* Levon Nascimento
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Texto do Levon: Ame e lute, apesar das pedras
Ame e lute, apesar das pedras
* Levon NascimentoA visão, na terra da cegueira, ao contrário do ditado popular, segundo o qual traria a coroa ao detentor, torna-se motivo de disputa e segregação.A coragem, na terra da covardia, é classificada como loucura.A disposição para a luta, na terra da acomodação e do conformismo, é tratada como patologia social.A capacidade crítica, na terra do infortúnio intelectual, é vítima da ditadura da mediocridade.Mas sem elas – a visão, a coragem, a disposição para a luta e a capacidade crítica -, os cegos, os covardes, os acomodados, os conformados e os intelectualmente desafortunados pereceriam na bocarra da dominação.É preciso lutar por eles, por amor, sem esperar outra retribuição além das pedras. -
Texto do Levon: Seguir
Seguir
* Levon NascimentoÉ Jesus…Não te sigo para ter a benção da prosperidade material. Os bens materiais se enferrujam e apodrecem.
Não te sigo por causa de milagres espetaculosos. Eles só cabem em filmes hollywoodianos.
Não te sigo por causa de uma suposta moral elevada e perfeita, superior à das demais pessoas. Por conta dela, civilizações inteiras foram extirpadas em banhos de sangue.
Não te sigo por medo de morrer. Afinal, a todos ela vem, “ao fraco e ao forte”, como disse teu amigo Francisco de Assis.Então, por que ou para que te sigo?Para que a adúltera não morra a pedradas;
Para que o cego enxergue;
Para que o filho ingrato volte à casa dos que o amam;
Para que o rico compartilhe seus bens;
Para que o paralítico volte a andar;
Para que a pescaria renda aos pescadores;
Para semear em terra fértil;
Para multiplicar o pão e repartir com a multidão;
Para possibilitar uma vida mais justa ao órfão, à viúva e ao pobre;Por causa do peso de tua cruz.
Por causa do teu imenso amor. -
Artigo do Levon: O oprimido e a opressão
A opressão não seria tão violenta e persistente se não contasse com o conformismo ou, até mesmo, a colaboração dos oprimidos frente aos opressores.Os 350 anos da brutal e desumana escravidão negra no Brasil não teriam durado tanto se, num dado momento da história, muitos escravizados não tivessem começado a achar que aquilo era destino (sina) e, outros, a navegar no próprio sistema escravocrata, passando a colaborar com seus senhores em troca de pequenos favores, à forma de migalhas: os capitães do mato.A dominação feminina em diferentes tempos ou em diversos tipos de sociedade, só foi possível graças ao fato da maioria das mulheres aceitarem a condição de submissas ao poder discricionário dos homens.Igualmente, a exploração da mais-valia dos trabalhadores por seus patrões só se efetiva por que a grande parte do proletariado não toma consciência de classe e, efetivamente, não luta unida pela superação das relações capitalistas de trabalho.No Brasil dos dias atuais, esta constatação se faz ainda mais evidente. Depois de um período de quatorze anos (curto interregno diante de sua longa história de espoliação pelas oligarquias),no qual um governo de origem popular (ainda que marcado pelo tal presidencialismo de coalizão, o qual desfigurou o projeto original das personagens principais deste período de poder), a população beneficiária de uma série de avanços sociais, que conquistou direitos e alcançou empoderamento real, foi conduzida ideologicamente, por força da grande mídia cartelizada, a desejar o impeachment do governo legitimamente eleito e a ansiar pela entronização no Palácio do Planalto de plutocratas que absolutamente em nada representam seus reais interesses de classe.Desta forma, jovens foram às ruas contra a corrupção, por mais escolas e saúde. Recebem do novo governo a nomeação de velhos ministros que sempre defenderam justamente o oposto e, de quebra, sinaliza com o desmonte das políticas de inclusão na educação e na cultura. Mulheres com rosto maquiado de verde e amarelo bateram em panelas contra o governo da primeira mulher eleita para a presidência da República brasileira. Como pagamento, veem a extinção do ministério especial que tratava de políticas públicas para o sexo feminino, bem como um ministeriado totalmente composto por homens, fato que nem mesmo o último governo da ditadura militar tinha ousado. Assalariados de carteira assinada bradaram contra o primeiro governo oriundo das classes trabalhadoras. Em troca, veem o novo governo acenar para a flexibilização dos direitos tão arduamente conquistados e contidos na CLT, flertar com as cruéis terceirizações e acenar ao aumento da idade mínima para a aposentadoria, além da possibilidade do trágico fim da política de valorização real do salário mínimo.Nenhuma das constatações anteriores retira a responsabilidade das costas da classe que historicamente se fez opressora sobre as demais. Atualmente, ela se encontra assentada nos barões da grande mídia, organizada em cartel de poucas famílias; nas grandes empresas dos capitais financeiro (bancos), industrial e comercial; na política tradicional das velhas oligarquias (partidos políticos de direita); e em setores do próprio Estado nacional, tradicionalmente ocupados por estratos da classe média identificados com os interesses da alta burguesia, a exemplo do que ocorre, em grande medida, no Poder Judiciário, no Ministério Público e nas corporações, como a Polícia Federal.Porém, não invalida a análise de que é necessário investir para que o oprimido não mais se identifique com o opressor que lhe explora. Se isto não vier a ocorrer com urgência, o Brasil estará sempre sujeito a golpes daqueles que não se contentam em esperar as próximas eleições para ascender ao poder pelo voto democrático, configurando-se numa gigantesca república bananeira. Esta consciência se fará na Educação: teórica, ofertada nas escolas, e prática, no calor das lutas encampadas pelos movimentos sociais.
