Tag: Norte de Minas

  • Livro: A Coluna Prestes nos Gerais de Minas

    Livro: A Coluna Prestes nos Gerais de Minas

    TAIOBEIRAS, MG – No centenário da passagem da Coluna Prestes pelo Norte de Minas Gerais, será lançado em abril de 2026 o livro “A Coluna Prestes nos Gerais de Minas”, organizado pelo professor e historiador Levon Nascimento. A obra reúne artigos de pesquisadores, educadores e militantes que revisitam a histórica marcha liderada por Luiz Carlos Prestes, com foco especial na região do Alto Rio Pardo mineiro.

    📘 Sobre a Obra

    O livro é uma coletânea de textos que abordam desde a trajetória da Coluna Prestes (1924–1927) até seus desdobramentos políticos, sociais e culturais na região norte-mineira. A publicação conta com a colaboração dos seguintes autores:

    Levon Nascimento (organizador)
    Fabiano Alves Pereira
    Joandina Maria de Carvalho
    Leleco Pimentel
    Lídio Barreto Filho
    Luiz Eduardo de Souza Pinto
    Márcia Sant’Ana Lima Barreto
    Maria de Fátima Magalhães Mariani
    Milton Pena Santiago
    Mônica Rodrigues Teixeira
    Padre João Carlos Siqueira
    Pedro Abder Nunes Raim Ramos
    Sidney Batista Azevedo
    Silvânia Aparecida de Freitas
    Vladimir Mendes Patrício

    🧠 Destaques do Conteúdo

    • Capítulo 1: A passagem da Coluna pelo Norte de Minas Gerais, com ênfase em Taiobeiras e a estratégia do “Laço Húngaro”.
    • Capítulo 2: Trajetória de Luiz Carlos Prestes, do tenentismo ao comunismo.
    • Capítulo 3: Origens do tenentismo e o contexto político da Primeira República.
    • Capítulo 4: A marcha de 25 mil km e seu significado histórico.
    • Capítulo 5: A Coluna Prestes em Minas Gerais.
    • Capítulo 6: Memórias e representações na Bahia fronteiriça.
    • Capítulo 7: O legado de Prestes para a educação e as lutas trabalhistas.
    • Capítulo 8: A visão do povo sobre os “revoltosos”.

    🗺️ Contexto Histórico

    Em abril de 1926, a Coluna Prestes adentrou o território mineiro pela região do Alto Rio Pardo, onde executou a famosa manobra do “Laço Húngaro” para escapar do cerco das tropas legalistas. O livro recupera memórias locais, relatos orais e documentos históricos que revelam tanto o medo quanto a esperança despertados pela passagem dos revoltosos.

    🎯 Objetivo da Publicação

    Além de celebrar o centenário da passagem da Coluna, a obra busca:

    • Valorizar a memória regional e a identidade geraizeira.
    • Difundir pesquisas inéditas sobre o tema.
    • Estimular o debate sobre justiça social, democracia e resistência.
    • Servir como material educativo para escolas e comunidades.

    📅 Lançamento

    O livro será lançado em abril de 2026, com eventos presenciais em Taiobeiras/MG e outras cidades da região, além de divulgação nacional por meio de parceiros editoriais e institucionais.

    📧 Contato para Imprensa e Divulgação

    Levon Nascimento
    Organizador da obra
    E-mail: levon.nascimento@educacao.mg.gov.br
    WhatsApp: (38) 9 9202-9044

    “A Coluna Prestes nos Gerais de Minas” não é apenas um livro de história. É um convite para revisitar o passado com os pés no presente e os olhos no futuro.

    📖 Preparem-se para mergulhar em uma das epopeias mais fascinantes da história brasileira.

    Participe do apoio coletivo para a publicação do livro A COLUNA PRESTES NOS GERAIS DE MINAS, participando da vakinha virtual. Clique neste link: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/apoio-para-publicar-o-livro-a-coluna-prestes-nos-gerais-de-minas

  • Norte de Minas: Um Brasil profundo entre cerrados, sertões e fronteiras

    Norte de Minas: Um Brasil profundo entre cerrados, sertões e fronteiras

    Este texto é um artigo de opinião construído a partir da reflexão sobre os estudos de João Batista de Almeida Costa e Geová Nepomuceno Mota, considerando os conteúdos de Norte de Minas: Cultura Catrumana, Suas Gentes, Razão Liminar (COSTA, 2021), Fronteira regional no Brasil: o entre-lugar da identidade e do território baianeiros em Minas Gerais (COSTA, 2002) e O fenômeno religioso da romaria sob a perspectiva da fé cristã: a romaria ao Santuário de Bom Jesus da Lapa (MOTA, 2012). A abordagem tem por objetivo promover um olhar sensível e crítico sobre o Norte de Minas, suas gentes e seus territórios, respeitando as referências dos autores citados.

