Autor: Levon Nascimento

  • Livro Sexagenarius 60 anos de Taiobeiras

    Livro Sexagenarius 60 anos de Taiobeiras

    “É necessário construir uma Taiobeiras que vá além das beleza terna de suas praças e avenidas ou da alegria vibrante de suas festas. Um lugar onde as pessoas, especialmente aquelas que estão segregadas pela pobreza, pelas drogas ou pelo baixo conhecimento cultural, sejam humanamente integradas ao pleno convívio da cidadania.”

    • Levon Nascimento, em Sexagenarius.
  • Livro Memorial da Juventude de Taiobeiras Levon Nascimento

    Livro Memorial da Juventude de Taiobeiras Levon Nascimento

    Este “Memorial da Juventude de Taiobeiras” é uma janela por onde os jovens de todos os tempos poderão mirar seus sonhos, suas lutas, seus valores, sua dedicação e, assim, reencontrarem-se consigo mesmos e, mais uma vez, com alegria juvenil, assumir suas vocações para o bem comum, para a vida em comunidade, para a transformação do mundo em uma sociedade mais justa, humana e fraterna.

    • Levon Nascimento e Flaviana Costa Sena Nascimento, em Memorial da Juventude de Taiobeiras.
  • Livro Blogosfera dos Gerais Levon Nascimento

    Livro Blogosfera dos Gerais Levon Nascimento

    Com este livro, a minha opinião e o meu testemunho de luta chegam às mãos, aos olhos, aos corações e às mentes dos leitores e da leitoras, saindo da virtualidade fria da internet para o calor da ação humana. concectando-se à realidade cálida dos Gerais da vida.

    • Levon Nascimento, em Blogosfera dos Gerais.
  • Livro Palavras da caminhada Levon Nascimento

    Livro Palavras da caminhada Levon Nascimento

    Ler “Palavras da caminhada” é crer na jornada dessa município (Taiobeiras) apenas quinquagenário que, contra todas as intempéries político-sócio-econômicas, vem escrevendo a sua história, ora rasgando a sua integridade, ora costurando os retalhos dos seus costumes, seus hábitos, suas tradições.

    O teor destes artigos e ensaios fará com que você, leitor, revigore a sua fé na juventude, na educação, na transformação, na reconstrução, na cidadania.

    Ao terminar a leitura, verá, como eu, que ler Levon é ser premiado.

    • Nair Marques Freitas, no prefácio de Palavras da caminhada.
  • Artigo: Uenio, o caos e o cosmos: uma homenagem ao ser humano

    Artigo: Uenio, o caos e o cosmos: uma homenagem ao ser humano

    * Levon Nascimento

    Nosso ocidentalismo helênico e cristão incutiu-nos uma visão cósmica da existência. Tudo é ordenado, tem começo, meio, fim e propósito. Ficamos atordoados quando o caos invade as nossas vidas e nada parece ter razão.

    Uenio, a pessoa humana, não está mais em nosso meio. Voltou ao útero da Criação.

    Uenio, o ser social afrobrasileiro, lgbtquia+, artista e filho da classe trabalhadora, que buscou um lugar ao sol onde a areia é privatizada por poucos, cumpriu o papel de incomodar os instalados e de desinstalar os cômodos. Semelhantes, que mais se insurjam e invadam a Casa Grande, irreverentes e insubmissos, tal e qual.

    Uenio Thuary, a personagem emblemática, habitará por tempos sucessivos a história de Taiobeiras. A memória e os modernos meios de comunicação social se encarregarão de sua presença estendida no tecido social.

    A partida precoce é uma dramática demonstração teatral do poder do caos sobre o cosmos. Já não há mais limiar entre o protagonista e o palco, a imagem e o som, o ser e o estar.

    Cessaram-se os sentidos. Fecharam-se as cortinas. Aplaudam de pé.

    * Levon Nascimento é professor de História e autor de sete livros.

  • Artigo do Levon: Brasil infernal

    Artigo do Levon: Brasil infernal

    * Levon Nascimento

    O Brasil de hoje, para quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir, é como as cenas descritas por Dante Alighieri, literata renascentista italiano, que escreveu a Divina Comédia.

    Bolsonaro governa pelo bem dos ricos e para o mal dos pobres. Sem tirar dos ricos nem por aos pobres.

    Tudo piorou em seu governo.

    Órgãos de combate à corrupção foram desmontados e/ou cooptados.