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Artigo do Levon: Diálogo e fascismo
Vixe! É outro artigo de opinião desse tal de Levon! Eu não vou nem ler! Petralha doente! Só fala de Lula e Dilma! É um cego! Vai pra Cuba!Calma! Vamos dialogar?Uma das marcas do período conturbado pelo qual o Brasil está passando é a extrema polarização das posições políticas, as quais deixaram o terreno fértil do diálogo e da liberdade de expressão e adentraram ao pântano das perigosas simplificações, dos dogmatismos e do ódio fascista.Por quais motivos?O petismo foi um modo de governo de esquerda moderado, que nada teve de socialista ou comunista, a não ser os aliados e a referência moral, que buscou a conciliação com as elites e patrocinou políticas macroeconômicas tipicamente capitalistas, permitindo imensos lucros aos grandes bancos e aos setores hegemônicos da burguesia nacional e que mexeu pouco na estrutura social do Brasil, propiciando que os setores populares, antes totalmente excluídos, tivessem acesso ao consumo e a alguns direitos sociais. Porém, mesmo este pouco de inclusão, que retirou 40 milhões de brasileiros da condição de extrema pobreza, desagradou à conservadora classe dominante nacional, secularmente beneficiária das desigualdades.O ódio fascista foi fomentadoNo caso da classe média, imageticamente retratada pelo jocoso termo “coxinha”, pesa o fato dela ser tão classe trabalhadora quanto as demais classes populares, mas ideologicamente identificada, inspirada e desejosa de ser parte da assim denominada burguesia, ou classe opressora. Daí decorre que não deve ser motivo de espanto, pelo menos para quem quiser sociologicamente analisar, o fato de ser a classe média, tão sofredora quanto as demais categorias oprimidas, a contribuir com o maior contingente de indivíduos que defendem e propagam a irracional ideologia do fascismo brasileiro. Some-se a isto o conservadorismo estético, típico dos estratos médios de sociedades que passaram por longos períodos de domínio colonial, e a extrema religiosidade de caráter privado, centrada atualmente no que se denominou chamar de teologia da prosperidade.Dito isso, se entende o porquê da classe média bradar palavras de ordem que deixariam corados de vergonha quaisquer indivíduos que se dedicassem a um estudo mínimo de História, como, por exemplo, os famosos: “vai pra Cuba”, “petralha é tudo comunista”, “fascismo é ideologia de esquerda” e outras falácias. Quanto a Cuba, qualquer observador da cena internacional sabe que a ilha dos Castro caminha claramente para a abertura de seu mercado. A Guerra Fria dos anos 60 ficou longe. Até Barak Obama e os Rolling Stones já foram dar o seu abraço a Fidel. Supor que o petismo levaria o Brasil para uma ditadura comunista é de fazer o velho Marx ou Stalin se revirarem de raiva no caixão. Em qual comunismo os bancos lucrariam tanto e os pobres receberiam incentivos para comprar, comprar e comprar? E, se o fascismo era de esquerda, por que então as vítimas prediletas de Hitler e Mussolini, depois dos judeus, eram os camaradas esquerdistas, comumente alcunhados de “os bolcheviques” ou “os porcos vermelhos”? Não. O fascismo era uma ideologia de direita. De extrema direita. E que punha em risco os próprios conceitos burgueses de democracia e liberdade de expressão. Por isto foi combatido, ainda que tardiamente, pelos Aliados. Isto, evidentemente, não retira das esquerdas mundiais a responsabilidade de fazerem autocrítica quanto aos massacres perpetrados por regimes como o soviético, o chinês e o norte-coreano. Não se deve tapar os olhos para os crimes da extrema-esquerda, para não se cair no dogmatismo obscurantista da extrema-direita.Mas a esquerda brasileira também errou, principalmente por não ter disputado a hegemonia ideológica durante os anos dourados do lulismo (segundo mandato de Lula). Houve um raciocínio acomodatício que se conformou apenas com as quatro vitórias consecutivas em eleições presidenciais. O espaço ideológico junto à classe média ficou vazio. A classe média, ela própria, beneficiária de tantas políticas inclusivas dos governos petistas, como o PROUNI, o SISU, o Brasil Sem Fronteiras, a valorização real do salário mínimo, o estímulo aos concursos públicos, o aumento de vagas em universidades públicas e em institutos federais, além das ações de cunho moralizante, como o fortalecimento da Controladoria Geral da União, do MPF e a autonomia de fato da Polícia Federal. De vazio, este campo foi ocupado pelos grupos elitistas que enxergaram no fascismo, ou seja, na manipulação dos medos, da ignorância histórico-conceitual e nos seculares preconceitos de classe, uma porta para a retomada do poder central (fato concretizado com o golpe do impeachment por pedaladas fiscais) e para a extinção das conquistas alcançadas pelas classes dominadas (inclusive da própria classe média, que agora poderá ser vítima do aumento da idade para se aposentar e de outros golpes do governo ilegítimo).Nos artigos de opinião que escrevo, tenho sido vítima dos xingamentos típicos de indivíduos que foram, involuntariamente, inoculados pela doença do ódio fascista. Gente que não se incomoda de ter Eduardo Cunha como parceiro de suas “lutas”. Antes, eu me afligia e sofria. Tinha raiva. Hoje, vejo que é meu dever de cidadão brasileiro e – por que não? – atitude de cristão, ajudar a estes co-irmãos a avançarem em suas visões de mundo, seja pela leitura crítica ou pelo contradito conceitual.Talvez pese que, realmente, eu seja um militante das minhas ideias, inclusive político-partidariamente, mas eu não os odeio. Apenas, quero dialogar respeitosamente com eles. -
Artigo do Levon: O valor dos líderes

Beatriz Cerqueira, do SindUTE/MG e da CUT/MG Às vezes fico indignado quando percebo que boa parte das pessoas não é digna do esforço de algumas lideranças que as guiam e defendem. Vou citar dois casos, um da Bíblia e outro da nossa atualidade política brasileira.Nos tempos bíblicos vemos a luta de Moisés para convencer, organizar e conduzir o povo de Israel na luta contra a escravidão no Egito. E, mesmo depois da espetacular fuga pelo Mar Vermelho, em meio às óbvias dificuldades de travessia do deserto, os hebreus se põem a conspirar contra Moisés, reclamando do racionamento de comida e desejando o retorno à vida dos tempos de escravidão. A liberdade e a autonomia são bens duros de serem conseguidos e vividos. Nem todos estavam amadurecidos para compreendê-las e, delas, usufruírem. “Pau no líder”!Atualmente, vejo a consistente atuação da professora Beatriz Cerqueira, do Sindicato Único dos Educadores de Minas Gerais (SindUTE/MG) e da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG). Uma baita liderança! Inteligente, coerente e bem articulada. Organizou e lutou bravamente contra os desmandos dos governos tucanos na educação mineira. Tem feito a luta, mesmo com um governo simpático às demandas dos professores, sem abrir mão do essencial aos interesses da categoria. Mesmo assim, tem professor que nem lê o que ela escreve, não sabe o que pensa e, pior ainda, fala mal, acusa com leviandades e prefere dizer que “o Sindicato ou a Beatriz nada fazem por eles”. Vivem da murmuração e se recusam a participar efetivamente das lutas.Ah, e se tiver alguém que venha me acusar de misturar a história bíblica para dar sustentação a esta narrativa claramente política, digo logo que parem de ser hipócritas e desinformados. Estudem! Em geral, os que assim procederem são aqueles mesmos que conhecem a Bíblia de cabo a rabo quando o assunto é “teologia da prosperidade”, busca de milagres espetaculares ou julgar a vida alheia, mas que sabem como ninguém utilizar o famoso “jeitinho” brasileiro quando se deparam com a passagem na qual Jesus afirma que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino do céu”. Para essa gente, a agulha era uma grande porta típica das cidades do Oriente Médio. Típico descaramento na interpretação. O mestre Jesus não se valeria de uma comparação que indica dificuldades utilizando exemplos que permitem concluir por facilidades. Agulha é agulha, camelo é camelo, rico é rico, hipocrisia é hipocrisia.Enfim, há casos em que muitos liderados não fazem jus ao valor, à luta e ao sacrifício de seus líderes. E vice versa! -
Capazes de vender o Brasil e os brasileiros enrolados na Bandeira Nacional
