Tag: Papa Francisco

  • Dilexi te: o que a primeira exortação do Papa Leão XIV tem a dizer a Taiobeiras?

    Dilexi te: o que a primeira exortação do Papa Leão XIV tem a dizer a Taiobeiras?

    Por Levon Nascimento

    A exortação apostólica Dilexi te, do Papa Leão XIV, publicada em 4 de outubro de 2025, é um manifesto espiritual e social sobre o amor para com os pobres. O texto nasce como continuidade da encíclica Dilexit nos, de Francisco, e como herança de sua preocupação pastoral pelos marginalizados. Leão XIV abre seu pontificado convocando a Igreja a reencontrar, nos pobres, o rosto vivo de Cristo. O documento denuncia a cultura do descarte, o mito da meritocracia e o conformismo religioso que esquece o Evangelho vivido como serviço. O amor, recorda o Papa, não é abstração moral, mas compromisso histórico — é o verbo que faz Deus descer à sarça ardente dos sofrimentos humanos.

    O plano de trabalho da Dilexi te pode ser compreendido em três eixos principais. O primeiro é teológico: Deus escolhe os pobres não por ideologia, mas porque o amor divino se revela onde há dor, exclusão e clamor. O segundo é eclesial: a Igreja deve ser pobre e para os pobres, seguindo o exemplo de São Lourenço e São Francisco de Assis. O terceiro é prático e cultural: a opção pelos pobres implica educação libertadora, cuidado com os doentes e compromisso com as novas escravidões contemporâneas — do consumo, do individualismo e das desigualdades.

    Para Leão XIV, amar é ver, cuidar, perdoar e construir. Amar é ver — e, portanto, enxergar os invisíveis, os desfigurados pelas estatísticas e pelos rótulos. Amar é cuidar — não como quem faz beneficência, mas como quem reconhece o outro como parte de si. Amar é perdoar — em tempos de polarização, redescobrir a ternura como força política. E amar é construir — porque a caridade cristã, quando autêntica, não consola apenas: transforma estruturas e mentalidades. O Papa escreve com vigor: “Não estamos no horizonte da beneficência, mas no da Revelação” — ou seja, Deus fala por meio dos pobres.

    E o que essa exortação tem a dizer a Taiobeiras? Antes de tudo, que o desenvolvimento sem compaixão é vazio. A cidade, entre avanços e desigualdades, vive o paradoxo de se orgulhar do empreendedorismo enquanto muitos sobrevivem na informalidade e na carência de serviços essenciais. Dilexi te confronta diretamente esse modelo: o progresso autêntico é aquele que não exclui. A meritocracia, lembra Leão XIV, é “uma falsa visão segundo a qual só têm mérito os que tiveram sucesso na vida”. Em Taiobeiras, essa crítica ressoa no cotidiano: enquanto alguns exibem conquistas, outros carregam invisibilidades que o discurso da “terra dos vencedores” prefere ignorar.

    O Papa propõe um antídoto: o amor concreto, que se traduz em políticas públicas, justiça social e cultura do cuidado. Se o cristianismo local quiser ser fiel ao Evangelho, deve olhar para os pobres como protagonistas da história, não como destinatários de campanhas sazonais. Amar, aqui, significa reconhecer a dignidade dos agricultores familiares, das mulheres trabalhadoras, dos jovens sem oportunidades. É perceber que o rosto de Cristo está nas filas do hospital, nos bairros sem saneamento, nos professores que persistem sem estrutura.

    Dilexi te também convida Taiobeiras a revisar suas referências. Como os monges que uniam oração e trabalho, a cidade precisa integrar espiritualidade e ação social, fé e responsabilidade pública. Ser “cidade empreendedora” deve significar criar oportunidades solidárias, fortalecer cooperações, garantir educação libertadora e promover o bem comum. É tempo de superar o individualismo competitivo e reencantar o sentido de comunidade.

    Em última instância, Dilexi te é um chamado a amar de modo civilizatório. Para Taiobeiras, isso significa transformar o amor em política de vida: educar com ternura, administrar com empatia, crescer sem deixar ninguém para trás. O Papa Leão XIV fala à cidade com a clareza dos profetas: a fé que não toca a carne dos pobres é sombra, não luz. Amar — diz o título da exortação — é o verbo que sustenta a esperança. Que Taiobeiras, redescobrindo esse amor, encontre o caminho entre o que já avançou e o que ainda falta nascer.

  • Fé para romper a indiferença, não para lucrar

    Fé para romper a indiferença, não para lucrar

    Vivemos tempos estranhamente silenciosos diante da dor. Enquanto milhões sofrem com fome, violência — como nas ruas de todo o mundo, em geral, e em Gaza, no particular —, abandono ou solidão, seguimos com nossas rotinas apressadas, rostos grudados nas telas e corações distraídos. A era da indiferença, como muitos a chamam, é marcada por uma anestesia coletiva: vemos tudo, mas não sentimos quase nada. É como se o sofrimento alheio tivesse perdido o peso, como se os laços humanos tivessem sido substituídos por curtidas, lucros e algoritmos.

    Essa indiferença não surgiu do nada. Ela se construiu aos poucos, num mundo que valoriza mais o desempenho do que a presença, mais a eficiência do que a empatia. Mais o lucro do que o ser humano. Somos levados a acreditar que não temos tempo para cuidar, para ouvir, para sofrer com o outro. E assim, nos tornamos especialistas em nos proteger das dores que não são nossas, às vezes até estimulados pelo discurso da toxicidade alheia. Porém, essa proteção cobra caro: nos desumaniza. Perdemos a capacidade de chorar com quem chora, de nos alegrar com quem se levanta.

    É nesse contexto que a encíclica Dilexit Nos (outubro de 2024), do Papa Francisco (1936 – 2025), brilha como uma luz em meio ao cansaço espiritual da atualidade. Ao propor o Coração de Jesus como símbolo e fonte de amor verdadeiro — humano e divino — Francisco nos convidou a romper o gelo que endurece o mundo. Ele falou de um “mundo sem coração”, dominado por tecnologias que nos unem superficialmente, mas nos afastam na essência. A Dilexit Nos não é um chamado à religiosidade superficial (muito louvor e pouca compreensão), mas à conversão profunda: para que deixemos de viver como espectadores e voltemos a ser irmãos.