    O Auxílio-Brasil, apresentado com pompa e circunstância como substituto do Bolsa-Família, é uma armadilha para os pobres, pois o decreto presidencial que o estabeleceu acrescenta seu fim para 31 de dezembro de 2022; além de permitir a consignação de empréstimos bancários, a promover uma escravização bancária futura da população vulnerável após o término da vigência.

    A única casa de moradia do pobre, por iniciativa de Bolsonaro, poderá ser tomada da família pelos banqueiros multibilionários, em caso de inadimplência do trabalhador. Espera-se que os senadores derrotem essa crueldade, já aprovada pela base bolsonarista na Câmara dos Deputados.

    Produzidos em real, ao custo dos baixíssimos salários nacionais, os combustíveis e os alimentos são cotados em dólar, quintuplicando de preço. Abastecer e comer agora são situações de escolha vital para os brasileiros.

    Trinta e três milhões estão a passar fome, e mais de 60% com algum tipo de dificuldade para conseguir a cesta básica, gerando famílias vulneráveis e sem segurança alimentar. Nisso, percebe-se que nunca houve um governo que investiu tanto contra a família quanto o de Bolsonaro. É falso-moralista, defende a instituição familiar da boca para a fora, mas na hora do vamos ver, deixa-a à própria sorte (ou azar).

    O desemprego é assustador e o endividamento das famílias é recorde.

    Não houve atuação do presidente para conter a pandemia, só estímulo à contaminação em massa. Ele não quis confinamento sanitário e tampouco cuidou da economia, como sempre regurgitava no cercadinho do Alvorada. Terceirizou sua responsabilidade para as costas de governadores, prefeitos e da oposição. Nada era consigo. Perguntado sobre as centenas de milhares de mortes por Covid-19, zombou: “E daí? Não sou coveiro”. Psicopata?

    As intolerâncias patriarcal, religiosa e policial, especialmente contra mulheres, pobres, pretos, indígenas e LGBTQIA+, subiram exponencialmente. E o governo não implementa políticas públicas de redução e erradicação.

    Órgãos de defesa do meio ambiente e de apoio aos povos indígenas desmontados, desautorizados e invadidos, justamente por aqueles que são os vilões do desmatamento ilegal, do genocídio indígena e do narco-garimpo.

    As gastanças desregradas nas FFAA, no cartão corporativo presidencial e na família do presidente correm soltas, além do orçamento secreto que compra os deputados e senadores do centrão, ao passo que os instrumentos legais de combate à corrupção criados pelos governos do PT foram aposentados, calados ou ignorados. Para tudo, sigilo. Corrupção como nunca antes em nossa história e, pior, sem investigação e punição.

    Ainda assim, conforme a Bloomberg, rede de TV a cabo estadunidense, durante a Cúpula das Américas, em Los Angeles (Califórnia, EUA), na segunda semana de junho de 2022, o presidente brasileiro pediu ajuda ao colega Joe Biden, presidente ianque, para derrotar Lula na eleição de 2022.

    Se alguém tinha dúvidas das intenções golpistas e antidemocráticas do genocida, não as tenha mais. Esse apelo vexatório a um presidente estrangeiro – da maior potência militar do planeta – é crime de lesa-pátria, alta traição à Constituição e à República brasileiras.

    Também na Cúpula das Américas, Bolsonaro afirmou a Joe Biden que a produção do agronegócio do Brasil alimenta um bilhão de pessoas ao redor do mundo. Só não corrigiu que essa mesma produtividade exclui de comer 60% dos próprios brasileiros, abandonados por ele à insegurança alimentar, devido à inflação, ao desemprego e ao desmonte dos estoques reguladores de preços de alimentos, por sua própria ordem.

    Você deve ser lembrar de quando os bolsonaristas mandavam quem discordava deles para Cuba, Venezuela e Argentina. Gritavam com a certeza de quem nunca leu um livro inteiro que o povo desses países vizinhos vivia a passar fome por conta de um comunismo imaginário, chegando até mesmo a devorar cachorros por falta de mantimentos.

    No entanto, quando se sabe que mais da metade dos brasileiros (60%, de acordo com a pesquisa PENSSAN, divulgada em 08/06/2022) tem passado algum perrengue para conseguir comprar comida e que 33,1 milhões de compatriotas estão à mercê da fome, os ditos fanáticos por Bolsonaro fingem que não é com eles. Nem um pio. Quando muito, põem à culpa nos próprios famintos. Imitam Maria Antonieta de França: “Se não têm pão, que comam brioches, ora!”

