Autor: Levon Nascimento

  • Artigo: Qual é o problema do Brasil?

    Os operário (1933), de Tarsila Amaral

    * Levon Nascimento

    Levadas pela overdose patrocinada pela mídia comercial, as pessoas pensam que o principal problema do Brasil é a corrupção. É “a tolice da inteligência brasileira ou como o país se deixa manipular pela elite”, título de um dos estudos basilares do pensador social brasileiro e ex-presidente do IPEA Jessé Souza. Mais adiante ele diz: “a classe média é feita de imbecil pela elite”.

    A corrupção, mesmo grave e escandalosa, é consequência de um problema muito maior, histórico e estrutural: a desigualdade social.

    Sim, o Brasil é campeão em desigualdade social. Herança dos quase quatrocentos anos de escravidão.

    Muitos poderão dizer que houve escravidão em outros países e que eles não são tão desiguais ou corruptos quanto o Brasil e estarão falando a verdade. Mas a nossa escravidão teve algumas particularidades bem decisivas e cruéis.

    Desde que os portugueses começaram a plantar cana-de-açúcar no Nordeste, uns trinta anos depois de Cabral por os pés em Porto Seguro, que a escravidão se tornou o negócio mais lucrativo do país.

    Primeiro foram os índios. Escravidão que persistiu até o século XVIII. E até agora em 2017 vemos fazendeiros, grileiros e garimpeiros matando tribos inteiras para ficar com suas terras. É um genocídio pior do que o nazista, porém escondido, marcado pela indiferença, acontecendo por desprezo das autoridades e das sociedades brasileira e mundial.

    Depois, os povos negros foram capturados na África, trazidos nas piores condições em navios negreiros e transformados em bens semoventes. Bem semovente é boi, cavalo, cabra, porco. Pois era assim que se registravam nos documentos públicos a propriedade dos escravos humanos pertencentes a outros homens, os senhores brancos, como se fossem animais.

    Essa escravidão toda durou quase quatro séculos e marcou a estrutura econômica, social, cultural e mental do povo brasileiro. Durante muito tempo, a maioria da população era composta de escravos. Em outras palavras, pouquíssimas pessoas tinham direitos de acordo com a lei. Não havia cidadãos. Existiam os privilegiados e os animalizados.

    Essa realidade criou um país onde as pessoas não ambicionam a cidadania, onde não impera o sujeito de direitos. Queriam (e querem) se parecer com os senhores de escravos, os quais possuíam (e continuam a ter) privilégios.

    Como se sabe, os privilégios de alguns e a vontade de os possuir, por outros, são as portas escancaradas para a subversão dos bens públicos e privados, ou seja, a corrupção e a desonestidade. Isto acontece no mundo inteiro, mas no Brasil é agravado por nossa secular estruturação de classes, fundada no escravismo colonial e na ausência de cidadania.

    Enquanto durou a escravidão, era comum que o branco pobre ou o negro que conquistava a liberdade reproduzissem a estrutura social, fazendo de tudo para comprar um escravo para si, de modo a representar o status quo que consideravam a única possibilidade para a sociedade existir como tal.

    Nos dias atuais, a classe média – também ela assalariada e explorada pela elite financeira – é conduzida pela lavagem cerebral midiática a querer se diferenciar dos demais trabalhadores, seja através da contratação “infra-legal” de empregados domésticos, pelo consumismo exagerado ou no culto à superioridade do mercado sobre o Estado (do privado sobre o público), típico de sociedades vazias de essência e subdesenvolvidas.

    Pois esta mesma classe média tornou-se vassala e tributária das idéias mais atrasadas, antissociais e perpetuadoras de nossa histórica desigualdade. Foi a classe média que saiu às ruas vestindo a camisa amarela da corrupta CBF, ajudando a destruir a democracia, clamando contra programas sociais e políticas públicas que ajudam a diminuir a desigualdade social brasileira (Bolsa Família, cotas, valorização do salário mínimo, etc.), supostamente agindo em nome da moralidade, dos bons costumes e do combate à corrupção. Foi enganada, mas não se deu conta disso até o momento.

    É também uma classe média que acha um horror pagar direitos trabalhistas a quem lhe serve, busca jeitinhos para empregar os filhos em prefeituras sem concurso público, burla filas e licitações e acha natural o nepotismo em órgãos públicos. Movida pelo mesmo espírito dos brancos pobres ou dos negros alforriados que compravam escravos, clama por intervenção militar, endurecimento da lei, pena de morte, por idéias fascistas e salvadores da Pátria machistas, misóginos e homofóbicos, de modo a lhe salvar do que ela pensa ser o principal problema do país: a corrupção… dos outros.

    A classe média não percebe na desigualdade gritante a razão de nossos problemas. Acha que ao se diferenciar dos pobres favelados, roceiros e analfabetos funcionais (que mimetizam os antigos escravos da senzala), faz parte da elite nacional (simbolicamente os habitantes da velha casa grande). “Yes, nós temos bananas!”

    E o país caminha aceleradamente a destruir direitos e democracia, conquistas de séculos, de sangue e de vidas de milhares de brasileiros. Por conta da preguiça mental de uma classe média indigente em termos de visão de mundo e de uma elite brutal, predatória, apátrida e colaborada com os interesses do imperialismo mundial.

