Tag: Taiobeiras

  • Diadorim repousa em Taiobeiras?

    Praça Joaquim Teixeira, local do antigo cemitério de Taioberias/MG

    Reza a lenda de que a verdadeira Diadorim, a que teria inspirado o genial João Guimarães Rosa na obra “Grande Sertão Veredas”, estaria sepultada debaixo do solo que alimenta estas imensas árvores (foto) da Praça Joaquim Teixeira, em Taiobeiras, exato lugar onde ficava o antigo cemitério de Bom Jardim. Verdade ou mito?

  • Imagem peregrina de N. Sra. Aparecida em Taiobeiras

    Só mesmo a soberana virgem Maria, a mãe Aparecida, mãe de Jesus de Nazaré, para aquecer e amolecer o gélido e duro coração taiobeirense. Bem-vinda, esposa de José! A gente está precisando. (11 de abril de 2015).

    Viva Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil! Ela que sempre nos socorre quando mais precisamos! (12 de abril de 2015)

  • Mediocridade e analfabetismo político em Taioeiras

    É incrível o quanto algumas pessoas se lançam na vanguarda do atraso!

    A mais nova dos “formuladores do Paço” é afirmar, pelas redes sociais, que o governo brasileiro é comunista, que o Brasil é comunista e – pasmem! – que a educação brasileira tem princípios comunistas. Merece um sonoro Kkkkkkkkkkkkkkk! Devem ter encontrado uma máquina do tempo e fizeram uma visita à triste e paranoica época da Guerra Fria, nos distantes anos 1960. Ou então, não têm vergonha de chegar ao fundo do poço do ridículo.

    Por enquanto, acham plateia, pois estão no poder local. Ficará difícil, no futuro, explicar aos filhos e aos netos como assumiram e defenderam posições tão obtusas, burras, mesquinhas e sem consistência real.

    Só restará dizer aos rebentos, com sorriso amarelo na boca, o seguinte: – “Filho, eu estava defendendo o leite virtuoso que jorra das tetas da viúva municipal! Sorry!”

    (7 de abril de 2015)

  • Tucanos taiobeirenses jogam na conta de Dilma a culpa do próprio fracasso

    Nos últimos doze anos, Taiobeiras viveu um surto de desenvolvimento. Construção civil, acesso facilitado a crédito para todas as áreas, carros novos invadiram ruas e praças, e obras, muitas obras, chegaram da parte dos governos Lula e Dilma. Rede e estação de tratamento de esgoto, pavimentação de ruas, UBS, PSF, reformas variadas, transporte escolar de qualidade, programas sociais, Território da Cidadania do Alto Rio Pardo, Escola Família Agrícola, unidade da UAB, etc, etc… Os governos municipais, tucanos, capitalizaram tudo isto como se fossem méritos próprios, numa grande operação de lavagem cerebral da massa. No máximo, citavam um tímido “recursos da União” para se referir ao maior aporte de recursos públicos que Taiobeiras já recebera em toda a sua história.

    Agora, com a crise batendo à porta da Prefeitura, seus apoiadores descaradamente invertem o discurso. Na boca deles, tudo o que falta e todos os problemas de Taiobeiras são culpa de Dilma ou do PT. Vamos sempre relembrar: se não fosse Lula, Dilma e o PT, e se dependesse dos tucanos que mandam na Prefeitura, Taiobeiras ainda seria conhecida como a cidade da “latinha”. “Lá tinha isso”, “lá tinha aquilo”, “lá tinha assim”, “lá tinha assado”!

  • Releitura: Taiobeiras, mitos e manipulação

    Avenida da Liberdade (local da feira), em Taiobeiras, na década de 1990.

    Publiquei este artigo em 30 de dezembro de 2012, com o título original ‘Taiobeiras, a eleição de 2012 e os mitos derrubados’. Um ano depois, republiquei-o em meu livro “Sexagenarius: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”. Relembre…

    A eleição de 2012, em Taiobeiras, serviu para revelar uma realidade que já existia, mas que estava encoberta pelo surreal manto da ideologia e da propaganda. Os mitos caíram e, junto com eles, as máscaras políticas esculpidas desde o ano 2000. Vejamos algumas lendas nas quais ainda tem gente que acredita. Porém, pelos fatos, foram cabalmente desmentidas.

    1. O perigo do joelismo com Joel. E o joelismo sem Joel:
    Desde o ano 2000 que a figura pública do ex-prefeito Joel da Cruz Santos passou a ser trabalhada na mente dos taiobeirenses como a verdadeira expressão de tudo aquilo que não presta. Em outras palavras, Joel e o joelismo seriam o próprio mal em pessoa, na boca dos novos inquilinos do poder. Para além da crítica política, democraticamente necessária a qualquer governo, especialmente ao de Joel – que não era nenhum exemplo –, uma verdadeira cruzada contra sua vida pessoal e liderança política foi milimetricamente posta em prática, demonizando a ele e aos seus apoiadores ou admiradores. Uma vez ganhando a prefeitura em 2004, o grupo do prefeito Denerval passou a brandir o mito de que “nada de bom” foi feito em Taiobeiras até aquele momento e que, portanto, seria necessário impedir o retorno ao suposto caos do joelismo. Nada mais falso. A elite de Taiobeiras, que serviu e deu sustentação ao ex-prefeito enquanto ele se mantinha firme na corda bamba da política, é a mesma que atualmente se une em torno do Pacto de Poder liderado por Denerval. Inclusive, com mais fervor e devoção que outrora. Na prática, atualmente há um joelismo que dispensa a figura de Joel. Evidentemente, por boa educação, não é necessário citar nomes de pessoas ou de gerações familiares inteiras que sob Joel ou sob Denerval, se conservam em vistosos cargos da administração municipal.

    2. O clientelismo joelista, porém, “chique” e sofisticado:
    A grande crítica que se fazia à política joelista era com relação à corrupção, à manipulação do voto através do atendimento de pequenas demandas isoladas de cada eleitor, ao clientelismo e à compra de votos. Designou-se, inclusive, o velho termo sociológico “coronelismo”, apropriado para a análise histórica da República Velha (1889-1930), para o entendimento do caso taiobeirense. A crítica, claro, não era infundada. Vivia-se o descalabro. No entanto, entra para a galeria dos mitos, o fato de que essa política persistiu no pós-Joel, com uma nova roupagem, mais sofisticada e moderna, nem por isso menos odiosa e prejudicial. Vive-se um populismo disfarçado, um clientelismo “chique”. A campanha de 2012 pareceu demonstrar, com base nos processos de pedido de cassação de candidaturas e inelegibilidades ainda em curso, que tudo o que se ofertou no mercado eleitoral foi avidamente consumido não importando as consequências.

