O capitalismo devorou o Natal e os religiosos de mercado aplaudiram. Só não engoliu o indigesto Menino-Crucificado que teima em nascer nesta época do ano. Nem a ele nem aos discípulos dele. Ao Menino, porque o capitalismo não suporta suas manias: a de repartir pão e peixe ao invés de vendê-los nem a de acolher igualitariamente a cada um nos banquetes que organiza. Aos discípulos dele, porque o mercado não aceita que se adore outro deus senão a divindade do regime monoteísta do capital.
Tag: Levon
-
Artigo do Levon: O aniversário do Menino-Crucificado
Publicado na edição impressa do Jornal Folha Regional, Taiobeiras (MG), ano IX, nº 192, página 4, dezembro/2011.Cada vez mais cedo, lâmpadas chinesas piscam conclamando ao grande ritual de adoração consumista. Indicam o caminho da satisfação passageira. Adornam o altar-mor do hedonismo. Obscurecem a luz verdadeira do “Sol da Justiça” que, apesar de todo agravo, insiste em permanecer irradiante no horizonte dos deserdados e dos heréticos críticos do culto cujo símbolo é o cifrão.O “bom” velhinho cinicamente cobra pelo abraço que empresta às crianças. Os sinos repicam melodias ocas, inaudíveis aos corações que anseiam por justiça e paz. Apelos são feitos em nome de uma felicidade esvaziada de propósito, nos quais o principal personagem que a proporciona é (pelo menos tentam) escamoteado e substituído por figurantes descartáveis e canastrões.Em meio à algazarra das vielas de venda e compra, nas sarjetas da história, pessoas insistem em dizer não a esta festa da morte. Elas ocupam as ruas e as avenidas reais e virtuais. Reafirmam a plenos pulmões que “santo, santo, santo” é somente um. E que este Único pode também ser chamado de “caminho, verdade e vida”. Que seu caminho não exige pagamento, mas compromisso. Que sua verdade é duradoura, não se desgastando como produto do mercado. Que sua vida é nova e plena, justa e necessária, eterna e completa para todos.Os que de fato infringem o Natal do capital postam-se do lado das causas dos pobres, defendem a vida dos inocentes e dos encarcerados nas inúmeras prisões que o tempo lhes condena; assumem a condição dos destituídos de toda dignidade. São os fortes; os que fazem de sua fraqueza material seu estofo moral e ético, sua grandeza espiritual e fraterna.Por isso, deseja-se mais do que feliz natal. Dizemos, com a ênfase dos que gritam sem auto-falante em meio ao barulho do trânsito: Feliz aniversário, Menino-Crucificado! Feliz aniversário àquele que não se deixa ser comprado! Viva o que se doa a quem o procura, por inteiro e por amor!Restam, pois, apenas duas perguntas para a celebração do aniversário ficar ainda mais completa. Quem é o Menino? Quem são seus discípulos? -
Artigo do Levon: Morde & Assopra
Pelas manhãs, ouvindo os elogios e as críticas do povo de Taiobeiras no programa “Boca no Trombone” da Rádio Norte Mais FM, – diga-se de passagem, uma excelente opção comunicativa de construção da cidadania coletiva – uma pergunta nos vem à cabeça: “Como pode que as pessoas elogiem tanto uma administração e ao mesmo tempo reclamem em igual proporção pela má-qualidade ou inexistência da prestação de alguns serviços básicos de sua responsabilidade à população?”Em especial, na área de saúde, os cidadãos ligam e pedem ajuda para tratamentos complexos ou a compra de remédios caros, reclamam da demora na marcação de consultas especializadas ou de exames, ou mesmo de um suposto mal-atendimento por parte de alguns servidores públicos, para logo em seguida se derramarem em elogios aos gestores setorializados ou os do próprio governo municipal. Os culpados, na boca do povo, são sempre os “funcionários”, os “servidores”, os “assessores”. É como se estes não tivessem chefias ou não seguissem ordens superiores. O mesmo se repete em relação a outros setores e serviços de responsabilidade da municipalidade, não ficando as reclamações restritas à área da saúde. Nem os elogios.O que seria isso? Ingenuidade? Desconhecimento do processo político? Desinformação quanto às estruturas de governo? Manipulação? Talvez tudo isso ou nada.Somos herdeiros da cultura da despolitização e do clientelismo coronelista. “O cachimbo entorta a boca”, diz o ditado. Talvez nosso povo ainda não esteja suficientemente adaptado aos novos tempos de democracia que o Brasil tenta experimentar. Despolitização, na medida em que o povo é chamado a participar da política apenas na época de votar, de balançar bandeiras e de seguir carreatas em campanha; jamais para refletir criticamente sobre as escolhas que são feitas pelo Estado e que acabam por atingir a vida da sociedade inteira. Clientelismo coronelista, quando esta mesma população despolitizada é levada a uma relação não-cidadã com seus representantes políticos, ficando órfã de regras, de cobertura legal e de direitos e deveres estabelecidos.A relação que o povo conhece – não por sua culpa somente – é de paternalismo estrutural. É como se não existisse o direito. E se não há direitos, tampouco se pode cobrar que haja consciência dos deveres. No lugar há o favor e a troca. Tudo que se consegue dos políticos é visto ou tratado como ato de benevolência ou de favor da parte deles em relação ao necessitado que os procura na hora da “precisão” (necessidade). Evidente que daí se formou uma cultura muito mais complexa, deformada e cínica, na qual os indivíduos se tornam hábeis “pedintes” (de favores pessoais) aos políticos de plantão; e estes, mesmo os com boas intenções e noção republicana, se tornam reféns da própria condição nefasta de se manter o poder. Têm que dar para receber.Na verdade, as pessoas que reclamam e elogiam, ao invés de fazer política, como deve ser e é de direito de cada cidadão, continuam perpetuando os velhos vícios que negam a sua cidadania plena. Elas mordem e assopram. Reclamam do que lhes é de direito, mas não prestado satisfatoriamente, incriminando a quem não tem o poder de lhes provocar algum dano maior (funcionários, em geral; trabalhadores como elas próprias, em busca da sobrevivência). E assopram os chefes maiores, a quem sabem que cabe a responsabilidade de fato, mas a quem ou temem a reação ou de quem esperam conseguir algo mais vultoso em tempos de eleição. As broncas no rádio, dessa forma, embora necessárias, caem na esterilidade, uma vez que as pessoas não se juntam e não se organizam comunitariamente para fazer valer aquilo de que precisam e do qual tanto reclamam. A crítica não é ao modelo do programa. A decepção é com a própria sociedade que não avança – a partir da “deixa” civilizatória dessa atração comunicativa do rádio – rumo a uma possibilidade real de crescimento nos aspectos de cidadania. Apesar de todo o exposto aqui, a esperança não se abate. Já é um bom começo botar a boca no trombone.E assim vamos, com uma cultura política deformada, assassina da cidadania, caminhando numa democracia de faz de conta, num cinismo que perpetra o Estado e a sociedade, à espera que no futuro existam homens e mulheres, na mesma sociedade e também no governo, corajosos a ponto de interromper este círculo vicioso. Cidadania plena é a que desejamos para todos.Publicado também na versão impressa do Jornal Folha Regional, Taiobeiras/MG, ano IX, nº 191, novembro/2011 e no site da Arquidiocese de Montes Claros, neste link.
-
Pronunciamento da professora Martinha no lançamento de Blogosfera dos Gerais

Martinha * Professora Matilde de Oliveira Mendes (Martinha). No lançamento do meu segundo livro, Blogosfera dos Gerais. Taiobeiras, abril de 2009.As tecnologias do mundo moderno fizeram com que as pessoas deixassem a leitura de livros de lado. Sabemos que a melhor forma de obter conhecimento é cercar-se de bons livros, pois isso possibilita que tenhamos uma visão melhor de mundo e de nós mesmos.
