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  • Releitura: Taiobeiras, mitos e manipulação

    Avenida da Liberdade (local da feira), em Taiobeiras, na década de 1990.

    Publiquei este artigo em 30 de dezembro de 2012, com o título original ‘Taiobeiras, a eleição de 2012 e os mitos derrubados’. Um ano depois, republiquei-o em meu livro “Sexagenarius: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”. Relembre…

    A eleição de 2012, em Taiobeiras, serviu para revelar uma realidade que já existia, mas que estava encoberta pelo surreal manto da ideologia e da propaganda. Os mitos caíram e, junto com eles, as máscaras políticas esculpidas desde o ano 2000. Vejamos algumas lendas nas quais ainda tem gente que acredita. Porém, pelos fatos, foram cabalmente desmentidas.

    1. O perigo do joelismo com Joel. E o joelismo sem Joel:
    Desde o ano 2000 que a figura pública do ex-prefeito Joel da Cruz Santos passou a ser trabalhada na mente dos taiobeirenses como a verdadeira expressão de tudo aquilo que não presta. Em outras palavras, Joel e o joelismo seriam o próprio mal em pessoa, na boca dos novos inquilinos do poder. Para além da crítica política, democraticamente necessária a qualquer governo, especialmente ao de Joel – que não era nenhum exemplo –, uma verdadeira cruzada contra sua vida pessoal e liderança política foi milimetricamente posta em prática, demonizando a ele e aos seus apoiadores ou admiradores. Uma vez ganhando a prefeitura em 2004, o grupo do prefeito Denerval passou a brandir o mito de que “nada de bom” foi feito em Taiobeiras até aquele momento e que, portanto, seria necessário impedir o retorno ao suposto caos do joelismo. Nada mais falso. A elite de Taiobeiras, que serviu e deu sustentação ao ex-prefeito enquanto ele se mantinha firme na corda bamba da política, é a mesma que atualmente se une em torno do Pacto de Poder liderado por Denerval. Inclusive, com mais fervor e devoção que outrora. Na prática, atualmente há um joelismo que dispensa a figura de Joel. Evidentemente, por boa educação, não é necessário citar nomes de pessoas ou de gerações familiares inteiras que sob Joel ou sob Denerval, se conservam em vistosos cargos da administração municipal.

    2. O clientelismo joelista, porém, “chique” e sofisticado:
    A grande crítica que se fazia à política joelista era com relação à corrupção, à manipulação do voto através do atendimento de pequenas demandas isoladas de cada eleitor, ao clientelismo e à compra de votos. Designou-se, inclusive, o velho termo sociológico “coronelismo”, apropriado para a análise histórica da República Velha (1889-1930), para o entendimento do caso taiobeirense. A crítica, claro, não era infundada. Vivia-se o descalabro. No entanto, entra para a galeria dos mitos, o fato de que essa política persistiu no pós-Joel, com uma nova roupagem, mais sofisticada e moderna, nem por isso menos odiosa e prejudicial. Vive-se um populismo disfarçado, um clientelismo “chique”. A campanha de 2012 pareceu demonstrar, com base nos processos de pedido de cassação de candidaturas e inelegibilidades ainda em curso, que tudo o que se ofertou no mercado eleitoral foi avidamente consumido não importando as consequências.

    3. O risco de Taiobeiras retroceder aos “caos” pré-2005. E as táticas nazistas:
    Uma das grandes mentiras do processo eleitoral de 2012, contada mais de mil vezes, sob inspiração de Goebels, ministro da propaganda nazista, a fim de que se tornasse mais uma “verdade” fabricada pelo regime político-ideológico firmemente instalado no Paço de Bom Jardim, era o de que Carlito se unira a Joel para fazer Taiobeiras retroceder aos tempos de antigamente e, dessa forma, destruir os “avanços” construídos por Denerval de 2005 para cá. Como já disse no primeiro item, o joelismo sem Joel, da Prefeitura nunca saiu. Tampouco, apesar de toda crítica merecida que se possa fazer a Joel, até mesmo os adversários mais ferrenhos reconhecem que a maior parte da infraestrutura pública existente em Taiobeiras foi edificada sob seus mandatos. Também, qualquer pessoa sensata, que compreenda um pouco de história, sabe que Taiobeiras não foi inventada por Denerval nem iniciada em 2005, como o marketing oficial quer nos fazer crer. Logo, a união entre os partidos políticos PDT, de Carlito e PR, de Joel, foi apenas uma justa coalização eleitoral, absolutamente necessária, e legalmente permitida, para além da “demonização” com a qual se deleitaram os detratores.

    4. Para ser prefeito precisa ser um administrador. E a negação disso em 2012:
    Denerval foi candidato a prefeito de Taiobeiras três vezes. Perdeu na primeira, mas se firmou como liderança, abrindo caminho para as vitórias seguintes. Sua tática eleitoral: a desconstrução impiedosa do adversário, atacando inclusive a vida pessoal do sujeito (Joel e João da Caixa que o digam). Seu discurso: o de que a prefeitura precisa ser administrada com o mesmo rigor e técnica com que se coordena uma empresa privada. Para isto, o prefeito precisaria ser um empreendedor de sucesso, como ele. Discurso que lhe caiu como uma luva, em contraposição ao jeitão desleixado e popular de seus antecessores. O fato é que esse argumento foi escandalosamente abandonado em 2012. Claro que para não prejudicar o candidato do momento, que não possui este mesmo perfil. Também, para não beneficiar o candidato da oposição, este sim, um empresário reconhecido. Para quem tem um pouco de memória e senso crítico, deve ter sido irônico ouvir da propaganda do grupo tucano em 2012 a seguinte frase: “Lembre-se, administrar uma prefeitura é diferente de administrar uma empresa…” Nas eleições anteriores falavam justamente o contrário. Também concordo que, para ocupar um cargo político, não é necessário ser empresário. O melhor exemplo é o ex-presidente Lula. Questiono sobre como os argumentos políticos são descartáveis, utilizados como roupas, que são vestidas ou despidas ao prazer ou necessidade do usuário. Conveniências cínicas da política, somente possíveis porque o povo de Taiobeiras é propositalmente levado à despolitização e à alienação.

    5. O refinamento da elite política que subiu ao trono em 2005. E o Facebook e o boneco:
    Com a subida dos tucanos ao poder taiobeirense em 2005, difundiu-se a ideia de que a nova classe política seria mais moderna e refinada do que a anterior. Mais um daqueles preconceitos de classe bem típicos da nova burguesia. No dizer deles próprios, a turma de João da Caixa representaria a bagunça e, eles, a retidão moral que chegou para por ordem na casa. Como já disse, repito, foram-se Joel e seu vice, João Emílio, mas o joelismo permaneceu no Paço. Se não escancarado, pelos menos presente no modus operandi. A campanha de 2012 jogou mais este mito no chão. A virulência na internet, especialmente na rede social Facebook, demonstrou a face “pouco meiga” do regime. O patrulhamento ideológico e as desmoralizações contra os adversários se deram, e continuam ainda, num nível muito abaixo do que pode ser chamado de civilizado. Para quem foi oposição a Joel, e continua, agora, aos tucanos, como este que redige o artigo que você lê, é possível dizer que havia maior respeito democrático naquele tempo do que hoje. O Facebook e o boneco da cruz-de-tau – queimado em praça pública – estão aí por testemunhas.

