Tag: Jesus Cristo

  • 19 de março: dia de São José, pai adotivo de Jesus

    Minha homenagem a um ser humano todo especial, José de Nazaré, homem que aceitou a missão divina de ser “o pai” do Salvador da humanidade. Salve, São José!

    Música: São José (Todos os trabalhadores)
    Pe. Joãozinho, scj

    Todos os trabalhadores
    Vamos juntos entoar
    Operários, lavradores
    São José vamos saudar, ai, ai

    A mulher trabalhadora
    Faxineira e professora
    E também dona de casa
    Tem os filhos pra cuidar, ai, ai

    Refrão: São José, homem do povo
    Entendeu a mensagem do Senhor
    Operário, feliz esposo
    De Maria, a mãe do Salvador

    Empregada, balconista
    Empresário e escritor
    Comerciante e artista
    Cantam juntos o louvor, ai, ai

    Santo humilde, homem justo
    Elevamos nossa voz
    Teu exemplo nos ajude
    Que a justiça viva em nós, ai, ai

  • Ivone Gebara: Gerar vida e gerar morte

    * Ivone Gebara no Vi o Mundo
    Espanta-me a facilidade com que alguns clérigos e bispos afirmam poder distinguir com clareza as forças que geram vida e as que geram morte. Discorrem como se estivessem num campo de certezas. Nem percebem que o próprio uso dessas duas palavras, principalmente nos seus discursos acalorados sobre a importância de escolhermos a vida, conduz quase necessariamente a defender armadilhas de morte e provocar formas sutis de violência. O que é vida? O que é morte? É possível que a morte se sustente fora da vida e a vida fora da morte? Não somos nós vida e morte ao mesmo tempo? Não somos sempre aprendizes, caminhando trôpegos, dando um passo depois do outro nas escolhas diárias que tentamos fazer?


    Faz algum tempo que a Igreja Católica no Brasil vem desenvolvendo uma linha equivoca de defesa da vida. Quando falam da defesa da vida reduzem o termo vida à vida do feto humano e, assegurados da vida do feto, esquecem-se de todos os outros aspectos e personagens reais da complexa teia da vida. Fico me perguntando de novo porque insistem nesse erro e nesse limite lógico, condenado também de muitas maneiras pelos muitos filósofos e teólogos da Tradição Cristã. Distanciam-se até das últimas reflexões de Bento XVI que, com justeza, discorre sobre a complexidade da vida no universo, incluindo-se a vida humana.


    Espanta-me constatar mais uma vez a pouca formação filosófica e teológica de parte do episcopado e de muitos clérigos que se arvoram a defender a vida, mas atiram pedras em pessoas que consideram “mal-amadas” só por defenderem um ideário diferente do seu. Por que “mal-amada” ou “mal-amado” seria uma forma de menosprezar ou diminuir as pessoas? O que de fato querem dizer com isso?


    Não somos todos nós necessitados de amor? Não é o amor a missão cristã? Não é para os desprezados, esquecidos e mal-amados que o Cristianismo diz manter sua missão a exemplo de Jesus? É desconcertante perceber que usam expressões desse tipo e instrumentalizam a mensagem cristã para afirmar desacordos de posições, como o fez D. Benedito Simão, bispo de Assis e Presidente da Comissão pela vida da Regional sul I da CNBB. Em entrevista ao Grupo Estado de S. Paulo, na semana passada, por ocasião da escolha da Professora e Doutora Eleonora Menicucci como ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres, o referido bispo classificou a nova ministra de “mal-amada” e, com isso, desrespeitou-a e incitou ao desrespeito e à falta de diálogo em relação à responsabilidade pública de enfrentar os sérios problemas sociais.


    Seria o bispo então um privilegiado “bem-amado”? A partir de que critérios?


    O desrespeito às histórias e escolhas pessoais, às muitas dores e razões de muitas mulheres torna-se moeda corrente em muitas Igrejas cristãs que se armam para uma chamada “guerra santa”, sem a preocupação de aproximar-se das pessoas envolvidas em situações de desespero.  Usam sua autoridade junto ao povo para gritar palavras de ordem e, em nome de seu deus, confundir as mentes e os corações.


    Perdeu-se a civilidade. Perdeu-se o desejo de consagração à sabedoria e ao bom senso. Perdeu-se a escuta aos acontecimentos e à aproximação respeitosa das dores alheias. Apenas se responde a partir de PRINCÍPIOS e de pretensa autoridade. Mas o que são os princípios fora da vida cotidiana das pessoas de carne e osso? Qual é o teto dos princípios? Quem os estabelece? Onde vivem eles? Como se conjugam nas diferentes situações da vida? O convite ao pensamento se faz absolutamente necessário quando as trevas da ignorância obscurecem as mentes e os corações.