Saber ler e compreender o que os outros dizem nos difere dos animais irracionais, pois comer, beber e dormir até eles sabem. É a leitura que proporciona a capacidade de interpretação.Levon, ai de nós se não fossem as memórias escritas. Sabemos que a memória humana, além de falha, é curta. Daí a importância de registrar por escrito, para preservação histórica e conhecimento da posteridade, os fatos mais significativos que exercem influência no comportamento e no desenvolvimento do homem.Tempo é dinheiro e quanto mais depressa se obtiver a informação melhor. Num país onde há relativamente poucos leitores, este hábito deve ser estimulado na infância, para que o indivíduo aprenda desde pequeno que ler é algo importante e prazeroso.E você consegue colocar em seus livros “Posts” com informações objetivas e curtas que são prazerosos de ler, os “Links” em favor da vida deixam o leitor “Conectado” ao social. Eventualmente, ficaremos a conhecer o mundo e um pouco melhor de nós próprios.“Navegando” pela política percebemos a importância de estarmos bem informados para não sermos “analfabetos políticos”. É preciso estar atento, porque sem a fiscalização e a participação do povo o caminho fica livre para os maus políticos. Pois sabemos que o desinteresse da população é o que facilita a corrupção.É como diz Rubem Alves: “Ler é estimulante e o comportamento do professor no processo de motivação é fundamental”.E é bom lembrar que o todo poderoso lá em cima não tem um MSN… Mas rogo a ele que esteja on-line todo o tempo com você e sua família.Em se tratando de estar plugado na cultura e na educação posso dizer com firmeza que: VOCÊ É O CARA! MUITO SUCESSO!* Martinha, como é conhecida, é professora de Geografia nos ensinos fundamental e médio da Rede Estadual de Minas Gerais em Taiobeiras. -
Artigo do Levon: Consumo, logo sou?
O modo de produção capitalista, em sua ditadura do consumo, é pródigo em tecnologias supérfluas e descartáveis. Tudo para nos fazer sentir vontade daquilo que não necessitamos. Não há freios para a indução. Todos os dias, novidades são lançadas no mercado. O objetivo não é o bem estar da pessoa humana. A meta é, sempre e mais, o acúmulo do capital e o enriquecimento de poucos indivíduos (e de seus respectivos grupos econômicos), num mundo onde bilhões de homens, mulheres, idosos e crianças são tratados como meros fantoches em suas mãos.O discurso e a propaganda conduzem as mentes e os corações de todos, especialmente dos mais jovens, não para os verdadeiros exercícios da sabedoria e do discernimento, mas para a alienação e a cobiça. Diariamente escutamos e vemos:– “Compre!”;– “Você não pode deixar para depois, compre agora!”;– “Seja feliz, peça já para o seu pai ou a sua mãe!”;– “Você precisa!”.Será que precisamos mesmo? No capitalismo, a única coisa que interessa é que o ser humano se transforme em nada mais do que um CONSUMIDOR. Você só é gente se consumir. Consumir, eis o verbo mágico dos tempos em que vivemos. “Consumo, logo sou”, poderia se dizer, parafraseando o grande filósofo Descartes. A pessoa só é vista como gente quando se porta como uma grande compradora e devoradora de bens de consumo.
Você só é gente se consumir??? O ser humano está se reduzindo à condição parasitária como um grande produtor de reservas de lixo, fruto do consumo desenfreado, frenético e sem planejamento. A moda e os modismos nos induzem e incutem em nós o desejo irrefreável de comprar, usar e descartar. Novamente, comprar, usar e descartar. E assim por diante, comprar, usar e descartar.Está chegando o dia em que a Terra, nossa casa e nossa mãe, não aguentará tanto descarte, tanto lixo, tanta cultura de morte e tanta moda de destruição voraz.
O que é luxo para poucos se torna lixo para milhões Enquanto uns consomem muito, até aquilo de que não têm necessidade premente, outros, como nas periferias das cidades e do mundo, passam fome, frio e sofrem das mais variadas doenças, além de estarem sujeitos às intempéries climáticas resultantes da própria má-ação humana sobre o meio ambiente.Reflitamos: Que nosso consumo seja controlado e dentro do necessário para suprir a existência. Sejamos seres humanos livres. Libertos e independentes, porque há algo em nosso coração. Não mais escravos dos produtos descartáveis com os quais enfeitamos nosso corpo e nossa alma! Mais do que aparência consumista e artificial, tenhamos consistência e conteúdo interior. -
Artigo do Levon: Debate e polêmica em Taiobeiras
Independentemente do quadro político local atual (de crise na administração municipal por conta de denúncias de supostas irregularidades em licitações, veiculadas na internet e na imprensa escrita), sempre percebi e escrevi em meus artigos (republicados nos livros) que Taiobeiras tem um grande medo do “debate” e da “polêmica”. E isso não é de agora. É histórico. E ocorreu, também, em adminstrações passadas. Basta lembrar que no auge do poder de Joel, ele era defendido com a mesma paixão e reverência com que Denerval o é agora. Coitado do que se atrevesse a denunciá-lo ou a criticar suas práticas. A história se repete… como farsa e ironia.Aliás, essas duas palavras (debate e polêmica) são as responsáveis pelo progresso e pelo desenvolvimento da humanidade. Mas em Bom Jardim das Taiobeiras, “debater” e “polemizar” são vistas como baixaria ou perseguição. Um engano grave. Na verdade, quem pensa assim, quero crer, não age de má-fé. Apenas ainda não ultrapassou os umbrais da infância cultural para a vida adulta dos potenciais intelectuais e do exercício da cidadania plena.Quanto mais se avança no conhecimento e na compreensão do mundo, mais se valoriza o bom debate, a boa polêmica e a boa contradição de ideias e de posicionamentos políticos. Ao invés da noção negativa, eles passam a compor um quadro novo, e se transformam em molas propulsoras dos avanços sociais. Eu sonho com o dia em que Taiobeiras estará neste patamar.Não há – e nem pode haver – verdade única e inquestionável nas coisas estritamente humanas, como na política, na cultura e na economia. Apesar de todos os avanços de Taiobeiras nos últimos anos, há um entrave que nos atrasa. Trata-se do fato de que aqueles que possuem o poder de mando sustentam a “sua verdade”, pretendendo-a única e sufocando as demais concepções. Como nada (humanamente falando) dura para sempre, a estátua de ouro com pés de barro começou a ser derrubada. E isto é muito bom para todos, até para quem não aceita essa realidade, geralmente porque ainda não a compreendeu por inteiro.
-
Artigo do Levon: Taiobeiras e a liberdade das consciências
“Liberdade” para o povo caminhar e ser dono
do seu próprio destinoArtigo publicado na edição impressa do Jornal Folha Regional, Taiobeiras/MG, Ano IX, Nº 187, Agosto/2011, página 4.