    3. O risco de Taiobeiras retroceder aos “caos” pré-2005. E as táticas nazistas:
    Uma das grandes mentiras do processo eleitoral de 2012, contada mais de mil vezes, sob inspiração de Goebels, ministro da propaganda nazista, a fim de que se tornasse mais uma “verdade” fabricada pelo regime político-ideológico firmemente instalado no Paço de Bom Jardim, era o de que Carlito se unira a Joel para fazer Taiobeiras retroceder aos tempos de antigamente e, dessa forma, destruir os “avanços” construídos por Denerval de 2005 para cá. Como já disse no primeiro item, o joelismo sem Joel, da Prefeitura nunca saiu. Tampouco, apesar de toda crítica merecida que se possa fazer a Joel, até mesmo os adversários mais ferrenhos reconhecem que a maior parte da infraestrutura pública existente em Taiobeiras foi edificada sob seus mandatos. Também, qualquer pessoa sensata, que compreenda um pouco de história, sabe que Taiobeiras não foi inventada por Denerval nem iniciada em 2005, como o marketing oficial quer nos fazer crer. Logo, a união entre os partidos políticos PDT, de Carlito e PR, de Joel, foi apenas uma justa coalização eleitoral, absolutamente necessária, e legalmente permitida, para além da “demonização” com a qual se deleitaram os detratores.

    4. Para ser prefeito precisa ser um administrador. E a negação disso em 2012:
    Denerval foi candidato a prefeito de Taiobeiras três vezes. Perdeu na primeira, mas se firmou como liderança, abrindo caminho para as vitórias seguintes. Sua tática eleitoral: a desconstrução impiedosa do adversário, atacando inclusive a vida pessoal do sujeito (Joel e João da Caixa que o digam). Seu discurso: o de que a prefeitura precisa ser administrada com o mesmo rigor e técnica com que se coordena uma empresa privada. Para isto, o prefeito precisaria ser um empreendedor de sucesso, como ele. Discurso que lhe caiu como uma luva, em contraposição ao jeitão desleixado e popular de seus antecessores. O fato é que esse argumento foi escandalosamente abandonado em 2012. Claro que para não prejudicar o candidato do momento, que não possui este mesmo perfil. Também, para não beneficiar o candidato da oposição, este sim, um empresário reconhecido. Para quem tem um pouco de memória e senso crítico, deve ter sido irônico ouvir da propaganda do grupo tucano em 2012 a seguinte frase: “Lembre-se, administrar uma prefeitura é diferente de administrar uma empresa…” Nas eleições anteriores falavam justamente o contrário. Também concordo que, para ocupar um cargo político, não é necessário ser empresário. O melhor exemplo é o ex-presidente Lula. Questiono sobre como os argumentos políticos são descartáveis, utilizados como roupas, que são vestidas ou despidas ao prazer ou necessidade do usuário. Conveniências cínicas da política, somente possíveis porque o povo de Taiobeiras é propositalmente levado à despolitização e à alienação.

    5. O refinamento da elite política que subiu ao trono em 2005. E o Facebook e o boneco:
    Com a subida dos tucanos ao poder taiobeirense em 2005, difundiu-se a ideia de que a nova classe política seria mais moderna e refinada do que a anterior. Mais um daqueles preconceitos de classe bem típicos da nova burguesia. No dizer deles próprios, a turma de João da Caixa representaria a bagunça e, eles, a retidão moral que chegou para por ordem na casa. Como já disse, repito, foram-se Joel e seu vice, João Emílio, mas o joelismo permaneceu no Paço. Se não escancarado, pelos menos presente no modus operandi. A campanha de 2012 jogou mais este mito no chão. A virulência na internet, especialmente na rede social Facebook, demonstrou a face “pouco meiga” do regime. O patrulhamento ideológico e as desmoralizações contra os adversários se deram, e continuam ainda, num nível muito abaixo do que pode ser chamado de civilizado. Para quem foi oposição a Joel, e continua, agora, aos tucanos, como este que redige o artigo que você lê, é possível dizer que havia maior respeito democrático naquele tempo do que hoje. O Facebook e o boneco da cruz-de-tau – queimado em praça pública – estão aí por testemunhas.

    Há muitos outros mitos estatelados no chão. Foram derrubados por seus próprios inventores. É urgente que a comunidade taiobeirense os identifique e os reflita. Eles venceram o pleito, mas a constatação de seus estratagemas para o alcance e a manutenção do poder tornou-se evidente para muitos, como nunca antes. Cabe à sociedade, que votou ou não no grupo vencedor, ter o discernimento desses fatos para saber cobrar e controlar.

    Não basta somente uma sociedade avançar no plano econômico. É preciso criar os meios para que a política, a cultura e o regime democrático co-participem do crescimento da economia. Também, é necessário construir uma cidade que vá além da beleza de suas praças e avenidas ou da alegria de suas festas. Um lugar onde as pessoas, especialmente aquelas que estão segregadas pela pobreza, pelas drogas ou pelo baixo conhecimento cultural, sejam integradas ao convívio cidadão.

    Taiobeiras é hoje uma cidade de “contos de fadas”. Não se pode negar que haja muitos avanços, boa parte deles porque o Brasil também avançou. Mas não existe na classe política que a dirige uma sensibilidade para com os que estão à margem; para com as questões da juventude: vítima da violência e das drogas; para com as situações étnico-culturais; para com a educação contextualizada e de qualidade; não há um olhar social efetivo e moderno ou comprometido como a elevação da dignidade da pessoa humana. Tudo isso tem de ser alcançado através da luta da comunidade.

