Tag: Taiobeiras

  • Fátima: “Um verdadeiro assombro” na região!

    Fátima: “Um verdadeiro assombro” na região!

    Em 3 de maio de 2025 tem início mais uma edição da tradicional Festa de Nossa Senhora de Fátima, em Taiobeiras. Essa celebração, tão enraizada na cultura local, teve início em maio de 1957, fruto de dois eventos marcantes.

    Em setembro de 1954, a recém-emancipada cidade recebeu a visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, trazida pelos missionários capuchinhos. Segundo relato do então vigário de Salinas, “Fátima […] foi um verdadeiro assombro” na região — passando por Rio Pardo, depois por Taiobeiras e, finalmente, por Salinas.

    Em 1955, tocada pela intensidade daquela missão, a comunidade taiobeirense decidiu manter viva a experiência. Foi então que Frei Jucundiano de Kok idealizou e iniciou a construção da Capela Octogonal, planejada para abrigar a imagem da Virgem que seria adquirida em 1957. Nesse mesmo ano, foi inaugurado o pequeno santuário mariano e realizada a primeira edição da festa, em 13 de maio — data que se tornaria a principal celebração religiosa da cidade.

    A imagem que ilustra esta postagem pertence ao arquivo da Província Franciscana de Santa Cruz, em Belo Horizonte. Trata-se de uma singela homenagem feita pela Paróquia São Sebastião de Taiobeiras ao seu primeiro pároco, um ano após sua morte — o mesmo que lançou as bases da fé e da cultura que hoje marcam profundamente a identidade do nosso povo.

    Gentilmente cedida pela Província Franciscana de Santa Cruz, Belo Horizonte.
  • História de Taiobeiras: As missões franciscanas de 1951 (parte 2)

    História de Taiobeiras: As missões franciscanas de 1951 (parte 2)

    Apresento a segunda e última parte do Relatório das Santas Missões que os frades Frei Erardo, Frei Fabiano, Frei Alexandre e Frei Eduardo, a convite de Frei Jucundiano, realizaram em julho de 1951, em Taiobeiras. O texto, transcrito aqui abaixo, é retirado da edição de outubro de 1951 da Revista Santa Cruz, das páginas 170 a 172.

    Como na primeira parte, fiz alterações apenas na pontuação e na escrita de algumas palavras, de modo a adequar ao Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Igualmente, acrescentei breves notas explicativas entre colchetes ou grifadas em negrito, para melhor contextualizar as informações.

    Se você não leu a primeira parte, clique aqui primeiramente.

    Nesta segunda parte, me chamou a atenção algumas descrições sobre Taiobeiras, exatamente no meio do século XX, a partir de olhos de fora. Localizada em clima marcado por frio intenso e ventos gelados durante o período das missões, abrigava uma população estimada em cerca de 2.500 habitantes, distribuídos em aproximadamente 400 casas de estrutura modesta. Seu povo, profundamente religioso e generoso, destacava-se pela participação fervorosa em práticas católicas, como confissões, comunhões em massa (5.522 registradas) e procissões multitudinárias (com mais de 2.000 participantes), além de contribuir com doações de alimentos (leitoas, frangos, ovos) e recursos financeiros para sustentar as atividades paroquiais. Os costumes locais incluíam tradições como casamentos religiosos (quatro realizados durante as missões), visitas aos doentes (14 atendidos), romarias ao Bom Jesus da Lapa e eventos comunitários como leilões de prendas, refletindo uma vida social e espiritual centrada na igreja e na solidariedade coletiva. E ficam as perguntas para reflexão: O que mudou? O que permaneceu?

    Mais uma vez agradeço ao Rafael Mattos, responsável pelos arquivos da Província Franciscana de Santa Cruz, em Belo Horizonte, que tem muito prestativamente me cedido acesso aos originais.

    Desejo boa leitura e ótimo aprendizado sobre a nossa história taiobeirense.

    Vamos ao texto…

    Levon Nascimento, Professor de História. Taiobeiras, 02 de abril de 2025.

    TAIOBEIRAS

    Relatório das Santas Missões

    — II —

    11 de julho [de 1951], quarta-feira – Preparamos as crianças para a confissão e a comunhão. É impressionante como o bom vigário de Taiobeiras soube instruir as ovelhas confiadas aos cuidados dele. Quase todos, velhos e crianças, conhecem com perfeição uma boa parte do catecismo. Quando Frei Alexandre terminou o seu eloquente sermão da noite, puxamos os rapazes para a escola. Os bigodeiros, acanhados como criancinhas, perderam totalmente sua atitude recalcitrante diante das maneiras jeitosas do conferencista, e Frei Fabiano conseguiu, mediante palavras claras e conselhos suaves e paternais, levar quase todos aos pés de Cristo.

    Quando, no outro dia, Frei Eduardo quis procurar um cantinho para rezar com os fiéis durante as Missas, quase não conseguiu achar ruim. Oferecemos a bela cena da comunhão geral das crianças e dos rapazes à nossa padroeira, que tão visivelmente abençoou o nosso trabalho.

    Deixamos hoje o nosso rebanho no deserto para procurar as ovelhas desgarradas. Frei Eduardo escolheu os doentes não praticantes e Frei Alexandre os outros como teatro de suas operações. Também neste trabalho penoso a proteção da nossa padroeira das missões os antecedeu. E a maioria caiu nas redes do pescador divino. O afluxo popular crescia mais e mais em vulto, de modo que as pregações da noite, feitas por Frei Alexandre e Frei Fabiano sobre a educação, foram ouvidas por uma multidão comprimida na igreja como sardinhas em lata. O frio e o vento gelado não permitiam mais fazer os exercícios das missões à porta da igreja. À noite, dirigimos um fogo cerrado de graças divinas sobre os homens casados abrigados em dois salões da escola. O conferencista se colocara na abertura de uma porta que ligava os salões.

    Sexta-feira [13 de julho de 1951] é o dia dos doentes da paróquia. Acompanhado por dois homens no banco traseiro de um jeep, percorreu Frei Eduardo em todas as direções a vila e, graças ao mesmo carro, pôde ele, sem demasiado esforço, alcançar um enfermo a mais de uma légua de distância.

    Depois do catecismo, dado com grande mestria por Frei Eduardo, foram todos em procissão para o cemitério para a comemoração dos defuntos. De cima de um dos túmulos, fizemos a meditação sobre a morte diante de uma enorme aglomeração de povo. Por este motivo, não marcamos um sermão para a noite, somente uma doutrinação, feita por Frei Alexandre, que, em seguida, entregou os pontos, porque a voz dele deu baixa. Outra vez concentramos fogo sobre os homens casados numa segunda conferência, dada por Frei Fabiano. Só esta noite confessamos 451 homens casados.

    A assistência às Missas do outro dia era impressionante, e a comunhão geral dos homens deve ter sido um imenso prazer aos olhos de Deus e dos homens. Frei Eduardo cantou e rezou com o povo durante as Missas e preparava-o para a comunhão. Ainda durante o dia de hoje, fisgamos peixes gordos, quero dizer, pecadores endurecidos no mal e… prendas para o leilão. Enquanto os outros assim trabalhavam, estudava Frei Eduardo em voz alta e em todos os lugares da casa a sua prática para o último dia das missões. A qualquer preço, queria ele, ao menos uma vez, durante estas bonitas missões, fazer ouvir sua voz. Parabéns! Na outra manhã, pudemos ouvir e admirar a robusta voz do nosso novato neste trabalho, voz essa que ainda não tinha experimentado os estragos feitos pela luta para dominar o latir de cachorros que não acham seus donos, de criancinhas que em altos brados reclamam a mamadeira, de moleques que procuram distrações para suas energias e do constante murmúrio de uma igreja repleta até o telhado de um povo que puxa, empurra e cutuca para conseguir um lugar melhor.

    Quando começou a comunhão geral da paróquia, tínhamos ouvido 2.478 confissões, e ao todo foram distribuídas 5.522 comunhões.

