Autor: Levon Nascimento

  • Crônica: Tem dois anos que o mundo acabou, por Levon Nascimento

    Crônica: Tem dois anos que o mundo acabou, por Levon Nascimento

    Dá uma tristeza danada quando me recordo de que em janeiro de 2020 minha filha me chamou a atenção para uma pequena nota na imprensa que informava de um surto na China, causado por um novo vírus.

    Lembro-me de minha reação despreocupada e xenofóbica – sim, eu confesso – ao proferir, em tom de pilhéria, a seguinte frase:

    – Ah, mas esses ‘trem’ só acontecem lá do outro lado do mundo!

    O fato é que a potência emergente oriental controlou rapidamente a epidemia, que virou pandemia e se espalhou como rastilho de pólvora pelo pedante Ocidente.

    Economias faliram, escolas, igrejas e cidades se fecharam. O virtual substituiu o presencial e as máscaras subiram às faces assombradas.

    Mais de 600 mil brasileiros morreram em decorrência da patologia derivada do novo coronavírus, em pouco menos de dois anos.

    Nos Estados Unidos, até então donos do mundo, o estrago se somou à irradiação do negacionismo trumpista, que também fez escola por aqui, decorrente de nossa tragédia nacional, de eleger um governo irracional e miliciano em 2018.

    Pessoas conhecidas se foram e muitos amigos sofreram pessoalmente de internações e/ou intubações dolorosas. Eu mesmo experimentei dias difíceis patrocinados pela COVID-19, mas sem necessidade de leito hospitalar.

    Vacina virou palavra de ordem e conceito em disputa. Quem jamais questionara de que era feito o azulinho da Pfizer, de repente virou especialista em nano-chipes da besta, peremptoriamente contidos nos imunizantes, a fim de por a perder as pias almas cristãs.

    A nova peste é sem dúvidas um dos três grandes pesadelos da contemporaneidade, em nada devendo à crise climática e à escandalosa desigualdade econômica que perpetua pouquíssimos ricos e reproduz bilhões de miseráveis mundo a fora. Aliás, as três são amazonas do apocalipse civilizatório da sociedade do capital, parceiras na insensatez e na morte.

    Que 2022 não seja um 2020.3!

  • Vacina: sinônimo de cidadania (Levon Nascimento)

    Vacina: sinônimo de cidadania (Levon Nascimento)

    Nasci numa família muito humilde. Meus pais não tiveram acesso à escola no tempo certo, muito menos à certidão de nascimento e a programas de imunizações em sua infância. Eles nasceram no Brasil da década de 50 do século XX.

    Então, desde muito cedo, ao contemplar meu registo civil e minha carteira de vacinação, e sempre atento às histórias legadas pela família, sobre o quanto tudo fora e era difícil para se alcançar, entendi que aqueles dois documentos eram símbolos de um novo tempo. Por menor que fossem, eram sinais de que aquele núcleo familiar brasileiro adentrava ao até então restrito círculo da cidadania.

    Sim! Era uma riqueza! Ter data de nascimento anotada, nomes de pai e mãe, teto e vacina tomada para impedir a paralisia infantil, a varíola, a febre tifoide e o sarampo. Mais: um verdadeiro acerto na loteria poder frequentar a escola pública e gratuita.

    Hoje, quando vejo o irresponsável-mor da República, aquele ser inominável que nos presidente, espalhando mentiras e acumpliciando-se ao assassinato do povo, por dificultar o acesso às vacinas anti-covid e também desacreditá-las junto à massa ignara, pela divulgação de bizarras teorias de conspiração, sinto asco, nojo e repulsa!

    Como pode alguém que se diz cristão ser tão mentiroso e sórdido?

    É muito atraso o que este triste país vivencia desde o Golpe de 2016:

    1. Reforma Trabalhista com promessa de gerar mais postos de trabalho, mas que fez explodir o desemprego;
    2. Reforma Previdenciária que diminuiria o rombo na previdência, mas que não atingiu as castas judiciárias, políticas e militares;
    3. Um Ministério da Saúde que promove fake news, espalha teorias da conspiração, ignora a ciência médica, desmonta os históricos programas nacionais de imunização, etc.

