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  • Ficção: O "tesouro"

    14 de maio de 1940. Em meio à invasão da Holanda pelas tropas nazistas, um jovem advogado judeu recém-casado não vê outra opção senão fugir de sua cidade com a esposa no porão de um navio de bandeira mexicana. Na iminência dos ataques aéreos da Luftwaffe e da invasão de residências suspeitas de servirem como abrigo a semitas pelas forças da SS, Estêvão e Judith apanham algumas poucas coisas e partem para a embarcação que zarpará em seguida rumo ao continente americano. Um pacote, em especial, ele faz questão de apanhar com maior cuidado. Guardou-o junto aos outros pertences que pode carregar. Antes, porém, colou junto a este objeto o que parecia ser um envelope de carta já lacrado. Passos largos, nem tão rápidos nem tão lentos. Precisavam de urgência, mas não podiam chamar a atenção. Ao chegar junto ao navio Exaltación encontram outro compatriota judeu. Jacob, seu nome. Era grande a correria. A sombra de um ataque iminente se refletia nos semblantes atribulados. Estêvão entrega o pacote a Jacob ainda com mais cuidado e lhe confidencia algo. Seus gestos denunciam que não desejava que percebessem o que fazia. Parecia que se separava de um tesouro. Jacob vai à frente. Sua missão era embarcar e conseguir uma maneira do jovem casal também o fazer. Ele consegue entrar no navio. Quando então olha para trás, já em meio aos sons das sirenes que marcavam a partida, vê que Estêvão e Judite não tiveram a mesma sorte. As tropas da SS já os encaminhava para os veículos escuros onde, aterrorizante, se podia ver o emblema da suástica.

    Duas semanas depois, em alto mar, Jacob, cujo semblante já não revelava outra expressão senão a morbidez de quem já desacreditava na vida, num estalo de consciência, lembra-se da enigmática encomenda que seu jovem amigo lhe havia pedido para fazer a entrega. Ainda não se dera conta, ante à brutalidade dos acontecimentos que tormentavam a sua mente, do que queria o seu compatriota ao lhe entregar aquele embrulho. Não se atreveu a abrí-lo. Parecia-lhe uma ofensa demasiado grave contra a confiança de quem desde a infância fora seu vizinho e colega. Ainda mais, lhe parecia uma invasão, se violasse o conteúdo do pacote, contra a memória de quem, agora, naquele instante, se já não estivesse morto através de uma execução sumária, deveria estar sofrendo agruras indígnas em algum campo de trabalhos forçados dos cães nazistas. Teve raiva. Chorou. Não abriu o “tesouro”. Limitou-se a ver que no envelope anexo estava escrito o nome e o endereço do destinatário. Leu: “FREI JUCUNDIANO DE KOK, Paróquia S. Sebastião. Distrito de Tayobeiras, Município de Salinas, MG, Brazil”. Lembrou-se que Jucundiano era o nome religioso adotado por um outro colega de infância, não judeu como ele e Estêvão, mas católico, Adrianus Cornelius. Apesar de todo o preconceito que havia entre cristãos e judeus, cresceram juntos, brincavam na rua, eram amigos. Sabia que após abraçar a vida religiosa, Adrianus havia sido mandado ao Brasil. Não pensou mais. Estava exausto. Dormiu. Nas semanas que seguiram, em longa e cansativa viagem, abraçado pelo terror e pelo sentimento de perda, Jacob não mais voltou a observar a estranha encomenda de Estêvão.

    18 de julho de 1940. Jacob desembarca num porto mexicano. Apesar da tristeza, a esperança fala mais alto naquele instante. Imaginou que sua vida estava começando de novo naquele diferente e inquietante país. Debaixo do braço, carregava um pacote com extremo zelo.

    15 outubro de 1941. Um frade visitador da Província Franciscana de Santa Cruz, proveniente da capital de Minas Gerais, Belo Horizonte, chega ao pequeno distrito de Taiobeiras para inspecionar o trabalho pastoral empreendido pelo administrador, um seu confrade e conterrâneo holandês de nome Frei Jucundiano de Kok. Chama-lhe a atenção os alicerces da nova matriz paroquial que o jovem pároco começara a erguer. Espanta-se com o tamanho da construção, muito grande para um povoado tão pequeno e de tão reduzidas possibilidades populacionais e econômicas. Mesmo assim, admira a fé e o empenho do confrade que ali se esmera em lhe dar detalhes de como será o novo templo. Entre os tantos objetos que trás consigo, muitas correspondências provenientes da Holanda são entregues a Jucundiano. Mas chama a atenção um pacote que está dentro de um grande envelope postado a partir da Cidade do México.

