Tag: Política

  • A lista de Epstein

    A lista de Epstein

    A chamada “lista de Epstein” — e todo o processo que a envolve — expõe denúncias gravíssimas e relações obscuras entre figuras poderosíssimas do capitalismo global e redes de exploração e abuso. Nesse universo de poder, Donald Trump e outros bilionários aparecem como personagens centrais de um sistema profundamente corrompido, ao passo que Jair Bolsonaro surge como um de seus aliados políticos mais explícitos.

    Não é casual, portanto, que esse mesmo bloco de poder tenha se articulado contra o Papa Francisco, justamente por ele ter sido uma das vozes mais firmes na denúncia das injustiças estruturais, da mercantilização da vida e da idolatria do dinheiro.

    Se há algo que possa ser chamado de “besta do Apocalipse” ou “anticristo” em nosso tempo, ele não se apresenta em figuras míticas, mas nas engrenagens concretas desse sistema econômico desumanizante, amplamente revelado nos escândalos ligados a Epstein.

    O mais triste é ver setores da extrema-direita cristã curvarem-se diante desse poder, confundindo fé com submissão ao capital. Nesse sentido, assumir uma posição de esquerda — comprometida com justiça social, dignidade humana e solidariedade — é, a meu ver, estar muito mais próximo do ensinamento de Cristo do que das forças que o negam.


    Nome de Trump aparece em registros de voos ligados à Epstein — Foto: Reprodução
  • Prestação de Contas: Governo Lula leva desenvolvimento e inclusão a Taiobeiras

    Prestação de Contas: Governo Lula leva desenvolvimento e inclusão a Taiobeiras

    Contra dados e fatos não há argumentos.Veja o que Lula já investiu em Taiobeiras em seu 3º mandato.
    Por Levon Nascimento

    O Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem garantido, desde 2023, uma série de investimentos que fortalecem o desenvolvimento econômico e social de Taiobeiras (MG). Em apenas dois anos, o município recebeu mais de R$ 196 milhões em transferências diretas do governo federal — sendo R$ 99,4 milhões em 2024 e R$ 96,7 milhões em 2023 — valores aplicados em obras, programas sociais, saúde, habitação, cultura e agricultura.

    Na área social, o Bolsa Família é um dos pilares do apoio às famílias de baixa renda: 3.929 famílias taiobeirenses são beneficiadas, com média de R$ 656,99 mensais, e 86,49% delas são chefiadas por mulheres. Esse dado reforça a política de inclusão e combate à pobreza liderada pelo governo federal.

    Na saúde, o impacto é igualmente expressivo. O Mais Médicos conta hoje com 16 profissionais atuando no município, ampliando o acesso da população à atenção básica. O Brasil Sorridente mantém uma equipe de saúde bucal e um Centro de Especialidades Odontológicas custeado pelo governo federal. Além disso, o governo Lula garantiu R$ 6,39 milhões em repasses para o cumprimento do piso nacional da enfermagem, assegurando valorização e estabilidade aos profissionais da área. Pela Farmácia Popular, 3.043 pessoas foram atendidas em 2024, a maior parte com medicamentos gratuitos.

    A cultura também foi valorizada: Taiobeiras recebeu R$ 324 mil pela Lei Paulo Gustavo e R$ 263 mil pela Lei Aldir Blanc, destinados ao fomento de iniciativas culturais locais e à valorização de artistas da região.

    No campo, o incentivo à produção rural tem fortalecido tanto o agronegócio quanto a agricultura familiar. Em 2024, o Plano Safra garantiu 18 contratos de crédito que somaram R$ 5,7 milhões, enquanto o Pronaf firmou 326 contratos, totalizando R$ 5,8 milhões, beneficiando centenas de pequenos produtores e famílias agricultoras.

    A habitação também avançou: o programa Minha Casa, Minha Vida assegurou 128 moradias populares, com R$ 13,2 milhões investidos, e mais dois novos empreendimentos já selecionados atenderão 71 famílias de baixa renda, reforçando o direito à moradia digna.

    Esses resultados demonstram que Taiobeiras tem recebido atenção constante e concreta do Governo Federal. As ações coordenadas entre os ministérios e programas estratégicos reafirmam o compromisso do presidente Lula com o desenvolvimento regional, a justiça social e a melhoria da vida dos brasileiros — uma gestão marcada por competência, diálogo e capacidade de reconstruir o país com foco nas pessoas.

    Fonte: Secretaria de Comunicação da Presidência da República.

    Leia também: Dilexi te: o que a primeira exortação do Papa Leão XIV tem a dizer a Taiobeiras?

  • Taiobeiras e a caverna de Platão

    Taiobeiras e a caverna de Platão

    por Levon Nascimento

    Por décadas, Taiobeiras aprendeu a se ver pelas sombras que tremulam na parede. Alimentada por frases de efeito como “terra dos vencedores” e “cidade empreendedora”, foi se acostumando a confundir brilho com luz, movimento com progresso, aparência com verdade. A alegoria da caverna de Platão, escrita há mais de dois mil anos, nunca fez tanto sentido: enquanto muitos se encantam com as imagens cuidadosamente produzidas para as redes sociais, para as campanhas publicitárias e os eventos de marketing institucional, outros lutam para sair da escuridão — e encaram o desconforto de enxergar aquilo que não querem mostrar.

    E o que se vê, quando se olha com coragem, são feridas abertas. Taiobeiras tem sido marcada, há muito tempo, pela hegemonia de grupos conservadores, herdeiros de um ciclo político que atravessa gerações — da UDN à ARENA, do coronelismo às oligarquias mais modernas, sempre com novos nomes, mas velhas práticas. A cultura clientelista, disfarçada de eficiência ou liderança, sufoca a democracia com promessas rasas e favores. É o “joelismo sem Joel”, como me peguei pensando um dia — um sistema que sobrevive à queda de seus próprios líderes, porque mantém intacta a estrutura de poder e de privilégios. E, enquanto isso, quem vive nas margens continua à deriva. A renda se concentra. O debate político empobrece. E o silêncio, muitas vezes, é comprado, cooptado ou simplesmente imposto.

    A realidade, contudo, insiste em escapar da maquiagem. Em 2016 e 2017, Taiobeiras esteve entre as cidades mais violentas da região. O número de homicídios cresceu quase 30% em apenas um ano (10° BPMMG, 2017 apud NASCIMENTO, 2018, p. 35). Quem perdeu a vida — ou perdeu um filho — sabe que não se trata de estatística, mas de um luto que se repete. Jovens negros, pobres e periféricos pagaram o preço de uma sociedade de mercado, desumanizada. A herança do autoritarismo fez irradiar a violência.

    Foi nesse vácuo que floresceu um novo discurso: o do empreendedorismo redentor. Agora, quem fracassa não é vítima de um sistema injusto, mas de sua própria incompetência. A responsabilidade social virou responsabilidade individual. A pobreza virou culpa. E o sucesso, privilégio travestido de mérito.

    Mas a caverna não aprisiona só pela política e pela economia. Ela se estende à cultura, ao meio ambiente, à memória coletiva. Em 2023, o pequizeiro centenário do Cruzeiro — mais que uma árvore, um símbolo de fé e identidade comunitária — foi derrubado por uma motosserra. O gesto, longe de ser apenas técnico ou administrativo, foi brutal em sua simbologia. Revelou um modelo de desenvolvimento que atropela o que não entende, que finge não ouvir os clamores da terra e da gente, e que chama de “progresso” o que, no fundo, é destruição.

