos caminhos,
    mil trilhas nascerão.
    Muito tempo não dura a verdade,
    nestas margens estreitas demais,
    Deus criou o infinito pra vida ser sempre mais.
    É Jesus este Pão de igualdade,
    viemos pra comungar,
    com a luta sofrida de um povo
    que quer, ter voz , ter vez, lugar.
    Comungar é tornar-se um perigo,
    viemos pra incomodar,
    com a fé e a união nossos passos um dia vão chegar.
    O Espírito é vento incessante
    que nada há de prender.
    Ele sopra até no absurdo, que a gente não quer ver.
    Muito tempo não dura a verdade,
    nestas margens estreitas demais.
    Deus criou o infinito pra vida ser sempre mais.
    É Jesus este Pão de igualdade,
    viemos pra comungar,
    com a luta sofrida de um povo
    que quer, ter voz , ter vez, lugar.
    Comungar é tornar-se um perigo,
    viemos pra incomodar,
    com a fé e a união nossos passos um dia vão chegar.
    No banquete da festa de uns poucos,
    só rico se sentou.
    Nosso Deus fica ao lado dos pobres,
    colhendo o que sobrou.
    Muito tempo não dura a verdade,
    nestas margens estreitas demais.
    Deus criou o infinito pra vida ser sempre mais.
    É Jesus este Pão de igualdade,
    viemos pra comungar,
    com a luta sofrida de um povo
    que quer, ter voz , ter vez, lugar.
    Comungar é tornar-se um perigo,
    viemos pra incomodar,
    com a fé e a união nossos passos um dia vão chegar.

    O poder tem raízes na areia,
    o tempo faz cair.
    União é a rocha que o povo usou pra construir.
    Muito tempo não dura a verdade,
    nestas margens estreitas demais.
    Deus criou o infinito pra vida ser sempre mais.

    É Jesus este Pão de igualdade,
    viemos pra comungar,
    com a luta sofrida de um povo
    que quer, ter voz , ter vez, lugar.
    Comungar é tornar-se um perigo,
    viemos pra incomodar,
    com a fé e a união nossos passos um dia vão chegar.
  • Natal: de onde vem a nossa crença

    “O povo que andava em trevas, viu grande luz…”

    “Portanto o Senhor mesmo vos dará sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e Lhe chamará Emanuel.”
    “O povo que andava em trevas, viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte resplandeceu-lhes a luz.”
    “Porque um Menino nos nasceu, um Filho se nos deu; o governo está sobre os Seus ombros; e o Seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.”

    Isaías 7,14; 9,2.6

    Feliz Natal de Jesus a todos os amigos e amigas deste Blog.
  • Neste Natal e sempre: "Amar como Jesus amou…"

    Feliz Natal de Jesus (não o do capitalismo de Papai Noel)! Relembrando, hoje, esta bela canção do Padre Zezinho, que eu ouvia na minha infância, e que continua extremamente válida e atual.

    Amar Como Jesus Amou
    Padre Zezinho

    Um dia uma criança me parou

    Olhou-me nos meus olhos a sorrir
    Caneta e papel na sua mão
    Tarefa escolar para cumprir
    E perguntou no meio de um sorriso
    O que é preciso para ser feliz?

    Amar como Jesus amou
    Sonhar como Jesus sonhou
    Pensar como Jesus pensou
    Viver como Jesus viveu
    Sentir o que Jesus sentia
    Sorrir como Jesus sorria
    E ao chegar ao fim do dia
    Eu sei que dormiria muito mais feliz

    Ouvindo o que eu falei ela me olhou
    E disse que era lindo o que eu falei
    Pediu que eu repetisse, por favor
    Mas não dissesse tudo de uma vez
    E perguntou de novo num sorriso
    O que é preciso para ser feliz?

    Depois que eu terminei de repetir
    Seus olhos não saíram do papel
    Toquei no seu rostinho e a sorrir
    Pedi que ao transmitir fosse fiel
    E ela deu-me um beijo demorado
    E ao meu lado foi dizendo assim

    Amar como Jesus amou.


  • Na semana de Corpus Christi: "Que o pão da vida nos revigore no nosso sim!"

