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| Francisco em Copacabana, Lula em Salinas |
* Por Levon Nascimento
Em quarenta anos de vida, só senti o que vou narrar aqui duas vezes.
Há pessoas que conseguem arrebatar pelo carisma. Na falta de expressão melhor, é como se uma energia poderosa emanasse delas e atingisse todos à volta. Uma onda de euforia, alegria e confiança se propaga.
Não são deuses, santos ou entidades metafísicas. Humanos, imperfeitos e que muitas vezes se equivocam como os demais homens e mulheres. Mas são especiais.
Sua especialidade se encontra na capacidade de liderarem. Não precisam de um exército ou de armas poderosas para imporem vontades. Semeiam ideias. Aliás, sua força e autoridade se concentram justamente na capacidade de se fazerem povo, gente como os outros, demonstrarem suas fraquezas e emoções, mas ao mesmo tempo as transformarem no combustível para a luta, o serviço e o enfrentamento das injustiças.
Arrebatam multidões por onde passam porque não são covardes e, ainda, porque simbolizam a resiliência dos de baixo, dos rostos sofridos, dos escravizados e excluídos, dos explorados, inspirando compaixão, respeito, confiança, esperança e amor.
Um desses resilientes arrebatadores com quem tive a experiência da energia que toca a multidão é o Papa Francisco, na praia de Copacabana, em julho de 2013.
O outro é Luiz Inácio Lula da Silva, em Salinas, Norte de Minas Gerais, na tarde da quinta, 26 de outubro de 2017.
Francisco é a grande voz mundial contra a ganância capitalista (Baal) destruidora da humanidade e da criação. Enfrenta reações desonestas até mesmo de agentes do clero, mas persiste na Revolução do Evangelho, sem esmorecer.
Lula, o grande brasileiro, apesar de toda a perseguição midiática, jurídica e ignominiosa, caminha entre o povo de cabeça erguida. Em tempos de descrédito da política como via preferencial para a resolução de conflitos, reúne multidões nas praças do país para falar e fazer política.
Não discuto aqui os feitos desses dois homens. Exalto a necessidade que a conjuntura atual tem de que prossigam vivos e ativos entre nós, por muito tempo. O amor, a solidariedade e o povo que não tem vez nem voz na agenda dos poderosos desta Terra agradecem.

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