Tag: racismo

  • Circuito de lives do professor Levon Nascimento

    Circuito de lives do professor Levon Nascimento

    No contexto da pandemia do coronavírus, em que as interações presenciais foram suprimidas pelas medidas sanitárias de distanciamento social, o professor Levon Nascimento, de Taiobeiras, iniciou neste mês de junho o seu Circuito de Lives sobre temas relevantes para a sociedade.

    Entre os assuntos debatidos estão o racismo estrutural no Brasil, homofobia e resistências das pessoas LGBTQIA+, políticas públicas e outros.

    O primeiro episódio ocorreu em 09 de junho de 2020 e contou com a participação de Rubens Alves da Silva, doutor em Antropologia Social pela USP e professor da Escola de Ciências da Informação da UFMG, debatendo o tema “Em tempos de pandemia: ‘vidas de negra(os) importam!(?)”.

    As lives são transmitidas pelo perfil levon.nascimento, no Facebook, em datas previamente divulgadas nas redes sociais, sempre das 19h30min às 20h30min.

  • Já que o assunto é racismo contra "pretos"

    * Por Levon Nascimento
    Se você pensa que não é racista, mas ainda usa expressões como “cabelo ruim” para se referir ao tipo comum de cabelo de pessoas afrodescendentes, repense suas frases e suas posturas. Não há cabelo melhor do que outro. Existe um padrão de beleza perverso, imposto culturalmente pela colonização europeia, e que precisa ser combatido com educação, para que a diversidade humana seja apreciada e valorizada em toda a sua extensão.
    Caso você tenha dificuldade em falar qual é a sua cor de pele ou a de outra pessoa, preferindo eufemismos como morena, escurinha ou cor-de-chocolate, ao invés de dizer preta ou negra, também repense sua postura. Não há nenhum problema em ser negro, dizer que alguém é negro ou que tem aparência negra. A etnia negra é uma das várias que compõem a diversidade humana. Ser negro ou reconhecer que alguém é negro não pode significar um tabu, muitos menos rebaixamento. É tão natural quanto ser oriental (amarelo), indígena, árabe ou caucasiano (branco).
    O defeito está em classificar o que é negro como negativo, inferior ou ruim, ou pior, retirar direitos, explorar e destruir a dignidade das pessoas por conta de sua cor de pele, cultura ou tipo de cabelo.
    Também não diga que os movimentos que propõem a tomada de consciência negra ou políticas afirmativas para negros são eles próprios racistas, que estão de “mimimi” e que no fundo buscam privilégios para apenas uma parte da sociedade. Não é verdade. Não fossem esses grupos e políticas, estaríamos numa situação de maior atraso nas questões de igualdade racial. Infelizmente, pesquisas apontam que quanto mais a gradação de pele e o fenótipo corporal avançam para a etnia negra, menores são os salários, piores as ocupações e mais sujeitas a vulnerabilidades sociais, como as violências e a pobreza, estão as pessoas. São resquícios da escravidão de 350 anos no Brasil.
    Tomar consciência negra não é só para negros, é para toda a sociedade. Políticas afirmativas não geram privilégios, corrigem distorções sociais e quitam dívidas históricas.
    Com relação aos negros, são vítimas, além do preconceito, de uma estrutura histórica que nos coloca em situação de desvantagem social devido ao último meio milênio em que africanos foram sequestrados em seu continente e transformados em escravos, propriedades de outras pessoas, em diferentes lugares do mundo, principalmente nos países da América. Desses, o Brasil foi o que mais recebeu homens e mulheres da etnia negra.
    Combater o racismo é tarefa complexa e difícil. Começa por quem é descendente de africanos se reconhecer como negro, sentir orgulho e se autoafirmar. Passa pelo respeito das demais pessoas e das instituições de Estado e se conclui com a superação de todas as estruturas sociais e econômicas que promovem as diferentes formas de exploração sobre os seres humanos.
    * Levon Nascimento é professor de História, sociólogo e mestrando em Políticas Públicas.
  • Texto do Levon: Dialética

