* Levon Nascimento
– Ah! Mas, como pode o Papa Francisco receber Lula, um ladrão?
– Jesus Cristo andou com os pobres, as adúlteras, as prostitutas, os publicanos e os pecadores. Além do mais, foi crucificado entre ladrões.
– Ah! Mas o Lula é um condenado!
– Mas Jesus nos ordena a não julgar para não sermos julgados.
– Ah! Mas o Lula foi condenado pela Lei dos homens.
– Sim! Foi condenado num processo cheio de controvérsias, que segundo grandes especialistas em direito do mundo inteiro, que leram a peça condenatória, não tem as provas demonstrativas de roubo e culpa. Basta lembrar que quem condenou Lula foi um juiz político que se aproveitou da situação para virar ministro do principal beneficiado da prisão do petista. Logo, não foi um juiz imparcial.
– Ah! Mas, se está respondendo processo é porque tem culpa no cartório.
– Pode ser e pode não ser. Jesus também foi vítima de um processo e foi condenado. Ele tinha culpa?
– Heresia! Você está comparando Jesus com Lula?
– Não. Mas o exemplo de Jesus serve para todos os seres humanos, sem distinção. Somos todos imagem e semelhança de Deus.
– Ah! Mas por que o Papa não recebe o Bolsonaro?
– O Papa, como líder religioso, recebe lideranças do mundo inteiro, de direita, de esquerda, de centro. Basta o Bolsonaro marcar uma audiência. Mas, no dia da canonização da irmã Dulce no Vaticano, Bolsonaro preferiu não ir e foi receber “a bênção” do Edir Macedo. Direito dele, claro.
– Ah! Mas, por que você defende tanto o Lula?
– Lula é um ser humano como eu e você. Mas é uma grande liderança nascida da pobreza e que representa o povo humilde e humilhado num país de cultura escravocrata. No governo dele, pela primeira vez, existiram políticas públicas visando a melhoria de vida dos mais pobres, das mulheres, dos negros, dos gays, dos trabalhadores, dos estudantes. E isso ninguém pode negar.
– Ah! Mas o Bolsonaro está mudando o Brasil.
– Não é o que dizem os números. O desemprego aumenta as agressões através da informalidade, a pobreza se multiplica e as políticas em favor dos mais necessitados são interrompidas ou destruídas. O obscurantismo e a anti-ciência transbordam, e as milícias e corrupções se escancaram, muito mais do que em outros tempos. Só o grande capital especulativo está tendo vantagens. E isto não é bom para o Brasil e nem para a maioria dos brasileiros.
– Ah! Mas você é um petista que tem bandido de estimação. Não tem conversa com você.
– Na democracia a gente pode ser petista ou filiado a qualquer outro tipo de partido político ou ideologia democrática. O que não pode é idolatrar torturador e psicopata, como faz o Bolsonaro em relação ao tal de Ulstra, nem ser envolvido com o crime organizado das milícias, que salta aos olhos de quem acompanha a cena política atual.
– Ah! Petista é tudo igual! Vocês são viciados.
– Não! Petista é cidadã e cidadão, geralmente com uma história de defesa dos direitos humanos e um bom conhecimento de conjuntura política. Não é melhor do que ninguém, mas também não é pior. Vamos buscar o diálogo e vamos respeitar a todos. Porém, queremos respeito a nossos pontos de vista. Também, respeitemos o Papa, que é um homem iluminado, a serviço do bem-comum do Evangelho, e ao Lula, que culpado ou inocente, tem o direito de buscar a bênção de Deus como qualquer um de nós. Abraços.
* Professor de História, sociólogo e mestre em Políticas Públicas.


















