Autor: Levon Nascimento

  • Taiobeiras e Salinas repudiam Reforma da Previdência de Temer

    Manifestação em Taiobeiras

    O mês de março foi de muita luta contra a PEC da Reforma da Previdência enviada ao Congresso pelo governo (considerado golpista pelos trabalhadores) de Michel Temer.

    Manifestação em Salinas

    Na microrregião Alto Rio Pardo, temendo os impactos negativos para a maioria da população, professores, alunos e trabalhadores rurais realizaram paralisações e manifestações para alertar contra os riscos dessa reforma.

    Audiência na Câmara de Taiobeiras

    Nos dias 08, 15, 28 e 31 de março os professores de várias escolas da região paralisaram as aulas. Já os trabalhadores rurais, convocados pelo coletivo de mulheres, manifestaram-se no dia 29 pelas ruas de Taiobeiras. Em São João do Paraíso, no Dia Internacional da Mulher, alunos e professores foram às ruas contra o projeto de Temer.

    Moção de Repúdio da Câmara de Taiobeiras

    No dia 15, professores foram às ruas de Salinas, convocados pela coordenação regional do SindUTE (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais), para conscientizar a população dos itens trágicos da proposta enviada ao Congresso. No dia anterior, alunos de Ensino Médio de Novorizonte realizaram passeata com o mesmo fim pelas ruas da cidade.

    Moção de Repúdio da Câmara de Salinas

    No sábado 25, em assembleia do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras, esse mesmo debate foi realizado com os associados.

    Manifestação em São João do Paraíso

    Na segunda 20, os vereadores de Salinas aprovaram por unanimidade uma moção de repúdio à elevação da idade mínima de aposentadoria para 65 anos, de autoria da vereadora Etelvina Ferreira. No dia seguinte, foi a vez da Câmara de Taiobeiras também aprovador unanimemente outra moção também criticando a PEC 287/2016, por iniciativa do vereador João Eudes de Oliveira.

    Protesto em Novorizonte

    Nas duas ocasiões, o povo lotou as galerias das duas casas legislativas demonstrando estar atento e preocupado com os perigos embutidos na reforma previdenciária. Queixa-se dos 49 anos de contribuição, da idade mínima de 65 anos, da supressão dos regimes especiais de professores e trabalhadores rurais e da equiparação injusta de mulheres e homens, além da desvinculação de aposentadorias e salário mínimo.

    Protesto em Montezuma

    Em outras cidades também ocorreram manifestações, como Curral de Dentro, Águas Vermelhas e Montezuma. A ameaça e o risco de morrer sem se aposentar une classes, categorias e políticos de todos os matizes no Alto Rio Pardo.

  • Juízo Final brasileiro, por Levon Nascimento


    Quando a Dor na Consciência vier na sua glória, acompanhada de todos os seus remorsos e arrependimentos, então se assentará em seu trono glorioso. Todos os brasileiros serão reunidos diante dela.

    Então a Dor na Consciência dirá a uma parte deles: “Afastem-se de mim malditos. Vão para o fogo eterno preparado por Temer e por seus ministros. Porque eu falei que era um golpe de Estado, e vocês me chamaram de ‘petralha-esquerdopata’; eu disse que era para retirar seus direitos, e vocês gritaram ‘Fora Dilma’; eu disse que a Lava-jato era seletiva, e vocês berraram ‘Lula-ladrão-nove-dedos’; eu falei que a democracia ia se acabar, e vocês exaltaram ‘mito… mito… na ditadura é que era bom’; eu disse que impeachment por pedaladas era uma falácia, e vocês me chamaram de “mortadela-fanático”; eu afirmei que o golpe ia destruir a economia, gerando desemprego em massa, e vocês disseram ‘que era para combater a corrupção’.”

    E essa parte dos brasileiros respondeu à Dor na Consciência: “Senhora, quando foi que te vimos falar que era golpe, dizendo que retirariam nossos direitos, afirmando que a Lava-jato é seletiva, que a democracia se acabaria, que o impeachment era uma falácia ou que o golpe destruiria a economia gerando desemprego em massa?”