Vou escrever este artigo em forma de tópicos para elencar os valores que, em minha opinião, deveriam compor a consciência livre de Taiobeiras.a) Ir além das aparências. O consumismo arraigado na cultura taiobeirense faz com que as pessoas se endividem em “mil” prestações, de modo que “aparentam” certo status e condição econômica que não são os verdadeiros. Busca-se muito o ter e o aparecer. Investe-se pouco no aprender novas coisas úteis e no “Ser” um alguém com consistência. É necessário avançar além dessa escravidão moral que, além de tudo, contribui para a degradação pessoal e ambiental. Cada um deve aprender a superar a cultura da aparência e do modismo fútil; e a viver com mais naturalidade e verdade as relações sociais.b) Coragem não é mico. Os conceitos de “crítica” ou de “protesto”, em Taiobeiras, são verdadeiros palavrões. Organização coletiva, então, um “bicho-de-sete-cabeças”. O “medo” de participar de algo mais questionador e, assim, desagradar ou “pagar mico” é muito grande. O normal é a apatia, o comodismo e a bajulação venial. É preciso ver o exemplo de outros lugares, cidades pequenas, médias ou grandes, onde a população se organiza, reivindica e participa. Lutar adequadamente é o que transforma o mundo e a história. O medo “do mico” reduz as pessoas a criaturas medíocres. Mediocridade não pode ser característica definidora da identidade de uma cidade que pretende ser pólo.c) Não precisamos de salvadores da pátria. Politicamente, as atitudes gerais da população ainda são muito infantis. Os políticos são vistos de forma maniqueísta. Fulano é do bem. Sicrano é do mal. O prefeito e os vereadores são nossos “pais”. Há uma atitude alienada de entregar a vida coletiva nas mãos dos políticos, sob a justificativa simplória de que “tudo depende deles e não podemos fazer nada”. Ou então… persiste a velha prática de “toma-lá (meu voto)”; “dê-cá (alguma benesse)”. De direitos reais negados, pouca gente fala. É o “cada um para si mesmo”. Há muitas coisas pelas quais se pode lutar e participar, ampliando a ação política para além dos políticos profissionais ou da dependência de apadrinhamentos.d) Questionar as informações oferecidas. Os taiobeirenses têm que fazer conta do dinheiro público. É urgente questionar as informações que os políticos deixam conhecer, principalmente referente ao valor dos investimentos e dos gastos públicos. E ir além delas, buscando as que estão sofisticadamente sob o mistério da complexidade contábil. Dizem eles: “Estamos trazendo tantos mil reis em obras”. Que se use a cabeça. Que se façam contas. Que se questione a utilidade deste e não daquele outro investimento. Que se veja se tais operações batem com os valores alegados e os de custo, a partir daquilo que se conhece, pela vivência, sobre os preços reais. Pagam-se muitos impostos. Aliás, Minas é um dos estados que mais os cobra. IPVA, por exemplo, aquele imposto sobre os automóveis, é repartido meio-a-meio com a Prefeitura. O que é feito disso?e) Ter consciência de quem se é. Não sentir vergonha de si mesmo ou do seu (pouco ou muito) saber. Não ter vergonha de viver no meio rural ou nos bairros mais afastados do centro. Não se intimidar por ter características que historicamente são vítimas de preconceito, como a cor da pele, o tipo de cabelo ou a condição social. Ter orgulho da própria origem de vida. Respeitar a história pessoal e a da família. Ocupar um lugar na sociedade a partir do que a pessoa é e não do que imagina que os outros dizem que deva ser. Participar da política pelo bem que pode prestar à sociedade. Não buscar somente para si mesmo. Avançar na noção do bem comum. Aprender, conhecer, lutar e se esforçar. Não deixar a consciência pessoal ser dominada ou manipulada por interesses aparentemente grandiosos.Taiobeiras precisa que cada cidadão e cidadã, com sua simplicidade e entendimento, participe da política, com suas histórias de vida, de sofrimentos e de vitórias; com pluralidade e ideias inovadoras, para além da cultura mercantilista, colonialista e consumista que se impôs historicamente sobre o povo e o município.Retroagir, nunca! Avançar, sempre! -
Independência do Brasil

“Aqui se vive intensamente.
Os corpos possuem a vibração vinda
da própria atmosfera” (foto: Getty Images)Releia ou leia o artigo que escrevi há um ano sobre a INDEPENDÊNCIA DO BRASIL. Clique aqui.Leia também este excelente artigo do ex-Governador de São Paulo, Cláudio Lembro (DEM).Viver a VidaNenhuma notícia na imprensa pátria. Desconhecimento absoluto. Como se nada houvesse acontecido. No entanto, ocorreu. Uma onda de suicídios de executivos varre a França.A França é o país europeu onde mais se verificam atos de morte voluntária. Todos os anos, mais de cento e sessenta mil pessoas atentam contra a própria vida. Doze mil morrem. O caso francês, com situações correlatas em outros países da União Europeia, indica uma situação social de anormalidade. A Europa encontra-se esgotada. O velho continente já não aponta para novas conquistas intelectuais ou materiais. Está em processo de fragilização. No entanto, muitos brasileiros ainda ficam extasiados quando se referem à Europa. São incapazes de perceber que o vento do novo sopra sobre a América Latina, apesar das aparências por vezes em contrário. É neste continente – exatamente o Novo Mundo – onde se realizam as grandes mudanças.Após anos de colonização direta e mental, os latino-americanos compreenderam a importância de se debruçar sobre as próprias raízes e captar a seiva que vem desta experiência. Já não há menosprezo para os autóctones. Ser descendente dos colonizadores ibéricos já não é importante. Leva-se em consideração, na atualidade, o saber viver os valores locais.Durante séculos, a História dos povos latino-americanos foi contada de acordo com a ótica do colonizador. Tudo era visto, a partir das descrições dos padres missionários. A situação mudou. Os antigos manuais utilizados nos confessionários foram postos de lado. O pesado complexo de culpa que era disseminada na sociedade foi superado.Hoje, nos trópicos e subtrópicos vive-se mais espontaneamente. De acordo com a natureza e de conformidade com valores elaborados, por aqui, no decorrer dos séculos. Os surtos de melancolia que percorrem a Europa não atingem as praias do Atlântico Sul ou do Pacífico austral. Novas formas de convivência brotaram abaixo do Equador, de maneira acentuada no Brasil. Não recebemos os acordes tristes do fado. Ficamos com os ritmos vibrantes da África. Admiramos a capoeira e a transformamos no balé das terras do Sol.Tudo isto parece mero ufanismo. Talvez seja. É incontestável, contudo, que se vive, nestas terras ensolaradas, de maneira diferente de nossos ancestrais europeus. Eles trouxeram as velhas tradições de culto aos mortos. Ergueram cemitérios grandiosos. A morte se encontrava presente em todos os aspectos do cotidiano. Nada, porém, menos presente nos costumes nacionais que a morte. Diferente de outros povos, onde o culto à morte é fundamental, os brasileiros amam a vida.Querem viver e deixar viver. A dramática onda de suicídio presente na França, dificilmente ocorreria por aqui. As pessoas contam, aqui, com tantos desafios. Estes geram otimismo espontâneo. É importante que os brasileiros, especialmente aqueles que se orgulham de suas posições acadêmicas, exponham mais sobre o Brasil e suas qualidades.São poucos os mestres que buscam na História do Brasil base para suas aulas. Gostam de mostrar erudição. Citar autores nacionais parece pouco qualificado. São os intelectualmente colonizados. Precisam se libertar das amarras com o velho continente sem vigor. A nostalgia não é sentimento presente na alma brasileira. Aqui se vive intensamente. Os corpos possuem a vibração vinda da própria atmosfera. É preciso entender as exigências de nossa sociedade sob pena de alienação.Os dramáticos suicídios disseminados entre os franceses demonstram um esgotamento de energia no espaço europeu. Vamos aproveitar a energia de nossa gente e construir novas formas de convivência. -
A guerra dos comentários