* Levon Nascimento“A nossa bandeira jamais será vermelha” – gritam os manifestantes da classe média branca pelas ruas das principais capitais brasileiras, vestindo a camisa amarela (ou azul) da corrupta CBF, com os rostos pintados de verde-amarelo e paramentados com todo tipo de enfeite – quando não, com o próprio – que mimetizam o pavilhão nacional (Bandeira do Brasil). Não! Não é uma cena extraída do túnel do tempo, direto de 1964, do contexto de polarização capitalismo X socialismo, típico da Guerra Fria. Ocorre no ano de 2016, em pleno século XXI, tendo como pano de fundo os governos do PT, partido que, mesmo se declarando de esquerda, conduziu um governo genuinamente de estímulo ao mercado capitalista, seja ele o de consumo, através do Bolsa Família e dos demais programas de inclusão social, seja o financeiro, facilitando os altos lucros bancários através de taxas de juros elevadas. Causa espanto ver pessoas supostamente estudadas e bem informadas acreditando que os governos Lula e Dilma tramam a implantação de uma “ditadura comunista” (sic). É a típica ignorância da classe média que, como diz o sociólogo Jessé de Souza, é sadomasoquista, pois prefere mobilizar e vocalizar bandeiras de interesse da alta burguesia financeira e industrial, que a prejudica com altos preços em bens e serviços, do que reconhecer-se explorada e unir-se à luta dos demais trabalhadores. Na ausência de discurso ou de projeto minimamente racional, essa gente prefere se alimentar do vazio das teorias conspiratórias e enxergar no fantasma do comunismo, em plena era da globalização, o sentido para mascarar suas frustrações, medos e preconceitos. Ignorantemente perfilada com o neoliberalismo desnacionalizante, faz isto vestida com a bandeira nacional. Haja contradição! Mas não enxergam.A história da Bandeira Nacional é curiosa. Originalmente foi desenha pelo pintor francês Jean-Baptiste Debret – artista que veio nas missões artísticas patrocinadas por dom João VI – por encomenda de Pedro I assim que a independência foi proclamada em 1822. É composta de um retângulo verde, representando a casa de Bragança, família do imperador, e de um losango amarelo, símbolo da casa real austríaca dos Habsburgo, dinastia da primeira imperatriz brasileira, dona Leopoldina. Com a República, o brasão do Império em seu centro foi substituído por uma esfera azul, ornada de estrelas brancas – referentes às unidades da federação –, conforme a disposição das constelações visíveis no céu do Rio de Janeiro durante a noite de 15 de novembro de 1889, e por uma faixa igualmente branca onde está escrita a frase “Ordem e Progresso”, lema do positivismo francês – influência sobre as mentes dos militares brasileiros que deram o golpe republicano – que dava sentido ao imperialismo e neocolonialismo explorador europeu em fins do século XIX. Sim, a frase “Ordem e Progresso” não tem nada de nobre! Os que a inventaram pensavam tão somente na manutenção da “ordem” capitalista e exploratória dos povos brancos europeus sobre o resto do planeta. O “progresso” desejado por eles era o mesmo dos que não se importam em desmatar, poluir ou deixar barragens de rejeitos de minério se romperem sobre povoados desprotegidos e grandes rios de importância regional, como a Samarco fez em Mariana recentemente. Mesmo assim, nada tira a beleza do “símbolo augusto da paz” – como canta o Hino à Bandeira – nem seu sentido afetivo de sinal maior da união de todos os brasileiros. A Bandeira do Brasil não pertence apenas aos que vociferam odientos, favoráveis ao golpe de estado travestido pelo termo anglo impeachment. Ela igualmente é dos trabalhadores, artistas, intelectuais e estudantes que marcham de vermelho pela democracia, bradando “Não vai ter golpe! Vai ter luta”! Ou, mais legitimamente a estes últimos.As pessoas que se vestem de Bandeira Nacional para gritar “Fora Dilma”, “Fora Lula”, “Fora PT”, “Menos Paulo Freire”, “Somos milhões de Cunhas” ou “Abaixo o Comunismo” acham que são os legítimos e verdadeiros brasileiros. Triste e perigoso engano fascista! Da mesma forma, referem-se a si mesmos como os “cidadãos de bem”. De resto, em seu pervertido raciocínio, os que não embarcaram na degradante aventura golpista do impeachment são “do mal” e antibrasileiros. Aí se justifica a inepta frase “Nossa bandeira jamais será vermelha” ou a idiotice de crer que cada manifestante de vermelho estaria nas passeatas de esquerda porque recebeu trinta reais ou uma merenda de pão com mortadela. Essa gente não percebe que as manifestações majoritariamente de verde e amarelo defendem o retrocesso civilizatório, a destruição da democracia brasileira e os instintos mesquinhos daqueles que em absolutamente nada corroboram com o interesse nacional. As grandes corporações financeiras e midiáticas, que defendem o afastamento de Dilma e insuflam as massas de rua contra ela, subscrevem o aprofundamento da ideologia neoliberal mais selvagem, planejam o sucateamento da Petrobrás e a entrega de mão beijada dos direitos de exploração do pré-sal às petroleiras estrangeiras, anseiam pela redução dos gastos sociais e dos direitos trabalhistas, o que devolverá à miséria milhões de famílias incluídas nos últimos 14 anos de governos petistas e propõem levar a efeito um amplo programa de privatizações que terminará por mercantilizar os nossos já débeis serviços básicos. Querem retomar a integração subalterna à ALCA e aos organismos financeiros internacionais, como o FMI, interrompida pelo governo Lula. Enfim, nada mais antinacional do que os ativistas vestidos de verde e amarelo nas manifestações anti-Dilma. Eles “odeiam” o Brasil, detestam sua gente e cultura popular, idolatram os modos e valores norte-americanos e europeus. Não se envergonham de sofrer da secular patologia social denominada “complexo de vira-latas”, máxima cunhada por Nelson Rodrigues.Ao contrário, as multidões que saem de vermelho às ruas, da cor da luta dos povos oprimidos em todos os lugres do mundo e tempos da História, que nada têm de fanáticos torcedores de um eterno Fla X Flu político, como imaginam os ingênuos “apolíticos” ou “apartidários”, imbuídas de cívica e verdadeira consciência cidadã e democrática, lutam pela manutenção e ampliação da ainda recente e incompleta democracia brasileira. Defendem que os recursos nacionais estejam sob o controle das instituições do Estado e da sociedade do Brasil. Promovem a politização da sociedade para que os bens e serviços pátrios fiquem a cargo do bem comum, da inclusão social e da igualdade de condições. Expressam seu repúdio à mercantilização dos valores brasileiros para fins do lucro insaciável de apenas alguns, muitos destes estrangeiros. Trágica e ironicamente, as multidões de vermelho são, de fato, nacionalistas e defensoras da soberania brasileira.É um tempo contraditório e complexo o que o Brasil passa nestes dias. Trajados de vermelho, uma cor internacionalista e sinal da consciência de classe, estão os legítimos defensores da Pátria. Vestidos com a Bandeira Nacional, como se somente a eles pertencesse, estão os que foram seduzidos pela sereia do fascismo e que não pensariam duas vezes antes de vender o Brasil numa bandeja de prata aos interesses ególatras do imperialismo mundial.* Levon Nascimento é professor de História e mestrando em “Estado, Governo e Políticas Públicas” pela FLACSO Brasil (Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais). -
Claro como o sol e escuro como a noite