    Em tempos de “consumição” (muito consumismo) e pouca comunhão, que a festa de Corpus Christi nos ensine a amar o Corpo de Jesus presente na pessoa de cada ser humano, especialmente aos que mais se encontram desfigurados da dignidade divina. E não são poucos.

    Digamos sim à realidade nova onde o que vale não é o preço estampado nos produtos e até nas pessoas, mas pelo contrário, a condição divino-humana que brilha escondida no coração de cada criatura.


    Mais:
  • Minissérie contará a vida de dom Pedro Casaldaliga

    Dom Pedro Casaldáliga
    * Do site da CNBB
    A vida de dom Pedro Casaldáliga, 84 anos, bispo emérito de São Felix de Araguaia (Mato Grosso), vai virar minissérie de TVs espanhola e brasileira.
    O missionário catalão chegou ao Brasil em 1968, como conta o jornalista Francesc Escribano no livro “Descalço na terra roxa”, no qual se baseia a minissérie. A minissérie será produzida pela TV Brasil, TVc, TVe e Raiz Produções Cinematográficas. “Terra Roxa” terá 13 episódios de 22 minutos cada. Na Espanha, irá ao ar em dois episódios de 85 minutos.
    O papel do religioso, que defendeu a democracia em plena ditadura militar brasileira (1964-1985) e enfrentou latifundiários e posseiros de terras, ficou com o premiado ator espanhol Eduard Fernández, que veio até o Araguaia conhecer dom Pedro Casaldáliga.
    Desde que foi nomeado bispo da Prelazia de São Felix de Araguaia, em 23 de outubro de 1971, nunca deixou o Mato Grosso, com exceção de uma visita a Nicarágua em 1985 e algumas audiências na Santa Sé.
    A Prelazia Territorial de São Felix teve dom Pedro como primeiro bispo prelado. Seu sucessor foi dom Leonardo Ulrich Steiner, que permaneceu no cargo até a nomeação como auxiliar de Brasília, em setembro de 2011. O atual prelado é dom Adriano Ciocca Vasino, nomeado no último dia 21 de março.
    Mais:
  • Pentecostes: Onde sopra o Espírito?

    Dom Demétrio Valentini, Bispo de Jales (SP) e Presidente da Cáritas Brasileira até novembro de 2011 em Adital
     
    A festa de Pentecostes, celebrada neste domingo, lembra a vinda do Espírito Santo sobre os primeiros cristãos, reunidos no cenáculo em Jerusalém. Com a força do Espírito, sentiram-se animados a partir em missão. 
     
    Daí para a frente, o Espírito Santo iria conduzir a Igreja. Ele se encarregaria de indicar os rumos, e até de antecipar os passos que os cristãos deveriam dar. 
     
    Foi o que aconteceu, por exemplo, quando Pedro foi procurado por Cornélio, um pagão, que o convidava a visitar sua casa. Ao entrar, Pedro se surpreendeu, vendo que o Espírito Santo descia sobre os pagãos, da mesma maneira como tinha descido sobre eles em Pentecostes. 
     
    Pedro então compreendeu que os pagãos eram destinatários do Evangelho, tal como o povo de Israel. A Igreja aprendeu a estar atenta aos sinais do Espírito, para tomar suas decisões com segurança. 
     
    Foi o que aconteceu em nossa época, com o anúncio do Concílio Vaticano Segundo, em janeiro de 1959. O Papa João 23 não se cansava de testemunhar que a idéia de um concílio tinha surpreendido a ele mesmo. A certeza da inspiração divina lhe vinha da pronta adesão do povo, que de imediato se identificou com a proposta do papa. Com esta certeza, a Igreja pôde levar em frente a realização do Concílio.
    Algumas manifestações do Espírito são fáceis de identificar. Sobretudo quando contam com o aval do povo. A própria teologia reconhece que o “sensus fidelium”, a “intuição dos fiéis” é sinal seguro de procedimento eclesial.

    Mas existem situações mais complicadas. Nem sempre o clamor do povo é porta-voz do Espírito Santo. Há certas manifestações, também políticas e sociais, cuja ênfase, em vez de manifestar caminhos seguros de procedimentos corretos, esconde interesses não confessados, e tenta forçar rumos que não levam ao bem comum.