    A encíclica nos lembra que o coração é lugar de verdade, de feridas, de ternura e também de decisão. E é a partir desse lugar que podemos reconstruir o tecido esgarçado da solidariedade. Ser cristão — ou simplesmente humano — nessa era da indiferença é escolher, todos os dias, não se calar diante do sofrimento, não se conformar com a exclusão e não se render ao conforto da apatia. O amor que nos é revelado no Coração de Cristo é exigente, mas profundamente libertador: nos chama a ser presença, escuta, abraço.

    Superar a era da indiferença não exige heróis, mas corações despertos. Exige menos pressa e mais atenção. Menos julgamento e mais compaixão. A Dilexit Nos aponta um caminho espiritual e humano para reencontrarmos o que de mais essencial existe em nós: a capacidade de amar e ser afetado pelo outro. Porque no fim das contas, só um mundo com coração pode ser verdadeiramente justo e habitável.

  • Água, gente e sabedoria: a lição do sertão que o Papa Francisco aplaudiria

    Água, gente e sabedoria: a lição do sertão que o Papa Francisco aplaudiria

    Por Levon Nascimento

    Imagine um mapa que não mostra só rios e montanhas, mas histórias de resistência. É assim o estudo para criar a Reserva Tamanduá-Poções-Peixe Bravo no Norte de Minas. E ao lê-lo com os olhos da Encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, a gente entende: esse projeto é um retrato vivo do que o Papa chama de “ecologia integral” – onde natureza e cultura se abraçam. 

    No coração do Cerrado mineiro, comunidades geraizeiras e quilombolas vivem há séculos seguindo uma regra sagrada: “cada roda tem seu fuso, cada terra tem seu uso”. Como disse o Papa (LS 63), os saberes tradicionais são “um patrimônio cultural” que protege a terra. Eles sabem que:
    Chapadas guardam água como esponjas; 
    Carrascos (transição entre Cerrado e Caatinga) são farmácias naturais; 
    Vazantes alimentam gente e bicho na seca. 

    Mas essa sabedoria está ameaçada. O estudo do ICMBio mostra o avanço do eucalipto que seca nascentes e da mineração que rasga o solo. É a “cultura do descarte” que o Papa critica (LS 22): tratar a terra como mercadoria, não como lar. 

    A Laudato Si’ é enfática: “O acesso à água potável é direito humano básico” (LS 30). Pois a região da RDS é um berço d’água estratégico: 
    Abastece as bacias do São Francisco e Jequitinhonha; 
    Protege campos ferruginosos – formações raras que filtram e armazenam água; 
    Rios como o Peixe Bravo já sofrem com assoreamento e seca. 

    Sem a RDS, o “paradigma tecnocrático” (LS 109) – que vê a natureza como recurso infinito – continuará sugando a vida do sertão. 
     
    A ideia da Reserva nasceu das comunidades: 
    1. Geraizeiros pediram proteção quando viram seus “gerais” virando desertos verdes de eucalipto; 
    2. Quilombolas do Peixe Bravo uniram-se à luta, fortalecendo o tecido social (LS 149); 
    3. Até pesquisadores que queriam um Parque Nacional entenderam: aqui, gente e natureza são inseparáveis

    Como diz a Laudato Si’ (LS 143): “A ecologia também requer a preservação da cultura dos povos”.

    Criar a RDS Tamanduá, Poções e Peixe Bravo não é só “fazer uma reserva”. É: 
    – Proteger a “casa comum” (LS 3) num bioma que já perdeu 80% de sua vegetação; 
    – Valorizar os “últimos” (LS 158) – geraizeiros e quilombolas que defendem a terra com sabedoria ancestral; 
    – Garantir água para o futuro, numa região onde o clima semiárido se agrava. 

    O estudo técnico do ICMBio e a voz do Papa Francisco concordam: não há justiça ambiental sem justiça social. Neste sertão mineiro, a vida teima em florescer. Cabe a nós regá-la. 

    “Tudo está interligado. Por isso, requer-se uma preocupação pelo meio ambiente unida ao amor sincero pelos seres humanos.” 
    (Laudato Si’, 91) 

    P.S.: Este artigo é um chamado. Apoie a criação da RDS Tamanduá, Poções e Peixe Bravo. É um passo concreto para ouvir “o clamor da terra e o clamor dos pobres” (LS 49). Afinal, como ensina o sertão: “Água parada vira lama, gente unida vira correnteza”.

    Levon Nascimento é doutorando em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pelo Centro Universitário Dom Helder Câmara.

    Referências

    FRANCISCO. Laudato Si’: sobre o cuidado da casa comum. Vaticano, 24 maio 2015. Disponível em: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html. Acesso em: 3 jun. 2025. 

    MAIA, L. J.; VALARINI FILHO, L.; NOVAES, V. Síntese de estudos técnicos: proposta de criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos Tamanduá-Poções-Peixe Bravo. Brasília: ICMBio, 2025. 39 p. Arquivo PDF. 

  • Sertão: o mito do progresso e a realidade que engole o futuro

    Sertão: o mito do progresso e a realidade que engole o futuro

    Por Levon Nascimento

    Há dez anos, o Papa Francisco lançou a encíclica Laudato Si’, um grito de alerta: o “paradigma tecnocrático” – essa crença cega na tecnologia como solução para tudo – está destruindo o planeta e esmagando comunidades. Hoje, no semiárido brasileiro e em Minas Gerais, essa profecia se realiza diariamente. A mineração, travestida de “progresso” e “eficiência”, impõe uma lógica perversa: natureza é estoque, gente é obstáculo.

    Os desastres de Mariana e Brumadinho não foram acidentes. Foram a materialização desse pensamento. Barragens “estáveis” segundo laudos técnicos viraram túmulos porque ignoraram a vida humana rio abaixo. A técnica, supostamente neutra, serviu ao lucro rápido. O resultado? Lama tóxica, 272 mortos, rios assassinados.