    Enfim, o Brasil do presente quer a todo custo interromper o acesso à cidadania que a minha geração timidamente alcançou.

    A pretensão desse (des)presidente é retroceder mais de que aos anos 50, mas à Idade das Trevas.

    É matematicamente óbvio que as vacinas reduzem mortes e internações graves. Só não vê quem está “drogado” pelas mentiras do nazifascismo.

    Vacinemo-nos! Vacinas para nossas crianças!

  • Chove, chuva! por Levon Nascimento

    Chove, chuva! por Levon Nascimento

    A última vez que vi tanta chuva aqui no Alto Rio Pardo (Norte de Minas Gerais) foi há 30 anos, entre 1991 e 1992. Naquela época, pontes caíram, barragens se romperam, os rios Salinas e Pardo invadiram suas respectivas cidades homônimas, casas e muros das pessoas mais pobres tombaram em toda a região. Idem no Sudoeste e Sul da Bahia.

    Três décadas depois, com tantos sofrimentos e secas nesse intermédio, ainda não aprendemos a nos preparar para receber este bem tão precioso.

    É fato que o sertão ressequido pela própria natureza e, agora, pela ganância e imprudência humanas, precisa de chuva, muita chuva! Tanto que ao período das águas, diferentemente de outros lugares, chamamos de “tempo bom”.

    Porém, é evidente que é necessário frear o desmatamento, desassorear o leito dos rios, investir nas barraginhas de contenção, construir reservatórios sustentáveis, melhorar a qualidade das residências de baixa renda e promover uma urbanização que comporte as águas pluviais.

    O que se vê no Sul e Sudoeste da Bahia, Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha, é uma benção convertendo-se em tragédia. Isso desnuda a crônica falta de planejamento estratégico dos diferentes níveis do Estado brasileiro e a inexistência de políticas públicas de contenção de desastres naturais.

    Precisamos de chuvas, sempre! Mas necessitamos também de planejamento e gestão, de modo a recebê-las como a dádiva que realmente são.

  • Artigo: Vacina

    Artigo: Vacina

    Antes do bolsonarismo e da extrema-direita espalhar estrume pelo Brasil, alguém duvidava das vacinas?

    Inclusive, os primeiros programas de vacinação em massa do Brasil ocorreram na ditadura militar, tão reverenciada pelos seguidores do capitão expulso do Exército.

    As vacinas, por exemplo, nos livraram de morrer de sarampo, varíola ou de ficarmos fisicamente incapacitados pela paralisia infantil.

    Anteriormente à “praga egípcia” que atende pelo sobrenome Bolsonaro, o Brasil era modelo mundial em vacinação.

    Agora, pessoas que não compreendem nem mesmo como a água evapora e volta a ser chuva, são “especialistas” em vacina.

    Usam de tudo, inclusive a religião, para justificar o injustificável: que não vão se vacinar.

    “Líquido experimental”, “ativadora de bluetooth humano”, “inoculadora do chip da besta”, “esterilizador em massa”, etc.: são inúmeras as besteiras tiradas de fontes anais para fugir da agulha.

    Em nome de Deus, ajoelham-se para a “Besta Bolsonaro” e acreditam em suas mentiras como se fossem a máxima expressão da verdade.

    Já tive raiva. Em seguida, pena. Hoje, rogo a Deus que tenha misericórdia para com essas almas alucinadas e enredadas pela extrema-direita mortal.

  • Você já ouviu falar da Campanha da Carriola?

    Você já ouviu falar da Campanha da Carriola?