    Na procissão da tarde, uma enorme massa de povo tinha-se reunido na praça. Calcula-se em número de mais de 2.000 as pessoas que tomaram parte nesta procissão em honra da Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Diante de toda esta multidão, foi pronunciado o último sermão e, em seguida, dada a bênção apostólica a todos os que tomaram parte nestas santas Missões. E depois… depois… a despedida. Quem quer que viesse despedir-se dos missionários e desse uma pequena esmola de agrado para pagar as despesas das Missões, ganhava uma lembrança das Missões e dos missionários.

    A voz de Frei Jacundiano fez-se ouvir até dentro das casas nos arredores da igreja, apregoando a boa qualidade das prendas do leilão. Apesar dos esforços empregados, não conseguiu tirar do leilão mais de 900 cruzeiros. A causa disto é a seca que arruinou, em parte, a colheita do ano passado.

    Depois das confissões que ainda foram atendidas ao fim da reza, passamos a noite comentando as missões, somando as comunhões e confissões para uma estatística do movimento, e contamos o dinheiro dos agrados que as pessoas gratas de Taiobeiras, em sua generosidade, nos tinham oferecido. Os missionários fizeram aparecer no rosto cansado do vigário, que teve um dia atarefado, um sorriso de satisfação, quando entregaram 3.700 cruzeiros para ajuda nas despesas. Ele ainda nos confiou que quase não gastou nada para nos manter em vida, porque, de todos os lados, tinha o povo durante estes dias ajudado, dando leitoas, frangos, ovos, doces, milho [farinha?] de trigo, biscoitos etc. Na doce convicção de ter feito uma boa obra, nos separamos, porque ainda nos restava, no outro dia, a despedida final.

    De fato, pareceu o outro dia que ainda estivéssemos nas missões. A comemoração das almas atraiu, pela última vez, o povo em massa para a igreja. Frei Alexandre celebrou a Missa das almas, e o Libera foi cantado pelos outros missionários. Na casa paroquial, havia um movimento intenso, despedida dupla: despediam-se do vigário os liguistas [membros da Liga Católica Jesus, Maria e José, uma irmandade leiga que até hoje existe em Taiobeiras], que hoje iam iniciar sua romaria ao Bom Jesus da Lapa, e os missionários. Às dez horas, almoçamos e, quase simultaneamente, apareceram os caminhões para os romeiros e o jeep para nós, outra vez com o hábil chofer Frei Artur ao volante, surgindo agora qual anjo de misericórdia. Nós tínhamos pedido condução para Salinas a todos os que possuíam um veículo a motor, mas um não tinha tempo, outro quebrou o carro na véspera, mais um queria cobrar 600 cruzeiros etc.; quando tudo já estava perdido, eis que surge o salvador Frei Artur com um telegrama: «Segunda-feira estarei com jeep».

    Os caminhões já estão buzinando, mas os romeiros não querem partir sem dizer adeus aos missionários. Nós quase imediatamente seguimos o rastro deles. Adeus, Taiobeiras!… Nós vamos, mas vamos levando as impressões mais agradáveis de todos os taiobeirenses, e não menos do seu vigário, que nestes dias se desdobrou para ser um hospedeiro no verdadeiro sentido franciscano.

    Aqui alguns números para os que gostam de estatística: ao todo, atendemos 2.478 confissões e distribuímos 5.522 S. Comunhões. O lugar é mais ou menos de 400 casas, e seus habitantes são estimados em 2.500, mais ou menos. Quatro casais amasiados fizeram seu casamento religioso. Quase todos são casados no religioso, excetuando alguns protestantes e pagãos modernos. Catorze doentes foram visitados, a saber: um rapaz que tinha quebrado uma perna e treze velhos entre 72 e 100 anos.

    Os missionários

    Fonte consultada:

    TAIOBEIRAS: Relatório das Santas Missões (II). Revista Santa Cruz, Belo Horizonte, I, 170-172, outubro de 1951.

  • História de Taiobeiras: As missões franciscanas de 1951 (parte 1)

    História de Taiobeiras: As missões franciscanas de 1951 (parte 1)

    Fiel ao meu compromisso como historiador e em celebração aos 90 anos de fundação da Paróquia São Sebastião de Taiobeiras (20 de maio de 1935), trago nesta matéria mais um recorte da história taiobeirense.

    Com o apoio de Rafael Mattos, responsável pelo Arquivo da Província Franciscana de Santa Cruz, em Belo Horizonte, que gentilmente me concedeu acesso às fontes originais, apresento a seguir a transcrição das páginas 147 a 151 da Revista Santa Cruz, edição de setembro de 1951. Nelas, o cronista Frei Eduardo narra o episódio das Santas Missões realizadas em Taiobeiras – então ainda não emancipada –, iniciadas em 5 de julho de 1951.

    A transcrição respeita integralmente o texto original, preservando sua estilística e realizando apenas ajustes mínimos na pontuação e na grafia de algumas palavras, conforme o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Além disso, inseri informações adicionais entre colchetes para proporcionar maior clareza histórica.

    O relato, no entanto, não está completo, sendo interrompido com um continua entre parênteses. Seguirei com a pesquisa para localizar a sequência e publicá-la posteriormente.

    Vamos ao texto…

    Levon Nascimento, Professor de História, em 29 de março de 2025.

    TAIOBEIRAS

    Jornada Apostólica

    Relatório extraído do diário das santas Missões pregadas na paróquia de Taiobeiras por quatro missionários da nossa Província

    “Para descansar, carapina carrega pedra”. Conforme esta sabedoria popular, emergimos da atmosfera carregada de provas parciais, aulas, horários escolares, etc. para procurar o ar livre das imensas chapadas do Norte de Minas, a fim de levar para Taiobeiras o fogo sagrado do ideal cristão.

    Os big four eram: Frei Erardo, nomeado Padre Mestre, Frei Fabiano como tesoureiro, Frei Alexandre como fotógrafo e Frei Eduardo como cronista…

    Terça-feira, dia 3 de julho de 1951, às 11 horas, decolamos num avião da Nacional do aeródromo da Pampulha, que em 90 minutos nos levou a Montes Claros, percurso que de trem custa 18 horas de viagem. Para dois dos quatro era o primeiro voo e parece que os outros podiam ler do nosso rosto a impressão. Os panoramas nos deram uma boa ideia da vastidão deste belo país. À 1:30 [13h30] em ponto estávamos no campo de aviação de Montes Claros. Chegando ao palácio do Snr. Bispo [Dom Antônio de Morais Júnior], ouvimos que S. Excia. estava em viagem e que devíamos esperar a chegada do Vigário Geral. Uma vez que o Padre Mestre estava amarelo de fome e dor de cabeça, e já passava muito da hora do almoço, dissemos à irmã do Snr. Bispo que íamos procurar um restaurante. O sacristão da catedral nos mostrou um lugar, que parecia um armazém, mas no terreiro havia um caramanchão convidativo e bem arejado. O gerente, homem risonho e poliglota, se esgotava em gentilezas e nomes complicados de pratos desconhecidos. Foi um almoço substancioso e muito bem feito. Na hora de pagar contou-nos, o mesmo gerente, que o Snr. Bispo já pagou. No palácio ninguém sabia disso. Parece-nos que o próprio gerente fez o papel de Bispo. Deus lhe pague a bondade.

    Frei Fabiano, com seu conhecido zelo e espírito prático, nos deu o programa da tarde: primeiro procurar condução e passagens e depois um telegrama ao vigário de Taiobeiras. Após um bom passeio pela cidade e uma visita à catedral, quase terminada, e um bom jantar no palácio do bispo, puxamos as nossas cadeiras para a frente da porta e batemos uma prosa animada até tarde com o Padre Geraldo, um sacerdote brasileiro, que no percurso de sua conversa ainda nos deu sem saber instruções úteis sobre o belo trabalho das missões nestas zonas.