    Quem compreende essa realidade precisa se aproximar do povo pobre, trabalhador e lhe ajudar a compreender e a lutar por DIREITOS e DIGNIDADE HUMANA. Não é mais tolerável ouvir pobres como ventríloquos, culpando os que mais combateram a desigualdade social e acusando-os por todos os problemas seculares e atuais da Nação.

    * Levon Nascimento é professor de História e mestrando em “Estado, Governo e Políticas Públicas” pela Flacso/Fundação Perseu Abramo.

  • Salinas realizou Grito dos Excluídos

    A 23ª edição do Grito dos Excluídos, neste ano de 2017 com o tema “Vida em primeiro lugar: por direitos e democracia, a luta é todo dia”, foi realizada em Salinas, no norte de Minas Gerais, na manhã de 7 de setembro, com um encontro de formação e reflexão promovido pelas Paróquias Santo Antônio e São Geraldo, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Sinasefe, Sind-UTE/MG, Movimento Geraizeiro e outras entidades.

    O professor Levon Nascimento, de Taiobeiras, a convite da organização do evento, assessorou a análise de conjuntura e o debate formativo, fazendo uma retrospectiva da história do Brasil, elencando os principais problemas da Nação, como a escravidão, a cultura dos privilégios, a luta por direitos e os riscos da atual crise para as classes populares e trabalhadoras.

    Os presentes, através das intervenções, apresentaram repúdio às reformas do governo Temer e classificaram o atual momento brasileiro como um golpe de Estado contra os pobres.

    Estiveram presentes lideranças sindicais e das Comunidades Eclesiais de Base, os religiosos Dom Hugo Van Steekelenburg, OFM, bispo emérito de Almenara/MG, atualmente residindo em Salinas, os freis Pedro José de Assis e José da Silva Pereira, da Paróquia Santo Antônio e a Irmã Ana Maria, da Congregação das Irmãs da Divina Providência, o líder geraizeiro Orlando dos Santos, Tânia Ladeia, militante histórica das lutas populares salinenses, e Ceiça, ambas representando o Sind-UTE, Rogério Amorim e Vilson Moreira, professores do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (Campus Salinas), o diretor da Escola Estadual Elídio Duque, Wilson Fernandes, o prefeito José Prates, o vice Heli Sousa Santos e vários militantes das lutas sociais.

    De acordo com o site Wikipédia, “o Grito dos Excluídos é um conjunto de manifestações populares que ocorrem no Brasil, desde 1995, ao longo da Semana da Pátria, que culminam com o Dia da Independência do Brasil, em 7 de setembro. Estas manifestações têm como objetivo dar visibilidade aos excluídos da sociedade, denunciar os mecanismos sociais de exclusão e propor caminhos alternativos para uma sociedade mais inclusivaSua origem remonta à Segunda Semana Social Brasileira, promovida pela Pastoral Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada entre 1993 e 1994, quando estava à frente da Pastoral Social o bispo Dom Luiz Demétrio Valentini. Embora a iniciativa esteja diretamente ligada à CNBB, desde o início diversos organismos participam do movimento: as igrejas do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, movimentos sociais, organizações e entidades envolvidas com a justiça social”.
  • Taiobeiras: Justiça e Paz foram os temas da Escola Tancredo no 7 de setembro

    Durante o tradicional desfile comemorativo da Independência do Brasil em Taiobeiras, neste 7 de setembro de 2017, a Escola Estadual Presidente Tancredo Neves apresentou o tema “Justiça & Paz”. Quando os alunos da escola passaram diante do palanque oficial, foi lido o texto a seguir, de minha autoria.

    A Escola Estadual Presidente Tancredo Neves, nestes 195 anos da conquista da independência política e administrativa do Brasil, apresenta o tema JUSTIÇA E PAZ. 

    O Salmo 85, reverberando a sabedoria dos antigos hebreus e se constituindo num belo poema que expressa a confiança dos homens na misericórdia de Deus, nos afirma em seu versículo 10, “O amor e a fidelidade se encontrarão; a justiça e a paz se abraçarão”. 

    Passados mais de dois mil e quinhentos anos desde que este poema foi escrito, nós nos encontramos numa sociedade global e nacional em marcha acelerada para a destruição das conquistas civilizatórias dos últimos dois séculos. Perdeu-se a fé no diálogo. O uso das armas e a vontade de liberar a sua venda para todos os cidadãos tornaram-se a nova religião dos que não mais acreditam no progresso humano, uma idolatria nova, um falso deus. É como se o iluminismo estivesse se apagando e o fascismo se reacendendo. 

    Mais do que nunca, a batalha dos seres humanos esclarecidos e amorosos é concentrar forças para que se reencontrem os ideais de Justiça e Paz. 

    Só existirá uma sociedade pacífica, honesta, fraterna e cooperativa onde prevalecer a justiça social, a igualdade racial e de gênero, o pleno acesso à cultura e ao trabalho e a justa distribuição dos bens da terra. A desigualdade absurda, a miséria tétrica, a fome e a negação dos direitos humanos, como os trabalhistas, são situações de injustiça. Onde isto ocorre, assim como em nosso Brasil deste conturbado momento, não haverá pacificação, nem ordem, nem progresso. 

    É preciso que homens e mulheres, negros, indígenas, vítimas de homofobia e todos os oprimidos se organizem e lutem para alcançar a JUSTIÇA VERDADEIRA, despida dos privilégios de casta, atenta aos clamores dos necessitados, de modo que as armas da guerra e do ódio sejam aposentadas e destruídas. Assim, o brilho e o fulgor da PAZ resplandecerão. Só há PAZ onde a JUSTIÇA impera!