    Por Levon Nascimento

    Quando se fala em Minas Gerais, o imaginário nacional costuma evocar as montanhas históricas, o ouro colonial, as cidades barrocas e a mineiridade da prosa mansa. Mas quem olha para o mapa percebe que, ao Norte, Minas guarda um território diferente, um sertão que não se encaixa nos estereótipos das Gerais. O Norte de Minas é outra coisa. É mistura de cerrado e caatinga, de Minas e Bahia, de catrumano e baianeiro. “É um sertão de múltiplas vozes, marcado por fronteiras simbólicas e sociais, onde se misturam o vaqueiro e o lavrador, o catrumano e o baianeiro, o religioso e o profano” (COSTA, 2021).

    Escrever sobre o Norte de Minas é, portanto, falar do Brasil profundo. Daquele Brasil que as capitais não enxergam, mas que resiste com teimosia às injustiças históricas. É falar de um povo que conhece a dureza da terra, o tempo da seca e o tempo da esperança. Que celebra a vida nos batuques dos quilombos, nas rodas de São Gonçalo, nas romarias ao Bom Jesus da Lapa/BA. “As práticas dos romeiros revelam a força da religiosidade popular nordestina e sertaneja, que transita entre o catolicismo oficial e as expressões locais de devoção, muitas vezes permeadas por elementos mágicos e simbólicos” (MOTA, 2012). “É um Brasil que, como disse Guimarães Rosa, ‘ajunta de tudo, os extremos, delimita, aproxima, propõe transição, une ou mistura: no clima, na flora, na fauna, nos costumes, na geografia, lá se dão encontro, concordemente, as diferentes partes do Brasil’” (ROSA, 1978 apud COSTA, 2002).

    O Norte de Minas nunca foi prioridade no projeto mineiro. Durante séculos, a política e a economia do estado giraram em torno do ouro, do café e das cidades históricas. Enquanto isso, o Norte ficou relegado ao esquecimento, visto como periferia, como sertão inóspito, como problema a ser resolvido ou ignorado (COSTA, 2021).

    Mas essa exclusão não foi apenas econômica. Ela também foi simbólica. “O Norte de Minas é ‘o outro’ dentro de Minas. Seus habitantes carregam o estigma de não serem os mineiros típicos. Falam diferente, comem diferente, rezam diferente. São chamados de baianeiros, como se fossem quase baianos, quase nordestinos, quase mineiros” (COSTA, 2002). Essa identidade liminar – entre ser e não ser – é, na verdade, uma riqueza cultural, mas o preconceito insiste em tratá-la como desvio.

    O Norte de Minas é, historicamente, um território de fronteira. Não apenas uma linha no mapa, mas um lugar onde culturas se misturam e se reinventam. “Durante a colonização, o sertão foi palco de conflitos entre a Bahia e Minas, disputa que terminou com a anexação do território norte-mineiro à capitania das Minas Gerais no século XVIII” (COSTA, 2002). Desde então, essa região carrega em si a marca da fronteira, do entre-lugar, da encruzilhada.

    Essa condição fronteiriça molda o jeito de ser das pessoas. O baianeiro – como se autodenomina boa parte da população – sabe transitar entre as tradições mineiras e nordestinas. Nas feiras, ouve-se o forró e o aboio, mistura-se o feijão tropeiro com o mocotó, o baião com o frango com pequi. “É o sertão em sua síntese, uma cultura plural e viva, que resiste mesmo diante das ameaças do agronegócio e da monocultura que avança sobre os Gerais” (COSTA, 2021).

    Se há algo que une esse povo, além da terra, é a fé. A religiosidade popular no Norte de Minas é um traço fundamental da identidade regional. E ela não é a fé do altar de ouro das catedrais, mas a fé do chão de terra batida, dos terços rezados em roda, das promessas feitas nas estradas de poeira. “É a fé do romeiro que sai de casa com o bornal nas costas, atravessa o sertão e vai até o Bom Jesus da Lapa, levando esperança e pagando promessas” (MOTA, 2012).

    A romaria é, mais do que um evento religioso, um ritual de pertencimento. “Quem vai à Lapa, vai também para reencontrar os seus, para reafirmar a própria existência diante do sagrado e da sociedade” (MOTA, 2012). É um ato de resistência cultural, um modo de dizer: “nós existimos, com nossa fé, nossa cultura e nosso jeito de viver”.

    Apesar de sua riqueza cultural, o Norte de Minas continua sendo uma das regiões mais vulneráveis do Brasil. A pobreza, a seca e a falta de políticas públicas ainda marcam a paisagem. Mas essa realidade não é sinônimo de passividade. “As comunidades tradicionais da região – quilombolas, geraizeiros, veredeiros, apanhadores de flores, indígenas Xakriabá – vêm se organizando para afirmar seus direitos e preservar seus modos de vida” (COSTA, 2021).

    O batuque ressoa como denúncia e celebração. As festas, as danças, as folias de reis, os Catopês, Marujos e Caboclinhos de Montes Claros, as Camponesas e Margaridas de Taiobeiras, as práticas agrícolas sustentáveis e os modos de cuidar da terra são parte de uma luta maior: a de permanecer no território, enfrentando o avanço do agronegócio e a lógica do capital que vê o cerrado apenas como commodity.