    Há muitos outros mitos estatelados no chão. Foram derrubados por seus próprios inventores. É urgente que a comunidade taiobeirense os identifique e os reflita. Eles venceram o pleito, mas a constatação de seus estratagemas para o alcance e a manutenção do poder tornou-se evidente para muitos, como nunca antes. Cabe à sociedade, que votou ou não no grupo vencedor, ter o discernimento desses fatos para saber cobrar e controlar.

    Não basta somente uma sociedade avançar no plano econômico. É preciso criar os meios para que a política, a cultura e o regime democrático co-participem do crescimento da economia. Também, é necessário construir uma cidade que vá além da beleza de suas praças e avenidas ou da alegria de suas festas. Um lugar onde as pessoas, especialmente aquelas que estão segregadas pela pobreza, pelas drogas ou pelo baixo conhecimento cultural, sejam integradas ao convívio cidadão.

    Taiobeiras é hoje uma cidade de “contos de fadas”. Não se pode negar que haja muitos avanços, boa parte deles porque o Brasil também avançou. Mas não existe na classe política que a dirige uma sensibilidade para com os que estão à margem; para com as questões da juventude: vítima da violência e das drogas; para com as situações étnico-culturais; para com a educação contextualizada e de qualidade; não há um olhar social efetivo e moderno ou comprometido como a elevação da dignidade da pessoa humana. Tudo isso tem de ser alcançado através da luta da comunidade.

  • As reflexões de hoje (VII)

    As reflexões na minha linha do tempo na rede social Facebook:

    Eu tento ficar quieto. Mas, às vezes, a indignação fala mais alto. Vamos ao assunto: Para o grupo oficial de ‘puxa-sacos’ da situação de Taiobeiras, é como se a cidade não tivesse prefeito. A prefeita é Dilma. Desculpem-me a palavra de baixo calão, mas não encontrei outra que definisse melhor os ditos cujos. Diante de qualquer crítica que alguém faça àquilo que é de responsabilidade da administração municipal, eles imediatamente jogam a culpa na Dilma, no PT ou no “líder da oposição”. Enfim, parece que Dilma virou prefeita de Taiobeiras, quando o assunto é falar dos problemas da cidade. Já quando é para falar das conquistas, aí dão nome, sobrenome, endereço e telefone. Vamos falar sério: o que tem de obras em Taiobeiras, devemos dar graças a Deus e ao Governo Federal (Dilma). Senão, a situação estaria muito pior. Os tucanos ganharam a eleição municipal de Taiobeiras. Pois que, governem. Não transfiram as responsabilidades para os outros.
    (28 de janeiro de 2015)

    Taiobeiras vive uma crise de governo. Quem ganhou a eleição municipal aqui foram os tucanos. Governem, tucanos! A culpa não é da Dilma ou do PT se vocês não dão conta. (28 de janeiro de 2015)

    Taiobeiras é igual a São Paulo. No mau sentido. Tanto aqui quanto lá, os tucanos aprontam, não cumprem suas obrigações, mas uma grande parte da população age como “zumbis” criados pela mídia desqualificada, repetindo o bordão: “É culpa do PT! É culpa da Dilma!”. (28 de janeiro de 2015)

    Estou contra a desinformação. Estão tentando colocar nas costas da Dilma aquilo que é da responsabilidade do prefeito. Sou totalmente a favor de cobrar da Dilma aquilo que é de responsabilidade da presidência da República. Mas, aqui em Taiobeiras, cobrar do prefeito aquilo que é obrigação da prefeitura, parece que virou ofensa pessoal. E eles já tem uma resposta decorada: “É culpa da Dilma. É culpa do PT”. Ou seja não estão jogando limpo. (28 de janeiro de 2015)

    Por exemplo, falam que a Dilma aumenta os impostos. Mas, não falam que um imposto de responsabilidade municipal, o IPTU, também foi aumentado, e de forma abusiva para com o bolso da maioria dos taiobeirenses. (28 de janeiro de 2015)
  • As reflexões de hoje (VI)

    Depois de mais de um mês, chove em Taiobeiras, em 23/01/2015

    Minhas publicações na rede social Facebook.

    Madrinha Donila morreu aos 104 anos, em 2011. Experiente nas agruras do sertão baiano, onde nasceu, e do sertão norte-mineiro, onde viveu, sempre que necessário bulia em suas orações e devoções. Clamava a Deus pela Divina Misericórdia. Certa vez, quando criança, lhe perguntei:
    – O que é a Divina Misericórdia que a senhora tanto pede?
    Ela me respondeu:
    – Ora, a Divina Misericórdia é a CHUVA!
    E não é que o Senhor nos brinda, neste final de tarde, em Taiobeiras, com sua Divina Misericórdia!

    (23 de janeiro de 2015)

    Uma regulação econômica da mídia, que desfaça os cartéis, promova a diversidade na produção de conteúdo e lhe dê um caráter mais educativo do que meramente comercial, é urgente. Com a mídia que temos, nem a família e nem a escola têm condições de educar adequadamente para a cidadania.
    (23 de janeiro de 2015)

    É somente impressão minha ou quanto mais as redes de televisão “vomitam” notícias de crimes violentos, de manhã, à tarde ou à noite, mais eles tendem a ocorrer na sociedade?
    (23 de janeiro de 2015)

    Compaixão, misericórdia, generosidade. De vosso sagrado coração, derramai estes dons sobre a nossa sociedade humana, Senhor.
    (23 de janeiro de 2015)

  • As reflexões de hoje (V)

    Os textos publicados na rede social Facebook, condensados aqui…

    Pessoas batendo palmas para a pena de morte. Pessoas pedindo a volta da Ditadura Militar. Pessoas contra as ações afirmativas do governo. Pessoas endossando linchamentos concretos ou morais. O fundamentalismo e o fanatismo religiosos crescendo. A hipocrisia graçando (contra a corrupção dos outros, mas topa “jeitinho”). Pessoas querem segurança pública, mas defendem a liberação das armas. Nada disso é novo. A humanidade não aprende! Será que teremos de viver mais um cataclismo para aprender a dar valor à Democracia? (22 de janeiro de 2015)

    É uma época contraditória. Ao mesmo tempo em que muitos afirmam estar se convertendo a Jesus, a violência, a intolerância e a exploração aumentam. (21 de janeiro de 2015)

    No Brasil nunca houve escravidão negra. Negros aqui não sofrem preconceito e nem são discriminados. Os jovens negros tem todas as oportunidades, igual aos jovens brancos, e nem figuram nas listas como os mais prováveis a sofrerem violências e serem assassinados. Negros e brancos recebem salários equivalentes. Logo, sou contra cotas para negros. Só que não! (20 de janeiro de 2015)