    Essa prisão simbólica, construída tijolo por tijolo ao longo de décadas, também ajuda a explicar por que ideias autoritárias encontram tanto eco em nossa cidade. Em 2022, quando me perguntaram como Bolsonaro venceu em Taiobeiras, respondi sem hesitar: não foi ruptura, foi continuidade. O conservadorismo daqui não é um acidente. É parte de uma construção histórica, feita de exclusão, de silenciamentos e de valores coloniais que ainda nos atravessam. Vivemos uma cultura em que o “ter” vale mais do que o “ser”, e em que os modos de vida das classes trabalhadoras são engolidos por um modelo de aparência burguesa e solitária. Mesmo na cidade, onde vive mais de 80% da população, falta a prática de solidariedade e organização coletiva que, por vezes, resiste com mais força no campo. Desde os anos 1970, o agronegócio molda não só a economia, mas o imaginário local, concentrando renda e padronizando mentalidades.

    Taiobeiras será, de fato, uma cidade empreendedora — no melhor sentido da palavra — quando descobrir que o maior investimento possível é na dignidade de seu povo. O maior lucro, a justiça. O maior feito, a liberdade compartilhada. Romper com as sombras exige coragem, mas é também um gesto de amor. Amor à cidade, às suas histórias escondidas, às vozes caladas, às sementes que ainda resistem no chão. Nenhuma caverna dura para sempre quando há quem se levante, quem questione e, sobretudo, quem escolha caminhar para fora dela. Porque há luz. E ela começa onde termina o medo de ver.

  • O que há por detrás da ideologia empreendedora em Taiobeiras?

    O que há por detrás da ideologia empreendedora em Taiobeiras?

    Taiobeiras, no norte de Minas Gerais, orgulha-se de ser “cidade de gente vencedora” e “terra do espírito empreendedor” — frases que se repetem em discursos oficiais, campanhas midiáticas e até nas salas de aula. Celebrar o talento e o esforço é legítimo, mas essa narrativa pode esconder uma armadilha: reduzir o sucesso humano apenas ao lucro e ao mérito individual, encobrindo desigualdades profundas e cultivando mentalidades excludentes e até mesmo supremacistas.

    Estudos sobre o empreendedorismo no Brasil mostram que quase 40% dos trabalhadores por conta própria atuam por necessidade, não por escolha ou oportunidade (Raasch et al., 2020). Em Taiobeiras, muitos dos chamados “empreendedores” são agricultores familiares ou trabalhadores em serviços essenciais — muitos na informalidade — que lutam pela sobrevivência, não pelo enriquecimento. A retórica do “vencedor nato”, portanto, ignora aqueles que enfrentam falta de crédito, infraestrutura precária, ausência de formação humanística e políticas públicas moldadas apenas para atender aos interesses de oligarquias locais.

    Por trás dessa exaltação, há um projeto ideológico. Como apontam Leite e Lindôso (2018), o neoliberalismo transformou o empreendedorismo em uma “resposta individualizada a problemas sociais”, transferindo para o cidadão a culpa pelo desemprego, pobreza e ausência de perspectivas estruturantes, as quais somente alguns têm acesso. Enquanto muitos sonham em “virar o próprio chefe”, os direitos trabalhistas vão sendo negligenciados, e a condição humana do trabalhador é deixada de lado. Mascara-se a exploração por meio da promessa de riqueza que só vem para alguns por motivos óbvios e historicamente determinados.

    A meritocracia vendida como solução é, na verdade, um mito perverso. Quando se insinua que “quem não vence é porque não se esforçou” (Costa, 2009), apagam-se os fatores estruturais que moldam a realidade: heranças familiares, apadrinhamentos político-econômicos, informações privilegiadas, acesso desigual à educação e privilégios históricos de propriedade. Isso constrói uma hierarquia simbólica que marginaliza quem não se encaixa no perfil idealizado do “empreendedor de sucesso”.

    A saída está em repensar o próprio conceito de sucesso. A educação, aqui, é chave. É urgente educar filosoficamente o taiobeirense. Ser grande não é apenas acumular bens econômicos. Há um mundo vasto a ser descoberto — e é fundamental se lançar nele com criticidade e sensibilidade. Em vez de reforçar clichês, poderia se valorizar histórias da coletividade: produções culturais e artísticas, trajetórias intelectuais, realizações nos esportes, na música, no fazer alternativo. Isso também é vitória. Isso também é potência transformadora.

    No fim das contas, a pergunta persiste: quem perde quando uma cidade só celebra os “vencedores” do dinheiro? Taiobeiras só será verdadeiramente empreendedora quando entender que o maior lucro é a dignidade compartilhada. Como diz um velho ditado sertanejo: “Sozinho você corre rápido; junto, você vai longe”. O espírito coletivo, e não o individualismo, é o único caminho para um desenvolvimento que realmente não deixe ninguém para trás.

  • Bolsonaro traiu o Brasil. Mas, quem duvidava disso?

    Bolsonaro traiu o Brasil. Mas, quem duvidava disso?

    Em um enredo que mistura tragédia grega, farsa política e reality show, a família Bolsonaro elevou a “traição à pátria” de crime hediondo a plataforma de carreira. Nas últimas semanas, assistimos a um espetáculo digno de roteiristas de Hollywood: Eduardo Bolsonaro, instalado nos EUA como lobista de si mesmo, implorava a Donald Trump que “defendesse meu pai”. O resultado? Trump, em gesto de “solidariedade”, anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros – um abraço de urso, uma amizade de onça. 

    Jair Bolsonaro, que antes se vestia de verde-amarelo até para dormir, agora financia o filho com 2 milhões para conspirar contra o Brasil do exterior. Enquanto isso, em Brasília, o ex-presidente recebe a PF de pijama e é presenteado com uma tornozeleira eletrônica – acessório que, diga-se, combina mais com seu novo estilo de vida do que as botas de capitão. O mesmo homem que gritava “Brasil acima de tudo” agora sussurra “Trump acima do Brasil” (Trump above Brazil) nos ouvidos do magnata. 

    Eduardo pedia a Trump sanções seletivas contra ministros do STF, sonhando com a Lei Magnitsky como “sniper jurídico”. O que ganhou? Uma bomba atômica tarifária que desemprega brasileiros, estrangula o agronegócio e afunda a indústria. Como bem resumiu um analista: “Pediam um sniper e ganharam uma bomba atômica”. A reação do clã? Um lacônico “lamento” – eco assustadoramente familiar dos tempos pandêmicos. “Quer que eu faça o quê? Não sou coveiro” – disse o Jair em vez de comprar vacinas.

    Enquanto o país calcula prejuízos bilionários, Bolsonaro posa de vítima: “Suprema humilhação”, lamenta, ao vestir a tornozeleira. Ignora que a humilhação real é ver um ex-presidente acusado de atentar contra a soberania nacional, traição em Seu mais alto grau. Seu conselho a Lula? “Negocie com Trump!”. Sim, o mesmo Trump que ele armou contra o Brasil. Quem duvidava que a hipocrisia atingiria níveis olímpicos? 

    Até ex-diplomatas, homens de linguagem comedida, romperam o decoro: “É um caso claro de traição à pátria”. Lula, em tom cáustico, sintetizou: “Quem se abraça na bandeira americana é patriota falso”. E o STF, ao impor a tornozeleira e bloquear contatos com embaixadas, enviou um recado: traidores não merecem salvo-conduto, mas monitoramento constante. 

    Eduardo, do exílio dourado, ameaça seu próprio país: “Ninguém bate de frente com Trump!”. Esqueceu que, em 2025, seu pai virou apenas um pé-frio com tornozeleira, e o Brasil, um país que aprendeu: patriotismo de hashtag não paga a conta do desemprego. 

    Para os Bolsonaros, “Brasil acima de tudo” era slogan, não promessa. Já para o resto do país, a piada acabou – e a conta chegou.

  • Brasil Soberano: Quando a Constituição vira escudo

    Brasil Soberano: Quando a Constituição vira escudo

    Texto voltado para alunos que vão fazer o ENEM. Tema: Soberania nacional.