    No semiárido, o drama é mais lento, mas não menos cruel. Empresas perfuram poços profundos com bombas de alta vazão para extrair minério, enquanto comunidades veem suas cacimbas e cisternas secarem. No Vale do Rio Peixe Bravo (Norte de Minas Gerais), a comunidade historicamente enraizada é constrangida por políticos e grandes empresários; seus saberes tradicionais são ridicularizados e desqualificados pelo “paradigma tecnocrático” denunciado pelo Papa Francisco; e o discurso de que “o progresso está chegando” suplanta os princípios de prevenção e precaução para com o frágil ambiente local, um dos últimos ainda razoavelmente preservado. Na Bahia e em Sergipe, o lençol freático baixou, secando fontes essenciais. Aqui, a guerra não é por ouro ou ferro: é por água. Quem perde são quilombolas, geraizeiros, agricultores familiares – tratados como “atraso” ao projeto de “modernidade” das mineradoras e dos políticos de província.

    A tecnocracia tem um rosto concreto:

    • Saberes locais apagados: Conhecimentos ancestrais sobre o manejo da terra e da água são desprezados em audiências públicas cheias de jargões técnicos incompreensíveis.
    • Natureza reduzida a números: Estudos de impacto medem água em “metros cúbicos afetados”, não em vidas humanas ou culturas destruídas.
    • Democracia esvaziada: Licenças são aprovadas em “fast-track”, comunidades são removidas à força ou manipuladas pelo poder do dinheiro, e recursos da CFEM (compensação financeira) desviados da saúde e educação.

    Laudato Si’ não é um tratado teórico. É um chamado à revolução ética: a “ecologia integral”. Isso significa:

    1. Colocar a vida acima do lucro: Proteger nascentes, restringir mineração em áreas frágeis, priorizar água para pessoas, não para britadores.
    2. Ouvir quem sabe cuidar: Incluir comunidades no planejamento, valorizar saberes tradicionais junto ao conhecimento técnico.
    3. Exigir responsabilidade real: Fim da impunidade corporativa. Quem polui, paga e repara. Auditorias independentes e controle público.

    Não basta tecnologia “verde” se a lógica for a mesma: extrair até esgotar. O semiárido clama por um novo paradigma, onde a técnica sirva à vida, não ao mercado. Dez anos depois da Laudato Si’, é hora de escolher: ou rompemos com essa engrenagem que transforma terra em commodity e gente em estorvo, ou seremos cúmplices da próxima tragédia anunciada. A água que falta no sertão hoje é o mesmo futuro que seca para todos nós.

  • Novo livro de Levon e o 10° ano da Laudato Si’, do Papa Francisco

    Novo livro de Levon e o 10° ano da Laudato Si’, do Papa Francisco

    O novo livro de Levon Nascimento, Quando o chão e o céu se encontram (3i Editora, 2025), a ser lançado em 18 de junho, às 19h, na Biblioteca Pública de Taiobeiras, conversa diretamente com os 10 anos da encíclica Laudato Si’ (2015), do Papa Francisco. Mais que uma homenagem, a obra atualiza e encarna os princípios da ecologia integral, conectando fé, justiça e cuidado com a vida em três caminhos principais:

    1. Ecologia integral como base de tudo

    Inspirado na ideia de que tudo está interligado — pessoas, natureza, espiritualidade — Levon propõe uma visão em que cuidar do planeta é também lutar por justiça social. Capítulos como “A Quaresma e a Campanha da Fraternidade 2025: um chamado à conversão ecológica” e “Tudo está interligado” mostram como o consumismo, o agroextrativismo predatório e o descarte de vidas humanas fazem parte do mesmo sistema que destrói a Terra. Aqui, ecoa a crítica do Papa ao “paradigma tecnocrático” e à cultura do descarte.

    2. Espiritualidade que pisa o chão da realidade

    A espiritualidade que o livro propõe não é desconectada da vida real. É encarnada — feita de gestos concretos, como os de Frei Jucundiano de Kok, que dedicou sua vida ao sertão mineiro, e de Padre Júlio Lancellotti, símbolo de resistência nas periferias. A peça sobre Frei Jucundiano, por exemplo, mostra como a simplicidade franciscana e o cuidado com os pobres são formas reais de viver a fé. O livro também provoca: “É possível salvar as almas sem se importar com os corpos?” — uma pergunta que cutuca qualquer fé que fuja da responsabilidade social.

    3. Brasil no centro: denúncia e esperança

    Levon traz a crise climática global para o nosso quintal. Fala das queimadas no cerrado, da violência contra os povos geraizeiros, da exploração do Alto Rio Pardo. E vai além: denuncia o ecofascismo e o tecnofeudalismo, nomes difíceis que representam sistemas que concentram poder e espalham injustiça. O autor mostra que lutar por justiça ambiental no Brasil é também lutar pela vida de quem mais sofre. E reafirma o legado do Papa Francisco: fé, ecologia e fraternidade como farol em tempos sombrios.

    Quando o chão e o céu se encontram é mais do que um livro. É um grito de esperança e um chamado à ação. Dez anos depois da Laudato Si’, Levon Nascimento mostra que os ensinamentos da encíclica estão mais vivos do que nunca — não como teoria, mas como prática que nasce no sertão, nas lutas populares e na coragem de quem insiste em cuidar da Casa Comum.

  • Quem cuida de Francisco não dorme

    Quem cuida de Francisco não dorme

    A escalada do extremismo de direita entre católicos, em objetiva contradição com Jesus e o Evangelho, e também com o Concílio Vaticano II, a Doutrina Social da Igreja e o pontificado de Francisco, é uma chaga dolorosa no corpo místico de Cristo.

    Preferem seguir ídolos autodenomidados “influencers” em vez dos planos pastorais tão teologicamente bem engendrados pela colegialidade da Igreja.

    Cegam-se para a palavra e os exemplos de coragem e profetismo do Papa Francisco, negando-lhe até mesmo a caridade da oração pela cura na internação recente.

    Outros, avançam no mar das trevas, enquanto oram o rosário sem meditar nas palavras de Maria no Magnificat (Lucas 1,46-55). Com desassombro, chegam a desejar a morte do vigário de Cristo na Terra.