    Então, a Dor na Consciência responderá a eles: “Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês bateram panelas da varanda gourmê, vestiram e desfilaram com as camisas amarelas da corrupta CBF contra a corrupção dos outros, ajoelharam-se e adoraram patos amarelos de borracha da FIESP ou trollarammilitantes pela defesa da democracia nas redes sociais, foi a mim que deixaram de escutar. Portanto, vocês irão para o castigo eterno, trabalhar sem esperança de aposentadoria, virar terceirizados com salários bem mais baixos, ver os governos deixarem de realizar concursos públicos para a classe média e viver num país que tinha tudo para dar certo, mas que virará chacota permanente entre as nações civilizadas”.

    (Inspirado em Mateus 25,31-33.41-46)
  • Poder global e redes sociais

    Publicado no Facebook em 06/03/2017.

    Dizem que o Zuckeberg, dono desse troço aqui, o Facebook, quer fazer de sua rede social o grande poder global, acima dos Estados e daqueles três inventados pelos iluministas: Executivo, Legislativo e Judiciário.

    Apesar de saber que só os da “nossa bolha” nos lêem, com base na tal de manipulação por algorítimos, que seleciona o que aparece na “linha do tempo” de acordo com as preferências de curtir, comentar e compartilhar do dono do perfil, ainda uso esta rede social para alguns fins…

    O principal: manifestar minha liberdade de opinião política, social, intelectual e cultural.

    O segundo: relacionar-me com pessoas com quem tenho afinidades e, não muito (rsrs), com quem não tenho.

    O terceiro: entreter-me.

    De resto, continuarei a dar minha contribuição à democracia, ainda que limitado por um dos oito homens mais ricos da Terra.

  • O nazifascismo era de direita

    O Nazifascismo foi uma ideologia totalitária, porém nunca foi de esquerda.

    Totalitário, porque se colocou como única alternativa de Estado, de política e de ideologia a ser seguida e obedecida pelas pessoas de onde foi historicamente experimentado.

    Não esquerdista, porque a esquerda pressupõe a redução das desigualdades socioeconômicas e o respeito à diversidade racial, enquanto que o nazifascismo ambicionou a criação de uma super-casta racial e social, superior, destinada a subjugar os estratos considerados inferiores, e teve apoio das burguesias capitalistas dos países que sofreram dessa tragédia.

    Uma das formas de iludir quem pouco se informa é confundir conceitos para embaralhar o jogo. Fique atento.

  • A nova face do capital

    No mundo inteiro, o capitalismo escancara suas contradições e cada vez mais deixa de ser o sistema no qual as pessoas se iludiam com a possibilidade de mobilidade (nascer pobre e ficar rico).

    Oito homens apenas têm fortuna igual à da metade do resto da humanidade, segundo a Oxfam. No Brasil, seis indivíduos são tão ricos quanto 100 milhões de brasileiros juntos.

    E não para por aí. A burguesia capitalista tem dispensado intermediários na condução de seus negócios na política. Na crise do sistema que a enriquece, ela própria quer comandar o Estado, revelando o quanto era mentirosa a ideia de que capitalismo e instituições democráticas andam juntos. Donald Trump nos Estados Unidos, João Doria em São Paulo, o prefeito de Betim, etc.: a burguesia no poder.


    E os trabalhadores? Como diria Justo Veríssimo, personagem de Chico Anísio: “Pobre que se exploda!”

    De preferência como homem-bomba.

  • Aparecida no Carnaval

    Acabei de assistir o vídeo do desfile da Escola de Samba Unidos de Vila Maria, de São Paulo, homenageando os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil. Desfile lindo, encantador e emocionante, ocorrido na madrugada de sexta para sábado.
    Que se mordam os conservadores! Nossa Senhora e o Evangelho do Filho dela têm de ir a todo lugar, inclusive ao sambódromo, que é onde o povo está.
    A fé só é viva se entranhada na cultura.

    Postado no Facebook em 27 de fevereiro de 2017.
  • A Lava-jato não é o que você pensa

    A operação Lava-jato não é boa para o Brasil. Ela não existe para combater a corrupção.
    É uma operação montada para fins políticos-eleitorais, de modo a destruir a esquerda e proteger a direita, e com fins econômicos e geoestratégicos, como destruir os setores industriais nacionais e premiar o capital estrangeiro.
    Só que a Lava-jato, similar à Mãos-limpas italiana, que jogou aquele país europeu no colo do histriônico Berlusconi, teve como efeito colateral, depois de alijar o PT – seu único alvo inimigo, o de entronizar a quadrilha peemedebista no poder e não o PSDB, seu verdadeiro objetivo, parceiro e protegido.