    É pobre, é preto, é puta, é branco pobre, é indígena, é quilombola, é mulher consciente, é mulher pobre e preta, é menor, é sem terra, é sem teto, é de esquerda, é petista, é gay, é lésbica, é menor infrator, é empregado, é empregada doméstica: vale menos do que um cachorro de madame.
    É rico, é aparentemente rico, é branco, é branco rico, é mulher-objeto, é madame, é empresário, é empreendedor, é dono de casa boa ou apartamento, é hétero, é machão, é menor infrator filho de rico ou de classe média alta, é dono de terras, é dono de imóveis, é patrão: vale mais do que Deus.
  • Contradições "Tico e Teco" (racismo, homofobia, preconceito e machismo inconfessáveis)

    “No Brasil, nunca houve racismo…”
    E tem gente que acredita.
    Publiquei primeiro no Facebook. Transcrevo aqui para o Blog.
    Ter amigos negros, tudo bem. Negros organizados reclamando maior inserção social, errado. Estão buscando privilégios e praticando “racismo invertido”. Não pode!
    Ter amigos gays, tudo bem. Gays organizados contra a homofobia, errado. Estão criando uma “ditadura gay” no país. Não pode!
    Doar alimentos aos pobres durante o natal ou em campanhas de caridade durante o ano, tudo bem. Programas sociais de transferência de renda, errado. Estão criando um “exército de vagabundos”. Não pode!
    A mãe, a esposa e a filha, mulheres muito amadas, tudo bem. Mulheres se organizando para conquistar mais espaço na sociedade, errado. O feminismo está “destruindo” as famílias. Não pode!
  • Uma crítica ao post sobre Regina Casé e o Esquenta

    Divulgo aqui um contraponto ao artigo “O Esquenta, de Regina Casé, é o programa mais racista da TV?” de Marcos Sacramento, publicado no Diário do Centro do Mundo e neste Blog.

    Por Mariana Dias

    Regina Casé, apresentadora do Esquenta

    Passo longe de ser uma telespectadora da globo, mais longe ainda de ser uma defensora da emissora… como diria uma amiga “odeio/detesto”.

    Entretanto, acho que o autor do texto se esqueceu de mencionar que em todos os programas “dela” (pq sim, eu desconecto da internet para ver o programa “dela”) existem entrevistas, depoimentos, reflexões sobre diversos temas. Sempre sob a perspectiva das desigualdades sociais/raciais que perpassam nossa sociedade. Pessoas bem sucedidas (brancas e negras) sempre tem voz na atração, mas sem a “neutralidade” que a maioria de veículos de comunicação tenta oferecer. O argumento de que a justiça é intrínseca ao sistema meritocrático é muito fraco. Quem acreditaria que uma pessoa bem sucedida no Brasil não teve um caminho mais difícil se pertencente a um dos grupos historicamente prejudicados (negros, pobres, mulheres, deficientes, homossexuais). A ideia de uma pretensa equidade é um belo tiro no pé. Não ressaltar as diferenças e as diferentes trajetórias que são condicionadas pelas injustiças sociais/culturais do Brasil só ajuda a reforçá-las (afinal, para que criar mecanismos para melhorar o que já está bom?). A democracia racial pode ser até um bom quadro analítico para entendermos pq no nosso país não existem conflitos violentos institucionalizados entre grupos minoritários. Mas certamente mascara as verdadeiras relações sociais, que se desenvolvem por baixo dos panos. Porque eu não tenho preconceito, mas o meu vizinho…

    E por falar em preconceito, o programa acerta quando levanta a bandeira do “xô preconceito” e esse texto só me faz ter mais certeza disso. Como alguém pode criticar um programa de ser racista e conservador enquanto fala com tanto desprezo da cultura popular brasileira? Os meninos pintam o cabelo de amarelo e fazem a dança do passinho, mas poderiam estar estar pintando de preto e quebrando tudo ao som do rock’n’roll. Certamente os meninos que moram em seu condomínio se enquadram no segundo grupo. E pode ter certeza de que isso não se dá porque um padrão cultural é melhor do que o outro. Porque cá para nós, a gente sabe que isso não existe. O que existe é a glamourização de um em detrimento do outro. E é realmente admirável como, após ser exposta à cultura popular filtrada e legitimada pela mídia, a juventude burguesa se joga no funk.

