Tag: Rio Pardo de Minas

  • As consequências da monocultura de Eucalipto no Alto Rio Pardo: entre lucros e riscos socioambientais

    As consequências da monocultura de Eucalipto no Alto Rio Pardo: entre lucros e riscos socioambientais

    Por Levon Nascimento

    A seguir, um texto síntese das leituras que fiz de dois autores regionais, em campos científicos distintos, Rômulo Soares Barbosa, na sociologia, e Lucineia Lopes Bahia Ribeiro, na economia, sobre a monocultura de Eucalipto no nosso Alto Rio Pardo, Norte de Minas Gerais.

    Desde as primeiras plantações comerciais de eucalipto no Alto Rio Pardo, durante a Ditadura Militar (1964-1985), a paisagem e a economia da região passaram por transformações profundas. Terras antes dedicadas ao extrativismo dos frutos do cerrado, como o pequi, ao cultivo de subsistência e à pecuária familiar foram progressivamente cedidas a grandes empresas florestais, atraídas pela demanda crescente de carvão vegetal para a siderurgia mineira. Esse modelo de monocultura trouxe lucros expressivos: projeções de projetos exclusivos de carvão vegetal indicavam taxas internas de retorno superiores a 30 %, mesmo em cenários de preços conservadores, e margens líquidas que chegavam a quase 100 % quando combinados carvão, madeira, lenha e óleo essencial (RIBEIRO, 2020).

    Contudo, a mesma força que impulsionou a economia local passou a ameaçar o frágil equilíbrio socioambiental dos gerais. A elevada taxa de transpiração do eucalipto – quatro vezes maior que a de espécies nativas durante o período seco – acelerou o rebaixamento de nascentes e o assoreamento de córregos, reforçando as pressões sobre a disponibilidade hídrica numa região que em regra enfrenta cinco meses secos por ano (BARBOSA, 2023). Enquanto estudos técnicos ressaltavam que, sob manejo responsável, o eucalipto poderia consumir água de forma comparável a outras florestas plantadas e oferecer benefícios como sequestro de carbono e proteção do solo (RIBEIRO, 2020), as comunidades tradicionais relatavam diminuição de vazão e até o desaparecimento de pontos de captação que sustentavam o consumo doméstico e a criação de pequenos animais.

    A tensão entre visões técnicas e vivenciais tornou-se evidente na disputa por políticas públicas. Por um lado, pesquisadores econômicos elogiavam o arcabouço regulatório brasileiro – da Política Nacional do Meio Ambiente ao Novo Código Florestal – como suficiente para garantir a sustentabilidade das plantações e abrir caminho a programas de créditos de carbono (RIBEIRO, 2020). Por outro, lideranças geraizeiras denunciavam que tais normas não freavam a expansão desigual da monocultura, obrigando-as a promover autodemarcações e articular esforços para demarcar assentamentos agroextrativistas e reservas de desenvolvimento sustentável (BARBOSA, 2023). Essa mobilização não surgiu por acaso: confrontos como o “Trancamento da Rodovia 251” em 2013 e greves de fome em 2014 deram voz a quem via no “deserto verde” um cerco ao modo de vida e ao direito à água.

    O impacto socioambiental se fez mensurável. Mapas de uso do solo comparando 2000 e 2020 mostram que, em áreas onde houve reconversão de eucalipto para sistemas agroextrativistas, a cobertura de cerrado alcançou 41 %, contra apenas 18 % duas décadas antes, e os corpos d’água passaram de 0,03 % para 0,17 % da paisagem (BARBOSA, 2023). Ao mesmo tempo, essa reconversão tornou-se vetor de revitalização de mananciais e de práticas tradicionais de manejo sustentável, reforçando o caráter multifuncional do cerrado como fonte de recursos e preservação da biodiversidade.

    As empresas, por sua vez, continuam a explorar as vantagens competitivas do monocultivo, beneficiando‑se de tecnologias genéticas que reduzem ciclos de crescimento e custos de produção, enquanto as comunidades avançam em processos de regularização fundiária. A diferença de perspectiva ilustra um dilema central: o eucalipto pode ser modelo de empreendimento economicamente rentável e teoricamente sustentável, mas sem uma gestão que integre demandas socioambientais, perpetua desigualdades e agrava a crise hídrica local e climática global (RIBEIRO, 2020; BARBOSA, 2023).