    De quebra, a tal força-tarefa ainda abriu espaço para a agenda zumbi da classe média descerebrada, permitindo o latido cada vez mais potente dos loucos nazifascistas.
    Curitiba destruiu o Brasil.

  • Artigo: O espírito do tempo

    Publicado originalmente no jornal Folha Regional, n. 265, ano XIII, Taiobeiras/MG.

    Por Levon Nascimento

    Zeitgeist é a expressão alemã para “espírito do tempo”. Algo como “para onde o vento sopra”. O atual zeitgeistinterrompe a civilidade e conduz a humanidade de volta à barbárie.

    Ao final da segunda guerra, a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi proclamada. Era preciso apagar as manchas vergonhosas do nazifascismo e de Hiroshima e Nagasaki. Discriminação racial, perseguição ideológica, machismo, misoginia, xenofobia e totalitarismo foram combatidos com leis e educação nas nações modernas.

    O “politicamente correto”, mais do que padrão de etiqueta, tornou-se a norma das sociedades civilizadas. Há 20 anos seria impensável um presidente-eleito americano, “republicano” ou “democrata”, ironizar uma pessoa com qualquer tipo de deficiência. Mesmo na esfera privada, se fosse flagrado, teria a carreira arruinada. Hoje é aplaudido.

    A crise do capitalismo neoliberal de 2008, repetindo a tragédia da primeira metade do século XX, rompeu com isso e abriu espaço para o zeitgeist da falência das instituições reguladoras. O Estado nacional, a universidade, a instituição religiosa, a imprensa tradicional e as democracias já não guiam o homem comum.

    O que antes era motivo de vergonha, hoje é exaltado orgulhosamente nas redes sociais ou reverberado com frequência no cotidiano real. Tornou-se “normal” disseminar o ódio contra as minorias, discriminar a pessoa negra, espancar ou matar a mulher que não se submete ao homem, repudiar as políticas afirmativas para as etnias vilipendiadas, aplaudir torturadores em sessões parlamentares, regredir na superação da homofobia, defender a morte, o tratamento indigno e as condições subumanas dos presidiários, golpear o Estado laico.

    É o zeitgeist da era da pós-verdade. Com a internet, o homem comum tem acesso a todo tipo de informação às quais ele recebe e transmite. Num sistema ideal poderia ser a chance de democratizar a comunicação, mas se tornou o esgoto da alma humana. Mentiras se misturam a verdades e são propagadas em tempo real, confundindo, manipulando e nublando a vida social.

    “Gente de bem” ou “pessoa honesta”, expressões de presunção e vaidade de quem pouco sabe sobre a complexidade da vida humana, tornaram-se bandeiras de difusão de ódio de uma classe média acuada pela perda de status econômico e confrontada pela ascensão de quem ela considerava subalterno.

    Homer Simpson, o imbecil protagonista da série “The Simpsons”, fez-se de carne-e-osso e infesta os ambientes sociais com seu discurso infame, geralmente comemorando chacinas em presídios do terceiro mundo ou defendendo homens que ainda matam suas companheiras pelo decadente conceito de “legítima defesa da honra”.

    Este zeitgeist permitiu o renascimento do nacionalismo xenófobo na Europa, a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, a guinada à direita na América Latina e o golpe de Estado parlamentar no Brasil. Também é o responsável por uma onda mundial de retirada de direitos arduamente conquistados pelos pobres e trabalhadores. No Brasil, manifesta-se na aprovação do trágico congelamento dos gastos sociais por 20 anos e nas indecentes propostas de reformas trabalhista e previdenciária.

    Qualquer tentativa de discurso racional ou de bom senso é combatida com violência simbólica e, não se duvide, pode chegar às vias de fato. Fundamentalmente, é a nova forma da igreja do Mercado adorar o deus Capital.

    Uma das poucas vozes de respeito contra este zeitgeist é o Papa Francisco, sobretudo no atendimento aos refugiados que batem às portas do continente europeu, correndo das guerras patrocinadas pelo centro do capitalismo em seus países de origem. Não por acaso, ele enfrenta uma rebelião dos cardeais apegados ao velho farisaísmo clerical. Nas palavras do pontífice argentino, o mundo já vive uma terceira guerra mundial, velada e hipócrita, porém igual ou mais letal do que as anteriores.