    Perseguem ao Padre Júlio Lancellotti, que acode o povo em situação de rua de São Paulo; difamam ao Frei Lorrane, que testemunha Francisco de Assis na prática pelas ruas de Salvador; renegam ao Frei Sérgio Görgen, que ensina teologia nos fazeres da lida diária; e tentam apagar a memória do martírio de Irmã Dorothy Stang.

    Estão doentes de ódio. Trocaram o verdadeiro Messias por aquele outro, de pés de barro.

    O que me anima, como disse um amigo que nem católico é, ao comentar minha postagem de felicidade no dia em que o papa recebeu alta hospitalar, é que “para tristeza de muitos, quem cuida da vida de Francisco não dorme nunca”.

    “Coragem, eu venci o mundo” (João 16,33b) – disse-nos Jesus.

  • Ecologia Integral: cuidar dos idosos é dever das gerações mais novas

    Ecologia Integral: cuidar dos idosos é dever das gerações mais novas

    A família, núcleo fundamental da sociedade, carrega consigo uma responsabilidade ética e afetiva para com seus membros mais vulneráveis: os idosos e aqueles adoecidos. Essa responsabilidade transcende obrigações legais ou culturais; trata-se de uma questão de dignidade humana e justiça intergeracional. A “Ecologia Integral”, conceito proposto pelo Papa Francisco na encíclica Laudato Si’, reforça essa ideia ao defender que todas as dimensões da vida — social, ambiental, econômica e humana — estão interligadas. Assim, cuidar dos idosos não é apenas um ato individual, mas parte de um ecossistema relacional que sustenta a vida em comunidade.

    A dignidade humana dos idosos está intrinsecamente ligada ao modo como são acolhidos e valorizados. Em uma sociedade que muitas vezes idolatra a produtividade e a juventude, idosos e enfermos podem ser marginalizados, como se sua existência perdesse valor. Cabe à família, como primeiro espaço de pertencimento, garantir que esses indivíduos não sejam reduzidos a “custos” ou “problemas”. Isso inclui oferecer apoio emocional, acesso a cuidados médicos adequados e, sobretudo, preservar sua autonomia e voz. A Ecologia Integral nos lembra que negligenciar essa responsabilidade é romper o tecido social, gerando uma “cultura do descarte” que desumaniza tanto quem é abandonado quanto quem abandona.

    É urgente repensar o cuidado familiar sob uma perspectiva integral. Isso significa combater o individualismo e reorganizar prioridades, seja dividindo tarefas entre familiares, buscando políticas públicas de apoio ou simplesmente cultivando a presença afetiva. Cuidar de quem cuidou de nós não é um favor, mas um compromisso com a justiça e a compaixão. Afinal, uma sociedade só é verdadeiramente sustentável quando reconhece que a dignidade dos idosos é reflexo direto de sua própria humanidade.

  • A Quaresma e a Campanha da Fraternidade 2025: um chamado à conversão ecológica

    A Quaresma e a Campanha da Fraternidade 2025: um chamado à conversão ecológica

    A Quaresma é um período de 40 dias na liturgia católica que antecede a Páscoa, celebrando a ressurreição de Jesus Cristo. É um tempo de reflexão, penitência, oração e conversão, no qual os fiéis são convidados a se aproximar de Deus por meio do jejum, da caridade e da oração. A Quaresma é um momento propício para renovar a fé e viver uma vida mais alinhada com os valores do Evangelho.

    A Campanha da Fraternidade (CF) é uma iniciativa da Igreja Católica no Brasil, realizada anualmente durante a Quaresma, com o objetivo de promover a solidariedade, a justiça social e a conversão pessoal e comunitária. Desde 1964, a CF aborda temas relevantes para a sociedade, convidando os fiéis a refletir e agir em prol do bem comum.

    Em 2025, a Campanha da Fraternidade terá como tema “Fraternidade e Ecologia Integral” e o lema “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31). O tema chama a atenção para a necessidade de cuidar da criação, reconhecendo que tudo o que Deus criou é bom e que o ser humano tem a responsabilidade de proteger e preservar a natureza. A ecologia integral, proposta pelo Papa Francisco na encíclica Laudato Si’, vai além do cuidado com o meio ambiente, abrangendo também as dimensões sociais, econômicas e espirituais da vida humana.

    O lema “Deus viu que tudo era muito bom” remete ao relato bíblico da criação, no qual Deus contempla sua obra e a declara boa. Esse versículo nos convida a reconhecer a beleza e a bondade da criação, mas também a refletir sobre como o pecado humano tem ferido essa harmonia. A CF 2025 nos desafia a viver uma conversão ecológica, mudando nossos hábitos e atitudes para cuidar da “Casa Comum”, o planeta Terra.

    A vivência da Campanha da Fraternidade durante a Quaresma é profundamente significativa. A Quaresma é um tempo de conversão, e a CF 2025 nos convida a uma conversão integral, que inclui o cuidado com o meio ambiente. A ecologia integral não se limita à preservação da natureza, mas também envolve a justiça social, o respeito aos povos indígenas e tradicionais, e a busca por um modelo de desenvolvimento mais sustentável.

    Ao unir a Quaresma e a Campanha da Fraternidade, a Igreja nos convida a viver um tempo de profunda reflexão e ação. A Quaresma nos prepara para a Páscoa, celebrando a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, enquanto a CF 2025 nos desafia a ser agentes de transformação no mundo, cuidando da criação e promovendo a fraternidade universal.

    Portanto, a Campanha da Fraternidade 2025, com seu tema e lema, nos convida a viver a Quaresma de forma mais consciente e comprometida, reconhecendo que a conversão ecológica é um caminho essencial para a construção de um mundo mais justo, solidário e sustentável. Que este tempo quaresmal seja uma oportunidade para renovarmos nosso compromisso com Deus, com o próximo e com a criação.

  • Você reza pela saúde do Papa Francisco?

    Você reza pela saúde do Papa Francisco?

    Em tempos de incerteza e angústia, a fé tem o poder de unir corações ao redor do mundo. A presente internação do Papa Francisco, que enfrenta complicações decorrentes de uma pneumonia dupla, tem mobilizado fiéis, líderes religiosos e instituições, tanto no Brasil quanto no exterior, para uma corrente de oração e esperança. Essa mobilização não apenas evidencia a relevância do pontífice da “Casa Comum” para milhões de pessoas, mas também ressalta como momentos de fragilidade podem fortalecer a comunhão e a solidariedade entre os cristãos e não-cristãos.