    A violência contra os povos indígenas, sobretudo na região amazônica, atinge níveis escandalosos de crueldade e absurdo. E há a omissão proposital da presença do Estado nacional, como que uma autorização velada (ou propriamente explícita) para que criminosos do agro, do garimpo e do desmatamento atuem como aliados do governo de plantão.

    As mortes do jornalista inglês Dom Phillips, brasilianista que escrevia matérias sobre os dramas amazônicos para meios de comunicação europeus e estadunidenses, e de Bruno Pereira, sertanista demitido de cargo de chefia da FUNAI pelo ex-ministro Sérgio Moro (o grande responsável pela eleição de Bolsonaro em 2018), justamente porque fazia bem o seu trabalho, são símbolos inequívocos da inversão moral e criminosa dos papéis: o Estado que deveria dar proteção a quem tenta aplicar a lei é o mesmo que se move vagarosíssimo nas buscas e na segurança das vítimas. E ainda as criminaliza.

    Todos os governos e governantes pertencem a estruturas humanas, portanto falíveis, corruptíveis e ao mesmo tempo passíveis de acertos, empatia e vitórias civilizatórias. No entanto, para além da debilidade e/ou ventura humana, o governo Bolsonaro é também um projeto maléfico, anti-humano, diabólico e cruel.

    Apoiar esse governo é comprometer mais do que a vontade política pessoal, mas a própria integridade da alma imortal. Quem defende Bolsonaro precisa se converter, de corpo e alma.

    Alighieri, certa vez escreveu: “No inferno, os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempos de crise”.

    * Levon Nascimento é professor e escritor. Este é um artigo de opinião.

  • Sobre drones, excrementos e  civilidade no Brasil

    Sobre drones, excrementos e civilidade no Brasil

    Madrinha Donila morreu aos 104 anos de idade, em 2011, lúcida.

    Embora não tivéssemos parentesco genético, para mim ela foi como avó e, mais do que isso, referência moral, ética, espiritual e civilizatória.

    Ela jamais teve acesso à escola formal. Mesmo assim, foi uma grande professora e contadora de histórias (com “h”, factuais, reais…).

    Dela ouvi o relato de que lá pelos anos 30, 40 e 50 do século passado, em Mortugaba/BA, onde viveu, que as campanhas políticas locais eram absurdamente intoleráveis e abjetas.

    Inclusive, correligionários mais exaltados, de um lado, atiravam fezes e urina nas casas e manifestações políticas de adversários.

    E madrinha Donila, que nasceu em 1907, no sertão baiano, que nunca estudou a alta cultura, já me relatava isso em posição de indignação e de lamento à baixaria, à intolerância e à falta de apreço civilizatório daquela época.

    Agora, em pleno 2022, vemos o mesmo se repetir, mas em escala nacional, a utilizar da mais alta tecnologia desenvolvida, um drone, em Uberlândia/MG, para a prática daquilo que é mais pré-histórico e atrasado em política e democracia, em civilidade e humanidade: jogar fezes e urina sobre uma manifestação política da esquerda.

    Os responsáveis, presos na hora, seguidores do atual presidente da República, gente que se intitula “de bem”, “defensora da família como Deus criou” e “conservadores”.

    Prefiro a simplicidade de madrinha Donila do que a sofisticação demoníaca do bolsonarismo.

    Quem ainda defende Bolsonaro e a barbárie, envergonhe-se e converta-se.

  • Morre Mario Schmidt, autor de livros de história perseguido por Globo e Veja

    Morre Mario Schmidt, autor de livros de história perseguido por Globo e Veja

    Meu primeiro ano como professor foi 2001. Em junho daquele ano, participei pela primeira vez da escolha do livro didático do PNLD (MEC), que seria adotado no triênio seguinte (2002/2003/2004).

    Entre as várias coleções enviadas pelo MEC, selecionamos “Nova História Crítica”, de Mario Schmidt, Editora Nova Geração. A escolha sempre é coletiva, de todos os professores de uma mesma área, tipo História, das escolas de um município.

    Texto em linguagem acessível a alunos dos anos finais do Ensino Fundamental (na época, 5ª à 8ª séries) e uma diagramação digna das melhores revistas. Simplesmente fantástico!

    Em 2007, a obra e o autor sofreram imensa perseguição da Globo e da Veja, pretendentes a entrar no mercado editorial de livros didáticos, acusando-os de “doutrinação comunista”.

    Selecionaram trechos onde supostamente o autor elogiava as ditaduras do socialismo real (URSS, China e Cuba) e divulgaram com estardalhaço. Porém, como início da era das fake news que alimentaram o nascente ódio da extrema-direita (hoje no poder), publicavam apenas partes de texto que lhes interessavam, sem mostrar as críticas e as consequências desses regimes, que ocupavam igual destaque na coleção.