    24 de dezembro de 1941. Após o retorno do frade visitador, o jovem pároco Jucundiano resolve abrir o pacote. Apesar de inicialmente estranhar a postagem proveniente do México, o trabalho pastoral lhe absorvera de tal forma naqueles dias que não teve curiosidade de saber o que ali havia até aquele momento, véspera de Natal. Apanha-a e, antes de abrir, lê a carta que lhe está anexa. Seus olhos brilham quando vê que é de Estêvão, seu amigo de infância. Pausa a leitura e lembra que sua Holanda está ocupada pelos nazistas. Sabe como eles tratam os judeus. Semblante crispado, retoma a leitura. Fica atônito com o que lê. Mais atribulado ainda quando abre o pacote e se dá conta do que acaba de receber. Demora um tempo até tomar fôlego. É simplesmente incrível e terrível!
    Convicto de que não tinha condições de revelar o que lhe fora confiado por seu amigo judeu, provavelmente, àquela altura, imolado num campo de concentração nazista, o frade põe o conteúdo do que recebera numa caixa metálica e lacra-a com um cadeado. Após celebrar a Missa do Galo, já na madrugada de 25 de dezembro de 1941, dirije-se às obras da nova igreja e enterra a caixa debaixo do local do “Santuário”, no templo que, em alguns anos, será a nova matriz de sua humilde missão em solo latino-americano. Diz para sim mesmo: “Não há melhor lugar. Não há melhor lugar”.
  • Poder "injusticiário"

    Essa informação aqui abaixo corrobora minha tese intuitiva de que o pior de todos os poderes constituídos do Brasil é o Judiciário. Na verdade, não temos Justiça. Podemos afirmar que, salvo as honrosas excessões, temos um “injusticiário” (para os pobres e desvalidos). Leia:

    Marcos Mariano da Silva teve um enfarte enquanto dormia, após receber notícia de indenização

    Angela Lacerda, correspondente – 23/11/2011 – 15:58


    O ex-mecânico Marcos Mariano da Silva, de 63 anos, que passou 19 anos preso injustamente, morreu no início da noite de terça-feira (22), em sua casa, no bairro de Afogados, Recife, enquanto dormia. Ele teve um enfarte durante o sono, algumas horas depois de saber que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou recurso do governo de Pernambuco e determinou o pagamento da segunda parcela de uma indenização por danos materiais e morais. O valor total da indenização era de R$ 2 milhões. Ele já havia recebido metade em 2009.

    Marcos Mariano já esperava a decisão do STJ, que lhe foi repassada, por telefone, pelo seu advogado José Afonso Bragança Borges, por volta das 15 horas. “Foi como se ele tivesse aguardado a corroboração da sua inocência para poder morrer em paz”, afirmou o advogado que acompanhou a sua “agonia e luta para provar ser um homem digno e honrado”.

    O ex-mecânico foi preso acusado de homicídio, em 1972, e solto seis anos depois, em 1982, quando o verdadeiro culpado foi preso. Três anos depois, em 1985, ele voltou à prisão – como foragido – depois de ter sido reconhecido por um policial, durante uma blitz, quando dirigia um caminhão.

    Marcos Mariano penou mais 13 anos no cárcere sem que ninguém desse crédito à sua história. Pegou tuberculose e ficou cego depois de atingido por estilhaços de uma bomba de gás lacrimogêneo jogada pelo batalhão de choque da Polícia Militar durante uma rebelião no Presídio Aníbal Bruno. Um mutirão judiciário reconheceu a injustiça e ele voltou a viver em liberdade em 1998, quando entrou com a ação judicial contra o governo estadual.

    Desde então, diante da consternação da opinião pública, ele passou a receber uma pensão mensal de R$ 1 mil do governo estadual que foi suspensa quando, em 2009, recebeu a primeira parcela da indenização. Marcos Mariano comprou uma casa, ajudou a família e passou a ter uma vida digna. Mas já não tinha alegria de viver, segundo o advogado, que se transformou em amigo: “Ele me dizia que vivia em um cárcere escuro e daria tudo para enxergar novamente”.

    Abandonado pela mulher e 11 filhos depois de ser preso pela segunda vez, Marcos Mariano conheceu Lúcia, que acompanhava a mulher de um companheiro de cela nas visitas, e se casou com ela. Seu corpo, velado no cemitério de Santo Amaro, foi enterrado na tarde desta quarta-feira (23/11/2011).