    De acordo com o livro “Memorial da Juventude de Taiobeiras” (2010), “a Campanha da Carriola – alusão ao carrinho popularmente conhecido como carriola – foi uma ação anual de arrecadação de alimentos não perecíveis, roupas e brinquedos, organizada pela Pastoral da Juventude de Taiobeiras, que envolvia todos os grupos de jovens da cidade. É importante ressaltar que a Pastoral da Juventude sempre realizou a Campanha da Carriola como uma forma complementar à sua ação cidadã e social. Havia a compreensão de que o importante mesmo era lutar por mudanças na política local e nacional, a fim de que políticas públicas fossem implementadas para suprir as necessidades de alimentos, cultura, trabalho e educação da população mais carente” (NASCIMENTO & NASCIMENTO, 2010, p. 73).

    Campanha da Carriola, 1995.
  • Taiobeiras: entenda o porquê da hashtag #ficapadrevanderlei

    Taiobeiras: entenda o porquê da hashtag #ficapadrevanderlei

    Amigos e amigas de fora de Taiobeiras estão me perguntando sobre o porquê de tanta comoção em torno da saída do Padre Vanderlei da Paróquia São Sebastião de Taiobeiras. Alegam que é comum e natural que os padres sejam transferidos de tempos em tempos. Estão espantados com tantas manifestações e sem entender o que ocorre.

    De fato, é normal a transferência regular; e até saudável para a vida dos sacerdotes e das paróquias essa movimentação.

    Porém, o caso específico de Taiobeiras está relacionado com a rapidez com que o padre está sendo transferido. Não tem nem um ano que ele chegou aqui.

    E, também, com o fato de que os católicos taiobeirenses entendem que nos últimos anos a Igreja local estava pastoralmente parada, perdendo gradativamente a importância no contexto evangelizador e social, e em franca decadência. Com a chegada do Padre Vanderlei, em pouquíssimos meses, essa situação se reverteu. Foi como a chegada da chuva ao sertão, sucedendo a uma longa e rigorosa estiagem.

    Então, há um estranhamento profundo no laicato católico e um clima de suspeição, de que algo obscuro e oculto está tramando para essa saída repentina. Isso explica o porquê das redes e da vida concreta terem sido tomadas pela hashtag #ficapadrevanderlei.

    Para além disso, o episódio desnuda o quanto de autocracia e surdez hierárquica ainda corroem as artérias do catolicismo, mesmo depois de mais de cinquenta anos do Concílio Vaticano II (que modernizou a relação clero-laicato), de inúmeros documentos dos pontífices e do próprio exemplo colegial do Papa Francisco.

    Fala-se muito na responsabilidade que os leigos devem assumir para com a Igreja, mas o clero continua a não conversar, a não ouvir e a mandar como antigos senhores feudais. Não é esta última a sua vocação e cabe aos irmãos leigos auxiliá-los nesse discernimento.

    E, aqui, não discuto as boas intenções de bispos e provinciais. Não duvido que eles trabalham para o bem da Igreja e da evangelização. Não duvidamos de sua boa fé. Critico o método e a estrutura engessada.

    Transferências e nomeações realmente são naturais. Não é por causa do padre que se deve frequentar ou não as celebrações, o templo e as atividades pastorais. Mas, conhecer a história, o contexto e a realidade do laicato, bem como sua opinião, pouparia a Igreja de muitos problemas.

    Fica aqui um fraterno e filial apelo ao Provincial dos Missionários da Sagrada Família, Padre Itacir Brassiani, e ao Sr. Arcebispo Metropolitano de Montes Claros, Dom João Justino de Medeiros Silva, para que, no uso caridoso de suas respectivas autoridades, não tomem a manifestação do povo católico de Taiobeiras como desaforo ou desobediência.

    Como o próprio Senhor Deus, Nosso Pai, fez no Egito, “ouçam o clamor do povo e desçam para libertá-lo”.

  • Taiobeiras: a saída do Padre Vanderlei, MSF

    Taiobeiras: a saída do Padre Vanderlei, MSF

    Sobre a estranha “devolução” da Paróquia de São Sebastião em Taiobeiras ao clero da Arquidiocese de Montes Claros, por parte da congregação dos Missionários da Sagrada Família, o questionamento do laicato católico de Taiobeiras é quanto às motivações para essa tomada de decisão.