    Resultado: Nova História Crítica foi banido da lista do MEC e um dos melhores autores de didáticos do Brasil saiu profundamente estigmatizado.

    Apenas o jornalista Luís Nassif foi a fundo na história e desmontou a tese mentirosa de que se tratava de um livro de propaganda política.

    Hoje, pelo mesmo Nassif, tomei conhecimento de que Mario Schmidt, o autor, faleceu em 9 de janeiro deste 2022.RIP Mario Schmidt. Presente!

    Confira matéria de Luis Nassif: https://jornalggn.com.br/…/morre-mario-schmidt-autor…/

  • Crônica: Tem dois anos que o mundo acabou, por Levon Nascimento

    Crônica: Tem dois anos que o mundo acabou, por Levon Nascimento

    Dá uma tristeza danada quando me recordo de que em janeiro de 2020 minha filha me chamou a atenção para uma pequena nota na imprensa que informava de um surto na China, causado por um novo vírus.

    Lembro-me de minha reação despreocupada e xenofóbica – sim, eu confesso – ao proferir, em tom de pilhéria, a seguinte frase:

    – Ah, mas esses ‘trem’ só acontecem lá do outro lado do mundo!

    O fato é que a potência emergente oriental controlou rapidamente a epidemia, que virou pandemia e se espalhou como rastilho de pólvora pelo pedante Ocidente.

    Economias faliram, escolas, igrejas e cidades se fecharam. O virtual substituiu o presencial e as máscaras subiram às faces assombradas.

    Mais de 600 mil brasileiros morreram em decorrência da patologia derivada do novo coronavírus, em pouco menos de dois anos.

    Nos Estados Unidos, até então donos do mundo, o estrago se somou à irradiação do negacionismo trumpista, que também fez escola por aqui, decorrente de nossa tragédia nacional, de eleger um governo irracional e miliciano em 2018.

    Pessoas conhecidas se foram e muitos amigos sofreram pessoalmente de internações e/ou intubações dolorosas. Eu mesmo experimentei dias difíceis patrocinados pela COVID-19, mas sem necessidade de leito hospitalar.

    Vacina virou palavra de ordem e conceito em disputa. Quem jamais questionara de que era feito o azulinho da Pfizer, de repente virou especialista em nano-chipes da besta, peremptoriamente contidos nos imunizantes, a fim de por a perder as pias almas cristãs.

    A nova peste é sem dúvidas um dos três grandes pesadelos da contemporaneidade, em nada devendo à crise climática e à escandalosa desigualdade econômica que perpetua pouquíssimos ricos e reproduz bilhões de miseráveis mundo a fora. Aliás, as três são amazonas do apocalipse civilizatório da sociedade do capital, parceiras na insensatez e na morte.

    Que 2022 não seja um 2020.3!

  • Vacina: sinônimo de cidadania (Levon Nascimento)

    Vacina: sinônimo de cidadania (Levon Nascimento)

    Nasci numa família muito humilde. Meus pais não tiveram acesso à escola no tempo certo, muito menos à certidão de nascimento e a programas de imunizações em sua infância. Eles nasceram no Brasil da década de 50 do século XX.

    Então, desde muito cedo, ao contemplar meu registo civil e minha carteira de vacinação, e sempre atento às histórias legadas pela família, sobre o quanto tudo fora e era difícil para se alcançar, entendi que aqueles dois documentos eram símbolos de um novo tempo. Por menor que fossem, eram sinais de que aquele núcleo familiar brasileiro adentrava ao até então restrito círculo da cidadania.

    Sim! Era uma riqueza! Ter data de nascimento anotada, nomes de pai e mãe, teto e vacina tomada para impedir a paralisia infantil, a varíola, a febre tifoide e o sarampo. Mais: um verdadeiro acerto na loteria poder frequentar a escola pública e gratuita.

    Hoje, quando vejo o irresponsável-mor da República, aquele ser inominável que nos presidente, espalhando mentiras e acumpliciando-se ao assassinato do povo, por dificultar o acesso às vacinas anti-covid e também desacreditá-las junto à massa ignara, pela divulgação de bizarras teorias de conspiração, sinto asco, nojo e repulsa!

    Como pode alguém que se diz cristão ser tão mentiroso e sórdido?