  • Artigo do Levon: Morde & Assopra

    Pelas manhãs, ouvindo os elogios e as críticas do povo de Taiobeiras no programa “Boca no Trombone” da Rádio Norte Mais FM, – diga-se de passagem, uma excelente opção comunicativa de construção da cidadania coletiva – uma pergunta nos vem à cabeça: “Como pode que as pessoas elogiem tanto uma administração e ao mesmo tempo reclamem em igual proporção pela má-qualidade ou inexistência da prestação de alguns serviços básicos de sua responsabilidade à população?”

    Em especial, na área de saúde, os cidadãos ligam e pedem ajuda para tratamentos complexos ou a compra de remédios caros, reclamam da demora na marcação de consultas especializadas ou de exames, ou mesmo de um suposto mal-atendimento por parte de alguns servidores públicos, para logo em seguida se derramarem em elogios aos gestores setorializados ou os do próprio governo municipal. Os culpados, na boca do povo, são sempre os “funcionários”, os “servidores”, os “assessores”. É como se estes não tivessem chefias ou não seguissem ordens superiores. O mesmo se repete em relação a outros setores e serviços de responsabilidade da municipalidade, não ficando as reclamações restritas à área da saúde. Nem os elogios.

    O que seria isso? Ingenuidade? Desconhecimento do processo político? Desinformação quanto às estruturas de governo? Manipulação? Talvez tudo isso ou nada.

    Somos herdeiros da cultura da despolitização e do clientelismo coronelista. “O cachimbo entorta a boca”, diz o ditado. Talvez nosso povo ainda não esteja suficientemente adaptado aos novos tempos de democracia que o Brasil tenta experimentar. Despolitização, na medida em que o povo é chamado a participar da política apenas na época de votar, de balançar bandeiras e de seguir carreatas em campanha; jamais para refletir criticamente sobre as escolhas que são feitas pelo Estado e que acabam por atingir a vida da sociedade inteira. Clientelismo coronelista, quando esta mesma população despolitizada é levada a uma relação não-cidadã com seus representantes políticos, ficando órfã de regras, de cobertura legal e de direitos e deveres estabelecidos.

    A relação que o povo conhece – não por sua culpa somente – é de paternalismo estrutural. É como se não existisse o direito. E se não há direitos, tampouco se pode cobrar que haja consciência dos deveres. No lugar há o favor e a troca. Tudo que se consegue dos políticos é visto ou tratado como ato de benevolência ou de favor da parte deles em relação ao necessitado que os procura na hora da “precisão” (necessidade). Evidente que daí se formou uma cultura muito mais complexa, deformada e cínica, na qual os indivíduos se tornam hábeis “pedintes” (de favores pessoais) aos políticos de plantão; e estes, mesmo os com boas intenções e noção republicana, se tornam reféns da própria condição nefasta de se manter o poder. Têm que dar para receber.

    Na verdade, as pessoas que reclamam e elogiam, ao invés de fazer política, como deve ser e é de direito de cada cidadão, continuam perpetuando os velhos vícios que negam a sua cidadania plena. Elas mordem e assopram. Reclamam do que lhes é de direito, mas não prestado satisfatoriamente, incriminando a quem não tem o poder de lhes provocar algum dano maior (funcionários, em geral; trabalhadores como elas próprias, em busca da sobrevivência). E assopram os chefes maiores, a quem sabem que cabe a responsabilidade de fato, mas a quem ou temem a reação ou de quem esperam conseguir algo mais vultoso em tempos de eleição. As broncas no rádio, dessa forma, embora necessárias, caem na esterilidade, uma vez que as pessoas não se juntam e não se organizam comunitariamente para fazer valer aquilo de que precisam e do qual tanto reclamam. A crítica não é ao modelo do programa. A decepção é com a própria sociedade que não avança – a partir da “deixa” civilizatória dessa atração comunicativa do rádio – rumo a uma possibilidade real de crescimento nos aspectos de cidadania. Apesar de todo o exposto aqui, a esperança não se abate. Já é um bom começo botar a boca no trombone.

    E assim vamos, com uma cultura política deformada, assassina da cidadania, caminhando numa democracia de faz de conta, num cinismo que perpetra o Estado e a sociedade, à espera que no futuro existam homens e mulheres, na mesma sociedade e também no governo, corajosos a ponto de interromper este círculo vicioso. Cidadania plena é a que desejamos para todos.