  • As reflexões de hoje (VII)

    As reflexões na minha linha do tempo na rede social Facebook:

    Eu tento ficar quieto. Mas, às vezes, a indignação fala mais alto. Vamos ao assunto: Para o grupo oficial de ‘puxa-sacos’ da situação de Taiobeiras, é como se a cidade não tivesse prefeito. A prefeita é Dilma. Desculpem-me a palavra de baixo calão, mas não encontrei outra que definisse melhor os ditos cujos. Diante de qualquer crítica que alguém faça àquilo que é de responsabilidade da administração municipal, eles imediatamente jogam a culpa na Dilma, no PT ou no “líder da oposição”. Enfim, parece que Dilma virou prefeita de Taiobeiras, quando o assunto é falar dos problemas da cidade. Já quando é para falar das conquistas, aí dão nome, sobrenome, endereço e telefone. Vamos falar sério: o que tem de obras em Taiobeiras, devemos dar graças a Deus e ao Governo Federal (Dilma). Senão, a situação estaria muito pior. Os tucanos ganharam a eleição municipal de Taiobeiras. Pois que, governem. Não transfiram as responsabilidades para os outros.
    (28 de janeiro de 2015)

    Taiobeiras vive uma crise de governo. Quem ganhou a eleição municipal aqui foram os tucanos. Governem, tucanos! A culpa não é da Dilma ou do PT se vocês não dão conta. (28 de janeiro de 2015)

    Taiobeiras é igual a São Paulo. No mau sentido. Tanto aqui quanto lá, os tucanos aprontam, não cumprem suas obrigações, mas uma grande parte da população age como “zumbis” criados pela mídia desqualificada, repetindo o bordão: “É culpa do PT! É culpa da Dilma!”. (28 de janeiro de 2015)

    Estou contra a desinformação. Estão tentando colocar nas costas da Dilma aquilo que é da responsabilidade do prefeito. Sou totalmente a favor de cobrar da Dilma aquilo que é de responsabilidade da presidência da República. Mas, aqui em Taiobeiras, cobrar do prefeito aquilo que é obrigação da prefeitura, parece que virou ofensa pessoal. E eles já tem uma resposta decorada: “É culpa da Dilma. É culpa do PT”. Ou seja não estão jogando limpo. (28 de janeiro de 2015)

    Por exemplo, falam que a Dilma aumenta os impostos. Mas, não falam que um imposto de responsabilidade municipal, o IPTU, também foi aumentado, e de forma abusiva para com o bolso da maioria dos taiobeirenses. (28 de janeiro de 2015)
  • As reflexões de hoje (VI)

    Depois de mais de um mês, chove em Taiobeiras, em 23/01/2015

    Minhas publicações na rede social Facebook.

    Madrinha Donila morreu aos 104 anos, em 2011. Experiente nas agruras do sertão baiano, onde nasceu, e do sertão norte-mineiro, onde viveu, sempre que necessário bulia em suas orações e devoções. Clamava a Deus pela Divina Misericórdia. Certa vez, quando criança, lhe perguntei:
    – O que é a Divina Misericórdia que a senhora tanto pede?
    Ela me respondeu:
    – Ora, a Divina Misericórdia é a CHUVA!
    E não é que o Senhor nos brinda, neste final de tarde, em Taiobeiras, com sua Divina Misericórdia!

    (23 de janeiro de 2015)

    Uma regulação econômica da mídia, que desfaça os cartéis, promova a diversidade na produção de conteúdo e lhe dê um caráter mais educativo do que meramente comercial, é urgente. Com a mídia que temos, nem a família e nem a escola têm condições de educar adequadamente para a cidadania.
    (23 de janeiro de 2015)

    É somente impressão minha ou quanto mais as redes de televisão “vomitam” notícias de crimes violentos, de manhã, à tarde ou à noite, mais eles tendem a ocorrer na sociedade?
    (23 de janeiro de 2015)

    Compaixão, misericórdia, generosidade. De vosso sagrado coração, derramai estes dons sobre a nossa sociedade humana, Senhor.
    (23 de janeiro de 2015)

  • Imagens da Festa de São Sebastião nos 80 anos da Paróquia de Taiobeiras

    Bandeira em frente à Matriz
    Bandeira em outro ângulo
    Andor de São Sebastião carregado por policiais militares

    A Paróquia São Sebastião de Taiobeiras (MG), pertencente à Arquidiocese de Montes Claros, foi criada em 20 de maio de 1935. Portanto, em 2015 completará 80 anos de fundação. Veja as fotos da festa do padroeiro, neste 20 de janeiro de 2015, já como atividade do ano do octogésimo aniversário.

    Procissão
    Igreja Matriz de S. Sebastião de Taiobeiras (MG)
    Outro ângulo da procissão. Ao fundo, a Matriz.
  • Artigo do Levon: Cadernos no saco de açúcar de 5 kg

    * Levon Nascimento

    Corria o mês de fevereiro de 1984, quando eu comecei a 1ª série primária na Escola Estadual Deputado Chaves Ribeiro ou Grupo da Igrejinha – como era conhecida – em Taiobeiras. Primeiramente, fui para a sala 2. Algumas semanas seguintes, depois de alguma avaliação que eu não sei bem qual foi, me colocaram na sala da professora Élia. Somente eu. Outros colegas também foram remanejados, só que para outras turmas. Tempos depois, fiquei sabendo que fui para a “Classe A”. Mas não é bem isto que quero contar.

    Agora, passados 30 anos, é chegada mais uma temporada de adquirir os materiais escolares das crianças. Cadernos de capas de marca, equipados com adesivos e plásticos temáticos. Caixas de lápis de colorir de até 48 unidades. Mochilas de diversos tamanhos e grifes. Borrachas, canetas, colas, fichários, “lancheiras” – no meu tempo, sem apelar para o anglicismo que gerou o neologismo, falávamos “merendeira”, em bom português – e tanto mais que fazem a meninada deixar os pais loucos na hora de comprar a lista ditada pelas escolas. Diante disso, me recordo daquele meu primeiro ano, dos materiais escolares que utilizei e da consciência que vim a desenvolver por conta da simplicidade deles.

    Os responsáveis pela minha criação não tiveram acesso à escola quando crianças. Mal sabiam assinar o próprio nome. Nunca tiveram a experiência do convívio escolar. Mesmo assim, queriam que eu estudasse, confiavam no “poder” da escola, e me disciplinaram a encarar os estudos como dever e caminho de sobrevivência. Como sou grato a eles por isto! Mas eles não tinham ideia de como era difícil ser pobre em uma sala de aula de classe média. Sim, porque como não havia escolas particulares na cidade naquela época, os filhos da classe média e alta também estudavam na escola pública e, invariavelmente, fossem alunos bons ou medianos, ficavam nas turmas “mais selecionadas”. Como fui parar numa delas – não sei como – passei a conviver com eles.