    Diria que, no respeito às autoridades da Igreja, o que os leigos cobram é serem ouvidos em sua experiência eclesial.

    Há uma maturidade no laicato. Por que deixá-la de lado em decisões tão sensíveis?

    Senão, vejamos o que diz o Papa Francisco: “A imensa maioria do povo de Deus é constituída por leigos. A seu serviço está uma minoria: os ministros ordenados. Cresceu a consciência da identidade e da missão dos leigos na Igreja. Embora não suficiente, pode-se contar com um numeroso laicato, dotado de um arreigado sentido de comunidade e uma grande fidelidade ao compromisso da caridade, da catequese, da celebração da fé. Mas a tomada de consciência desta responsabilidade laical (…) não se manifesta de igual modo em toda parte. Em alguns casos porque não se formaram para assumir responsabilidades importantes, noutros por não encontrar espaço nas suas Igrejas particulares para poderem exprimir-se e agir por causa de um excessivo clericalismo que os mantém à margem das decisões” (EG 102).

    Justamente quando a Igreja Católica em Taiobeiras, em menos de um ano, retoma o seu protagonismo e se coloca “em saída”, causa profundo estranhamento, ou pior, enorme escândalo, essa decisão intempestiva.

    O povo leigo católico não se conforma com aquilo que o Papa chama de “um excessivo clericalismo que os mantém à margem das decisões”.

    Na fidelidade, obediência e corresponsabilidade para com a Igreja, o povo católico de Taiobeiras precisa ser ouvido e essa decisão repensada e refeita.

  • Professor Levon: O vale de lágrimas e o tesouro

    Professor Levon: O vale de lágrimas e o tesouro

    Sim! Vivemos “gemendo e chorando neste vale de lágrimas”.

    E tenho passado por isso intensamente nas últimas semanas.

    Outros seres humanos, do Brasil e do mundo, muitíssimo mais do que eu.

    A sociedade humana e o inconsciente individual a ela conectado nos castigam sem dó nem piedade.

    O ódio, a aporofobia e o extremismo neoliberal nos impõem fardos pesados e jugos insuportáveis.

    Mas também somos “o sal da terra” e a “luz do mundo”, que damos gosto à vida e iluminamos as trilhas de quem se perde.

    Portanto, se quisermos ultrapassar o vale lacrimoso, devemos “não ajuntar riquezas aqui na terra, onde a traça e a ferrugem corroem, onde os ladrões assaltam e roubam”.

    Façamos ao outro o que queremos de bom para nós mesmos.

    Sigamos a máxima: “Basta a cada dia a própria dificuldade”.

  • Livros de Levon Nascimento

    Livros de Levon Nascimento

    Livro: “Palavras da caminhada: superando a falta de memória pública com artigos e ensaios”. Editora O Lutador, de Belo Horizonte, 2006. Lançado em 1º de julho de 2006, no auditório da Escola Municipal João da Cruz Santos, em Taiobeiras/MG; e em agosto do mesmo ano, no Centro de Cultura da cidade de Cordeiros/BA.

    Livro: “Blogosfera dos Gerais: opinião, testemunho e outras reflexões”. Editora O Lutador, de Belo Horizonte, 2009. Lançado em 24 de abril de 2009, no plenário da Câmara Municipal de Taiobeiras/MG; e em junho do mesmo ano, no Centro de Cultura da cidade de Cordeiros/BA.

    Livro: “Memorial da Juventude de Taiobeiras”. Editora O Lutador, de Belo Horizonte, 2010. Livro publicado através de projeto aprovado junto ao Mais Cultura, do Banco do Nordeste e do Ministério da Cultura, em coautoria com Flaviana Costa Sena Nascimento. Lançado em dezembro de 2010, no plenário da Câmara Municipal de Taiobeiras/MG.

    Livro: “Sexagenarius: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”. Editora O Lutador, de Belo Horizonte, 2014. Lançado em 04 de abril de 2010, no plenário da Câmara Municipal de Taiobeiras/MG.