Depois de publicar, nos últimos dias, dois artigos, a saber, “Taiobeiras e o domínio das consciências” e “Taiobeiras e a liberdade das consciências“, recebi vários comentários elogiosos e alguns poucos críticos (mas com bons argumentos). Publiquei-os. Não espero apenas receber louvações pelo que escrevo. A escrita é crítica e deve ser criticada. Mas assim, como escrevo com civilidade e respeito às pessoas (mesmo não concordando, às vezes, com o que elas pensam ou praticam) e pautando-me por uma argumentação significativa, acolho os comentários que também discordem de minha visão e que apresentem argumentos em contrário. Isto é bom e me faz crescer politicamente e intelectualmente. Isto é democracia.No entanto, alguns comentários recebidos, os quais não publiquei, se pautaram pela ofensa direta, pela desqualificação de minha pessoa e ideias, e de outras ligadas a mim, pelo anonimato (sinal de falta de coragem intelectual) ou pela assinatura por pseudônimos não passíveis de existência. Este tipo de atitude é lamentável e revela o nível de pensamento de muitos que detêm relativo “poder” na sociedade taiobeirense. Realmente lamentável para nossa cidade. Mas, fazer o quê? Continuar na luta. Isso só muda com o tempo, com o avanço e o progresso da cultura e dos costumes políticos. Estou no grupo dos que lutam pelas mudanças civilizatórias em Taiobeiras, no Brasil, no mundo…O tipo de comentários que citei no parágrafo anterior chega em massa, mais ou menos da mesma forma como ocorreu na campanha eleitoral passada (2010), em que o exército de esgoto virtual comandado por José Serra (PSDB) praticou na Web toda sorte de divulgação de mentiras, ilações e falsas notícias contra a então candidata Dilma Rousseff (PT). Serra perdeu a eleição, mas os tentáculos do monstro subterrâneo que criou (baseado em racismo, xenofobia, homofobia e sexismo machista pseudo-cristão) ainda se mantêm bem vivos e atuantes. E está a pleno vapor a se preparar para as eleições de 2012. A sujeira sem rosto, que antes atuava nos becos e esquinas, desta vez também virá pelas vielas virtuais.Nada a temer. Apenas lamento que em uma cidade que se define como pólo de uma região, tais práticas de “não-díálogo” e de “não-debate” se firmem como o instrumento predileto do “fazer político”. Toda mudança significativa no conjunto da sociedade começa no interior de nossas motivações mais íntimas.
-
Artigo do Levon: Taiobeiras e o domínio das consciências

Nova bandeira de Taiobeiras, outorgada nesta “nova era”
de domínio das consciências pela propagandaArtigo publicado na edição impressa do Jornal FOLHA REGIONAL, Taiobeiras (Norte de Minas Gerais), n. 186, ano IX, página 3, 20 de agosto de 2011.A eleição de Denerval Germano da Cruz (PSDB) para prefeito de Taiobeiras em 2004 e a consequente posse de seu grupo na Prefeitura em janeiro de 2005, abriram um precedente antropológico “divisor de águas” na história política municipal. Num município de forte inspiração pequeno-burguesa, porém com um déficit de cultura geral e de memória histórica muito alto, tal evento, comum na democracia, assinalou o advento da dominação por propaganda em nossas práticas sociais.
Informar que o prefeito e seu grupo têm um plano de trabalho, que o realizam com pertinaz controle e dedicação, que avançam em alguns campos da institucionalização das ações do município é importante e complementar, mas não abarca toda a explicação para a manutenção quase inabalada desse poder sobre as consciências pelos últimos seis anos e meio.A questão está na memória. O grosso da população de Taiobeiras, especialmente a classe média empregada, apesar de desejosa e ardorosa consumidora dos bens do capitalismo, nunca se preocupou muito com a formação da memória histórica e do conhecimento mais profundo dos fenômenos que constituem a engrenagem social. Isto se explica no baixo número de taiobeirenses nativos que possuem alguma produção literária, poética ou artística. Um contraste com a vizinha Salinas e, até mesmo, com municípios menores, onde os pendores intelectuais se manifestam com maior relevância. É vítima fácil da informação construída com propósitos particularistas. Em outras palavras, a história taiobeirense, a partir da chegada dos tucanos ao poder, tem sido contada da forma que interessa ao seu grupo, de maneira massificadora e mítica, sobretudo através dos meios de comunicação que o poder público dispõe ou influencia, sem sofrer qualquer resistência partidária, social, religiosa ou cultural. Nem mesmo dos anciãos que construíram Taiobeiras até a data de sua posse, acariciados por comendas e boa prosa. Um fenômeno! Um mérito de sua liderança (que ficará para a história)! Mas, um desastre para o desenvolvimento da cidadania livre!O grupo que foi instalado no poder pelo voto popular e se reelegeu em 2008, teve a capacidade organizacional de, sem maiores percalços pelo caminho, contar e recontar suas “verdades”, de formas variadas, sem questionamento crítico relevante. Presença nos microfones das rádios locais, instrumentalização das publicações jornalísticas, exceto a Folha Regional, publicação do Boletim Mãos à Obra, massificação nos eventos sociais e religiosos, deram aos jovens e, também a outras faixas etárias, a noção mental cristalizada de que todas as conquistas relevantes alcançadas pela “nossa gente” taiobeirense ocorreram a partir de sua chegada ao controle da Prefeitura.O processo de composição da “verdade única” é tão sofisticado, e ampliado pelas debilidades educacionais dos cidadãos em geral, que pode, em menor escala (óbvio) ser comparado à propaganda dos regimes totalitários europeus do entreguerras (1918-1939). A atitude acrítica ante a tal estado de “derrame” de informações “tratadas” é tanto que, a maioria nem questiona quando alguma notícia é requentada por várias vezes no boletim da municipalidade. Um exemplo: a nota de que a Unimontes estudava a implantação de um campus em Taiobeiras foi noticiada bem umas três ou quatro vezes em tal informativo, sempre que uma visita de autoridade ou cerimônia pública fosse realizada. Resultou na criação de uma expectativa até então irrealizada, mas sem nenhum questionamento maior por parte da população. Se se perguntar a qualquer um sobre isto, bem provável que dirá que confia que o prefeito trará tal obra a qualquer momento, ainda que já se tenham passado cerca de quatro ou cinco anos desde que a informação foi manifestada pela primeira vez. E vários outros fatos podem ilustrar ainda mais esta afirmativa. Um deles, a publicação de que “logo-logo” o novo fórum teria suas obras de instalação iniciadas… Não se questiona aqui se houve problemas burocráticos que impediram a realização de tais investimentos públicos no município (Unimontes e novo fórum). O foco está na maneira com que a informação é dosada, tratada, apresentada a conta-gotas e repetida à exaustão, transformando-se numa verdade, mesmo que não seja.A tática do grupo no poder não é ilegal. Faz parte do jogo político. E o tem jogado com excelência. Chega ser invejável perante aos olhos dos admiradores de Maquiavel e de Sun Tzu. O estranhamento é quanto à falta de reação de mentes intelectualizadas contra tal estado de dominação. Qualquer pessoa com senso crítico minimamente apurado entenderá que isto não é bom para a formação da democracia nem para o progresso futuro da sociedade. Sociedade nenhuma, em que seus membros são amestrados pelas forças que comandam o Estado, alcança sucesso e desenvolvimento no longo prazo. Estranha-se que, mesmo entre as mentes intelectualizadas que votaram e concordam com as práticas de gestão do atual grupo no poder, não haja quem reflita criticamente sobre tal ordenamento de manipulação cultural e social. Não é preciso ser oposição para questionar. Ter senso crítico é papel de todo cidadão.Pergunta-se: haverá, de fato, mentes intelectualizadas em número significativo? Se existem, por que se calam? Antes de janeiro de 2005, Taiobeiras não teria uma história, apesar de todos os problemas de ordem política, econômica e social (que ainda persistem, porém mascarados), que não fosse digna de resgate e reverência? A história será contada pelas atitudes de todos os atores sociais, de colorações ideológicas, partidárias e culturais diversas ou deixar-se-á que o marketing a serviço de uns poucos a recrie e a reporte conforme interesses que não são os da maioria? Quando serão libertadas as consciências pessoais do domínio de quaisquer grupos de poder? -
2ª Conferência de políticas públicas para a juventude de Taiobeiras
Ocorrida na sexta-feira passada, 12 de agosto de 2011, a 2ª Conferência de Políticas Públicas para a Juventude, Etapa Municipal de Taiobeiras, discutiu temas relativos aos direitos dos jovens e celebrou a memória das conquistas legais e concretas da juventude taiobeirense e brasileira nos últimos anos. Além disso, em vários grupos temáticos, jovens e adultos interessados nas políticas públicas para esta faixa etária (16 a 29 anos de idade) levantaram problemáticas e propostas de soluções para serem enviadas às etapas estadual e nacional das conferências de juventude.