    Que o espírito do tempo não nos conduza à paz dos cemitérios.

    * Levon Nascimento é professor de História em Taiobeiras/MG e mestrando em “Estado, Governo e Políticas Públicas” pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais – Flacso Brasil e Fundação Perseu Abramo.

  • Poeira, Pérola e Perdão

    Por Levon Nascimento

    Já fui tentado diversas vezes a “sacudir a poeira dos pés” para lugares, pessoas e situações que me indignam.

    Vontade que só aumenta quando se trata de indivíduos com posturas fascistas, ingratas ou canalhas.

    Certa vez, Jesus disse aos discípulos como deveriam agir com as cidades que não aceitavam a Boa Notícia, segundo Mateus 10,14-15…

    “Se não vos receberem e não ouvirem vossas palavras, quando sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi até mesmo o pó de vossos pés. Em verdade vos digo: no dia do juízo haverá mais indulgência com Sodoma e Gomorra que com aquela cidade.”

    Anteriormente, ele já tinha falado “Não deis aos cães as coisas santas, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para que não aconteça que as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem” (Mt 7,6), provavelmente se referindo àquelas situações em que damos o melhor a quem não quer ou não valoriza o que recebe.

    Mas estou me aguentando e fazendo um esforço para seguir outro ensinamento do mestre: “Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará” (Mt 6,15).
  • Poema livre – Taiobeiras

    Taiobeiras
    Caravana que passa
    Rodoviária
    Árvore tombada
    Bala perdida
    Encontrada
    No corpo tombado
    Corpo jovem
    Sem remédio
    Barraca
    Trabalho tombado
    Mensagem indireta
    Desrespeito direto
    Nossa terra
    Que amamos
    Água pouca
    Muita hipocrisia
    Ainda assim amamos
    Cão que ladra
    Taiobeiras
  • O DVD do massacre amazônico se esgotou: a que ponto chegou o Brasil?

    De acordo com a repórter Bruna Chagas, da Folha de São Paulo, o DVD com as imagens do massacre nos presídios do Amazonas se esgotou nas bancas dos camelôs. Que conclusões podemos tirar desta informação?

    Primeira. A sociedade brasileira está doente. Sofre de sadismo.

    Consultando o dicionário online se descobre que sadismo é um substantivo masculino que significa “satisfação, prazer com a dor alheia” e “extrema crueldade”.

    Pronto. É uma doença social. Está nos meios de comunicação, naqueles programas policiais de fim de tarde, tipo Brasil Urgente ou Cidade Alerta. Os adoecidos são aqueles que sentem um prazer quase que sexual quando as seguintes frases são ditas, escritas ou repetidas: “tem que prender”, “tem que arrebentar”, “pega, bate, esfola”, “bandido bom é bandido morto”, “tá com dó, leva pra casa”, etc.

    Segunda. O povo brasileiro se acostumou com a crueldade. Afinal, foram quase 400 anos de escravidão e massacre!

    Era corriqueiro a senhora mandar cortar a orelha ou arrancar o bico do seio da negrinha bonita que despertava a libido do senhor de engenho. Era comum o bandeirante invadir a aldeia e retirar o bebê do útero da índia a golpes de facão. Normais as cenas como a de levantar Antônio Conselheiro da sepultura em Canudos, cortar a cabeça do cadáver e desfilar com ela pelas ruas de Salvador. Idem para Lampião e Maria Bonita.

    Terceira. A violência é algo banal no Brasil e não desperta indignação. É mais fácil bater-panela porque o preço da gasolina aumentou. Claro, só se o preço for elevado durante um governo dos trabalhadores, porque nos governos da burguesia pode subir o tanto que for que ninguém pia.

    Está na TV, nos filmes, nos games na internet, nas conversas familiares, no poder do patrão sobre o empregado amedrontado pela onda de desemprego, no político que movimenta grandes cifras para comprar os votos e fraudar a democracia, no governo golpista que estupra a Constituição para destruir direitos trabalhistas e previdenciários, na mãe que assassina o filho e toca fogo no corpo porque ele era homossexual, no ex-marido que invade a festa de réveillon para matar a ex, o filho de oito anos e as mulheres da família dela e ainda recebe apoio em comentários de rede social.