    Na prática, a monocultura intensificou a vulnerabilidade do entorno rural ao ciclo de secas, ampliou riscos de erosão e diminuiu a resiliência dos ecossistemas. Ao mesmo tempo, o potencial de diversificação dos projetos florestais – explorando óleo essencial, madeira e lenha – mostrou‑se promissor para reduzir riscos financeiros, mas não abordou integralmente a urgência de conservar os recursos hídricos (RIBEIRO, 2020). Somente a partir da conscientização crescente e da organização das comunidades geraizeiras, por meio de conferências locais e redes de articulação nacional, será possível pressionar por uma reconversão que alie produção e proteção ambiental (BARBOSA, 2023).

    Por fim, o Alto Rio Pardo vive um momento de virada: os ganhos econômicos oriundos da monocultura de eucalipto não podem ser dissociados dos danos socioambientais que impuseram ao cerrado e às populações tradicionais. A tomada de consciência coletiva e a mobilização em torno de políticas territoriais de base comunitária mostram-se fundamentais para redefinir esse modelo. É imprescindível que o equilíbrio entre lucro e preservação seja reconfigurado, de modo que os próximos ciclos de plantio garantam água, biodiversidade e justiça social para as gerações futuras.

    Referências Bibliográficas

    BARBOSA, Rômulo S. Comunidades Geraizeiras do Alto Rio Pardo – MG: Reconversão Territorial e Produção de Água no Cerrado. Revista Verde Grande: Geografia e Interdisciplinaridade, Montes Claros, v. 5, n. 2, 2023.

    RIBEIRO, Lucineia Lopes Bahia. Análise do Resultado Financeiro da Produção de Eucalipto das Cidades do Território do Alto Rio Pardo – MG. 2020. Guarujá, SP: Editora Científica Digital, 2020.

  • O que são as Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) e por que incomodam tanto?

    O que são as Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) e por que incomodam tanto?

    Por Levon Nascimento

    As Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) são um tipo de unidade de conservação criado para proteger a natureza sem excluir as populações humanas que dela dependem. Ao contrário de áreas de preservação estrita, as RDS conciliam o uso sustentável dos recursos naturais com o modo de vida de comunidades tradicionais. Previstas pela Lei nº 9.985/2000, que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), elas representam um modelo alternativo de desenvolvimento: mais ecológico, participativo e descentralizado (BRASIL, 2000).

    1. O que é uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável?

    De acordo com o Art. 20 do SNUC, uma RDS é uma área natural que abriga populações tradicionais cuja sobrevivência depende de formas sustentáveis de uso da natureza, desenvolvidas ao longo de gerações. Essas práticas são adaptadas ao ambiente local e desempenham papel importante na proteção da biodiversidade (BRASIL, 2000).

    As RDS não apenas preservam a fauna e flora, mas também reconhecem o valor dos saberes tradicionais. Cada reserva deve ter um Conselho Deliberativo, formado por representantes das comunidades locais, órgãos públicos e sociedade civil, e ser regida por um Plano de Manejo, que estabelece regras de uso e conservação (MATTOS et al., 2011).

    2. Para que serve uma RDS?

    As RDS têm dois objetivos principais: conservar o meio ambiente e melhorar a qualidade de vida das populações tradicionais (BRASIL, 2000). Em outras palavras, elas funcionam como áreas protegidas que promovem a biodiversidade sem excluir as pessoas, ao contrário do modelo clássico de “florestas intocadas”.

    Como mostram Queiroz e Peralta (2006), as RDS permitem a realização de atividades como pesca artesanal, coleta de frutos, cultivo de roças e até o ecoturismo, desde que essas ações estejam em harmonia com a conservação ambiental. Além disso, elas incentivam a pesquisa científica, a educação ambiental e o uso racional dos recursos naturais, tudo isso com a participação ativa das comunidades (PERALTA, 2002).