    Em julho de 2025, o Brasil acorda com uma notícia pesada: Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, decide cobrar uma tarifa de 50% sobre tudo o que o Brasil exporta para lá. A medida passa a valer no dia 1º de agosto.

    O motivo? Trump alega que o Brasil está censurando redes sociais americanas e critica o julgamento de um ex-presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, acusado de não respeitar o resultado das eleições democráticas e tentar dar um golpe de Estado. Ele chama o processo no Supremo Tribunal Federal (STF) de “vergonha internacional” e “caça às bruxas”.

    Mas essa não é só uma briga comercial. É um ataque direto à soberania do Brasil, ou seja, ao direito de decidir os próprios caminhos sem interferência de outros países. Esse direito está logo no começo da nossa Constituição de 1988, no Artigo 1º: o Brasil é um Estado Democrático de Direito fundado na soberania popular.

    A resposta do governo brasileiro vem rápida e com base na lei. O atual Presidente do Brasil, Lula, usa a Lei de Reciprocidade Econômica, mostrando que o país também sabe se defender. Ele cita o Artigo 4º da Constituição, que fala da não-intervenção nos assuntos internos de outros países. Em um discurso no Congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes), o Presidente Lula afirma: “Esse país só é soberano porque o povo brasileiro tem orgulho dele.”

    E anuncia: “Vamos cobrar imposto das empresas digitais norte-americanas.”

    Ou seja, a resposta é clara: se tentam prejudicar o Brasil, o país reage – mas sempre respeitando as regras do jogo.

    O problema fica ainda mais sério porque Trump tenta dar palpite em decisões da Justiça brasileira. Ele pede a anistia do ex-presidente acusado de tentar um golpe, algo que ataca diretamente o Artigo 5º da Constituição, que garante a independência do nosso Judiciário. Como diz Rubens Ricupero, ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos: “É uma intervenção inaceitável contra a soberania nacional.”

    Essa situação traz uma lição importante: a Constituição de 1988 não é só um papel guardado em Brasília. Ela é um escudo real que protege o Brasil de ameaças externas e internas. Quando o Presidente Lula declara que Trump “não é imperador do mundo”, ele repete a ideia de Ulysses Guimarães, que em 1988 chama a Constituição de “repúdio ao autoritarismo”.

    Outro ponto importante da crise é a liberdade de expressão. Trump acusa o Brasil de censura, mas esquece que o Artigo 220 da Constituição diz que é proibido restringir a liberdade de imprensa. Só que a mesma Constituição também afirma que as plataformas digitais precisam ser responsabilizadas se espalharem fake news, discurso de ódio ou ameaças à democracia. Como o atual Presidente Lula diz na UNE: “Não aceitamos que, em nome da liberdade de expressão, se façam agressões e mentiras.”

    O STF (Supremo Tribunal Federal) decide recentemente que as big techs precisam moderar postagens criminosas. Isso não é censura; é proteger a sociedade.

    Se você vai fazer a redação do ENEM, esse caso é um ótimo exemplo para discutir temas como:

    1. Soberania popular (Art. 1º da Constituição): o povo brasileiro decide os caminhos do país. As manifestações das “Diretas Já” e a eleição de 2022 mostram isso.

    2. Autodeterminação (Art. 4º): cada país tem o direito de resolver seus problemas sem interferência externa. Por isso, o Presidente da República afirma: “Somos um país soberano.”

    3. Função social do Estado (Art. 3º): quando um país mais rico impõe tarifas pesadas, isso prejudica a economia e aumenta as desigualdades. Isso vai contra a Constituição, que quer um Brasil mais justo e menos desigual.

    O ministro Ayres Britto resume bem: “A harmonia entre os Poderes é desejável, mas a independência é imprescindível.”

    Em 2025, o Brasil está sendo testado justamente nessa independência. E o seu papel, jovem, é entender que soberania não é um discurso vazio; é a base da democracia.

    O Artigo 3º da Constituição diz que devemos construir “uma sociedade livre, justa e solidária”. Isso significa que o Brasil não pode ser submisso a interesses estrangeiros.

    💡 Dica para o ENEM: Use a frase do Presidente Lula – “O Brasil não é refém de ninguém” – para mostrar como a soberania está ligada à dignidade humana. O Artigo 1º, III da Constituição diz que a dignidade é um dos pilares do Estado brasileiro.

    Fontes:
    BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. 1988.
    Carta de Donald Trump ao governo brasileiro (09/07/2025). Tradução: Agência Brasil.
    Discurso do Presidente da República no 60º CONUNE (17/07/2025). G1 e Teletime.
    RICUPERO, Rubens. Entrevista à CartaCapital (09/07/2025).

  • A semana que encerra e os desafios do Brasil: soberania, justiça e o futuro da Nação

    A semana que encerra e os desafios do Brasil: soberania, justiça e o futuro da Nação

    O Brasil sob ataque

    A semana que finda em 12 de julho de 2025 entrará para a história como um divisor de águas na trajetória brasileira. Entre ameaças externas, tensões políticas domésticas e desafios econômicos estruturais, o Brasil viu-se diante de uma encruzilhada que testou sua soberania, sua coesão institucional e seu projeto de nação. A imposição de tarifas de 50% por Donald Trump aos produtos brasileiros, justificada como represália às investigações contra Jair Bolsonaro, não foi apenas um ato econômico: foi uma declaração de guerra assimétrica contra a democracia brasileira.


    1. A ingerência externa e a resposta brasileira

    A chantagem como ferramenta geopolítica

    A carta pública de Donald Trump, vinculando tarifas comerciais à interferência no processo judicial contra Bolsonaro, configurou um inédito ataque à soberania nacional. Como destacou José Dirceu, trata-se de uma “conspiração contra o Brasil”, onde o bolsonarismo atuou como vetor de interesses estrangeiros: “Bolsonaro e seus filhos devem ser processados por traição e conspiração contra a segurança nacional”. A reação de Lula foi imediata e contundente: invocou a Lei de Reciprocidade Econômica e afirmou que o Brasil “não aceitará ser tutelado por ninguém”.

    O paradoxo de Trump: um tiro no pé

    Analistas como Juan Pablo Spinetto (Bloomberg) apontam que a medida de Trump pode fortalecer Lula politicamente. Ao unir a opinião pública em torno da defesa da soberania, Trump desvia o foco da oposição e fragiliza aliados de Bolsonaro, como Tarcísio de Freitas, que se alinhou publicamente ao presidente estadunidense.

    “Ao se envolver no caso de Bolsonaro, Trump acaba prejudicando inadvertidamente as melhores chances da direita de derrotar Lula” – JP Spinetto.


    2. As fraturas internas: bolsonarismo e submissão

    Tarcísio e a inversão institucional

    O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, protagonizou um episódio surreal: telefonou a ministros do STF para propor a devolução do passaporte de Bolsonaro, permitindo que ele “negociasse” com Trump o fim das tarifas. Leonardo Sakamoto sintetizou o absurdo: “Tarcísio jogou a institucionalidade no lixo e agiu como office boy de Bolsonaro”. A atitude ignora que o confisco do passaporte visa impedir a fuga de um investigado por tentativa de golpe de Estado.

    A elite conivente e seu despertar tardio

    Dirceu critica a conivência das elites econômicas com o bolsonarismo, que fecharam os olhos ao financiamento do 8 de janeiro e à estadia ilegal de Eduardo Bolsonaro nos EUA. Agora, com perdas concretas – como 58 contêineres de pescados barrados nos EUA –, parte delas reage.