    Por isto, não dá para colocar na conta do Espírito Santo todas as manifestações populares. A confiança no Espírito de Deus não dispensa o esforço de discernimento, para perceber os valores que estão em jogo.

    O próprio Evangelho nos dá uma pista, quando Jesus explica como seria o procedimento do Espírito. Disse Ele que o Espírito “não falará de si mesmo…; mas, receberá do que é meu e vo-lo anunciará” (Jo 16, 13).

    Com esta afirmação, Jesus sinaliza a necessidade de constatar a coerência entre o que ele fez e ensinou, com as manifestações que possam ocorrer. Para serem do Espírito, precisam estar em sintonia com as verdades objetivas proclamadas por Cristo.

    A Bíblia conta uma bonita história, para advertir da necessidade de discernir a presença de Deus. Elias estava refugiado na caverna, nas proximidades do monte Horeb. Foi avisado que Deus passaria naquela noite. Ele se colocou então na entrada da caverna. Veio um forte furacão que fazia as rochas se contorcerem. Mas Deus não estava no furacão. Depois aconteceu um violento terremoto, que sacudiu a terra. Mas Deus não estava no terremoto. Depois desceu um fogo devorador. Mas Deus não estava no fogo. Por fim, veio uma brisa suave, que amenizou todo o ambiente. Era Deus que estava chegando.

    Precedendo a este episódio, o mesmo livro narra a cena do confronto de Elias com os 400 sacerdotes do deus Baal. Desafiados por Elias a invocarem o seu deus para que fizesse descer fogo sobre a lenha da oferenda, os sacerdotes gritaram o dia inteiro, mas não foram capazes de se fazerem ouvir por seu falso deus. Ao passo que Elias, com poucas palavras, foi prontamente atendido por Javé.

    Há certas manifestações que se assemelham à gritaria dos sacerdotes de Baal. Em nada contribuem para o discernimento objetivo dos problemas a resolver.

    A análise objetiva da realidade é garantia mais segura do acerto das decisões a serem tomadas.

  • Maio em Taiobeiras: Nossa Senhora de Fátima

    Apenas um momentinho do encerramento da 56ª Festa de Nossa Senhora de Fátima em Taiobeiras: 13 de maio de 2012.

  • 77 anos da Paróquia de Taiobeiras: "De olhos fixos em Jesus!"

    Igreja Matriz da Paróquia São Sebastião de Taiobeiras.
    Procissão do padroeiro no dia 20 de janeiro de 2010.
    Falo por mim mesmo. Há 20 anos atrás comecei minha militância cristã, “para valer”, nas pastorais e nas comunidades da Igreja Católica aqui em minha cidade, Taiobeiras, na Paróquia São Sebastião, esta que hoje (20/05/2012) completa 77 anos de criação.

    De lá para cá, muita água rolou debaixo da ponte da história. Grupo de jovens, Pastoral da Juventude (PJ) paroquial, CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), Secretariado Diocesano da PJ em Montes Claros, Pastoral do Menor diocesana, Pastoral da Crisma, Pastoral da Catequese Infantil, Comissão Paroquial do Testumunho Cristão, Conselho Paroquial de Pastoral, Conselheiro Paroquial, 1º Concílio Paroquial de Taiobeiras (2007) e uma militância política que só se tornou possível graças ao impulso do Evangelho de Jesus aprendido e vivido nas experiências de fé proporcionadas pela ação evangelizadora desta Paróquia de São Sebastião de Taiobeiras. Costumo dizer que a política entrou na minha vida pela porta da Igreja. Não há sentido para militância partidária sem a motivação do Evangelho, a que nos convida a partilhar com o próximo. Compartilhar nossos dons e nossos serviços, especialmente aos fracos e excluídos. Permaneço firme neste propósito que aprendi desde cedo na comunidade eclesial taiobeirense.