Grupo temático “Direito de se associar” O titular deste blog participou integralmente do evento, que foi organizado pelo COMJUVE (Conselho Municipal da Juventude) de Taiobeiras na sede do CRAS (antigo Clube Social) e coordenou as reflexões do grupo temático “Direito de se associar”.
Parabéns aos organizadores e o desejo de que as propostas sejam, de fato, implementadas, para melhorar a vida de nossos jovens.
O crédito das fotografias é da Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Taiobeiras.
-
Literatura de Cordel em tempos de neonazismo

Diversidade brasileira Em tempos de neonazismos exaltados na Europa, nos EUA e até por aqui, nada como recomendar a leitura daquilo que identifica nossa alma cabocla, sertaneja, miscigenada e brasileira. Recomendo Cordel para todos aqueles que não compactuam com as loucuras de nosso tempo, como as daquele norueguês xenófobo, ou dos dementes que atacam seres humanos nas ruas de São Paulo, ou de qualquer outro lugar do mundo, só porque estes pensam, se originam ou agem de forma diferente da sua.
Viva a diversidade do Povo Brasileiro!Como já disse noutro post, reencontrei-me com o Cordel no alto do morro do Bom Jesus da Lapa (BA). Eis aí mais alguns títulos que merecem ser apreciados, todos publicados pela Editora Luzeiro.
1. A Princesa do Reino da Pedra Fina, de Manoel Pereira Sobrinho;
2. A Princesa Anabela e o Filho do Lenhador, de Severino Borges da Silva.
Ler boa literatura abre nossas mentes para realidades novas, permite que abrandemos nossas intransigências, alarga nossa visão de mundo, faz superar nossas intolerâncias ao novo e ao diferente e sensibiliza nosso coração para ações de solidariedade e respeito.
-
Oração ao Bom Jesus e à Mãe Aparecida em tempos de neonazismo
Especialmente nestes dias em que assistimos à barbárie de extrema-direita na Noruega, ecoando os neo-racismos, neofascismos, Tea Party e neonazismos em toda a Europa, nos EUA e nos setores elitizados e extremistas religiosos das grandes metrópoles brasileiras, elevamos nossas preces aos grandes símbolos da mistura, da miscigenação e da fé simples, autêntica e bela do Povo Brasileiro.

Imagem do Bom Jesus
entronizada no altar da Lapa (BA)Pedimos ao bom Jesus da Lapa que, de sua cruz gloriosa, sinal de que os vencidos vencem os fortes e poderosos, entronizado em sua gruta de pedra entre os pobres do sertão nordestino, às margens do Velho Chico, que venha despertar em nós a sensibilidade para viver o que está escrito no seu Evangelho de amor. Não julgar. Não matar. Não roubar. Repartir. Socorrer. Perdoar. Libertar. Multiplicar o pão. Reunir. Conviver. Eis os valores que o bom Jesus nos ensina. Queremos aprendê-los e vivê-los neste mundo incerto e inseguro. Caminha conosco, bom Jesus!

Imagem de N. Sra. Aparecida
entronizadanuma das grutas
de Bom Jesus da Lapa (BA)Pedimos à mãe Aparecida, que traz estampada em seu rosto a cor dos explorados nesta história do Brasil e do mundo, que nos ensine a respeitar e a conviver com todas as etnias e culturas, com os gêneros e as crenças, sem nos considerarmos melhores ou piores, mas iguais. Que ela nos guie, terna e carinhosamente, pelos caminhos da tolerância, do respeito fraterno, da caridade ecumência e da comunhão solidária. Que nos ajude a seguir os passos de seu Filho, o bom Jesus, sempre, aqui, agora e pelo futuro que há de vir com esperança. Rogai por nós, santa mãe do bom Jesus!
Amém.
Para entender a preocupação demonstrada nesta oração, leia aqui.
-
Orgulho de ser BRASILEIRO: Viva a "disfuncionalidade" do Brasil! (Divulgue)

Operários, Tarsilda do Amaral
(diversidade de raças enriqueceu o Brasil)Por Brizola Neto, no Tijolaço, via EscrivinhadorO assassino em massa norueguês Anders Behring Breivik cita o Brasil, no manifesto racista que divulgou na internet, como um exemplo do que a “mistura de raças”“por causa da revolução marxista brasileira”, o Brasil teria se tornado uma mistura de raças o que se mostrou uma “catástrofe” para o país que é “de segundo mundo” produz em uma nação. Segundo sua mente transtornada pelo ódio, seríamos assim com um baixo nível de coesão social. Os resultados seriam os altos níveis de corrupção, baixa produtividade e conflitos entre as diferentes culturas”.Breivik é um doente, mas a forma que sua doença assume é moldada por um caldo de cultura que existe aqui também, embora nem todos os que pensam como ele vão sair fuzilando dezenas de jovens. Mas ele existe e tem muita gente que está mergulhada nele e, mesmo sem verbalizar ou escrever isso, acha que o Brasil negro, mestiço, cafuzo, mulato, é a praga e o atraso deste país. Cheios de dedos, para não explicitar seu racismo social, o que eram os que reclamavam daquela “gente diferenciada” que uma estação do Metrô traria a Higienópolis? Mas deles a gente está cansado de falar.Nós também temos culpa nisso. Porque paramos de celebrar, por nos agarrarmos – usando a expressão do próprio terrorista, em seu manifesto – à idéia de tribo, de grupo fechado por alguma razão: etnia, gênero, ideologia, a riqueza da diversidade. A maior perversidade da discriminação é essa: a de nos cegar para vermos a riqueza de nossa igualdade humana.Estamos, com razão e por dever, tão presos a afirmar os direitos de grupos – e todos eles os têm e são invioláveis – que descuidamos de proclamar a maravilha de nossa grande – por que não assumir a palavra – disfuncionalidade. Porque o ser humano não é uma função. Não é uma peça, um produto, algo feito em série, para cumprir um papel.O milagre do povo brasileiro não é apenas respeitar a diversidade, mas ter forjado nela uma unidade nessa tão rica e una diferença.Disfuncional, para aquele lunático terrorista. Desprezível, para nossas elites, que nos consideram, por isso, inferiores, embora não tenham mais coragem de afirma-lo com todas as letras, o que não os impede de colocar cercas eletrificadas, insulfilme e, sobretudo, de aderir e aplaudir a ideia de que este país seja de todo o seu povo.Que falta nos faz um Darcy Ribeiro agora – e como nossa intelectualidade se empobreceu por não os produzir às centenas – que proclame nossa miscigenação como virtude e avanço, e não esqueça dela porque tenha medo de dizer que ela é boa, porque soma todos os que somos iguais: negros, brancos, amarelos, índios e até nossos noruegueses. Como debocharam da ideia generosa do “socialismo moreno” que ele, Darcy, e Leonel Brizola, apregoaram diante de seus narizes torcidos, tentando dizer que, numa sociedade justa, aberta e igualitária, todos nós em algumas gerações, seríamos da mesma cor, feita de todas as cores. Como zombaram da ideia de uma “civilização dos trópicos”, por acharem boa, mesmo, aquelas frias e funcionais, que produzem desvios assim. E não é de hoje, vide as barbaridades coloniais, depois o nazismo e estes seus filhos tardios.Não temos de ser funcionais, o que nada tem a ver com não sermos racionais. Um país, como ser humano, vive em busca da felicidade. E felicidade é um estado de alegria coletiva, de aceitação, do que o Frei Leonardo Boff dizia ser a festa, onde as pessoas dizem sim a todas as coisas. É, porque a gente precisa entender e sentir que o não só tem sentido, quando se nega o sim para alguém. Nós não temos ódio, mas não descuidamos de lutar pelo direito – e o dever – de amar.