    3. Os desafios estruturais: entre a reindustrialização e a justiça tributária

    A economia fechada e a desindustrialização

    Vitor Lippi (deputado federal) alerta que o Brasil tem “baixa integração às cadeias globais de valor” e é uma “economia fechada”, dependente de commodities. Apesar de cases de sucesso como Embraer e Weg, falta uma estratégia agressiva de inserção internacional.

    A taxação dos super-ricos: uma questão de equidade

    Neste contexto, a defesa da taxação de grandes fortunas por Walter Salles Jr. – ele mesmo herdeiro de uma das 50 maiores fortunas do Brasil – ecoa como um manifesto ético: “É importante corrigir as distorções de um sistema que cobra mais de quem tem menos”. Sua posição simboliza o amadurecimento de setores privilegiados que entendem que a justiça fiscal é um pilar da coesão social.


    4. Geopolítica: BRICS, China e o novo multilateralismo

    A solidariedade dos BRICS

    A resposta de Lula às tarifas não se limitou ao plano bilateral: articulou-se no âmbito dos BRICS. A China já criticou publicamente as tarifas de Trump, afirmando que “não devem ser usadas como instrumentos de coerção”. O bloco representa um contraponto ao unilateralismo estadunidense e um canal para diversificar parcerias.

    A guerra cibernética e a soberania digital

    Celso Amorim (ex-ministro da Defesa e das Relações Exteriores) lembra que o Brasil já sofreu ataques cibernéticos contra empresas e instituições de Estado. Em um mundo onde “a linha entre espionagem e guerra é tênue”, a soberania digital é um novo front de defesa nacional.


    5. Os pilares para reconstrução

    A semana que encerra expôs feridas abertas, mas também apontou caminhos:

    1. Soberania como valor absoluto: A resposta à chantagem de Trump deve ser técnica (Lei de Reciprocidade) e diplomática (articulação com BRICS).
    2. Justiça tributária como projeto nacional: A taxação de grandes fortunas, como defendida por Salles, é um passo para reduzir desigualdades históricas.
    3. Reindustrialização inclusiva: Integrar-se às cadeias globais de valor exige abrir a economia sem abdicar de políticas industriais estratégicas.
    4. Unidade democrática: A defesa das instituições – STF, TSE, Presidência – não é uma bandeira partidária, mas um imperativo cívico.

    “O Brasil é dos brasileiros” – Lula.

    Em um momento onde forças externas e internas buscam fragilizar o projeto nacional, a resposta deve ser a construção de um pacto social pela soberania, envolvendo empresários, trabalhadores e Estado. Como alertou Dirceu: “Hoje parece claro que quem está com Trump está contra o Brasil”. A semana que passou não foi apenas um teste: foi um chamado à reinvenção do Brasil como nação soberana, justa e globalmente relevante.

    REFERÊNCIAS

    DIRCEU, J. “Bolsonarismo e submissão a Trump colocam em risco a soberania nacional”. Brasil 247, 9 jul. 2025. Disponível em: https://www.brasil247.com/brasil/bolsonarismo-e-submissao-a-trump-colocam-em-risco-a-soberania-nacional-alerta-jose-dirceu. Acesso em: 11 jul. 2025.

    LULA, L. I. Reação a anúncio de tarifas de Trump. Twitter, 9 jul. 2025. Disponível em: https://iclnoticias.com.br/economia/lula-reagem-trump-tarifa-lei-brasileira/. Acesso em: 11 jul. 2025.

    SAKAMOTO, L. “Tarcísio joga institucionalidade no lixo e age como office boy de Bolsonaro”. UOL, 11 jul. 2025. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/colunas/leonardo-sakamoto/2025/07/11/tarcisio-joga-institucionalidade-no-lixo-e-age-como-office-boy-de-bolsonaro.htm. Acesso em: 11 jul. 2025.

    SPINETTO, J. P. “Ameaça tarifária de Trump pode fortalecer Lula”. Bloomberg via ICL Notícias, 11 jul. 2025. Disponível em: https://iclnoticias.com.br/economia/tarifa-trump-fortalecer-lula-spinetto/. Acesso em: 11 jul. 2025.

    LIPPI, V. “O desafio do Brasil para ser competitivo na produção global”. Poder360, 11 jul. 2022. Disponível em: https://www.poder360.com.br/opiniao/o-desafio-do-brasil-para-ser-competitivo-na-producao-global/. Acesso em: 11 jul. 2025.

    AMORIM, C. “Segurança Internacional: novos desafios para o Brasil”. Contexto Internacional, v. 35, n. 1, 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/cint/a/BQqGv36X8LW7CN4tGbBRFrb/. Acesso em: 11 jul. 2025.

    SALLES, W. Discurso no Prêmio Faz a Diferença. ICL Notícias, 8 jul. 2025. Disponível em: https://iclnoticias.com.br/walter-salles-defende-taxacao/. Acesso em: 11 jul. 2025.

  • O que são direita e esquerda, de forma simplificada?

    O que são direita e esquerda, de forma simplificada?

    Você já ouviu alguém dizer que “direita e esquerda não existem mais” ou que são rótulos ultrapassados? Ou que a sociedade está polarizada entre esquerda e direita? O filósofo italiano Norberto Bobbio, em seu livro Direita e Esquerda: razões e significados de uma distinção política (Editora Unesp, 2011), discorda da primeira questão. Para ele, essa divisão ainda é útil para entender as ideologias que moldam o mundo. Vamos descomplicar.

    A origem dos termos é histórica: durante a Revolução Francesa (1789), os revolucionários que defendiam mudanças sociais radicais sentavam-se à esquerda da assembleia, enquanto os conservadores, que apoiavam os privilégios da burguesia, da nobreza e do clero, ficavam à direita. Bobbio, no entanto, vai além da anedota: o cerne da diferença está em como cada lado enxerga a igualdade.

    Para a esquerda, reduzir desigualdades sociais e econômicas é prioridade. Isso não significa “tornar todos iguais”, mas garantir que as diferenças de riqueza, acesso à saúde, educação e oportunidades não sejam fruto de injustiças estruturais, como o racismo e a espoliação da força de trabalho da maioria. A esquerda tende a defender políticas redistributivas (como impostos progressivos — menos para os mais pobres e mais para os muito ricos), serviços públicos universais e a intervenção do Estado para proteger os mais vulneráveis.

    Já a direita entende que certas desigualdades são naturais ou até necessárias. Seu foco está no individualismo e na competição, com papel limitado do Estado na regulação econômica. A ideia é que, se o mercado e a competição funcionarem livremente, o progresso econômico beneficiará a todos, mesmo que alguns acumulem mais riqueza. Para a direita, a igualdade formal — todos com os mesmos direitos perante a lei — é suficiente; tentar igualar os resultados seria interferir na liberdade abstrata.

    Bobbio reconhece que há nuances. Existem esquerdas moderadas e radicais, direitas liberais e autoritárias. Além disso, temas como ambientalismo, racismo, feminismo, direitos LGBTQIA+ e imigração ganharam destaque nas últimas décadas. Ainda assim, o eixo central continua sendo a relação entre igualdade e liberdade. Enquanto a esquerda prioriza a igualdade (mesmo que isso exija limitar certas liberdades econômicas, como taxar grandes fortunas), a direita enfatiza a liberdade individual (mesmo que isso acentue a pobreza extrema e super-riqueza de poucos indivíduos).

    Muitos criticam essa divisão por considerá-la simplista, mas Bobbio argumenta que ela continua útil para organizar o debate político. Quando um partido propõe aumentar os gastos com educação pública (esquerda) ou aumentar a idade mínima de aposentadoria (direita), estamos vendo essa dicotomia em ação. Entendê-la não é engessar o pensamento, mas ter um mapa para navegar pelas escolhas que definem sociedades mais justas e livres.