    Sobre as moças de short curto e cabelo nas pernas… aff.. seria uma conversa tão grande, né? A começar pelo machismo que exala de toda essa crítica, passando mais uma vez pela definição do que é chique (e da importância de se ser chique) e chegando ao ápice: as capas da Marie Claire e da Claudia. Gente, que absurdo! Um programa que não apresenta moças dignas de estamparem duas publicações que promovem um padrão de beleza irreal, abusam do photo shop e da ostentação material e o melhor: dão dicas valiosas de como conquistar seu homem, amarrar seu homem, dar orgasmos para seu homem, cozinhar para seu homem, ser bonita para seu homem…. Poxa… mas nem para colocar uma negra bem vestida e de cabelo esticado digna de uma capa dessas revistas. Mas espera um pouco. Quantas mulheres negras/pobres aparecem nas capas dessas revistas? Quantas mulheres negras/pobres são apresentadas como modelos de mulheres bem sucedidas e que agarram seus homens?

    Será que o problema é do programa “dela” que não apresenta pessoas adaptadas ao padrão cultural legitimado ou a culpa é da mídia que só aceita um padrão (o da classe burguesa) como digno?

    Falar de uma cultura da periferia já é uma violência, na medida em que homogeniza um universo de comportamentos e sistemas de crenças que são ricos e diversos. Mas ok, ainda que exista uma cultura da periferia, qual o problema de dar visibilidade a ela? Realmente gostaria de saber. Eu acredito que uma sociedade é mais saudável tanto quanto mais seus cidadãos estiverem expostos às diferentes realidades e entendam que essas realidades não devem ser estanques. As pessoas devem ter liberdade a transitar por onde bem entenderem, mas para que isso aconteça duas coisas são imprescindíveis: 1) a visibilização e legitimação de todas as formas de expressão e de existência e 2) o reconhecimento das barreiras construídas socialmente e que impedem a realização completa do ser.

    E ao fim e ao cabo, bem acho que o que “ela” quer é fazer a feijoada de domingo na frente das câmeras. Sem muitas pretensões para além da diversão e da graninha no bolso.

    Mariana Dias

  • Sobre as cotas, mas sem paixonites "pequeno-burguesas"

    Qual das duas chegou à universidade?
    As opiniões contrárias às cotas nas universidades brasileiras já estão no senso comum das pessoas, graças à militância dos telejornais da Rede Globo, sob a batuta de Ali Kamel e também por conta do sentimento “classe média pequeno burguesa”, de pouca reflexão e pretenso sentimento de falsa superioridade, que acaba atingindo até mesmo os potenciais interessados e destinatários desse tipo de política pública.

    Por isso muita gente está surpresa e até indignada com a decisão unânime do STF (Supremo Tribunal Federal) de considerar as “cotas raciais” concordantes com a Constituição brasileira.

    Não quero polemizar, muito menos despertar paixonites. Fiz uma seleção de links com matérias que ajudam a ver o tema com um olhar além daquele já “formatado” pela mídia tradicional ao qual as pessoas são “alienadamente” submetidas e cooptadas.

    Vale a pena ler, mesmo que você seja contra as cotas… Nunca é demais entender os posicionamentos diferentes.
    Eis os links:
  • Propaganda europeia anti-Brasil

    Video de propaganda oficial da União Europeia (os pais do colonialismo que subjugou o mundo nos últimos 500 anos) prega união dos europeus contra “ameaça” chinesa, indiana e brasileira. No video, um chinês, um indiano e um brasileiro são destacados como ameças a uma mulher europeia que, apesar do medo, se multiplica em várias e domina os agressores. Clara propaganda xenófoba. A Europa mais uma vez… Sinal de que somos fortes.

    Veja o video.

  • A defesa de Paulo Henrique Amorim no caso de "racismo" contra Heraldo Pereira

    PHA e Heraldo Pereira

    O jornalista Paulo Henrique Amorim envolveu-se em contenda com seu colega Heraldo Pereira sobre a expressão “negro de alma branca”, pela qual PHA foi condenado a pagar indenização de R$ 30 mil ao segundo. Achei o texto de sua defesa bastante interessante sobre as questões raciais no Brasil. Leia neste link.

