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  • Taiobeiras: violência, paz, política e opinião (síntese de ideias da semana)

    Infelizmente, a adesão à criminalidade não é somente uma questão de caráter, como afirmam alguns. A situação de pobreza aumenta o risco social e leva muita gente a cair nas armadilhas da marginalidade.
    29/05/2014.

    A luta por um mundo melhor e mais justo não para.
    Eu escolhi as militâncias cultural-social e político-partidária para fazer parte desta luta.
    A luta continua! Esperança, sempre!

    28/05/2014.

    Pessoas inteligentes se deixando dominar pelo “complexo de vira-latas”. Complexo patrocinado pela grande mídia, aliada do capitalismo internacional brutal. Bradam contra seu próprio país, seletivamente escolhendo como alvo apenas a militância e o governo que mais trabalharam pelo povo em toda a história da nação. Imploram, disfarçadamente, para que “os fantasmas do passado” retomem o poder. É doutrina política mais do que conhecida: “a melhor forma de dominar um povo é fazer com que ele não goste de si mesmo”. Pense nisso!
    28/05/2014

    Não existem mais prefeitos nem governadores no Brasil. As responsabilidades sobre saúde, educação e segurança também não são mais divididas entre municípios, estados e governo federal. Tudo é culpa da Dilma! Vai ser hipócrita assim lá no período colonial! Interessante notar como andam as administrações dos grupos políticos adversários de Dilma.
    28/05/2014

    É fato que a atual onda de violência encontra terreno fértil na juventude pobre, cotidianamente confrontada, humilhada e desafiada pela sociedade consumista e de ostentação. Na cara destes meninos e meninas que aderiram ao tráfico, todos os dias são aguçados os desejos mais profundos e irracionais da alma humana, tal e qual ocorre também com adolescentes e jovens das classes média e alta. A diferença é que com aqueles primeiros, geralmente excluídos das oportunidades mais básicas, inclusive da convivência familiar saudável, ainda lhes faltam os recursos financeiros para a satisfação dos desejos de consumo.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    A escalada da violência em Taiobeiras, assim como no resto do país e no mundo inteiro, faz ressurgir velhos dizeres fascistas e psicóticos que desviam a atenção das misérias humanas que produzem a dor, o ódio e o crime. Os valores humanos se perdem nas vítimas mortas, nos escombros do medo que invade a sociedade e na vontade de vingança que envenena o coração das pessoas.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    E se todas essas esperanças falharem, ainda restará uma esperança maior. Esperança de um jovem galileu que por aqui esteve há dois mil anos apenas praticando o amor. “Estranhamente”, mesmo amando tanto, foi condenado à morte por quem detinha o poder político em sua época. Apesar de todo o “sentimento de injustiça” que permeou sua morte numa cruz, brindou a todos com a “esperança vibrante” de voltar a viver ressuscitando três dias depois de sua execução pelos romanos. Espera… Esperança… Esperanças… presentes no doce sabor da justiça; exaladas no suave perfume da paz!
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    Taiobeiras é atualmente uma cidade de “contos de fadas”. Não se pode negar que haja muitos avanços, boa parte deles porque o Brasil também avançou. Mas não existe na classe política que a dirige uma sensibilidade para com os que estão à margem; para com as questões da juventude: vítima da violência e das drogas; para com as situações étnico-culturais e de gênero; para com a educação contextualizada e de qualidade; não há um olhar social efetivo e moderno ou comprometido como a elevação da dignidade da pessoa humana. Tudo isso tem de ser alcançado através da luta da comunidade.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    Não basta somente uma sociedade avançar no plano econômico. É preciso criar os meios para que a política, a cultura e o regime democrático co-participem do crescimento da economia. Também, é necessário construir uma cidade que vá além da beleza de suas praças e avenidas ou da alegria de suas festas. Um lugar onde as pessoas, especialmente aquelas que estão segregadas pela pobreza, pelas drogas ou pelo baixo conhecimento cultural, sejam integradas ao convívio cidadão.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    Famílias, escolas, igrejas e associações fariam muito bem à ‘politização’ social se levassem os seus membros a se tornar mais críticos, interpretativos dos sinais dos tempos, líderes em variadas situações, atuantes em favor da dignidade humana, justos nos negócios e na lida em sociedade.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    Taiobeiras precisa de que cada cidadão e cidadã, com sua simplicidade e entendimento, participem da política, com suas histórias de vida, de sofrimentos e de vitórias; com pluralidade e ideias inovadoras, para além da cultura mercantilista, colonialista e consumista que se impôs historicamente sobre o povo e o município.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    Na cultura taiobeirense, o consumismo arraigado faz com que as pessoas se endividem em “mil” prestações, de modo que “aparentem” certo status e condição econômica que não são reais. Busca-se muito o ter e o aparecer. Investe-se pouco no aprender novas coisas úteis e no “ser” um alguém com consistência. É necessário avançar para além dessa escravidão moral que, a qual, ainda, contribui para a degradação pessoal e ambiental. Cada um deve aprender a superar a cultura da aparência e do modismo fútil; e a viver com mais naturalidade e verdade as relações sociais.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    Quando digo que o Alto Rio Pardo precisa de pessoas mais à “esquerda”, na verdade afirmo que nossas lideranças sociais, religiosas, comunitárias e políticas necessitam ultrapassar a mentalidade imediatista do capital e construir bases sólidas para que o humano cresça, eduque-se e consiga desenvolver uma nova consciência de mundo e de fraternidade.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    Para ser realmente livre aos 60 anos, Taiobeiras tem de: cuidar de sua gente, especialmente dos pobres; enfrentar e vencer a escandalosa violência que ceifa vidas, inclusive dos jovens; avançar na educação cidadã e permanente, estendendo as oportunidades de conteúdo a todos; melhorar a qualidade dos agentes e das instituições políticas municipais, aprimorando a democracia e destruindo os vícios coronelistas e clientelistas do autoritarismo e da compra/venda do voto; transformar as relações sociais, abandonando a cultura do consumismo e do exibicionismo vazios, trocando-a por uma nova era onde valham mais as pessoas e o seu conteúdo interior, do que a aparência e os bens que eventualmente possuam.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.