    4 de julho [de 1951] — Apesar do zelo apostólico do Padre Mestre, custou-lhe muitos esforços, atender ao sinal do despertador. Mas graças ao Frei Fabiano saiu tudo às maravilhas. Um de nós celebrou na catedral e os outros na capela particular do Snr. Bispo. Outra vez tivemos sorte. A dona de casa tinha neste tempo preparado um café forte e quando chegamos à agência, esperava-nos uma jardineira Ford, novinha em folha, para levar os 335 quilos (o nosso peso em conjunto) sobre montes e vales, prados e chapadas sem fim. Sentados em amplas poltronas, às vezes correndo com uma velocidade de 100 Km, apreciamos intensamente as belezas destes panoramas desconhecidos ainda para nós. A viagem ganhou um caráter especial graças aos nossos companheiros joviais e um velho, que gostava de brincadeiras, mesmo se ele próprio fosse a vítima. Foi deveras uma viagem agradável. Honra à estrada e ao carro! Certo momento todos saíram para se refrescar num córrego que cruzava a estrada. O nosso fotógrafo entrou pela primeira vez em ação para tirar uma chapa do nosso grupo. Já de seis léguas de distância podíamos ver o entroncamento de Taiobeiras. Ao parar encontramo-nos com a adiposa figura de Frei Jucundiano, que veio buscar-nos de caminhonete e às 4 horas [16h] entramos acompanhados por moleques e curiosos em Taiobeiras.

    5 de julho [de 1951], quinta-feira — É hoje o dia da bonança. Um sol brilhante numa bela manhã acordou os missionários, que puderam ainda dormir à vontade.

    A igreja de Taiobeiras, de linha simplicíssima, sem deixar de ser elegante, era uma impressão pitoresca à ampla praça em que está situada [grifo nosso]. “As obras do novo altar de mármore terminarão amanhã”, disse o vigário-construtor, satisfeito. O altar, de estilo menos simples, com seu jogo de mármore verde e marrom, ornado de pequenas colunas, é uma profissão de fé no Cristo Eucarístico, que achou digna morada no meio dos taiobeirenses.

    Depois do jantar fizemos as preparações para a abertura das santas Missões. O povo tinha-se reunido perto da velha matriz [na Praça Joaquim Teixeira, demolida na década de 1960]. Cantando e sob um fogo mortífero de foguetes e bombinhas andamos lentamente na direção da nova igreja [atual matriz de São Sebastião]. Enquanto progredíamos aumentava a multidão. Nos degraus da igreja foram dadas as boas-vindas aos missionários com um pequeno discurso de uma das professoras e com declamações de algumas crianças. Ofereceram-nos flores, as quais depositamos aos pés de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, padroeira de nosso grupo de missionários e das nossas Missões. Depois de uma palavrinha de agradecimento precipitaram-se todos para dentro da igreja para ouvir o sermão de abertura: “Nunc est temps acceptable” [“Eis agora o momento favorável” (2 Cor. 6,2 em referência a Is. 49,8)].

    Já na primeira noite começamos o nosso trabalho principal e ouvimos 80 confissões.

    É sexta-feira hoje [6 de julho de 1951], primeira sexta-feira do mês, nosso primeiro dia de trabalho missionário. Hoje a experiência nos mostrou que todo começo é difícil e que ninguém nasce missionário. Fomos por razões práticas obrigados a adiar a Missa das crianças para as 8 horas. Nas Missas a frequência era satisfatória, nada mais. Frei Eduardo já começou a tarefa especial dele, a visita aos doentes e velhos e o catecismo. Muitas crianças estavam na aula de catecismo do mesmo, que as levou cantando e brincando para o cruzeiro, onde uma pequena prática fez voltar os pensamentos dos pequeninos para o único necessário.

    A ideia das Missões já começou a fermentar nas massas, porque a frequência do povo aumentou consideravelmente durante os exercícios espirituais da noite, e apesar de ser o primeiro dia tivemos 73 confissões.

    A transferência da Missa das crianças para as 8 horas foi uma solução feliz, pois assim o ambiente nas duas primeiras Missas, das 6 e das 7 horas, tornou-se mais sossegado, de modo que o doutrinador, Frei Fabiano, podia desenvolver o seu assunto com calma.

    Sábado à noite [7 de julho de 1951], a ampla igreja era insuficiente para dar abrigo às turbas que vieram assistir aos exercícios da noite. E Nossa Senhora da Imaculada Conceição fez sentir a sua proteção, levando só esta noite 397 pessoas, a maioria homens, para o confessionário e no outro dia muitos para a mesa da comunhão.

    Esta manhã de domingo [8 de julho de 1951] o espetáculo era consolador para os trabalhadores na vinha do Senhor. A turma estava animada e resolveu cantar a última Missa. Sem livros, mas sob a firme batuta de Frei Fabiano conseguimos chegar sem erros ao fim.

    O catecismo atraía sempre mais crianças, talvez encantadas pela bondosa figura de Frei Eduardo, que logo depois do catecismo levava a turminha barulhenta para fora de Taiobeiras, onde sempre encontrava um lugarzinho para brincar e rezar ou cantar com esses pequeninos.

    Domingo à noite fizemos pela primeira vez os exercícios da Missão ao ar livre. Apesar de todos os obstáculos — púlpito improvisado e falta de luz — fizeram-se ouvir os pregadores Frei Alexandre e Frei Fabiano até os mais remotos recantos da praça.

    Hoje, segunda-feira, dia 9 de julho [de 1951] — As missões estão tomando seu curso normal. De dia em dia aumenta o número das confissões e das comunhões. Frei Eduardo, zeloso para cumprir a incumbência com que foi encarregado, foi hoje visitar os doentes mais afastados, um passeio bom e cansativo pelas subidas e descidas. Graças a Deus, o frio nesta zona tropical impediu que ele precisasse regar o seu percurso apostólico com o suor de costume e voltou às 10 horas, encantado pelas belezas da paisagem das sonolentas chapadas de Taiobeiras.

    A sociedade taiobeirense quer oferecer um almoço aos missionários. Veio como de encomenda, pois teremos hoje a visita do Vigário com seu Coadjutor de Salinas. Vieram alguns homens invadir a nossa casa e no terreno construíram uma coberta, pois esta solenidade devia ser ao ar livre. Quando o almoço já estava esfriando na mesa e nossos estômagos já reclamavam em alta voz (sic) e nem havia ainda sombra dos dignitários de Salinas, foi resolvido o ataque geral da mesa sobrecarregada de produtos que a arte culinária das taiobeirenses soube criar. Parabéns às Martas daqui, que não se esqueceram do uno necessário. O nosso fotógrafo oficial teve depois deste lauto banquete a ideia luminosa de tirar um chapa. Triste espetáculo de uma mesa vazia. De repente, fez-se ouvir o ronco de um motor e com Frei Artur no volante, veio um jeep encostar-se à casa do vigário. Uma alegria já inesperada, que devia ser interrompida, pois o nosso dever nos chamou; as missões não podiam esperar: catecismo, conferência para senhoras casadas, confissões das mesmas para a comunhão geral. Às 3 horas [15h] despediram-se os nossos visitantes e as Missões continuam… Ao concluir os trabalhos de hoje, no quarto iluminado à luz de querosene, somamos o número total das confissões: 649.

    Já iniciaram as conferências especiais e a tarde de terça-feira [10 de julho de 1951] atraiu um bom número de moças à igreja e ainda alguns moços curiosos. Frei Alexandre fez a sua conferência, sem se impressionar pela presença dos olhos masculinos de alguns assistentes clandestinos, mas Frei Fabiano bancou o papão temível, não com palavras, mas com um piscar de olhos soube ele tirar os importunos deste meio…

    Uma vez que o Padre Mestre sofria ameaça de rouquidão, ofereceu-se o tesoureiro do grupo para fazer o sermão da noite sobre a pureza. De coração grato aceitou Frei Erardo a gentil oferta. O número de confissões está querendo passar para a casa dos milhares.

    (continua)

    P.S.: A segunda parte foi acrescentada em 02/04/2025 e pode ser conferida ao se clicar aqui.