    Na Catedral de Buenos Aires, antiga sede do então Cardeal Bergoglio (Francisco), fiéis se reuniram em uma vigília de oração no domingo, 23. Esse gesto manifesta a devoção que move aqueles que, com fé, desejam a recuperação do Santo Padre argentino, reafirmando que a esperança é coletiva.

    No Brasil, a mobilização é ainda mais intensa e diversificada. De Norte a Sul, inúmeras iniciativas foram organizadas para interceder a Deus pela saúde do Papa. Há relatos de orações diárias em várias dioceses e paróquias de todos os cantos do país. Líderes religiosos enfatizam a importância de se unir em prece, recordando momentos bíblicos, como a libertação de Pedro, primeiro papa segundo os católicos, nos Atos dos Apóstolos, e comparando-os à situação atual do pontífice, cuja recuperação é esperada pelos que se acostumaram à sua autenticidade evangélica.

    Enquanto muitos fiéis se dedicam às orações locais, a iniciativa dos cardeais residentes em Roma destaca um movimento de união em nível global. Na Praça São Pedro, os purpurados, acompanhados por colaboradores da Cúria Romana e da Diocese de Roma, reúnem-se todas as noites, às 21 h locais (17 h no horário de Brasília), para rezar o terço em favor do Papa.

    Além das iniciativas promovidas pelas hierarquias e comunidades locais, organizações como a Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP Brasil) organizaram uma semana inteira de oração dedicada à recuperação do Papa. A programação especial tem momentos de reflexão, missa e preces coletivas.

    Por fim, a convocação dos bispos de todo o Brasil reforça que essa é uma causa que vai muito além dos muros da Igreja. O apelo por orações evidencia não só o profundo respeito e carinho que o Papa Francisco desperta, mas também a responsabilidade dos líderes da Igreja em estimular uma atitude solidária em um momento tão delicado.

    A pergunta “Você reza pela saúde do Papa Francisco?” vai além de um mero ato religioso; ela é um convite para refletir sobre a importância da fé, da união e da esperança em tempos de crise, em favor de um gigante do nosso tempo. Independentemente das crenças pessoais, esse momento nos relembra que, muitas vezes, o que nos une é maior do que qualquer diferença – e que a oração, como expressão de solidariedade, tem o poder de transformar as circunstâncias mais difíceis em oportunidades de renovação e comunhão.

  • Há quem queira mal ao Papa Francisco? Entenda o contexto

    Há quem queira mal ao Papa Francisco? Entenda o contexto

    Em meio à recente internação do Papa Francisco, que desperta preocupação global, emerge nas sombras um fenômeno perturbador: campanhas de ódio e especulações prematuras lideradas por setores da extrema-direita, tanto dentro quanto fora da Igreja Católica. Enquanto fiéis ao redor do mundo oram por sua recuperação, grupos conservadores e figuras políticas aproveitam o momento para atacar seu legado, revelando não apenas uma divergência ideológica, mas uma rejeição aos princípios cristãos que Francisco encarna.

    Como destacado pelo site UOL, há uma “torcida pela morte do Papa Francisco nas redes”, um reflexo da “escalada do ódio” em tempos de polarização (Sakamoto, 2025). Esse comportamento, que transforma a fragilidade humana em espetáculo macabro, contrasta radicalmente com a mensagem de compaixão e misericórdia que o pontífice defende. Não se tratam apenas de críticas políticas, mas de um ataque à própria essência do cristianismo, que Francisco busca revitalizar: um compromisso com os pobres, a justiça social e a ecologia integral.

    A oposição ao Papa frequentemente se disfarça de zelo doutrinário, mas esconde interesses escusos. Phyllis Zagano, citada no site do Instituto Humanitas Unisinos (IHU), aponta que, embora figuras como Donald Trump contratem católicos para sua base, “suas ações não refletem em nada a doutrina social católica” (Zagano, 2024). Essa contradição expõe como setores conservadores instrumentalizam a religião para fins de poder, ignorando ensinamentos centrais como o acolhimento a migrantes e a denúncia da desigualdade.

    Francisco, ao contrário, insiste em temas incômodos para elites políticas e econômicas. Seu apelo por “uma Igreja pobre para os pobres” e suas críticas ao “capitalismo selvagem” desestabilizam alianças entre religiosos e poderosos. Não é casual que, como revela o IHU, haja suspeitas de que um futuro conclave esteja sendo “organizado com dólares estadunidenses” para enfraquecer seu legado (IHU, 2023). A batalha é também financeira: setores conservadores, muitas vezes apoiados por magnatas, buscam o retorno a uma Igreja mais dogmática e menos envolvida com causas sociais.

    Dentro da Cúria, cardeais alinhados à direita já sinalizam movimentos para influenciar o próximo conclave. Jean-Claude Hollerich, arcebispo de Luxemburgo, denuncia: “É horrível que os cardeais já estejam trabalhando no conclave” enquanto o Papa vive (IHU, 2023). A pressa em enterrar seu pontificado revela o medo de que suas reformas, como a descentralização do poder (sinodalidade) e a abertura a divorciados e LGBTQ+, se tornem irreversíveis.

    Contudo, como argumenta outro artigo do IHU, “se o conclave quiser um segundo Francisco, eis o nome e o programa” (IHU, 2023). A resistência à sua agenda é, paradoxalmente, um sinal de seu êxito. Seu estilo pastoral, marcado pelo diálogo e pela simplicidade, resgata o núcleo do Evangelho, frequentemente obscurecido por disputas teológicas. Francisco lembra que “alguém rezou para que eu fosse para o paraíso, mas o Senhor da colheita decidiu me deixar aqui por um tempo” (IHU, 2024). Sua permanência é um convite à Igreja para não fugir de sua missão profética.

    A aversão da extrema-direita ao Papa Francisco não é mera disputa eclesiástica. É a rejeição de um cristianismo que desafia estruturas de opressão. Seus críticos preferem uma fé ornamental, alheia aos gritos dos marginalizados. Francisco, porém, insiste que a autenticidade cristã está no serviço, não no poder.