  • Artigo do Levon: Quando era maio…


    A cidade se enfeitava inteira, os meios-fios e até um metro do tronco das árvores ornamentais eram pintados de cal. A passarela central da Praça da Matriz, ladeada por majestosas palmeiras imperiais, toda decorada com faixas e dizeres. Naqueles dias de maio, a fé brotava dos corações, a alegria irradiava-se nos lares e o perfume das novidades invadia o ar frio de outono em Taiobeiras.


    A procissão seguia: crianças vestidas de anjos – não fosse assim, não seria Minas Gerais. As mulheres de branco com fitas vermelhas e medalhas ao pescoço cantarolavam canções marianas. Um velho senhor, à frente, carregava a cruz do Ressuscitado. No meio e atrás, a pé simplesmente, ou empurrando bicicletas, uma multidão colorida pajeava o cortejo em busca da santa.


    Na frente da Igrejinha octogonal, vivas e mais vivas ensaiadas pelo frade. Homens mais fortes, com zelo e vigor, retiravam a imagem portuguesa de Nossa Senhora de seu nicho e a colocavam sobre um andor com oito hastes. Vereadores da Câmara carregavam o palanquim nos ombros. As disputas partidárias entravam em sabática trégua. Em festa, júbilo, parada real, a senhora de Fátima era carregada no retorno à Matriz.


    Entre cantos e “exultes”, bem romano na concepção, mas sem perder a bucólica tradição popular, flores, serpentinas e confetes eram atirados, rumo ao andor, pelos populares que saiam às portas a esperar pela passagem da Mãe.


    Em triunfo olímpico, de volta à Praça da Matriz, a procissão passava pelo corredor central. Coisa de reis e rainhas, cinematográfico! E adentrava à Matriz. Chegava a imagem de Maria – a senhora de Fátima – na casa de São Sebastião, para durante 10 dias ali permanecer recebendo honras, coroações e súplicas, homenagens que só a mãe do Salvador do mundo poderia merecer.


    Tempos idos, os quais eu via e sentia nas décadas de 1980 e 1990, quando um povo – taiobeirense – ainda não se havia deixado vencer pela sede de consumo nem pelo vício do descartável. Era maio, mês de Maria e das mães, e a família ainda se reunia e confraternizava em torno do que era bom!
  • A capa de Sexagenarius

    Aqui está a capa do livro “Sexagenarius: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, escrito por mim, editado e impresso na Editora O Lutador (Belo Horizonte) e lançado em 4 de abril de 2014 no plenário da Câmara Municipal de Taiobeiras.