    Quarta. A crueldade acomete principalmente as pessoas que se julgam “gente de bem” quando elas se omitem ou se acovardam de participar de qualquer possibilidade de transformação social, passando a tratar com ironia e humor de baixo calão o inominável e o inadmissível.

    É como aquela gente que tem o prazer de publicar um vídeo ou uma foto de gente morta, esguichando sangue, seja num acidente automobilístico ou assassinada numa rua qualquer, mentindo para si mesma de que está apenas transmitindo informação pelo WhatsApp.

    O primeiro passo para combater a violência é admitir que nós mesmos temos um coração violento, mesquinho, cruel e vingativo. E, a partir dessa tomada de consciência, converter-mo-nos para uma condição superior de civilização.

    Mais educação!

  • Que tempo é este? Por Levon Nascimento

    Sob o escaldante sol de verão, árvores foram podadas
    Crédito fotografia: Folha Regional
    Em Taiobeiras é o abuso autoritário cortando árvores em plena onda de calor do verão ou sugerindo que os críticos são cães que ladram ou que devem tomar seu rumo na rodoviária. E a juventude continua morrendo diante da indiferença. A falta dágua deu uma pequena trégua.
    No país, terrorista de extrema-direita mata mulher, filho e parentes dela e imbecis apóiam o sujeito nas redes sociais. Massacres ocorrem em presídios e o secretário de juventude do presidente ilegítimo afirma que tem que matar mais. Outra vez os imbecis “de bem” aplaudem no Facebook e no Whatsapp. Sem contar a PEC 55 e as reformas da Previdência e trabalhista, que retiram direitos dos pobres.
    No mundo, Trump com seus racismos, machismos e xenofobias, a guerra interminável na Síria, os terroristas em geral, o esquecimento permanente da África e a rebelião dos cardeais conservadores contra o Papa.

    Valha-nos, Deus!
  • 6 de janeiro: Os santos reis do oriente e a tolerância

    Cultura popular e tolerância religiosa
    * Por Levon Nascimento

    O calendário litúrgico e a cultura popular celebram hoje o fim do ciclo do Natal com a festa dos Reis Magos.

    Segundo o evangelista Mateus (2,1-2), que não cita o número de personagens, eles foram os primeiros a reconhecer a divindade de Jesus, pois vieram para adorá-lo: “Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém. Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo”.

    Na bela canção “Ouro, incenso e mirra”, o poeta Padre Zezinho nos brinda com esta letra: “São três reis que chegam lá do oriente/ Para ver um rei que acaba de nascer/ Dizem que um é branco, o outro, cor de jambo/ O outro rei é negro e que vieram ver”.

    Na verdade, é a tradição emendando a história para significar que os magos representam a universalidade das etnias humanas abertas à mensagem da tolerância cristã, tão em falta atualmente.

    Outros, ainda, nos revelam seus nomes: Baltazar, Melchior e Gaspar. Seriam homens do “Oriente”, ou seja, de outras crenças, que vieram respeitosamente encontrar o “rei dos Judeus” recém-nascido a partir de suas experiências e conhecimentos em astronomia (ou astrologia!?). Credos que se reverenciam, ao contrário do fundamentalismo de alguns.

    No Brasil, “Santos Reis” é sinônimo das folias cantadas de casa em casa, lapinha a lapinha, presépio a presépio, em humildade ritual de devoção, carinho e fraternidade.

    Viva Santos Reis! Viva a fé simples, altruísta e compreensiva, que não se jacta melhor do que as demais! Todas elas carregadas da verdade de Deus.
  • A marcha rumo ao fascismo brasileiro continua em 2017, Por Levon Nascimento

    Li há pouco sobre a chacina de Campinas na noite de Réveillon. Li também a matéria contendo a carta que o assassino deixou. Ele matou ex-esposa, filho de oito anos e vários parentes e amigos dela, principalmente mulheres.

    Na carta, o sujeito enumera uma série de imbecilidades que andam pela boca de muitos brasileiros, principalmente dos estúpidos seguidores de Bolsonaro e dos telespectadores de programas televisivos “mundo-cão” de fim de tarde, tipo o do Datena e o do Marcelo Rezende. Machismo, misoginia, “contra os altos impostos”, a favor do porte de armas, chama mulheres autônomas de vadias, critica a Lei Maria da Penha (“vadia-da-penha” nas palavras dele), xinga Dilma Rousseff por “estimular as feministas”, ataca os direitos humanos e os seus defensores.