    Enquanto especulações e ódio tentam silenciar sua voz, seu exemplo persiste: uma Igreja que cheira às ovelhas feridas, não aos palácios. Em tempos de cinismo, Francisco é um lembrete de que o Evangelho, quando vivido radicalmente, ainda pode incomodar e transformar o mundo.

    Links dos artigos citados:

    1. https://www.ihu.unisinos.br/648740-o-papa-a-meloni-alguem-rezou-para-que-eu-fosse-para-o-paraiso-mas-o-senhor-da-colheita-decidiu-me-deixar-aqui-por-um-tempo
    2. https://www.ihu.unisinos.br/648985-enquanto-trump-contrata-catolicos-suas-acoes-nao-refletem-em-nada-a-doutrina-social-catolica-artigo-de-phyllis-zagano
    3. https://ihu.unisinos.br/648950-chega-de-especulacoes-e-horrivel-que-os-cardeais-ja-estejam-trabalhando-no-conclave-entrevista-com-jean-claude-hollerich
    4. https://www.ihu.unisinos.br/categorias/636720-um-conclave-organizado-com-dolares-estadunidenses
    5. https://www.ihu.unisinos.br/categorias/616172-se-o-conclave-quiser-um-segundo-francisco-eis-o-nome-e-o-programa
    6. https://noticias.uol.com.br/colunas/leonardo-sakamoto/2025/02/23/torcida-pela-morte-do-papa-francisco-nas-redes-mostra-escalada-do-odio.htm
  • Tudo está interligado

    Tudo está interligado

    * Levon Nascimento

    Enquanto Donald Trump abandona o Acordo de Paris e busca salvar os canudinhos de plástico, em prejuízo do clima, de rios, mares, oceanos e da vida aquática; taxa os países pobres e em desenvolvimento de maneira exorbitante para garantir a riqueza de poucos bilionários, vindo a causar desemprego e fome nas periferias do mundo e de sua própria nação; expulsa os imigrantes dos Estados Unidos, à custa da contradição de ser ele próprio filho e marido de mulheres que migraram para aquele país; ameaça deportar massivamente os palestinos de suas casas e terras na Faixa de Gaza; em rebeldia, devemos nos recordar da poesia da criação, no capítulo primeiro do Gênesis, independentemente de crença ou descrença religiosa.

    O sagrado autor da tradição hebraica, ao elencar a criação da luz, do dia, da noite, do céu, da terra e do mar (Gn 1,3-10); da vegetação, (Gn 1,11-13); do sol, da lua, das estrelas (Gn 1,14-19); dos animais aquáticos e das aves (Gn 1,20-23); dos animais terrestres (Gn 1,24-25); e do ser humano (Gn 1,26-31), sempre arremata com “E Deus viu que era bom” (Gn 1,10b.12b.18b.21b.25b); e finaliza exultante, diante da humanidade, “Então Deus viu tudo quanto havia feito, e era muito bom” (Gn 1,31).

    No início do segundo milênio cristão, Francisco de Assis retoma essa visão de bondade criativa e exalta a natureza como presente divino. Il poverello de Assisi, assim cantou em êxtase, diante da beleza do mundo:

    Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente o meu senhor irmão sol, o qual faz o dia e por ele nos alumia. E ele é belo e radiante com grande esplendor: de Ti, Altíssimo, nos dá ele a imagem. Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã lua e pelas estrelas, que no céu formaste claras, preciosas e belas. Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão vento, pelo ar, pela nuvem, pelo sereno, e todo o tempo, com o qual, às tuas criaturas, dás o sustento. Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água, que é tão útil e humilde, e preciosa e casta. Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão fogo, pelo qual iluminas a noite: ele é belo e alegre, vigoroso e forte”.

    O padroeiro da ecologia enxergou a criação como extensão da bênção do criador. Retomou no cristianismo a visão religiosa que liga espírito e criação, humanidade e todos os demais seres vivos, o cósmico e o natural, a divindade e o mundo.

    Mais recentemente, o Papa Francisco, em sua Carta Encíclica Laudato Si’, retorna ao Gênesis e a São Francisco. Nela, o primeiro papa latino-americano aborda o cuidado da “Casa Comum”, que é o nosso Planeta Terra, destacando uma ecologia integral, que una as preocupações ambientais e sociais. Francisco convoca todos, crentes e não crentes, a refletirem sobre a degradação ambiental, como as alterações climáticas, a perda de biodiversidade e as desigualdades sócio-econômicas entre os seres humanos, propondo uma mudança de paradigma, para um desenvolvimento sustentável e solidário.

    Francisco conclui a Laudato Si’ convidando a todos para adotarem um novo estilo de vida, mais simples e solidário, expurgando a tentação consumista. Ele enfatiza a importância da esperança e da ação. Para o argentino, a criação é um ato de amor de Deus, logo, ela não pode ser encarada como objeto de troca econômica, de ganância e lucro, mas como dom e presente para todos os seres humanos e para todas as criaturas não-humanas. Tudo interligado.

    Partindo dessas três fontes irretocáveis da tradição cristã: o Gênesis, São Francisco de Assis e o Papa Francisco, pode-se proclamar que as escolhas de Trump, de seus asseclas da extrema-direita mundial e de sua demoníaca teologia do domínio são heréticas. Instrumentalizam Deus e seu Filho Jesus em nome do capital, da guerra e do lucro. Contaminam e profanam a criação, tanto quanto poluem as águas, os solos e os ares. Ignoram que “tudo está interligado, como se fôssemos um”. Entregam-se à morte e condenam os inocentes a morrer.

    É urgente resgatar a teologia do cuidado dentro da tradição cristã, quaisquer que sejam as denominações. Fontes teológicas é que não faltam. A fraternidade e a ecologia integral serão as formas pós-contemporâneas da verdadeira fidelidade de todo crente ao Evangelho de Jesus.

    * Levon Nascimento é leigo católico, professor de história e doutorando em  Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável.

  • Emergência climática e a Laudate Deum

    Emergência climática e a Laudate Deum

    O planeta está esquentando. O calorão do fim do ano passado, o dilúvio no Rio Grande do Sul, neste mês, e uma infinidade de outros acontecimentos comprovam, praticamente, o que a ciência já vinha alertando há anos.