É isso: só o que temos contra nossas elites é não aceitar que o povão seja gente. É não entender o verso do Tom que diz que é impossível ser feliz sozinho. O Rolex e a futilidade a gente aceita e tolera. E ainda pergunta que horas são.Leia outros textos de Outras Palavras -
Chegando agora do 11º Encontrão das CEBs de Taiobeiras…

Povo das CEBs no 11º Encontrão de Taiobeiras Chegando agora do 11º Encontrão das CEBs de Taiobeiras (MG). Muita gente! Centro Comunitário Paroquial lotado! Muitas pessoas vindas de todas as comunidades urbanas e rurais de Taiobeiras e, também, de municípios vizinhos, além da sede da Arquidiocese, Montes Claros (MG). Presenças de Sônia Gomes, da Coordenação Arquidiocesana de CEBs e do Padre Adilson, Coordenador Arquidiocesano de Pastoral. Engajamento também dos padres e das irmãs (freiras) da Paróquia São Sebastião de Taiobeiras.

Grupo Teatral Pirraça na Praça, de Fruta de Leite (MG)
no 11º Encontrão das CEBs de TaiobeirasDestaques especiais para a apresentação do Grupo Teatral Pirraça na Praça, da cidade de Fruta de Leite (MG) e do missionário da Comissão Pastoral da Terra arquidiocesana, Alvimar. O pessoal do teatro tratou com muita irreverência e profissionalismo das questões de reciclagem do lixo e de preservação do Meio Ambiente. Já Alvimar alertou sobre os riscos da atividade mineradora que está por se instalar no Alto Rio Pardo, bem como conclamou as comunidades a se unirem, se informarem e atuarem mais de perto junto às empresas de mineração e às esferas de governo.
Muito proveitoso o 11º Encontrão. A realidade não foi esquecida. A esperança e a fé foram amplamente celebradas com alegria e dinamismo. Exemplos de testemunho cristão e de exercício da justa cidadania!
Veja mais, ainda…
1. A situação das CEBs de Taiobeiras;
2. 11º Encontrão das CEBs de Taiobeiras;
3. Testemunhas do Reino de Deus. -
A situação das CEBs de Taiobeiras

Foto do 3º Encontrão das CEBs de Taiobeiras, em 1999 Está acontecendo neste domingo, 24 de julho de 2011, a 11ª edição do Encontrão das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) da Paróquia São Sebastião de Taiobeiras, partindo da Comunidade Cristo Rei, no bairro Nossa Senhora de Fátima, em caminhada até o Centro Comunitário Paroquial, no bairro Santo Cruzeiro.As CEBs ou comunidades de base, são a forma de organização da Igreja e da sociedade (especialmente das camadas populares) encontradas e assumidas em toda a América Latina a partir do Concílio Vaticano II (década de 60 do século XX). Elas se estruturam em pequenos grupos de reflexão e de ação que trabalham utilizando a metodologia Ver-Julgar-e-Agir, unindo a fé cristã à prática do cotidiano social. Lutam por uma sociedade nova, amparada nos conceitos cristãos de justiça, solidariedade e igualdade. Tentam imitar Jesus Cristo em sua evangélica opção preferencial pelos pobres e oprimidos.Em Taiobeiras, as CEBs começaram a ser articuladas em meados dos anos 80 do século XX, atingindo seu apogeu no final da década de 1990, com grande empenho dos leigos engajados, das Irmãs da Divina Providência e dos Frades Franciscanos. Atualmente, ainda muito atuantes, as CEBs taiobeirenses sofrem a cooptação política e ideológica de parte de suas lideranças por agentes das forças políticas direitistas que passaram a comandar o município a partir de 2005.Mesmo assim, a realização dos Encontrões, com todas as comunidades enviando representantes, é sinal de revitalização constante do ideal, da fé e da luta das CEBs.Oxalá, as CEBs reencontrem o caminho da independência, da fé que produz frutos e do entusiamo e esperança que levam ao mundo novo, baseado no amor e na justiça que emanam do Reino de Deus! -
Artigo do Levon: Doces ilusões

Levon em palestra para estudantes * Levon do Nascimento, Professor de História e titular deste Blog. Publicado na edição impressa número 185, Ano IX, do Jornal Folha Regional, de Taiobeiras (MG), julho de 2011, página 10.Vivemos uma época mundial de hipercapitalismo. Em fase terminal, é verdade (vide crise financeira de 2008, ainda não resolvida nos EUA e na Europa). Tudo virou negócio e pode ser comercializado. O consumo é a regra. A satisfação hedonista do “eu” é o paraíso ou o nirvana a ser alcançado. As pessoas, assim como os produtos, tornam-se descartáveis. As relações humanas – familiares, inclusive – são quantificáveis no valor da cotação das moedas correntes nas bolsas de apostas do deus-Mercado. A Deus nada, a César tudo, especialmente nas igrejas e demais grupos religiosos. A ética, a moral e a fé se ajustam conforme as necessidades de posse dos bens tangíveis e dos burocratas ou dos hierarcas de plantão. Importa ter (possuir), poder (mandar) e satisfazer-se (prazer). Um cenário dantesco (infernal), depredador e deformado; agradavelmente maquiado, perfumado e bem-vestido com as melhores marcas de cosméticos e de confecções que a publicidade ilusória e inescrupulosa consegue forjar. Eis um retrato amargo de nosso tempo. Os calçados de marca desta era impedem que se vejam as pegadas de patas animalescas adquiridas nesta involução a que a humanidade se lançou.O planeta em crise climática. As energias, liberadas pelo descuido humano, destroem os biomas e ameaçam desalojar o próprio ser humano (vide caso da usina nuclear de Fukushima, no Japão). O aquecimento global é uma realidade que se nos impõe avassaladoramente. Tempestades destroem cidades inteiras, inundando e soterrando, especialmente as áreas onde moram os mais pobres e despossuídos para o deus-Mercado. As