  • Salinas: Milton Santiago lança "A menina e o poeta"

    Capa de “A menina e o poeta”, novo livro de Milton Santiago

    Na noite de quarta, 6 de setembro de 2017, no Bar Chalezinho Belvedere em Salinas, norte de Minas Gerais, o escritor e poeta Milton Santiago lançou o livro “A menina e o poeta”.

    A proposta do livro é realizar a “travessia poética pelos vales”, numa clara referência de Milton Santiago à cultura dos Vales do Rio Pardo, Rio Salinas e Rio Jequitinhonha, resgatando, ressignificando e transformando as sociedades dessas regiões através da arte, da cultura e do engajamento político.

    A obra tem poemas como “SALINAS” (2017, p. 97)
    Salinas é uma palavra,
    que o sonho salinense alimenta,
    não há ninguém que explique,
    e ninguém que não entenda.

    A capa d’A menina e o poeta e ilustrações internas são assinadas pela artista plástica taiobeirense Lizz Campos.

    O lançamento contou ainda com a presença de escritores, artistas plásticos, músicos, educadores e militantes sociais, servindo como espaço para o lançamento do Manifesto Pró-Cultura do Alto Rio Pardo, conduzido por Marileide Alves Pinheiro e Felipe Cortez.

  • Resumo do Brasil agora

    * Julgamentos-espetáculos conduzidos debaixo dos holofotes da grande mídia, desrespeitando as vias corretas do direito. Os interesses da mídia nunca foram os da maioria do povo brasileiro. É possível acreditar nas boas intenções da Globo, por exemplo? Juízes que seguem o que a mídia quer estão praticando justiça de verdade?

    * Criminalização apenas de um partido político – aquele que quando esteve no poder governou com um olhar mais voltado para os interesses dos pobres e trabalhadores, diminuindo a gravíssima e escandalosa concentração de renda brasileira – enquanto o modus operandi denunciado é na verdade de todo o sistema político nacional desde tempos imemoriais. Seletividade? Militância ideológica do judiciário?


    * Crédito a delações premiadas, só de palavras, sem apresentação de provas concretas, de quem já está preso e fragilizado psicologicamente, em troca de benefícios e redução de pena. Aprimoramento dos métodos de tortura? Consultoria internacional? Quais os interesses?


    * Vista grossa a malas de dinheiro, a helicópteros carregados de cocaína e a gravações explícitas de cometimento de crimes praticados por políticos ligados ao campo ideológico das elites. Impunidade generalizada entre os que fazem o jogo da mídia e do capital.


    * Destruição da imagem da política como caminho para a solução de conflitos junto à opinião pública mediana, abrindo espaço para possíveis aventureiros ou para perspectivas autoritárias de poder, como já demonstraram as experiências da Itália fascista e da Alemanha nazista.


    * Este é o quadro grave do Brasil pós-golpe de 2016. Fugir para as montanhas ou manter a esperança?

  • O 7 de setembro: comemorar? #7deSetembro

    * Levon Nascimento

    Por que não quero estar nas comemorações oficiais do sete de setembro de 2017?

    Porque o Brasil passou por um golpe de Estado em 2016, que retirou a suprema mandatária eleita com 54 milhões e meio de votos, sem que ela tivesse cometido crime de responsabilidade, para colocar uma quadrilha em seu lugar. Golpe que continua em pleno movimento catastrófico, nos conduzindo ao inferno nazista.

    Porque há um governo ilegítimo no poder destruindo as conquistas sociais e os direitos mais fundamentais dos brasileiros e enchendo as elites de mais privilégios.

    Porque as instituições da República foram entregues a gângsteres ou a patifes.

    Porque quem saiu às ruas vestido com a camisa amarela da corrupta associação de futebol nacional, adorando o pato de borracha e batendo em panelas, eram zumbis inoculados com ódio através da mídia cartelizada e antinacional.

    Porque no Brasil a lei não é para todos. Um jovem pobre, negro e favelado é condenado a onze anos de cadeia por portar um pinho-sol numa passeata, acusado de terrorismo, enquanto o filho traficante da desembargadora, o helicóptero do pó e a mala monetária do “mineirinho” permanecem impunes. As malas do baiano e do Drácula, idem.

    Porque o MPF segue o roteiro da mídia.

    Porque aquela vara de Curitiba parece se conduzir pela prática do lawfare.

    Porque a Consolidação das Leis do Trabalho, fruto das lutas populares dos trabalhadores, foi rasgada pela antirreforma trabalhista, devolvendo os brasileiros à condição de empregados semi-escravos.

    Porque só um partido é criminalizado, enquanto o analfabetismo político é estimulado.

    Porque o governo ilegítimo e golpista pôs a Amazônia à venda aos estrangeiros.

    Porque as castas superiores das carreiras de Estado ejaculam sobre a lei, fingem combater a corrupção e estupram a Constituição.

    Porque no Brasil se pratica um jornalismo de guerra, panfletário, manipulador, assassino da verdade e avesso aos interesses nacionais.

    Porque, em nome do combate à corrupção, concederam-se regalias aos corruptores, enlamearam a política como via correta da resolução dos conflitos, destruíram o conhecimento e o patrimônio acumulados das companhias empresariais brasileiras, promoveram o desmonte da economia nacional e a miserabilização da maioria do povo, abrindo espaço generoso ao imperialismo dos mercados internacionais e à loucura do pensamento fascista.