    Disse, ainda, que ia feliz para a cadeia porque lá teria várias refeições, salário pago pelo governo e que os defensores dos direitos humanos iriam lhe “puxar o saco”…, mas não manteve a palavra, cometendo suicídio ao final da barbárie.

    Planejou o atentado para a noite de réveillon porque teria a oportunidade de matar não somente a “vadia” mãe de seu filho, mas “o maior número de vadias da família dela”, segundo suas próprias palavras na carta.

    Em relação ao filho, segundo a carta, deixou transparecer que era apenas um objeto em disputa com a mulher, que não lhe deixava aproximar. A típica vaidade machista falando mais alto do que o amor de pai.

    Um ignorante típico, alienado como a maioria da classe média brasileira. Mas, sobretudo, um ser humano sofrendo da criminosa patologia fascista que vem irresponsavelmente sendo estimulada no Brasil desde que o golpe de Estado se sagrou vitorioso, seja pela mídia canalha ou pela omissão de um Poder Judiciário mais preocupado com os holofotes da política ou com a manutenção das regalias de casta do que em exercer o seu verdadeiro papel constitucional.

    Não me cabe condená-lo. Precisamos condenar e destruir os valores invertidos da sociedade que o criou e o levou a cometer essa barbárie. Vamos continuar fingindo que não é com a gente?
  • Artigo: Foi um golpe de Estado

    * Levon Nascimento

    O ano de 2016 chega ao fim e tristemente constatamos de que nele houve um golpe de Estado no Brasil. Aliás, o golpe continua.
     
    As massas médias vestidas de verde-e-amarelo (mas apaixonadas pela bandeira estadunidense), midiática e propositalmente desinformadas, foram levadas a acreditar que os governos do PT promoveram os maiores escândalos de corrupção da história do Brasil e que este partido gastava abusivamente o dinheiro público, para elas, razão da grave crise econômica. Como ter memória política não é um dos fortes dessa gente, as mentiras colaram feito visgo de jaca e ela pagou o mico do século ao ir às ruas defender o atraso fascista fantasiada de Batman tupiniquim. O mundo sentiu vergonha alheia.
     
    Assim, o impeachment de Dilma Rousseff ocorreu sem maiores problemas dentro das podres instituições da República, capitaneado por Eduardo Cunha e Renan Calheiros, desencadeado pelo choro de perdedor de Aécio Neves, urdido pela traição de Michel Temer, açodado pelas seletivas decisões do juiz Moro, permitido pela omissão vergonhosa do STF e amplificado pela manipulação da Globo e das demais mídias do cartel brasileiro. E por motivo fútil: as tais pedaladas fiscais praticadas por qualquer governante brasileiro ou mundial sempre que se necessita remanejar recursos públicos de uma área para outra. Mais escandaloso ainda, sem que a presidenta fosse ré em qualquer tipo de processo. Uma mulher honesta derrubada por um bando de ladrões repugnantes.
     
    Pergunte a qualquer brasileiro imbecilizado sobre o motivo de Dilma ter sido afastada da presidência e ele lhe dirá: “por causa da roubalheira e da corrupção generalizada” ou “ela acabou com o Brasil”. É o perfeito otário, sem meias palavras. Nunca ouviu falar do “Caso Banestado”, julgado pelo mesmo Moro ou da “Privataria Tucana”, nunca levada a juízo. Não se informa. Só recebe passivamente as rações diárias servidas pelo “Partido da Imprensa Golpista”, o PIG.
     
    Na verdade, Dilma, Lula e o PT foram os bodes expiatórios. Não sou tolo a ponto de achar que não houve desvios éticos em seus governos. Porém, que qualquer pessoa minimamente séria sabe que são fichinhas perto do que os velhos profissionais da direita praticam à luz do dia desde o desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro. Fosse para acabar com a corrupção e equilibrar as contas públicas, a tal Lava-jato não estaria protegendo os maiores corruptos do país – do PSDB, do PMDB e do DEM – e o (des)governo Temer não teria ampliado a gastança de forma tão descarada – e com motivos extremamente fúteis, bem ao contrário do rigor dilmista. O fato é que o golpe de Estado veio para destruir a parte virtuosa dos governos petistas: os programas sociais, a melhora na distribuição de renda e a queda (ainda que tímida) da desigualdade social. Qualquer um que seja responsável saberá entender que os golpistas trabalham incessantemente para aumentar os privilégios da camada rica e esfolar os trabalhadores (aqui incluída a imbecil classe média que odeia o PT) e os pobres.
     