É nítido como a luz que brilha o quadro político brasileiro atual. As forças que perderam o comando do país em 2002, com a eleição de Lula para a presidência do país, querem dar um golpe de estado e destituir a Presidenta Dilma Rousseff. Quando não os mesmos, têm idêntico DNA dos que levaram Getúlio Vargas ao suicídio, tumultuaram o mandato de Juscelino Kubistchek, conclamaram o golpe de 1964 contra João Goulart e as Reformas de Base, deram suporte político e ideológico à ditadura civil-militar (1964-1985) e nunca engoliram a chegada do torneiro mecânico e da guerrilheira mineira ao posto máximo da República. Emprestaram a cadeira que sempre lhes pertenceu, desde que Cabral pôs os pés nesta terra, mas agora querem retomá-la a qualquer custo. Como não conseguiram em 2014, com seu candidato aviador, não se importam em manchar a imagem do país com um novo golpe, desta vez de inspiração hondurenho-paraguaio, midiático-judicial.Sim, trata-se de um golpe de estado! E não há como dizer que não é. Dirão que o impeachment está previsto na Constituição de 1988, que já foi usado contra Collor, etc. É verdade. Mas se esquecem de que o impeachment(cassação do mandato do presidente da República) só é permito pela Carta Magna quando há comprovação inequívoca de cometimento de crime de responsabilidade. Com Collor, havia dezenas de provas. Com Dilma, apesar do esforço da mídia, da oposição política e de setores do judiciário, não se provou exatamente nada contra ela. A Rede Globo tenta fazer a população acreditar de que se trata de uma “ladra, vagabunda e desequilibrada”. O juiz Moro quebra seu sigilo telefônico e “vaza a jato” no Jornal Nacional. Mas, tudo o que conseguiram provar é de se trata de uma mulher de fibra, que não se vergou aos torturadores da ditadura nem aos abutres – da atualidade – que a querem fora (viva ou morta) do cargo para o qual foi reconduzida com mais de 54 milhões de votos.É um golpe, sim! Com dois anos de investigação da Lava-jato, quebra de sigilo telefônico e dezenas de delações premiadas, nada se provou contra a honestidade de Dilma Rousseff. Tanto é um golpe que, apesar de todos os rumores acerca da Petrobrás, para pedir o seu impeachmentna Câmara, tiveram que inventar como motivo as tais “Pedaladas Fiscais”. Sim! Dilma não está ameaçada de perder o cargo de presidenta por conta do “Petrolão”. Querem cassar o seu mandato por causa das “pedaladas fiscais”. Aposto que você não sabia! A grande mídia, que manipula e aliena as pessoas, não faz questão de lhe explicar.Segundo a tese das pedaladas, Dilma teria cometido crime porque, ao iniciar os meses sem dinheiro no caixa do Tesouro Nacional, pegou dinheiro no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal – que são instituições públicas, sob seu comando, inclusive – para pagar os gastos do governo com os programas sociais: Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, ProUni, etc. Posteriormente, quando o dinheiro entrava no caixa, repassava-o de volta aos bancos federais. Em outras palavras, não estão “tirando” Dilma do poder porque ela pegou dinheiro público e pôs no próprio bolso, mas porque, assim como uma mãe, ela preferiu retirar dinheiro dos bancos ao invés de atrasar os compromissos com os programas sociais que tanto contribuem na inclusão de milhões de brasileiros pobres e trabalhadores. É necessário acrescentar que, vários outros presidentes antes de Dilma também realizaram as pedaladas fiscais e não sofreram impeachment, assim como diversos governadores de estado e prefeitos municipais. O vice Michel Temer, quando no exercício da presidência, também praticou as tais pedaladas. Se Dilma deixar de ser presidente por isto, então todos os governadores e prefeitos deveriam ser cassados.É um golpe de estado! E isto fica claro quando se percebe que a tal planilha ou lista da empreiteira Odebrecht, fruto das investigações da operação Lava-jato, contém mais de 300 nomes de políticos brasileiros, de quase todos os partidos políticos, menos os de Lula e Dilma. Enquanto que as gravações telefônicas dos dois foram divulgadas com estardalhaço pelo juiz Moro e pela Globo, sem nada provar contra eles, sobre a mesma lista, que levaria os “moralistas sem moral” à cadeia, também o mesmo juiz decretou sigilo judicial e o Jornal Nacional fez escandaloso silêncio. Acho que você nem sabia da existência dessa lista!É um golpe, sim! Pois os que agora tramam a queda de Dilma já negociam como seria o pacto do futuro governo comandado pelo vice Michel Temer. Em acordo com o PSDB, aquele mesmo que foi derrotado nas últimas quatro eleições presidenciais, Temer liquidaria com a Petrobrás, acabaria com o controle brasileiro sobre o pré-sal (por Lula destinado à saúde e à educação) e o entregaria à exploração das petroleiras americanas, daria prosseguimento à política tucana de privatização selvagem, reduziria os direitos sociais conquistados nos governos do PT, acabaria com as políticas públicas de inclusão social, perseguiria os movimentos sociais e a esquerda política e, pasmem!, abafaria a operação Lava-jato, de modo que ela ficasse restrita apenas à punição e execração pública dos petistas, salvando os corruptos e corruptores dos demais partidos políticos.É um golpe, sim! Uma presidenta sobre a qual, apesar de tanta investigação, não se conseguiu provar nenhum envolvimento em crimes ou roubalheiras, mas que pelo contrário, dá autonomia à Polícia Federal para que investigue a tudo e todos, inclusive os de seu próprio partido e a ela mesma, sendo ameaçada de perder o mais alto cargo da República, conquistado com a aprovação de mais de 54 milhões de votos, por um político mais sujo do que pau de galinheiro, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, com mais de duas dezenas de processos, provas de contas secretas na Suíça, machista declarado, contrário aos direitos sociais e atolado até o pescoço em corrupção. Metade dos deputados escolhidos para compor a comissão que analisa o impeachment de Dilma na Câmara é investigada na Lava-jato ou tem outros processos pesando contra si. São os verdadeiros corruptos posando de bons moços e ameaçando o mandato da presidenta, contra a qual não pesa atos de corrupção.É um golpe, sim! O país está em crise econômica. A luz, os combustíveis e os alimentos estão caros. O desemprego avança. Mas grande mídia não explica que é uma crise mundial. E que esta crise afetou o Brasil. Mas que o Brasil, apesar de tudo, passa por ela melhor do que a média dos demais países do mundo. Quem se lembra de outras crises pelas quais o Brasil já foi atingido sabe que havia quadros de fome generalizada. Hoje, apesar da gasolina alta, a maioria dos brasileiros tem carro ou moto e não deixa de rodar. Pode ter reduzido certos hábitos de consumo, mas nem de longe deixa de se alimentar. No passado, antes dos governos Lula e Dilma, quando se falava em crise no Brasil, o quadro era africano. A crise econômica atual é ampliada pela turbulência política. Enquanto não deixarem Dilma governar em paz, ela não passará. O golpe do impeachment só agravará a situação.É um golpe, sim! Está nítido e cristalino. É tão claro como o sol que raiou pela manhã. Nenhuma pessoa que está calada, apenas observando, poderá dizer no futuro que não tinha conhecimento ou de que fez confusão sobre os lados desta batalha. Embora ninguém seja anjo neste jogo, está muito claro quem são e quem não são os demônios. É de uma clareza insólita qual é o lado certo e qual é o lado errado, quem realmente está do lado povo e quem está contra. Há o golpismo e a defesa da jovem democracia brasileira. Se você não compreender a clareza solar desta situação e não se posicionar, o Brasil será envergonhado internacionalmente por mais um golpe de estado e se transformará numa realidade tão escura quanto a noite. Ficar no muro também é tomar partido, do lado dos golpistas. A História julgará cada um pelo lado que escolher.* Levon Nascimento é professor de História e mestrando em “Estado, Governo e Políticas Públicas” pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais. -
Artigo do Levon: Fascismo brasileiro
