Autor: Levon Nascimento

  • Taioba (Xanthosoma sagittifolium)

    * Levon Nascimento


    A taioba tem alta concentração de nutrientes e alimento adequado para crianças, atletas e idosos. Pesquisas feitas com a hortaliça ao longo das últimas décadas detectaram em suas folhas grande concentração de vitamina A (superior a brócolis, cenoura ou espinafre) além de vitamina C, ferro, potássio e manganês. Uma planta que é um verdadeiro coquetel vitamínico e que cresce facilmente em qualquer quintal.

    A hortaliça se desenvolve com facilidade em climas quentes e úmidos, típicos de áreas tropicais, em temperaturas médias entre 25 e 35 graus. O solo deve ser bem drenado e preferencialmente indica-se o plantio em área de boa incidência de luz natural.


    Além de todas as características físicas, a taioba, alimento que por existir em abundancia deu nome a nossa cidade Taiobeiras. Mas como será que anda o conhecimento da população do município de Taiobeiras com a taioba?

    Nós perguntamos e os taiobeirenses responderam, confiram nesta matéria o resultado da pesquisa.

    A pesquisa foi realizada no período de 1º a 30 de outubro de 2017, utilizando-se formulário eletrônico nas redes sociais. No total foram 3.114 questionários respondidos.

    1. QUAL A SUA RELAÇÃO COM O MUNICÍPIO DE TAIOBEIRAS-MG?


    2. O QUE É A TAIOBA?


    3. ALGUMA VEZ NA SUA VIDA VOCÊ JÁ CONSUMIU A TAIOBA?


    4. QUAL OU QUAIS PARTES DA TAIOBA SÃO PRÓPRIAS PARA O CONSUMO?

     
    5. A TAIOBA É UM ALIMENTO DE PRESENÇA FREQUENTE NAS PRINCIPAIS REFEIÇÕES DA SUA
    CASA?


    6. COM RELAÇÃO A FACILIDADE DE ENCONTRAR ESSE ALIMENTO NA SUA CIDADE VOCÊ DIRIA QUE ELE É:


    7. VOCÊ CONHECE ALGUMA RECEITA NA QUAL O INGREDIENTE PRINCIPAL É A TAIOBA?


    Já que o tema hoje é taioba, que tal fazer essa receitinha fornecida pelo pessoal da EMBRAPA?
    Taioba refogada (Tempo de preparo: 15min / Rendimento: 4 porções).


    Ingredientes:
    1 maço de taioba.
    1 colher (sopa) de óleo ou azeite.
    Sal e pimenta do reino à gosto.
    1 dente de alho picado.
    Cebolinha verde picada.
    1 cebola média cortada em rodelas.
    Caldo de ½ limão.

    Modo de preparo:
    Lave bem a taioba, folha por folha. Rasgue as folhas em pedacinhos, entre os veios, e lave novamente. Numa panela coloque o óleo, o sal, o alho e a cebolinha verde. Leve ao fogo. Quando estiver quente, acrescente a taioba para refogar, sem tampar a panela, por cerca de 5 minutos, mexendo sempre, ou até que a taioba esteja macia. Se desejar, adicione pimenta. À parte, faça um molho com as rodelas de cebola e o caldo de limão. Derrame este molho sobre a taioba depois que ela estiver pronta. Sugestão: sirva com arroz e feijão.

    Créditos: Embrapa



    O processo de amostragem realizado para o levantamento de dados foi feito de forma não probabilística e por conveniência.

    * Levon Nascimento é professor de História, sociólogo e mestrando em Estado, Governo e Políticas Públicas pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Socias & Fundação Perseu Abramo.
  • Dados de Taiobeiras: só Educação se destaca

    * Levon Nascimento

    Quem tiver a oportunidade de observar os índices que são levados em conta para medir o desenvolvimento humano em Taiobeiras (IDHM), encontráveis de forma bem fácil ao entendimento no site do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), perceberá que ainda temos um longo caminho pela frente. Estamos abaixo das médias do estado e do país.
    Mas, mesmo na microrregião do Alto Rio Pardo, temos muito a melhorar.
    Na renda da população ocupada, o salário médio mensal dos trabalhadores formais, isto é, aqueles com carteira assinada, em dados de 2014, ganha-se em torno de um salário mínimo e meio por mês, enquanto que a soma de toda a riqueza produzida no município (PIB) dividida por cada taiobeirense daria uma renda per capita (por cabeça) em torno de R$ 11.188,70 (Onze mil, cento e oitenta e oito reais e setenta centavos), evidenciando a enorme desigualdade social, certamente uma das causas da vulnerabilidade social crescente e de sua filha mais nefasta, a violência. Dos 17 municípios do Alto Rio Pardo, Taiobeiras ocupa o 5º lugar em renda, resultado ruim, quando se é o segundo em população e se alardeia por meio da propaganda uma suposta posição de destaque na microrregião.
    Em saúde, sempre de acordo com o IBGE, a mortalidade infantil é de 4,08 óbitos a cada mil nascidos vivos (2014). Isso põe Taiobeiras na 4.146ª posição entre os 5.570 municípios brasileiros, 571º lugar entre as 853 cidades de Minas e 14º das 17 do Alto Rio Pardo.
    Destaque apenas na área de educação. O IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2015 revela as notas 6,6 para os anos iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano) e 5 para os anos finais (6º ao 9º). Isso qualifica Taiobeiras como 1º lugar em ambas as etapas da educação básica no Alto Rio Pardo. Lembrando que 6 é a nota mínima considerada satisfatória para o IDEB, mas a série taiobeirense revela crescimento ininterrupto desde que começou a ser medida.
    Portanto, é necessário que o foco dos esforços estatais e da sociedade, públicos e privados, se referencie nesses dados para alavancar o desenvolvimento humano taiobeirense. Talvez uma das formas para se começar a vencer o mal da violência, especialmente entre os jovens, tão massacrante na atualidade.
    Outro dado que merece destaque é o quanto a escola e os profissionais em educação, tão relegados a segundo ou terceiro plano, têm sido os artífices do que de melhor Taiobeiras tem produzido em termos de desenvolvimento. Somos primeiro lugar em educação na microrregião, mas ainda temos muito que avançar.
    Observação: Todos os dados foram colhidos no site: cidades.ibge.gov.br.
    * Levon Nascimento é professor de História, sociólogo e mestrando em políticas públicas pela Fundação Perseu Abramo & Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais.
  • Saudação de Tânia Ladeia a Lula em Salinas