    Tenho muito a agradecer a esta Igreja de Deus presente aqui em Taiobeiras. Eu não seria a pessoa que sou sem esta Paróquia, esta Igreja, na minha vida. Agradeço aos muitos leigos que me conduziram pela mão para participar desta vida eclesial. Congratulo-me com as irmãs da Divina Providência, que aqui nos formaram para a fé no Deus da Vida e na luta por um “mundo presente” melhor para todos. Meu muito obrigado aos frades franciscanos pelo exemplo de fé e de organização. Agradecido estou ao mártir São Sebastião, exemplo de seguimento do Senhor até a radicalidade do martírio. Ele me inspira. Agradeço a Nossa Senhora, mãe de Jesus, que aqui a chamamos de Fátima, pela ternura com que me conduziu a seu Filho. Louvo a Jesus, por esta Igreja, por esta fé, por esta luta que ele nos permite travar por causa do seu Evangelho de justiça e paz.

    Por isto tudo, nestes 77 anos da Paróquia São Sebastião, o meu lema pessoal, aquele que eu gostaria que nossa paróquia seguisse sempre, é: “De olhos fixos em Jesus”. Ele é o caminho e o objetivo de nossa ação. Ele é o sentido de nossa presença neste sertão do Vale do Rio Pardo, tão sofrido e marcado pelos pecados da ganância e da injustiça; nesta luta pelos pequeninos e pela construção do Reino de Deus, já aqui, agora e para sempre.

  • 20 de maio: Paróquia de Taiobeiras completa 77 anos

    Frei Jucundiano

    No próximo domingo (20/05), a Paróquia São Sebastião de Taiobeiras, pertencente à Arquidiocese de Montes Claros, celebrará os 77 anos de sua criação pelo então Bispo Diocesano, Dom João Antônio Pimenta. Desmembrada da Paróquia Santo Antônio de Salinas, tão logo foi criada passou a receber assitência da Ordem dos Frades Menores (OFM), popularmente conhecidos como “Franciscanos” que, então, eram os responsáveis por Salinas.


    Frei Salésio

    Em 1940 passou a ter um frade residente no então distrito de Taiobeiras, o holandês Frei Jucundiano de Kok, OFM que um década depois, seria nomeado como o primeiro pároco.


    Frei João

    A lista dos parócos de São Sebastião de Taiobeiras é a seguinte:

    1. Frei Jucundiano de Kok, OFM, holandês, até 1974;
    2. Frei Salésio Heskes, OFM, holandês, até 1988;
    3. Frei João José de Jesus, OFM, brasileiro, baiano, até 1993;
    4. Frei Ronaldo Zwinkels, OFM, holandês, 1994;
    5. Frei Feliciano van Sambeek, OFM, holandês, 1995;
    Frei Feliciano

    6. Frei Berardo Kleuskens, OFM, holandês, até 1998;

    Frei Berardo

    7. Frei José da Silva, OFM, brasileiro, mineiro, salinense, até 2000;

    8. Frei Antônio Teófilo da Silva Filho, brasileiro, mineiro, até 2007 (último pároco franciscano);
    9. Padre Inivado Fernandes de Lima, sacerdote diocesano, brasileiro, baiano, até 2010;
    10. Padre Ivan Alkimin, MSF (Missionário da Sagrada Família), brasileiro, mineiro (atual pároco).

    Frei Teófilo

    A Paróquia São Sebastião de Taiobeiras é bastante viva e organizada em comunidades eclesiais de base, movimentos leigos e pastorais que atendem às diversas áreas da evangelização.


    Conheça mais:
  • Encerramento da 56ª Festa de Nossa Senhora de Fátima em Taiobeiras

    Imagem no andor em frente à Igrejinha Octogonal
    Apesar das situações que nos desagradam, pelos sinais do antirreino que emitem, o que vale mesmo é ressaltar a fé do povo no Deus da vida e na virgem que caminha com a gente. Esta fé faz com que nosso coração cultive a esperança nos dias que virão, nos quais a sacralidade do amor se estenderá por onde quer que caminhemos.

    Seguem algumas imagens do encerramento da 56ª Festa de Nossa Senhora de Fátima em Taiobeiras, ocorrido na tarde-noite de 13 de maio de 2012 na Praça da Igrejinha (Avenida do Contorno). A Festa de Nossa Senhora de Fátima em Taiobeiras/MG teve início em 1957 e é considerada a maior manifestação religiosa deste município.