Inúmeras fontes afirmam que Adolf Hitler, Heinrich Himmler, Joseph Goebbels e outros próceres do nazismo eram pessoas dóceis e gentis no contato íntimo e interpessoal. Poderiam ser definidas como “boas pessoas”, amáveis, educadas e, pasmem!, honestas. O problema é que sofriam de uma patologia social chamada “fascismo”. Para os fascistas, uma parte da humanidade – a que eles pertencem – é pura, limpa, honesta e boa. Esta, na opinião dos que sofrem a “doença” fascista, é boa e merece viver. “Direitos humanos para humanos direitos” – eles falam. Já os demais, os diferentes, os judeus, os negros, os comunistas, os deficientes físicos e mentais… estes, no modo de pensar fascista, são sujos, impuros, imperfeitos, desnecessários, corruptos e não merecem viver. A ideologia fascista desumaniza e transforma em “demônios” as pessoas aparentemente diferentes ou que não pensam igual aos fascistas.Acontece que o fascismo é muito bom de propaganda. Antes de chegarem ao poder, eles convencem a maioria da população de que o “outro” – o “diferente” – não presta, é impuro, é corrupto e merece morrer. “Bandido bom é bandido morto” – eles afirmam. Assim, quando têm o poder nas mãos, os fascistas, em nome da bondade e do combate à maldade e à corrupção, praticam todas as crueldades possíveis contra aqueles que não se enquadram em suas ideias. Como já tinham feito a cabeça da maioria do povo, as maldades não são questionadas pela população que, pelo contrário, apoia, aprova e acha “normal” a banalização da violência, da perseguição e do “banimento” dos “impuros”.No Brasil atual, a Rede Globo e outras mídias, setores do Judiciário, da Polícia Federal e do Ministério Público têm feito o papel de estimular o fascismo. Vê-se boas pessoas, pais e mães de família, religiosos, gente cristã e honesta brandindo palavras de ordem com agressividade e violência. São amáveis e dóceis em casa e socialmente, mas quando se toca no tema da política, seu semblante se transforma e elas passam a vociferar ideias, no mínimo, questionáveis do ponto de vista dos avanços civilizatórios dos últimos dois séculos. Os petralhas, como eles chamam a qualquer pessoa que ouse pensar diferente do que eles propagam, ainda que não sejam formalmente filiados ao Partido dos Trabalhadores, são os novos judeus. Na pregação dos fascistas brasileiros, existiriam dois tipos de petistas: os “burros”, que seguem as lideranças, e os “bandidos”, que formariam uma quadrilha para assaltar o país.Desta forma, não importa se há provas dizendo que Lula e Dilma não roubaram na Petrobrás. A simples denúncia contra um deles ou contra qualquer petista é repetida na mídia como se já fosse uma comprovação de culpa, de modo a levar as massas a acreditarem que se tratam de pessoas extremamente corruptas, depravadas e imorais. Da mesma forma, qualquer cidadão que ouse defender a democracia, mesmo sendo crítico a certos pontos do governo atual, sofre desde linchamento moral a até mesmo agressões físicas, como as que ocorreram esta semana na Avenida Paulista, contra pessoas que usavam a cor vermelha, símbolo das lutas populares de esquerda no mundo inteiro.Assim, na escalada perigosa do fascismo brasileiro, os petistas são os novos judeus – sujos, imundos, corruptos e bandidos. Contra eles e seus líderes nacionais – Lula e Dilma – tudo é permitido: grampear, vazar informações, prender sem provas e fazer o impeachment mesmo que a presidenta não tenha cometido crime de responsabilidade conforme reza a Constituição Federal. Já contra os comprovadamente corruptos, como Aécio Neves, Geraldo Alckmin, Eduardo Cunha et caterva, blindagem na mídia, lentidão da justiça e hipocrisia da classe média.O resultado do fascismo na Alemanha e na Itália, a História já nos deu a conhecer. E no Brasil? Como será?É preciso que você faça um exame de consciência. Eu estou me deixando conduzir por ideias fascistas? Como faço para restabelecer minha saúde intelectual e social? E, se eu que agora bato palmas para as medidas adotadas contra os petistas for vítima delas daqui a algum tempo? -
Artigo do Levon: Estradas no deserto, rios em terra seca
Muitos companheiros não creem. Nem é minha intenção fazê-los acreditar. Ainda mais numa época em que a fé tem sido instrumentalizada para alimentar o preconceito desvairado e o fascismo depravado. Quero é compartilhar com vocês como a fé dialoga comigo neste tempo de angústias e incertezas, de modo a atiçar esperanças e a motivar a luta. Sim, a fé também é combustível para os que lutam à esquerda, por uma sociedade mais justa e igualitária. Não é monopólio dos trogloditas do fundamentalismo.A liturgia (católica)deste tão emblemático dia 13 de março de 2016, 5º domingo do tempo da Quaresma, traz como primeira leitura um trecho da profecia de Isaías (43,16-21). Aos olhos de quem entende a escritura não como um tratado de regras sobrenaturais e anacrônicas, mas como um amparo interpretativo para a humanidade inserida nos contextos históricos, o profeta proclama: “Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis? Pois abrirei uma estrada no deserto e farei correr rios na terra seca (…)” (Is 43,19).Aos olhos do militante de fé, este texto ilustra muito bem a angústia dos dias atuais. Vemos renascer das sombras o fascismo, a intolerância, a militância irracional (nas ruas e nas redes sociais) dos velhos medos e ódios de classe, incomodada com as conquistas populares alcançadas na última década. Um monstro de ódio que transforma pessoas em zumbis agressivos a reverberar palavras de horror, rancor e destruição. Hoje mesmo, neste de 13 de março, o “demônio” sai às ruas propugnando o retrocesso como novo ídolo para a “salvação” do Brasil. Grita contra a corrupção convocado e ladeado pelos maiores corruptos e corruptores da Pátria. Não se envergonha em clamar contra o direito do pobre, como se fosse ele a causa dos problemas econômicos e sociais da Nação. Não se importa que os poderes do Estado desviem-se para o linchamento moral e o justiçamento daqueles que buscaram, ainda que incipientemente, a inclusão de milhões de irmãos e irmãs “mais fracos”. Não almeja a devida justiça ou correção legítima e ampla de eventuais desvios.Em que a palavra de Isaías, escrita na velha Palestina, àquela altura como agora, vítima da ocupação imperialista das potências estrangeiras, resistindo a partir de sua fé e cultura, tem a dizer ao militante de fé no contexto brasileiro de 2016? Que tenha esperança! Que não se resigne a acreditar que o passado de golpes se repetirá inexoravelmente, nem se apegue às velhas cartilhas e métodos (“Não relembreis coisas passas, não olheis para fatos antigos”). Claro, isto não é um incitamento à negação da história, nem ao revisionismo. Pelo contrário, é um indicativo para a construção da novidade, ainda que em realidade adversa. Aliás, sempre foi difícil para nós, conforme jargão já vulgarizado. Não é tempo para lamentações ou indicação de culpas. É hora da unidade das esquerdas e de todos os que lutam por um mundo mais justo e fraterno. É momento de verificar as novidades que, assim como do parto dolorido vem à luz a bela criança, nascem neste tempo tão insano (“Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis?”). Os meninos que ocuparam as escolas de São Paulo contra a “reorganização” neoliberal, os movimentos sociais combativos sem a mordaça institucional dos partidos, a juventude que tem se reconhecido como “de esquerda” ante ao avanço irracional do fundamentalismo e, mesmo os velhos camaradas de lutas, diante do sacrifício imposto pelas Lava-jatos da vida, que se rendam ao novo e inaugurarem uma nova era de lutas. Construamos estradas no deserto da Paulista. Façamos jorrar rios na terra seca das instituições instrumentalizadas pela velha elite egoísta ou por seus lacaios temerosos da perda de privilégios.A fé indica que há esperança em meio a este mar de angústia. Na mesma liturgia, Jesus rompe com as tradições de justiçamento judaicas ao absolver a adúltera. “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra” (João 8,7b). Palavra certeira para o carola e justiceiro juiz Sérgio Moro, tão rígido e hipócrita como um fariseu daquele tempo. Rígido com petistas. Hipócrita e seletivo para com as inúmeras denúncias a tucanos e congêneres. “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?” – pergunta Jesus a ela em João 8,10. A mulher responde: “Ninguém, Senhor”. Ao que ele lhe afirma “Eu também não te condeno” (Jo 8,11). Vemos que a fé, corretamente vivida, passa longe dos julgamentos sumários ou linchamentos morais de nossos juízes, procuradores, mídia e igrejas bancárias. Contrariamente, é reeducação, compreensão, inclusão e retorno ao convívio da normalidade democrática.Enfim, também é da palavra da liturgia deste 13/03 que nos vem a certeza, conforme o salmista cantou (Salmo 125): “Os que lançam as sementes entre lágrimas, ceifarão com alegria”. Semeemos, semeemos, semeemos, lutemos… pois a luta continua… com alegria… sempre! Ceifaremos! -
Feliz 2016
2015 para mim foi um ano difícil. Creio que para a maioria das pessoas, exceto para os que vivem do rentismo fácil da banca desumana do capital mundial.
Difícil no trabalho. Difícil nas relações interpessoais. Difícil nas impressões e ações políticas. Afinal, traições, golpismos, fascismos e todo nojo de atitudes que não condizem com o ideal do bem comum estiveram presentes ao longo deste ano espinhoso. Difícil no clima. Difícil na saúde.
Mas o termino de forma leve e agradecido a Deus por tê-lo enfrentado e vencido.