    É muito atraso o que este triste país vivencia desde o Golpe de 2016:

    1. Reforma Trabalhista com promessa de gerar mais postos de trabalho, mas que fez explodir o desemprego;
    2. Reforma Previdenciária que diminuiria o rombo na previdência, mas que não atingiu as castas judiciárias, políticas e militares;
    3. Um Ministério da Saúde que promove fake news, espalha teorias da conspiração, ignora a ciência médica, desmonta os históricos programas nacionais de imunização, etc.

    Enfim, o Brasil do presente quer a todo custo interromper o acesso à cidadania que a minha geração timidamente alcançou.

    A pretensão desse (des)presidente é retroceder mais de que aos anos 50, mas à Idade das Trevas.

    É matematicamente óbvio que as vacinas reduzem mortes e internações graves. Só não vê quem está “drogado” pelas mentiras do nazifascismo.

    Vacinemo-nos! Vacinas para nossas crianças!

  • Chove, chuva! por Levon Nascimento

    Chove, chuva! por Levon Nascimento

    A última vez que vi tanta chuva aqui no Alto Rio Pardo (Norte de Minas Gerais) foi há 30 anos, entre 1991 e 1992. Naquela época, pontes caíram, barragens se romperam, os rios Salinas e Pardo invadiram suas respectivas cidades homônimas, casas e muros das pessoas mais pobres tombaram em toda a região. Idem no Sudoeste e Sul da Bahia.

    Três décadas depois, com tantos sofrimentos e secas nesse intermédio, ainda não aprendemos a nos preparar para receber este bem tão precioso.

    É fato que o sertão ressequido pela própria natureza e, agora, pela ganância e imprudência humanas, precisa de chuva, muita chuva! Tanto que ao período das águas, diferentemente de outros lugares, chamamos de “tempo bom”.

    Porém, é evidente que é necessário frear o desmatamento, desassorear o leito dos rios, investir nas barraginhas de contenção, construir reservatórios sustentáveis, melhorar a qualidade das residências de baixa renda e promover uma urbanização que comporte as águas pluviais.

    O que se vê no Sul e Sudoeste da Bahia, Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha, é uma benção convertendo-se em tragédia. Isso desnuda a crônica falta de planejamento estratégico dos diferentes níveis do Estado brasileiro e a inexistência de políticas públicas de contenção de desastres naturais.

    Precisamos de chuvas, sempre! Mas necessitamos também de planejamento e gestão, de modo a recebê-las como a dádiva que realmente são.

  • Artigo: Vacina

    Artigo: Vacina

    Antes do bolsonarismo e da extrema-direita espalhar estrume pelo Brasil, alguém duvidava das vacinas?

    Inclusive, os primeiros programas de vacinação em massa do Brasil ocorreram na ditadura militar, tão reverenciada pelos seguidores do capitão expulso do Exército.

    As vacinas, por exemplo, nos livraram de morrer de sarampo, varíola ou de ficarmos fisicamente incapacitados pela paralisia infantil.

    Anteriormente à “praga egípcia” que atende pelo sobrenome Bolsonaro, o Brasil era modelo mundial em vacinação.

    Agora, pessoas que não compreendem nem mesmo como a água evapora e volta a ser chuva, são “especialistas” em vacina.

    Usam de tudo, inclusive a religião, para justificar o injustificável: que não vão se vacinar.

    “Líquido experimental”, “ativadora de bluetooth humano”, “inoculadora do chip da besta”, “esterilizador em massa”, etc.: são inúmeras as besteiras tiradas de fontes anais para fugir da agulha.

    Em nome de Deus, ajoelham-se para a “Besta Bolsonaro” e acreditam em suas mentiras como se fossem a máxima expressão da verdade.

    Já tive raiva. Em seguida, pena. Hoje, rogo a Deus que tenha misericórdia para com essas almas alucinadas e enredadas pela extrema-direita mortal.

  • Você já ouviu falar da Campanha da Carriola?

    Você já ouviu falar da Campanha da Carriola?

    De acordo com o livro “Memorial da Juventude de Taiobeiras” (2010), “a Campanha da Carriola – alusão ao carrinho popularmente conhecido como carriola – foi uma ação anual de arrecadação de alimentos não perecíveis, roupas e brinquedos, organizada pela Pastoral da Juventude de Taiobeiras, que envolvia todos os grupos de jovens da cidade. É importante ressaltar que a Pastoral da Juventude sempre realizou a Campanha da Carriola como uma forma complementar à sua ação cidadã e social. Havia a compreensão de que o importante mesmo era lutar por mudanças na política local e nacional, a fim de que políticas públicas fossem implementadas para suprir as necessidades de alimentos, cultura, trabalho e educação da população mais carente” (NASCIMENTO & NASCIMENTO, 2010, p. 73).