    56ª Festa de N. Sra. de Fátima em Taiobeiras (13/05/2012)
    56ª Festa de N. Sra. de Fátima em Taiobeiras (13/05/2012)
    56ª Festa de N. Sra. de Fátima em Taiobeiras (13/05/2012)
    56ª Festa de N. Sra. de Fátima em Taiobeiras (13/05/2012)
    56ª Festa de N. Sra. de Fátima em Taiobeiras (13/05/2012)
  • A minha religião

    A minha religião é essa, da qual fez parte Dom Helder Câmara.
    É uma religião que tem tudo a ver com Jesus Cristo. E não estou falando de instituição ou “denominação”.
  • Razões de nossa esperança

    * Zé Vicente
    Bendita e louvada seja esta santa romaria
    Bendito o povo que marcha,
    Bendito o povo que marcha,
    Tendo Cristo como guia.

    Sou, sou teu, Senhor,
    Sou povo novo, retirante e lutador,
    Deus dos peregrinos, dos pequeninos,
    Jesus Cristo Redentor.

    No Egito antigamente
    No meio da escravidão
    Deus libertou o seu povo.
    Hoje ele passa de novo
    Gritando a llibertação.

    Para a terra prometida
    O povo de Deus marchou
    Moisés andava na frente.
    Hoje Moisés é a gente
    Quando enfrenta o opressor.

    Caminhemos na estrada
    Muita seca pelo chão
    Todo arame e porteira
    Merecem corte e fogueira
    São frutos da maldição.

    Quem é fraco Deus dá força
    Quem tem medo sofre mais
    Quem se une ao companheiro
    Vence todo o cativeiro
    É feliz e tem a paz.

    Mãos ao alto, voz unida
    Nosso canto se ouvirá
    Nos caminhos do sertão
    Clamando por terra e pão
    Ninguém mais nos calará.

  • Feliz Páscoa a todos!

    Hino Pascal:
    “Ó noite de alegria verdadeira, que uniu de novo o céus à terra inteira!”
    A vida venceu a morte!
    Prevaleceu a esperança!

    Feliz Páscoa de Jesus a todos.

  • Sexta-feira santa: "Jesus dá a vida pela humanidade"

    Nesta data, façamos nossas as palavras da fé popular:
    “Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, porque pela vossa santa cruz redimistes o mundo”.

    E cantemos…
    “Pela Virgem dolorosa, vossa mãe tão piedosa, perdoai-nos Bom Jesus, perdoai-nos Bom Jesus”.

    Hoje, parece que a morte venceu. Apenas parece. Apenas parece…
    Mas resiste a esperança. Esperança em Jesus.
    Obrigado, Jesus, por nos amar tão intensamente.
  • Artigo do Levon: A polêmica dos crucifixos e a laicidade do Brasil


    A recente polêmica sobre a retirada de crucifixos dos plenários de tribunais e parlamentos no Brasil, já bastante antiga em países da Europa, reabre o debate sobre a laicidade do Estado brasileiro. Afinal, desde a proclamação da República em 1889, passamos a constituir um país onde instituições políticas e religiosas estão oficialmente separadas. Cada um pode pertencer à religião que quiser ou a nenhuma, enquanto o Estado não possui e não estimula qualquer uma, embora lhes garanta a total liberdade de culto e expressão. Pelo menos no papel.

    Na prática, símbolos religiosos estão em espaços públicos, políticos ajudam na construção de templos e a bancada religiosa no Congresso, principalmente a evangélica, cresce a cada eleição e interfere bastante nos assuntos do Estado nacional. Temas de fé para as religiões e de saúde pública para o Estado, como a questão do aborto, ainda que com argumentos superficiais e instrumentalizados por maus políticos de extrema direita, incrivelmente e lamentavelmente foram mais discutidos do que emprego e educação nas últimas eleições presidenciais (2010). Trabalho digno e educação contextualizada com qualidade, além de boa formação moral e familiar, podem prevenir muito mais o aborto do que a discussão estéril da época eleitoral.