    Nesse momento crítico de descrença em relação a muitos valores humanos, as atitudes policialescas de um ou mais bispos, de clérigos e pastores assim como de alguns fiéis nos apavoram. A ignorância das próprias fontes do Evangelho e a instrumentalização da fé dos mais simples nos espantam. A democracia real está em risco. A liberdade está ameaçada pelo obscurantismo religioso.


    De nada servem palavras como diálogo, escuta, conversão, solidariedade, respeito à vida quando, na prática, é a violência e a defesa de idéias pré-concebidas que parecem nortear alguns comportamentos religiosos públicos. Seguem esquecendo que não se deve tomar Deus em vão. Não apenas seu nome, pois isso já o fazem. Tomar Deus em vão é tomar as criaturas em vão, selecionando-as, desrespeitando-as e julgando-as de antemão. Nós todas/os temos palhas e traves em nossos olhos e eu sou a primeira. Por isso, cada pessoa ou grupo apenas consegue ver algo da realidade, que é sempre maior do que nós. Entretanto, se quisermos enxergar um pouco mais, somos convidadas a nos aproximar de forma desarmada dos outros. Somos desafiadas a ouvir, olhar, sentir, acolher, perguntar, conversar como se o corpo do outro ou da outra pudesse ser meu próprio corpo, como se os olhos e ouvidos dos outros pudessem completar minha visão e audição. E mais, como se as dores alheias pudessem ser de fato minhas próprias dores e suas histórias de vida, minhas mestras. Só assim poderemos ter um pouco de autoridade com dignidade. Só assim nossa belas palavras não serão ocas. E, talvez, nessa abertura a cada dia renovada, poderemos acreditar na necessidade vital de carregar os fardos uns dos outros e esperar que a fraternidade e a sororidade sejam possíveis em nossas relações.

    * Ivone Gebara é doutora em Filosofia e em Ciências Religosas.

  • Agradecimento e recesso. Feliz 2012!

    Amigos e amigas,
    Agradeço a atenção de quem visitou este blog em 2011, leu os posts e/ou enviou comentários e sugestões. Obrigado também a quem republicou meus artigos por meio impresso ou eletrônico ou os compartilhou nas redes sociais. Juntos buscamos construir um sociedade mais cidadã e fraterna.

    Vamos a 2012 com mais entusiasmo e vontade para transformar as dificuldades em avanços, os problemas em soluções, as tristezas em alegrias, a violência em paz e fraternidade.
    Vou tentar um merecido recesso aqui no blog. Pelo menos até o dia 2 de janeiro de 2012. Quero voltar a publicar aqui no ano que vem com muito mais empenho em servir às boas causas e às boas lutas em favor da vida.
    Muito obrigado a todos. Que a luz do “Menino-Crucificado” que nasceu “hoje” destrua toda treva que impede nossa felicidade e nossa melhora como seres humanos e como sociedade!

    Feliz 2012 a todos!

    Levon Nascimento e família.

  • Feliz Natal com Jesus de Nazaré a todos

    Aos(às) amigos(as) leitores(as) deste blog, desejo…

    Feliz Natal!
    Que Jesus de Nazaré, personsagem prinicipal dessa festa, renasça, com todo o seu Evangelho, no coração de cada um de nós e ajude a modificar nossas atitudes para a verdade, a justiça, a bondade e o amor.

    Muito obrigado!

  • 40 anos da Teologia da Libertação

    Dom Helder Câmara, Arcebispo de Olinda e Recife
    no auge da Teologia da Libertação
    * Do Blog do Luis Nassif
    Há 40 anos, um pequeno livro de um sacerdote peruano estremeceu a Igreja católica ao sentar as bases da Teologia da Libertação, uma reflexão acusada de marxista por ressaltar a opção de Deus pelos pobres, mas também elogiada por renovar a mensagem dessa religião. A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 17-12-2011. A tradução é do Cepat.


    O livro Teologia de Libertação. Perspectivas [Vozes], de 1971, é considerado o ato teórico fundacional que deu nome ao movimento teológico mais importante nascido na América e foi escrito pelo peruano Gustavo Gutiérrez, hoje com 83 anos e sacerdote dominicano. “A ideia era dizer que Deus acompanhava os povos do Terceiro Mundo, que estava do seu lado na busca pela Terra Prometida, mas uma Terra Prometida que significava terra, liberdade, justiça, dignidade”, explicou o professor Jeffrey Klaiber, historiador das religiões na Universidade Católica de Lima. Em uma América Latina marcada pela desigualdade social e pelas ditaduras das décadas de 1960 e 1970, essa linha “captou a imaginação” de vastos setores, desde a Nicarágua de Somoza até as Filipinas de Marcos, encontrando ecos na África, segundo Klaiber.