    A capa é composta de uma aquarela sobre papel, denominada “Taioba em Folhas”, da artista plástica taiobeirense, de renome internacional, Elisiana Alves.

    O livro trás um conjunto de textos reflexivos sobre os temas candentes do município de Taiobeiras por volta do período da celebração de seus 60 anos de emancipação política e administrativa, em 12 de dezembro de 2013.

  • Poema: Covardia e Coragem

    Poema: Covardia e Coragem * Levon Nascimento

    A praga da covardia é o muro
    O muro, em cima dele,
    A covardia não se decide
    Não toma partido
    No muro
    Nem para uma parte
    Nem para a outra.


    Em contraposição, a coragem
    No erro, no acerto
    Toma partido, partidariza
    Escolhe um lado
    Defende
    Uma parte ou outra
    E paga a conta da ousadia
  • Sexagenarius: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras (o livro)

    No final de 2013 Taiobeiras completou 60 anos de emancipação. Eu não poderia deixar a data passar em branco, sem contribuir com o aprimoramento das discussões ligadas ao interesse coletivo da cidade. Foi então que decidi reunir numa publicação vários textos, entre eles artigos, entrevistas e intervenções orais, os quais eu havia publicado nos três anos anteriores. Assim nasceu o projeto do livro Sexagenarius: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras.

    A minha intenção inicial era de publicar o livro no dia 12 de dezembro de 2013, data redonda dos 60 anos. Mas faltaram recursos financeiros à época. Agora, com o apoio da grupo Arruda Alimentos e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, consegui a impressão de mais este trabalho.

    Sexagenarius tem 120 páginas, por onde se distribuem 22 títulos relacionados às problemáticas, aos valores e às aspirações do povo de Taiobeiras. Na maioria deles eu utilizo o método crítico para analisar a história, a cultura e a sociedade taiobeirense. Também, internamente, o livro traz oito fotografias históricas da cidade, cada uma delas preenchendo artisticamente um espaço de dupla página. Tenho a honra de contar com um prefácio escrito pela professora e ativista cultural Marileide Alves Pinheiro e de trazer na capa uma maravilhosa obra pintada pela prestigiada artista plástica Elisiana Alves, o quadro “Taioba em Folha”. O projeto gráfico e da designer Andréa Esteves, de Belo Horizonte, que já assinou os outros três livros que publiquei. A impressão ocorreu nas oficinas da Editora O Lutador, também da capital mineira.

    O lançamento do livro Sexagenarius: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras ocorrerá numa sexta-feira, dia 4 de abril de 2014, a partir das 19 horas, no plenário da Câmara Municipal de Taiobeiras. Desde já, sinta-se convidado(a) especial. O exemplar será comercializado ao preço de R$ 25,00 (vinte e cinco reais).

  • Convite para lançamento do livro "Sexagenarius"

    Sinta-se convidado para o lançamento do meu livro “Sexagenarius: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”.
    Data: sexta, 4 de abril de 2014.
    Local: Câmara Municipal de Taiobeiras.

    Horário: A partir das 19 horas.

  • Os apoiadores do meu novo livro: Sexagenarius

    Agradeço aos apoiadores culturais do meu novo livro: Sexagenarius: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras. São eles, o grupo Arruda Alimentos, de propriedade do empresário Carlito Arruda, e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras, sob a presidência de Geraldo Caldeira Barbosa.

    Ao apoiar este trabalho, demonstram estar bem antenados com a necessidade de estimular a cultura e o debate de temas importantes para o desenvolvimento do município de Taiobeiras.

  • Férias: imagens da igreja em restauração na cidade de Condeúba (Bahia)

    Condeúba: Detalhe do altar-mor,
    em estilo barroco.

     Em viagem de férias à minha terra natal, Cordeiros, no sudoeste baiano, aproveitei o dia 2 de janeiro de 2014 visitando a cidade de Condeúba.

    Condeúba: interior da Igreja Matriz
    em restauração.

    Veja aí as fotos do interior da bela Igreja Matriz de Santo Antônio de Pádua, naquela cidade do interior baiano. Toda em estilo barroco e passando por uma merecida e bem cuidada restauração.