    Não são necessários profetas do terror e do medo. Não é castigo de um Deus cruel e sanguinário, que para punir os pecadores mata os inocentes. É ciência. É capitalismo predatório. É questão ambiental e climática. Sem negacionismo e fake news!

    Os estudos científicos mostram que esse aquecimento é acelerado pela ação humana, através da emissão dos Gases de Efeito Estufa.

    Trata-se do Antropoceno, período histórico-geológico marcado pela presença e ação do ser humano sobre a natureza.

    Se você é cristão ou, simplesmente, pessoa de boa vontade, recomendo que leia a este livreto da foto. Trata-se da Exortação Apostólica Laudate Deum, sobre a Crise Climática, lançada pelo Papa Francisco em 04 de outubro de 2023.

    Vamos ver o que ainda é possível ser feito…

    #papafrancisco #laudatosi #laudatedeum #criseclimática  #mudançaclimática

  • O santo e o fariseu

    Eu vejo Francisco como um papa que tenta trazer as pessoas para perto do amor de Jesus Cristo: divorciados, gays, imigrantes, pobres, mulheres, muçulmanos, orientais, etc, sem a necessidade de mutilá-los em sua cultura com nossos dogmas milenares; ao mesmo tempo em que denuncia a sociedade de consumo que desumaniza as pessoas e descaracteriza a criação divina, nossa casa comum.
    Estranho mesmo é gente que se diz de Igreja (quaisquer igrejas) pregando o ódio, falando mais no diabo do que em Deus, mergulhando no irracionalismo tipo “shalarilarabá”, adorando o vil metal como se fosse bênção e afastando todos aqueles a quem Francisco tenta abraçar.
    Essa é a diferença entre um santo e um fariseu aos nossos olhos.
  • Arrebatadores e resilientes: Francisco e Lula

    Francisco em Copacabana, Lula em Salinas

    * Por Levon Nascimento 

    Em quarenta anos de vida, só senti o que vou narrar aqui duas vezes.


    Há pessoas que conseguem arrebatar pelo carisma. Na falta de expressão melhor, é como se uma energia poderosa emanasse delas e atingisse todos à volta. Uma onda de euforia, alegria e confiança se propaga.

    Não são deuses, santos ou entidades metafísicas. Humanos, imperfeitos e que muitas vezes se equivocam como os demais homens e mulheres. Mas são especiais.

    Sua especialidade se encontra na capacidade de liderarem. Não precisam de um exército ou de armas poderosas para imporem vontades. Semeiam ideias. Aliás, sua força e autoridade se concentram justamente na capacidade de se fazerem povo, gente como os outros, demonstrarem suas fraquezas e emoções, mas ao mesmo tempo as transformarem no combustível para a luta, o serviço e o enfrentamento das injustiças.

    Arrebatam multidões por onde passam porque não são covardes e, ainda, porque simbolizam a resiliência dos de baixo, dos rostos sofridos, dos escravizados e excluídos, dos explorados, inspirando compaixão, respeito, confiança, esperança e amor.

    Um desses resilientes arrebatadores com quem tive a experiência da energia que toca a multidão é o Papa Francisco, na praia de Copacabana, em julho de 2013.

    O outro é Luiz Inácio Lula da Silva, em Salinas, Norte de Minas Gerais, na tarde da quinta, 26 de outubro de 2017.

    Francisco é a grande voz mundial contra a ganância capitalista (Baal) destruidora da humanidade e da criação. Enfrenta reações desonestas até mesmo de agentes do clero, mas persiste na Revolução do Evangelho, sem esmorecer.

    Lula, o grande brasileiro, apesar de toda a perseguição midiática, jurídica e ignominiosa, caminha entre o povo de cabeça erguida. Em tempos de descrédito da política como via preferencial para a resolução de conflitos, reúne multidões nas praças do país para falar e fazer política.

    Não discuto aqui os feitos desses dois homens. Exalto a necessidade que a conjuntura atual tem de que prossigam vivos e ativos entre nós, por muito tempo. O amor, a solidariedade e o povo que não tem vez nem voz na agenda dos poderosos desta Terra agradecem.

  • Os ataques a Francisco

    Dia de São Pedro é também o Dia do Papa. Por que tantos ataques ao papa atual vindos de grupos de dentro da própria Igreja? Vejamos:
    Há quatro anos Francisco assumiu a chefia de uma instituição bimilenar atolada em denúncias de pedofilia e em que os casos eram acobertados por altas autoridades do clero. Ele não só deu publicidade, instituiu normas de controle, encontrou-se com vítimas e baniu até mesmo cardeais que acobertavam pedófilos.
    Quando assumiu, a cúria romana estava desgovernada, com vazamentos de documentos secretos, fato que segundo consta fizeram até mesmo o seu antecessor (Bento XVI) chegar ao ato extremo de renunciar, coisa que não acontecia na Igreja há mais de cinco séculos. Ele criou uma comissão externa de aconselhamento, destituiu lideranças envolvidas nos escândalos e iniciou um processo de reestruturação da cúria, focando-a mais na vocação para o serviço evangélico do que em ser a corte mundana de um monarca absolutista.
    Em 2013, encontrou o Banco do Vaticano envolvido em falcatruas diversas. Demitiu todos os envolvidos e aceitou todas as normas e procedimentos que as autoridades civis julgam necessárias para a transparência e honestidade das finanças da Igreja.
    Encontrou um igreja com o umbigo voltado para o fundamentalismo xenófobo eurocêntrico. Abriu-a para as questões das mulheres, dos refugiados e das “periferias do mundo”, nomeando cardeais dos lugares mais improváveis da Terra, como de países pobres da África, da Ásia e da América Latina, além de ter-se comprometido com pautas de redução das desigualdades sociais, ambientais e de gênero.
    Demitiu bispos que viviam em mansões e constrói lavanderias comunitárias, cozinhas populares e centros de recepção de desabrigados e refugiados dentro dos próprios palácios vaticanos, para os pobres de Roma e de fora.
    Enquanto grupos cristãos extremistas pregam a guerra contra o Islã ou sofre ameaças de atentados por parte de terroristas islâmicos, busca o diálogo e o respeito com a comunidade muçulmana.
    Agora, descobre-se que grupos extremistas da Igreja, quase medievais, escandalosamente se divertem com “previsões demoníacas” que apontariam para a morte iminente do Papa Francisco. Outros (grupos católicos), acham maravilhoso que Trump tenha ganho várias “paradas”, porque enxergam no presidente americano o grande rival de Francisco. Outros, ainda, já não temem gravar vídeos em que o tratam por “estúpido”. Pior, uma apatia de certos indivíduos do clero em implementar suas decisões e conselhos.
    Nunca me foi tão claro quanto agora de que, em verdade, para quem tem fé, o Papa Francisco foi realmente escolhido por Jesus para guiar a Igreja neste momento tão difícil pelo qual passa a humanidade. E mais, conta com a força do Mestre para reconstruir a Casa de Deus e a Casa Comum, como o outro Francisco, o de Assis.
    Vida longa a Francisco! Deus o abençoe, o proteja e o mantenha firme. Nós precisamos dele e de sua coragem nestes tempos de neofascismo e extremismo.
  • Papa Francisco: diálogo ao invés de vigança