    3. Como funcionam os fluxos econômicos em uma RDS?

    Nas RDS, o dinheiro circula a partir de atividades sustentáveis que geram renda sem destruir a natureza. Entre os principais fluxos econômicos estão:

    • Extrativismo vegetal, como a coleta de castanha-do-Brasil, açaí, óleos e fibras, com processamento artesanal e venda por meio de cooperativas;
    • Pesca artesanal, respeitando os períodos de reprodução e as cotas estipuladas pelo plano de manejo;
    • Roças tradicionais, com sistemas de policultura adaptados ao solo e ao clima local;
    • Ecoturismo comunitário, onde visitantes pagam por hospedagem, trilhas, passeios e produtos locais (QUEIROZ & PERALTA, 2006; DIAS et al., 2007).

    Essas atividades geram benefícios econômicos diretos e indiretos, como aponta o estudo de Peralta (2002) sobre a RDS Mamirauá, no Amazonas. Lá, a autogestão comunitária aumentou a renda familiar sem comprometer a floresta.

    4. A importância das RDS para a natureza e as pessoas

    As RDS são espaços de convivência equilibrada entre seres humanos e o meio ambiente. Elas ajudam a proteger espécies ameaçadas, restaurar florestas, manter rios limpos e conservar solos férteis. A RDS Mamirauá, por exemplo, abriga mais de 400 espécies de aves, 45 de mamíferos e cerca de 300 espécies de peixes, além de ser um exemplo de modelo participativo de gestão (WIKIPÉDIA, 2024).

    Além do impacto ecológico, as RDS têm um papel social e cultural importante. Elas valorizam identidades locais, línguas, rituais e práticas tradicionais, protegendo comunidades que muitas vezes sofrem com a exclusão social. Como destacam Lima-Ayres e Alencar (1993), as populações locais passam a ter voz ativa nas decisões sobre o território, o que fortalece a cidadania ambiental.

    Essas reservas também funcionam como barreiras ao desmatamento, controlam queimadas e reduzem o avanço do agronegócio predatório, mantendo corredores ecológicos essenciais para o equilíbrio climático (KITAMURA, 2001).

    5. Por que políticos e empresários resistem às RDS?

    Apesar de seus benefícios, a criação de RDS costuma enfrentar forte resistência de setores políticos e empresariais. Isso ocorre por diversos motivos:

    • Restrição à expansão econômica convencional: a criação de uma RDS impede o avanço de grandes empreendimentos como soja, pecuária ou mineração (MATTOS et al., 2011);
    • Conflitos fundiários e políticos: prefeitos e parlamentares muitas vezes representam interesses de fazendeiros e investidores locais, que temem perder espaço e influência (RIBEIRO, 1994);
    • Lobby empresarial no Congresso: grupos ligados ao agronegócio pressionam por leis que flexibilizem o uso da terra, criando um ambiente de insegurança jurídica para as RDS (MATTOS et al., 2011).

    Esse cenário faz com que a demarcação de novas reservas enfrente atrasos, judicializações e campanhas de desinformação, mesmo quando o território já cumpre função ambiental e social essencial.

    Conclusão

    As Reservas de Desenvolvimento Sustentável representam uma alternativa viável ao modelo predatório de desenvolvimento, pois unem proteção ambiental, valorização cultural e justiça social. No entanto, seu sucesso depende da vontade política e do reconhecimento do direito das comunidades locais de viver com dignidade e autonomia.

    A resistência que enfrentam revela o conflito entre dois projetos: o do lucro rápido, concentrado e destrutivo, e o do futuro comum, sustentável e partilhado.

    Referências

    BRASIL. Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000. Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC).

    DIAS, A. et al. (2007). Aspectos socioeconômicos e ambientais em RDS Ponta do Tubarão. Gaia Scientia.

    KITAMURA, P. C. (2001). Biodiversidade na Amazônia: por uma abordagem regional das unidades de conservação.

    LIMA-AYRES, D.; ALENCAR, E. (1993). Ocupação humana na área da RDS Mamirauá. Anais da ABEP.

    MATTOS, P. P. et al. (2011). Reserva de Desenvolvimento Sustentável: avanço na concepção de áreas protegidas? Sociedade & Natureza.