    A crise no Brasil está terrível! Todo mundo viajando, curtindo férias na praia ou em outros roteiros, comprando, consumindo e… reclamando da crise! rsrs. Culpa da Dilma e do PT, claro! (20 de janeiro de 2015)

    Em minha ignorância, acho que o “anticristo” é o sistema capitalista. No dia em que eu vir as igrejas combatendo o capitalismo, aí compreenderei que elas são realmente “cristãs”. (20 de janeiro de 2015)

    Já foi constatado que em países como Islândia, onde as taxas de criminalidade são baixíssimas, também há pouquíssima diferença social entre ricos e pobres (classes sociais). Ao contrário do que muitos imaginam, países com baixa criminalidade não têm, necessariamente, legislação mais rígida. Então, a questão é melhorar a distribuição de renda, coisa que poucos estão dispostos a fazer… (20 de janeiro de 2015)

    Quanto mais aumentam as diferenças entre as classes sociais, mais aumenta a criminalidade. É uma verdade sociológica. Taiobeiras é a comprovação cabal. (20 de janeiro de 2015)

  • As reflexões de hoje (IV)

    Contradição: uns dizem defender a vida e são a favor da
    pena de morte.

    Os textos que publiquei durante a semana na rede social Facebook:

    Continuo achando que só quem dá a vida pode retirá-la. No caso, creio que quem dá a vida é Deus, por meio da natureza. Logo, só naturalmente uma pessoa deve morrer. Assim, sou contra pena de morte, aborto, eutanásia, suicídio, genocídio, assassinatos: passional, criminoso, estatal, ritual ou terrorista, latrocínio ou qualquer outra forma concreta ou simbólica de matar alguém. Enfim, lamento a morte de um brasileiro condenado a ela em outro país. Também pranteio a morte de tantos compatriotas aqui mesmo em nosso país através de outras formas de matar.
    (17/01/2015)

    Se questionar os graves problemas sociais de Taiobeiras é ser contra a cidade, então fiquemos calados vendo o circo pegar fogo. Às vezes, é necessário que alguém grite para que os bombeiros apaguem o incêndio.
    (17/01/2015)

    O povo daqui (Taiobeiras) é conformado. Parece com o povo paulista. É roubo, é trafico, é tentativa de assassinato, é falta de projeto social de inclusão, todo dia, e quase ninguém fala nada. E quem fala é acusado de estar “denegrindo” a imagem da cidade. Ou seja, há um patrulhamento ideológico tucano.
    (17/01/2015)

    “A melhor defesa é o ataque”. Não me recordo, agora, de quem é esta máxima do pensamento político, militar e futebolístico. Mas é o que estão fazendo os tucanos de Taiobeiras. Como não tem como justificar a situação desastrosa em que se encontra a cidade por eles governada, partem para o ataque aos adversários.
    (17/01/2015)

    Tem uns sujeitos “engraçados” aqui no Facebook. Toda vez que se questiona algum problema de responsabilidade da Prefeitura de Taiobeiras, que é governada pelos tucanos aecistas (PSDB), eles atacam o PT, os petistas e a presidenta Dilma. Evidentemente que eles sabem sobre o que é de competência do prefeito, do governador ou da presidenta. Como não têm justificativas para defender o péssimo governo tucano municipal, partem para a desqualificação. É bom dizer que a maior parte das verbas que movimentam Taiobeiras no presente vêm do Governo Federal (leia-se: Dilma).
    (17/01/2015)

    PARA PENSAR: Na semana que passou, depois dos atentados aos 12 cartunistas do Charlie Hebdo, em Paris, 2 mil pessoas também foram vítimas de terrorismo na Nigéria. Em sua maioria eram negros e pobres. Por que não há a mesma comoção e a mesma repercussão?
    (11/01/2015)

  • Artigo do Levon: Cadernos no saco de açúcar de 5 kg

    * Levon Nascimento

    Corria o mês de fevereiro de 1984, quando eu comecei a 1ª série primária na Escola Estadual Deputado Chaves Ribeiro ou Grupo da Igrejinha – como era conhecida – em Taiobeiras. Primeiramente, fui para a sala 2. Algumas semanas seguintes, depois de alguma avaliação que eu não sei bem qual foi, me colocaram na sala da professora Élia. Somente eu. Outros colegas também foram remanejados, só que para outras turmas. Tempos depois, fiquei sabendo que fui para a “Classe A”. Mas não é bem isto que quero contar.

    Agora, passados 30 anos, é chegada mais uma temporada de adquirir os materiais escolares das crianças. Cadernos de capas de marca, equipados com adesivos e plásticos temáticos. Caixas de lápis de colorir de até 48 unidades. Mochilas de diversos tamanhos e grifes. Borrachas, canetas, colas, fichários, “lancheiras” – no meu tempo, sem apelar para o anglicismo que gerou o neologismo, falávamos “merendeira”, em bom português – e tanto mais que fazem a meninada deixar os pais loucos na hora de comprar a lista ditada pelas escolas. Diante disso, me recordo daquele meu primeiro ano, dos materiais escolares que utilizei e da consciência que vim a desenvolver por conta da simplicidade deles.

    Os responsáveis pela minha criação não tiveram acesso à escola quando crianças. Mal sabiam assinar o próprio nome. Nunca tiveram a experiência do convívio escolar. Mesmo assim, queriam que eu estudasse, confiavam no “poder” da escola, e me disciplinaram a encarar os estudos como dever e caminho de sobrevivência. Como sou grato a eles por isto! Mas eles não tinham ideia de como era difícil ser pobre em uma sala de aula de classe média. Sim, porque como não havia escolas particulares na cidade naquela época, os filhos da classe média e alta também estudavam na escola pública e, invariavelmente, fossem alunos bons ou medianos, ficavam nas turmas “mais selecionadas”. Como fui parar numa delas – não sei como – passei a conviver com eles.

    Minha mochila escolar era uma pasta preta, de um material parecido com couro, em formato retangular, com um zíper na parte superior. Antes, ela servia para guardar os documentos da casa. Devia ter uns 30 ou 40 anos quando a ganhei para por meus cadernos. Estes, aliás, eram em tamanho pequeno, mais baratos, com capas ilustradas de círculos azuis, vermelhos ou pretos, em fundo branco. As folhas eram ásperas. Os lápis de cor eram dos pequenos, metade do tamanho de um lápis preto de escrever, com apenas 12 unidades na caixa. O livro recomendado – que o governo da Ditadura Militar não distribuía gratuitamente à rede pública – era o Caminho Suave, uma tradicional cartilha de alfabetização. Demorou para chegar em minhas mãos, pois era caro e levou muitas semanas de trabalho de servente de pedreiro para que pudesse ser adquirido pelos meus responsáveis. Mesmo assim, cheguei analfabeto em fevereiro, pois não fiz pré-escolar, e em maio já escrevia pequenas cartas a rogo dos meus familiares.