    Publicado também na versão impressa do Jornal Folha Regional, Taiobeiras/MG, ano IX, nº 191, novembro/2011 e no site da Arquidiocese de Montes Claros, neste link.

  • Wernner Lucas: Ao meu irmão

    Wernner Lucas
    * Por Wernner Lucas em seu blog.

    Um amigo será sempre um irmão.
    (Benjamin Franklin)

    Bruno Volpiano, meu querido amigo. O conheci em 2006, ele fazia um trabalho voluntário com alguns Demolays pelas ruas da cidade, entregando comida e agasalho para mendigos. Não sabia, mas naquele dia, conhecia também meu irmão. Nesse primeiro momento, reparei em sua maior qualidade: ele tratava aqueles moradores de rua como iguais, o que eles realmente são. Com o passar do tempo, percebi que todas as pessoas que ele encontrava na vida, foram tratadas da mesma maneira. Pode parecer pouco, mas isso é tão raro e belo, que ele foi colecionando amigos e admiradores. É difícil encontrar alguém que não gostasse do Volpiano, pois apesar dos seus defeitos, inerente à qualquer pessoa, ele transpirava honra, companheirismo e lealdade.

    O Volpi era parceiro para todos os momentos e apesar das diferenças que tínhamos, éramos muito mais que parecidos. Tudo o que eu amo fazer nessa vida, o Volpi fazia ou já havia feito junto comigo. Longos papos cabeças, noites jogando RPG, poker, W11, as melhores baladas que fui em Pouso Alegre. Fui a todo tipo de lugar com meu amigo, por isso digo que ele era parte de mim. Afinal ele sempre estava comigo, pra tudo. E essa ausência gigante que hoje existe é que dói.

    Em uma das jantas que fiz aqui em casa, surgiu um papo sobre morte e ficar triste quando alguém querido falece. Naquele momento eu disse que no máximo ficaria triste um ou dois dias se alguém querido morresse, porque sabia que a morte é algo natural e que nada natural pode ser ruim. Mas hoje eu conheci a morte de um jeito diferente. Não é a morte de famintos na África, ou a morte de pobres vítimas de um terremoto no Haiti, essas, quando tive que encarar de frente, eu tirei de letra . É a morte de um irmão, é um pedaço meu que é amputado.

    Por mais que eu seja forte e não goste de choros compulsivos em velórios, hoje eu descobri que chorar e se entristecer pelo falecimento de alguém que a gente ama, é tão natural quanto a própria morte. E nada natural pode ser mau. E essa foi a última lição que o Volpi deixou pra mim. De tantas outras que aprendi desde o nosso primeiro encontro, desde o início da nossa parceria. Mas essa dor não vai permanecer. Por ele e sua alegria de viver, ela vai passar.

    Fiz questão de carregar o caixão até a sepultura e ser o último a tocar a nova casa do corpo do meu amigo, para poder mostrar através de uma atitude que ia com ele até o fim desse ciclo. Ciclo, e não morte. Porque agora o Volpiano vive no rosto, nas atitudes, nos gestos de todas as pessoas que conheceram e receberam um pouco do seu amor. A natureza não deixa que nada acabe, e o fim, na verdade, é só uma ilusão que ela usa para nos ensinar lições importantes da vida. Com a morte, a vida se renova, e o Volpiano agora vive em todos nós.

    * Wernner Lucas nasceu em 25 de dezembro de 1985 em Taiobeiras. Foi meu aluno no Ensino Médio no Centro Educacional Beliza Corrêa. É um intelectual orgânico e acadêmico. Mora em Pouso Alegre/MG.

  • Pronunciamento da professora Martinha no lançamento de Blogosfera dos Gerais

    Martinha
    * Professora Matilde de Oliveira Mendes (Martinha). No lançamento do meu segundo livro, Blogosfera dos Gerais. Taiobeiras, abril de 2009.

    As tecnologias do mundo moderno fizeram com que as pessoas deixassem a leitura de livros de lado. Sabemos que a melhor forma de obter conhecimento é cercar-se de bons livros, pois isso possibilita que tenhamos uma visão melhor de mundo e de nós mesmos.