    Mas o golpe foi além. Não somente as conquistas de Lula e de Dilma são os alvos do trator que tomou o poder. É o próprio pacto democrático instituidor da Constituição de 1988 que está em risco. Com a PEC 55 (a do corte de gastos em saúde, educação e seguridade) e a Reforma da Previdência (que deixa de lado militares, juízes e políticos, mas desce o cacete em todos os demais trabalhadores, especialmente as mulheres, os rurais e os professores, que terão as idades mínimas de aposentadoria unificadas em 65 anos de idade e 49 de contribuição), o que se pretende é dar marcha ré em direção à República Velha.
     
    A Constituição de 1988, ao instituir o SUS (Sistema Único de Saúde), a gratuidade e universalidade do ensino e o sistema de seguridade social, colocou o Brasil no mundo civilizado. Claro que esses sistemas nunca funcionaram a contento, pois se trata de uma Nação periférica do sistema capitalista, cheia de incongruências estruturais, mas a simples menção disso no ordenamento jurídico maior dá a direção do projeto daquilo que o país desejava se tornar.
     
    A camarilha golpista que assumiu o poder com a destituição de Dilma Rousseff é uma coalizão escabrosa que une os velhos e corruptos coronéis do PMDB, os lesa-pátria sofisticados do PSDB, as corporações intocáveis do Judiciário, do Ministério Público, da Polícia Federal e dos militares, o baixo clero do Congresso (especialmente a bancada religiosa), a falida FIESP (do pato que os idiotas vão pagar) e a grande mídia brasileira (sob a batuta da indefectível Globo). Todos sob o comando unificado e perverso do mercado financeiro, o qual leva 45% de tudo o que os brasileiros produzem na forma de juros e pagamentos da dívida pública.
     
    Essa turba, blindada pela ignorância do brasileiro médio, que detesta o PT e tudo quanto lhe lembre que também é proletário e pobre, está literalmente destruindo o país, a Constituição de 88, as instituições, a economia real e qualquer sonho de uma Nação soberana para o futuro. E dá-lhe PEC 55, reforma da previdência e ampliação do estado de exceção (aliás, a regra no país dos golpes).
    Foi um golpe de Estado. Aliás, é um golpe, enquanto a economia patina rumo à depressão. E ele tende a se ampliar, porque golpes sempre são seguidos de ditaduras. É um golpe contra você, ainda que tenha acreditado que a grande culpada de tudo era a dona Dilma.

    * Levon Nascimento é professor de História e mestrando em “Estado, Governo e Políticas Públicas” pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais – Flacso Brasil.
  • A naturalidade do não ter

    As pessoas das metrópoles têm necessidade de tudo. A mãe com o filho no colo que pede os trocados à mão. O homem que pergunta se não tenho uma blusa extra porque ele sente frio e está chovendo. Outra mãe com criança de colo pedindo moedas. Gente debaixo do viaduto morando entre papelões e lonas, aparentemente conformadas. Pessoas passando e olhando com naturalidade àqueles moradores de rua.  O jovem que pergunta se tenho um vidro de perfume ou desodorante porque ele não pode comprar um e nem ao menos pasta de dente. Cenas da rodoviária de BH e entorno nesta tarde chuvosa de 15 de dezembro.

    Naturalmente.

  • Saudades dos 80


    Quem viveu a infância nos anos 80 foi premiado com um universo cultural colorido e despojado, mágico e… cafona. E que ficou imortalizado na memória.

    Eu gostava demais de assistir He-man, She-ra, Caverna do Dragão e Thundercats.

    Talvez, a saudade que resta, apesar da simplicidade dos roteiros, seja da moral daquelas histórias: perdão e novas chances ao adversário, fosse ele o Esqueleto, o Hordak, o Vingador ou o Mumm-Rá.

    Essa histeria justiceira dos fascistas de hoje não teria vez naquela época.