    Minha mochila escolar era uma pasta preta, de um material parecido com couro, em formato retangular, com um zíper na parte superior. Antes, ela servia para guardar os documentos da casa. Devia ter uns 30 ou 40 anos quando a ganhei para por meus cadernos. Estes, aliás, eram em tamanho pequeno, mais baratos, com capas ilustradas de círculos azuis, vermelhos ou pretos, em fundo branco. As folhas eram ásperas. Os lápis de cor eram dos pequenos, metade do tamanho de um lápis preto de escrever, com apenas 12 unidades na caixa. O livro recomendado – que o governo da Ditadura Militar não distribuía gratuitamente à rede pública – era o Caminho Suave, uma tradicional cartilha de alfabetização. Demorou para chegar em minhas mãos, pois era caro e levou muitas semanas de trabalho de servente de pedreiro para que pudesse ser adquirido pelos meus responsáveis. Mesmo assim, cheguei analfabeto em fevereiro, pois não fiz pré-escolar, e em maio já escrevia pequenas cartas a rogo dos meus familiares.

    A pasta preta era o meu suplício. Eu tinha uma vergonha imensa dela. Era feia demais! Ainda mais porque meus colegas de classe média vinham todos com suas mochilas de várias cores e inúmeros detalhes, já com a ilustração de alguns desenhos animados que passavam no Balão Mágico, como He-man e Superamigos. Pior do que eu, só um ou dois colegas que levavam os cadernos em sacos de açúcar de cinco quilos. Uma delas, chamada Vanusa, lembro-me bem, era zombada todos os dias por conta disso. Não se falava e ninguém se preocupava com o que hoje se convencionou, mais uma vez em inglês, chamar de Bullying. Termo que significa violência física ou simbólica. Sofríamos da violência social de ser pobres; e simbólica, de não ser consumidores, além da tradicional zombaria. Nossas pastas, nossos cadernos e nossos sacos de açúcar não se enquadravam nos padrões estéticos de uma sociedade de consumo que se formava no preconceito e no desprezo. Seriam as raízes de nossa atual decadência sociocultural? Ou as origens “imperceptíveis” de nossa trágica violência urbana?

    A partir dali, pela primeira vez em minha vida, comecei a perceber diferenças entre as pessoas. Não na substância, todos humanos, mas de classe social, entre os que podiam comprar e os que não, entre os que tinham e os que não. Não me produziu revolta, amargura ou despeito. Criou em mim senso de justiça, preferência pelos pobres e consciência de classe social, sementes de Esquerda. Consciência de classe que anda faltando a muita gente nos dias de hoje. Especialmente à gente que busca “subir na vida” sem escrúpulos ou à que tenta aparentar o que não é pelo consumismo vaidoso e suicida.

    Minha velha pasta preta de carregar cadernos, da qual tanto me envergonhei quando criança, quem diria, me ajudou a ter mais noção de mundo e coerência cidadã!

    * Levon Nascimento é Professor de História. Graduado em Ciências Sociais pela Unimontes.

  • Foto histórica com Dilma Rousseff

    Outro dia postei uma foto com a ex-Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Na mesma data (12 de janeiro de 2003), também em Araçuaí/MG, tivemos a oportunidade de falar com então desconhecido Ministra das Minas e Energia, a qual se tornaria a primeira mulher a ocupar a Presidência da República brasileira, Dilma Rousseff. Naqueles dias, o presidente Lula, recém-empossado em seu primeiro mandato, trazia seus ministros para “estagiar” no Vale do Jequitinhonha.

    Na foto, os presidentes municipais do PT de Taiobeiras (Levon Nascimento), Salinas (Tânia Ladeia) e Novorizonte (Wilson Fernandes) em 2003.

  • Marina Silva

    12 de janeiro de 2003. No tempo em que dona Marina era companheira da luta. Antes dela rumar à “direita”, rsrs! Em Araçuaí/MG, após a 1ª posse de Lula na presidência, quando ele trouxe todo o ministério para “estagiar” no Vale do Jequitinhonha.

    Na foto, os presidentes municipais do PT de Taiobeiras (Levon), Salinas (Tânia Ladeia) e Novorizonte (Wilson Fernandes) em 2003. 

  • Artigo do Levon: A vitória de Dilma

    Artigo originalmente publicado na versão impressa do Jornal Folha Regional, Ano XII, n. 235, p. 3, novembro de 2014, Taiobeiras/MG.

    Eram 20h02min quando apareceram os primeiros números da apuração no telão instalado no salão do STR de Taiobeiras. Após três horas de angustiante espera, uma explosão de alegria fez o ambiente se eletrizar. Com 95% das urnas apuradas, Dilma (PT) aparecia à frente com 50,9% dos votos válidos, enquanto Aécio (PSDB) estava com 49,1%. Nem mesmo o alerta de que ainda faltavam 5% nem que a diferença era estreitíssima, podendo haver uma reviravolta, fez diminuir a euforia. O grito preso na garganta e a vontade de liberar a emoção foram mais fortes. Sobretudo depois de uma campanha tocada pelo ódio, cuja “proposta” do adversário se resumia a “tirar o PT do poder”. Dali em diante, um povo barulhento e tenaz tomou conta das ruas da cidade. Celebração de vitória!

    Aécio teve maioria em Taiobeiras, único município do Norte de Minas em que isto ocorreu. Ainda assim, na zona rural, em Mirandópolis e na Lagoa Grande, a campeã foi Dilma. Longe de buscar razões sociológicas, recorro à história. Há um mito, profissionalmente instigado, de que o neto de Tancredo teria uma relação de amizade com a cidade, materializado desde os tempos em que o jovem secretário do avô veio pedir votos para se eleger deputado federal e ficou hospedado na casa do então prefeito Geraldo Sarmento de Sena (Nen Sena). Contribuiu, ainda, a estrutura bem arrumada do atual grupo no poder municipal que, mesmo realizando um governo medíocre, mantém intactas as estruturas de dominação cultural, intelectual e política. E mais, a neutralidade desleal e a cooperação suicida de alguns poucos setores da oposição taiobeirense também influíram no resultado.