    A pasta preta era o meu suplício. Eu tinha uma vergonha imensa dela. Era feia demais! Ainda mais porque meus colegas de classe média vinham todos com suas mochilas de várias cores e inúmeros detalhes, já com a ilustração de alguns desenhos animados que passavam no Balão Mágico, como He-man e Superamigos. Pior do que eu, só um ou dois colegas que levavam os cadernos em sacos de açúcar de cinco quilos. Uma delas, chamada Vanusa, lembro-me bem, era zombada todos os dias por conta disso. Não se falava e ninguém se preocupava com o que hoje se convencionou, mais uma vez em inglês, chamar de Bullying. Termo que significa violência física ou simbólica. Sofríamos da violência social de ser pobres; e simbólica, de não ser consumidores, além da tradicional zombaria. Nossas pastas, nossos cadernos e nossos sacos de açúcar não se enquadravam nos padrões estéticos de uma sociedade de consumo que se formava no preconceito e no desprezo. Seriam as raízes de nossa atual decadência sociocultural? Ou as origens “imperceptíveis” de nossa trágica violência urbana?

    A partir dali, pela primeira vez em minha vida, comecei a perceber diferenças entre as pessoas. Não na substância, todos humanos, mas de classe social, entre os que podiam comprar e os que não, entre os que tinham e os que não. Não me produziu revolta, amargura ou despeito. Criou em mim senso de justiça, preferência pelos pobres e consciência de classe social, sementes de Esquerda. Consciência de classe que anda faltando a muita gente nos dias de hoje. Especialmente à gente que busca “subir na vida” sem escrúpulos ou à que tenta aparentar o que não é pelo consumismo vaidoso e suicida.

    Minha velha pasta preta de carregar cadernos, da qual tanto me envergonhei quando criança, quem diria, me ajudou a ter mais noção de mundo e coerência cidadã!

    * Levon Nascimento é Professor de História. Graduado em Ciências Sociais pela Unimontes.

  • As reflexões de hoje (III)

    É mato, assim como as nossas diferenças sociais e 
    culturais, mas não deixam de fazer um belo
     espetáculo estas florzinhas do campo que 
    infestaram os canteiros centrais da 
    Av. do Contorno, em Taiobeiras.

    A sua religião não é a única nem a melhor. A sua etnia (raça) não é a única nem a melhor. A sua orientação sexual não e a única nem a melhor. A sua opinião não é a única nem a melhor. Quando nos dermos conta de que, apesar de especiais e únicos, somos apenas mais um entre os outros, viveremos na tolerância, no respeito, na paz e atentados terroristas, racismo, fundamentalismo religioso e homofobia deixarão de existir.
    (Facebook, 10 de janeiro de 2015)

  • As reflexões de hoje (II)

    Prof. Levon Nascimento

    O risco do fundamentalismo, além da morte de inocentes, é a geração de novos fundamentalismos. O fanatismo islâmico alimenta, agora, o extremismo ocidental. Ao invés de justiça, cheios de ódio, clamam por vingança. Mesquitas foram atacadas na França. Será que todos os frequentadores dessas mesquitas, incluindo mulheres e crianças, também participaram do atentado ao Charlie Hebdo? Não estou relativizando. Os atentados aos cartunistas não podem ser ignorados nem diminuídos. Os terroristas e o fundamentalismo islâmico tem de pagar por isso. Os inocentes, sejam eles árabes muçulmanos ou cristãos brancos, não! São pessoas como você e eu.
    (Facebook, 9 de janeiro de 2015)

    Quando se fala em direitos humanos para presos, muita gente franze a testa e logo diz: “Diretos humanos para humanos direitos!” É um erro! Prisões deveriam ser lugares, por excelência, onde a “sociedade de bem” (como dizem alguns) tratasse os criminosos com a decência que eles não souberam ter com suas vítimas ou a qual não receberam durante suas vidas antes do crime, de modo que se reeducassem para o conviver coletivo. Prisões, em hipótese alguma, deveriam ser lugares de suplícios ou universidades do delito. Utopia, irrealidade, inocência! Eu sei. Mas não custa defender o que é correto. Uma vez que, do nocivo, estamos fartos.
    (Facebook, 9 de janeiro de 2015)

  • As reflexões de hoje (I)

    Ao contrário do que se pode supor apressadamente, quem ganha com o atentado de Paris não são os terroristas muçulmanos. Aliás, estes extremistas só “queimam o filme” dos seguidores do Islã. Quem lucra é a “indústria” ocidental (americana e europeia) e os partidos da nova direita, que para alimentar seus negócios e justificar os já corriqueiros discursos de ódio, respectivamente se nutrem do medo, da xenofobia e do racismo. Aliás, estes “demônios” que há muito se imaginava extirpados, novamente voltam à moda na Europa. Espalham-se pelos caminhos de um velho continente ainda cambaleante, vítima da crise cíclica de seu capitalismo ultraliberal. É um filme conhecido, de final trágico. E quem paga a conta são sempre os inocentes, os pobres e os “não-ocidentais”.
    P.S.: Lembrando que latino-americanos, como nós brasileiros, não são considerados ocidentais pelos xenófobos do norte.

    (No Facebook, em 8 de janeiro de 2015)

    Muito bom rever “O Pagador de Promessas”. A intolerância religiosa retratada ali, especialmente contra as religiosidades popular e afro-brasileira, permanecem ativas em nova roupagem, principalmente por parte de seitas de origem norte-americana. No mundo, lamentamos o atentado de Paris, ontem.

    (No Facebook, em 8 de janeiro de 2015)

  • Textos do Levon na primeira semana do ano

    Prof. Levon Nascimento

    A seguir, textos com observações minhas a respeito da realidade que nos circunda, publicados na rede social Facebook nos primeiros dias de 2015.

    Na França, hoje, mais um capítulo da onda de extremismo que só vem crescendo no planeta, ameaçando nos engolir, como uma tsunami. No Brasil, temos nossos Bolsonaros, Felicianos, Lobões, Sheherazades, Levis Fidélixes e uma cambada de doidos que ofendem e hostilizam nordestinos, negros, mulheres autônomas, pobres que recebem o Bolsa Família, petistas e esquerdistas, adeptos de religiões afro-brasileiras, gays e tudo o mais que consideram “inferiores”. Mal sinal para a história de um mundo que ainda se ressente do Holocausto nazista de 70 anos atrás.
    (Facebook, 7 de janeiro de 2015)

    As palavras mais ditas por quem se declara de oposição ao PT: ódio, odeio, detesto, abomino, corrupto, otário, ladrão, larápio. Talvez você concorde com elas. Mas, antes que você responda, faça uso do método crítico e acrescente um “?” diante de cada uma. Em seguida, vá a fundo para procurar respostas. Inclusive, estude um pouco de história (ou muito mesmo). Não só história do Brasil, mas também história geral, principalmente de um período conhecido como entreguerras (1918 a 1939, na Europa, época do nazifascismo). Você poderá continuar a concordar com as palavras em questão, mas será pela sua própria capacidade de interpretação, não pela dominação midiática que sempre se fez no Brasil contra governos de matiz nacionalista ou popular, a exemplo de Vargas, JK, Jango, Lula e Dilma. Outra, que talvez você não sabia: as palavras lá de cima, que muitos usam contra o PT, são as mesmas que os nazistas alemães e os fascistas italianos usavam contra seus respectivos governos antes de derrubá-los e tomarem o poder. Também são as mesmas utilizadas contra Getúlio e Juscelino. O resultado, espero que você conheça através do estudo da história.
    (Facebook, 6 de janeiro de 2015)

    Quando o assunto mais “importante” tratado por certas pessoas “inteligentes” versa sobre a roupa da presidenta na posse, seu jeito de andar ou sua silhueta (tão distante do tal padrão ideal), ao contrário de debater as ideias expostas em seus discursos ou a composição de seu ministério, para mim fica cada vez mais claro que tomei a decisão correta em apoiá-la, fazer campanha para sua reeleição, votar nela e defender seu governo.
    (Facebook, 2 de janeiro de 2015)

  • Boas Festas e Feliz 2015

    Um Feliz Natal e um próspero 2015 para você que lê este Blog.