    PERALTA, N. (2002). Implantação do Programa de Ecoturismo na RDS Mamirauá. OLAM – Ciência e Tecnologia.

    QUEIROZ, H. L.; PERALTA, N. (2006). Manejo integrado e gestão participativa em RDS. Gaia Scientia.

    RIBEIRO, N. F. (1994). Um novo modelo de proteção ambiental para Mamirauá.

    WIKIPÉDIA (2023). Reserva de Desenvolvimento Sustentável.

    WIKIPÉDIA (2024). Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.

  • Minha Casa Minha Vida em Rio Pardo

    Minha Casa Minha Vida em Rio Pardo

    Por Levon Nascimento

    Da esquerda para a direita: deputado Leleco Pimentel (PT), eu, vereador Gean Marcos (PT/Rio Pardo de Minas) e Romário Rohm, assessor dos deputados Leleco e Padre João, com a bandeira de Rio Pardo de Minas em destaque.

    Sempre admirei Rio Pardo: povo gentil e guerreiro, cidade-mãe da nossa região. Sem ela, não existiriam Salinas, Taiobeiras, São João do Paraíso e tantos outros.

    Agora, a admiração cresce com esta conquista: 150 famílias assinaram contratos para a construção de moradias rurais (Faixa 1) do Minha Casa Minha Vida, do presidente Lula. Resultado da luta do vereador Gean, do assessor Romário, das lideranças das comunidades de Ilha das Cabras, Raiz e Sobrado, com apoio fundamental dos deputados Padre João e Leleco.

    Na foto, aponto para a bandeira como símbolo da luta coletiva. Não foi presente de prefeito, foi fruto da organização das comunidades e do PT. Um exemplo da importância de eleger vereadores e deputados do PT, comprometidos com o povo.

    As 150 moradias serão na zona rural, e outras 50 já estão previstas para a área urbana. Parabéns, Rio Pardo!

  • Antiga matriz de Taiobeiras (90 anos da Paróquia São Sebastião de Taiobeiras)

    Antiga matriz de Taiobeiras (90 anos da Paróquia São Sebastião de Taiobeiras)

    Por Levon Nascimento

    A história da presença católica em Taiobeiras remonta ao final do século XIX, quando a região ainda pertencia à Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Rio Pardo de Minas. Em 1897, o pároco daquela cidade, Esperidião Gonçalves dos Santos, benzeu e inaugurou o Santo Cruzeiro dos Martírios, no dia 2 de julho, marco importante da religiosidade local. Nessa época, Taiobeiras era apenas um povoado, mas já contava com uma comunidade católica ativa.

    Foi nesse contexto que surgiu a primeira capela do lugar, construída por Vitoriano Pereira Costa, proprietário do Sítio Bom Jardim. Ela foi erguida no local onde hoje se encontra a Praça Joaquim Teixeira, nos fundos do atual Mercado Municipal. Essa capela simples, mas significativa, seria o embrião da futura Paróquia São Sebastião de Taiobeiras.

    Em 1924, com o distrito já instalado e passado a pertencer ao município e paróquia de Salinas, diante do crescimento da comunidade e da dedicação dos moradores, a capela passou por sua primeira ampliação, graças aos esforços liderados por dona Raquel Torres, que organizou campanhas para arrecadação de recursos. Como era de costume nas capelas particulares da época, pessoas de destaque social eram sepultadas em seu interior. Ainda se viam, no piso da igreja, as lápides de figuras notáveis como Martinho Antônio Rêgo — o primeiro vereador de Taiobeiras para a Câmara de Rio Pardo de Minas, falecido em 1911 —, Aleixo Martins de Oliveira, Conrado José da Rocha e sua esposa, Maria Quintina da Rocha.

    Com o passar dos anos, a população do povoado aumentou e a capela original já não comportava os fiéis. Em 1939, uma segunda ampliação foi realizada, promovida por Frei Acário Heuvel, então administrador da recém-criada paróquia de Taiobeiras, mas ainda residente em Salinas. Essa estrutura permaneceu até 1962, quando foi lamentavelmente demolida.