    Mas destaco a garra e a luta da militância petista e dos simpatizantes da causa popular. Para estes, não houve espaço para o muro ou para a omissão. Lideranças das Comunidades Eclesiais de Base, educadores engajados na luta por uma educação decente, trabalhadores autônomos, taxistas, sindicalistas rurais ou do serviço público, vereadores progressistas, todos se movimentaram pela garantia da continuidade da mudança inaugurada por Lula. Souberam entender que, apesar do bombardeio midiático e das tentativas de golpe da elite nacional, o projeto que melhorou a vida de milhões de brasileiros, retirando-os da miséria absoluta e integrando-os, como nunca antes em nossa história, estava em curso através do governo da Presidenta Dilma Rousseff. Perceberam, também, que caso não fosse reeleita, haveria um revés, um retorno ao passado, tão drástico quanto aquele que se havia iniciado com o Golpe Civil-Militar de 1964.


    E o capítulo mais especial desta luta se deve aos jovens e ao povo considerado mais humilde. Os jovens, estudantes, foram presença marcante nas atividades de campanha da Dilma em Taiobeiras. O povo da zona rural e dos bairros compreendeu o viés de classe social que a eleição despertou e garantiu as suas conquistas. Relembrou-se de que há 12 anos, antes de Lula e Dilma, só lhe sobrava os restos de verduras da feira, no final do sábado. Celebrou o acesso à cidadania que está conquistando através das ações dos governos petistas.


    Enfim, o colorido do vermelho da boa revolução se entremeou nas cores do povo e da juventude, sinalizando um novo tempo em que a luta continuará. Luta contra o ódio de uma elite atrasada que se ressente ainda hoje da assinatura da Lei Áurea.
  • Votar em Dilma é agir para que o Brasil continue independente

    Aqui abaixo estão os textos que escrevi na última semana (07 a 14/09/2014), na rede social Facebook. São reflexões sobre as eleições de 2014, favoráveis à candidatura de Dilma para a presidência da República e à eleição de Fernando Pimentel para governador de Minas Gerais.

    1) Alguns dizem: ” – Gente culta não vota no PT”. Se ser “culto” é ser contra a inclusão social que tirou milhões de brasileiros da miséria, prefiro ser “inculto”. Aliás, o conceito de “cultura” é muito relativo. Tem gente com diploma universitário em medicina, direito ou história que não tem a cultura da solidariedade, do respeito ao próximo e da compreensão da multiplicidade dos valores do povo brasileiro. Enquanto que tem pessoas “analfabetas” com uma baita visão de mundo: solidária, altruísta e coerente.


    2) A família dos que assassinaram Chico Mendes (1988) declara apoio a Marina Silva. Lembrando que Chico Mendes foi morto em emboscada preparada por latifundiários que combatiam seringueiros organizados em sindicatos e no PT. Na época, Chico Mendes, que era petista, foi quem abriu espaço para Marina entrar na política, pelo PT. Mais uma imensa contradição da Marina.

    3) Dilma sofre ataques todos os dias, desde que tomou posse, principalmente na grande mídia e nas redes sociais. Aliás, desde antes. Os esgotos de direita a “torturam” desde sempre. Ataques covardes: xingam, agridem, inventam mentiras e difamam. Mas ela aguenta firme e forte. É mulher de pulso, de garra, de compromisso e de imenso amor pelo Brasil. Dilma, nos momentos mais difíceis, nunca ficou de “chororô”, “mimimi” ou se fazendo de vítima. Quem entra na chuva tem de se molhar. Por isto eu voto nela. Dilma tem coração valente!

    4) Quem vota nas lágrimas da Marina vai chorar por último, quando ela entregar o Brasil nas mãos dos banqueiros e quebrar o país.

    5) ‘Marinistas’ agora passaram a depender da capa da Veja. Cadê a diferença em relação aos tucanos? Depois dizem que o que emperrava o país era polarização PT X PSDB. Pois, agora, passaram a ocupar o lugar dos bicudos. Da Veja não vem nada que presta! ‪#‎Dilma13‬ ‪#‎Pimentel13‬ ‪#‎JosuéAlencar150‬ ‪#‎PauloGuedes13789‬ ‪#‎PadreJoão1315‬ ‪#‎Agita13‬

    6) Conversando com pessoas na feira de Taiobeiras, hoje pela manhã, na programação do ‪#‎Agita13‬, não precisei defender a Dilma. As pessoas já faziam isto. Veja o que disseram: a) “Antes, o sonho do pobre era ter uma bicicleta. Hoje pode ter acesso a uma moto, a um carro, a uma casa”. b) “O Bolsa Família me ajudou a criar meus filhos. Não fiquei preguiçosa. Hoje trabalho e tenho autoestima”. c) “Você anda na zona rural e em cada casa tem uma cisterna (caixa d´água) para recolher água da chuva. Antes, além da seca, a gente não tinha nenhum apoio”. d) “Hoje a casa do pobre igualou a do rico: tem geladeira, televisão de tela plana, micro-ondas…” e) “Hoje o pobre não precisa ser escravo do rico”. f) “Nos PSFs de Taiobeiras ‘tudo’ tem placa de verba que a Dilma mandou. Como que tem gente que não vota numa mulher dessas?!” Então, é Dilma 13 e Fernando Pimentel governador 13.

    7) A Revista Veja já embarcou na campanha de Marina Silva. Quem tem um mínimo de senso crítico sabe que o “bom” para a Veja não é o “bom” para o Brasil. Então, fica claro que a melhor candidata é Dilma, 13.

    8) A ética de Marina Silva: ri no velório do ex-candidato e chora quando suas ideias são questionadas. Não é a presidenta que o Brasil precisa. Por isto, eu voto em Dilma, 13.

    9) Marina Silva fala e depois “desfala”. Em seguida reclama e se faz de vítima quando a gente aponta as contradições dela. Ué, só vale quanto ela tá ganhando? Quando começa a perder, apela?

    10) Uai, ninguém está xingando a Marina! Aliás, quem é xingada por gente que não quer debater é a Dilma. No caso da Marina, estamos criticando propostas que consideramos ruins para o Brasil. Afinal, a democracia serve para isto, para o questionamento de ideias e programas.