Leve na vida, que continua e se perpetua. Mais um na família. Leve nos valores e na dignidade. Travei bons combates pela democracia, pela dignidade e por mais igualdade social. Leve na compreensão do outro, ainda que eu não concorde com ele. Estou aprendendo, mais e mais, a tolerar as diferenças. Leve nos projetos. Alcancei o sonho de passar na seleção do mestrado. Novos objetivos e perspectivas se abrem.
Leve, graças a Deus! Pronto para receber e propagar a Misericórdia em 2016. A luta continua! Felicidade para todos nós! -
Artigo do Levon: Quando os bons são vistos como os vilões
Quem se lembra de como era o Brasil antes da chegada de Lula ao poder em 2003, sabe que a corrupção era muito pior e maior do que atualmente. A lavagem de dinheiro, as fraudes, o abuso do poder político/econômico e a manipulação do povo corriam soltas e não havia fiscalização da mídia, muito menos do Ministério Público ou da Justiça. Tudo era encoberto e terminava em “pizza”. Os poderosos mandavam ilimitadamente e o povo pobre e trabalhador não tinha vez nem voz. Como agravante, a miséria absoluta reinava na maioria das famílias brasileiras. A fome e o desemprego atingiam milhões de pessoas. O sonho de um jovem de 18 anos era possuir uma bicicleta. A mídia colocava medo no povo e dizia que se o PT chegasse ao poder o “comunismo” seria implantado no país.
Com a eleição de Lula em 2002, desacreditado pelos poderosos e pela classe média, que o chamavam de analfabeto e cachaceiro, o Brasil não precisou mais ficar de joelhos pedindo empréstimos ao Fundo Monetário Internacional (FMI), passou a fazer parte das grandes rodadas de decisões mundiais, criou programas sociais premiados internacionalmente, como o Bolsa Família, que distribuíram renda para milhões de brasileiros, tirando da miséria tantos cidadãos, mais do que a população total da Argentina. Mais de 10 universidades federais foram criadas, além de cerca de 100 institutos de educação. O Enem se tornou a principal forma de entrada no Ensino Superior, facilitando o acesso ao ProUni, ao SiSU e ao FIES. Uma nova classe média surgiu. As ruas se entupiram de carros novos e de motocicletas, que se tornaram mais acessíveis para a maioria absoluta do povo. O acesso a bens de consumo, à casa própria ou a materiais de construção “bombaram”. A qualidade de vida saltou positivamente, “como nunca antes na história deste país”.A taxa de desemprego brasileira baixou a níveis civilizados, inclusive bem menor do que a de países europeus como Espanha, Portugal e Itália. A Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), iniciativa do governo estadunidense sob o comando de Bush Filho, que transformaria a América Latina num imenso quintal norte-americano, foi implodida graças à liderança de Lula. A Petrobrás que quase foi privatizada nos governos anteriores permaneceu sob o controle do Estado nacional e descobriu as imensas jazidas de combustível fóssil embaixo da camada de pré-sal do oceano, tornando-se o passaporte do Brasil para o futuro. O salário mínimo que valia muito menos do que cem dólares, chegou à marca dos 300 dólares, aumentando o poder de compra dos trabalhadores brasileiros. O SAMU e o Mais Médicos foram implantados na maioria dos municípios do país. A crise mundial do capitalismo de 2008, ainda em curso, demorou a chegar ao Brasil, graças à solidez das políticas macroeconômicas petistas. Leis mais rigorosas de combate à corrupção foram aprovadas. Ao contrário dos tempos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), a Polícia Federal ganhou autonomia, o que facilitou a punição de crimes de altos funcionários públicos, inclusive de ex-integrantes do próprio governo petista.
Mas, nada disso serviu para consolar a elite econômica, midiática e aristocrática do velho Brasil. Nunca aceitaram o torneiro mecânico que chegou à presidência, nem a primeira mulher, militante contra o regime ditatorial de 1964, a alcançar o posto de Presidenta da República Federativa do Brasil, Dilma Rousseff. A luta contra a esquerda, os petistas, Lula e Dilma foi ganhando ares de batalha entre o bem e o mal, apequenando e despolitizando o país. A recusa da oposição em aceitar a derrota de 2014 paralisa o Brasil. É bem verdade que, para isto, também contribuiu a inglória incursão de lideranças petistas em casos escandalosos de corrupção. Isto manchou a trajetória histórica do PT e tem sido, saborosamente, utilizado pela grande mídia e pelos adversários das conquistas populares dos últimos anos.
Ninguém quer a corrupção, seja ela do PT, dos partidos da direita ou da iniciativa privada, mas a sanha anti-corrupção derramou-se, de forma fascista e lunática, seletivamente contra petistas e esquerdistas, preservando seus adversários muito mais corruptos e decrépitos em termos de moralidade com a coisa pública. Este é o grande drama e a imensa contradição da política nacional neste momento. O comprovadamente corrupto dep. Eduardo Cunha (PMDB/RJ), presidente da Câmara Federal, é aplaudido e tolerado. Já presidenta Dilma Rousseff, contra a qual não há investigação na Operação Lava-jato, da Polícia Federal, e sabidamente se reconhece que é uma pessoa séria e honesta, é execrada em praça pública e se busca o seu impedimento sem que tenha cometido crime de responsabilidade, configurando a ameaça de um golpe de Estado. Um Congresso Nacional lotado de políticos corruptos, apoiado por uma mídia hipócrita, manipuladora e seletiva, ameaça retirar do poder uma Presidenta da República que nem sequer é citada em qualquer processo de investigação de corrupção no país. Tudo isto com o apoio de milhões de brasileiros que foram, cuidadosamente, transformados em “zumbis” anti-petistas, através da alienadora lavagem cerebral dos grandes meios de comunicação nacionais.É uma realidade trágica, que só encontra paralelo na história da Alemanha nazista dos anos 1930. O povo brasileiro foi condicionado pela mídia e pelas estruturas de difamação que utilizam as modernas redes sociais da internet, a odiar o PT e a encará-lo como a própria encarnação do mal. As religiões têm sido utilizadas politicamente para difundir preconceitos e mentiras que transformam o PT e os petistas em “asseclas do demônio”, tudo isto com a complacência do Judiciário e de pessoas que têm acesso a maior informação. Boatos que não resistem a uma pesquisa no Google são cotidianamente divulgados e compartilhados, ganhando ares de verdade. Todos os diabos mais temidos foram libertados da caixa de Pandora dos velhos oligarcas brasileiros. Racismo, homofobia, intolerância religiosa, saudosismo da ditadura militar, linchamentos midiáticos e reais, medo do comunismo, xenofobia contra haitianos e africanos, crescimento de bancadas religiosas fanáticas no Congresso Nacional, acobertamento de crimes cometidos pelos políticos da direita, como o helicóptero do pó, a lista de Furnas e os aeroportos de Aécio Neves, tal e qual na época nazista, estão em moda no Brasil de 2015. É preocupante e compromete demasiadamente o futuro da democracia brasileira.