    Livro: “CRER E LUTAR”. Editora O Lutador, de Belo Horizonte, 2017. Lançado em 02 de junho de 2010, no plenário da Câmara Municipal de Taiobeiras/MG.

    Livro: “Vidas Interrompidas: juventude, violência e políticas públicas em Taiobeiras – Minas Gerais”. Editora Autografia, do Rio de Janeiro, 2018. Lançado em 12 de dezembro de 2018, no plenário da Câmara Municipal de Taiobeiras/MG.

    Livro: “Acepção”. Editora Autografia, do Rio de Janeiro, 2020. Lançado em 21 de outubro de 2021, no plenário da Câmara Municipal de Taiobeiras/MG; e em 22 de outubro de 2021, no plenário da Câmara Municipal de Cordeiros/BA.

  • Festa de Cristo Rei do Universo

    Festa de Cristo Rei do Universo

    Hoje se encerra o ano litúrgico católico.

    Cristo é rei, mas seu reino “não é deste mundo”.

    Seu reinado não se manifesta nas formas do poder, do cetro, da coroa ou da faixa presidencial; muito menos no lucro, nas ações, no mercado e na posse do capital.

    Cristo é o rei que serve, que se abaixa e lava os pés dos “pequenos”, que impede o apedrejamento da mulher, que prefere comer com os pobres, deficientes físicos e mulheres marginalizadas; que aceita o culto do romano pagão e os presentes dos magos orientais.

    Seu reino é serviço, é ecumênico e interreligioso, bem ao contrário dos falsos messias que dizem reverenciar o “Deus acima de todos” e propagam a fé única no cifrão.

    Jesus é o Deus/Rei que “está no meio de nós”, acessível, compreensivo e inclusivo; e seu reinado é de amor e respeito, não de ódio e intolerância.

    Viva Cristo Rei!

  • Levon Nascimento: “Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé”

    Levon Nascimento: “Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé”

    “Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé”.

    Essa frase repetida como oração pelo povo católico, é para mim a exata medida da explicação do fenômeno da fé e de sua oposição ao fundamentalismo cristão.

    Fé é acreditar, mas com a consciência de que há dúvidas. E sem o medo de duvidar. A maturidade da fé é relativamente proporcional à intensidade das incertezas.

    Fé que se apresenta como “certa de tudo” é fanatismo; e não há nada mais prejudicial a um cristão do que ser fanático religioso.

    Jesus sempre se posicionou aberto, lúcido, inclusivo e incentivador do pensamento crítico. De outro modo, por que ensinaria através de parábolas, que levam o interlocutor a raciocinar? Raciocínio é lucidez. Onde se raciocina não se fanatiza.

    Diria até que o método pedagógico freiriano é antes de tudo um modo de ensino desenvolvido, na prática, por Jesus.

    Encarar a ciência como inimiga, ao invés de presente de Deus à humanidade, é pecar contra a fé que se diz deter nos dons do Espírito Santo.

    Antivacinas, armamentistas, neofascistas e outras doutrinas mortíferas que se alimentam dos instrumentais da fé cristã para se legitimarem, nada têm à ver com Jesus; são manifestações fanáticas e se compõem de elementos doentios confundidos como se fossem fé.

    Portanto, toda expressão cristã que se enrijece e leva seus seguidores a se fanatizarem, de fato não é cristã e, por consequência, tem outra coisa que não é fé.

  • Dona Mariazinha de Seu Otacílio

    Dona Mariazinha de Seu Otacílio

    “Nossa novena será abençoada, pois o Senhor vai derramar o seu amor/ Derrama, ó Senhor, derrama, ó Senhor, derrama sobre nós o seu amor!”

    Posso dizer que esse é o hino de fé que encontro mais profundo em minha memória. Talvez o primeiro, de quando eu tinha uns quatro ou cinco anos de idade, no natal, nas novenas. E a voz que o entoa – ainda buscando na mais recôndita parte das lembranças da primeira infância – é a voz de Dona Mariazinha de Seu Otacílio.