    O Norte de Minas é o Brasil profundo. É a síntese de um país marcado por contradições, fronteiras e encontros. Não podemos continuar a ignorar essa região como se fosse um apêndice esquecido de Minas Gerais ou do Nordeste.

    Ouvir as vozes do sertão norte-mineiro é essencial para entender o Brasil real. “Um Brasil que vive nas veredas, nos currais, nas romarias, nos batuques e nas lutas diárias pela dignidade” (COSTA, 2021). Como disse João Batista de Almeida Costa, “não se trata de romantizar o sertão, mas de reconhecer as gentes que ali vivem e resistem” (COSTA, 2021).

    O Norte de Minas não é apenas um lugar no mapa. É um território de memória, cultura e esperança. E, mais do que nunca, merece ser ouvido, respeitado e incluído.

    REFERÊNCIAS:

    COSTA, João Batista de Almeida. Norte de Minas: cultura catrumana, suas gentes, razão liminar. Montes Claros: Editora Unimontes, 2021.

    COSTA, João Batista de Almeida. Fronteira regional no Brasil: o entre-lugar da identidade e do território baianeiros em Minas Gerais. Sociedade e Cultura, v. 5, n. 1, p. 53-64, 2002.

    MOTA, Geová Nepomuceno. O fenômeno religioso da romaria sob a perspectiva da fé cristã: a romaria ao Santuário de Bom Jesus da Lapa. Montes Claros: Editora Unimontes, 2012.

    ROSA, João Guimarães. Grande sertão: veredas. 10. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1976.

    FOTOGRAFIA:

    SANTOS, Eliana Alves dos. As Camponesas de Taiobeiras. 2024. Disponível em: https://www.facebook/eliana.alvesdossantos.94. Acesso em: 16 jul. 2025.

  • Educação popular e resistência no Alto Rio Pardo são tema de tese de doutorado defendida na UFG

    Educação popular e resistência no Alto Rio Pardo são tema de tese de doutorado defendida na UFG

    Tese de Érika Fernanda Pereira de Souza investiga processos formativos populares em territórios do Norte de Minas e revela como a educação foi fundamental na construção da organização social camponesa

    Foi defendida no final de 2024, na Universidade Federal de Goiás (UFG), a tese de doutorado da educadora Érika Fernanda Pereira de Souza, intitulada “Educação Popular e Organização Social: Processos Formativos e Resistência Popular no Território Alto Rio Pardo – MG”. Fruto de uma extensa pesquisa de campo e análise documental, o estudo mostra como, entre os anos 1970 e 2019, diversas experiências de educação popular contribuíram decisivamente para a formação política e a organização coletiva de camponeses, geraizeiros e comunidades tradicionais na região norte-mineira.

    A pesquisa, orientada pelo professor José Paulo Pietrafesa, insere-se na linha de Trabalho, Educação e Movimentos Sociais do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE/UFG). Com base em referenciais teóricos marxistas e freireanos, a tese analisa a constituição histórica dos conflitos no território do Alto Rio Pardo, intensificados pela expansão do capital agrário e da monocultura de eucalipto, e busca compreender de que maneira os processos formativos populares se articularam à resistência social e política das populações locais.

    Dois eixos centrais atravessam o trabalho: a atuação das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e o Programa de Formação do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA/NM). Ambas as experiências foram fundamentais para criar espaços de formação política, consciência crítica e engajamento em práticas coletivas de enfrentamento às expropriações de terra, degradação ambiental e às violações de direitos das populações tradicionais.

    A autora propõe o conceito de “Pedagogia do Balaio” como forma de designar a metodologia comunitária adotada pelas CEBs — inspirada em práticas que valorizam a partilha, a escuta e a construção coletiva do saber, em oposição à lógica individualizante do capital. Em contraponto, apresenta também a noção de “Pedagogia da Porrada”, expressão atribuída às formações desenvolvidas em contextos de conflito direto, especialmente sob a mediação da Comissão Pastoral da Terra (CPT), quando comunidades precisavam decidir entre resistir ou recuar frente à ofensiva do agronegócio e da mineração.

    Para construir a narrativa, Érika realizou dezenas de entrevistas com sujeitos que vivenciaram esses processos formativos, como educadores populares, lideranças sindicais, agentes pastorais, membros de comunidades camponesas e egressos do Curso de Formação do CAA/NM. Entre os entrevistados estão nomes como Paulo Faccion (CPT), Mirian Nogueira (CAA/NM), Valdir Dias, Aurindo Ribeiro, Udilésio Oliveira, além do professor e pesquisador Levon Nascimento, que colaborou cedendo parte de seu acervo pessoal de cartilhas usadas nas formações das CEBs. Esses documentos se revelaram fontes preciosas para a reconstituição das metodologias pedagógicas e dos conteúdos debatidos ao longo das décadas.