  • Feliz 2014

    A você que ora acessa este meu espaço virtual (Blog), desejo-lhe que 2014 seja um ano alegre, feliz e cheio de igualdade e soberania! Desejo isto a você, ao Brasil e aos povos oprimidos de todo o mundo!

    E, aproveito a oportunidade, respeitando a sua crença, para relembrar um fato de 2013 que, para mim, foi muito motivador e contribuiu para resgatar minha fé no Deus da Vida: a eleição do latino-americano Jorge Mario Bergoglio para o “trono” de São Pedro – Papa Francisco (foto).

  • Taiobeiras e suas contradições aos 60 anos

    Taiobeiras em duas imagens.
    Uma praça bonita
    Uma poça de lama
    Uma para uns
    Outra para outros
    Precisamos superar o “fosso social”
    Entre os que têm muito
    E os que nada têm!

    Ir além da maquiagem
    Colocar o ser humano
    Em primeiro lugar

    Esquecer as aparências
    Exaltar a pessoa
    Dignificar os que sofrem
    Sensibilizar-se com a dor alheia

    Só assim avançaremos. Avancemos!


  • Artigo do Levon: Taiobeiras e a liberdade que se alcança aos 60

    Taiobeiras na década de 1940, ainda distrito, na região
    hoje conhecida como Praça da Matriz em confluência
    com a Avenida da Liberdade

    Artigo escrito em homenagem aos 60 anos de emancipação de Taiobeiras, comemorados em 12 de dezembro de 2013, data em que se relembra a assinatura da Lei Estadual de Minas Gerais, n. 1.039, de 12/12/1953.


    Outro dia conversávamos na escola durante o recreio sobre o aniversário próximo dos 60 anos de emancipação de Taiobeiras, quando um colega professor saiu-se com esta: “60 anos?! então já pode requerer os direitos da Lei dos Sexagenários!” Rimos bastante. Fui pesquisar e encontrei que a Lei Imperial nº 3.270, de 28 de setembro de 1885, também conhecida como Lei Saraiva-Cotegipe ou simplesmente Lei dos Sexagenários, dava o direito à liberdade não aos escravos negros que completavam 60 anos, mas aos 65. Uma lei estúpida, pois era raro o negro que chegava vivo a esta idade, devido aos maus-tratos e ao trabalho insalubre. E aos sobreviventes, qual outra opção senão continuar “livre” na dependência do senhor? Para onde iria e o que fazer para sobreviver um ancião de pele escura e sem qualquer outro direito? No entanto, é de liberdade que quero tratar. Liberdade para uma sexagenária senhora, minha cidade de Taiobeiras.

    De certa forma, o colega tinha razão! O município de Taiobeiras bem que poderia fazer uso dos direitos simbólicos que emanam da Lei dos Sexagenários e libertar-se de uma série de jugos atravancadores do desenvolvimento de sua sociedade civil e dos seus órgãos públicos constituídos. Talvez, os cidadãos de hoje pudessem fazer valer, com maior ênfase, o gesto de alguns conterrâneos do passado. Conta a história informal que, ao saber da assinatura da lei emancipatória, em 12 de dezembro de 1953, alguns taiobeirenses mais afoitos trataram logo de retirar a placa que dava nome à principal via da recém-cidade. Conhecida por todos como “Rua Larga”, oficialmente chamava-se “Idalino Ribeiro”, homenagem por imposição ao chefe político salinense que de tudo fazia para impedir a concretização do processo de emancipação. Aquele gesto, de banir a placa, mais que vandalismo, constitui-se simbolicamente numa atitude ousada de declaração de liberdade. Não por coincidência, os mesmos ativistas instantaneamente escreveram no mesmo local os dizeres “Avenida da Liberdade”, rebatizando o logradouro com o ideal que ainda se deseja alcançar nos dias atuais.