    Gustavo Gutiérrez afirmou que “na Teologia da Libertação (TdL) a pobreza significa insignificância social, ela não se limita à sua dimensão econômica; pobre é o insignificante e excluído por diferentes razões, dali a gravidade da desigualdade social que sofremos no Peru”. “Essa teologia segue presente na América Latina, apesar das quatro décadas transcorridas, e sua mensagem central (a opção preferencial pelos pobres) repercute sobre a tarefa pastoral da Igreja”, disse Gutiérrez. “Bastaria tomar as conclusões da Conferência Episcopal da América Latina e do Caribe em Aparecida (Brasil, 2007) para dar-se conta disso”, evocou o sacerdote peruano sobre a reunião encabeçada pelo papa Bento XVI.

    A opção pelos pobres entusiasmou em um primeiro momento Roma, sob o papa Paulo VI (1963-1978), que designou bispos progressistas para a região com o maior número de fiéis católicos. Contudo, João Paulo II (1978-2005), formado no anticomunismo, a questionou alegando que fomentava a luta de classes e poderia distanciar os fiéis dos setores médios e altos. A ofensiva do Vaticano contra a Teologia da Libertação se traduziu na nomeação de bispos conservadores e se selou com dois documentos (“Instruções”) do então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé,Joseph RatzingerBento XVI desde 2005. “O importante é que os mal-entendidos, quando os houve, há tempo que foram superados através de um diálogo permanente e frutuoso”, ressaltou Gutiérrez sobre suas conversas com Ratzinger entre 1984-1986.
    O paradoxo na posição de Roma é que foram o Concílio Vaticano II (1962) e a Conferência Episcopal Latino-Americana de Medellín (1968) que serviram de inspiração para a TdL.


    Klaiber acredita que, “como corrente intelectual, o tempo da TdL já passou, mas seu espírito continua vigente e ativo no terreno, nas paróquias pobres e amazônicas mesmo que ninguém ouse pronunciar seu nome por medo da hierarquia”. O cardeal peruano Juan Luis Cipriani, primeiro cardeal da Opus Dei nomeado por João Paulo II no mundo, não aceitou fazer um comentário sobre a TdL quando lhe foi solicitado.


    “O que se pratica, na verdade, é a mensagem cristã, o Evangelho, não uma teologia; esta contribui para a vida da Igreja na medida em que reflete sobre essa mensagem tendo em conta o momento que se vive”, matiza Gutiérrez ao responder sobre se reescreveria sem mudanças seu texto de 1971. Gutiérrez não foi o único que impulsionou a TdL, que teve entre seus pioneiros o então sacerdote brasileiro Leonardo Boff e o colombiano Camilo Torres – que integrou as guerrilhas em seu país.

    Os casos dos arcebispos de El Salvador, Oscar Romero, assassinado em 1980, e do brasileiro Hélder Câmara, são referências obrigatórias dos representantes da Teologia da Libertação, que teve no Brasil sua base maior.
  • Artigo do Levon: A primeira vez em que vi Papai Noel e Jesus

    Artigo orignalmente publicado neste blog em 25 de dezembro de 2009. Veja no original neste link.
    Em tempos de Natal, resolvi buscar no baú da memória as referências que tenho sobre as personagens/personalidades que fazem parte dessa festa.

    Pelo que me lembro, a primeira vez em que ouvi falar e vi o Papai Noel foi no Natal de 1980. Nós morávamos em Taiobeiras/MG tinha um ano, mas meu Pai levou a família para passar o Natal em Cordeiros/BA. Estávamos na casa de Tia Ana, que ficava em frente à Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus da Boa Vida (a igreja velha que foi demolida nos anos 1990 para dar lugar à construção da nova). Era início da noite. Passou uma caminhonete C10 com um homem vestido de vermelho e com uma barba branca feita de algodão. Atrás vinha uma meninada sem fim. Eu, meu irmão e meus primos fomos atrás. Ele jogava balas para todos. Não me lembro se conseguimos apanhar alguma no meio daquele corre-corre, empurra-empurra. Sei que o destino final do homem fantasiado de “bom velhinho” foi um coreto acoplado ao fundo da igreja (quem já viu o Alto da Compadecida sabe como é o coreto do qual estou falando) e lá continuou a jogar mais balas para a criançada. Não sei se levava presentes para alguém. Naquele tempo eu não me preocupava com isto. Senti uma enorme alegria por estar ali. Só depois fui entender que se tratava do Natal. Natal – que signfica nascimento. Nascimento de quem? Mas esta pergunta eu só fiz muito tempo depois.