    Posso estar equivocado a respeito do assunto em questão – e espero opiniões contraditórias para um bom debate –, mas mesmo sendo católico, compartilho com a ideia da retirada de símbolos religiosos de prédios públicos. E antes que me acusem, afirmo que a confusão é prejudicial a todos, inclusive para a autenticidade do catolicismo. O crucifixo é o símbolo da fidelidade do Redentor para com seu povo e do compromisso católico com a entrega total da vida em favor da dignidade divina do ser humano. Não vejo sentido nos casos em que um sinal de tal grandeza esteja exposto em ambientes onde, na maioria das vezes, os valores cristãos são maculados, negligenciados e profanados. A presença de um crucifixo numa sala política não pode se constituir para os católicos em simbologia triunfalista. Nossa missão é superior a isto. Nossa vocação é o Reino Definitivo. Ou como diz S. Paulo: “Pensai nas coisas do alto, e não nas coisas da terra” (cf. Colossenses 3,2).

    Também me coloco no lugar dos não católicos. Isto é uma exigência da catolicidade: pôr-se no lugar dos outros. Qual não deve ser o impacto para eles, que também pagam impostos e sustentam os lugares públicos assim como nós, em ver símbolos de outra fé, diferente da sua, privilegiados nos espaços que são de todos? Nossa suposta maioria católica no país não nos dá esse direito. O que acharíamos se um símbolo evangélico, budista ou do candomblé estivesse em destaque no Fórum ou na Câmara de Vereadores? Com certeza, não nos agradaria. O próprio mestre Jesus nos ensina: “Tudo que desejais que os outros vos façam, fazei-o também vós a eles…” (cf. Mateus 7,12).

    A separação entre Estado e Igreja foi um avanço para a sociedade. Permitiu à Igreja ser livre dos poderes do mundo para se dedicar à sua missão espiritual-social com altivez e independência. Também deu ao Estado a capacidade de atuar nas questões de sua competência sem oprimir as pessoas por seus credos e práticas religiosas. Evidentemente, não queremos, de forma alguma, nos tornar teocracias como algumas do Oriente Médio, onde os credos diferentes, em algumas situações, são perseguidos e proibidos.

    A fé católica pressupõe liberdade de opção e maturidade no seguimento de Jesus Cristo. Assim, com respeito e autenticidade, se formam os verdadeiros “discípulos e missionários” convocados a irradiar o Evangelho de vida e justiça no mundo.
    * Levon Nascimento exerceu o serviço pastoral de Conselheiro da Paróquia S. Sebastião de Taiobeiras/MG entre 2004 e 2008.
  • O pôr-do-sol de minha infância e a imensidão da vida

    Pôr-do-sol visto da zona rural de Cordeiros/BA, com o Morro da Feirinha
    (Condeúba/BA) ao fundo e à direita. 19 fev. 2012.
    Eu fiz esta foto a partir da Fazenda Inhaúmas (lugar onde nasci), na zona rural de Cordeiros/Bahia, voltado para o oeste, em 19 de fevereiro de 2012, dois dias antes do meu aniversário. A imagem é do pôr-do-sol, tendo a Serra Geral (divisa Minas/Bahia) e o Morro da Feirinha (município de Condeúba/BA) como molduras, ao fundo.

    Quando eu era criança esta mesma imagem sempre me encantou e me angustiou. Passava-me uma sensação de pequenez ante a imensidão, embora eu não soubesse verbalizar ou compreender os insights congnitivos que me despertava. Um sentimento de começo e de fim intrincados e indissociáveis. Uma antevisão do infinito.

    Agora adulto, a mesma imagem com sabor de lembranças, resminiscências infantis, não me deixa de trazer uma inquietação. Ao olhar este crepúsculo, me vem a cabeça o quanto nós humanos estamos à mercê da grandeza incomensurável da natureza, da vida e do universo. E também de nossas próprias ações e do acaso.

    Que esta compreensão de nossas limitações nos anime a valorizar cada pequeno instante de nossa existência, sempre buscando o caminho da verdade, da justiça e da vida em plenitude, que emana do coração de Deus.