    11) Até agora, estou fazendo campanha com ideias, crítica política e argumentos. E pretendo fazer assim até o final do período eleitoral. Que tal você agir assim também?

    12) Infelizmente, em outras palavras, o “antipetismo” ou o “anti-esquerdismo” pode ser definido com dois vocábulos: ódio e egoísmo. Ódio aos mais necessitados. Egoísmo na atitude de não suportar que multidões devam ser incluídas. E, o pior, é a sequência das tragédias da história brasileira: É o ódio dos que não queriam a abolição da escravatura negra em 1888. O ódio dos que massacraram Canudos (1897) e Contestado (1914). O ódio dos que não desejavam dar direito de voto às mulheres.O ódio contra a legislação trabalhista. O ódio lacerdista às conquistas populares da era Vargas. O ódio a Jango e Brizola. O ódio que implantou a ditadura (1964-1985). O ódio aos movimentos operários do ABC, ao MST, às CEBs, às pastorais sociais, às conquistas do governo Lula, à pessoa da 1ª mulher-presidenta Dilma Rousseff. É o ódio às cotas, ao Pro-Uni. Ódio à inclusão de jovens pobres nas faculdades de Medicina e Direito. Ódio ao Mais Médicos. Ódio ao Bolsa Família, enquanto defendem o Bolsa Banqueiro. Ódio à melhoria real do salário mínimo. Enfim, é um ódio de classe. Triste é ver pessoas que foram incluídas por estas lutas ficarem do lado de quem lhes tem ódio.

    13) É por isto que eu voto no PT. É por isto que eu voto em Dilma 13. Porque eu me informo sobre a realidade do meu país? E você, se busca se informar ou é “informado” pela mídia anti-Brasil?

    14) A desconstrução de Marina tem sido feita por ela mesma ao se desdizer constantemente. Numa hora afirma uma coisa, em seguida diz que não era bem assim.

    15) O “antipetismo” é tocado pelo ódio a Lula, à Dilma, contra o pensamento de esquerda e contra os brasileiros pobres que necessitam dos programas sociais. É um sentimento intencionalmente alimentado pelos grandes cartéis midiáticos, cujo substrato emocional é o velho egoísmo de classe. No fundo, é o mesmo rancor dos que, em 1888, não perdoaram a Princesa Isabel pela assinatura da Lei Áurea, que acabou com a escravidão formal no país.

    16) Marina defende a autonomia do Banco Central. Autonomia para elevar os juros, reduzir o crédito, diminuir o emprego e arrasar com a vida dos pobres e trabalhadores. E isto que você quer?

    17) Ainda tem professor “ingênuo” achando que se um ex-governador ganhar para senador e se outro “ex-gov” ganhar para presidente que a Lei 100 volta. Explicando: a Lei 100 era inconstitucional, por isto foi derrubada pelo Poder Judiciário (STF). Não é mais questão de política. Agora, é resolver a situação difícil dos ex-efetivados. Isto, sim, é questão de política, e quem fez o malfeito tem de resolver. Não se deixe enganar. Fique de olho.

    18) Com Lula e Dilma, houve a melhoria da qualidade de vida de mais de 40 milhões de brasileiros que viviam em extrema pobreza. Milhões de brasileiros tiveram acesso a cursos superiores. 14 novas universidades federais foram criadas. Milhares de cursos técnicos. Vagas pelo ENEM, SiSU, ProUni, Fies, Pronatec, etc. O Mais Médicos está levando atendimento básico a 50 milhões de brasileiros. Se isto não é uma revolução, não sei mais o que pode ser. Enquanto isto, Marina quer dar total liberdade para os banqueiros lucrarem muito mais ainda, com a autonomia do Banco Central. Pense nisto e não jogue as conquistas dos últimos 12 anos no lixo.

  • Segundo ativista cultural, Prefeitura de Taiobeiras negou transporte aos artistas locais que vão ao FESTIVALE 2014

    Marileide Alves Pinheiro, ativista cultural

    A ativista cultural, poeta e professora Marileide Alves Pinheiro postou em seu perfil na rede social Facebook o seguinte texto de indignação para com os gestores municipais de Taiobeiras:

    “A CULTURA DE TAIOBEIRAS PEDE SOCORRO!!!!!

    Infelizmente a Prefeitura Municipal de Taiobeiras barrou o carro para transportar artistas e artesãos para o FESTIVALE 2014 em Araçuaí. Faz mais de 10 anos que participamos dos Festivales nas cidades do Vale do Jequitinhonha e essa foi a primeira vez que fomos vetados.

    Na verdade que perde não são apenas os ARTISTAS – atores, pessoas que participarão das oficinas e artesãos, mas toda a cidade, pois tudo que aprendemos durante o evento é repassado de forma multiplicadora para desenvolver ainda mais a cultura da nossa cidade e região. Sem falar que a venda dos produtos dos ARTESÃOS ajuda no desenvolvimento econômico da família dos mesmos e também na economia da cidade. Pena que alguns GESTORES PÚBLICOS só enxergam através da picuinha e pirraça por questões políticas partidárias tentando impedir o crescimento cultural do seu povo.

    Estamos tentando um PATROCÍNIO para pagar o FRETE do carro – São 150 Km para ida e 150 Km para volta. Valor em média de 1000,00 (Um mil reais). Caso alguém possa e queira nos patrocinar entre em contato comigo o mais rápido possível.

    A luta continua!!! Não podemos perder a esperança e desistir de nossos sonhos. Mesmo com todas as adversidades e falta de vontade política da nossa cidade, estaremos lá em Araçuaí para participar do FESTIVALE 2014.

    LISTA DOS ARTISTAS E ARTESÃOS QUE FIZERAM INSCRIÇÃO PARA PARTICIPAR DO FESTIVALE 2014 – ARAÇUAÍ

    1- Marileide Alves Pinheiro – Representando Encena & Cia – Teatro, Cinema e poesia
    2- Nina Almeida – Representando Encena & Cia – Teatro e música
    3- Pedro Alves Martins – Artesão
    4- João Alves – Artesão
    5- Ronaldo Saturnino – Artesão
    6- Ariadna Ferreira – Artesã
    7- Fabiano A. Pereira – Representando a música e Corais
    8- Diene – Esposa de Fabiano – Representando a música e Corais
    9- Zilma Dutra – Representando Teatro
    10- João Selmo – Representando – Comunicação e Mídia.”