    Porque a idiotice reina nas redes sociais, vertendo ódio pelos poros, travestida de bom-mocismo da “gente de bem”, coberta sacrilegamente pela sagrada Bandeira Nacional.

    Porque enquanto os fascistas do ódio e os aventureiros da política têm espaço, nosso maior estadista sofre perseguições injustas e julgamentos-espetáculos à moda das ditaduras de direita e de esquerda, para se impedir que o povo reconquiste o poder central.

    Porque no Brasil a classe média se escandaliza com o direito ao Bolsa Família, mas não se envergonha dos privilégios concedidos e dos altos salários dos escalões superiores do sistema judicial.

    Porque nossos índios continuam a ser exterminados por ambiciosos exploradores da terra.

    Porque a lama de Mariana – e de quantas Marianas mais? – ainda está sem punição.

    Porque nossa terra e os alimentos nela cultivados permanecem envenenados por antiéticas figuras que em mais nada pensam senão no próprio bolso.

    Porque os negros, os jovens, as mulheres, os homossexuais e os pobres persistem a sofrer discriminação, preconceito, machismo, homofobia e retirada de direitos.

    Porque a perseguição ideológica pelas elites só aumenta na forma de projetos esdrúxulos em nossas casas legislativas.

    Porque quem paga imposto no Brasil é o pobre, enquanto os bancos têm a melhor remuneração do planeta.

    Porque há provas concretas contra uns, que estão livres, leves e faceiros, mas apenas palavrórios em delações premiadas de presos querendo ganhar a liberdade servem para perseguir os líderes políticos do campo ideológico oposto ao da elite.

    Não, não vou assistir à marcha de sete de setembro, porque o Brasil não é independente. Quem gosta de marchas mecânicas são os ditadores e os candidatos a ditadores, a exemplo das sincrônicas paradas da Coreia do Norte.

    Continuo amando a Nação que tem por símbolo a bandeira verde, amarela, azul e branca. Amando seu povo, sua diversidade e sua cultura. Mas não vou ver a marcha carnavalesca de sete de setembro. O carnaval é melhor em fevereiro. Porque, em geral, quem patrocina essa atração momesca temporã não é verdadeiramente patriota, não luta pela soberania nacional e se vendeu à ideologia ultra-liberal para a qual as pátrias são apenas espaços de bons negócios.

    Como um bom brasileiro, prefiro lutar pelo Brasil, por sua soberania e por seu povo, exercendo meu patriotismo a gritar com e pelos excluídos, fazendo eco ao nosso lindo Hino: “Verás que um filho teu não foge à luta”!

  • Savana ou Cerrado?

    A paisagem magnífica da savana africana!

    E você olha atrás de cada árvore retorcida e no meio do capim amarelado, com cautela, para ver se não tem um leão à espreita, uma hiena, uma manada de zebras correndo, ou uma girafa camuflada no ambiente.

    Não, não é a África!

    É o que restou do cerrado norte-mineiro, perto do Vale das Cancelas, para onde olham gulosas as mineradoras, terra já estuprada pelas reflorestadoras, às margens da BR-251.

    A Serra de Grão Mogol e o céu, imponentes muralhas por testemunho.

    Tão exuberante quanto a savana. Salve!

    Levon Nascimento, 04/09/2017.

  • A resistência cultural no Alto Rio Pardo

    * Levon Nascimento

    Apesar da realidade sombria do Brasil, do golpe de Estado, da retirada neoliberal de direitos e da ditadura da toga – ou talvez até por conta dela, como anticorpo benéfico – a esperança tem se feito presente na arte, na literatura e na comunicação do Alto Rio Pardo, do Vale do Jequitinhonha e do Norte de Minas.

    Lancei meu livro “CRER E LUTAR” em Taiobeiras no dia 02 de junho de 2017, como um brado de fé e de militância contra o processo de fascistização da sociedade, tendo a inspirada capa da multiplicação dos pães e dos peixes, pintada em tela pela nossa internacional Lizz Nobel e apresentação da jornalista montes-clarense Valéria Borborema.


    O Atalho Alternativo Cultural de São João do Paraíso, dos amigos Lídio Ita BlueMárcia Barreto e do rapper Flávio, nadam contra a maré massificadora levando arte, boa música e reflexão às praças paraisenses.


    O poeta Carlos Renier Azevedo escreveu o cordel “Vaqueiro Centenário”, narrando a trajetória do Sr. Lydio Barreto (pai de Lídio Ita Blue), de Pedra Azul, resgatando as tradições, “os fazeres” e as raízes sertanejas do Vale do Jequitinhonha/Norte de Minas.


    Felipe Cortez Aragão Grimaldy e Marileide AP, em incessante ativismo por cultura, comunicação e direitos humanos, garantiram para Taiobeiras a 7ª edição do Encontro de Comunicadores do Vale do Jequitinhonha, a ocorrer em fevereiro de 2018.


    Enquanto isso, nosso poeta Milton Santiago, de nossa vibrante Salinas, se prepara para lançar mais uma obra de ternura e amor à região, o livro “A menina e o poeta” no próximo 06 de setembro.


    E nossa histórica Rio Pardo de Minas ganhará de presente o livro de Vlade Patrício, em 16 de setembro, “Um olhar no passado”.


    O Alto Rio Pardo está vivo, na luta, contra os retrocessos, transmutando-se em literatura, música, performances, ativismo político e muita vontade de se eternizar na HISTÓRIA!