    Campanha da Carriola, 1995.
  • Taiobeiras: entenda o porquê da hashtag #ficapadrevanderlei

    Taiobeiras: entenda o porquê da hashtag #ficapadrevanderlei

    Amigos e amigas de fora de Taiobeiras estão me perguntando sobre o porquê de tanta comoção em torno da saída do Padre Vanderlei da Paróquia São Sebastião de Taiobeiras. Alegam que é comum e natural que os padres sejam transferidos de tempos em tempos. Estão espantados com tantas manifestações e sem entender o que ocorre.

    De fato, é normal a transferência regular; e até saudável para a vida dos sacerdotes e das paróquias essa movimentação.

    Porém, o caso específico de Taiobeiras está relacionado com a rapidez com que o padre está sendo transferido. Não tem nem um ano que ele chegou aqui.

    E, também, com o fato de que os católicos taiobeirenses entendem que nos últimos anos a Igreja local estava pastoralmente parada, perdendo gradativamente a importância no contexto evangelizador e social, e em franca decadência. Com a chegada do Padre Vanderlei, em pouquíssimos meses, essa situação se reverteu. Foi como a chegada da chuva ao sertão, sucedendo a uma longa e rigorosa estiagem.

    Então, há um estranhamento profundo no laicato católico e um clima de suspeição, de que algo obscuro e oculto está tramando para essa saída repentina. Isso explica o porquê das redes e da vida concreta terem sido tomadas pela hashtag #ficapadrevanderlei.

    Para além disso, o episódio desnuda o quanto de autocracia e surdez hierárquica ainda corroem as artérias do catolicismo, mesmo depois de mais de cinquenta anos do Concílio Vaticano II (que modernizou a relação clero-laicato), de inúmeros documentos dos pontífices e do próprio exemplo colegial do Papa Francisco.

    Fala-se muito na responsabilidade que os leigos devem assumir para com a Igreja, mas o clero continua a não conversar, a não ouvir e a mandar como antigos senhores feudais. Não é esta última a sua vocação e cabe aos irmãos leigos auxiliá-los nesse discernimento.

    E, aqui, não discuto as boas intenções de bispos e provinciais. Não duvido que eles trabalham para o bem da Igreja e da evangelização. Não duvidamos de sua boa fé. Critico o método e a estrutura engessada.

    Transferências e nomeações realmente são naturais. Não é por causa do padre que se deve frequentar ou não as celebrações, o templo e as atividades pastorais. Mas, conhecer a história, o contexto e a realidade do laicato, bem como sua opinião, pouparia a Igreja de muitos problemas.

    Fica aqui um fraterno e filial apelo ao Provincial dos Missionários da Sagrada Família, Padre Itacir Brassiani, e ao Sr. Arcebispo Metropolitano de Montes Claros, Dom João Justino de Medeiros Silva, para que, no uso caridoso de suas respectivas autoridades, não tomem a manifestação do povo católico de Taiobeiras como desaforo ou desobediência.

    Como o próprio Senhor Deus, Nosso Pai, fez no Egito, “ouçam o clamor do povo e desçam para libertá-lo”.

  • Taiobeiras: a saída do Padre Vanderlei, MSF

    Taiobeiras: a saída do Padre Vanderlei, MSF

    Sobre a estranha “devolução” da Paróquia de São Sebastião em Taiobeiras ao clero da Arquidiocese de Montes Claros, por parte da congregação dos Missionários da Sagrada Família, o questionamento do laicato católico de Taiobeiras é quanto às motivações para essa tomada de decisão.

    Diria que, no respeito às autoridades da Igreja, o que os leigos cobram é serem ouvidos em sua experiência eclesial.

    Há uma maturidade no laicato. Por que deixá-la de lado em decisões tão sensíveis?

    Senão, vejamos o que diz o Papa Francisco: “A imensa maioria do povo de Deus é constituída por leigos. A seu serviço está uma minoria: os ministros ordenados. Cresceu a consciência da identidade e da missão dos leigos na Igreja. Embora não suficiente, pode-se contar com um numeroso laicato, dotado de um arreigado sentido de comunidade e uma grande fidelidade ao compromisso da caridade, da catequese, da celebração da fé. Mas a tomada de consciência desta responsabilidade laical (…) não se manifesta de igual modo em toda parte. Em alguns casos porque não se formaram para assumir responsabilidades importantes, noutros por não encontrar espaço nas suas Igrejas particulares para poderem exprimir-se e agir por causa de um excessivo clericalismo que os mantém à margem das decisões” (EG 102).