    A tese apresenta ainda um panorama da história agrária do Norte de Minas, com especial atenção à formação do campesinato geraizeiro, às práticas de solidariedade territorial e às conquistas recentes, como o Projeto de Assentamento Agroextrativista Veredas Vivas e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Nascentes Geraizeiras, ambas frutos da organização popular. Ao mesmo tempo, evidencia o esvaziamento das práticas formativas nas últimas décadas como um dos entraves à continuidade da ação coletiva no território, em um contexto de avanço da racionalidade neoliberal e desmonte de políticas públicas voltadas para o campo.

    Por fim, a pesquisadora destaca que compreender a história das formações populares no Alto Rio Pardo é essencial para pensar alternativas à crise da democracia e ao modelo predatório de desenvolvimento que marca a região. A tese se soma ao esforço de construção de uma memória social insurgente e de afirmação de práticas educativas comprometidas com a transformação social, a soberania dos povos do Cerrado e a justiça socioambiental.

  • Água, gente e sabedoria: a lição do sertão que o Papa Francisco aplaudiria

    Água, gente e sabedoria: a lição do sertão que o Papa Francisco aplaudiria

    Por Levon Nascimento

    Imagine um mapa que não mostra só rios e montanhas, mas histórias de resistência. É assim o estudo para criar a Reserva Tamanduá-Poções-Peixe Bravo no Norte de Minas. E ao lê-lo com os olhos da Encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, a gente entende: esse projeto é um retrato vivo do que o Papa chama de “ecologia integral” – onde natureza e cultura se abraçam. 

    No coração do Cerrado mineiro, comunidades geraizeiras e quilombolas vivem há séculos seguindo uma regra sagrada: “cada roda tem seu fuso, cada terra tem seu uso”. Como disse o Papa (LS 63), os saberes tradicionais são “um patrimônio cultural” que protege a terra. Eles sabem que:
    Chapadas guardam água como esponjas; 
    Carrascos (transição entre Cerrado e Caatinga) são farmácias naturais; 
    Vazantes alimentam gente e bicho na seca. 

    Mas essa sabedoria está ameaçada. O estudo do ICMBio mostra o avanço do eucalipto que seca nascentes e da mineração que rasga o solo. É a “cultura do descarte” que o Papa critica (LS 22): tratar a terra como mercadoria, não como lar. 

    A Laudato Si’ é enfática: “O acesso à água potável é direito humano básico” (LS 30). Pois a região da RDS é um berço d’água estratégico: 
    Abastece as bacias do São Francisco e Jequitinhonha; 
    Protege campos ferruginosos – formações raras que filtram e armazenam água; 
    Rios como o Peixe Bravo já sofrem com assoreamento e seca. 

    Sem a RDS, o “paradigma tecnocrático” (LS 109) – que vê a natureza como recurso infinito – continuará sugando a vida do sertão. 
     
    A ideia da Reserva nasceu das comunidades: 
    1. Geraizeiros pediram proteção quando viram seus “gerais” virando desertos verdes de eucalipto; 
    2. Quilombolas do Peixe Bravo uniram-se à luta, fortalecendo o tecido social (LS 149); 
    3. Até pesquisadores que queriam um Parque Nacional entenderam: aqui, gente e natureza são inseparáveis

    Como diz a Laudato Si’ (LS 143): “A ecologia também requer a preservação da cultura dos povos”.

    Criar a RDS Tamanduá, Poções e Peixe Bravo não é só “fazer uma reserva”. É: 
    – Proteger a “casa comum” (LS 3) num bioma que já perdeu 80% de sua vegetação; 
    – Valorizar os “últimos” (LS 158) – geraizeiros e quilombolas que defendem a terra com sabedoria ancestral; 
    – Garantir água para o futuro, numa região onde o clima semiárido se agrava. 

    O estudo técnico do ICMBio e a voz do Papa Francisco concordam: não há justiça ambiental sem justiça social. Neste sertão mineiro, a vida teima em florescer. Cabe a nós regá-la. 

    “Tudo está interligado. Por isso, requer-se uma preocupação pelo meio ambiente unida ao amor sincero pelos seres humanos.” 
    (Laudato Si’, 91) 

    P.S.: Este artigo é um chamado. Apoie a criação da RDS Tamanduá, Poções e Peixe Bravo. É um passo concreto para ouvir “o clamor da terra e o clamor dos pobres” (LS 49). Afinal, como ensina o sertão: “Água parada vira lama, gente unida vira correnteza”.

    Levon Nascimento é doutorando em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pelo Centro Universitário Dom Helder Câmara.

    Referências

    FRANCISCO. Laudato Si’: sobre o cuidado da casa comum. Vaticano, 24 maio 2015. Disponível em: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html. Acesso em: 3 jun. 2025. 

    MAIA, L. J.; VALARINI FILHO, L.; NOVAES, V. Síntese de estudos técnicos: proposta de criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos Tamanduá-Poções-Peixe Bravo. Brasília: ICMBio, 2025. 39 p. Arquivo PDF. 