    A distinção entre direita e esquerda não é perfeita, mas permanece válida. Como cidadãos, reconhecer essas visões nos permite refletir: queremos um Estado que corrija desigualdades ou que priorize a autonomia individual? A resposta varia, mas o importante é que o debate continue vivo. Afinal, como lembra Bobbio, a política é, no fundo, a luta por qual mundo queremos construir.

    Este texto trata dos conceitos de direita e esquerda exclusivamente sob a ótica da democracia clássica, tal como estabelecida durante o Iluminismo. Dessa forma, não abrange as manifestações da extrema-direita de caráter nazifascista e antidemocrático, tampouco as correntes da esquerda socialista de orientação marxista-leninista. No cenário político atual do Brasil, a direita tradicional foi em grande parte absorvida pela extrema-direita de viés protofascista, representada pelo bolsonarismo. Por sua vez, a esquerda politicamente viável — como o lulismo e o petismo — caracteriza-se, na prática, como social-democrata, com traços nacional-desenvolvimentistas e inspiração keynesiana. Já a esquerda comunista permanece restrita a pequenos agrupamentos políticos, como o PCO, PSTU, PCB, entre outros.

    Fonte:

    BOBBIO, Norberto. Direita e Esquerda: razões e significados de uma distinção política. 3. ed. São Paulo: Editora Unesp, 2011.

  • Contra a anistia para salvar a democracia

    Contra a anistia para salvar a democracia

    Anistiar (perdoar os crimes d)os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 não é, no mínimo, uma medida de justiça restaurativa – é um risco direto à manutenção do Estado Democrático de Direito. Nos debates recentes, renomados juristas e especialistas em Direito vêm apontando argumentos contundentes contra essa proposta, que, se aprovada, representaria não só um retrocesso jurídico, mas também um incentivo perigoso à impunidade.

    Punição da tentativa de golpe como pilar da Democracia

    Um dos argumentos centrais é o de que a punição para a tentativa de golpe é indispensável. Afinal, se um golpe se efetivasse, o país perderia os alicerces da ordem democrática e as instituições responsáveis pela proteção dos direitos fundamentais deixariam de existir. Assim, ao não punir aqueles que tentaram derrubar a ordem constitucional, abre-se um precedente que pode comprometer a própria existência do Estado Democrático de Direito.

    Coerência constitucional e a proteção das instituições

    Diversas personalidades do Direito ressaltam que crimes contra a ordem democrática não podem ser tratados com leviandade. A professora Eloísa Machado de Almeida, da FGV, por exemplo, defende que a Constituição, ao impedir a anistia para crimes contra as instituições fundamentais do país, mantém a coerência interna do ordenamento jurídico – princípio que garante que ninguém possa ser perdoado por ter atentado contra a própria existência do Estado. De forma similar, a jurista Tânia Maria de Oliveira, da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia, alerta que conceder anistia seria uma invasão das competências do Judiciário, ao desviar a responsabilidade de julgar e condenar os atos antidemocráticos para o âmbito puramente político.

    Incentivo à impunidade e o perigo dos precedentes

    Outro ponto levantado é que liberar os condenados – ou mesmo atenuar suas penas por meio da anistia – envia uma mensagem perniciosa: a de que atos violentos e antidemocráticos podem ser praticados sem consequências reais. O ministro Alexandre de Moraes já afirmou que “um criminoso anistiado é um criminoso impune”. Essa impunidade não só fragiliza o respeito às leis, mas também pode inspirar futuras tentativas de golpe, pois demonstra que o ataque às instituições pode, eventualmente, sair sem a devida sanção.

    Risco de erosão da confiança nas instituições

    Por fim, a própria liberação dos responsáveis pelos atos de 8 de janeiro pode comprometer a confiança da sociedade nas instituições democráticas. O professor João Feres Júnior, do IESP-UERJ, destacou que a libertação dos radicais presos não promove pacificação, mas sim sinaliza que é possível subverter as estruturas do Estado sem enfrentar as consequências necessárias. Esse risco de abrir precedentes perigosos é, sem dúvida, um dos maiores entraves para o fortalecimento da democracia.

    Conceder anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro é, portanto, muito mais do que uma questão política – trata-se de defender, de forma intransigente, o próprio princípio de que a democracia exige respeito irrestrito às suas instituições. Ao perdoar a tentativa de golpe, estaríamos abrindo caminho para que a violência e o autoritarismo sejam normalizados, fragilizando o Estado e colocando em risco todos os avanços democráticos conquistados. Manter a punição rigorosa para tais atos é indispensável para assegurar que a democracia brasileira continue sendo um regime de direitos e garantias fundamentais, onde a lei prevaleça acima de interesses políticos momentâneos.

  • Newton Cardoso

    *Levon Nascimento

    Morreu hoje, 2 de fevereiro de 2025, o ex-governador de Minas Gerais (1987-1991), o baiano Newton Cardoso (PMDB), nascido em Brumado.

    Empresário muito rico, dono de fazendas de gado e reflorestamento de eucalipto, inclusive a Veredão, em Berizal, adquirida no tempo em que aquelas terras ainda faziam parte do município de Taiobeiras.

    Consta que a única vez que um presidente da República pisou os pés em solo taiobeirense foi quando Newtão, como era conhecido, recebeu José Sarney na sede de sua propriedade. O avião presidencial pousou no aeroporto que até hoje serve ao latifúndio do então governador mineiro. Dizem as más línguas que aquela pista aeroportuária era para ser construída na cidade de Taiobeiras. Eu era criança, não sabia de nada.

    Muito próximo do ex-prefeito taiobeirense Joel da Cruz Santos, é justamente deles dois juntos que guardo memórias, flashes do meu tempo de menino. Lembro-me do dia em que inauguraram o prédio da Escola Estadual Presidente Tancredo Neves, atualmente minha unidade de trabalho. Também me recordo da inauguração da estação de captação e tratamento de água de Taiobeiras, na margem do Rio Pardo, na estrada que vai para São João do Paraíso. A festa foi na Praça da Matriz, com Newtão descerrando a placa e Joelão abrindo o hidrante e jogando água no povo, que pulava de emoção.

    Outra memória que tenho é de 1989. Eu na sexta série, na Escola Estadual Oswaldo Lucas Mendes. Nossa professora de história, Edna Silveira, liderou a greve histórica por melhorias salariais para os trabalhadores em educação. Houve uma celeuma entre ela e a diretora. Obviamente, tomamos partido do lado da professora. Num dos dias da greve, com a Avenida Amazonas deserta, colamos cartazes nas palmeiras que até hoje existem, em frente do Colégio, com charges que continham o corpo de um suíno desenhado e a cabeça do então governador, recortada de propagandas eleitorais, colada no bichinho. Enfim, coisas de adolescentes que viveram a redemocratização dos anos 80.

    Também é necessário dizer que no Arquivo Nacional, em pesquisa recente que realizei, encontrei referências à novela da Barragem de Berizal que remontam a 1989. Os documentos da época, que qualquer cidadão pode encontrar online,  afirmam que a obra não saiu do papel por decisão de Newton Cardoso, para não desagradar ao aliado Geraldo Santana, então deputado estadual por Salinas e presidente da CEMIG.

    Newton Cardoso foi sucedido no governo de Minas Gerais por Hélio Garcia.

    *Professor de História em Taiobeiras

  • A prisão do general de Bolsonaro

    A prisão do general de Bolsonaro

    Para que serve um general? Em tese, para liderar as forças armadas de seu país contra perigos externos, que ameacem o seu povo.

    Do que é acusado o general Braga Netto, ex-candidato a vice de Bolsonaro, preso hoje? De planejar: golpe de Estado, que mataria a liberdade democrática de sua própria Pátria, e o assassinato do presidente eleito Lula, do vice-presidente eleito Alckmin e do ministro-presidente da Justiça Eleitoral Alexandre de Morais.