    Fazer valer o pequeno e utópico gesto fundante daqueles idealistas, movidos por contagiante rivalidade bairrista, significa hoje ir muito além do que personificar inimigos como fizeram com o velho Idalino ou com Salinas. Com efeito, a liberdade de hoje deve ser conquistada na capacidade criativa dos taiobeirenses e na competência para resolver os problemas. As algemas que impedem o desenvolvimento humano e social devem ser rompidas. Para Taiobeiras dar um novo brado de liberdade, agora aos 60 anos, é necessário reconhecer as deficiências, praticar a autocrítica, banir os vícios patrimonialistas, romper as segregações já intrínsecas na cultura, avançar na construção de uma nova sociedade e derrubar as “novas placas” onde se inscrevem as injustiças sociais.

    Para ser realmente livre aos 60 anos, Taiobeiras tem de: cuidarde sua gente, especialmente dos pobres; enfrentar e vencer a escandalosa violência que ceifa vidas, inclusive dos jovens; avançar na educação cidadã e permanente, estendendo as oportunidades de conteúdo a todos; melhorar a qualidade dos agentes e das instituições políticas municipais, aprimorando a democracia e destruindo os vícios coronelistas e clientelistas do autoritarismo e da compra/venda do voto; transformar as relações sociais, abandonando a cultura do consumismo e do exibicionismo vazios, trocando-a por uma nova era onde valham mais as pessoas e o seu conteúdo interior, do que a aparência e os bens que eventualmente possuam.

    Cuidar, enfrentar, vencer, avançar, melhorar e transformar: verbos que precisam sair do papel da teoria e materializarem-se na práxisde Taiobeiras. Só assim, a partir dos 60, a cidade encontrará a liberdade. A liberdade que só se encontra numa nova cultura de paz a ser construída. Parabéns, Taiobeiras, pelos 60 anos de emancipação!
  • Taiobeiras completa 60 anos

    Os primeiros habitantes chegaram por volta de 1875. Vieram principalmente do Estado da Bahia.
    Fotografia da década de 1940:
    Construção da Igreja Matriz de S. Sebastião
    O vilarejo que surgiu estava subordinado à cidade de Rio Pardo de Minas e chamava-se Bom Jardim das Taiobeiras, devido à grande quantidade da planta nativa conhecida como taioba em suas imediações. Taioba é uma palavra da língua indígena tupi que designa uma planta cujas folhas e raízes são comestíveis. O nome científico da taioba é “Xanthosoma sagittifolium”. Em 1923, através de uma Lei Estadual, foi transferido à jurisdição da cidade de Salinas.
    Em 12 de dezembro de 1953, com o topônimo simplificado apenas para Taiobeiras, foi instituída como cidade (sede de município), passando a ter um Prefeito e um Vice-prefeito (poder executivo) e uma Câmara de Vereadores (poder legislativo). Município é como são chamadas as menores unidades de governo do Estado Nacional brasileiro.
    Em 12 de dezembro de 2013, Taiobeiras celebra o seu 60º aniversário de emancipação.
    Hashtag: #Taiobeiras60anos
  • #Taiobeiras60anos: Uma bibliografia sobre Taiobeiras ou de taiobeirenses

    Publico aqui uma primeira leva de capas de livros escritos sobre Taiobeiras ou por taiobeirenses (outros temas)… Vamos aproveitar o aniversário de 60 anos de emancipação (12/12/2013) para melhorar a difusão da cultura escrita e melhorar o hábito de leitura! Que tal?

    Autor: Avay Miranda (História de Taiobeiras e outros temas).


    Autores: Levon Nascimento e Flaviana Costa Sena Nascimento
    (História de Taiobeiras e outros temas)

    Autora: Marileide Alves Pinheiro (Poesia – participação em antologias)

    Autor: Hermínio Miranda Costa (História de Taiobeiras em poesia)

    Autoras: Vanessa Souza e Gêissila Tatiély (Romance)

    Autor: Alex Saraiva (Estudo acadêmico)

    Autor: Lázaro Gomes (Autobiográfico)
  • #Taiobeiras60anos

    Tradicional cartão postal de Taiobeiras, a
    Igrejinha Octogonal de Nossa Senhora de Fátima.

    No site de relacionamentos Facebook foi criado o evento e compartilhado a hashtag #Taiobeiras60anos para marcar, com muito compartilhamento de fotografias históricas e troca de informações, o aniversário de 60 anos do município de Taiobeiras, que se comemora em 12 de dezembro de 2013.