    E quando fiz a pergunta sobre quem nascera no Natal é que fiquei sabendo que se tratava de um certo menino, o Jesus, que embora nascera 2000 anos antes, nesta época do ano continuava menino, no presépio, acompanhado de seu Pai e de sua Mãe. O primeiro Presépio que vi, aliás, foi em minha casa, creio que naquele mesmo ano do Papai Noel, ou no ano anterior. Não sei ao certo. Chamou-me a atenção o colorido das coisas e as diversas imagens de santos que lá foram colocadas. Não somente José, Maria e o Menino Jesus, mas também todos os santos da casa fizeram um toor na gruta de Belém feita pela minha mãe.

    Ai me veio o questionamento, quando foi a primeira vez em que eu vi Jesus? E ruminando nas lembranças, percebi que foi em situação bem menos auspiciosa do que naquela em que me encontrei com o Velho Noel.

    De novo, foi em Cordeiros. Acho que em 1979. Ainda não havíamos mudado para Taiobeiras, o que só ocorreria em setembro daquele ano. Era uma sexta-feira santa, também à noite. Menor ainda, eu me via caminhando entre uma multidão (procissão). Em outros momentos alguém me carregava nos ombros. Mas eu já era bem grandinho e de novo voltava ao chão. Num desses instantes vi que uma mulher vestida com uma longa roupa escura, a cabeça coberta por um véu, subiu num banquinho e começou a cantar uma canção triste. Enquanto isto ela ia desenrolando um pano que ao final continha um rosto todo marcado e sofrido. E eu perguntei, quem é aquele do retrato? E me disseram: É “Nossinhô”, que morreu para nos salvar.  Só bem depois fui ligar que “Nossinhô” e Jesus eram a mesma pessoa. E que ele morreu, mas também ressuscitou. Venceu a morte e continua Vivo. Menino, Homem e Ressuscitado!

    Dos dois encontros, com o “bom velhinho” e com o Jesus de Verônica, só tempos depois pude tirar as conclusões. E percebi que, entre os dois, o que me deu maior presente foi aquele que entregou sua vida por mim e pela humanidade inteira… tornando-se nosso caminho, nossa verdade e nossa própria vida.

    Feliz Natal para você!

  • Artigo do Levon: O aniversário do Menino-Crucificado

    Publicado na edição impressa do Jornal Folha Regional, Taiobeiras (MG), ano IX, nº 192, página 4, dezembro/2011.

    O capitalismo devorou o Natal e os religiosos de mercado aplaudiram. Só não engoliu o indigesto Menino-Crucificado que teima em nascer nesta época do ano. Nem a ele nem aos discípulos dele. Ao Menino, porque o capitalismo não suporta suas manias: a de repartir pão e peixe ao invés de vendê-los nem a de acolher igualitariamente a cada um nos banquetes que organiza. Aos discípulos dele, porque o mercado não aceita que se adore outro deus senão a divindade do regime monoteísta do capital.


    Cada vez mais cedo, lâmpadas chinesas piscam conclamando ao grande ritual de adoração consumista. Indicam o caminho da satisfação passageira. Adornam o altar-mor do hedonismo. Obscurecem a luz verdadeira do “Sol da Justiça” que, apesar de todo agravo, insiste em permanecer irradiante no horizonte dos deserdados e dos heréticos críticos do culto cujo símbolo é o cifrão.

    O “bom” velhinho cinicamente cobra pelo abraço que empresta às crianças. Os sinos repicam melodias ocas, inaudíveis aos corações que anseiam por justiça e paz. Apelos são feitos em nome de uma felicidade esvaziada de propósito, nos quais o principal personagem que a proporciona é (pelo menos tentam) escamoteado e substituído por figurantes descartáveis e canastrões.

    Em meio à algazarra das vielas de venda e compra, nas sarjetas da história, pessoas insistem em dizer não a esta festa da morte. Elas ocupam as ruas e as avenidas reais e virtuais. Reafirmam a plenos pulmões que “santo, santo, santo” é somente um. E que este Único pode também ser chamado de “caminho, verdade e vida”. Que seu caminho não exige pagamento, mas compromisso. Que sua verdade é duradoura, não se desgastando como produto do mercado. Que sua vida é nova e plena, justa e necessária, eterna e completa para todos.