Em pequenas cidades, como Taiobeiras, no norte de Minas Gerais, militantes petistas, em que pese sua honra, sua honestidade e seu compromisso com os pobres, são espezinhados, tachados de ignorantes e execrados por figuras que trazem no DNA o velho patrimonialismo e a corrupção política histórica que sempre vicejou nestes lugares, os quais passaram a posar de vestais da moral e dos bons costumes. Os verdadeiros corruptos, mais sujos e imorais de toda a história, ganham ares de honestos e de defensores da justiça, crucificando aqueles que sempre lutaram pela inclusão social e pela igualdade para a maioria dos brasileiros.O PT, de milhões de filiados e simpatizantes honestos e lutadores, gente que nunca se calou diante dos desmandos da secular oligarquia, se transformou na “Geni” nacional, insultado e vilipendiado. Mas, nada nunca foi fácil para o PT, a esquerda e sua militância. Quem enfrentou a escravidão negra e a venceu, a ditadura militar e a suplantou, a fome e a miséria e as derrotou, terá de encontrar forças para superar a atual onda de insanidade fascista que assola o Brasil. A luta continua! -
São João: o melhor período do ano
O quadro de estilo barroco de São João Batista, quer seja na bandeira, no estandarte ou dependurado numa das paredes das casas simples, reproduzido em milhares de lares do sertão brasileiro, especialmente no Nordeste do país e no Norte de Minas Gerais, mais do que qualquer símbolo do marketing capitalista, é um ícone que ao ser observado por quem viveu algum grau da cultura do sertão, dispara de imediato a memória afetiva e desperta, a despeito de todas as agruras e sofrimentos, uma sensação de felicidade, de encontro e ternura. Rosto angelical de criança, cabelos cacheados e emoldurados por uma auréola circundada de arabescos; o ombro coberto por uma pele de ovelha; abraçado a um cordeiro de olhar piedoso, com uma das mãos segura a cruz rústica, de madeira ainda esperançosamente verde, na qual se entrelaça uma faixa branca onde está escrito em latim “ECCE AGNUS DEI” – “Eis o Cordeiro de Deus” – , frase proferida pelo próprio João Batista ao avistar Jesus, segundo a descrição do quarto Evangelho, no capítulo 1, versículo 36, na qual imagem e texto se revestem de especial figura de linguagem, ocasião em que o Cristo é comparado ao cordeiro que os hebreus imolavam na Páscoa desde a libertação do Egito, nos tempos de Moisés; embaixo, uma nuvem da qual brotam ramos floridos de cores variadas; em torno, um céu azul pontilhado de estrelas.A utilização desta imagem alegórica no tempo junino é cultura popular de amálgama ou reunião, genuinamente cristã e brasileira. Junta em si as tradições hebraicas, ibéricas, indígenas e africanas, afirmando-se como algo sempre novo e autenticamente do Brasil.Neste tempo em que a intolerância política e o fanatismo religioso de certos grupos querem e parecem estar conseguindo alcançar o poder no Brasil, é necessário que a cultura popular, como as festas juninas, sejam resgatadas, de modo incutir nas novas gerações a lembrança das raízes afetivas que, apesar da violência da colonização, produziram a reunião da tolerância simbólica e a ternura fraterna estampada no rosto de São João.Em volta da fogueira de 23 de junho, melhor tempo do ano popular, quando há fartura de pão e de alegria, ouvindo os estampidos de traques e rojões, observando o colorido das bandeirolas, “chuvinhas” de prata e fogos de artifício, que se busque recobrar o sentido de brasilidade e se condene o neofascismo político-religioso que tenta nos empobrecer e “capitalizar” o espírito! -
O Evangelho é revolucionário!
Para além da confissão religiosa ou da inexistência dela, o Evangelho (mensagem + prática de Jesus) é revolucionário:
a) dar a outra face;
b) não julgar; c) não vingar;
d) perdoar; e) misericórdia;
f) compaixão;
g) desapego econômico e partilha solidária;
h) justiça;
i) não-discriminação;
j) doação e sacrifício pelos outros;
k) combate ao egoísmo idolátrico e cultivo do altruísmo.
Tão distante da cultura vingativa, machista e escravista da época em que Jesus viveu na Terra! Tão diferente da “ética” capitalista de alguns religiosos! Tão atual, urgente e necessário! Pena que, em 2000 mil anos, tão poucos o tenham compreendido e vivido.
Ainda falta muito. -
Imagem peregrina de N. Sra. Aparecida em Taiobeiras
Só mesmo a soberana virgem Maria, a mãe Aparecida, mãe de Jesus de Nazaré, para aquecer e amolecer o gélido e duro coração taiobeirense. Bem-vinda, esposa de José! A gente está precisando. (11 de abril de 2015).
Viva Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil! Ela que sempre nos socorre quando mais precisamos! (12 de abril de 2015) -
Os momentos difíceis e a esperança
Tem momentos em que nos cansamos de tanta hipocrisia, dos vilipêndios que sofremos, da maldade que muitos têm prazer em sentir e desferir contra nós, das trapaças que nos servem de pedras de tropeço, da ruindade que nos praticam envergando sorrisos falsamente amistosos. Estou num momento desses em minha vida. Vontade de ser egocêntrico e só cuidar de mim, dos meus e das minhas coisas. Porém, não foi para isto que fui chamado.
“Mas, entre vós, não deve ser assim: quem quiser ser grande, seja vosso servo; e quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos”. Marcos 10,43-44.
(9 de abril de 2015) -
Reflexões pascais de 2015
Engraçado! Quando o Papa Francisco fala mensagens reconfortantes, bonitinhas, quase de autoajuda, um monte de gente curte e compartilha. Já quando o mesmo pontífice prega pelo fim da pena de morte e contra a redução da maioridade penal, a maioria dos católicos ignora ou se cala. Seguir Jesus na entrada de Jerusalém, quando povo o recebeu com ramos de oliveira e gritos de “Hosana” é fácil. Quero ver carregar a cruz com ele, debaixo de chicotadas, na sexta-feira da paixão! (3 de abril de 2015)
Segundo a imprensa e na boca dos que a seguem, o Brasil está passando por uma crise econômica violentíssima por culpa da Dilma. No entanto, a mesma imprensa dá a notícia de filas imensas na frente de lojas especializadas que vendem ovos de páscoa de chocolate. Alguns, de até R$ 500,00, já estão esgotados. Que crise é esta, meu povo?! (3 de abril de 2015)
Tem um tipo de cristão que só lê o Levítico e o Deuteronômio: machista, misógino e intolerante. Recomendo uma ou várias leituras bem aprofundadas dos quatro Evangelhos, em especial das partes que tratam do Sermão da Montanha. Aprenda diretamente com Jesus sobre respeito às mulheres, tolerância com os diferentes e capacidade de acolhimento aos que são considerados “pecadores”. (3 de abril de 2015)
Apesar de toda a tristeza do sábado santo, que pode ser comparada, em significado e em profundidade, às várias lamúrias e tempestades de nossa vida pessoal, social e coletiva, temos nos ouvidos e na memória a exortação de Jesus: “Não tenham medo”! Sabemos que, assim como o sábado triste deságua na alegria do domingo da Ressurreição Pascal do Cristo, também nossa luta por justiça, dignidade e igualdade se concluirá com a vitória do Reino Definitivo. É só mais um pouco… mais um pouco de tempo histórico… e logo… logo mesmo… vai raiar a Aurora da Páscoa (definitiva)! (4 de abril de 2015) -
Reflexões: redução da maioridade penal e ditadura militar
Sobre a redução da maioridade penal praticamente aprovada no Congresso: é mais fácil agir como Pôncio Pilatos, lavando as mãos, entregando o problema à polícia e às cadeias, do que como Jesus, ensinando, curando, perdoando, integrando e transformando vidas. Pense. (31 de março de 2015)
Há 51 anos o Brasil derrubava a democracia e embarcava numa longa e sombria noite que durou 21 anos: o golpe civil-militar de 1964 e sua sanguinária ditadura. Hoje, infelizmente, ainda vemos loucos, aproveitando-se da democracia para pedir intervenção militar. É a história, antes tragédia, repetindo-se como farsa. Que Deus nos proteja da insanidade e da crueldade. (31 de março de 2015) -
É possível fazer críticas ao governo Dilma, mas…
É possível fazer críticas ao governo Dilma, ou a qualquer governo, pelo campo popular e pelo campo elitista. Este último representado através das manifestações que exalam ódio, dos que pedem intervenção militar e daqueles que, hipocritamente, enxergam a corrupção como algo restrito ao PT. Não me representam. Defendo a integridade do mandato da presidenta, mas sou crítico pela esquerda. Creio que as conquistas sociais dos últimos 12 anos estão em risco e que é urgente dar respostas ao campo popular. É óbvio que com Aécio seria a repetição do inferno neoliberal dos anos 1990, com um governo subserviente ao capital financeiro internacional. Porém, isto não dá direito a Dilma de se submeter a Joaquim Levy na integridade do seu pacote fiscal. -
Artigo do Levon: Os que amam a democracia
* Levon Nascimento
No modelo de democracia que foi escolhido para o Brasil, o candidato que obtém a maioria dos votos é eleito. Na última eleição presidencial, Dilma Rousseff (PT) derrotou Aécio Neves (PSDB) em votação de 2º turno. Quem ganha governa, goste-se disso ou não. Quem perde, tem a obrigação cívica de fazer o contraponto e a oposição democrática. Qualquer coisa diferente disso é golpe ou crime.