    Saber ler e compreender o que os outros dizem nos difere dos animais irracionais, pois comer, beber e dormir até eles sabem. É a leitura que proporciona a capacidade de interpretação.
    Levon, ai de nós se não fossem as memórias escritas. Sabemos que a memória humana, além de falha, é curta. Daí a importância de registrar por escrito, para preservação histórica e conhecimento da posteridade, os fatos mais significativos que exercem influência no comportamento e no desenvolvimento do homem.
    Tempo é dinheiro e quanto mais depressa se obtiver a informação melhor. Num país onde há relativamente poucos leitores, este hábito deve ser estimulado na infância, para que o indivíduo aprenda desde pequeno que ler é algo importante e prazeroso.
    E você consegue colocar em seus livros “Posts” com informações objetivas e curtas que são prazerosos de ler, os “Links” em favor da vida deixam o leitor “Conectado” ao social. Eventualmente, ficaremos a conhecer o mundo e um pouco melhor de nós próprios.

    “Navegando” pela política percebemos a importância de estarmos bem informados para não sermos “analfabetos políticos”. É preciso estar atento, porque sem a fiscalização e a participação do povo o caminho fica livre para os maus políticos. Pois sabemos que o desinteresse da população é o que facilita a corrupção.
    É como diz Rubem Alves: “Ler é estimulante e o comportamento do professor no processo de motivação é fundamental”.
    PARABÉNS pelo trabalho!
    E é bom lembrar que o todo poderoso lá em cima não tem um MSN… Mas rogo a ele que esteja on-line todo o tempo com você e sua família.
    Em se tratando de estar plugado na cultura e na educação posso dizer com firmeza que: VOCÊ É O CARA! MUITO SUCESSO!

    * Martinha, como é conhecida, é professora de Geografia nos ensinos fundamental e médio da Rede Estadual de Minas Gerais em Taiobeiras.
  • São João do Paraíso recebe cruz e ícone da Jornada Mundial da Juventude

    Chegada dos símbolos da JMJ em São João do Paraíso/MG
    A Paróquia São João Batista de São João do Paraíso (Microrregião Alto Rio Pardo – extremo Norte de Minas Gerais) recebeu na manhã desta quinta-feira, 10 de novembro de 2011, a Cruz e o Ícone, símbolos da Jornada Mundial da Juventude, que estão visitando as dioceses brasileiras em preparação para a Jornada no Rio de Janeiro, que ocorrerá em 2013 com a presença do Papa Bento XVI.

    São João do Paraíso faz parte da Diocese de Janaúba.

    Confirma mais clicando em Paraísofest.com.

  • Lugares: Taiobeiras de outro ângulo

    Torre da Matriz de São Sebastião de Taiobeiras/MG em fotografia do taiobeirense Fellipe Lucas, aluno do curso de Arquitetura e Urbanismo das Faculdades Santo Agostinho de Montes Claros/MG.
    P.S.: A foto deve ser creditada a Jessica Lucas, irmã gêmea de Fellipe, e também aluna de Arquitetura e Urbanismo na Santo Agostinho. O motivo do engano se deve à publicação da mesma, que consta do perfil de Fellipe Lucas no Facebook (Grupo Taiobeiras/MG).
  • Lula agradece as mensagens de carinho e de apoio

    Veja o vídeo que o ex-Presidente Luíz Inácio Lula da Silva (PT) gravou nesta terça-feira, 1º de novembro de 2011, na saída do Hospital Sírio-Libanês, onde fez a primeira sessão de quimioterapia para conter um câncer de laringe diagnosticado no sábado, 29 de outubro de 2011. Na mídia, o ex-Presidente agrade o apoio de todos os que enviaram mensagens desejando-lhe saúde e plena recuperação.

  • Sobre Lula: Comentários cancerígenos

    Luiz Inácio Lula da Silva
    Por Michel Blanco, nos Colunistas do Yahoo Brasil.
    A repercussão do câncer de Lula na internet remete ao clima de baixarias que inundaram as redes sociais nas eleições 2010. Não à toa. Lula é peça-chave no jogo político, e a boçalidade destampada no período eleitoral continua a ser alimentada à farta.

    O ex-presidente fez bem ao tornar logo público o tumor na laringe. Agiu com a transparência que se espera de quem deixou o Planalto com índice de aprovação de 87%. Não se trata apenas de um drama pessoal. Embaralha qualquer cenário que se vislumbre para as eleições municipais de 2012 e, obviamente, para a sucessão presidencial de 2014.

    É nesse contexto que desponta nas redes sociais a campanha “Lula, faça o tratamento pelo SUS”. Ela renova o ódio reacionário que marcou a disputa eleitoral do ano passado, em que o auge foi a exortação do afogamento de nordestinos em São Paulo.