    A Paróquia São Sebastião de Taiobeiras seria oficialmente criada em 20 de maio de 1935, por decreto do bispo diocesano de Montes Claros, Dom João Antônio Pimenta, sendo desmembrada da Paróquia Santo Antônio de Salinas. Mas foi apenas em 1941, com a chegada de Frei Jucundiano de Kok, primeiro pároco efetivo de Taiobeiras, que se iniciaria a construção da nova e atual matriz de São Sebastião, localizada na praça de mesmo nome.

    Fontes
    1. Taiobeiras: Seus Fatos Históricos. Volumes I e II. Autor: Avay Miranda.
    2. Efemérides Riopardenses. Volumes I e IV. Autor: Cônego Padre Newton de Ângelis.
    3. Arquivo da Arquidiocese de Montes Cla
    ros.

  • Célia Egídio

    Célia Egídio

    Alguns poderiam, em tom de desaprovação, chamá-la de “irreverente”. No entanto, não me agrada esse adjetivo, cujo antônimo implicaria prestar reverência, curvar-se em rapapés e riquififes, entregar-se a veleidades e puxassaquismos ou sucumbir à subserviência e à submissão. Mas, seria Célia Egídio reverente? É justamente em se opor a essa mediocridade que reside o seu valor.

    Célia Egídio, a educadora de Rio Pardo de Minas, vai muito além da irreverência; ela é inteligente, dotada de uma inteligência orgânica. É inconformada com a pasmaceira, a mesmice e o pensamento tacanho — um verdadeiro orgulho para qualquer sociedade que deseje transcender a hipocrisia.

    Ela preenche a lacuna que se nota no sertão, onde a crítica cultural se faz ausente, ao se fazer presente para apontar as contradições dos costumes conservadores. É a voz solitária que orienta o caminho para os anseios de uma vida mais legítima.

    Inconformada, ela sente, tanto no corpo quanto no espírito, as dores de não se encaixar na pequenez do conformismo. Está à frente de seu tempo, definindo os critérios de justiça em uma época marcada por contínuas injustiças, e sinaliza os ponteiros de uma nova era de empoderamento dos historicamente marginalizados, em meio a um ambiente que insiste em regredir para um patriarcado sufocante.

    Célia Egídio é gigante! Merece um respeito que os tempos atuais ainda não conseguiram delinear; seu valor é atemporal, pois o tempo, por si só, não pode medir a sua existência.

    Ao contrário de seus detratores, que agem com ruindade e inveja, o que ela possui de mais marcante é acuidade — uma notável capacidade de percepção, finura e sutileza, que intimida aqueles que se opõem a ela.

    Cuide-se, amiga Célia Egídio. Você é grandiosa e essencial demais para a boa luta! Estamos com você.

  • 110 anos do distrito de Taiobeiras

    110 anos do distrito de Taiobeiras

    Há 110 anos, em 30 de agosto de 1911, a Lei Estadual de Minas Gerais, nº 556, determinava a criação do distrito de Taiobeiras, subordinado ao município de Rio Pardo de Minas (MG).

    O cônego Newton de Ângelis, no volume II de seu livro Efemérides Riopardenses, assim relata:

    “30 de agosto – 1911 – A Lei Mineira nº 556 de hoje, cita no nº CXXIV, o Município de Rio Pardo abrangendo seis distritos: 1º. Rio Pardo (Sede – Cidade); 2º. Nossa Senhora do Patrocínio de Serra Nova; 3º. S. João do Paraíso; 4º. Água Quente (Santana da); 5º. Veredinha (N. Senhora da Ajuda da); 6º. Bom Jardim de Taiobeiras” (DE ÂNGELIS, 1998, v. II, pp. 211-212).

    Em 07 de setembro de 1923, o distrito de Taiobeiras seria transferido de Rio Pardo de Minas para Salinas.

    A elevação a cidade (sede municipal) somente se consumaria a 12 de dezembro de 1953, 42 anos após a criação distrital.

  • Rio Pardo de Minas: Vlade Patrício lança livro

    Vlade Patrício (de gravata, ao centro) no lançamento
    de UM OLHAR NO PASSADO

    * Levon Nascimento


    Na noite de 16 de setembro de 2017, a cidade de Rio Pardo de Minas ganhou um presente: o livro “UM OLHAR NO PASSADO”, obra do comerciante e escritor Vladimir Mendes Patrício, o Vlade.


