Lançamento em abril de 2026 – Paco Editorial
Em abril de 2026, o Brasil celebra o centenário da passagem da Coluna Prestes pelo Norte de Minas Gerais — e também o lançamento de uma das obras mais aguardadas sobre o tema: A Coluna Prestes nos Gerais de Minas, organizada pelo historiador e professor Levon Nascimento, de Taiobeiras (MG), pela Paco Editorial. O livro reúne 15 autores e autoras em uma coletânea que renova a historiografia brasileira ao deslocar o eixo narrativo dos grandes centros urbanos para o sertão mineiro e baiano — o território do chamado “Brasil profundo”, onde a Coluna viveu, lutou e foi lembrada.
Com prefácio de padre João Carlos Siqueira e posfácio de Milton Pena Santiago, a obra está dividida em oito capítulos temáticos que abordam, de modo multidisciplinar, as dimensões política, social, militar, educativa e simbólica do movimento tenentista. Participam da coletânea os pesquisadores e pesquisadoras Levon Nascimento, Márcia Sant’Ana Lima Barreto, Lídio Barreto Filho, Luiz Eduardo de Souza Pinto, Pedro Abder Nunes Raim Ramos, Sidney Batista Azevedo, Fabiano Alves Pereira, Vladimir Mendes Patrício, Joandina Maria de Carvalho, Maria de Fátima Magalhães Mariani, Leleco Pimentel, Silvânia Alves de Freitas, Mônica Rodrigues Teixeira, Padre João Carlos Siqueira e Milton Pena Santiago, formando um mosaico de vozes e perspectivas que se complementam.
A coletânea articula história oral, micro-história, história regional e análise documental, explorando a tensão entre a propaganda oficial do governo Artur Bernardes — que retratava os revoltosos como “bandidos e sediciosos” — e as memórias transmitidas de geração em geração nas comunidades do Alto Rio Pardo, de Salinas, Taiobeiras e Condeúba. Como explica o organizador, a Coluna não é tratada como um mito distante, mas como uma experiência concreta vivida por famílias sertanejas, marcadas pelo medo, pela negociação e pela solidariedade popular. O livro resgata episódios emblemáticos, como o do comerciante João Rêgo, que negociou a paz em Taiobeiras, e a célebre “Manobra do Laço Húngaro”, exemplo da inteligência tática de Luiz Carlos Prestes e de sua tropa.
Entre as contribuições, destaca-se o capítulo de Levon Nascimento, que combina pesquisa documental e memória familiar para reconstituir a passagem da Coluna pelo Norte de Minas. Márcia Sant’Ana Lima Barreto e Lídio Barreto Filho exploram o contexto político da Primeira República e as origens do tenentismo, enquanto Luiz Eduardo de Souza Pinto e Pedro Abder Nunes Raim Ramos traçam uma instigante biografia política de Prestes, evitando a hagiografia e revelando suas contradições humanas e ideológicas. Fabiano Alves Pereira investiga a dimensão militar e a mobilidade como método, e Sidney Batista Azevedo analisa o coronelismo mineiro e a propaganda legalista que tentou criminalizar os revoltosos.
Na fronteira entre história e memória, Joandina Maria de Carvalho e Maria de Fátima Magalhães Mariani estudam a “Bahia próxima”, registrando narrativas orais que revelam como o povo reinterpretou a Coluna ao longo das décadas. Vladimir Mendes Patrício questiona “como o povo viu a Coluna Prestes”, propondo uma história “vista de baixo”, enquanto Leleco Pimentel, Silvânia Alves de Freitas e Mônica Rodrigues Teixeira investigam a surpreendente “Pedagogia da Coluna” — as escolas itinerantes, os diálogos formativos e o ideal educativo que aproximam o movimento das futuras teorias de Paulo Freire e da educação popular libertadora.
O livro encerra-se com um posfácio reflexivo de Milton Pena Santiago, que propõe uma leitura reconciliadora da história: entre academia e sabedoria popular, entre o Brasil das capitais e o Brasil dos sertões. A Coluna Prestes nos Gerais de Minas é, assim, mais do que um registro histórico — é um exercício de escuta e reparação simbólica. Cada capítulo reafirma que a memória não é ruína, mas construção viva; e que o sertão, longe de ser apenas cenário, é sujeito histórico essencial na formação da nação.
Com uma linguagem envolvente, acessível e sensível, a obra organizada por Levon Nascimento convida o leitor a revisitar um dos episódios mais fascinantes da história brasileira, unindo rigor científico e emoção narrativa. Em meio ao centenário da Coluna Prestes, o livro surge como um tributo à resistência, à justiça e à esperança — valores que continuam atravessando os Gerais de Minas e inspirando novas gerações de leitores, educadores e sonhadores.



