    Na descrição do evento, os organizadores informam o seguinte:Celebrar no Facebook os 60 anos de emancipação de Taiobeiras/MG publicando fotografias e histórias antigas e atuais das famílias, dos eventos e da cultura de Taiobeiras. Cada pessoa publicando no seu próprio perfil no Facebook, mas utilizando a hashtag #Taiobeiras60anos”.

    Também eu, Levon Nascimento, autor deste Blog, estou organizando um livro de artigos contendo reflexões para a celebração destes 60 anos de emancipação. No entanto, o livro somente será publicado no início de 2014. O título do livro é “Sexagenarius” (literalmente 60 anos, em latim).

    Participe!

  • Taiobeiras: valer pelo quem tem ou pelo que é?

    Ser ou Ter?

    Publicado inicialmente no site de relacionamentos Facebook e transcrito paro o Blog:

    Pensa num lugar onde a pessoa vale pelo que tem e não pelo que é. Uma terra onde as aparências significam muito mais que o conteúdo. Este aqui. Sim, este aqui mesmo!

    Mesmo assim, eu teimo em querer contribuir para melhorá-lo. E não me arrependo. A cada dia, mais pessoas “acordam” e tomam consciência de que é preciso superar o “superficial” e abraçar o “perene”.

    De minha parte, assumo a missão do pequeno beija-flor que leva um pingo d’água no bico e o despeja sobre o grande incêndio na floresta, enquanto os demais animais, de braços cruzados, apenas observam irônicos. Ainda assim, o beija-flor insiste. Ele faz a sua parte na grande tarefa da vida: “só é alguém, de verdade, aquele a serviço dos outros”.

  • Análise de conjuntura para Irmãs da Divina Providência

    Estive no dia 21/11/2013 em Montes Claros/MG, a convite da Região Mineira das Irmãs da Divina Providência, sob coordenação da Irmã Maria Rita, desenvolvendo uma Análise da Conjuntura de 2013 sobre os seguintes temas: Brasil, América Latina, Igreja, Norte de Minas e Mundo no capítulo regional que estas religiosas estão realizando.

    Foi, também, uma maravilhosa oportunidade de encontrar grandes amigas: Irmã Neusa Nascimento, Irmã Letícia Rocha, Irmã Maria Eliza De Brida, Irmã Laudeci, Irmã Ilza, Irmã Nilza Cascaes, Irmã Judite e tantas outras que muito já prestaram trabalho social e cristão nesta nossa Taiobeiras e neste nosso Alto Rio Pardo.

    Fui lá dar a minha humilde contribuição e saí muito feliz pelo reencontro.

  • Artigo do Levon: Eita, mataram mais um ali

    Jovita Rego
    Artigo publicado originalmente no Jornal Folha Regional, Taiobeiras/MG, em 22 de novembro de 2013, edição número 222, ano X, página 3.


    “Eita, mataram mais um ali!”– teria exclamado a matriarca Jovita Secundina Rêgo no entardecer de 23 de setembro de 1911, quando ouvira mais um corriqueiro estampido de espingarda. Minutos depois, ela se daria conta de que aquele tiro adentrara a sala de estar e atingira certeiramente o peito de seu marido Martinho Rêgo, desfechando-lhe a vida. Martinho, líder político e homem próspero, foi o primeiro vereador eleito pelo povoado de Bom Jardim das Taiobeiras para a Câmara Municipal de Rio Pardo de Minas, visto que o distrito de Taiobeiras só passaria à jurisdição de Salinas em 7 de setembro de 1923. Aquele assassinato fora encomendado por um bandoleiro a quem Martinho havia preso e recolhido à cadeia de Rio Pardo por prática de arruaça na feira do povoado. Jurara vingança.


    Por pior que fosse aquela morte, a julgar pela frase de constatação conformada proferida por Jovita, por certo não era fato isolado e extraordinário no cotidiano do pequenino arraial de taiobas nativas e abundantes. Infelizmente, assim como também não tem sido “fatos incomuns” os muitos assassinatos cometidos em Taiobeiras pouco mais de um século depois daquele.

    A escalada da violência em Taiobeiras a partir do final de 2007, estendendo-se e ampliando-se até o momento em que escrevo este artigo, nos estertores de 2013, convoca a sociedade e as autoridades constituídas para uma reflexão mais profunda, para além da atávica propensão de tornar superficial e simplista o entendimento de um fenômeno que nos provoca e amedronta.