    Prefaciado por Zenilda Simões Antunes e Dário Teixeira Cotrim, “UM OLHAR NO PASSADO” é uma coletânea de memórias afetivas, pessoais e coletivas, do autor e da cultura rio-pardense.

    Rio Pardo de Minas é a mais antiga cidade do encontro entre o Norte de Minas, o Vale do Jequitinhonha e a região da Serra Geral baiana. Berço da microrregião Alto Rio Pardo, que tem ainda Taiobeiras, Salinas, São João do Paraíso e mais outras treze cidades, é rica em cultura, arte e potencial hídrico-econômico. Por muito tempo se lamentou da falta de atenção e de políticas públicas que geram desenvolvimento. O livro de Vlade, resgatando histórias e saberes do povo, supera esta fase e toma nas mãos as rédeas simbólicas para o avanço cultural dessa importante porção de Minas Gerais.

    Entre as histórias narradas por Vlade Patrício se destacam as memórias de pessoas comuns, imortalizadas justamente pela forma como tingiram o tecido social rio-pardense (e, por que não dizer, norte-mineiro e brasileiro?) com o brilho de suas singularidades, às vezes trágicas, às vezes cômicas, mas extremamente vivas e cheias de conteúdo.

    Na cerimônia de lançamento do livro, no salão de reuniões do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, destacaram-se o recital de poemas da professa Zaide Mesquita, as canções do compositor Ziguileu e a reunião do nascente movimento de escritores, artistas e ativistas culturais do Alto Rio Pardo.
    Como nos ensina o próprio Vladimir Mendes Patrício em seu trabalho, “Os livros têm cheiro e sabor, as palavras nos alimentam a alma, e os textos são como uma magnífica viagem” (2017, p. 12), vamos continuar a trajetória literária pelo curso do nosso Rio Pardo.
  • Artigo: Quintino de Rio Pardo e as reformas temerosas

    Vista da cidade de Rio Pardo de Minas antigamente. Foto extraída
    do site “Fotos Antigas de Rio Pardo de Minas”.
    * Levon Nascimento

    Há 129 anos, em 13 de maio de 1888, a regente do Império do Brasil princesa Isabel, na ausência do pai o imperador dom Pedro II, em viagem ao exterior, assinou a famosa Lei Áurea, colocando fim a quase quatro séculos de escravidão no país. Fim legal, pois as formas de trabalho análogas ao escravismo continuariam a existir em solo brasileiro até os dias atuais.

    Por motivos de argumentação e de curiosidade histórica, relato dois fatos pitorescos ocorridos naqueles dias no Vale do Rio Pardo (norte de Minas). Recorro à coleção de informações apresentadas nos quatro volumes da obra “Efemérides Riopardenses”, publicada em 1998 pelo cônego Padre Newton de Ângelis, da cidade de Rio Pardo de Minas.

    A 11 de junho de 1888, vinte e oito dias depois da abolição, os poderes públicos da região ainda se encontravam na “árdua” tarefa de proteger o patrimônio privado e desfigurar a dignidade humana. Em Rio Pardo, o delegado de polícia mandou amarrar em frente à porta da casa do subdelegado um negro chamado Quintino, que chegara à cidade em 19 de maio (quatro dias depois da publicação da Lei Áurea), “fugindo de seu dono”, morador de São José do Gorutuba, região da futura Janaúba. O “dono”, um tal de Vitorino Nunes de Brito, à revelia das autoridades, ameaçava levar o negro de trinta e poucos anos amarrado ao rabo do cavalo de volta à sua fazenda.

    Pela lei da princesa, Vitorino não era mais senhor de escravos, Quintino era um homem livre e mesmo que não fosse a legislação da época também não permitiria tal atrocidade, caso empregada corretamente pelas autoridades. Porém, pouco importava. Valia mesmo era a noção torta de propriedade, atrelada aos conceitos de autoritarismo, patrimonialismo, racismo e latifúndio, marcas da colonização e da formação do Estado brasileiro e de nossa sociedade. Em outras palavras, corrupção da lei. Característica ainda muito forte nestas terras esquecidas do Vale do Rio Pardo. Vitorino rugia enquanto Quintino sangrava.