    Em vez de defender a todos os brasileiros, independentemente da opção político-partidária destes, como é o dever de um general, Braga Netto preferiu atacar uma parte considerável dos seus próprios compatriotas, que elegeram Lula em 2022, mas que tinham escolhido Bolsonaro em 2018, como acontece nas democracias.

    O general teria praticado esses crimes porque não concordava em ter perdido a eleição presidencial? Obviamente, não se justifica. Na democracia, a guerra se resolve na política. Quem ganha, governa. Quem perde, vira oposição. Quatro anos depois, o quadro pode se inverter. E assim, sucessivamente. Não há espaço para golpes e assassinatos.

    Enfim, se tivesse dado certo o plano do general Braga Netto, estaríamos em uma ditadura. Perderíamos o direito de manifestar e votar. Pessoas como você e eu, hoje, talvez estivéssemos em prisões, sendo torturadas, ou até mesmo mortas. Por qual crime? Nenhum. Apenas pelo fato de termos posições políticas diferentes das do modo como pensa a extrema-direita.

    Entendeu o risco e o perigo? Por isso, atitudes como a de Braga Netto e seus comparsas devem ser combatidas com a lei. Nada contra os militares honestos, que cumprem o seu papel constitucional.

  • É preciso apontar para a esperança

    É preciso apontar para a esperança

    * Levon Nascimento

    Em 15 de junho de 2024, participei do Encontro Municipal do Partido dos Trabalhadores em Taiobeiras, no qual foi oficializada a Federação Brasil da Esperança no município, junto com o Partido Verde, para as eleições proporcionais.

    No mesmo evento, mulheres e homens da classe trabalhadora apresentaram as suas pré-candidaturas a vereadora, vereador e prefeito, para o pleito de 2024.

    Perguntei-me, no íntimo, o que de fato fazíamos ali. O que significa a nossa luta neste mundo de hoje?

    Enquanto…

    1. o governo de extrema-direita de Israel mata milhares de vidas palestinas, especialmente crianças, idosos e mulheres;
    2. Trump, com seu discurso negacionista, racista e xenófobo, lidera as pesquisas de intenção de votos para a presidência dos Estados Unidos;
    3. a extrema-direita europeia, anti-imigração, anti-negros e anti-latinos, faz barba, cabelo e bigode nas eleições parlamentares da União Europeia;
    4. as mudanças climáticas provocam, em todo o planeta, dilúvios bíblicos e secas homéricas, calor excessivo e derretimento das geleiras, desabrigados ambientais e desequilíbrios econômicos crescentes, com efeitos devastadores aos países do Sul global e às populações mais pobres do mundo;
    5. no Brasil, o nazifascismo bolsonarista continua popular e impune, apesar do genocídio de 700 mil vidas perdidas pela negligência na pandemia, da tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023 e da corrupção concreta e ideológica que propagou nos infernais quatro anos de Bolsonaro na presidência;
    6. o agronegócio, a mineração predatória e o desmatamento para fins econômicos continuam a envenenar o solo e as águas, aprovando mais e mais agrotóxicos; matando indígenas e grilando terras; apoiando o armamentismo e financiando o processo de ignorância cultural do povo brasileiro;
    7. a alienação religiosa e cultural leva dominados a emularem o papel dos dominadores; a explorados sem consciência da exploração; aos pobres negando os próprios direitos e destruindo suas próprias identidades étnicas e culturais;
    8. Artur Lira e seu bando, hipócritas, usam o nome de Deus para proteger estupradores, atacam o direito das mulheres sobre o arbítrio do próprio corpo e chantageiam o Governo democraticamente eleito pela maioria dos brasileiros;
    9. Em Taiobeiras, muitos perderam a vontade de decidir sobre o seu próprio destino, terceirizando a uma elite – que já se bastou a si própria e perpetuou-se no tempo – o poder de comandar os rumos da coletividade.

    O que nós, da classe trabalhadora, fazemos na luta política diante de todo esse enredo maligno?

    Não tenho respostas prontas para a pergunta que me fiz. Mas, admito suposições. Suponho que, fazendo mais do mesmo não teremos realidade novas.

    É preciso que rompamos com a sociedade que se acomodou com o discurso dos “especialistas em coisa nenhuma”, dos coaches de mensagens sentimentalistas e vazias e dos mascates da fé.

    Mais do que eleições, miremos na formação do povo e na superação do individualismo. É pela cultura que renovaremos a esperança da nossa gente por justiça social e inclusão humana.

    Vencer uma eleição é necessário. Porém, mais do que um mandato, necessitamos de refundar o caráter antissistêmico da esquerda política. Não dá mais para nos conformarmos com a falácia de que o capitalismo é o fim da história. Temos de descortinar o dia posterior, a luz no fim do túnel, a esperança em vez do “é assim mesmo”.

    É urgente apontar à esperança!

    * Professor de História. Graduado em Ciências Sociais pela Unimontes. Mestre em Estado, Governo e Políticas Públicas pela Flacso/Fundação Perseu Abramo. Doutorando em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pela Escola Superior Dom Helder Câmara. Pré-candidato a Prefeito de Taiobeiras.

  • Com o que deveremos nos preocupar nas eleições municipais?

    Com o que deveremos nos preocupar nas eleições municipais?

    * Levon Nascimento

    O Governo do Presidente Lula tem feito o dever de casa daquilo que lhe compete, apesar da gritaria da mídia alinhada ao mercado financeiro, da óbvia oposição de extrema-direita ou da sabotagem do chamado “centrão”. Uso das palavras do jornalista Mario Vitor Santos, colunista do Brasil 247, em artigo de 04/06/2024: “um governo com emprego beirando recorde histórico, inflação em queda e salários em recuperação”.

    É claro que temáticas artificiais e inócuas, produzidas pelas usinas de fake news e besteirol, a serviço de interesses in(confessos) dos liberais xucros, estarão na pauta das eleições municipais: ideologia de gênero, armamentismo da população, combate ao comunismo, Deus, Pátria, Família, etc. Também os negacionismos ridículos baterão o ponto, como à ciência, às mudanças climáticas e às vacinas. A Terra Plana capotará. Teorias conspiratórias, globalismo e outras sandices, também.

    Porém, para quem tem mais de dois neurônios, que sabe do valor do Estado laico e entende que a família precisa é de saúde, moradia, emprego, salário com poder de compra e educação para as crianças, a pauta verdadeira das eleições deverá girar em torno dos problemas reais do povo; e das competências básicas das municipalidades em resolver a vida das pessoas.

    E é aí que surge o dever do império da responsabilidade para as candidaturas sérias, que de fato se apresentarão com propósito de viabilidade. Candidatos a vereadores/as, vices e prefeitos/as, que se propõem a fazer história e a deixar legado para as gerações futuras, deverão abandonar o terraplanismo e o verde-amarelismo de ocasião, e se pautarem pela racionalidade honesta, na hora de conversar com as pessoas. Campanha eleitoral também é momento de educação popular.

    Sola de sapato, ouvido e saliva, à exaustão, deverão ser usados para encontrar o povo, ouvir suas necessidades e debater com as bases sociais acerca das concretas necessidades dos cidadãos e cidadãs, que vivem é no município, como disse alguma raposa política do passado, em grandiloquente síntese de razão e veracidade.

    Que o eleitor e a eleitora compreendam que só se pode cobrar dos candidatos e candidatas, nesta eleição, aquilo que é de competência do nível municipal da federação. Esqueçam-se das motociatas e bravatas, bem como dos coaches de internet. Eles vivem nas bolhas das redes, não no universo real em que eu e você precisamos de políticas públicas para melhorar, de fato, as nossas vidas.