    Justamente quando a Igreja Católica em Taiobeiras, em menos de um ano, retoma o seu protagonismo e se coloca “em saída”, causa profundo estranhamento, ou pior, enorme escândalo, essa decisão intempestiva.

    O povo leigo católico não se conforma com aquilo que o Papa chama de “um excessivo clericalismo que os mantém à margem das decisões”.

    Na fidelidade, obediência e corresponsabilidade para com a Igreja, o povo católico de Taiobeiras precisa ser ouvido e essa decisão repensada e refeita.

  • Professor Levon: O vale de lágrimas e o tesouro

    Professor Levon: O vale de lágrimas e o tesouro

    Sim! Vivemos “gemendo e chorando neste vale de lágrimas”.

    E tenho passado por isso intensamente nas últimas semanas.

    Outros seres humanos, do Brasil e do mundo, muitíssimo mais do que eu.

    A sociedade humana e o inconsciente individual a ela conectado nos castigam sem dó nem piedade.

    O ódio, a aporofobia e o extremismo neoliberal nos impõem fardos pesados e jugos insuportáveis.

    Mas também somos “o sal da terra” e a “luz do mundo”, que damos gosto à vida e iluminamos as trilhas de quem se perde.

    Portanto, se quisermos ultrapassar o vale lacrimoso, devemos “não ajuntar riquezas aqui na terra, onde a traça e a ferrugem corroem, onde os ladrões assaltam e roubam”.

    Façamos ao outro o que queremos de bom para nós mesmos.

    Sigamos a máxima: “Basta a cada dia a própria dificuldade”.

  • Livros de Levon Nascimento

    Livros de Levon Nascimento

    Livro: “Palavras da caminhada: superando a falta de memória pública com artigos e ensaios”. Editora O Lutador, de Belo Horizonte, 2006. Lançado em 1º de julho de 2006, no auditório da Escola Municipal João da Cruz Santos, em Taiobeiras/MG; e em agosto do mesmo ano, no Centro de Cultura da cidade de Cordeiros/BA.

    Livro: “Blogosfera dos Gerais: opinião, testemunho e outras reflexões”. Editora O Lutador, de Belo Horizonte, 2009. Lançado em 24 de abril de 2009, no plenário da Câmara Municipal de Taiobeiras/MG; e em junho do mesmo ano, no Centro de Cultura da cidade de Cordeiros/BA.

    Livro: “Memorial da Juventude de Taiobeiras”. Editora O Lutador, de Belo Horizonte, 2010. Livro publicado através de projeto aprovado junto ao Mais Cultura, do Banco do Nordeste e do Ministério da Cultura, em coautoria com Flaviana Costa Sena Nascimento. Lançado em dezembro de 2010, no plenário da Câmara Municipal de Taiobeiras/MG.

    Livro: “Sexagenarius: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”. Editora O Lutador, de Belo Horizonte, 2014. Lançado em 04 de abril de 2010, no plenário da Câmara Municipal de Taiobeiras/MG.

    Livro: “CRER E LUTAR”. Editora O Lutador, de Belo Horizonte, 2017. Lançado em 02 de junho de 2010, no plenário da Câmara Municipal de Taiobeiras/MG.

    Livro: “Vidas Interrompidas: juventude, violência e políticas públicas em Taiobeiras – Minas Gerais”. Editora Autografia, do Rio de Janeiro, 2018. Lançado em 12 de dezembro de 2018, no plenário da Câmara Municipal de Taiobeiras/MG.

    Livro: “Acepção”. Editora Autografia, do Rio de Janeiro, 2020. Lançado em 21 de outubro de 2021, no plenário da Câmara Municipal de Taiobeiras/MG; e em 22 de outubro de 2021, no plenário da Câmara Municipal de Cordeiros/BA.

  • Festa de Cristo Rei do Universo

    Festa de Cristo Rei do Universo

    Hoje se encerra o ano litúrgico católico.

    Cristo é rei, mas seu reino “não é deste mundo”.

    Seu reinado não se manifesta nas formas do poder, do cetro, da coroa ou da faixa presidencial; muito menos no lucro, nas ações, no mercado e na posse do capital.

    Cristo é o rei que serve, que se abaixa e lava os pés dos “pequenos”, que impede o apedrejamento da mulher, que prefere comer com os pobres, deficientes físicos e mulheres marginalizadas; que aceita o culto do romano pagão e os presentes dos magos orientais.