  • Sertão: o mito do progresso e a realidade que engole o futuro

    Sertão: o mito do progresso e a realidade que engole o futuro

    Por Levon Nascimento

    Há dez anos, o Papa Francisco lançou a encíclica Laudato Si’, um grito de alerta: o “paradigma tecnocrático” – essa crença cega na tecnologia como solução para tudo – está destruindo o planeta e esmagando comunidades. Hoje, no semiárido brasileiro e em Minas Gerais, essa profecia se realiza diariamente. A mineração, travestida de “progresso” e “eficiência”, impõe uma lógica perversa: natureza é estoque, gente é obstáculo.

    Os desastres de Mariana e Brumadinho não foram acidentes. Foram a materialização desse pensamento. Barragens “estáveis” segundo laudos técnicos viraram túmulos porque ignoraram a vida humana rio abaixo. A técnica, supostamente neutra, serviu ao lucro rápido. O resultado? Lama tóxica, 272 mortos, rios assassinados.

    No semiárido, o drama é mais lento, mas não menos cruel. Empresas perfuram poços profundos com bombas de alta vazão para extrair minério, enquanto comunidades veem suas cacimbas e cisternas secarem. No Vale do Rio Peixe Bravo (Norte de Minas Gerais), a comunidade historicamente enraizada é constrangida por políticos e grandes empresários; seus saberes tradicionais são ridicularizados e desqualificados pelo “paradigma tecnocrático” denunciado pelo Papa Francisco; e o discurso de que “o progresso está chegando” suplanta os princípios de prevenção e precaução para com o frágil ambiente local, um dos últimos ainda razoavelmente preservado. Na Bahia e em Sergipe, o lençol freático baixou, secando fontes essenciais. Aqui, a guerra não é por ouro ou ferro: é por água. Quem perde são quilombolas, geraizeiros, agricultores familiares – tratados como “atraso” ao projeto de “modernidade” das mineradoras e dos políticos de província.

    A tecnocracia tem um rosto concreto:

    • Saberes locais apagados: Conhecimentos ancestrais sobre o manejo da terra e da água são desprezados em audiências públicas cheias de jargões técnicos incompreensíveis.
    • Natureza reduzida a números: Estudos de impacto medem água em “metros cúbicos afetados”, não em vidas humanas ou culturas destruídas.
    • Democracia esvaziada: Licenças são aprovadas em “fast-track”, comunidades são removidas à força ou manipuladas pelo poder do dinheiro, e recursos da CFEM (compensação financeira) desviados da saúde e educação.

    Laudato Si’ não é um tratado teórico. É um chamado à revolução ética: a “ecologia integral”. Isso significa:

    1. Colocar a vida acima do lucro: Proteger nascentes, restringir mineração em áreas frágeis, priorizar água para pessoas, não para britadores.
    2. Ouvir quem sabe cuidar: Incluir comunidades no planejamento, valorizar saberes tradicionais junto ao conhecimento técnico.
    3. Exigir responsabilidade real: Fim da impunidade corporativa. Quem polui, paga e repara. Auditorias independentes e controle público.

    Não basta tecnologia “verde” se a lógica for a mesma: extrair até esgotar. O semiárido clama por um novo paradigma, onde a técnica sirva à vida, não ao mercado. Dez anos depois da Laudato Si’, é hora de escolher: ou rompemos com essa engrenagem que transforma terra em commodity e gente em estorvo, ou seremos cúmplices da próxima tragédia anunciada. A água que falta no sertão hoje é o mesmo futuro que seca para todos nós.

  • Povos tradicionais, a governança ambiental e a sustentabilidade: os geraizeiros norte-mineiros

    Povos tradicionais, a governança ambiental e a sustentabilidade: os geraizeiros norte-mineiros

    * Levon Nascimento

    Os povos originários e tradicionais do Brasil, como indígenas, quilombolas e os geraizeiros do Norte de Minas Gerais, enfrentam desafios constantes para a preservação de seus modos de vida, culturas e territórios. Apesar de algumas garantias constitucionais, muitos desses grupos ainda sofrem com a falta de reconhecimento legal e ameaças ambientais e climáticas que comprometem sua existência.

    O conflito entre regimes jurídicos

    A legislação brasileira nem sempre foi clara ou eficiente na proteção dessas comunidades. O país é signatário da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que determina a proteção dos povos tribais, mas, na prática, as normas nacionais nem sempre garantem a segurança jurídica necessária. Isso cria lacunas e inconsistências que dificultam o reconhecimento e a defesa dos direitos desses grupos.

    A Constituição de 1988 representou um avanço ao reconhecer os direitos dos povos indígenas e, em menor escala, dos quilombolas. No entanto, povos como os geraizeiros – tradicionais habitantes do cerrado mineiro – ainda enfrentam dificuldades para terem seu modo de vida protegido de forma eficaz.

    Ameaças ambientais e conflitos territoriais

    As principais ameaças enfrentadas por esses povos incluem a expansão agrícola e mineradora, que avança sobre territórios tradicionalmente ocupados por essas comunidades. No caso dos geraizeiros, grandes monoculturas de eucalipto e projetos de mineração têm provocado desmatamento, conflitos por terra e pela água, além da destruição de modos de vida sustentáveis.