Mas o que se vê no Brasil neste início de 2015 é uma tentativa absurda de impedir que a candidata vitoriosa nas urnas possa exercer o direito de comandar o país. Do problema climático da falta de chuvas até a corrupção na Petrobrás, alega-se de tudo para conseguir o impedimento (ou “impeachment”) da mandatária-mor da Nação brasileira, ainda que ela não esteja na lista da Operação Lava-jato, organizada pelo Procurador Geral da República, enquanto até mesmo expoentes da oposição lá constam. Ninguém demonstra, efetivamente e com provas, qual crime teria cometido a primeira mulher Presidenta da República, que servisse de motivo para a cassação do mandato soberanamente conferido a ela pelo povo. Mas isto pouco importa aos que a querem expulsar do Planalto. Disso resulta a tese de que se trata de uma tentativa imoral de golpe de estado.
Ninguém é obrigado a gostar de um governo. Nem mesmo quem nele votou. Os direitos à liberdade de expressão, à mudança de opinião ou mesmo o de fazer oposição estão garantidos em nossa Constituição Federal de 1988. Aliás, aqui se faz um parêntese para informar que a atual Constituição brasileira é fruto dos esforços de todos aqueles que lutaram contra os 21 anos de ditadura militar.
Aquele regime ditatorial nasceu de outro golpe, o de 1º de abril de 1964. Ali, assim como hoje, as elites brasileiras, descontentes com os rumos nacionalistas e populares das políticas implantadas pelo Presidente João Goulart (PTB), tramaram e derrubaram um presidente democraticamente eleito pelo povo para por no lugar um governo autoritário, despótico, que censurou, torturou, retirou liberdades democráticas e acobertou a corrupção de seus aliados como nunca antes na história. Fez isto porque não foi incomodado, nem pela imprensa, muito menos pelo Judiciário ou por uma oposição de verdade. Todos os que levantaram a voz foram cassados, perseguidos, exilados, presos ou mortos. Uma das que muito bradou contra aquela ditadura foi a jovem estudante mineira Dilma Rousseff, hoje presidenta, mais uma vez vítima da insensatez de nossas classes abastadas. Vários dos que desejaram a queda de João Goulart e saíram às ruas pedindo a sua deposição, depois foram vítimas da ditadura que ajudaram a implantar. Que o mesmo não ocorra nos dias atuais.
O que me deixa apreensivo neste processo que o Brasil está vivendo é a hipocrisia. Os que querem o “impeachment” de Dilma veem o quanto a vida dos mais pobres melhorou, mesmo que ainda não o suficiente e necessário. Mas veem. E, horrendamente, é isto que os revolta. Querem derrubar a Presidenta Dilma não por conta da corrupção. Eles fingem que a corrupção é restrita a este governo, ao PT ou a este momento histórico. Sabem que ela é endêmica, sempre existiu nas práticas empresariais e políticas, e que já foi muito maior quando não havia investigação e recebia a conivência da grande mídia. Mas insistem em defender os que mais corromperam e destruíram este país, as suas elites abjetas e racistas. Tempos tristes e sombrios os que vivemos. Parece que estamos assistindo à repetição de nossos piores momentos: o suicídio de Vargas, o golpe de 1964 e a ditadura dali resultante, a ascensão do fascismo e do nazismo, com sua propaganda de pureza e realidade de campos de concentração. É o mal em sua forma mais grotesca. O egoísmo em estado bruto. A bestialidade encarnada. Porém travestida de boas intenções e de patriotismo verde-amarelo. Resta-nos, como disse Olga Benário certa vez, a esperança e o compromisso com “o justo, o bom e o melhor do mundo”.
Neste momento, quem ama a democracia de coração, independentemente de partido ou de gostar ou não do atual governo, defenderá a integridade do mandato da Presidenta Dilma Rousseff, em favor da boa manutenção das instituições do Estado e do bem estar do Povo brasileiro.
* Levon Nascimento é professor de História e sociólogo. -
As reflexões de hoje (VIII)
Mais um conjunto de frases que escrevi nas últimas semanas, acerca de diversos temas, em meu perfil na rede social Facebook.
Ricaços que odeiam o PT por ter tirado milhões de brasileiros da miséria e que defendem o impeachment da Dilma são pegos com a “boca na botija” na lista dos bilhões de euros desviados para contas no HSBC na Suíça e isto não é notícia na Globo. Será por quê? Cadê os indignados com a corrupção? Ah, na verdade estão indignados com o pouco que os mais fracos recebem! Por isto desconfio de suas “boas intenções”.
20 de fevereiro de 2015
Delação premiada: um bandido confesso acusa “Deus e todo mundo”, com ou sem provas, e se livra de uma pena adequada ao crime que cometeu. Triste é ver tanta “gente de bem” aplaudindo em êxtase esta excrescência.
20 de fevereiro de 2015
Nem sempre é preciso ser óbvio para ser compreendido. Muitas vezes, é preciso calar. Noutras, bradar a plenos pulmões. E isto não é autoajuda. Trata-se de constatação, tão somente.
17 de fevereiro de 2015
Os momentos de crise ou de contestação são essenciais para a revisão de vida e o fortalecimento dos valores e convicções. Eles são inerentes ao processo histórico. Enriquecem e propiciam transformações. Não se deve temê-los. Pelo contrário, é necessário aprender com eles, enfrentá-los e continuar lutando.
8 de fevereiro de 2015
Seguir a manada é fácil. Difícil é ser você mesmo, defender uma causa, nadar contra a correnteza e não se entregar à canalhice da ganância.
8 de fevereiro de 2015
É um erro estratégico da direita querer humilhar o eleitorado petista. Trata-se da única militância ideológica de peso no país. E faz a diferença quando se sente confrontada. Um exemplo foi o 2º turno de 2014.
7 de fevereiro de 2015
Quando vejo pessoas criticando quem votou em Dilma, sinto pena da capacidade de discernimento delas. Por mais dificuldades que venha a ter o governo Dilma, ainda assim é infinitamente superior, em qualidade política e social, ao que poderia ser um governo com “choque de (indi)gestão” comandado pelo “playboy” das Alterosas.
7 de fevereiro de 2015
O critério da grande mídia é imputar culpas ao PT, não importando se é verdade ou não.
7 de fevereiro de 2015
Quando a oposição do país, apoiada pelo cartel midiático, abandona o interesse público e não faz o justo contraponto político, apostando na derrubada do governo eleito pela maioria, é sinal de que tempos sombrios e violentos se aproximam. Que a oposição ganhe nas urnas e não pelo vil golpismo.
7 de fevereiro de 2015
Vamos por o dedo na ferida. Um dos responsáveis pela crise da falta de água é o plantio “sem limites” de Eucalipto. Enfim, não é “culpa de São Pedro”, mas da ganância dos seres humanos.
3 de fevereiro de 2015