    Seu reino é serviço, é ecumênico e interreligioso, bem ao contrário dos falsos messias que dizem reverenciar o “Deus acima de todos” e propagam a fé única no cifrão.

    Jesus é o Deus/Rei que “está no meio de nós”, acessível, compreensivo e inclusivo; e seu reinado é de amor e respeito, não de ódio e intolerância.

    Viva Cristo Rei!

  • Levon Nascimento: “Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé”

    Levon Nascimento: “Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé”

    “Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé”.

    Essa frase repetida como oração pelo povo católico, é para mim a exata medida da explicação do fenômeno da fé e de sua oposição ao fundamentalismo cristão.

    Fé é acreditar, mas com a consciência de que há dúvidas. E sem o medo de duvidar. A maturidade da fé é relativamente proporcional à intensidade das incertezas.

    Fé que se apresenta como “certa de tudo” é fanatismo; e não há nada mais prejudicial a um cristão do que ser fanático religioso.

    Jesus sempre se posicionou aberto, lúcido, inclusivo e incentivador do pensamento crítico. De outro modo, por que ensinaria através de parábolas, que levam o interlocutor a raciocinar? Raciocínio é lucidez. Onde se raciocina não se fanatiza.

    Diria até que o método pedagógico freiriano é antes de tudo um modo de ensino desenvolvido, na prática, por Jesus.

    Encarar a ciência como inimiga, ao invés de presente de Deus à humanidade, é pecar contra a fé que se diz deter nos dons do Espírito Santo.

    Antivacinas, armamentistas, neofascistas e outras doutrinas mortíferas que se alimentam dos instrumentais da fé cristã para se legitimarem, nada têm à ver com Jesus; são manifestações fanáticas e se compõem de elementos doentios confundidos como se fossem fé.

    Portanto, toda expressão cristã que se enrijece e leva seus seguidores a se fanatizarem, de fato não é cristã e, por consequência, tem outra coisa que não é fé.

  • Dona Mariazinha de Seu Otacílio

    Dona Mariazinha de Seu Otacílio

    “Nossa novena será abençoada, pois o Senhor vai derramar o seu amor/ Derrama, ó Senhor, derrama, ó Senhor, derrama sobre nós o seu amor!”

    Posso dizer que esse é o hino de fé que encontro mais profundo em minha memória. Talvez o primeiro, de quando eu tinha uns quatro ou cinco anos de idade, no natal, nas novenas. E a voz que o entoa – ainda buscando na mais recôndita parte das lembranças da primeira infância – é a voz de Dona Mariazinha de Seu Otacílio.

    Aquelas novenas, pelas nossas ruas aqui do Bairro Nossa Senhora de Fátima (Pedra Azul, Governador Valadares, Teófilo Otoni, Guaicurus, Tamoios, Caetés, Carijós, etc.), foram o meu primeiro contato que tive com a Igreja-Comunidade, lá no início dos anos 1980.

    Poderia afirmar, foram a minha porta de entrada prática no mistério cristão e no “novo jeito de sermos Igreja” que ali se inaugurava.

    E, mais uma vez, a foz firme que a mim e a todos inspirava era a voz de Dona Mariazinha, líder daquelas novenas de natal ou das reflexões da Campanha da Fraternidade. Uma missionária autêntica! Alguém a serviço da divulgação da Boa Notícia de Jesus! Pioneira, entre outros serviços eclesiais, da Pastoral Carcerária em Taiobeiras. Uma gigante na fé e na vida!

    Essa minha memória do chamado, que por ela me veio, não se apagará!

    Dona Maria partiu! O Senhor da messe, a quem ela serviu com tanta alegria, zelo e entusiasmo, a chamou de volta a Si, à sua casa, ao aconchego do seu eterno amor.

    É festa no céu, com certeza. Hoje, podemos dizer, que uma novena de advento se iniciou no Reino, à espera do tempo em que todos nos reuniremos e contemplaremos a face amorosa do Cordeiro de Deus que nos dá a paz.

    “Derrama, ó Senhor, derrama, ó Senhor, derrama sobre nós o seu amor!”

    Descanse em paz, Dona Maria e que o Senhor lhe acolha com um caloroso abraço.

    Minha solidariedade à família que, por enquanto, chora a ausência, a falta, mas que deve se orgulhar muito do exemplo de mulher que teve como mãe.

    Na foto, do lançamento do meu livro Sexagenarius (abril/2014), na sequência, Dona Maria, Eu (Levon) e Ana (filha de Dona Maria).