    Os que de fato infringem o Natal do capital postam-se do lado das causas dos pobres, defendem a vida dos inocentes e dos encarcerados nas inúmeras prisões que o tempo lhes condena; assumem a condição dos destituídos de toda dignidade. São os fortes; os que fazem de sua fraqueza material seu estofo moral e ético, sua grandeza espiritual e fraterna.

    Por isso, deseja-se mais do que feliz natal. Dizemos, com a ênfase dos que gritam sem auto-falante em meio ao barulho do trânsito: Feliz aniversário, Menino-Crucificado! Feliz aniversário àquele que não se deixa ser comprado! Viva o que se doa a quem o procura, por inteiro e por amor!

    Restam, pois, apenas duas perguntas para a celebração do aniversário ficar ainda mais completa. Quem é o Menino? Quem são seus discípulos?
  • Artigo do Levon: Homem assassinado pelos romanos na sexta é visto vivo na manhã de domingo

    * Levon do Nascimento (ao final da reflexão da quaresma de 2010, na alegria da Páscoa do Senhor Ressuscitado. Aleluia!)

    É verdade. Trata-se de um tal Jesus de Nazaré, um carpinteiro sem casa e lugar certo para viver, que anda cercado de gente pobre: uns pescadores, uns cobradores de impostos, umas mulheres – algumas delas adúlteras, outras prostitutas -, alguns que eram cegos e dizem ter sido curados por ele, outros que eram loucos-endemoniados e que afirmam ter encontrado a razão. Enfim, um cara meio esquisito, envolvido com gente sem muita expressão na sociedade, mas que se dizia filho de Deus. Alguns até, messiânicos como só, acham que se trata daquele nominado nas escrituras antigas, o que veio para libertar nosso povo do domínio dos estrangeiros. Bem, ele foi julgado culpado de blasfêmias na última sexta-feira e crucificado pelos romanos junto com outros bandidos. Às pressas, o sepultaram no mesmo dia, pois o sábado já ia começar.

    O estranho é que corre por toda a cidade que ele foi visto vivo, conversando primeiro com algumas mulheres que o seguiam, depois com alguns de seus discípulos. Ninguém está entendendo nada. Onde que um sujeito como aquele, sem eira nem beira, que vivia cercado do pior tipo de gente, seria de fato um enviado de Deus?! Só pode ser coisa de quem não tem o que fazer ou então de baderneiros subversivos.

    Passado algum tempo…

    Ah, e a onda estranha continua… dizem também que ressuscitou um certo Pedro, pescador, que era seguidor do Nazareno. Ele também foi pregado numa cruz, só que de cabeça para baixo, mas está vivo e liderando o grupo dos seguidores daquele que eles creem ter ressuscitado do mortos.

    Dizem que também está viva uma mulher chamada Maria, a mãe do Nazareno crucificado. Os seguidores dele a chamam de mãe.

    Vivo também está um sujeito agora conhecido como Paulo, que antes até que tinha juízo e perseguia os seguidores do Nazareno, mas depois ensandeceu e passou a divulgar ensinamentos em nome do mesmo.

    E tem mais… um tal de Francisco, da cidade de Assis, deixou para trás toda a herança e a riqueza de seu pai para viver em trapos e passando fome, por causa do Nazareno que dizem ter ressuscitado.

    Outro redivivo é um bispo de El Salvador, chamado Oscar Romero. Ele foi morto pelos militares de seu país e dos EUA por defender aquele povo subdesenvolvido da América Latina. Olha só, dizia que aquela “raça” de índios e negros tem estampada na cara o rosto do Nazareno.

    E fiquei sabendo ainda que uma mulher de nome Dorothy Stang também está viva. Ela era uma freira idosa que falava mal dos homens que só trazem o progresso para a Amazônia. Não entendo, pois ela foi morta com razão ao se meter onde não era chamada, tentando impedir o progresso e a livre iniciativa dos homens de negócios. Como é que pode estar viva agora?

    Sei não. Este Nazareno deve ter alguma coisa de especial. Quem ouve falar dele e se associa ao seu grupo, ganha uma força e tanto. Tem tanta coragem que não se importa em morrer por conta dele. Dizem que ele lhes trará a vida de volta. Pelo visto, trás mesmo! Estou começando a achar que tudo o que disseram sobre este tal Jesus deve ser mesmo verdade. Onde será que posso encontrá-lo?