    Fonte consultada:

    TAIOBEIRAS: Jornada Apostólica. Revista Santa Cruz, Belo Horizonte, I, 147-151, setembro de 1951.

  • História: o 1º Concílio Paroquial de Taiobeiras

    História: o 1º Concílio Paroquial de Taiobeiras

    Em 2025, celebramos os 90 anos de fundação da Paróquia São Sebastião de Taiobeiras, um marco significativo na história da Igreja Católica no Norte de Minas Gerais. Dentro dessa trajetória, um dos momentos mais relevantes foi o 1º Concílio Paroquial de Taiobeiras, realizado entre os dias 30 de novembro e 2 de dezembro de 2007. Essa grande assembleia foi fruto de um extenso processo de discernimento que envolveu todas as comunidades eclesiais ao longo daquele ano. O evento aconteceu em um momento de transição importante, com a saída da Ordem dos Frades Menores (franciscanos), após 72 anos de presença, e a chegada dos sacerdotes diocesanos da Arquidiocese de Montes Claros à administração da paróquia.

    O 1º Concílio Paroquial de Taiobeiras, até hoje o único realizado, teve um papel inovador ao produzir um documento pastoral abrangente, que consolidou uma avaliação profunda da realidade local e estabeleceu diretrizes e compromissos pastorais fundamentais para a caminhada da paróquia. Na época, eu integrei a equipe de coordenação e, no atual momento celebrativo e jubilar, entrego esta síntese daquele documento, que foi estruturado em duas grandes partes:

    1. Caracterização da Paróquia e Desafios Sociais:

    • A Paróquia São Sebastião abrange 35 comunidades rurais e seis comunidades urbanas, todas organizadas em núcleos para facilitar a ação pastoral.
    • Foi destacada a importância do compromisso dos leigos e leigas em diversos serviços e ministérios da Igreja, reforçando a unidade eclesial.
    • A Igreja em Taiobeiras também se posicionou sobre desafios sociais, como a pobreza, a prostituição infantil e a necessidade de maior participação dos fiéis na vida política com base nos valores do Evangelho.
    • Incentivou-se a valorização da educação como instrumento de transformação social, recomendando-se a criação de uma Pastoral da Educação.

    2. Diretrizes Pastorais e Evangelizadoras:

    • A catequese foi apontada como um pilar essencial da formação cristã, destacando-se a necessidade de torná-la mais dinâmica e ligada à realidade dos fiéis.
    • A juventude recebeu atenção especial, com o reconhecimento de que era preciso uma abordagem mais atrativa para os jovens, utilizando linguagem acessível e promovendo eventos voltados para essa faixa etária.
    • A Pastoral Familiar foi fortalecida para acolher realidades como casais em segunda união e mães chefes de família, promovendo um trabalho pastoral mais inclusivo.
    • Houve também a reafirmação do compromisso com os mais pobres, reforçando a “opção preferencial pelos pobres” e buscando ações concretas para melhorar a qualidade de vida da população local.
    • A gestão financeira da paróquia foi discutida, enfatizando a importância do dízimo para a sustentabilidade das ações pastorais.
    • A liturgia foi avaliada e houve um apelo para maior zelo na preparação das celebrações, garantindo que fossem momentos vivos de encontro com Deus.

    Ao final do Concílio, foram elencadas prioridades para o biênio 2008-2009, incluindo o fortalecimento da Pastoral da Juventude, a reestruturação da Pastoral Familiar, o retorno das Irmãs da Divina Providência e a criação da Paróquia de Santo Antônio de Taiobeiras.

    O 1º Concílio Paroquial de Taiobeiras foi um marco na história da paróquia, consolidando diretrizes que continuam inspirando a caminhada pastoral até os dias de hoje. A celebração dos 90 anos da Paróquia São Sebastião é uma oportunidade para recordar esse momento histórico e reafirmar o compromisso com uma Igreja mais unida, evangelizadora e presente na vida da comunidade. Que o espírito de comunhão e missão, fortalecido naquele Concílio, continue guiando os passos da Igreja em Taiobeiras nos anos vindouros.

  • Taiobeiras 2025: o futuro é agora

    Taiobeiras 2025: o futuro é agora

    * Levon Nascimento

    Em 2020, tive a ousadia de apresentar meu nome como candidato a prefeito de Taiobeiras. Digo ousadia porque se tratava de uma utopia, sobretudo ante as forças econômicas e sociais que polarizavam o debate eleitoral.  Naquele momento, sob a coordenação de campanha de Romário Fabri Rohm, Tia Kêu do Sindicato e eu apresentamos ao povo de Taiobeiras um programa de governo que nasceu da escuta atenta das comunidades, dos trabalhadores e trabalhadoras, da juventude e dos mais necessitados. Não era um projeto de poder pelo poder, mas um chamado à construção coletiva de uma Taiobeiras mais justa, mais humana e mais inclusiva. Cinco anos depois, muito do que propusemos continua sendo urgente e necessário. E faço questão de sinalizar aquelas apostas neste texto presente. Não como revanchismo, pois o que deve prevalecer é a vontade do eleitor; mas como testemunho histórico de nossa luta constante e da participação cidadã que sempre caracterizou nossas vidas. Se o tempo mudou, nossa responsabilidade permanece a mesma: adaptar nossas ideias à realidade de 2025 e seguir lutando por um município que pertença, de fato, ao seu povo.

    Educação Libertadora: do sonho à construção

    Em 2020, defendemos a valorização da educação como base de um projeto de transformação social. Hoje, em 2025, essa pauta se torna ainda mais essencial diante das mudanças na economia e no mercado de trabalho. Precisamos fortalecer a Educação do Campo, garantir que as crianças e jovens do meio rural tenham acesso à aprendizagem sem precisar abandonar suas comunidades. A ampliação da educação em tempo integral continua sendo uma meta prioritária, assim como a oferta de cursos técnicos e tecnológicos alinhados às novas demandas econômicas. Inaugurar de fato a Escola Técnica de Taiobeiras, preferencialmente como o campus de uma instituição federal de ensino, deve ser uma luta de todos.

    O Programa Psicólogo Presente, que propusemos para atuar nas escolas e cuidar da saúde mental dos estudantes, é hoje uma necessidade gritante diante dos desafios emocionais que a juventude enfrenta. A ampliação da estrutura física das escolas, com bibliotecas e espaços culturais acessíveis, também precisa sair do papel e se tornar realidade.

    Saúde: direito fundamental, não mercadoria

    A pandemia global dos últimos anos mostrou, de forma incontestável, que um sistema de saúde robusto e universal é uma questão de sobrevivência. Em 2020, defendemos a ampliação dos serviços do SUS no município, com 100% de cobertura dos PSFs e acesso digno a exames e medicamentos.

    Nosso compromisso com a saúde mental também precisa se aprofundar. O Programa Vivo Todo Dia!, que desenhamos para apoiar jovens e adultos em situação de dependência química, deve ser fortalecido com novos centros de atendimento e políticas de prevenção. A ampliação da saúde preventiva, com maior foco em nutrição, práticas integrativas e acompanhamento contínuo, é um caminho necessário para um município mais saudável.

    Economia Popular e Agricultura Familiar: trabalho digno para todos

    A proposta que apresentamos há cinco anos para fortalecer a agricultura familiar e a economia do conhecimento segue mais atual do que nunca. O desenvolvimento econômico de Taiobeiras passa pela valorização da produção local e pelo incentivo a novas tecnologias que agreguem valor ao que produzimos.

    O Programa de Horticultura Popular, que defendemos para garantir soberania alimentar às famílias em situação de vulnerabilidade, pode ser expandido em 2025 com o uso de novas técnicas agroecológicas e incentivo ao cooperativismo. O Circuito Turístico-Cultural dos Gerais, pensado para impulsionar a cultura e o turismo sustentável na região, deve sair do papel para colocar Taiobeiras no mapa das cidades que valorizam sua identidade e seu povo.