    Aquelas novenas, pelas nossas ruas aqui do Bairro Nossa Senhora de Fátima (Pedra Azul, Governador Valadares, Teófilo Otoni, Guaicurus, Tamoios, Caetés, Carijós, etc.), foram o meu primeiro contato que tive com a Igreja-Comunidade, lá no início dos anos 1980.

    Poderia afirmar, foram a minha porta de entrada prática no mistério cristão e no “novo jeito de sermos Igreja” que ali se inaugurava.

    E, mais uma vez, a foz firme que a mim e a todos inspirava era a voz de Dona Mariazinha, líder daquelas novenas de natal ou das reflexões da Campanha da Fraternidade. Uma missionária autêntica! Alguém a serviço da divulgação da Boa Notícia de Jesus! Pioneira, entre outros serviços eclesiais, da Pastoral Carcerária em Taiobeiras. Uma gigante na fé e na vida!

    Essa minha memória do chamado, que por ela me veio, não se apagará!

    Dona Maria partiu! O Senhor da messe, a quem ela serviu com tanta alegria, zelo e entusiasmo, a chamou de volta a Si, à sua casa, ao aconchego do seu eterno amor.

    É festa no céu, com certeza. Hoje, podemos dizer, que uma novena de advento se iniciou no Reino, à espera do tempo em que todos nos reuniremos e contemplaremos a face amorosa do Cordeiro de Deus que nos dá a paz.

    “Derrama, ó Senhor, derrama, ó Senhor, derrama sobre nós o seu amor!”

    Descanse em paz, Dona Maria e que o Senhor lhe acolha com um caloroso abraço.

    Minha solidariedade à família que, por enquanto, chora a ausência, a falta, mas que deve se orgulhar muito do exemplo de mulher que teve como mãe.

    Na foto, do lançamento do meu livro Sexagenarius (abril/2014), na sequência, Dona Maria, Eu (Levon) e Ana (filha de Dona Maria).

  • Levon Nascimento lança livro Acepção em Cordeiros, Bahia

    Levon Nascimento lança livro Acepção em Cordeiros, Bahia

    Saiu o vídeo da fala do Professor Levon no lançamento de seu livro Acepção em Cordeiros/BA.

    https://youtu.be/HwE27Meh8iM

  • Levon Nascimento lança livro “Acepção” em Taiobeiras MG

    Levon Nascimento lança livro “Acepção” em Taiobeiras MG

    A noite de 21 de outubro de 2021 foi especial em Taiobeiras, norte de Minas Gerais. O professor, escritor e poeta Levon Nascimento lançou seu sétimo livro.

    Desta vez foi “Acepção”, um livro contendo 65 poesias escritas em março de 2020, já no “clima” pandêmico.

    De acordo com Cleunice Silva Lemos, prefaciadora do livro, “Em Acepção, Levon Nascimento inaugura a sua potencialidade lírica revelada por uma voz crítica, questionadora e reflexiva sobre a realidade”.

    Segundo Levon, “Acepção foi composto em março de 2020, quanto experimetei uma modalidade de deserto pós-moderno. Inicialmente, pela greve dos trabalhadores em educação de Minas Gerais; em seguida, no isolamento social provocado pela pandemia da COVID-19”.

    Acepção foi editado pela Autografia (Rio de Janeiro), tem 124 páginas, está à venda no site da editora e conta com a participação especial do poeta e professor Lídio Barreto (Lídio Ita Blue).

    O evento de lançamento ocorreu na Câmara Municipal de Taiobeiras e contou com a presença de trabalhadores/as das diversas categorias profissionais e de autoridades locais. Discursaram, declamaram, encenaram e/ou cantaram as seguintes personalidades: Cleunice Silva Lemos (professora e escritora de Taiobeiras), Romário Fabri Rohm (assessor do mandato do deputado federal Padre João, PT), Marileide Alves Pinheiro (professora e poeta de Taiobeiras ), Vladimir Mendes Patrício (escritor de Rio Pardo de Minas), Nádia Gonçalves de Souza (professora de Taiobeiras), Isaías Costa Zazau (jornalista e poeta de Taiobeiras), Felipe Cortez (ator, escritor e cantor de Taiobeiras) e o Coral Vozes de Taiô, sob regência do maestro e professor Rafael Santos, de Taiobeiras.