    A grilagem de terras e a fragilidade da governança pública tornam a situação ainda mais crítica. Muitas áreas ocupadas por geraizeiros são consideradas terras devolutas pelo Estado, permitindo que sejam negociadas com grandes empresas sem a consulta ou consentimento das comunidades locais.

    O caso dos geraizeiros norte-mineiros

    Os geraizeiros estão em comunidades tradicionais que vivem no Norte de Minas Gerais, região do cerrado marcada por extensos chapadões e áreas de vegetação nativa. Ao longo dos séculos, esses povos desenvolveram um modo de vida sustentável, baseado na agricultura familiar, na coleta de frutos do cerrado e no uso racional dos recursos naturais. No entanto, a expansão da monocultura de eucalipto e a chegada de empreendimentos mineradores têm ameaçado sua existência. A grilagem de terras e a falta de reconhecimento legal colocam os geraizeiros em uma posição vulnerável, muitas vezes impedindo seu acesso a territórios historicamente ocupados por suas comunidades.

    Além da questão fundiária, os geraizeiros enfrentam desafios relacionados à preservação de suas tradições culturais e conhecimentos ecológicos. A substituição da vegetação nativa por culturas de grande escala altera drasticamente o equilíbrio ambiental, secando nascentes e reduzindo a biodiversidade local. O desmonte desses ecossistemas compromete não apenas o sustento dessas comunidades, mas também impacta negativamente o clima e os recursos hídricos da região. Diante desse cenário, torna-se fundamental o fortalecimento das políticas públicas de proteção territorial e a implementação de medidas que garantam a autonomia e os direitos dos geraizeiros frente às ameaças ambientais e econômicas.

    Governança e sustentabilidade

    A questão da governança, tanto pública quanto privada, é essencial para garantir os direitos desses povos. O Estado tem o dever de respeitar e aplicar a Convenção 169 da OIT, além de regulamentar e fiscalizar os empreendimentos que impactam diretamente essas populações. Ao mesmo tempo, empresas que atuam nessas regiões devem adotar práticas mais responsáveis, levando em conta a sustentabilidade ambiental e os direitos sociais.

    A proteção dos conhecimentos tradicionais dessas comunidades também deve ser prioridade. Os saberes sobre manejo sustentável da biodiversidade e os modos de vida tradicionais oferecem alternativas para a preservação ambiental e podem contribuir para soluções diante da crise climática global.

    O futuro dos povos tradicionais

    A luta pelo reconhecimento legal e pela proteção dos povos originários e tradicionais continua. Movimentos sociais, pesquisadores e entidades vêm trabalhando para ampliar a visibilidade dessas questões e pressionar o poder público para ações mais efetivas.

    Garantir os direitos dessas comunidades não é apenas uma questão de justiça histórica, mas também uma estratégia fundamental para a conservação ambiental e a construção de um modelo de desenvolvimento mais sustentável para o país. O respeito à diversidade cultural e à relação dessas populações com a natureza pode ser um caminho essencial para um futuro mais equilibrado e inclusivo.

    Conclusão

    A defesa dos direitos dos povos originários e tradicionais não é apenas uma demanda dessas comunidades, mas uma responsabilidade coletiva da sociedade e do Estado. A preservação de seus territórios e saberes não só garante sua sobrevivência, mas também contribui para um modelo de desenvolvimento mais sustentável e consciente. Proteger esses grupos é, portanto, uma forma de preservar a diversidade cultural e ambiental do Brasil, assegurando um legado para as futuras gerações.

    *Levon Nascimento é professor de história e doutorando em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável

  • Novo Minha Casa Minha Vida Rural em Taiobeiras

    Novo Minha Casa Minha Vida Rural em Taiobeiras

    Neste domingo (10/9/23), estive nas reuniões das associações comunitárias de Lagoa Dourada e Mirandópolis, juntamente com Rafael Ferreira, Geraldo Caldeira Barbosa, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras e Flaviana Costa Sena Nascimento, candidata a Conselheira Tutelar de Taiobeiras.

    Na oportunidade, falamos do novo programa Minha Casa Minha Vida Rural, das políticas públicas do Governo Lula, do associativismo e da importância de fazer parte do sindicato e esclarecemos sobre o processo de eleição do Conselho Tutelar, que ocorrerá no próximo dia 01 de outubro.

    Gratidão a Nelson, Nilson e dona Elza, que nós convidaram para participar desses frutíferos encontros.

  • Audiência na CODEVASF

    Audiência na CODEVASF

    Na segunda (11/9/23), participei de uma audiência na 1a. Superintendência Regional da CODEVASF, em Montes Claros, a convite do Deputado Federal Padre João (PT) e do Deputado Estadual Leleco Pimentel (PT), juntamente com várias lideranças populares da base do Projeto “Juntos Para Servir” das regiões Norte de Minas e Alto Rio Pardo.