    Segurança Cidadã e Direitos Humanos: uma nova abordagem

    A segurança pública nunca pode ser reduzida à repressão. Nossa visão, desde 2020, é a de uma segurança cidadã, baseada na prevenção e na inclusão social. O Projeto Guardiã Maria da Penha, para combater a violência de gênero, precisa ser ampliado, assim como as políticas de proteção aos jovens em situação de risco.

    O Programa Psicólogo-Presente nas escolas também pode contribuir para reduzir a violência juvenil, ajudando a identificar precocemente situações de vulnerabilidade. A criação da Guarda Civil Municipal Comunitária, voltada para ações preventivas e de mediação de conflitos, ainda é um projeto essencial para a construção de uma cidade mais segura.

    Água, Meio Ambiente e Sustentabilidade: Taiobeiras tem sede de soluções

    A crise hídrica, fruto das mudanças climáticas, continua sendo um desafio para Taiobeiras. Em 2020, defendemos o Programa Água Para Todos, propondo soluções criativas e sustentáveis para garantir o abastecimento à população. Em 2025, a inovação tecnológica deve ser nossa aliada, com captação inteligente de água da chuva, reuso e incentivos à preservação dos recursos naturais.

    O fortalecimento da educação ambiental, aliado ao investimento em energias renováveis e ao estímulo a práticas agroecológicas, precisa ser prioridade. O futuro de Taiobeiras depende de nossa capacidade de equilibrar desenvolvimento econômico e preservação da natureza.

    2025: o presente que construiremos juntos

    Os desafios mudaram, mas a essência do nosso projeto segue inalterada: Taiobeiras precisa ser governada para o povo e pelo povo. Nossas propostas de 2020 eram ousadas porque acreditamos que o impossível só existe até que alguém prove o contrário.

    Agora, em 2025, seguimos comprometidos com o mesmo ideal de transformação. Se o futuro é incerto, que seja porque estamos dispostos a construí-lo com coragem, coletividade e esperança. Taiobeiras tem pressa, mas também tem força. E juntos, seguimos sonhando e lutando.

    * Levon Nascimento, professor de história e doutorando em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável

  • Frei Jucundiano de Kok: Uma vida de devoção e serviço ao sertão mineiro

    Frei Jucundiano de Kok: Uma vida de devoção e serviço ao sertão mineiro

    * Levon Nascimento

    Em janeiro de 2025, visitei o Arquivo Arquidiocesano de Montes Claros, em busca do livro do tombo da Paróquia de Santo Antônio de Salinas. O objetivo foi ver se naquele documento histórico havia alguma referência à passagem da Coluna Prestes pelo Alto Rio Pardo, em 1926. Nada encontrei. Porém, para minha grata surpresa, achei um relato sucinto sobre a data da morte de Frei Jucundiano de Kok, no ano de 1974, em Taiobeiras. E, a lápis, o frade de Salinas, à época, anotou “Revista da Província Franciscana de Santa Cruz, ano XXXIX, nº 4, de 1974, a partir da página 277”. Copiei.

    Chegando a Taiobeiras, busquei na internet o contato da Província de Santa Cruz. Vi no site o endereço eletrônico do arquivo da referida circunscrição franciscana, que tem sede em Belo Horizonte. Mandei um e-mail, com os dados tomados do livro do tombo de Salinas, solicitando acesso ao material, caso estivesse digitalizado.

    Poucos dias depois, recebi com imensa alegria uma resposta, com todo o material solicitado em PDF. O documento original tem oito páginas, em fonte com tamanho bem pequeno, provavelmente 10. A princípio, tenho a imensa honra de disponibilizar esta síntese aos leitores, já no clima da celebração dos 90 anos da Paróquia São Sebastião de Taiobeiras (20 de maio), visto que Frei Jucundiano foi seu primeiro pároco. Leia com atenção o resumo.

    No coração do sertão mineiro, onde a fé e a simplicidade se entrelaçam, viveu e atuou Frei Jucundiano de Kok, um missionário franciscano holandês que dedicou sua vida ao serviço religioso e comunitário. Nascido Adrianus Cornelis de Kok, em 18 de fevereiro de 1901, na pequena vila de Dongen, na província de Brabante, Holanda, Frei Jucundiano deixou um legado de humildade, dedicação e amor ao próximo, que permanece vivo na memória dos que o conheceram.

    Filho de uma família pobre, mas profundamente religiosa, Jucundiano, ou “Juca”, como era carinhosamente chamado, cresceu em um ambiente marcado pela fé católica e pelo trabalho árduo. Seu pai, sapateiro, sustentava a família com o suor do seu ofício, enquanto a mãe cuidava da casa e dos filhos. Desde cedo, Juca demonstrou inclinação para a vida religiosa, inspirado pelos exemplos de piedade que o cercavam. “Ele era um menino piedoso, obediente, humilde”, como descreveu em sua autobiografia, deixada como um testemunho de sua trajetória.

    Aos 21 anos, após cumprir o serviço militar na cavalaria holandesa, Juca decidiu seguir seu chamado religioso. Ingressou no seminário dos Missionários da Sagrada Família, mas foi na Ordem de São Francisco que encontrou seu verdadeiro lar espiritual. Em 1928, tornou-se Frei Jucundiano, emitindo seus votos simples no ano seguinte; e os votos solenes em 1932. Foi então que ele recebeu a missão que definiria sua vida: servir como missionário no Brasil.

    Chegando ao Brasil em 1932, Frei Jucundiano enfrentou os desafios de adaptação a um país tão diferente de sua terra natal. “Na manhã da partida chegaram bem atrasados à estação de Sabará para viajar a Divinópolis. Mas olha! o trem estava esperando”, relembrou ele, surpreso com a gentileza do povo brasileiro. Na ocasião, os frades acharam que o trem os esperava por bondade, mas logo descobriram que a verdadeira razão era outra: o trem havia sido obrigado a dar passagem a um comboio especial com soldados que retornavam da revolução em São Paulo. Apesar disso, o episódio foi visto como uma espécie de “ditada daqueles fradinhos”, uma expressão carinhosa que refletia a simplicidade e a fé com que encaravam os desafios da missão.

    Ordenado sacerdote em 1934, ele iniciou seu ministério em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, onde logo se destacou por sua dedicação e zelo pastoral. Ao longo de mais de três décadas, Frei Jucundiano serviu em diversas paróquias da região, incluindo Itinga, São Pedro do Jequitinhonha e, finalmente, Taiobeiras, onde fixou residência e se tornou uma figura querida e respeitada. “O povo aqui é bom, como em Itinga”, escreveu ele, referindo-se aos sertanejos humildes e piedosos que o acolheram como um pai. Em Taiobeiras, ele construiu uma igreja espaçosa e promoveu festas religiosas que atraíam multidões, consolidando a comunidade católica local.

    Um dos marcos de seu trabalho em Taiobeiras foi a criação do “jubileu” em honra a Nossa Senhora de Fátima. Frei Jucundiano, com o apoio da comunidade, ergueu uma capela votiva dedicada à Virgem de Fátima, que se tornou um local de peregrinação e devoção. Anualmente, o jubileu atraía fiéis de diversas regiões, que vinham para participar das celebrações e renovar sua fé. “Graças a Juca, Taiobeiras também tem seu jubileu”, destacou um de seus confrades, referindo-se ao impacto espiritual e social que o evento teve na região.

    Sua vida foi marcada pela simplicidade e pelo desapego material. “Não fazia despesas supérfluas, econômicas até o extremo, para poder ajudar seus seminaristas no estudo”, relatou um de seus confrades. Apesar de não ter conseguido formar um sucessor, Frei Jucundiano deixou um legado de fé e serviço que transcende gerações. Ele era conhecido por sua franqueza, bondade e simplicidade, mas também por sua firmeza em defender os valores da Igreja. “Era difícil convencê-lo do préstimo de uma novidade”, observou um padre da Cúria, destacando sua resistência a mudanças que considerava contrárias ao bem de sua comunidade.