  • Taiobeiras: violência, paz, política e opinião (síntese de ideias da semana)

    Infelizmente, a adesão à criminalidade não é somente uma questão de caráter, como afirmam alguns. A situação de pobreza aumenta o risco social e leva muita gente a cair nas armadilhas da marginalidade.
    29/05/2014.

    A luta por um mundo melhor e mais justo não para.
    Eu escolhi as militâncias cultural-social e político-partidária para fazer parte desta luta.
    A luta continua! Esperança, sempre!

    28/05/2014.

    Pessoas inteligentes se deixando dominar pelo “complexo de vira-latas”. Complexo patrocinado pela grande mídia, aliada do capitalismo internacional brutal. Bradam contra seu próprio país, seletivamente escolhendo como alvo apenas a militância e o governo que mais trabalharam pelo povo em toda a história da nação. Imploram, disfarçadamente, para que “os fantasmas do passado” retomem o poder. É doutrina política mais do que conhecida: “a melhor forma de dominar um povo é fazer com que ele não goste de si mesmo”. Pense nisso!
    28/05/2014

    Não existem mais prefeitos nem governadores no Brasil. As responsabilidades sobre saúde, educação e segurança também não são mais divididas entre municípios, estados e governo federal. Tudo é culpa da Dilma! Vai ser hipócrita assim lá no período colonial! Interessante notar como andam as administrações dos grupos políticos adversários de Dilma.
    28/05/2014

    É fato que a atual onda de violência encontra terreno fértil na juventude pobre, cotidianamente confrontada, humilhada e desafiada pela sociedade consumista e de ostentação. Na cara destes meninos e meninas que aderiram ao tráfico, todos os dias são aguçados os desejos mais profundos e irracionais da alma humana, tal e qual ocorre também com adolescentes e jovens das classes média e alta. A diferença é que com aqueles primeiros, geralmente excluídos das oportunidades mais básicas, inclusive da convivência familiar saudável, ainda lhes faltam os recursos financeiros para a satisfação dos desejos de consumo.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    A escalada da violência em Taiobeiras, assim como no resto do país e no mundo inteiro, faz ressurgir velhos dizeres fascistas e psicóticos que desviam a atenção das misérias humanas que produzem a dor, o ódio e o crime. Os valores humanos se perdem nas vítimas mortas, nos escombros do medo que invade a sociedade e na vontade de vingança que envenena o coração das pessoas.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    E se todas essas esperanças falharem, ainda restará uma esperança maior. Esperança de um jovem galileu que por aqui esteve há dois mil anos apenas praticando o amor. “Estranhamente”, mesmo amando tanto, foi condenado à morte por quem detinha o poder político em sua época. Apesar de todo o “sentimento de injustiça” que permeou sua morte numa cruz, brindou a todos com a “esperança vibrante” de voltar a viver ressuscitando três dias depois de sua execução pelos romanos. Espera… Esperança… Esperanças… presentes no doce sabor da justiça; exaladas no suave perfume da paz!
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    Taiobeiras é atualmente uma cidade de “contos de fadas”. Não se pode negar que haja muitos avanços, boa parte deles porque o Brasil também avançou. Mas não existe na classe política que a dirige uma sensibilidade para com os que estão à margem; para com as questões da juventude: vítima da violência e das drogas; para com as situações étnico-culturais e de gênero; para com a educação contextualizada e de qualidade; não há um olhar social efetivo e moderno ou comprometido como a elevação da dignidade da pessoa humana. Tudo isso tem de ser alcançado através da luta da comunidade.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    Não basta somente uma sociedade avançar no plano econômico. É preciso criar os meios para que a política, a cultura e o regime democrático co-participem do crescimento da economia. Também, é necessário construir uma cidade que vá além da beleza de suas praças e avenidas ou da alegria de suas festas. Um lugar onde as pessoas, especialmente aquelas que estão segregadas pela pobreza, pelas drogas ou pelo baixo conhecimento cultural, sejam integradas ao convívio cidadão.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    Famílias, escolas, igrejas e associações fariam muito bem à ‘politização’ social se levassem os seus membros a se tornar mais críticos, interpretativos dos sinais dos tempos, líderes em variadas situações, atuantes em favor da dignidade humana, justos nos negócios e na lida em sociedade.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    Taiobeiras precisa de que cada cidadão e cidadã, com sua simplicidade e entendimento, participem da política, com suas histórias de vida, de sofrimentos e de vitórias; com pluralidade e ideias inovadoras, para além da cultura mercantilista, colonialista e consumista que se impôs historicamente sobre o povo e o município.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    Na cultura taiobeirense, o consumismo arraigado faz com que as pessoas se endividem em “mil” prestações, de modo que “aparentem” certo status e condição econômica que não são reais. Busca-se muito o ter e o aparecer. Investe-se pouco no aprender novas coisas úteis e no “ser” um alguém com consistência. É necessário avançar para além dessa escravidão moral que, a qual, ainda, contribui para a degradação pessoal e ambiental. Cada um deve aprender a superar a cultura da aparência e do modismo fútil; e a viver com mais naturalidade e verdade as relações sociais.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    Quando digo que o Alto Rio Pardo precisa de pessoas mais à “esquerda”, na verdade afirmo que nossas lideranças sociais, religiosas, comunitárias e políticas necessitam ultrapassar a mentalidade imediatista do capital e construir bases sólidas para que o humano cresça, eduque-se e consiga desenvolver uma nova consciência de mundo e de fraternidade.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.


    Para ser realmente livre aos 60 anos, Taiobeiras tem de: cuidar de sua gente, especialmente dos pobres; enfrentar e vencer a escandalosa violência que ceifa vidas, inclusive dos jovens; avançar na educação cidadã e permanente, estendendo as oportunidades de conteúdo a todos; melhorar a qualidade dos agentes e das instituições políticas municipais, aprimorando a democracia e destruindo os vícios coronelistas e clientelistas do autoritarismo e da compra/venda do voto; transformar as relações sociais, abandonando a cultura do consumismo e do exibicionismo vazios, trocando-a por uma nova era onde valham mais as pessoas e o seu conteúdo interior, do que a aparência e os bens que eventualmente possuam.
    Fragmento de texto do livro “SEXAGENARIUS: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, de minha autoria. 2014.