    A palavra Natal significa Nascimento. Celebramos o Nascimento de Jesus em 25 de dezembro, ainda que não saibamos a data real em que tal fato ocorreu. Não importa a exatidão. Importa que ele nasceu por um ato voluntário de amor do Pai em relação a cada um de nós. É isto que festejamos. E ele nasceu pobre, em manjedoura, num estábulo para bois porque os ricos não o receberam em suas casas. Que no tempo presente, muito mais do que o Natal capitalista e consumista dos presentes e de Papai Noel, recebamos em nossas casas a Boa Notícia daquele que nos ensina a dizer “Pai Nosso – Pão Nosso”. Feliz aniversário, Jesus!

  • Foto histórica com Dilma Rousseff

    Outro dia postei uma foto com a ex-Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Na mesma data (12 de janeiro de 2003), também em Araçuaí/MG, tivemos a oportunidade de falar com então desconhecido Ministra das Minas e Energia, a qual se tornaria a primeira mulher a ocupar a Presidência da República brasileira, Dilma Rousseff. Naqueles dias, o presidente Lula, recém-empossado em seu primeiro mandato, trazia seus ministros para “estagiar” no Vale do Jequitinhonha.

    Na foto, os presidentes municipais do PT de Taiobeiras (Levon Nascimento), Salinas (Tânia Ladeia) e Novorizonte (Wilson Fernandes) em 2003.

  • Artigo do Levon: A vitória de Dilma

    Artigo originalmente publicado na versão impressa do Jornal Folha Regional, Ano XII, n. 235, p. 3, novembro de 2014, Taiobeiras/MG.

    Eram 20h02min quando apareceram os primeiros números da apuração no telão instalado no salão do STR de Taiobeiras. Após três horas de angustiante espera, uma explosão de alegria fez o ambiente se eletrizar. Com 95% das urnas apuradas, Dilma (PT) aparecia à frente com 50,9% dos votos válidos, enquanto Aécio (PSDB) estava com 49,1%. Nem mesmo o alerta de que ainda faltavam 5% nem que a diferença era estreitíssima, podendo haver uma reviravolta, fez diminuir a euforia. O grito preso na garganta e a vontade de liberar a emoção foram mais fortes. Sobretudo depois de uma campanha tocada pelo ódio, cuja “proposta” do adversário se resumia a “tirar o PT do poder”. Dali em diante, um povo barulhento e tenaz tomou conta das ruas da cidade. Celebração de vitória!

    Aécio teve maioria em Taiobeiras, único município do Norte de Minas em que isto ocorreu. Ainda assim, na zona rural, em Mirandópolis e na Lagoa Grande, a campeã foi Dilma. Longe de buscar razões sociológicas, recorro à história. Há um mito, profissionalmente instigado, de que o neto de Tancredo teria uma relação de amizade com a cidade, materializado desde os tempos em que o jovem secretário do avô veio pedir votos para se eleger deputado federal e ficou hospedado na casa do então prefeito Geraldo Sarmento de Sena (Nen Sena). Contribuiu, ainda, a estrutura bem arrumada do atual grupo no poder municipal que, mesmo realizando um governo medíocre, mantém intactas as estruturas de dominação cultural, intelectual e política. E mais, a neutralidade desleal e a cooperação suicida de alguns poucos setores da oposição taiobeirense também influíram no resultado.


    Mas destaco a garra e a luta da militância petista e dos simpatizantes da causa popular. Para estes, não houve espaço para o muro ou para a omissão. Lideranças das Comunidades Eclesiais de Base, educadores engajados na luta por uma educação decente, trabalhadores autônomos, taxistas, sindicalistas rurais ou do serviço público, vereadores progressistas, todos se movimentaram pela garantia da continuidade da mudança inaugurada por Lula. Souberam entender que, apesar do bombardeio midiático e das tentativas de golpe da elite nacional, o projeto que melhorou a vida de milhões de brasileiros, retirando-os da miséria absoluta e integrando-os, como nunca antes em nossa história, estava em curso através do governo da Presidenta Dilma Rousseff. Perceberam, também, que caso não fosse reeleita, haveria um revés, um retorno ao passado, tão drástico quanto aquele que se havia iniciado com o Golpe Civil-Militar de 1964.


    E o capítulo mais especial desta luta se deve aos jovens e ao povo considerado mais humilde. Os jovens, estudantes, foram presença marcante nas atividades de campanha da Dilma em Taiobeiras. O povo da zona rural e dos bairros compreendeu o viés de classe social que a eleição despertou e garantiu as suas conquistas. Relembrou-se de que há 12 anos, antes de Lula e Dilma, só lhe sobrava os restos de verduras da feira, no final do sábado. Celebrou o acesso à cidadania que está conquistando através das ações dos governos petistas.


    Enfim, o colorido do vermelho da boa revolução se entremeou nas cores do povo e da juventude, sinalizando um novo tempo em que a luta continuará. Luta contra o ódio de uma elite atrasada que se ressente ainda hoje da assinatura da Lei Áurea.
  • Votar em Dilma é agir para que o Brasil continue independente

    Aqui abaixo estão os textos que escrevi na última semana (07 a 14/09/2014), na rede social Facebook. São reflexões sobre as eleições de 2014, favoráveis à candidatura de Dilma para a presidência da República e à eleição de Fernando Pimentel para governador de Minas Gerais.

    1) Alguns dizem: ” – Gente culta não vota no PT”. Se ser “culto” é ser contra a inclusão social que tirou milhões de brasileiros da miséria, prefiro ser “inculto”. Aliás, o conceito de “cultura” é muito relativo. Tem gente com diploma universitário em medicina, direito ou história que não tem a cultura da solidariedade, do respeito ao próximo e da compreensão da multiplicidade dos valores do povo brasileiro. Enquanto que tem pessoas “analfabetas” com uma baita visão de mundo: solidária, altruísta e coerente.


    2) A família dos que assassinaram Chico Mendes (1988) declara apoio a Marina Silva. Lembrando que Chico Mendes foi morto em emboscada preparada por latifundiários que combatiam seringueiros organizados em sindicatos e no PT. Na época, Chico Mendes, que era petista, foi quem abriu espaço para Marina entrar na política, pelo PT. Mais uma imensa contradição da Marina.