    Nos últimos anos de vida, Frei Jucundiano enfrentou problemas de saúde, incluindo uma grave ferida no pé que quase o levou à amputação. Mesmo assim, ele insistiu em continuar servindo sua paróquia, celebrando missas e administrando sacramentos até onde suas forças permitiam. “Se devia morrer, queria morrer como um bom soldado, no campo da batalha, armas na mão, sem recuar, sem fugir”, escreveu ele, refletindo seu espírito incansável.

    Frei Jucundiano faleceu em 27 de julho de 1974, após uma vida dedicada à fé e ao serviço. Sua morte foi sentida profundamente pela comunidade de Taiobeiras, que o via como um patriarca e guia espiritual. “Era o pai da grande família de paroquianos, o mentor, o amigo dos grandes e pequenos, conhecido, respeitado, consultado, estimado, quase adorado por todos”, descreveu um de seus confrades.

    Hoje, Frei Jucundiano de Kok é lembrado não apenas como um missionário, mas como um exemplo de dedicação, humildade e amor ao próximo. Sua história nos inspira a refletir sobre o verdadeiro significado do serviço e da fé, especialmente em um mundo cada vez mais marcado pelo individualismo e pela busca de riquezas materiais. Que sua vida continue a iluminar os corações daqueles que buscam seguir os caminhos da fé e da caridade.

    * Levon Nascimento é professor de história em Taiobeiras/MG.

  • Newton Cardoso

    *Levon Nascimento

    Morreu hoje, 2 de fevereiro de 2025, o ex-governador de Minas Gerais (1987-1991), o baiano Newton Cardoso (PMDB), nascido em Brumado.

    Empresário muito rico, dono de fazendas de gado e reflorestamento de eucalipto, inclusive a Veredão, em Berizal, adquirida no tempo em que aquelas terras ainda faziam parte do município de Taiobeiras.

    Consta que a única vez que um presidente da República pisou os pés em solo taiobeirense foi quando Newtão, como era conhecido, recebeu José Sarney na sede de sua propriedade. O avião presidencial pousou no aeroporto que até hoje serve ao latifúndio do então governador mineiro. Dizem as más línguas que aquela pista aeroportuária era para ser construída na cidade de Taiobeiras. Eu era criança, não sabia de nada.

    Muito próximo do ex-prefeito taiobeirense Joel da Cruz Santos, é justamente deles dois juntos que guardo memórias, flashes do meu tempo de menino. Lembro-me do dia em que inauguraram o prédio da Escola Estadual Presidente Tancredo Neves, atualmente minha unidade de trabalho. Também me recordo da inauguração da estação de captação e tratamento de água de Taiobeiras, na margem do Rio Pardo, na estrada que vai para São João do Paraíso. A festa foi na Praça da Matriz, com Newtão descerrando a placa e Joelão abrindo o hidrante e jogando água no povo, que pulava de emoção.

    Outra memória que tenho é de 1989. Eu na sexta série, na Escola Estadual Oswaldo Lucas Mendes. Nossa professora de história, Edna Silveira, liderou a greve histórica por melhorias salariais para os trabalhadores em educação. Houve uma celeuma entre ela e a diretora. Obviamente, tomamos partido do lado da professora. Num dos dias da greve, com a Avenida Amazonas deserta, colamos cartazes nas palmeiras que até hoje existem, em frente do Colégio, com charges que continham o corpo de um suíno desenhado e a cabeça do então governador, recortada de propagandas eleitorais, colada no bichinho. Enfim, coisas de adolescentes que viveram a redemocratização dos anos 80.

    Também é necessário dizer que no Arquivo Nacional, em pesquisa recente que realizei, encontrei referências à novela da Barragem de Berizal que remontam a 1989. Os documentos da época, que qualquer cidadão pode encontrar online,  afirmam que a obra não saiu do papel por decisão de Newton Cardoso, para não desagradar ao aliado Geraldo Santana, então deputado estadual por Salinas e presidente da CEMIG.

    Newton Cardoso foi sucedido no governo de Minas Gerais por Hélio Garcia.

    *Professor de História em Taiobeiras

  • Balanço de 2024

    Balanço de 2024

    * Levon Nascimento

    O trabalhador mais explorado se vê como o “empreendedor” que, “ao se esforçar muito (ser explorado por um patrão anônimo) e mudar o mindset (mentalidade )”, se tornará o “vencedor”, consumidor de neo-bugigangas com obsolescência programada.

    Saíram vitoriosos os discursos dos coaches, o individualismo extremo, que nega a solidariedade entre os iguais e estimula a rivalidade entre “as inimigas invejosas”, a heresia da Teologia da Prosperidade e a religião de mercado.

    Falar a essas pessoas sobre direitos humanos básicos, meio ambiente e crise climática, cidadania, democracia, coletividade, garantias fundamentais e consciência de classe não encontra mais eco e significado em seus cotidianos.

    Some-se a isso o dinheiro do Orçamento Secreto nas campanhas das direitas locais, a burocratização da utopia nos governos de esquerda, as oligarquias de mandatos dentro do PT e a sabotagem à militância histórica, como correu conosco aqui em Taiobeiras, e tem-se o quadro de derrota das pautas e candidaturas progressistas.

    Isso explica as vitórias eleitorais e anti-civilizatórias, avassaladoras, da centro-direita e, relativas, da extrema-direita.

  • Comunicado sobre pré-candidatura a prefeito de Taiobeiras

    Comunicado sobre pré-candidatura a prefeito de Taiobeiras

    Em 2020 fui candidato a prefeito de Taiobeiras pelo PT, contando com a parceria da querida Tia Kêu do Sindicato, nossa candidata a vice-prefeita.
    Era um momento difícil: perseguição ideológica às esquerdas, pandemia da Covid-19 e desarticulação do PT.

    Mas, valeu a pena! Além do aprendizado, mobilizamos as forças para que, dois anos após, em 2022, Lula tivesse uma votação significativa no difícil contexto de Taiobeiras.

    Nossa candidatura também favoreceu, para agora, a formação de um excelente chapa de pré-candidatos a vereadores e vereadoras pela Federação PT/PV.

    Neste ano, meu nome voltou a figurar como pré-candidato a prefeito pelo PT. Com o apoio de muitos companheiros, iguais à minha esposa Flaviana, o Deputado Federal Padre João, o Deputado Estadual Leleco Pimentel, o assessor do Juntos Para Servir Romário Rohm, a presidente local do PT, Professora Marileide, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Sr. Geraldo Caldeira e a direção do PV, nas pessoas de Gilvano Ribeiro Célio e Fernando Rocha, e de vários de nossos pré-candidatos a vereadores.

    Agradeço, de coração, a cada um de vocês. É por conta da confiança de pessoas queridas assim que sigo sempre na luta por um mundo mais justo e de bem-viver.

    No entanto, informo a vocês e à Frente Brasil da Esperança em Taiobeiras (PT e PV), que no período das convenções partidárias não apresentarei meu nome como candidato a prefeito ou a qualquer outro cargo a ser disputado nas eleições de 2024, por dois motivos:

    1º: Devido à impossibilidade de conciliar a campanha eleitoral com o Curso de Doutorado em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável que estou realizando em Belo Horizonte, pelo programa Trilhas de Futuro Educadores, da Secretaria de Estado de Educação.

    2º: Porque o ambiente político de Taiobeiras inspira a união das forças e não a dispersão delas em várias candidaturas majoritárias.

    Desse modo, de minha parte, deixo o PT e a Federação livres para escolherem o caminho que percorrerão nas eleições e, desde já, manifesto minhas fidelidade, lealdade e obediência partidárias à decisão que for tomada, como aliás sempre fiz.

    Para o futuro, em outras eleições, quem sabe meu nome poderá estar disponível para novas lutas.

    Um grande abraço a todas e a todos.

    Levon Nascimento Taiobeiras, 11 de julho de 2024.

  • É preciso apontar para a esperança

    É preciso apontar para a esperança

    * Levon Nascimento

    Em 15 de junho de 2024, participei do Encontro Municipal do Partido dos Trabalhadores em Taiobeiras, no qual foi oficializada a Federação Brasil da Esperança no município, junto com o Partido Verde, para as eleições proporcionais.