    A luta continua…


    * Professor e escritor, de Taiobeiras/MG.

  • Quando os bons partem e nos deixam órfãos

    Dom Helder Câmara

    DOM HÉLDER CÂMARA foi um revolucionário na Igreja Católica brasileira. Enfrentou a ditadura militar, passou a morar como os mais pobres de sua Arquidiocese de Olinda e Recife e um dos articuladores do “aggiornamento” provocado pelo Concílio Vaticano II. Um santo de nosso tempo. Faleceu em 1999. Um processo de beatificação está em curso.

    Dom Luciano Mendes de Almeida

    DOM LUCIANO MENDES DE ALMEIDA, arcebispo de Mariana, primaz de Minas Gerais, foi presidente da CNBB nos anos de ouro da conferência dos bispos e conduziu-a no auge do engajamento da Igreja em favor dos pobres, além de profundo defensor da ação das comunidades eclesiais de base latino-americanas e das pastorais sociais, testemunhando Jesus na vivência de uma religião lúcida, engajada com os grandes temas do bem comum para o Brasil. Partiu em 2006.

    Dom José Maria Pires

    DOM JOSÉ MARIA PIRES, emérito da sé da Paraíba, primeiro arcebispo negro do Brasil, conhecido como dom Zumbi, por sua defesa dos afrodescendentes, outro grande prelado católico que a segunda metade do século XX nos legou. Seguiu rumo ao Reino ontem (27 de agosto).

    Todos foram boicotados pelo Vaticano inverno eclesial de Wojtyla/Ratzinger, mas sua obra sobrevive, porque marcadamente fundamentada no Evangelho de Jesus e no amor aos semelhantes, especialmente os pobres e deserdados.

    Os três se foram em anos diferentes, mas num 27 de agosto. Coincidência ou providência, pouco importa. São homens santos, testemunhas fiéis do crucificado-ressuscitado. Tomara os atuais ministros da Igreja sigam seus luminosos exemplos.


    Precisamos de sucessores desses profetas para enfrentar os mares revoltos do presente.

  • Micro-crônica de Facebook

    A casa de Arlinda e Zeca

    Vi hoje uma casa abandonada na roça, no sertão da Bahia, divisa com Minas, de pessoas que eu conheci quando criança, que já partiram do planeta. Fica na Barra do Rio, perto do Distrito do Alegre, Condeúba.

    Sem demagogia, deu pra sentir na prática que ninguém é dono de nada.

    A propriedade privada, se é que existe, é da Terra sobre nós. O inverso, jamais.

  • Artigo: Os pingos nos is

    * Levon Nascimento

    Coisa mais comum é a sociedade organizada divulgar nomes e retratos de deputados e senadores que votam contra ou a favor de medidas de grande repercussão para a vida das pessoas.

    Agora mesmo, listas de quem salvou Michel Temer de ser investigado pelos crimes dos quais é acusado, pulam em nossas vistas nas redes sociais.

    É assim que funciona o Estado Democrático de Direito. Se é que ainda temos um.

    Espantoso é que alguns vereadores e ex-vereadores acionaram a polícia contra o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras porque a entidade fez um banner com as fotos dos parlamentares que, em 2016, aprovaram a cobrança de contribuição de custeio de iluminação pública para quem mora na roça, onde não existe iluminação pública em frente das casas.

    Coisa feia! Com tanta criminalidade atormentando a vida do povo taiobeirense, esses políticos foram chamar a polícia para a representação dos trabalhadores, gente honesta, que luta dia e noite para por comida saudável na mesa de quem mora na cidade. Lembrando que são alguns. Não todos.

    Cobrar iluminação pública onde não tem iluminação pública, mais uma chicotada no lombo de quem trabalha. “Ah, mas o pessoal da roça vem para a cidade à noite, onde tem poste na rua, por isso tem que pagar”: devem pensar os responsáveis por essa insensatez. Como são esquisitos os nossos liberais meritocratas!

    Provavelmente dizem que o Sindicato está fazendo política. Estranho seria se não estivesse. Se até uma mãe ou um pai ao dizer um não ou proibir os filhos de realizarem qualquer coisa estão agindo politicamente, usando do pátrio-poder, por que uma entidade de classe não poderia pressionar os políticos para defender os seus associados? Errado seria se não fosse assim.

    Eu vi o banner com a lista dos que aprovaram cobrar contribuição de custeio de iluminação pública de quem não a tem. Não há calúnia, porque não acusa nenhum dos listados de ter praticado crime. Não possui difamação contra eles, pois não afirma que cometeram algum ato desonroso. Também não é injúria, pois mostra o que é verdade, ou seja, o modo como os parlamentares – livre e soberanamente – votaram numa seção da Câmara Municipal. Não é ilegal.

    Pelo contrário, a lista é um ato de liberdade democrática que merece aplausos, conforme resguarda o artigo 5º da Constituição brasileira. Ela dá publicidade aos eleitores de como agem as pessoas que eles colocam no poder. Ah, se o nosso povo tivesse mais coragem de exercer assim a sua cidadania, se pressionasse mais os políticos, se participasse mais da vida e dos rumos do Estado e da sociedade! Talvez, seríamos um país melhor e mais avançado.

    Que a bronca dos vereadores e ex-vereadores, que não gostaram nenhum pouco da bela ação do Sindicato, seja arquivada de pronto por quem de direito. Afinal, quem paga a conta é o povo trabalhador, que tem o direito de se indignar.