    Lula poderia ir a um hospital público, como o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, mas preferiu o Sírio-Libanês, onde seus médicos trabalham – também ali se trataram de câncer o então vice-presidente José Alencar e a então chefe da Casa Civil Dilma Rousseff. Aliás, é desejável que ele não ocupe vaga de quem depende da rede pública de saúde.

    Por que a campanha para Lula se tratar pelo SUS? Só ressentimento e ignorância explicam tamanha estupidez. Algum mimimi se no lugar do petista estivesse um tucano de densa plumagem? E se Lula fosse ao Instituto do Câncer não receberia tratamento de ótima qualidade, como todos que lá estão? O mais curioso é ver que o sujeito que quer Lula num leito público também comemorou o fim da CPMF, cuja extinção beneficiou uma parcela de brasileiros que, da classe média para cima, deixaram de entregar 0,1% sobre o valor de cada movimentação financeira para a saúde pública.

    O ódio dessa minoria contra Lula escandaliza agora alguns de seus críticos sensatos na imprensa. Mas não se trata de cobrar comportamento decente de leitores, quando parte da mídia é responsável por fomentar essa raiva e dela se beneficia. Basta recordar como foi a cobertura do título honoris causa concedido a Lula pela Sciences Po.

    Choca que a galera vomite nas redes tanta escrotidão com a mesma — ou até mais — desinibição que em círculos íntimos. A parada, porém, é mais profunda. Não é uma questão de compostura, mas classe. Melhor, classes. Num clima que transborda o ódio de quem sente as referências de exclusividade social se esvair, ainda que muito, mas muito lentamente.
  • Desejamos saúde a LULA e a todos(as)!

    Ao melhor Presidente da República que este país (Brasil) já teve em sua história (2003-2010), que hoje (31/10/2011) inicia o tratamento quimioterápico contra um câncer de laringe, desejamos a Bênção de Deus, a saúde e a cura. E na pessoa dele, que simboliza tão bem o nosso Povo Brasileiro, estendemos nossos votos de recuperação a todos e todas que se encontram em situação similar. FORÇA LULA! FORÇA POVO BRASILEIRO!
  • Por que os serviços do IPSEMG são tão precários em Taiobeiras?

    Por que os serviços do IPSEMG (Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais) funcionam tão mal (ou nem funcionam) em Taiobeiras?

    Se você é usuário e já teve problemas para ser atendido, relate aqui a sua experiência. Vamos divulgar nossa indignação e nos unir para melhorar o acesso aos serviços de saúde a que temos direito garantido, uma vez que pagamos mensalmente ao IPSEMG através do desconto que é feito em nossos ordenados.

  • 30 de outubro: Dia Nacional da Juventude 2011

    Tema: Juventude e Protagonismo Feminino.
    Lema: Jovens mulheres tecendo relações de vida.
  • Chuva e "Balada da Caridade"

    Chuva o dia inteiro aqui no sertão de Minas. Muito bom! Precisamos de água! No entanto, a chuva me relembra uma canção “de igreja” bastante conhecida. Um canto que motiva a contemplar nos sinais da vida a necessidade a que muitos estão expostos, especialmente os mais pobres, os excluídos dos bens necessários à vida com dignidade. Antiga? Não. Atualíssima por este mundo a fora. Confira a “Balada da Caridade”


    Balada da Caridade
    Composição: Gomes/Ribeiro

    Para mim a chuva no telhado
    É cantiga de ninar
    Mas o pobre meu Irmão
    Para ele a chuva fria
    Vai entrando em seu barraco
    E faz lama pelo chão

    Como posso
    Ter sono sossegado
    Se no dia que passou
    Os meus braços eu cruzei?

    Como posso ser feliz
    Se ao pobre meu Irmão
    Eu fechei meu coração
    Meu amor eu recusei? (bis)

    Para mim o vento que assovia
    É noturna melodia
    Mas o pobre meu irmão
    Ouve o vento angustiado
    Pois o vento, esse malvado
    Lhe desmancha o barracão

  • Câmara de S. João do Paraíso cassa Prefeito Capuchinho

    Público em frente à Câmara Municipal durante a sessão
    na qual os vereadores cassaram o prefeito
    de São João do Paraíso/MG
    Na noite de 22 de outubro de 2011 a Câmara Municipal de São João do Paraíso (Microrregião Alto Rio Pardo – Norte de Minas Gerais) aprovou o relatório de uma CPI que investigou supostas irregularidades na administração do Prefeito Manoel Capuchinho (PSDB) e resolveu por seis votos contra três cassá-lo. Assume o vice-prefeito Deda. O prefeito cassado ainda não se manifestou.