    3) Dilma sofre ataques todos os dias, desde que tomou posse, principalmente na grande mídia e nas redes sociais. Aliás, desde antes. Os esgotos de direita a “torturam” desde sempre. Ataques covardes: xingam, agridem, inventam mentiras e difamam. Mas ela aguenta firme e forte. É mulher de pulso, de garra, de compromisso e de imenso amor pelo Brasil. Dilma, nos momentos mais difíceis, nunca ficou de “chororô”, “mimimi” ou se fazendo de vítima. Quem entra na chuva tem de se molhar. Por isto eu voto nela. Dilma tem coração valente!

    4) Quem vota nas lágrimas da Marina vai chorar por último, quando ela entregar o Brasil nas mãos dos banqueiros e quebrar o país.

    5) ‘Marinistas’ agora passaram a depender da capa da Veja. Cadê a diferença em relação aos tucanos? Depois dizem que o que emperrava o país era polarização PT X PSDB. Pois, agora, passaram a ocupar o lugar dos bicudos. Da Veja não vem nada que presta! ‪#‎Dilma13‬ ‪#‎Pimentel13‬ ‪#‎JosuéAlencar150‬ ‪#‎PauloGuedes13789‬ ‪#‎PadreJoão1315‬ ‪#‎Agita13‬

    6) Conversando com pessoas na feira de Taiobeiras, hoje pela manhã, na programação do ‪#‎Agita13‬, não precisei defender a Dilma. As pessoas já faziam isto. Veja o que disseram: a) “Antes, o sonho do pobre era ter uma bicicleta. Hoje pode ter acesso a uma moto, a um carro, a uma casa”. b) “O Bolsa Família me ajudou a criar meus filhos. Não fiquei preguiçosa. Hoje trabalho e tenho autoestima”. c) “Você anda na zona rural e em cada casa tem uma cisterna (caixa d´água) para recolher água da chuva. Antes, além da seca, a gente não tinha nenhum apoio”. d) “Hoje a casa do pobre igualou a do rico: tem geladeira, televisão de tela plana, micro-ondas…” e) “Hoje o pobre não precisa ser escravo do rico”. f) “Nos PSFs de Taiobeiras ‘tudo’ tem placa de verba que a Dilma mandou. Como que tem gente que não vota numa mulher dessas?!” Então, é Dilma 13 e Fernando Pimentel governador 13.

    7) A Revista Veja já embarcou na campanha de Marina Silva. Quem tem um mínimo de senso crítico sabe que o “bom” para a Veja não é o “bom” para o Brasil. Então, fica claro que a melhor candidata é Dilma, 13.

    8) A ética de Marina Silva: ri no velório do ex-candidato e chora quando suas ideias são questionadas. Não é a presidenta que o Brasil precisa. Por isto, eu voto em Dilma, 13.

    9) Marina Silva fala e depois “desfala”. Em seguida reclama e se faz de vítima quando a gente aponta as contradições dela. Ué, só vale quanto ela tá ganhando? Quando começa a perder, apela?

    10) Uai, ninguém está xingando a Marina! Aliás, quem é xingada por gente que não quer debater é a Dilma. No caso da Marina, estamos criticando propostas que consideramos ruins para o Brasil. Afinal, a democracia serve para isto, para o questionamento de ideias e programas.

    11) Até agora, estou fazendo campanha com ideias, crítica política e argumentos. E pretendo fazer assim até o final do período eleitoral. Que tal você agir assim também?

    12) Infelizmente, em outras palavras, o “antipetismo” ou o “anti-esquerdismo” pode ser definido com dois vocábulos: ódio e egoísmo. Ódio aos mais necessitados. Egoísmo na atitude de não suportar que multidões devam ser incluídas. E, o pior, é a sequência das tragédias da história brasileira: É o ódio dos que não queriam a abolição da escravatura negra em 1888. O ódio dos que massacraram Canudos (1897) e Contestado (1914). O ódio dos que não desejavam dar direito de voto às mulheres.O ódio contra a legislação trabalhista. O ódio lacerdista às conquistas populares da era Vargas. O ódio a Jango e Brizola. O ódio que implantou a ditadura (1964-1985). O ódio aos movimentos operários do ABC, ao MST, às CEBs, às pastorais sociais, às conquistas do governo Lula, à pessoa da 1ª mulher-presidenta Dilma Rousseff. É o ódio às cotas, ao Pro-Uni. Ódio à inclusão de jovens pobres nas faculdades de Medicina e Direito. Ódio ao Mais Médicos. Ódio ao Bolsa Família, enquanto defendem o Bolsa Banqueiro. Ódio à melhoria real do salário mínimo. Enfim, é um ódio de classe. Triste é ver pessoas que foram incluídas por estas lutas ficarem do lado de quem lhes tem ódio.

    13) É por isto que eu voto no PT. É por isto que eu voto em Dilma 13. Porque eu me informo sobre a realidade do meu país? E você, se busca se informar ou é “informado” pela mídia anti-Brasil?

    14) A desconstrução de Marina tem sido feita por ela mesma ao se desdizer constantemente. Numa hora afirma uma coisa, em seguida diz que não era bem assim.

    15) O “antipetismo” é tocado pelo ódio a Lula, à Dilma, contra o pensamento de esquerda e contra os brasileiros pobres que necessitam dos programas sociais. É um sentimento intencionalmente alimentado pelos grandes cartéis midiáticos, cujo substrato emocional é o velho egoísmo de classe. No fundo, é o mesmo rancor dos que, em 1888, não perdoaram a Princesa Isabel pela assinatura da Lei Áurea, que acabou com a escravidão formal no país.

    16) Marina defende a autonomia do Banco Central. Autonomia para elevar os juros, reduzir o crédito, diminuir o emprego e arrasar com a vida dos pobres e trabalhadores. E isto que você quer?

    17) Ainda tem professor “ingênuo” achando que se um ex-governador ganhar para senador e se outro “ex-gov” ganhar para presidente que a Lei 100 volta. Explicando: a Lei 100 era inconstitucional, por isto foi derrubada pelo Poder Judiciário (STF). Não é mais questão de política. Agora, é resolver a situação difícil dos ex-efetivados. Isto, sim, é questão de política, e quem fez o malfeito tem de resolver. Não se deixe enganar. Fique de olho.

    18) Com Lula e Dilma, houve a melhoria da qualidade de vida de mais de 40 milhões de brasileiros que viviam em extrema pobreza. Milhões de brasileiros tiveram acesso a cursos superiores. 14 novas universidades federais foram criadas. Milhares de cursos técnicos. Vagas pelo ENEM, SiSU, ProUni, Fies, Pronatec, etc. O Mais Médicos está levando atendimento básico a 50 milhões de brasileiros. Se isto não é uma revolução, não sei mais o que pode ser. Enquanto isto, Marina quer dar total liberdade para os banqueiros lucrarem muito mais ainda, com a autonomia do Banco Central. Pense nisto e não jogue as conquistas dos últimos 12 anos no lixo.

  • Minhas palavras na semana que passou…

    As palavras que escrevi na rede social Facebook na semana que passou (29/06 a 06/07/2014).