forças do capital financeiro se sobrepõem aos interesses das “democracias”. Aliás, democracias, será que existem?As intolerâncias e os ódios humanos se manifestam como se a civilização e os seus recursos tecnológicos e culturais ainda não tivessem sido alcançados. O desprezo com a vida, o elogio à violência, a admiração por agressores e corruptores, o desamor pelo próximo (especialmente o mais humilhado: o menor, a mulher, o negro, o índio, o deficiente, o homossexual, o mendigo) e o desapreço aos valores de bondade, respeito, solidariedade, honestidade e honra se manifestam a cada dia com mais força. Incrível, esquisito e lastimável como muitos grupos religiosos cristãos, depois de um tempo primaveril glorioso de amparo aos que sofrem, voltam a se fechar e a vomitar preconceitos, pusilanimidade e desprezo para com aqueles a quem a sociedade já havia tratado de humilhar. Fazem isto em nome de Deus. Na verdade, servem mais ao deus-Capital, a face visível do verdadeiro inimigo da divindade cristã.Resta aos que desejam um mundo mais à esquerda (solidário, igual, justo) das fórmulas à “direita” que construíram tais cenários de terror, lutar até o último fôlego contra toda essa catarse de coisas ilusórias, doces na aparência, amargas na essência. Para quem, em vez “do ter, do poder e do prazer”, busca um novo paradigma civilizatório, baseado no amor e no conteúdo, “no ser, no servir e no sentir”, contrariando as aparências esguias, produzidas pelos estúdios de conteúdo oco e perecível, abrem-se as portas da consciência cidadã universalista, da fé inteligente e ecumênica, e da razão lógica que se coloca a serviço das necessidades humanas e do planeta.Não se assuste o leitor ou leitora deste artigo com as constatações monstruosas dos três primeiros parágrafos. Saiba que há muitos homens e mulheres, de todas as idades e raças, de várias condições sociais e credos, trabalhando sem parar, a fim de que um novo tempo, melhor e mais justo, seja possível e concreto em nossas vidas. Liberte-se da cegueira ilusória do deus-Mercado. Junte-se àqueles que acreditam na proposta do “caminho, da verdade e da vida”. -
Os temas mais importantes da semana
Greve dos Professores da Rede Estadual de Minas Gerais contra o “desmonte” da Escola Pública Mineira levado a efeito pelos Governos tucanos de Aécio Neves e Antônio Anastasia. Leia mais sobre isto, clicando nos seguintes links:2º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas em Brasília (DF), ajudando a combater a ditadura da mídia no Brasil.Boa semana a todos. Muita leitura, também. Que cresçamos bastante em nossa cidadania! -
Entrevista com Carlito Arruda: "Não sou situação nem oposição, me considero uma opção"

Carlito Pereira Costa Há cerca de um mês e meio participei de uma longa conversa com o empresário Carlito Pereira Costa, ou melhor, Carlito Arruda, como se tornou conhecido o jovem militante da Renovação Carismática Católica, proprietário de uma das empresas taiobeirenses que mais cresceu e alcançou reconhecimento na última década: a indústria e o comércio de produtos alimentícios Arruda. O diálogo se transformou em entrevista, a qual publico aqui no blog.Conheço Carlito há bastante tempo. Para ser mais preciso, desde 1994, quando participamos de um retiro espiritual da Pastoral da Juventude (PJ) de Taiobeiras. Para quem conhece as questões internas da Igreja Católica no Brasil, sabe que as linhas pastorais ligadas às CEB’s, como é o caso da PJ e os movimentos de caráter mais voltado ao pentecostalismo, como a RCC, enfrentaram grandes questionamentos e crises, sobretudo no final dos anos 90. Conosco não poderia ter sido diferente. Mas, creio eu, sempre nos respeitamos em nossas identidades eclesiais específicas. Recentemente, atuamos juntos na comissão que preparou, organizou e dirigiu os trabalhos do 1º Concílio Paroquial de Taiobeiras, em 2007. Acredito que ali, num grande momento de definição dos rumos do catolicismo taiobeirense, contribuímos de maneira muito efetiva para a mesma causa.
Politicamente, estivemos juntos nas eleições municipais de 1996 e 2000. Em campos opostos em 2004 e 2008. No entanto, nunca deixamos de nos falar francamente sobre este tema, mesmo nos momentos em que não estivemos do mesmo lado.
A impressão pessoal que tenho é a de que Carlito é bastante pragmático em tudo que faz. Calcula, planeja e executa. Parece nunca descansar. Bastante rigoroso com quem comanda e consigo mesmo. No entanto, sua disciplina não é maquiavélica. Não faz tudo o que está ao alcance para conseguir o que deseja. Pelo contrário, sua obstinação se ampara na rigidez com que aderiu aos valores do cristianismo.
Muitos o criticam pelo excesso de religiosidade. Outros, admiram. Como já disse anteriormente, posso ter discordâncias de linha pastoral com ele, e até mesmo de algumas concepções sociais e políticas, no entanto, reconheço e ressalto que sua adesão a Jesus Cristo e ao Projeto do Evangelho constitui a essência de sua pessoa. E isto é um valor e, também, uma garantia. Guiado por sua palavra, e também pela prática, quero crer – e tenho alguns motivos para tal – que Carlito, em matéria política ou social, não abrirá mão de seus princípios éticos, justamente por conta da fé cristã que cultiva.
O fato é que Carlito, como militante católico ou empresário, já é bastante conhecido. A realidade nova que se apresenta é que ele agora está cada vez mais se colocando como ator no grande palco da realidade política municipal. Seu nome despontou entre aqueles a quem as pessoas indicam como pré-candidato a Prefeito de Taiobeiras. Creio que ele ainda precisa construir uma identidade política própria. Qual é o projeto político que defende? Mas, pela conversa, sinto que está obstinado no propósito desta construção.
Acredito que a democracia se faz com informação. Quanto mais se sabe, melhor se decide. As ideias têm de fluir livremente para o conhecimento, o debate, a reparação e o enriquecimento coletivos. Sempre repito no que falo ou no que escrevo que Taiobeiras necessita de espaços e de liberdade amplos para as ideias florescerem e se apresentarem ao público. Carlito, neste momento, é ator-personagem social-político que desponta neste alvorecer histórico de Taiobeiras. Sua palavra, assim como a dos demais pré-candidatos – e também de todos os cidadãos – merece ser ouvida, levada em consideração, debatida e acrescida de contribuições.