    Na terra em que o povo não pode reclamar de seus políticos ou sofre perseguições jurídicas por causa disso, o nome que se dá é ditadura.

    * Levon Nascimento é professor de História e mestrando em Estado, Governo e Políticas Públicas.

  • Sindicato dos Trabalhadores Rurais recebe moção de aplausos da Câmara de Taiobeiras

    Na noite de terça, 15 de agosto de 2017, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras recebeu “Moção de Aplausos” da Câmara Municipal, por indicação da vereadora Gisele Oliveira Santos, em meio à tensão da luta contra a cobrança abusiva de contribuição de iluminação pública para as residências do meio rural.


    Leia o discurso de agradecimento dos representantes do Sindicato. No texto, a entidade reafirma que, independente da reação de alguns parlamentares, não recuará de lutar pelos interesses da classe dos trabalhadores e trabalhadoras rurais.

    Excelentíssimo Senhor Vereador Ecleidson Inácio de Sena,
    Presidente da Câmara Municipal de Taiobeiras.
    Excelentíssima Senhora Vereadora Gisele Oliveira Santos.
    Excelentíssimos Senhores Vereadores.
    Senhoras e Senhores, Boa noite.

    Na oportunidade em que o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras recebe esta homenagem reconhecida como Moção de Aplausos, na qualidade de presidente desta entidade, quero aqui agradecer.

    Agradecer a Deus, que sempre nos guiou na caminhada e na luta.

    Agradecer aos associados e associadas, homens e mulheres, jovens e idosos, trabalhadores e trabalhadoras na agricultura familiar, pessoas de luta, que a cada momento fazem de suas energias o esforço para produzir o alimento que chega às meses de todos.
    Agradecer ao queridos companheiros diretores e às companheiras diretoras, os quais  representam, pelo voto dos associados, os interesses coletivos de nossa classe.

    Agradecer aos parceiros e às parceiras do Sindicato: os movimentos populares, as comunidades, as associações e todos aqueles que compreendem e apoiam a nossa luta.

    Agradecer à vereadora Gisele, que indicou o Sindicato para esta homenagem e os demais vereadores que aprovaram.

    Enfim, neste dia de hoje, quero celebrar, juntamente com todos os companheiros e companheiras, a luta, a trajetória, a caminhada e o esforço de todos aqueles que construíram esta entidade para bem servir o homem e a mulher trabalhador rural.

    Estamos enfrentando um momento difícil no Brasil. Um momento em que os direitos mais fundamentais, conquistados com muito suor, sangue e luta, estão sendo ameaçados por aqueles que não compreendem as necessidades dos mais fracos: congelamento dos gastos sociais por 20 anos, reforma da previdência, reforma trabalhista. A democracia está em risco no Brasil.

    Portanto, se na democracia o Sindicato já fazia todo sentido, imagina agora o quanto mais ele é importante e necessário. É através da união que o sindicato simboliza, que o povo tem de se reunir, se organizar, reivindicar, lutar e não deixar que os direitos sejam retirados.

    O Sindicato é a casa do trabalhador e da trabalhadora. É uma entidade de respeito. Tem história para mostrar. Tem conquistas e vitórias alcançadas. Merece o respeito de toda a sociedade e dos poderes constituídos. Esta homenagem de hoje, nesta casa, nesta Câmara Municipal, deve ser o reconhecimento de que os líderes do sindicato são mulheres e homens sérios, trabalhadores, lutadores, honestos, que se entregam na luta em favor dos interesses de todos, dos interesses coletivos.

    Exemplo de nossa luta, está a recente manifestação contra a cobrança da contribuição de custeio de iluminação pública, a qual nós não achamos justa, pois as residências rurais não contam com iluminação pública em frente das casas, sacrificando ainda mais a vida sofrida dos trabalhadores.

    De maneira democrática e respeitosa, sem ferir nenhum direito dos parlamentares, nos colocamos em luta corajosa.

    Nunca foi nosso interesse afrontar ou desrespeitar. Mas será sempre a nossa missão, defender o que é certo e lutar contra aquilo que é injusto. Estaremos sempre em luta.

    Que Deus abençoe a todos nós.
    Muito obrigado a todos.
    Boa noite.
  • Resposta: O desmonte da UFVJM e do ensino superior

    Na crônica O jumento é nosso irmão, que publiquei aqui em 5 de agosto de 2017, recebi o comentário da internauta Ana Maria, o qual transcrevo logo abaixo.

    Olá Levon, gostaria que o senhor desse sua opinião sobre os cortes de recursos que estão ocorrendo nas universidades públicas federais. Esta semana tive a triste notícia que a UFVJM, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri,instituição no qual eu me graduei em Administração Pública, poderá fechar as portas por não ter dinheiro para manter as despesas de custeio (ou seja, não tem dinheiro pra pagar água e energia). Os recursos para investimentos, nem se fala, já estão paralisados há muito tempo. E isso poderá afetar também aos alunos nos cursos à distância, que já tem suas dificuldades de manutenção, principalmente em Taiobeiras, onde há um polo. Abraços.

