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  • Célia Egídio

    Célia Egídio

    Alguns poderiam, em tom de desaprovação, chamá-la de “irreverente”. No entanto, não me agrada esse adjetivo, cujo antônimo implicaria prestar reverência, curvar-se em rapapés e riquififes, entregar-se a veleidades e puxassaquismos ou sucumbir à subserviência e à submissão. Mas, seria Célia Egídio reverente? É justamente em se opor a essa mediocridade que reside o seu valor.

    Célia Egídio, a educadora de Rio Pardo de Minas, vai muito além da irreverência; ela é inteligente, dotada de uma inteligência orgânica. É inconformada com a pasmaceira, a mesmice e o pensamento tacanho — um verdadeiro orgulho para qualquer sociedade que deseje transcender a hipocrisia.

    Ela preenche a lacuna que se nota no sertão, onde a crítica cultural se faz ausente, ao se fazer presente para apontar as contradições dos costumes conservadores. É a voz solitária que orienta o caminho para os anseios de uma vida mais legítima.

    Inconformada, ela sente, tanto no corpo quanto no espírito, as dores de não se encaixar na pequenez do conformismo. Está à frente de seu tempo, definindo os critérios de justiça em uma época marcada por contínuas injustiças, e sinaliza os ponteiros de uma nova era de empoderamento dos historicamente marginalizados, em meio a um ambiente que insiste em regredir para um patriarcado sufocante.

    Célia Egídio é gigante! Merece um respeito que os tempos atuais ainda não conseguiram delinear; seu valor é atemporal, pois o tempo, por si só, não pode medir a sua existência.

    Ao contrário de seus detratores, que agem com ruindade e inveja, o que ela possui de mais marcante é acuidade — uma notável capacidade de percepção, finura e sutileza, que intimida aqueles que se opõem a ela.

    Cuide-se, amiga Célia Egídio. Você é grandiosa e essencial demais para a boa luta! Estamos com você.