    Também em Rio Pardo, a 12 de julho de 1888 – um mês adiante –, o vereador Atanásio Silva sugeriu à Câmara Municipal rio-pardense a nomeação de uma praça com o nome de TREZE DE MAIO, em homenagem à libertação dos escravos. Segundo relatos, foi naquele espaço, alguns dias depois de 13 de maio (sem exatidão de data), que os ex-escravos “fizeram a grande festa da liberdade (…) e batucaram (…) até o alvorecer do dia seguinte”. Não sei se a praça ainda existe com o mesmo nome naquela cidade.

    A verdade é que no episódio de Quintino, as autoridades já sabiam do fim legal da escravidão. A festa da liberdade na praça comprova isso. Por que não interviram no assanhamento do ex-dono que queria levar o jovem ex-escravo de volta à senzala? Pior, por que elas próprias algemaram um homem livre e inocente à porta do subdelegado?

    Talvez a resposta esteja na cultura da violência autoritária e na desumanização do outro, sempre presentes na história brasileira, sobretudo quando se trata do negro, dos indígenas, do desvalido (vide o caso da guarda municipal de São Paulo, seguindo ordens do prefeito, tomando colchões e cobertores de moradores de rua em pleno frio paulistano), da mulher, do submisso, do indefeso, enfim, do pobre. Só é gente para as autoridades encasteladas no Estado brasileiro aqueles que se apresentam como proprietários. A condição humana apenas, não basta.

    Quintino, “o negro forro” que fugiu dos maus-tratos, mesmo tendo a lei a seu favor, não tinha a proteção do Estado de Direito que lhe garantisse a liberdade e o respeito frente a um senhor ilegítimo e cruel. Ele representa, com altas cores de atualidade, os brasileiros trabalhadores de 2017. Cidadãos que a despeito das garantias da avançada Constituição de 1988 estão à mercê da gangue temerária que se apossou da República com o golpe de 2016.

    O Estado brasileiro sempre esteve comprometido com a manutenção do status quo da elite perdulária, perpassado por um ou outro período em que esse predomínio plutocrático se fez menor ou ameaçado. O getulismo, o janguismo e o lulismo se constituíram nesses curtos momentos, mas todos igualmente golpeados e fulminados pelos “verdadeiros” donos do poder.

    As medidas do governo Temer, tais como o teto dos gastos públicos para a seguridade social, a selvagem lei das terceirizações, a reforma trabalhista que mata a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) aprovada sob Getúlio Vargas, o desmanche das políticas públicas da era Lula-Dilma e a indefectível reforma da previdência, que pretende fazer com que os brasileiros morram sem se aposentar, são comparáveis – em forma e conteúdo – à desenvoltura com que Vitorino Nunes de Brito, diante do delegado de polícia, afrontava a lei vigente ameaçando de morte alguém que não lhe pertencia mais, mas que estava atado a um tronco por quem lhe deveria dar segurança. Nossa pergunta: onde estão as instituições, como o STF, que nos deveriam proteger da sanha dos golpistas de hoje?

    Se o povo brasileiro não desafiar a conjuntura e se reunir na praça, como aqueles negros de Rio Pardo de Minas nos dias que se seguiram à Lei Áurea e, com força, celebrar a liberdade com batuques, palavras de ordem e enfrentamentos de luta, até o alvorecer de uma República mais justa, as reformas dos senhores de escravos de hoje passarão e reduzirão os trabalhadores à condição de indivíduos prostrados, como Quintino, prontos para serem arrastados pelo humilhante rabo do cavalo da história.

    Às ruas. Às praças. Para Brasília.

    * Levon Nascimento é professor de História, sociólogo e mestrando em “Estado, Governo e Políticas Públicas” pela Fundação Perseu Abramo e Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais.
  • Emilly Ferrari, criança desaparecida em Rio Pardo de Minas

    Não podemos nos esquecer de Emilly Ferrari, a criança desaparecida no último dia 4 de maio (2013) em Rio Pardo de Minas, norte de Minas Gerais.