    No mesmo evento, mulheres e homens da classe trabalhadora apresentaram as suas pré-candidaturas a vereadora, vereador e prefeito, para o pleito de 2024.

    Perguntei-me, no íntimo, o que de fato fazíamos ali. O que significa a nossa luta neste mundo de hoje?

    Enquanto…

    1. o governo de extrema-direita de Israel mata milhares de vidas palestinas, especialmente crianças, idosos e mulheres;
    2. Trump, com seu discurso negacionista, racista e xenófobo, lidera as pesquisas de intenção de votos para a presidência dos Estados Unidos;
    3. a extrema-direita europeia, anti-imigração, anti-negros e anti-latinos, faz barba, cabelo e bigode nas eleições parlamentares da União Europeia;
    4. as mudanças climáticas provocam, em todo o planeta, dilúvios bíblicos e secas homéricas, calor excessivo e derretimento das geleiras, desabrigados ambientais e desequilíbrios econômicos crescentes, com efeitos devastadores aos países do Sul global e às populações mais pobres do mundo;
    5. no Brasil, o nazifascismo bolsonarista continua popular e impune, apesar do genocídio de 700 mil vidas perdidas pela negligência na pandemia, da tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023 e da corrupção concreta e ideológica que propagou nos infernais quatro anos de Bolsonaro na presidência;
    6. o agronegócio, a mineração predatória e o desmatamento para fins econômicos continuam a envenenar o solo e as águas, aprovando mais e mais agrotóxicos; matando indígenas e grilando terras; apoiando o armamentismo e financiando o processo de ignorância cultural do povo brasileiro;
    7. a alienação religiosa e cultural leva dominados a emularem o papel dos dominadores; a explorados sem consciência da exploração; aos pobres negando os próprios direitos e destruindo suas próprias identidades étnicas e culturais;
    8. Artur Lira e seu bando, hipócritas, usam o nome de Deus para proteger estupradores, atacam o direito das mulheres sobre o arbítrio do próprio corpo e chantageiam o Governo democraticamente eleito pela maioria dos brasileiros;
    9. Em Taiobeiras, muitos perderam a vontade de decidir sobre o seu próprio destino, terceirizando a uma elite – que já se bastou a si própria e perpetuou-se no tempo – o poder de comandar os rumos da coletividade.

    O que nós, da classe trabalhadora, fazemos na luta política diante de todo esse enredo maligno?

    Não tenho respostas prontas para a pergunta que me fiz. Mas, admito suposições. Suponho que, fazendo mais do mesmo não teremos realidade novas.

    É preciso que rompamos com a sociedade que se acomodou com o discurso dos “especialistas em coisa nenhuma”, dos coaches de mensagens sentimentalistas e vazias e dos mascates da fé.

    Mais do que eleições, miremos na formação do povo e na superação do individualismo. É pela cultura que renovaremos a esperança da nossa gente por justiça social e inclusão humana.

    Vencer uma eleição é necessário. Porém, mais do que um mandato, necessitamos de refundar o caráter antissistêmico da esquerda política. Não dá mais para nos conformarmos com a falácia de que o capitalismo é o fim da história. Temos de descortinar o dia posterior, a luz no fim do túnel, a esperança em vez do “é assim mesmo”.

    É urgente apontar à esperança!

    * Professor de História. Graduado em Ciências Sociais pela Unimontes. Mestre em Estado, Governo e Políticas Públicas pela Flacso/Fundação Perseu Abramo. Doutorando em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pela Escola Superior Dom Helder Câmara. Pré-candidato a Prefeito de Taiobeiras.

  • Taiobeiras: a morte tem odor de esgoto e veneno

    Taiobeiras: a morte tem odor de esgoto e veneno

    * Levon Nascimento

    À tardezinha, um fedor paira no ar. Com o perdão da má expressão, é catinga de merda, mesmo. Esgoto não-tratado lançado a céu aberto.

    De uns dias para cá, primeiro achei que fossem os registros do fogão que estavam abertos. Parecia gás de cozinha. Não era. Está em todo lugar, pela casa, no quintal, na rua, nos ares. É veneno. É fumaça de agrotóxico.

    Alguns amigos e familiares me dirão que eu não deveria expor isso aqui. Só tenho a perder: pessoalmente e politicamente. As pessoas não gostam de que apontemos os problemas do lugar em que vivemos. Afinal, fazemos a melhor festa de maio da região, não é!? A propaganda oficial nos condiciona a dizer que somos a melhor do Alto Rio Pardo, quiçá do Norte de Minas. Nenhuma palavra pode ser dita para manchar a reputação da cidade, sob pena de sermos chamados de traidores.

    Mas de que valeria minha vida e minha participação política, não fossem elas voltadas a defender o bem-comum, o bem-viver e o bem-estar da coletividade? Para mim, nunca foi projeto pessoal de poder. É e será ad eternum a luta pela vida plena, em abundância, para todos os seres humanos e para o planeta, nossa Casa Comum.

    Que me critiquem os “pró-vida” de ocasião, que só enxergam ameaças de morte no aborto e nas orientações sexuais alheias. Eles chafurdam na suicida teologia da prosperidade e no tradicionalismo oco e estéril. Valorizam mais as vestes e alfaias do que a Criação divina expressa no rosto humano e na Mãe Natureza.

    O fato é que a metáfora da arca de Noé nunca foi tão precisa quanto nestes tempos de crise climática e de adoração do empreendedorismo da ganância. As pessoas bebem, comem e festejam, alienadas do que ocorre ao seu redor. O calor do aquecimento global, as enchentes torrenciais e o envenenamento da comida e dos ares pelo agro-pop estão aí, para quem quiser ver, sentir e cheirar. Mas, entretidos por coaches e líderes de extrema-direita, os indivíduos recusam a verdade e crucificam os que lhes ousam dizer.

    Taiobeiras, nestes dias de festa e alegria, de ganhos e emoções, de vaidades e torpes poderes, está impregnada do odor de esgoto e de veneno. É um projeto irracional em nome do lucro e do poder de alguns. O salário, como no caso do pecado, é a morte.

    Lutemos pela vida, enquanto ela se deixa encontrar.

    * professor de História, doutorando em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável, mestre em Políticas Públicas, graduado em Ciências Sociais.

  • Em 2026, 100 anos da passagem de Luiz Carlos Prestes em Taiobeiras

    Em 2026, 100 anos da passagem de Luiz Carlos Prestes em Taiobeiras

    * Levon Nascimento

    Único grande fato da História do Brasil que teve Taiobeiras como pano de fundo de seu desenrolar, a Coluna Prestes caminha para completar 100 anos.

    Em 26 de abril de 2026, terá se completado o centenário da passagem do Capitão Luiz Carlos Prestes, líder da revolta tenentista conhecida como Coluna Prestes, pelo vilarejo de Taiobeiras, então distrito do município de Salinas.

    Naquela segunda, 26/04/1926, os revoltosos, como os combatentes de Prestes ficaram conhecidos por aqui, vinham da espetacular manobra militar batizada como “Laço Húngaro”, uma mostra da genialidade do “Cavaleiro da Esperança”. Deram um nó tático, nos desfiladeiros de Serra Nova, município de Rio Pardo de Minas, nas tropas legalistas e mercenárias a serviço do Governo Federal do presidente coronelista Artur Bernardes, deixando-as desnorteadas.

    Ao atravessar Taiobeiras, encontram o povoado deserto. As famílias fugiram para o Grama. Somente o comerciante João Rêgo e sua família permaneceram. Atenderam bem aos revolucionários. No final, Prestes o pagou com um coturno cheio de moedas. Era o preço da Guerra Civil brasileira.

    A Coluna Prestes, que durou de 1925 a 1927, percorreu 25 mil quilômetros de Brasil, pregando a luta contra o regime oligárquico do café-com-leite, que vigorava na política nacional.

    Prestes, seu líder, nas palavras do poeta Pablo Neruda, foi o dirigente revolucionário latino-americano que “teve uma vida tão trágica e portentosa quanto” nenhum outro.