    Respondo a Ana Maria:

    Querida Ana Maria,
    O desmonte da UFVJM, criada pelo presidente Lula nos governos do PT, e do ensino público, em geral, são parte do que já estava desenhado pelo golpe de 2016, que destituiu a presidenta legítima Dilma Rousseff, sem que ela tivesse cometido crime de responsabilidade, conforme reza a Constituição brasileira. Significa sucatear o serviço público para em seguida privatiza-lo. É parte da política neoliberal: mais para os ricos, menos para os trabalhadores. Menos social-desenvolvimentismo petista e mais elitismo tucano-peemedebista. Infelizmente, é o triste retrato do que as manifestações orquestradas pela Globo, de lavagem cerebral, e pelos patos, camisas amarelas e panelas produziram: tiraram uma mulher honesta da presidência, perseguem o maior estadista vivo do país (Lula) e colocam a pior quadrilha da história nacional no Planalto. O “Mineirinho” tem culpa nisso.

  • Egoísmo, o outro nome do Liberalismo Econômico.

    LIBERALISMO: cada um por si, Estado mínimo, 0% de solidariedade social, predomínio do mercado sobre a sociedade.

    Li há pouco num comentário de rede social da internet:

    “O dinheiro dos meus impostos não deveria servir para alimentar crianças de escolas públicas. Eu pago pela comida dos meus filhos. Que cada um se vire pelos seus”.

    O dito comentário estava numa discussão iniciada pela divulgação da notícia de que o prefeito paulistano João Doria, do PSDB, havia proibido que os alunos da rede municipal repetissem da merenda escolar. Lembrando que muitas daquelas crianças só contam com aquela única refeição por dia.

    Esse tipo de comentário é cada vez mais presente nas redes. Diria até que é predominante. Como se chama essa ideologia?

    Respondo: LIBERALISMO ECONÔMICO CAPITALISTA em grau máximo. Ou melhor: LEI DA SELVA. Quem pode pagar, vive. Quem não pode, morre. “Salve-se quem puder!”

    Muitos jovens brasileiros que foram às ruas a partir de 2013 ou que se encontraram nas manifestações “verde-amarelas” pelo impeachment embarcaram nessa onda. Alguns deles chegaram a se filiar a partidos políticos que defendem esse programa. Dizem que o NOVO chegou.

    Na verdade, é um novo que já nasceu velho. Afinal de contas, tem para mais de 200 anos que o liberalismo econômico se apresentou como teoria e prática nas sociedades industriais e em suas periferias.

    Além disso, desde o assassinato de Abel por Caim, na história bíblica do Gênesis, que o EGOÍSMO (outro nome do liberalismo) produz resultados nada animadores para a humanidade.

  • O jumento é nosso irmão


    * Levon Nascimento

    O jumento sempre foi o maior desenvolvimentista do sertão!”
    Luiz Gonzaga.

    Nas tais jornadas de junho de 2013, aquelas que não aconteceram por apenas vinte centavos, mas pela entrega do país inteiro aos piratas, teve uma charge de Lúcio contendo duas cenas. Numa, os manifestantes vinham como leões furiosos, gritando contra o Congresso Nacional, sob o título 2013. Noutra, a mesma gente travestida de jumentos digitava na urna eletrônica, legendada por 2014.


    O tal gigante que acordou como leão em 2013 votaria em 2014 como jumento, previa o chargista e o senso comum.

    Eu até que poderia concordar, pois na última eleição geral foi escolhida a mais podre composição de deputados federais e senadores da história brasileira.

    Gângsteres propinados pela alta burguesia, em negociatas intermediadas pelo execrável Eduardo Cunha, chegaram a número recorde no parlamento, muitos deles com a Bíblia debaixo do braço, a retirar uma mulher honesta da presidência e a manter um ladrão flagrado no supremo comando da República.

    Mas, não, eu não concordava com a charge. Por um motivo: o Jumento é nosso irmão! Assim mesmo, exclamativamente, e colocando maiúscula na inicial do nome do nobre parente.

    Quem me alertou para essa fraternidade foi o amigo Lídio Barreto Filho, identidade nada secreta do super-herói Lídio Ita Blue. Sim, super-herói. Professor da rede pública poderia ser outra coisa senão um similar do Superman? Apresentou-me à Apologia ao Jumento, do rei do baião Luiz Gonzaga, a secundar obra do padre e político Antônio Batista Vieira, não o jesuíta português dos seiscentos, mas o intelectual cearense do vigésimo século cristão, fundador do Clube Mundial do Jumento.

    Aqueles leoninos manifestantes de 2013, defecando na urna em 2014, bem que poderiam ser descritos como galinhas – mantendo a tradição de comparações zoológicas – animais de pouca memória e limitada inteligência. Jumentos, não! – definitivamente.

    Ora, como poderiam ser jumentos, tão imbecis criaturas? Jumento é sujeito forte, inteligente e patriota. No sertão é ele quem ajuda o homem a construir a Nação. Carrega água, rasga estradas, leva cargas, assiste o penitente e acompanha os retirantes.

    No passado, recebendo a alta condecoração da Cruz no Lombo, foi o Jumento que carregou Nosso Senhor e a Santa Família para o Egito, na fuga do infanticida Herodes. Anos mais tarde, também foi o Jumento a levar o Mestre pelas ruas de Jerusalém, ocasião em que o povo acolheu o Cristo com hosanas e ramos de oliveira – coisa de rei. Aliás, mesmo povo que uma semana após gritaria histérico “crucifica-o”. Outras galinhas, não jumentos.