  • Ajude a encontrar criança desaparecida em Rio Pardo de Minas

    Por favor, ajude. Vamos encontrar essa criança que está desaparecida desde sábado, 4 de maio, em Rio Pardo de Minas.

  • Sobre a falta de água em Taiobeiras

    Rio Pardo em foto do mês de maio de 2012.
    Agora… secou!

    Sobre as recentes notícias a respeito da falta de água em Taiobeiras, “linkadas” abaixo, destaco a postagem do artista plástico taiobeirense, Acácio Custódio, originalmente em seu perfil no site de relacionamentos Facebook, como sendo uma das mais corretas avaliações. Segue…

    “Entrar nesse jogo de empurra é no mínimo deselegante. Todos nós sabíamos que á situação deteriorava a cada ano, e que esse dia seria inevitável. E nada foi feito, nem por parte da copasa e muito menos pela prefeitura. Quem passava pela ponte do rio a 30 dias atrás sabia que á água estava acabando. O que assusta é informar a população 2 dias antes de acabar. A população não merece esse descasso. Estavam todos no glamur da eleição e esqueceram do primordial para cidade. Fugir das resposabilidades é uma atitude vil. E mesmo com a piedade dos ribeirinhos, não vai resolver o nosso problema, a água desses poços é muito pouca, da mau para as criações. Se não chover nos próximos dias, a nossa situação é DRAMÁTICA. E sem falar do problema de saude que a cidade vai enfrentar. Com a palavra as nossas autoridades!”


    Links:
    Prefeito Denerval detona COPASA
    COPASA firma TAC e Ribeirinhos deixam bombear água dos poços
    Taiobeiras pode ficar sem água

  • Curiosidades: Imagens de satélite das maiores cidades do Alto Rio Pardo (MG)

    Veja imagens do Google Mapas daS quatro maiores cidades da microrregião Alto Rio Pardo, no extremo norte de Minas Gerais. A escala é de 1 km por 2 mil pés para todas as fotografias.

    Taiobeiras/MG

    Salinas/MG

    Rio Pardo de Minas/MG

    São João do Paraíso/MG
  • Deputada Ana Maria perde vaga

    Ana Maria (PSDB)

    O STF julgou procedente recurso do candidato a deputado em 2010 Pedro Ivo Caminhas, o Pinduca Ferreira (PP), natural de Araçuaí, Médio Jequitinhonha, mas com base eleitoral na região de Betim, para assumir a vaga na Casa.


    Pinduca teve 61.315 votos, mas não pôde ser empossado por determinação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG), que havia cassado o registro de candidatura dele em 2008. Mas de acordo com o advogado de Pinduca, Francisco Galvão, o político não disputou aquelas eleições. “Por isso recorremos ao STF, que, de fato, determinou que ele seja diplomado“, afirmou o advogado.


    Deputado estadual por três mandatos, Pinduca vai assumir a vaga de Ana Maria Resende, do PSDB, que foi a mais votada da coligação em 2010. Com a alteração, a bancada do PP aumenta de um para dois deputados, enquanto a representatividade tucana cai de 13 para 12. Contudo, a composição de forças não se altera na Casa, já que o PP também faz parte da base de apoio ao governador Antonio Anastasia (PSDB).


    Esta substituição se deve à decisão do STF de adiar a validade legal da Lei da Ficha Limpa somente para as eleições de 2012, exigindo nova soma de votos por partido/legenda, levando a nova distribuição de vagas.


    Ao saber da decisão do Supremo, Pinduca comemorou na Câmara de Betim, onde tem sua base eleitoral. “ Para quem dizia que a era Pinduca tinha acabado, eu só tenho a dizer que eu vou voltar a ser deputado. A minha posse está marcada para os próximos dias“, disse.


    Com isso, Taiobeiras e Rio Pardo de Minas perdem a sua representante na Assembleia. Ana Maria obteve 8.051 votos em Taiobeiras e 2.416 em Rio Pardo de Minas. Em Salinas, ela obteve apenas 596 votos.

    Em 11/08/2011.