    Não é possível buscar soluções no topo das árvores, nas pontas dos galhos e nas folhas secas que caem. Isto seria o mesmo que começar a construir uma casa pelo telhado. Reconheço que o tema é complexo e que ninguém tem uma solução definitiva. No entanto, deve ser tratado a partir das raízes, das origens, das questões de fundo e não apenas do já deblaterados jargões de “senso comum”, segundo os quais os problemas são as “leis permissivas” associadas aos “menores impunes”.

    Defender bordões de redução da maioridade penal ou da instituição da pena de morte, somente mascaram um falsa vontade de resolver os problemas. Configura uma espécie de voluntarismo preguiçoso que se recusa a sacudir as mentes empoeiradas pela incapacidade de pensar no bem comum e em saídas humanizadas para os problemas sociais.

    É fato que a atual onda de violência encontra terreno fértil na juventude pobre, cotidianamente confrontada, humilhada e desafiada pela sociedade consumista e de ostentação. Na cara destes meninos e meninas que aderiram ao tráfico, todos os dias, lhes são aguçados os desejos mais profundos e irracionais da alma humana, tal e qual ocorre também com adolescentes e jovens das classes média e alta. A diferença é que com aqueles primeiros, geralmente excluídos das oportunidades mais básicas, inclusive da convivência familiar saudável, ainda lhes faltam os recursos financeiros para a satisfação dos desejos de consumo.

    Somam-se a isto a falência da família tradicional, a inoperância filosófica das instituições religiosas (mais ciosas de seus dogmas do que do entendimento honesto das necessidades do novo ser humano da era globalizada) e a incapacidade da educação formal (pública e sucateada ou privada e mercantil) de ser atraente e edificante na vida desses jovens.

    Em contraposição a tudo isto, traficantes e criminosos, nem sempre aqueles estereotipados com trejeitos de morros e favelas; muitas vezes bem vestidos e antenados com os valores de mercado, expandem seus negócios com uma psicologia e marketing capazes de dar inveja aos melhores estrategistas e profissionais diplomados e pós-graduados. Atuam pelas margens, estimulando “cheiros e sons”, satisfazendo as “sedes” e as “fomes” de atenção, possibilitando o “status” e a “valorização” que o Estado e a comunidade são incapazes de atender. Seduzem, compram, abduzem, dominam, incorporam, enviam, possuem.

    E a cada morte, a cada crime, a sociedade se esconde de medo. As autoridades rugem, mas nada fazem de efetivo. Debatem como reprimir. Convenientemente se esquecem de que a repressão é apenas um medicamento paliativo ou um mero placebo que é dado à comunidade em crise histérica. A culpa, então, é do menor – este “monstro” que se formou sozinho – ladrão, violento, assassino – que precisa ser tirado do convívio das pessoas “normais” e “saudáveis”. Não se questiona de onde vem esta pessoa que mata ou que morreu. Aliás, comemora-se a morte de mais um “safado” e criminoso. “Fosse boa pessoa não teria se metido nisto!” – exclamam com “justa” autoridade moral. Mas, e quando a morte atinge o “inocente”, como em muitos casos ainda não desvendados pela polícia? Quem formou este menor? Qual a sua história? O que foi feito por ele para que não se tornasse mais um? Perguntas complexas para as quais não temos respostas. Nenhum de nós. Até quando?

    Nossa resposta não pode ser simplificadora ou vazia. Não pudemos sucumbir ao senso comum do “pega, esfola e mata” ou do “prende e arrebenta”. Precisamos ir além do “Eita, mataram mais um ali” pronunciado por Jovita há mais de 100 anos em nossa Taiobeiras. É hora de nos perguntarmos: “o que podemos fazer de bom para que mais um não seja morto ali?”.

  • Preparando um novo livro para os 60 anos de Taiobeiras

    Estou preparando um novo livro, reunindo vários textos meus com uma só temática: Taiobeiras/MG. A minha pretensão é lançá-lo como parte das homenagens pelos 60 anos de emancipação da cidade, a ocorrer no próximo 12 de dezembro.

    Estou na captação de apoios financeiros. Uma grande contribuição artística já está garantida: a capa do livro será ilustrada por uma bela imagem criada pela artista plástica Elisiana Alves.

    Aguardem.