    Referências:
    COTRIM, Dário Teixeira. O Laço Húngaro: Uma estratégia militar bem sucedida. 1. ed. Montes Claros: Millennium, 2008.
    MIRANDA, Avay. Taiobeiras: Seus fatos históricos. 1. ed. Brasília: Thesaurus, 1997. V. I.
    PRESTES, Anita Leocádia. Luiz Carlos Prestes: Patriota, revolucionário, comunista. 2. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2011.

  • Lançamento do livro Torpes Labéus

    Lançamento do livro Torpes Labéus

    Em 8 de dezembro de 2023, na sede da Câmara Municipal de Taiobeiras, norte de Minas Gerais, ocorreu o lançamento do livro “Torpes Labéus: Diário da Pandemia Fascista Brasileira (2013-2023)”, publico pela Editora Autografia, de autoria do professor Levon Nascimento.

    A obra retrata a década de 2013 a 2023, passeando pelos fatos históricos, políticos e sociais do Brasil no período, em formato de diário, com um viés crítico.

    No evento de lançamento, estiveram presentes o deputado federal Padre João (PT/MG), o deputado estadual Leleco Pimentel (PT/MG), lideranças políticas, religiosas, sociais e comunitárias da microrregião do Alto Rio Pardo, educadores, músicos, poetas e ativistas sociais e culturais.

    Confira as fotografias…

  • Obras do novo Governo Lula em Taiobeiras

    Obras do novo Governo Lula em Taiobeiras

    #lula | #taiobeiras | Já tem obra do novo Governo Lula em Taiobeiras. A obra da foto é na Praça de Esportes. Mas tem muito mais. É Lula com o nosso povo! Do Zema e do Bolsonaro, ninguém sabe, ninguém viu.

  • Novo Minha Casa Minha Vida Rural em Taiobeiras

    Novo Minha Casa Minha Vida Rural em Taiobeiras

    Neste domingo (10/9/23), estive nas reuniões das associações comunitárias de Lagoa Dourada e Mirandópolis, juntamente com Rafael Ferreira, Geraldo Caldeira Barbosa, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras e Flaviana Costa Sena Nascimento, candidata a Conselheira Tutelar de Taiobeiras.

    Na oportunidade, falamos do novo programa Minha Casa Minha Vida Rural, das políticas públicas do Governo Lula, do associativismo e da importância de fazer parte do sindicato e esclarecemos sobre o processo de eleição do Conselho Tutelar, que ocorrerá no próximo dia 01 de outubro.

    Gratidão a Nelson, Nilson e dona Elza, que nós convidaram para participar desses frutíferos encontros.

  • Padre João e Leleco Pimentel no Riacho de Areia e em Olhos D’Água, em Taiobeiras

    Padre João e Leleco Pimentel no Riacho de Areia e em Olhos D’Água, em Taiobeiras

    No sábado (9/9/23), o Projeto “Juntos para Servir”, dos mandatos do Deputado Federal Padre João e do Deputado Estadual Leleco Pimentel (Partido dos Trabalhadores – MG), esteve em Taiobeiras, no Alto Rio Pardo.

    Primeiramente, os deputados se reuniram com os moradores da Comunidade de Olhos D’Água, onde prestaram contas do trabalho legislativo e fizeram a entrega de uma carreta-tanque e de um subsolador, frutos de emendas parlamentares, à associação comunitária.

    Em seguida, foi a vez da Comunidade Riacho de Areia, onde houve uma confraternização com os moradores e convidados das comunidades vizinhas. Foram entregues às associações de Manteiga e Riacho de Areia um trator e uma grade agrícola.

    Na oportunidade, os deputados reafirmaram os compromissos com as comunidades, a agricultura familiar, a educação do campo e a moradia popular de caráter social.

    Esclareceram sobre o novo Minha Casa Minha Vida Rural e as demais políticas públicas emancipadoras do Governo do Presidente Lula. Os diretores do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras, Geraldo Caldeira, Lourival Sena, Rafael Lucas, Gabriel Ferreira e Luciana, além de Tia Kêu, participaram das atividades com os deputados, organizadas pelo assessor regional Romário Fabri Rohm.

    O professor Levon Nascimento e os presidentes das associações visitadas, Antônio , Fabiano, Renilva e Marli, também acompanharam as atividades.

    Vilmar, presidente da Associação Municipal das Comunidades Rurais de Taiobeiras fez presença na reunião em Riacho de Areia.

    Edianilha (Nina), da Cooperativa de Restauradores do Cerrado Mineiro, presenteou os deputados com licores artesanais de frutos típicos da flora de Taiobeiras. Gratidão a todas e a todos!

  • Audiência na CODEVASF

    Audiência na CODEVASF

    Na segunda (11/9/23), participei de uma audiência na 1a. Superintendência Regional da CODEVASF, em Montes Claros, a convite do Deputado Federal Padre João (PT) e do Deputado Estadual Leleco Pimentel (PT), juntamente com várias lideranças populares da base do Projeto “Juntos Para Servir” das regiões Norte de Minas e Alto Rio Pardo.

    Discutimos e cobramos o atendimento célere das demandas de políticas públicas estruturantes para os nossos municípios.

    Entre os participantes, Geraldo Caldeira Barbosa, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras, Rafael Ferreira Lucas, mobilizador do Programa Minha Casa Minha Vida Rural em Taiobeiras, Romário Fabri Rohm, assessor dos mandatos “Juntos Para Servir” no Alto Rio Pardo, e Letícia, vereadora de Águas Vermelhas.

  • Poesia em Partículas, livreto de Levon Nascimento, na Amazon

    Poesia em Partículas, livreto de Levon Nascimento, na Amazon

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    Vinte e oito poesias curtas, compostas em quatro semanas, inspiradas nas flores, no sol, na lua e nas estrelas; sobre a vida, o choro, a alegria, o local e o global, o presente e o universal. Para se reencantar no encanto de viver.

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  • Derrubaram pé de pequi do Cruzeiro em Taiobeiras

    Derrubaram pé de pequi do Cruzeiro em Taiobeiras

    Um dia para chorar!

    Derrubaram o pequizeiro do Santo Cruzeiro, árvore histórica e tombada, patrimônio natural, histórico e cultural de Taiobeiras. Era um dos três elementos do conjunto que se compõe com o Santo Cruzeiro dos Martírios e a capelinha.

    Foi sob sua sombra que os peregrinos dos gerais, em penitência por chuva, no longínquo 1896, fizeram a promessa de erguer um cruzeiro ornamentando com os instrumentos do martírio de Cristo se alcançassem a benção do fim da seca.

    Graça conquistada, pagaram o compromisso em 2 de julho de 1897, levantando a grande cruz ao lado do pequizeiro.

    No mínimo, 150 anos de memórias sucumbiram pela motosserra em questão de segundos. A dor da destruição!

    É importante que a lei seja aplicada, com direito à defesa, para punir os eventuais responsáveis. E a nós, resta chorar, feito o dia de hoje (21/07/2023), em que até os céus vertem lágrimas sobre Taiobeiras.

    #taiobeiras #patrimoniocultural #patrimoniohistorico #cultura #historia

  • Levon Nascimento lança “Guia Pessoal de Cultura 2023”

    Levon Nascimento lança “Guia Pessoal de Cultura 2023”

    Olá! Sou Levon! Professor de história, mestre em políticas públicas, doutorando em direito ambiental, escritor, poeta e ativista da defesa da Pessoa Humana e da Casa Comum que é a Terra.

    Neste livreto você encontra um guia da minha produção intelectual, artística e cultural.

    São vídeos, poemas, programas de rádio e, principalmente, livros.

    Produtos de uma intensa e batalhada caminhada, cujo propósito não é comercializar, mas compartilhar.

    Compartilho dons. Dom é presente.
    De graça recebi. Gratuitamente reparto.

    Você pode conhecer mais a minha obra.
    Siga-me nas redes sociais e leia meus textos.