  • Orgulho de ser BRASILEIRO: Viva a "disfuncionalidade" do Brasil! (Divulgue)

    Operários, Tarsilda do Amaral
    (diversidade de raças enriqueceu o Brasil)
    Por Brizola Neto, no Tijolaço, via Escrivinhador

    O assassino em massa norueguês Anders Behring Breivik cita o Brasil, no manifesto racista que divulgou na internet, como um exemplo do que a “mistura de raças”“por causa da revolução marxista brasileira”, o Brasil teria se tornado uma mistura de raças o que se mostrou uma “catástrofe” para o país que é “de segundo mundo” produz em uma nação. Segundo sua mente transtornada pelo ódio, seríamos assim com um baixo nível de coesão social. Os resultados seriam os altos níveis de corrupção, baixa produtividade e conflitos entre as diferentes culturas”.

    Breivik é um doente, mas a forma que sua doença assume é moldada por um caldo de cultura que existe aqui também, embora nem todos os que pensam como ele vão sair fuzilando dezenas de jovens. Mas ele existe e tem muita gente que está mergulhada nele e, mesmo sem verbalizar ou escrever isso, acha que o Brasil negro, mestiço, cafuzo, mulato, é a praga e o atraso deste país. Cheios de dedos, para não explicitar seu racismo social, o que eram os que reclamavam daquela “gente diferenciada” que uma estação do Metrô traria a Higienópolis? Mas deles a gente está cansado de falar.

    Nós também temos culpa nisso. Porque paramos de celebrar, por nos agarrarmos – usando a expressão do próprio terrorista, em seu manifesto – à idéia de tribo, de grupo fechado por alguma razão: etnia, gênero, ideologia, a riqueza da diversidade. A maior perversidade da discriminação é essa: a de nos cegar para vermos a riqueza de nossa igualdade humana.

    Estamos, com razão e por dever, tão presos a afirmar os direitos de grupos – e todos eles os têm e são invioláveis – que descuidamos de proclamar a maravilha de nossa grande – por que não assumir a palavra – disfuncionalidade. Porque o ser humano não é uma função. Não é uma peça, um produto, algo feito em série, para cumprir um papel.

    O milagre do povo brasileiro não é apenas respeitar a diversidade, mas ter forjado nela uma unidade nessa tão rica e una diferença.

    Disfuncional, para aquele lunático terrorista. Desprezível, para nossas elites, que nos consideram, por isso, inferiores, embora não tenham mais coragem de afirma-lo com todas as letras, o que não os impede de colocar cercas eletrificadas, insulfilme e, sobretudo, de aderir e aplaudir a ideia de que este país seja de todo o seu povo.

    Que falta nos faz um Darcy Ribeiro agora – e como nossa intelectualidade se empobreceu por não os produzir às centenas – que proclame nossa miscigenação como virtude e avanço, e não esqueça dela porque tenha medo de dizer que ela é boa, porque soma todos os que somos iguais: negros, brancos, amarelos, índios e até nossos noruegueses. Como debocharam da ideia generosa do “socialismo moreno” que ele, Darcy, e Leonel Brizola, apregoaram diante de seus narizes torcidos, tentando dizer que, numa sociedade justa, aberta e igualitária, todos nós em algumas gerações, seríamos da mesma cor, feita de todas as cores. Como zombaram da ideia de uma “civilização dos trópicos”, por acharem boa, mesmo, aquelas frias e funcionais, que produzem desvios assim. E não é de hoje, vide as barbaridades coloniais, depois o nazismo e estes seus filhos tardios.

    Não temos de ser funcionais, o que nada tem a ver com não sermos racionais. Um país, como ser humano, vive em busca da felicidade. E felicidade é um estado de alegria coletiva, de aceitação, do que o Frei Leonardo Boff dizia ser a festa, onde as pessoas dizem sim a todas as coisas. É, porque a gente precisa entender e sentir que o não só tem sentido, quando se nega o sim para alguém. Nós não temos ódio, mas não descuidamos de lutar pelo direito – e o dever – de amar.

    É isso: só o que temos contra nossas elites é não aceitar que o povão seja gente. É não entender o verso do Tom que diz que é impossível ser feliz sozinho. O Rolex e a futilidade a gente aceita e tolera. E ainda pergunta que horas são.

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