    Discutimos e cobramos o atendimento célere das demandas de políticas públicas estruturantes para os nossos municípios.

    Entre os participantes, Geraldo Caldeira Barbosa, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras, Rafael Ferreira Lucas, mobilizador do Programa Minha Casa Minha Vida Rural em Taiobeiras, Romário Fabri Rohm, assessor dos mandatos “Juntos Para Servir” no Alto Rio Pardo, e Letícia, vereadora de Águas Vermelhas.

  • As guerreiras negras da divisa da Bahia com Minas

    Casa de Feliciana e José Martins, ainda de pé em foto de 2007.

     * Por Levon Nascimento

    Feliciana era uma mulher negra que viveu no Areial, região próxima do Morro da Feirinha, na zona rural de Condeúba, Bahia, divisa com o norte de Minas Gerais.
    Ela fazia peneiras de taquaras retiradas de coqueiros e outras palmeiras, junto com as filhas Joaquina, Rita, Euflosina e Francisca. Era a única riqueza de seu trabalho que conseguiam comercializar. Artesãs de mão cheia! As taquaras eram amarradas com cordão de algodão lubrificado com cera de abelha. Começo, meio e fim do processo produtivo todo dominado por elas.
    Fabricação de peneiras de taquaras
    A terra onde Feliciana morava ficava sob um pedregulho aos pés do morro. Era assim desde seus pais e avós. Herança dos tempos do cativeiro. Quem sabe, um resquício de quilombo? Talvez, um dos poucos pedaços de chão que sobrou para ela e outros negros da região. Os terrenos bons eram propriedades de brancos.
    Mesmo com o rio banhando os fundos da casa, a infertilidade do solo exaustivamente usado por anos não deixava que nenhuma cultura rendesse. No máximo uns pés de mandioca, umas covas de milho e mangueiras que matavam a fome da meninada. E os pés de algodão, para fazer os cordões das peneiras.
    Feliciana foi casada com José Martins do Nascimento. Conta-se como lenda que ele foi mais de quarenta vezes a pé a São Paulo para trabalhar. Ganhava muito pouco. Quando chegava, era o suficiente para pagar as dívidas de sobrevivência da família. Já nas últimas expedições à capital paulista, levava consigo alguns dos filhos homens. Retirantes… Viúvas de marido vivo.
    Feliciana era rígida. Criou filhos e filhas numa pobreza material imposta pela realidade, mas criativamente rica de significados místicos, morais e éticos desenvolvidos pela capacidade de seu povo em ressignificar as agruras da vida e torná-las palatáveis e belas.
    Quando morria um anjo[1]de família negra ou branca, na ausência e na distância das instituições religiosas, era Feliciana e suas filhas que faziam o ritual de colocar o pequeno esquife[2], quando havia caixão, sobre rodias[3]na cabeça, cantando e dançando em círculos durante a sentinela[4], encomendando a pobre e desvalida alminha a Deus e Nossa Senhora. Cerimônia de sentido determinista, conformados que todos estavam com a sina e a naturalidade da mortalidade infantil, mas que remetia à necessidade de continuar vivendo e celebrando, mesmo em meio à miséria social.
    Morro da Feirinha, município de Condeúba/BA,
    divisa entre a Bahia e o norte de Minas.
    Para buscar pindoba, das quais se extraia as taquaras para as peneiras, Feliciana e suas filhas tinham de ir aos boqueirões das terras do Capitão Fabrício, o latifundiário que mandava na região da Feirinha do Morro. Fazenda a perder de vista, matas virgens nas divisas baianas com os sertões geraizeiros. Iam com todo o cuidado, escondidas, porque por diversas vezes foram ameaçadas de espancamento pelos capatazes do senhor de terras, punidas por “invadir” desobedientemente e extrair as riquezas naturais das quais aquele rico homem nem fazia caso. Mas elas insistiam na ousadia. Era preciso viver.
    De sexta para sábado, aquelas mulheres negras, vestidas de longas saias pretas e blusas brancas de algodão, por elas mesmas cultivado, tecido, costurado e ornado, punham-se a caminho de Condeúba. Sete léguas[5]de distância, a pé. Sobre as cabeças dezenas de peneiras. Entregavam a preços módicos o fruto sofrido de seu trabalho a comerciantes de Guajeru, que por elas já esperavam. Certamente conseguiam lá na frente dinheiro melhor naqueles produtos.
    Uma fila indiana de mulheres negras, corpos esguios, quase sempre famélicas. Enquanto isso passavam os carros de boi das famílias brancas. Cumprimentavam-se, compadres e comadres que eram, mas nenhum se propunha a pelo menos levar a carga de peneiras daquelas criaturas até a feira da cidade-sede do município. Contavam apenas com seus corpos e com a fé nas forças divinas para as quais encaminhavam as pobres alminhas brancas e negras.
    No século XIX, na região do atual Benin, na África, os imperialistas brancos se defrontaram com a bravura das guerreiras mino, amazonas negras que desde o nascer recebiam treinamento de suas tribos do Reino de Daomé para dar a vida lutando contra os invasores. Eram as Ahosi. Relatos europeus informam que elas possuíam muito mais vigor, bravura e técnica do que os combatentes do sexo masculino e que só a muito custo se conseguia derrotá-las, quando conseguiam.
    Guardadas as devidas proporções, Feliciana e suas filhas, como muitas outras mulheres, foram Ahosis do sertão. Bravas, rigorosas, tecnicamente eficientes, lutadoras numa terra onde tudo lhes ignorava ou era hostil, desafiadoras de uma sociedade que as queria mortas, rebeldes insistindo em viver.
    Feliciana morreu em julho de 1976. Eu tinha cinco meses de idade quando isso ocorreu. Ela nasceu e viveu num país que nunca se deu ao trabalho de saber de sua existência. Não tinha documentos, não votava, não era alfabetizada, nunca se aposentou. Retornou ao infinito durante uma feroz ditadura militar que prendia, torturava e matava pessoas que pensavam em construir um Brasil mais digno e justo para os seus descendentes. Feliciana era minha bisavó, mãe de Manoel José do Nascimento, meu avô materno. Uma Ahosi brasileira.
    * Levon Nascimento é sociólogo, professor de História e mestrando em “Estado, Governo e Políticas Públicas” pela Fundação Perseu Abramo e Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais.