  • Taiobeiras: 63 anos, por Levon Nascimento

    Crédito: Da página do Folha Regional no Facebook.

    Como te celebrar, Taiobeiras
    Se tu matas teus jovens nas guerras, de violência e de indiferença?
    Como te celebrar, Taiobeiras
    Se tu és tão irresponsável a ponto de não prevenir água potável para teus filhos?
    Como te celebrar, Taiobeiras
    Se tu degradas a democracia não te envergonhando da compra de votos?
    Como te celebrar, Taiobeiras
    Se tu preferes a ostentação de uns poucos ao bem-estar da maioria?
    Como te celebrar, Taiobeiras
    Se tu te deixas dirigir por ideais de rancor fascista, ao invés da generosidade benévola?

    Ainda assim, vou te celebrar, Taiobeiras
    Porque tu és a terra humana
    Contraditória e terna
    Que escolhi para viver
    E porque tu, Taiobeiras
    Se oportunidades forem construídas
    Para teus filhos esquecidos
    Tens a possibilidade de mudar…

    Desejo-te, minha querida Taiobeiras
    Em teus 63 anos de cidade
    Como presente
    Que tenhas sede de mudança
    Tão somente.

  • A gente folclórica de Taiobeiras

    * Levon Nascimento

    Taiobeiras (e, geralmente, as demais pequenas cidades) é ingrata com as pessoas que brilham ou que têm potencial para crescer no que fazem, especialmente no mundo do livre-pensar, da literatura, da música e das demais artes.

    Tenho um tanto de amigos nesta situação. Podem até ser reconhecidos localmente (ou, vítimas da inveja, detestados), mas com o passar dos anos, imersos num mar de medianidade (para não usar termo mais forte, que poderia ser interpretado ofensivamente), tornam-se pitorescos, típicos e (por que não?) folclóricos.

    São indivíduos julgados acima da média, mas que não encontram meios de crescer e de avançar por aqui. Tornam-se “pontos turísticos” da aldeia, “patrimônio histórico e cultural” e “museus” a ajuntar poeira da indiferença. Usados como decoração chique em momentos de necessidade especial.

    Para os dias atuais, são o que o grande professor Juventino Nunes foi para Salinas na década de 1920: uma luz brilhante ofuscada pela truculência do coronelismo ignorante.

    Isto decorre de vários motivos, dente eles a pouca demanda por serviços intelectualmente mais sofisticados, resultado do baixo nível educacional e dos seculares preconceitos em relação à cultura e às artes. Mercadoria de pouca saída. Mas é também fruto de uma política deliberada de negação do saber e de medo das transformações que ele pode provocar.

    Para muitos concidadãos, só é gente por aqui quem anda de carro de luxo e ostenta grifes de primeira.

    * Professor da rede estadual, escritor e mestrando em “Estado, Governo e Políticas Públicas”.
  • A República dos golpes

    Deodoro da Fonseca
    * Levon Nascimento
    A República brasileira começou há exatamente 127 anos com um golpe de Estado contra o governo do imperador Dom Pedro II, não por apreço aos valores republicanos, mas em vingança à princesa Isabel, herdeira do trono, que um ano antes havia assinado a abolição da escravatura negra. Um misto de machismo e ódio de classe. Qualquer semelhança com a deposição de Dilma Rousseff em 2016 não é mera coincidência.
    Golpe comandado pelo marechal Deodoro da Fonseca (leia-se: os militares do Exército brasileiro, motivados pelo positivismo racista, última moda importada no final do século XIX). Atrás de si, um séquito de homens brancos, ricos, racistas e autoritários. Qualquer semelhança com o governo de Temer em 2016 não é mera coincidência.
    De lá até aqui, é sempre com golpes de Estado que a elite brasileira se perpetua no poder. Uma lista longa: república do café-com-leite, “revolução” de 30, Estado Novo, golpe militar de 64, golpe parlamentar de 2016.

    E, igualmente, é da mesma forma que combatem os movimentos sociais: Canudos, Revolta da Vacina, Revolta da Chibata, Contestado, Intentona Comunista, Ligas Camponesas, movimento estudantil, MST, etc.

    Aristides Lobo, naquele longínquo 15 de novembro de 1889, em que a República foi proclamada, narrou que “o povo assistiu àquilo bestializado”. Continua a bestialização pela tela da Globo.