    Neste mesmo mandato (2009 – 2012), São João do Paraíso já teve o Prefeito Souza (reeleito em 2008) cassado por crime eleitoral; a interinidade do Presidente da Câmara, César Lagarto, no comando da prefeitura até as eleições suplementares; a eleição suplementar de Manoel Capuchinho em 2010 (agora cassado); e a subida do atual vice à condição de titular. “A cidade de quatro prefeitos” em três anos…

    Maiores informações em…

    Folha Regional

  • Artigo do Levon: Consumo, logo sou?

    O modo de produção capitalista, em sua ditadura do consumo, é pródigo em tecnologias supérfluas e descartáveis. Tudo para nos fazer sentir vontade daquilo que não necessitamos. Não há freios para a indução. Todos os dias, novidades são lançadas no mercado. O objetivo não é o bem estar da pessoa humana. A meta é, sempre e mais, o acúmulo do capital e o enriquecimento de poucos indivíduos (e de seus respectivos grupos econômicos), num mundo onde bilhões de homens, mulheres, idosos e crianças são tratados como meros fantoches em suas mãos.

    O discurso e a propaganda conduzem as mentes e os corações de todos, especialmente dos mais jovens, não para os verdadeiros exercícios da sabedoria e do discernimento, mas para a alienação e a cobiça. Diariamente escutamos e vemos:
    – “Compre!”;
    – “Você não pode deixar para depois, compre agora!”;
    – “Seja feliz, peça já para o seu pai ou a sua mãe!”;
    – “Você precisa!”.

    Será que precisamos mesmo? No capitalismo, a única coisa que interessa é que o ser humano se transforme em nada mais do que um CONSUMIDOR. Você só é gente se consumir. Consumir, eis o verbo mágico dos tempos em que vivemos. “Consumo, logo sou”, poderia se dizer, parafraseando o grande filósofo Descartes. A pessoa só é vista como gente quando se porta como uma grande compradora e devoradora de bens de consumo.

    Você só é gente se consumir???
    O ser humano está se reduzindo à condição parasitária como um grande produtor de reservas de lixo, fruto do consumo desenfreado, frenético e sem planejamento. A moda e os modismos nos induzem e incutem em nós o desejo irrefreável de comprar, usar e descartar. Novamente, comprar, usar e descartar. E assim por diante, comprar, usar e descartar.

    Está chegando o dia em que a Terra, nossa casa e nossa mãe, não aguentará tanto descarte, tanto lixo, tanta cultura de morte e tanta moda de destruição voraz.

    O que é luxo para poucos se torna lixo para milhões
    Enquanto uns consomem muito, até aquilo de que não têm necessidade premente, outros, como nas periferias das cidades e do mundo, passam fome, frio e sofrem das mais variadas doenças, além de estarem sujeitos às intempéries climáticas resultantes da própria má-ação humana sobre o meio ambiente.

    Reflitamos: Que nosso consumo seja controlado e dentro do necessário para suprir a existência. Sejamos seres humanos livres. Libertos e independentes, porque há algo em nosso coração. Não mais escravos dos produtos descartáveis com os quais enfeitamos nosso corpo e nossa alma! Mais do que aparência consumista e artificial, tenhamos consistência e conteúdo interior.
  • Ser de Esquerda

     
    Frei Betto
    * Do Blog Outra Esquerda
    Por Frei Betto

    Dez conselhos para militantes de esquerda

    1. Mantenha viva a indignação.

    Verifique periodicamente se você é mesmo de esquerda. Adote o critério de Norberto Bobbio: a direita considera a desigualdade social tão natural quanto a diferença entre o dia e a noite. A esquerda a encara como uma aberração a ser erradicada.


    Cuidado: você pode estar contaminado pelo vírus social-democrata, cujos principais sintomas são usar métodos de direita para obter conquistas de esquerda e, em caso de conflito, desagradar aos pequenos para não ficar mal com os grandes.


    2. A cabeça pensa onde os pés pisam.


    Não dá para ser de esquerda sem “sujar” os sapatos lá onde o povo vive, luta, sofre, alegra-se e celebra suas crenças e vitórias. Teoria sem prática é fazer o jogo da direita.


    3. Não se envergonhe de acreditar no socialismo.

    O escândalo da Inquisição não faz os cristãos abandonarem os valores e as propostas do Evangelho. Do mesmo modo, o fracasso do socialismo no Leste europeu não deve induzi-lo a descartar o socialismo do horizonte da história humana.