    Independente do resultado em campo, o país já saiu vitorioso na organização do evento Copa do Mundo, na interação hospitaleira com os estrangeiros e nos ganhos civilizatórios que este contato sempre representa para os povos que dele compartilham. Parabéns, Brasil. Estou muito orgulhoso do meu POVO BRASILEIRO! (06/07/2014)

    A Copa do Mundo representa um grande aprendizado civilizatório. Só por isto, sem contar os ganhos econômicos, já valeu a pena a sua realização em nosso país. Creio que avançamos enquanto seres humanos ao conviver com a diversidade de outros povos. Isto é imensamente positivo. (05/07/2014)

    Ofensas racistas ou quaisquer outras ao jogador colombiano Juan Zúñiga, que agrediu o brasileiro Neymar Jr. no jogo da semifinal, são tão covardias quanto o que ele praticou. A superioridade, se é que exista, está em não se igualar no mal feito. (05/07/2014)


    E aí, ainda tem alguém disposto a pagar o mico de sustentar a ridícula teoria da conspiração de que a Dilma comprou o resultado da Copa para o Brasil? (05/07/2014)

    Aposto que você que “espragueja” o PT só de ouvir a palavra mensalão não sabia que o Genoíno está preso porque assinou um empréstimo que o PT pagou e o Tribunal Superior Eleitoral aprovou. Não acredita? Então pesquise por si só, em fontes sérias, e verá que estou falando a verdade nem sou ingênuo. (03/07/2014)

    Vivemos num mundo onde boa parte das pessoas interpreta a realidade a partir de seus interesses mais pessoais e particulares. Como seria desejável que o ponto de vista da maioria fosse o dos interesses coletivos! Acho que os níveis gerais de felicidades seriam mais elevados. (03/07/2014)

    Assim como foram falsas as informações de que a Copa seria uma catástrofe, são igualmente mentirosas as afirmações de que o Brasil está à beira de um abismo econômico ou de que a inflação vai subir. A velha mídia que diz isto todo dia, na verdade, é um partido político de oposição. Ela não prima pela verdade dos fatos. (03/07/2014)

    O retorno financeiro da Copa está sendo muito maior do que o gasto para realizá-la. E isto é ótimo para o Brasil. Calou a velha mídia e os pessimistas que torcem contra o país. (02/07/2014)

  • São João está dormindo…

    Nada como as lendas que nos são contadas na infância e nas quais acreditamos até que a crua realidade nos é imposta pela maturidade e pela vida.

    Quando eu era criança, ouvia histórias de que a partir deste dia, 20/06, “Nossinhô” colocava São João para dormir e só o acordava depois do dia 24 de junho. É que São João era por demais “arteiro” e não caberia em si de ver tanta alegria nas fogueiras e quadrilhas em sua homenagem, o que elevaria o risco dele por “fogo no mundo” de tanta satisfação. Melhor colocá-lo para dormir e torcer para que não acordasse enquanto a festança familiar e comunitária não acabasse.

    Como eu tinha medo de que ele despertasse durante os arraiais!

    Que tempo maravilhoso! Quanta inocência! Não sabia eu que quem bota fogo no mundo são os homens gananciosos, aqueles que não têm espaço no coração para o calor benfazejo de uma fogueira de São João.

  • Os xingamentos à presidenta Dilma na abertura da Copa do Mundo

    Ver os descendentes dos antigos donos de escravos do Brasil xingando palavrões contra a Presidenta da República na abertura da Copa do Mundo, insultando uma mulher que, ainda na juventude, lutou contra a ditadura militar, foi torturada e agora realiza um governo que não faz “arrocho salarial” contra o trabalhador, me faz pensar que, apesar de passados 126 anos da assinatura da Lei Áurea, ainda há quem não tenha se conformado com ela. Tola é a pessoa trabalhadora e humilde, que vai na onda daquela turma. O velho Brasil reluta em não dar lugar a um novo Brasil (mais justo e menos cretino).

    Ser xingada ou vaiada pela elite branca de São Paulo é quase que uma confirmação para a Dilma de ela está fazendo a coisa certa. Ir contra a “casa grande” em favor da “senzala”. Para quem já foi torturada por uma ditadura, defendendo a liberdade e a democracia, aquelas ofensas não significam muita coisa. Meu apoio e solidariedade à pessoa da Presidenta da República Federativa do Brasil, senhora DILMA ROUSSEFF. Que, a partir de ontem, ganhou muito mais o meu RESPEITO e a minha ADMIRAÇÃO. Agora é uma figura imortal da nossa HISTÓRIA.

  • A Copa, o poder da mídia e o complexo de vira-latas

    A grande mídia nacional, traidora e apátrida, tem conseguido incutir na cabeça de milhões de brasileiros os mais perversos sentimentos de ódio e de raiva por seu próprio país. Nem mesmo a paixão do Brasil pelo futebol foi poupada.

    O objetivo dos barões da mídia é claro: fazer voltar ao poder o velho modelo colonialista, “escravocrata”, retrógrado e injusto. Modelo que, por séculos, esteve instalado no governo do Brasil, sendo correia de transmissão entre os interesses da “casa grande” e os das potências centrais do capitalismo mundial.

    O que se vê: de um lado um complô direitista para levar o Brasil à condição de nação colonizada (mais uma vez), de outro a complacência de setores sociais estúpidos, que se deixam pautar pelas manchetes dos grandes grupos de mídia. Ainda assim, um tempo fecundo de politização e de esperanças.

    Que tenhamos ouvidos, olhos e mentes abertas para não deixar que isto prevaleça! Não podemos retroceder a 2002, antes da vitória de Lula.

    Avante os que defendem os interesses do povo! Estou com Dilma Rousseff em 2014.

  • Taiobeiras: violência, paz, política e opinião (síntese de ideias da semana)

    Infelizmente, a adesão à criminalidade não é somente uma questão de caráter, como afirmam alguns. A situação de pobreza aumenta o risco social e leva muita gente a cair nas armadilhas da marginalidade.
    29/05/2014.

    A luta por um mundo melhor e mais justo não para.
    Eu escolhi as militâncias cultural-social e político-partidária para fazer parte desta luta.
    A luta continua! Esperança, sempre!

    28/05/2014.