    É momento de exigir: a universalização da rede de coleta e tratamento de esgoto sanitário; a melhoria da iluminação pública; sistemas eficientes de drenagem das águas das chuvas; estradas rurais em permanente estado de boa conservação; escola pública com segurança e qualidade pedagógica; sistema de saúde que atenda às reais demandas de quem não pode pagar pelos tratamentos; apoio à educação do campo; políticas de meio ambiente voltadas para a mitigação da crise climática; adesão dos municípios ao Programa Minha Casa Minha Vida, alimentação saudável, ar puro e livre de venenos em nossas cidades e campo; etc.

    Se vender o voto, votar no candidato festeiro ou seguir os rebanhos religiosos da política, mais uma vez dará um tiro no pé. É urgente pensar com a própria cabeça.

    A Prefeitura e a Câmara de Vereadores não podem fazer de tudo. Há coisas que são o papel da sociedade, como a solidariedade e a organização cidadã. Mas, aquilo que é de responsabilidade objetiva de prefeito e vereadores, eles devem fazer com o máximo de qualidade e presteza.

    Deixem o Presidente Lula trabalhar naquilo que é competência do Poder Executivo federal. Deixem a oposição fazer o seu papel em Brasília. Agora, é o momento de decidir a vida do município.

    * Professor de História. Graduado em Ciências Sociais pela Unimontes. Mestre em Políticas Públicas pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais. Doutorando em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pela Escola Superior Dom Helder Câmara. Autor de oito livros.

  • Mudanças Climáticas: Há culpados pelas inundações no Rio Grande do Sul?

    Mudanças Climáticas: Há culpados pelas inundações no Rio Grande do Sul?

    A tragédia das inundações no Rio Grande do Sul tem culpados, sim! E não é Deus, nem São Pedro, nem Lula.

    Os políticos de direita ou extrema-direita, quando precisam da ajuda dos governantes de esquerda, têm a mania de dizer: “-Sem ideologia, agora! Não é hora de buscar culpados! É hora de união!”.

    Foi o que fez e disse o governador gaúcho, tucano, Eduardo Leite, pego com as calças na mão pelo maior desastre climático da história do Brasil, quando teve de pedir socorro ao Presidente Lula.

    Dias antes, o tucano, em vez de ligar e ir pelos canais corretos, quis dar uma de bonzão dando ultimatos ao presidente por rede social.

    O mesmo governador que, 15 dias antes, havia recebido relatórios dos institutos climáticos, a anunciar o caos que viria, e nada fez.

    O mesmo governador que modificou, no ano passado, o código florestal do Rio Grande do Sul, abrindo a porteira para a boiada do desmatamento desenfreado do bioma dos pampas, predominante naquele estado.

    O mesmo governador que ataca as políticas sociais e ambientais do Governo Lula e namora com o discurso negacionista e antipreservacionista do agro e da extrema-direita.

    Aliás, cadê os políticos bolsonaristas que falavam que Mudança Climática não existe? Inclusive, um deputado gaúcho do Partido Novo, muito idolatrado por certos inteligentinhos daqui. Cadê Mourão? Cadê Ricardo Sales? Cadê Bolsonaro, numa hora dessas? De certo, andando de Jetski.

    As chuvas disruptivas do Sul têm culpado. Não é Deus e nem São Pedro. É a Mudança Climática, fruto da emissão desenfreada de CO2 na atmosfera e da ganância do grande capital mundial. Não adianta negar. Se negar se afoga.

    Abraçar o Acordo de Paris e reduzir as emissões eram para ontem. Já passamos do ponto de não retorno. O calorão do fim do ano, as pandemias, as avalanches de mosquitos da dengue e as enchentes torrenciais, agora, são a nova realidade. Precisa-se de políticas públicas de mitigação, de consciência ética e ecológica e do combate à acumulação de capital desordenada, que drena a riqueza de bilhões de pessoas para apenas algumas poucas centenas de seres humanos.

    E ao povo, acreditar menos nas fake news da extrema-direita – que só trabalha para o lucro ganancioso do agro, que não está nem aí para as mudanças climáticas, pois mora nas melhores mansões, protegidas das intempéries, com ar condicionado e água potável – já é um bom começo.

    Sim, governador Leite, agora é hora de união. Inclusive, o Nordeste, que tantos os sulistas atacam com racismo e xenofobia, lidera as regiões do país em ajuda aos irmãos gaúchos. Mas é preciso apontar o dedo para os culpados, sim! E o senhor é um deles.

    Créditos da imagem: Reprodução da internet.

  • Sem anistia para os golpistas do 8 de janeiro

    Sem anistia para os golpistas do 8 de janeiro

    Em 8 de janeiro de 2023, apenas oito dias após a posse do Presidente Lula, eleito pela terceira vez, democraticamente, pelo voto da maioria dos brasileiros, um novo golpe de Estado foi tentado no Brasil. Mais um, em nossa história interminável de golpismo.

    Centenas de pessoas, enraivecidas pela lavagem cerebral cultivada em suas mentes, nos últimos dez anos, pela extrema-direita sanguinária, marcharam para Brasília num domingo. Invadiram as sedes dos três poderes da República e destruíram os prédios públicos, as obras de arte, defecaram, atentaram contra a vida de policiais. Acharam que poderiam fazer voltar ao poder o ex-presidente, genocida, responsável pela morte de 700 mil brasileiros por negligência durante a pandemia. Queriam esfolar, prender, matar. A morte brilhava em seus olhos emburrecidos pela pregação do ódio bolsonarista.

    Foi um fenômeno dos novos tempos (ou dos velhos, pois no nazismo e no fascismo do século XX também era assim). Queriam tirar do poder o governo democraticamente eleito para por no lugar uma ditadura comandada pelas forças armadas, pelo pior do agrobusiness, por neoescravocratas racistas, por pastores vendilhões do templo e por uma desclassificada classe política nazifascista. Suas bandeiras eram a morte, o armamentismo, o ódio de classe, de raça e aos pobres, a intolerância política e ideológica, o negacionismo científico, o fanatismo religioso e o retrocesso das conquistas sociais e trabalhistas duramente construídas pelo povo brasileiro.

    Foi a Intentona dos “Patriotários”: gente que se chamava de patriota, mas que não duvidou em nenhum momento de que destruir o que é público e, pior, a democracia, nada tem de amor pela Pátria. Gente que “fez faculdade” através de vídeos de fake news e autoajuda charlatã dos coaches de WhatsApp. Alguns até de boa vontade, mas de coração invadido pela ruindade e malignidade bolsonarista.

    O golpe daquele 8 de janeiro foi controlado. A idiotia e o mau-caratismo tentam fazer crer que foi a esquerda, e não ela própria, a extrema-direta, a responsável pelo quebra-quebra brasiliense. Mas, como disse Tancredo Neves, certa vez: “morto o dragão do autoritarismo, tarefa mais difícil é retirar sua carcaça fedida do meio da praça”. Assim, é preciso condenar exemplarmente os mandantes, os financiadores e as autoridades que flertaram ou condescenderam com a traição da Constituição e da democracia brasileiras. “Traidor da Constituição é traidor da Pátria”, declarou o velho Ulysses Guimarães ao promulgar a Constituição de 1988.

    Sem anistia para os golpistas.

  • “Comunista, graças a Deus!”

    “Comunista, graças a Deus!”

    Lênin não acreditava em céu ou inferno, pois era ateu. Porém, a julgar pelo propósito dele, que era derrotar a burguesia que adora o capital e despreza o próximo, e conhecendo o que diz o Evangelho de Jesus, sou da humilde opinião de que é mais fácil Lênin se encontrar no Paraíso do que os seus difamadores religiosos entrarem no Reino dos céus.