    O papa Francisco, lúcido e cristão, apela ao diálogo fraterno com todas as religiões, ao entendimento e ao amor, mesmo diante de um padre católico degolado por terroristas islâmicos. Não prega o ódio, a vingança ou a guerra. Age como seu Mestre e Senhor, Jesus Cristo.
    Triste é ver católicos tradicionalistas criticando o papa por não demonstrar ira ou convocar uma nova cruzada contra o Islã. Essa gente é como os fascistas que querem mais armas nas mãos dos cidadãos ante a violência urbana, reduzir a maioridade penal ou aprovar penas de prisão perpétua ou de morte. Se não forem os mesmos. Eles se nutrem de raiva.
    Está certo o papa Francisco por não sucumbir aos sentimentos sanguinários nem vingativos. O autêntico sucessor do apóstolo Pedro, representante de Jesus na Terra, tem de ser ponte (pontífice) entre os homens de diversas raças e culturas, entre a humanidade e o Pai celestial.
    Estou contigo, Francisco!
  • Romero, Helder Câmara e Luciano: tempo de colher santos

    Dom Oscar Romero
    Dom Helder Câmara e Dom Luciano Mendes de Almeida

    Dom Oscar Romero em breve será beatificado. Dom Helder Câmara declarado “Servo de Deus” pelo Papa Francisco. O processo de beatificação de Dom Luciano Mendes de Almeida já avança. Houve um tempo em que as sementes foram plantadas na América Latina; e regadas pelo sangue do Cordeiro e dos Mártires da Caminhada. Agora é hora de colher Santos

  • Reflexões pascais de 2015

    Engraçado! Quando o Papa Francisco fala mensagens reconfortantes, bonitinhas, quase de autoajuda, um monte de gente curte e compartilha. Já quando o mesmo pontífice prega pelo fim da pena de morte e contra a redução da maioridade penal, a maioria dos católicos ignora ou se cala. Seguir Jesus na entrada de Jerusalém, quando povo o recebeu com ramos de oliveira e gritos de “Hosana” é fácil. Quero ver carregar a cruz com ele, debaixo de chicotadas, na sexta-feira da paixão! (3 de abril de 2015)

    Segundo a imprensa e na boca dos que a seguem, o Brasil está passando por uma crise econômica violentíssima por culpa da Dilma. No entanto, a mesma imprensa dá a notícia de filas imensas na frente de lojas especializadas que vendem ovos de páscoa de chocolate. Alguns, de até R$ 500,00, já estão esgotados. Que crise é esta, meu povo?! (3 de abril de 2015)

    Tem um tipo de cristão que só lê o Levítico e o Deuteronômio: machista, misógino e intolerante. Recomendo uma ou várias leituras bem aprofundadas dos quatro Evangelhos, em especial das partes que tratam do Sermão da Montanha. Aprenda diretamente com Jesus sobre respeito às mulheres, tolerância com os diferentes e capacidade de acolhimento aos que são considerados “pecadores”. (3 de abril de 2015)

    Apesar de toda a tristeza do sábado santo, que pode ser comparada, em significado e em profundidade, às várias lamúrias e tempestades de nossa vida pessoal, social e coletiva, temos nos ouvidos e na memória a exortação de Jesus: “Não tenham medo”! Sabemos que, assim como o sábado triste deságua na alegria do domingo da Ressurreição Pascal do Cristo, também nossa luta por justiça, dignidade e igualdade se concluirá com a vitória do Reino Definitivo. É só mais um pouco… mais um pouco de tempo histórico… e logo… logo mesmo… vai raiar a Aurora da Páscoa (definitiva)! (4 de abril de 2015)

  • "Eu vim para servir" é o lema da Campanha da Fraternidade 2015

    Começa nesta Quarta-feira de Cinzas um precioso tempo que Deus nos dá para a mudança de vida, a conversão e o serviço aos que sofrem: a Quaresma. Junto com ela, a Campanha da Fraternidade. Como cristãos, busquemos, a exemplo de Cristo, ficar do lado “dos órfãos e das viúvas” (os mais pobres e excluídos em sentido amplo).

    O tema da Campanha da Fraternidade de 2015 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) é “Fraternidade: Igreja e Sociedade”. Já o lema, baseado no Evangelho de São Marcos, capítulo 10, versículo 45, é “Eu vim para servir”.

  • Dom Oscar Romero das Américas

    Dom Oscar Romero

    “Não é um prestígio para a Igreja estar bem com os poderosos. Prestígio para a igreja é sentir que os pobres a sentem como sendo sua, sentir que a igreja vive uma dimensão na terra, chamando todos, também os ricos, à conversão e à salvação a partir do mundo dos pobres, porque eles são unicamente os bem-aventurados.” (Dom Oscar Romero 17/02/1980).

    Motivo de muita alegria. O Papa Francisco reconheceu o martírio de Dom Oscar Romero, arcebispo de El Salvador, assassinado pela ditadura militar salvadorenha, em 1980, enquanto celebrava a missa, por se posicionar do lado dos mais pobres e perseguidos. É o primeiro passo para a canonização.