  • Artigo do Levon: Quando era maio…


    A cidade se enfeitava inteira, os meios-fios e até um metro do tronco das árvores ornamentais eram pintados de cal. A passarela central da Praça da Matriz, ladeada por majestosas palmeiras imperiais, toda decorada com faixas e dizeres. Naqueles dias de maio, a fé brotava dos corações, a alegria irradiava-se nos lares e o perfume das novidades invadia o ar frio de outono em Taiobeiras.


    A procissão seguia: crianças vestidas de anjos – não fosse assim, não seria Minas Gerais. As mulheres de branco com fitas vermelhas e medalhas ao pescoço cantarolavam canções marianas. Um velho senhor, à frente, carregava a cruz do Ressuscitado. No meio e atrás, a pé simplesmente, ou empurrando bicicletas, uma multidão colorida pajeava o cortejo em busca da santa.


    Na frente da Igrejinha octogonal, vivas e mais vivas ensaiadas pelo frade. Homens mais fortes, com zelo e vigor, retiravam a imagem portuguesa de Nossa Senhora de seu nicho e a colocavam sobre um andor com oito hastes. Vereadores da Câmara carregavam o palanquim nos ombros. As disputas partidárias entravam em sabática trégua. Em festa, júbilo, parada real, a senhora de Fátima era carregada no retorno à Matriz.


    Entre cantos e “exultes”, bem romano na concepção, mas sem perder a bucólica tradição popular, flores, serpentinas e confetes eram atirados, rumo ao andor, pelos populares que saiam às portas a esperar pela passagem da Mãe.


    Em triunfo olímpico, de volta à Praça da Matriz, a procissão passava pelo corredor central. Coisa de reis e rainhas, cinematográfico! E adentrava à Matriz. Chegava a imagem de Maria – a senhora de Fátima – na casa de São Sebastião, para durante 10 dias ali permanecer recebendo honras, coroações e súplicas, homenagens que só a mãe do Salvador do mundo poderia merecer.


    Tempos idos, os quais eu via e sentia nas décadas de 1980 e 1990, quando um povo – taiobeirense – ainda não se havia deixado vencer pela sede de consumo nem pelo vício do descartável. Era maio, mês de Maria e das mães, e a família ainda se reunia e confraternizava em torno do que era bom!
  • A capa de Sexagenarius

    Aqui está a capa do livro “Sexagenarius: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras”, escrito por mim, editado e impresso na Editora O Lutador (Belo Horizonte) e lançado em 4 de abril de 2014 no plenário da Câmara Municipal de Taiobeiras.

    A capa é composta de uma aquarela sobre papel, denominada “Taioba em Folhas”, da artista plástica taiobeirense, de renome internacional, Elisiana Alves.

    O livro trás um conjunto de textos reflexivos sobre os temas candentes do município de Taiobeiras por volta do período da celebração de seus 60 anos de emancipação política e administrativa, em 12 de dezembro de 2013.

  • Sexagenarius: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras (o livro)

    No final de 2013 Taiobeiras completou 60 anos de emancipação. Eu não poderia deixar a data passar em branco, sem contribuir com o aprimoramento das discussões ligadas ao interesse coletivo da cidade. Foi então que decidi reunir numa publicação vários textos, entre eles artigos, entrevistas e intervenções orais, os quais eu havia publicado nos três anos anteriores. Assim nasceu o projeto do livro Sexagenarius: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras.

    A minha intenção inicial era de publicar o livro no dia 12 de dezembro de 2013, data redonda dos 60 anos. Mas faltaram recursos financeiros à época. Agora, com o apoio da grupo Arruda Alimentos e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, consegui a impressão de mais este trabalho.

    Sexagenarius tem 120 páginas, por onde se distribuem 22 títulos relacionados às problemáticas, aos valores e às aspirações do povo de Taiobeiras. Na maioria deles eu utilizo o método crítico para analisar a história, a cultura e a sociedade taiobeirense. Também, internamente, o livro traz oito fotografias históricas da cidade, cada uma delas preenchendo artisticamente um espaço de dupla página. Tenho a honra de contar com um prefácio escrito pela professora e ativista cultural Marileide Alves Pinheiro e de trazer na capa uma maravilhosa obra pintada pela prestigiada artista plástica Elisiana Alves, o quadro “Taioba em Folha”. O projeto gráfico e da designer Andréa Esteves, de Belo Horizonte, que já assinou os outros três livros que publiquei. A impressão ocorreu nas oficinas da Editora O Lutador, também da capital mineira.

    O lançamento do livro Sexagenarius: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras ocorrerá numa sexta-feira, dia 4 de abril de 2014, a partir das 19 horas, no plenário da Câmara Municipal de Taiobeiras. Desde já, sinta-se convidado(a) especial. O exemplar será comercializado ao preço de R$ 25,00 (vinte e cinco reais).

  • Isaías Costa lança livro de poesias "Simplesmente Zazau"

    Zazau, na companhia da professora Marileide, durante lançamento
    de seu livro em 14/03/2014, na Av. da Liberdade, em Taiobeiras
    .

    Isaias Costa (Zazau), poeta autodidata, pioneiro do ramo da imprensa escrita taiobeirense, fundador e diretor do primeiro jornal de circulação periódica de Taiobeiras (Jornal Taiobeiras Informa), lançou em 14 de março de 2014 (Dia da Poesia) o 1º volume do livro “Simplesmente Zazau: poesias, mensagens, pensamentos e conselhos”.

    A obra contem 116 páginas recheadas de muita sabedoria, arte, poesia e homenagens. Os temas da celebração da vida e da arte de saber vivê-la permeiam todas as linhas do livro. Personagens “simples” do cotidiano taiobeirense, como Nego de Carolina e Luquinha são recordados e exaltados pela sua dignidade e valor sócio-histórico.


    Comercializado por R$ 20,00, o livro merece ser adquirido e degustado com muito carinho por aqueles já tem a sensibilidade para com as coisas belas e valiosas da vida ou por quem deseja aprimorar a centelha de arte que pulsa no coração. Adquira e leia. O mundo ficará melhor através da sua leitura.