    Os parlamentares mineiros, pelo Partido dos Trabalhadores, Padre João, Leninha e Dr. Jean Freire se fizeram representar por suas respectivas assessorias e/ou por mensagens de vídeo exibidas ao público.

    A seguir, algumas fotografias do evento, conduzida com muita habilidade e simpatia pela professora e mestra de cerimônia Emanuela Miranda.

  • O banquete de sangue

    O banquete de sangue

    • Levon Nascimento

    Quando se vêem as cenas do jantar no qual Temer e um bando de velhos brancos e ricos riem das piadas de um bobo da corte, a zombarem tanto do mito da direita quanto da cara do povo brasileiro, chegamos à conclusão de como seriam úteis as guilhotinas da Revolução Francesa aqui nos trópicos.

    Nossas Marias Antonietas seguem firmes e fortes, deglutindo brioches sob os cadáveres de 600 mil brasileiros mortos pelo coronavírus, sorridentes, enquanto a patuleia utiliza lenha ou álcool, ante a impossibilitado de comprar um precioso botijão de gás.

    O repasto serve ainda para os pobres de direita, incluindo o pobre cérebro de Bolsonaro, entenderem o que é consciência de classe e o quanto estão do lado errado da história. Embora não se deva esperar conversão de amebas.

    Os participantes do regabofe são velhacos (na idade e nas práticas acumulativas de riqueza) que juntos somam mais de mil anos de vampirismo social. De fato, os quem mandam no Brasil.

    Foram eles que criaram o “mito”, colocaram-no no Planalto, gargalham dele e o apeiam, se não lhes for mais útil.

    Também foi com eles que o PT teve de se submeter para que as pequenas conquistas de 2003 a 2015 pudessem ser minimamente viáveis.

    Religiosos cristãos, que seguem Bolsonaro como se fosse um enviado de Deus, deveriam estar atentos a quem se sentou naquele convescote diabólico. Ali havia de tudo, menos o Evangelho.

    Que falta fazem umas cruzas entre as peixeiras parisienses e os bolcheviques moscovitas em nossa trágica história nacional!

  • Um ano da convenção do PT de Taiobeiras

    Um ano da convenção do PT de Taiobeiras

    Hoje, 13 de setembro, faz exatamente um ano que realizamos a nossa convenção municipal do PT na Câmara Municipal de Taiobeiras.

    Foi um momento muito bonito e do qual devemos nos orgulhar. Não importa muito o resultado eleitoral.

    O que importa de verdade é que estamos dedicando nossas vidas às boas causas da fraternidade, da igualdade social e da melhoria da qualidade de vida de toda a população.

    Minha gratidão a quem teve o carinho de lutar ao meu lado!

  • O apagão

    O apagão

    A última crise energética que o Brasil teve, conhecida como “Apagão”, foi em 2001, no Governo do presidente tucano Fernando Henrique Cardoso.

    Na época, descobriu-se que havia sobra de energia na região norte do país, mas que aquele governo neoliberal não havia planejado a tempo a construção de linha de transmissão para o restante do território nacional.

    A situação foi tão feia que, mesmo pagando em dia as altas contas de luz, o consumidor que gastava além do limite estabelecido pela ANEEL tinha o padrão desligado pela CEMIG (ou pela concessionária de cada estado).

    Nem precisa dizer que milhões ficaram no escuro, o desemprego triplicou e a quebradeira foi geral.

    Vieram Lula (2003-2010) e Dilma (2011-2016), o Brasil cresceu economicamente a ponto de se tornar a sexta economia mundial, erradicação da fome, situação de pleno emprego, recordes na construção civil e no comércio, e não houve mais apagões, mesmo com estiagens terríveis. Houve planejamento e execução.