Evidentemente que Carlito não se apresenta como candidato. Estamos há mais de um ano de distância das eleições municipais. Nem nós como eleitores. Somos todos, neste instante, cidadãos dispostos ao diálogo. Então, caro leitor deste blog, fique com a entrevista com Carlito Arruda. Usufrua dela, pense, comente, reflita. Vale bastante conhecê-lo cada vez mais e melhor. Leia a entrevista no post aqui abaixo…
-
Entrevista com Carlito Arruda

Carlito Arruda “Não sou situação nem oposição, me considero, juntamente com alguns amigos, uma opção”
LEVON: O senhor é egresso do grupo político que atualmente comanda a Prefeitura de Taiobeiras. Sua participação no processo eleitoral de 2010 pode ser lida como um rompimento com este grupo?CARLITO: Não digo que foi um rompimento definitivo com o “Grupo” como um todo, talvez com algumas lideranças. Muitas vezes os pensamentos que divergem dos da direção dada pela liderança, de qualquer seguimento, tanto político, como associativista, e até mesmo religioso, na maioria das vezes não são bem vindos e até mesmo mal interpretados. Muitos líderes negam o direito ao “contraditório” a seus liderados. No entanto, tenho muitos amigos dentro deste grupo a que você se refere, a final de contas foram quatro campanhas para prefeito e várias outras para deputado.LEVON: Há um projeto mais amplo por trás da sua presença nas eleições de 2010? Este projeto tem a ver co m as eleições de 2012?CARLITO: Todo movimento político eleitoral sempre tem algum tipo de envolvimento futuro, tendo em vista que, na política, na maioria das vezes, o presente sempre é retroalimentado pelo passado. Estaremos preparados para ser uma nova opção para o povo de nosso município.LEVON: Como o senhor descreve o quadro político taiobeirense (situação, oposição, outra opção política, sociedade civil) na atualidade?CARLITO: Vejo que a atual administração fez um bom trabalho, soube aproveitar o momento político do país e do estado, tendo em vista que o presidente Lula queria fazer sua sucessora, como de fato a fez; e o Aécio queria, além de viabilizar sua candidatura à presidência da República, também eleger seu sucessor, como também o fez. Com esta conjuntura houve muitas oportunidades para todas as prefeituras do estado de Minas Gerais. Quanto às questões políticas, vejo que tanto situação como oposição não se preocuparam muito em preparar seus quadros para a disputa de 2012. A situação acha que com os altos índices de aprovação elegerá o sucessor, porém encontra dificuldades em escolher um nome do “grupo” que seja consenso e tenha liderança suficiente para levantar uma campanha vitoriosa. Além disso, os números da eleição de deputado demonstraram que transformar aprovação em voto não é tão fácil. Particularmente, acho que o “grupo” tem bons nomes, mas que qualquer um que for indicado terá de ser arrastado pelo prefeito, assim como fizeram Lula e Aécio. No entanto, numa realidade municipal as chances de isso dar certo são menores, pois além da máquina municipal não ser tão poderosa como a federal e estadual, existem muitas particularidades, tais como: amizade; famílias; grupos da sociedade civil, dentre outras. Já a oposição ligada ao ex-prefeito Joel, depois de sete anos de poder da situação, além dos fatos ocorridos com suas grandes lideranças na última eleição para prefeito, ficou desarticulada. No entanto, ainda tem a opção de ter o próprio Joel como candidato. Já no meu caso não sou situação nem oposição, me considero, juntamente com alguns amigos, uma opção. Uma nova opção política para nossa cidade, com novos pensamentos progressistas e desenvolvimentistas, e tenho certeza que iremos dar uma grande contribuição para nosso município, principalmente em promover uma discussão ampla do melhor modelo de desenvolvimento sustentável, de modo a aliar crescimento econômico, social e meio ambiente.LEVON: Na sua opinião, há algum setor social que está fora ou sub-representado na política de Taiobeiras e que poderia ser integrado e ter melhor participação?CARLITO: Tenho a convicção de que quando um grupo político chega ao poder ele não pode esquecer-se de dois problemas básicos, que acho serem as duas maiores tentações políticas. O primeiro é o de achar que são “proprietários do poder e dos recursos”, esquecendo-se de que foi eleito para estar à frente e não para ser “dono”. Devido a este pensamento vemos muitas distorções, dentre elas, posso citar: projetos sendo implementados sem a devida discussão pública; o uso dos recursos públicos como se fossem particulares e muitas vezes com o mau uso dos mesmos, em algumas situações até de apropriações indébitas; e a pior de todas, penso eu, a imposição vertical de suas idéias. O segundo problema está intrinsecamente ligado ao primeiro. É o fato de alguns governantes esquecerem que foram eleitos para “governar para todos” e não apenas para um grupo de pessoas, dando ênfase aos seus eleitores. Nesta situação se aplica uma máxima política, onde para os amigos “os benefícios” e para os inimigos “o rigor da lei”; e assim se vê a oposição, em quase todo país, ser massacrada durante um governo, principalmente quando se trata de casos de reeleição. Desta forma, respondendo sua pergunta, vejo que todos os grupos e movimentos que não participaram ativamente do processo eleitoral e que não estão totalmente em acordo com as “regras” de quem esta no poder ficam à margem das grandes discussões pertinentes a assuntos relevantes do município.LEVON: Quais os principais problemas sociais de Taiobeiras que necessitam de políticas públicas mais efetivas?CARLITO: A criminalidade envolvendo crianças, adolescentes e jovens em situação de risco social. É público e notório a falta de políticas públicas eficientes que visem combater o uso de crianças e adolescentes como ferramenta de trabalho dos traficantes e marginais, e que amparadas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente ficam sem a devida punição, aumentando assim a reincidência. Recentemente, alguns diretores da Associação Comercial e Industrial de Taiobeiras (ACIT), da qual sou presidente, reuniram-se com o promotor Bruno, no Ministério Público, onde conversaram sobre a viabilidade da construção de um centro de abrigamento do menor infrator, visando criar condições de tirar das ruas os menores infratores por até 45 dias, dando a eles condições para se livrarem do mundo da criminalidade, uma vez que os mesmos assim teriam acompanhamento de profissionais da psicologia, da pedagogia, da assistência social, dentre outras especialidades. Para a concretização deste projeto terá de haver um grande envolvimento de todos os seguimentos de nossa sociedade. Acredito, também, que devemos ter um trabalho voltado para a reestruturação familiar, combatendo o vício do álcool nas famílias.LEVON: Campanhas eleitorais taiobeirenses têm a fama de serem muito caras, dispendiosas e insanas; providas de muito marketing e de pouco espaço para o debate de ideias. Em sua opinião, como fazer para superar este modelo?CARLITO: Primeiramente, teremos que fazer valer a legislação eleitoral para combater este gasto excessivo, que, se caracterizado abuso de poder econômico, é crime eleitoral. Teremos de criar condições para mobilizar toda a população na discussão do modelo de desenvolvimento sustentável que queremos ter a partir de 2013. Temos aí muitas questões a serem trabalhadas, dentre elas: a mineração na região, um plano de desenvolvimento econômico sustentável, um plano de ampliação do comércio e da indústria de transformação em nosso município – uma vez que estamos nos consolidando como pólo regional –, um modelo de saúde pública para nossos munícipes, projetos para inclusão social dos jovens e um modelo de políticas públicas para o esporte, dentre outras.LEVON: Há ainda um contingente de taiobeirenses que não usufrui de todos os benefícios econômicos, sociais e políticos que o município tem alcançado nos últimos anos. Como incluir estas pessoas?CARLITO: Inclusão social e econômica se faz com educação. Neste sentido penso que temos que ampliar nossa capacidade de investimento nesta área. Gostaria de compartilhar uma experiência que tenho em minha empresa, onde temos implantado, e funcionando já por seis anos, um projeto social chamado “bolsa faculdade”, onde financiamos em até 50% da mensalidade da faculdade, além de flexibilizar o horário de trabalho, de modo que o colaborador possa conciliar trabalho e estudo. Este projeto já beneficiou mais de 20% dos funcionários de nosso grupo. Aumentando a riqueza intelectual de um povo, consequentemente aumentamos a riqueza econômica e, com esta, a inclusão social.LEVON: Com 57 anos de emancipação, qual a vocação de Taiobeiras para o futuro?CARLITO: O povo de Taiobeiras tem uma vocação nata, que é vocação empreendedora, desde décadas atrás, e hoje mais ainda, temos registros de muitos conterrâneos que se destacaram (e se destacam) em seus empreendimentos; e com isso somos vistos pelas cidades vizinhas como uma cidade onde o desenvolvimento acontece de forma rápida e organizada. Por isso, creio que continuaremos a crescer e a ocupar cada vez mais um lugar de destaque na liderança regional. Teremos cada vez mais um comércio forte, com nossas empresas exercendo influência em toda a região do Alto Rio Pardo, sendo fomentadoras de desenvolvimento e de progresso. No seguimento político, vejo um povo que atingiu um nível de amadurecimento bem acima do restante das cidades da nossa região, onde cada vez mais os administradores terão que atuar com competência e eficiência na gestão do nosso município.