    [1]Criança que morria geralmente antes de completar um ano de vida. Mortalidade infantil.
    [2]Caixão de defunto.
    [3]Pano enrolado em círculo e posto sobre a cabeça das mulheres para servir de anteparo para o carrego de potes com água e outros objetos pesados.
    [4]Velório.
    [5]Uma légua, segundo a tradição sertaneja, equivaleria a seis quilômetros.
  • Imagens da 3ª Marcha das Mulheres do Norte de Minas em Taiobeiras (17 março 2012)

    Algumas das belas imagens da 3ª Marcha das Mulheres do Norte de Minas ocorrida na manhã de sábado, 17 de março de 2012, pelas ruas da cidade de Taiobeiras, microrregião Alto Rio Pardo.

    As mulheres deram exemplo de organização, entusiasmo e resistência.

    Em pauta os direitos das mulheres, a superação da desigualdade entre os gêneros, a luta contra a violência física, moral e econômica à qual as mulheres ainda são submetidas.

    Também a reflexão sobre o contexto da mineração no Norte de Minas e a valorização do trabalho feminino.

    Parabéns às organizadoras do Coletivo de Mulheres do Norte de Minas e a todas e todos que colaboraram e participaram.

    O mundo novo possível começa com ações iguais a esta marcha.
  • 3ª Marcha de Mulheres do Norte de Minas acontece em Taiobeiras

    Imagem da 2ª Marcha de Mulheres do Norte de Minas que
    ocorreu nas cidades Nova Porteirinha e Janaúba em
    março de 2011.

    O Coletivo de Mulheres do Norte de Minas, movimento que articula as lutas das mulheres de diferentes realidades, tais como quilombolas, indígenas, geraizeiras, caatingueiras, agricultoras familiares, trabalhadoras do campo e da cidade e atingidas (por barragens, pela monocultura do eucalipto e pela mineração), realiza neste sábado, 17 de março de 2012, a 3ª Marcha do Coletivo de Mulheres do Norte de Minas pelas ruas de Taiobeiras.


    Segundo as organizadoras, a manifestação planeja reunir entre mil e quinhentas e duas mil mulheres provenientes de toda a região norte-mineira para discutir temas como “a violência contra as mulheres, invisibilidade e desvalorização do trabalho da mulher, mineração na região do Norte de Minas, trabalho e salário digno”.

    A 3ª Marcha das Mulheres se inicicará com uma concentração na Rua Conrado Rocha, em frente à sede nova do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras, às 7 horas da manhã (17/03/2012), de onde partirá em passeata pelas prinicipais ruas da cidade, marcando cada reflexão com paradas de manifestação em difentes pontos da caminhada.

    Ao final será divulgada uma carta com princípios e reivindicações sobre os direitos das mulheres do Norte de Minas Gerais.

    A diretoria de desenvolvimento de ações para promoção da mulher e da juventude do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras é o órgão local que articula a 3ª Marcha de Mulheres.

    Para mais informações, clique aqui.

  • Obras de recuperação da BR-251 começam

    Deputado Paulo Guedes vistoriando obras
    de recuperação da BR-251
    Trinta dias depois de vistoriar o estado precário da BR-251 e de encaminhar solicitação ao Ministro dos Transportes para que viabilizasse a recuperação dessa importante rodovia que corta o Norde de Minas, o Deputado Estadual Paulo Guedes (PT – Minas Gerais) percorre novamente a estrada e constata que as obras de tapa-buracos já foram iniciadas. A população agrade o empenho do deputado mas deseja que mais reivindicações sobre este assunto sejam levadas ao Governo Federal, especialmente quanto à duplicação da BR-251.

    Obrigado, Deputado Paulo Guedes.