    Pessoas inteligentes se deixando dominar pelo “complexo de vira-latas”. Complexo patrocinado pela grande mídia, aliada do capitalismo internacional brutal. Bradam contra seu próprio país, seletivamente escolhendo como alvo apenas a militância e o governo que mais trabalharam pelo povo em toda a história da nação. Imploram, disfarçadamente, para que “os fantasmas do passado” retomem o poder. É doutrina política mais do que conhecida: “a melhor forma de dominar um povo é fazer com que ele não goste de si mesmo”. Pense nisso!
    28/05/2014

    Não existem mais prefeitos nem governadores no Brasil. As responsabilidades sobre saúde, educação e segurança também não são mais divididas entre municípios, estados e governo federal. Tudo é culpa da Dilma! Vai ser hipócrita assim lá no período colonial! Interessante notar como andam as administrações dos grupos políticos adversários de Dilma.
    28/05/2014

    É fato que a atual onda de violência encontra terreno fértil na juventude pobre, cotidianamente confrontada, humilhada e desafiada pela sociedade consumista e de ostentação. Na cara destes meninos e meninas que aderiram ao tráfico, todos os dias são aguçados os desejos mais profundos e irracionais da alma humana, tal e qual ocorre também com adolescentes e jovens das classes média e alta. A diferença é que com aqueles primeiros, geralmente excluídos das oportunidades mais básicas, inclusive da convivência familiar saudável, ainda lhes faltam os recursos financeiros para a satisfação dos desejos de consumo.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    A escalada da violência em Taiobeiras, assim como no resto do país e no mundo inteiro, faz ressurgir velhos dizeres fascistas e psicóticos que desviam a atenção das misérias humanas que produzem a dor, o ódio e o crime. Os valores humanos se perdem nas vítimas mortas, nos escombros do medo que invade a sociedade e na vontade de vingança que envenena o coração das pessoas.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    E se todas essas esperanças falharem, ainda restará uma esperança maior. Esperança de um jovem galileu que por aqui esteve há dois mil anos apenas praticando o amor. “Estranhamente”, mesmo amando tanto, foi condenado à morte por quem detinha o poder político em sua época. Apesar de todo o “sentimento de injustiça” que permeou sua morte numa cruz, brindou a todos com a “esperança vibrante” de voltar a viver ressuscitando três dias depois de sua execução pelos romanos. Espera… Esperança… Esperanças… presentes no doce sabor da justiça; exaladas no suave perfume da paz!
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    Taiobeiras é atualmente uma cidade de “contos de fadas”. Não se pode negar que haja muitos avanços, boa parte deles porque o Brasil também avançou. Mas não existe na classe política que a dirige uma sensibilidade para com os que estão à margem; para com as questões da juventude: vítima da violência e das drogas; para com as situações étnico-culturais e de gênero; para com a educação contextualizada e de qualidade; não há um olhar social efetivo e moderno ou comprometido como a elevação da dignidade da pessoa humana. Tudo isso tem de ser alcançado através da luta da comunidade.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    Não basta somente uma sociedade avançar no plano econômico. É preciso criar os meios para que a política, a cultura e o regime democrático co-participem do crescimento da economia. Também, é necessário construir uma cidade que vá além da beleza de suas praças e avenidas ou da alegria de suas festas. Um lugar onde as pessoas, especialmente aquelas que estão segregadas pela pobreza, pelas drogas ou pelo baixo conhecimento cultural, sejam integradas ao convívio cidadão.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    Famílias, escolas, igrejas e associações fariam muito bem à ‘politização’ social se levassem os seus membros a se tornar mais críticos, interpretativos dos sinais dos tempos, líderes em variadas situações, atuantes em favor da dignidade humana, justos nos negócios e na lida em sociedade.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    Taiobeiras precisa de que cada cidadão e cidadã, com sua simplicidade e entendimento, participem da política, com suas histórias de vida, de sofrimentos e de vitórias; com pluralidade e ideias inovadoras, para além da cultura mercantilista, colonialista e consumista que se impôs historicamente sobre o povo e o município.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    Na cultura taiobeirense, o consumismo arraigado faz com que as pessoas se endividem em “mil” prestações, de modo que “aparentem” certo status e condição econômica que não são reais. Busca-se muito o ter e o aparecer. Investe-se pouco no aprender novas coisas úteis e no “ser” um alguém com consistência. É necessário avançar para além dessa escravidão moral que, a qual, ainda, contribui para a degradação pessoal e ambiental. Cada um deve aprender a superar a cultura da aparência e do modismo fútil; e a viver com mais naturalidade e verdade as relações sociais.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    Quando digo que o Alto Rio Pardo precisa de pessoas mais à “esquerda”, na verdade afirmo que nossas lideranças sociais, religiosas, comunitárias e políticas necessitam ultrapassar a mentalidade imediatista do capital e construir bases sólidas para que o humano cresça, eduque-se e consiga desenvolver uma nova consciência de mundo e de fraternidade.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    Para ser realmente livre aos 60 anos, Taiobeiras tem de: cuidar de sua gente, especialmente dos pobres; enfrentar e vencer a escandalosa violência que ceifa vidas, inclusive dos jovens; avançar na educação cidadã e permanente, estendendo as oportunidades de conteúdo a todos; melhorar a qualidade dos agentes e das instituições políticas municipais, aprimorando a democracia e destruindo os vícios coronelistas e clientelistas do autoritarismo e da compra/venda do voto; transformar as relações sociais, abandonando a cultura do consumismo e do exibicionismo vazios, trocando-a por uma nova era onde valham mais as pessoas e o seu conteúdo interior, do que a aparência e os bens que eventualmente possuam.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.

  • Artigo do Levon: Quando era maio…


    A cidade se enfeitava inteira, os meios-fios e até um metro do tronco das árvores ornamentais eram pintados de cal. A passarela central da Praça da Matriz, ladeada por majestosas palmeiras imperiais, toda decorada com faixas e dizeres. Naqueles dias de maio, a fé brotava dos corações, a alegria irradiava-se nos lares e o perfume das novidades invadia o ar frio de outono em Taiobeiras.


    A procissão seguia: crianças vestidas de anjos – não fosse assim, não seria Minas Gerais. As mulheres de branco com fitas vermelhas e medalhas ao pescoço cantarolavam canções marianas. Um velho senhor, à frente, carregava a cruz do Ressuscitado. No meio e atrás, a pé simplesmente, ou empurrando bicicletas, uma multidão colorida pajeava o cortejo em busca da santa.


    Na frente da Igrejinha octogonal, vivas e mais vivas ensaiadas pelo frade. Homens mais fortes, com zelo e vigor, retiravam a imagem portuguesa de Nossa Senhora de seu nicho e a colocavam sobre um andor com oito hastes. Vereadores da Câmara carregavam o palanquim nos ombros. As disputas partidárias entravam em sabática trégua. Em festa, júbilo, parada real, a senhora de Fátima era carregada no retorno à Matriz.


    Entre cantos e “exultes”, bem romano na concepção, mas sem perder a bucólica tradição popular, flores, serpentinas e confetes eram atirados, rumo ao andor, pelos populares que saiam às portas a esperar pela passagem da Mãe.


    Em triunfo olímpico, de volta à Praça da Matriz, a procissão passava pelo corredor central. Coisa de reis e rainhas, cinematográfico! E adentrava à Matriz. Chegava a imagem de Maria – a senhora de Fátima – na casa de São Sebastião, para durante 10 dias ali permanecer recebendo honras, coroações e súplicas, homenagens que só a mãe do Salvador do mundo poderia merecer.


    Tempos idos, os quais eu via e sentia nas décadas de 1980 e 1990, quando um povo – taiobeirense – ainda não se havia deixado vencer pela sede de consumo nem pelo vício do descartável. Era maio, mês de Maria e das mães, e a família ainda se reunia e confraternizava em torno do que era bom!