    O capitalismo, vigente há 200 anos, fracassou para a maioria da população mundial. Hoje, somos 6 bilhões de habitantes. Segundo o Banco Mundial, 2,8 bilhões sobrevivem com menos de US$ 2 por dia. E 1,2 bilhão, com menos de US$ 1 por dia. A globalização da miséria só não é maior graças ao socialismo chinês que, malgrado seus erros, assegura alimentação, saúde e educação a 1,2 bilhão de pessoas.

    4. Seja crítico sem perder a autocrítica.


    Muitos militantes de esquerda mudam de lado quando começam a catar piolho em cabeça de alfinete. Preteridos do poder, tornam-se amargos e acusam os seus companheiros (as) de erros e vacilações. Como diz Jesus, vêem o cisco no olho do outro, mas não a trave no próprio olho. Nem se engajam para melhorar as coisas. Ficam como meros espectadores e juízes e, aos poucos, são cooptados pelo sistema.

    Autocrítica não é só admitir os próprios erros. É admitir ser criticado pelos (as) companheiros (as).

    5. Saiba a diferença entre militante e “militonto”.

    “Militonto” é aquele que se gaba de estar em tudo, participar de todos os eventos e movimentos, atuar em todas as frentes. Sua linguagem é repleta de chavões e os efeitos de sua ação são superficiais.

    O militante aprofunda seus vínculos com o povo, estuda, reflete, medita; qualifica-se numa determinada forma e área de atuação ou atividade, valoriza os vínculos orgânicos e os projetos comunitários.

    6. Seja rigoroso na ética da militância.

    A esquerda age por princípios. A direita, por interesses. Um militante de esquerda pode perder tudo: a liberdade, o emprego, a vida. Menos a moral. Ao desmoralizar-se, desmoraliza a causa que defende e encarna. Presta um inestimável serviço à direita.

    Há pelegos disfarçados de militante de esquerda. É o sujeito que se engaja visando, em primeiro lugar, sua ascensão ao poder. Em nome de uma causa coletiva, busca primeiro seu interesse pessoal.

    O verdadeiro militante, como Jesus, Gandhi, Che Guevara, é um servidor, disposto a dar a própria vida para que outros tenham vida. Não se sente humilhado por não estar no poder, ou orgulhoso ao estar. Ele não se confunde com a função que ocupa.

    7. Alimente-se na tradição da esquerda.

    É preciso oração para cultivar a fé, carinho para nutrir o amor do casal, “voltar às fontes” para manter acesa a mística da militância. Conheça a história da esquerda, leia (auto)biografias, como o “Diário do Che na Bolívia”, e romances como “A Mãe”, de Gorki, ou “As Vinhas de Ira”, de Steinbeck.

    8. Prefira o risco de errar com os pobres a ter a pretensão de acertar sem eles.

    Conviver com os pobres não é fácil. Primeiro, há a tendência de idealizá-los. Depois, descobre-se que entre eles há os mesmos vícios encontrados nas demais classes sociais. Eles não são melhores nem piores que os demais seres humanos. A diferença é que são pobres, ou seja, pessoas privadas injusta e involuntariamente dos bens essenciais à vida digna. Por isso, estamos ao lado deles. Por uma questão de justiça.

    Um militante de esquerda jamais negocia os direitos dos pobres e sabe aprender com eles.

    9. Defenda sempre o oprimido, ainda que, aparentemente, ele não tenha razão.

    São tantos os sofrimentos dos pobres do mundo que não se pode esperar deles atitudes que nem sempre aparecem na vida daqueles que tiveram uma educação refinada.

    Em todos os setores da sociedade há corruptos e bandidos. A diferença é que, na elite, a corrupção se faz com a proteção da lei e os bandidos são defendidos por mecanismos econômicos sofisticados, que permitem que um especulador leve uma nação inteira à penúria.

    A vida é o dom maior de Deus. A existência da pobreza clama aos céus. Não espere jamais ser compreendido por quem favorece a opressão dos pobres.

    10. Faça da oração um antídoto contra a alienação.

    Orar é deixar-se questionar pelo Espírito de Deus. Muitas vezes, deixamos de rezar para não ouvir o apelo divino que exige a nossa conversão, isto é, a mudança de rumo na vida. Falamos como militantes e vivemos como burgueses, acomodados ou na cômoda posição de juízes de quem luta.

    Orar é permitir que Deus subverta a nossa existência, ensinando-nos a amar, assim como Jesus amava, libertadoramente.