    Falo isso porque assisti a um vídeo produzido pelo gabinete do ódio do bolsonarismo, feito para difamar o ministro Flávio Dino, católico de esquerda, novo escolhido de Lula para o STF.

    No vídeo, em uma entrevista antiga, Dino diz que é “comunista, graças a Deus!”, numa referência ao seu antigo partido, o PCdoB. Hoje ele é do PSB. Nenhum problema. Os primeiros cristãos, segundo os Atos dos Apóstolos, também eram “comunistas, graças a Deus”, pois “tinham tudo em comum e dividiam seus bens com alegria”. Aliás, Jesus ameaçou os “capitalistas” da época com um chicote, no templo, “porque faziam da casa do Pai um mercado”, e em outra passagem disse categoricamente que era “mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino do céus”.

    Mas o que tem Lênin a ver com isso?

    É que no tal vídeo, Dino diz seguir a cartilha de Lênin. Mentirosamente, o vídeo feito para gente que nunca leu uma orelha de livro de Ciência Política ou História, faz uso do mais sujo fanatismo religioso. Diz que Lênin recebeu seu “decálogo” diretamente do inferno. Ignoram que além de político, Lênin foi um dos mais prestigiados intelectuais da política, da economia e da filosofia de sua época. Um decálogo para Lênin é pouco.

    Enfim, tanto quanto Cristo foi condenado pelos religiosos de seu tempo, mal comparando, com todos os nossos defeitos humanos, todas as lideranças que enfrentam o capitalismo e os ricos do mundo, como Lênin, Mandela, Dilma, Lula e Dino, são massacradas por gente que se diz de Deus; gente cujo “o lugar é o céu”. Nem que seja o céu da boca da onça.

  • Como podemos interpretar a vinda de Maduro ao Brasil? Pergunta de João Victor Almeida

    Como podemos interpretar a vinda de Maduro ao Brasil? Pergunta de João Victor Almeida

    Resposta:

    Como a retomada das boas relações do Brasil com seus vizinhos.

    Não foi só Maduro quem veio nesta terça a Brasília, mas todos os presidentes sul-americanos. É uma tradição brasileira, desde o Barão do Rio Branco, manter política de boa vizinhança com as Nações sul-americanas. Bom hábito cultivado, inclusive, no Estado Novo (1937-1945) e na Ditadura Militar (1964-1985), quebrado apenas na gestão ignorante e nazifascista de Jair Bolsonaro (2019-2022).

    Lula, ao receber Maduro, muito mais do que uma opção ideológica, reafirma a liderança natural do Brasil sobre esta parte do globo. Inclusive, Lula conseguiu de Maduro um acordo para a retomada dos pagamentos de dívidas venezuelanas para com o nosso BNDES.

    Todas as ações internacionais de Lula, até agora, resultaram em ganhos financeiros, econômicos, políticos e geoestratégicos para o país. A choradeira da extrema-direita e da mídia é apenas mais um reflexo da mente colonizada que guia nossa elite do atraso.

    Imagine se Lula e Janja tivessem recebido jóias de centenas de milhões da ditadura da Arábia Saudita…

  • Sobre drones, excrementos e  civilidade no Brasil

    Sobre drones, excrementos e civilidade no Brasil

    Madrinha Donila morreu aos 104 anos de idade, em 2011, lúcida.

    Embora não tivéssemos parentesco genético, para mim ela foi como avó e, mais do que isso, referência moral, ética, espiritual e civilizatória.

    Ela jamais teve acesso à escola formal. Mesmo assim, foi uma grande professora e contadora de histórias (com “h”, factuais, reais…).

    Dela ouvi o relato de que lá pelos anos 30, 40 e 50 do século passado, em Mortugaba/BA, onde viveu, que as campanhas políticas locais eram absurdamente intoleráveis e abjetas.

    Inclusive, correligionários mais exaltados, de um lado, atiravam fezes e urina nas casas e manifestações políticas de adversários.

    E madrinha Donila, que nasceu em 1907, no sertão baiano, que nunca estudou a alta cultura, já me relatava isso em posição de indignação e de lamento à baixaria, à intolerância e à falta de apreço civilizatório daquela época.

    Agora, em pleno 2022, vemos o mesmo se repetir, mas em escala nacional, a utilizar da mais alta tecnologia desenvolvida, um drone, em Uberlândia/MG, para a prática daquilo que é mais pré-histórico e atrasado em política e democracia, em civilidade e humanidade: jogar fezes e urina sobre uma manifestação política da esquerda.

    Os responsáveis, presos na hora, seguidores do atual presidente da República, gente que se intitula “de bem”, “defensora da família como Deus criou” e “conservadores”.

    Prefiro a simplicidade de madrinha Donila do que a sofisticação demoníaca do bolsonarismo.

    Quem ainda defende Bolsonaro e a barbárie, envergonhe-se e converta-se.

  • Semipresidencialismo é golpe

    Semipresidencialismo é golpe

    É recorrente na história do Brasil. Sempre que a direita dá um tiro no pé (como é o caso do Governo Bolsonaro neste momento) e a esquerda se aproxima novamente da possibilidade de alcançar a chefia do governo (Lula pode ganhar até no 1° turno, segundo pesquisas), as elites propõem esvaziar o poder da presidência da República.

    Agora, Artur Lira (presidente da Câmara Federal) fala em semipresidencialismo. O que seria isso?

    Um presidente “rainha da Inglaterra”, sem poderes de fato, e o controle da política nas mãos de um parlamentar que seria o 1° Ministro escolhido apenas entre e pelos deputados.

    Imagina quem conseguiria maiorias congressuais para ser o chefe do governo? Cunha, Maia, Lira, etc. Seria o mesmo que entregar o Planalto para o Centrão, para sempre, sem esperança de alternância.

    É golpe!

    #semipresidencialismonão #semipresidencialista

  • “Fora Bolsonaro” no Alto Rio Pardo e Norte de Minas

    “Fora Bolsonaro” no Alto Rio Pardo e Norte de Minas

    No sábado (24/07/2021), manifestações ocorreram em todo o Brasil para pressionar o Congresso Nacional a analisar os mais de cem pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

    Os manifestantes acusam o presidente de genocídio no trato da pandemia do coronavírus e de corrupção na compra das vacinas anti-covid.

    No Alto Rio Pardo, representantes de movimentos sociais, sindicatos, partidos políticos e pastorais da Igreja, mobilizados pela Articulação Rosalino e pelo Movimento Geraizeiro, reuniram-se num ato simbólico contra o Governo Bolsonaro, às margens da BR-251, no povoado de Vale das Cancelas, município de Grão Mogol/MG.

    Com muita indignação, os manifestantes exibiram faixas contra Bolsonaro, recebendo o apoio de muitos motoristas que trafegavam pela rodovia.

    Para a freira Irmã Etelvina, da Congregação das Irmãs Franciscanas de Montes Claros, presente à manifestação, o ato é importante para demonstrar repúdio a tudo aqui que é contra a vida. “Bolsonaro usa o nome de Deus para ter poder sobre as pessoas, mas suas ações são de morte; não pertencem ao Deus da vida; por isso estamos protestando” – disse a religiosa.

    Para Clemente Oliveira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras, “a importância desse ato contra Bolsonaro é defender a democracia, que ele ameaça todos os dias”.

    Já Maria Aparecida, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens, da Comunidade de Murzelo, município de Indaiabira, “a classe trabalhadora vem sendo penalizada por Bolsonaro com os preços altos dos alimentos, energia e combustíveis”. “Lutamos para que esse governo tenho logo um fim” – disse.

    Os mandatos populares do Deputado Federal Padre João (PT/MG) e da Deputada Estadual Leninha (PT/MG) colaboraram na realização do ato e se fizeram representar por suas respectivas assessorias.