    Certa feita, estávamos meu irmão Agnaldo e eu em Vitória da Conquista para comprar um carro. Pois, adivinhem com quem nos deparamos? Com ele mesmo, o Jumento, sofisticadamente degustando um repasto de grama do jardim da concessionária, na Suíça baiana. Gente fina é outra coisa!

    Aliás, o Jumento jamais poderia ser o culpado de tão má representação política que têm os brasileiros. Desenvolvimentista como ele, jamais elegeria criaturas tão obscurantistas para cuidarem dos destinos dessa terra abençoada. Apesar de viver no pasto, o Jumento não se dá com certos pastores, daqueles que preferem montar nas ovelhas e dizimá-las com o peso das ofertas, do que servi-las como fez aquele outro Pastor, o amigo do Jumento.

    O Jumento é nosso irmão porque é um trabalhador, sem previdência, o primeiro a sentir os efeitos da antirreforma trabalhista. Não é responsável pela trapalhada dos homens de bem que urram, a tentar lhe imitar sem sucesso. Recebe “castigo, pancada, pau nas pernas, pau no lombo, pau no pescoço, pau na cara, nas orelhas”, assim como muitos eleitores por aí, mas a culpa, certamente, não é dele.

    Clique aqui para conhecer a letra de Apologia ao Jumento, de Luiz Gonzaga.
    Clique aqui para ouvir Apologia ao Jumento, de Luiz Gonzaga.

    * Professor de História, sociólogo, escritor e mestrando em Políticas Públicas.
  • Zé Vicente em Montes Claros

    Zé Vicente e eu, durante a roda de conversa e canções
    em Montes Claros/MG. Crédito: Irmã Letícia Rocha.

    Na noite da última sexta, 28 de julho de 2017, Zé Vicente, poeta, compositor e cantor da caminhada das Comunidades Eclesiais de Base esteve em Montes Claros para uma roda de conversa e canções.

    Acho que, para quem acompanha minha trajetória, não é segredo que as músicas de Zé Vicente sempre me inspiraram na luta, nos textos e na militância.

    Tive a honra de entregar a ele o meu mais recente trabalho, o livro CRER E LUTAR.

    No contexto sombrio brasileiro, creio que a arte de Zé Vicente é um sopro de esperança e fé.

  • O que aprendi sendo xingado na internet, livro do Leonardo Sakamoto

    Comecei a ser xingado na internet em 2011, quando criei conta no Facebook, por expor meus pontos de vista sociais e políticos.

    Na campanha municipal de 2012 houve um upgrade. De 2013 até o golpe de 2016, vixe…! É a era da pós-verdade e do novo fascismo, do patrulhamento ideológico e do autoritarismo ultra-liberal.

    Como disse o escritor italiano Umberto Eco, as redes sociais libertaram a voz de uma legião de imbecis.

    A besta está solta. Combatamos o bom combate!

    Vamos à experiência do Leonardo Sakamoto.

  • Dual


    O anticristo e os idólatras.
    A mercadoria e os consumidores.
    O capital e os explorados.
    As contrarreformas e os direitos.
    A besta e os bestas.
    A morte e a vida.
    O reino e os que lutam.

    O cordeiro e os mártires.
  • Por que o Rio Pardo morreu?

    Crédito: Jornal Folha Regional (Taiobeiras, 2014).

    * Levon Nascimento

    A predação da natureza no Alto Rio Pardo produziu a morte do único rio que nascia no Norte de Minas e ia soberano, diretamente ao Atlântico, em Canavieiras na Bahia: nosso Rio Pardo.

    Garganta larga das reflorestadoras, que encontraram as portas escancaradas deste sertão pelas mãos da ditadura de 64. Como argumento, diziam: “terras imprestáveis, só servem para eucalipto”.

    E também pelas patas da aristocracia “meia-boca” das cidades da microrregião, aquela que entra em estado de orgasmo ao ouvir a palavra “progresso”, mas que só a enxerga na terra arrasada e estuprada pelo desmatamento.

    Se hoje falta água, é porque no passado recente sobrou cobiça, ganância e violência.

  • Livros de Levon

    Já tenho impressos e publicados cinco livros, lançados entre 2006 e 2017.


    Eles são coletâneas de artigos de opinião, crônicas, contos e até orações.

    Dois tem temáticas bem específicas: Sexagenarius, com reflexões sobre os 60 anos de Taiobeiras, e Memorial da Juventude de Taiobeiras, com fotografias e textos que recontam a epopeia da Pastoral da Juventude na cidade de 1985 a 2005.

    Palavras da caminhada, o primeiro, e Blogosfera dos Gerais, o segundo, são ensaios de um pensamento que se desenvolveu crítico e na luta por uma sociedade “mais justa e solidária”.

    CRER E LUTAR, lançado neste ano, é um apelo de fé para os compromissos humanitários e civilizacionais, tão em descrédito e descuidado no contexto atual.

    Veja a ficha de cada um:

    1. Palavras da caminhada: superando a falta de memória pública com artigos e ensaios. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 2006. 160 páginas.

    2. Blogosfera dos Gerais: opinião, testemunho e outras reflexões. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 2009. 138 páginas.

    3. Memorial da Juventude de Taiobeiras. Escrito em parceria com Flaviana Costa Sena Nascimento. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 2010. 132 páginas ilustradas.

    4. Sexagenarius: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 2014. 120 páginas. Capa com pintura de Elisiana Alves.

    5. Crer e Lutar. Taiobeiras: Academia Taiobeirense de Letras e Artes (ATLAS), 2014. 116 páginas.