    Agora, cinco anos depois do golpe que afastou Dilma da presidência, sem que ela tivesse cometido crime de responsabilidade, e diante da pior pandemia de nossa história, do desemprego homérico e da desindustrialização nas alturas, vemos novamente a conta de luz escalar as montanhas e o anúncio de que haverá apagões.

    Bolsonaro só se preocupa em brigar com todo mundo e em defender seus filhos, metidos até a cabeça em negociatas. Não planejou e nem preparou o país para a pior seca do século.

    Com certeza, ele vai por a culpa em São Pedro.

  • 110 anos do distrito de Taiobeiras

    110 anos do distrito de Taiobeiras

    Há 110 anos, em 30 de agosto de 1911, a Lei Estadual de Minas Gerais, nº 556, determinava a criação do distrito de Taiobeiras, subordinado ao município de Rio Pardo de Minas (MG).

    O cônego Newton de Ângelis, no volume II de seu livro Efemérides Riopardenses, assim relata:

    “30 de agosto – 1911 – A Lei Mineira nº 556 de hoje, cita no nº CXXIV, o Município de Rio Pardo abrangendo seis distritos: 1º. Rio Pardo (Sede – Cidade); 2º. Nossa Senhora do Patrocínio de Serra Nova; 3º. S. João do Paraíso; 4º. Água Quente (Santana da); 5º. Veredinha (N. Senhora da Ajuda da); 6º. Bom Jardim de Taiobeiras” (DE ÂNGELIS, 1998, v. II, pp. 211-212).

    Em 07 de setembro de 1923, o distrito de Taiobeiras seria transferido de Rio Pardo de Minas para Salinas.

    A elevação a cidade (sede municipal) somente se consumaria a 12 de dezembro de 1953, 42 anos após a criação distrital.

  • O lado certo da História

    O lado certo da História

    * Levon Nascimento

    O 17° processo contra Lula é arquivado e extinto por falta de provas num tribunal isento de Brasília, o do Sítio de Atibaia, sepultando mais uma vez a operação Lava-jato.

    Aquele mesmo sítio, pelo qual o parcial e desonesto ex-juiz pró-americano Sérgio Moro havia condenado Lula por causa dos pedalinhos dos netos de dona Marisa.

    Mas a doença persecutória ainda acomete a muitos indivíduos.

    Anteontem mesmo, um bolsonarista contraditório daqui de onde vivo invadiu minha timeline para acusar o STF de prender “sem motivo” a Roberto Jefferson e de “participar de um pacto” para liberar Lula.

    E não adianta mostrar a esse tipo de sujeito que contra Bob Jefferson há vídeos do próprio portando armas e realizando ameaças golpistas e terroristas às instituições de Estado e a figuras públicas, em muito excedendo o direito de opinião.

    No caso de Lula, mesmo apontando que Moro serve aos Estados Unidos, e que ainda assim o tabaréu de Maringá não conseguiu reunir provas da culpabilidade do ex-presidente, gente como esse bolsonarista convicto inculcou a culpa eterna do ex-presidente na cabeça.

    O bolsonariano típico, embora não seja maioria, é perigoso por deixar sua mente se possuir por um combo envenenado: burrice, ruindade, desinformação e pitadas de religiosidade descontextualizada.

    Por outro lado, mesmo vivendo neste tempo turvado pelo ódio, sinto-me feliz por ter confiado na inocência jurídica do ex-presidente Lula. Não o fiz por ato de fé e nem Lula tampouco precisou de minha defesa. Igual a mim, milhões de brasileiros, mesmo sufocados pela fumaça lavajatista, creram e lutaram.

    Acreditei por conhecer um pouco da história nacional. Neste país, sempre que algum agrupamento, partido ou liderança governam, um pouco que seja, para os do andar de baixo, a primeira coisa que a “Casa Grande” saca do baú de maldades é uma denúncia de corrupção.

    Lula, livre e inocente, é a confirmação de que estou do lado certo da história.

    Em contradição, o nazifascismo bolsonarista se sufoca em seus próprios maucaratismos e incompetências. E la nave vá!