    Tânia Ladeia recepciona Lula em Salinas

    * Tânia Ladeia Magalhães

    Companheiras, companheiros! Conterrâneos, colegas, amigos das cidades circunvizinhas.

    Querido presidente Lula, esperamos 36 anos por sua volta em Salinas. Estamos felizes, honrados e a utopia toma conta do nosso coração, como naqueles dias, princípio de lutas, convicções, trabalho de base, objetos e conquistas.

    Lembro-me bem da sua chegada aqui. Meu pai disse, convencido da importância do metalúrgico, do sindicalista arrojado e corajoso: esse homem eu quero ver. Porque ele já sabia através dos jornais, dos programas de rádio, e da própria TV que esse homem não era qualquer um. E naquela expectativa de ver o homem, ele ficou sabendo que não foi possível o comício ou ato público no mercado recém-inaugurado. O delegado mandara impedir. Então meu pai foi para a porta e bradou em alta voz: – “Esse homem é recebido em qualquer país como ministro de Estado e não pode fazer um comício em Salinas, pois faz aqui na porta”.

    E aconteceu o maior, o melhor comício que já vi na minha vida. Todos que estavam lá, olhavam para você como se esperassem um milagre. A maioria era jovem, todos acreditando em novas possibilidades, pois o ranço do coronelismo aqui ainda era muito forte, em novas formas de viver, em saídas, em realizações de sonhos.

    E todos que estavam lá naquele comício continuam com você. Ali nasceu o PT. Descobrimos então que é preciso, em primeiro lugar, olhar para baixo e não planar sobre as nuvens. Quem não tiver coragem e desejo de olhar para baixo, nunca poderá compreender a verdadeira situação do país.

    Você sabe olhar para baixo, para a frente e para os lados. Nós lhe agradecemos, Lula porque você nos coloca no mais alto patamar da esperança. Essa honra, gostaria de dividir com vários companheiros que também gostariam de estar aqui e falar para você: Não sei se sou merecedora, mas tenho certeza de que todos o admiram e a vontade é enaltece-lo e apontar o que estamos esperando e querendo para o futuro do país.

    Estamos vivendo agora uma crise hídrica gravíssima.  Setenta e nove municípios aqui da região estão sem água. E a monocultura e as mineradoras continuam invadindo o cerrado, matando as nascentes e violentando a nossa caixa d’água. Em contrapartida temos o Instituto Federal, que por suas mãos veio contribuir muito com a região.

    A possibilidade da classe trabalhadora não é mais possível. É com luta que conquistamos. E a conquista através da luta é mais importante que qualquer privilégio.

    Em 2002 foi o grande momento da classe trabalhadora com sua vitória. É o momento da história que oportuniza as lutas da classe trabalhadora e essas lutas significam que os trabalhadores melhoram de vida. É difícil para muita gente entender isso, mas quando entende ninguém segura mais.

    Foi Karl Marx quem disse: “A humanidade só coloca perguntas que ela mesma é capaz de responder”. E nós sabemos, presidente, o que queremos para nós é para o nosso Brasil. OLHA VOCÊ AI.

    * Tânia Ladeia Magalhães é professora aposentada, presidenta do PT em Salinas (Norte de Minas Gerais). Esse é o texto do discurso feito por ela na praça, em recepção ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 26 de outubro de 2017, durante sua passagem por Salinas, na caravana Lula Pelo Brasil – Minas Gerais. O fato narrado por Tânia ocorreu em 1981, quando o operário Lula esteve pela primeira vez na cidade, para fundar o PT, e foi impedido pela ditadura militar de fazer um comício em frente ao Mercado Municipal. O pai de Tânia, Rodrigo Magalhães, abriu as portas de sua casa, situada na praça central de Salinas, para Lula realizar sua conversa com o povo.
  • Meus pequenos escritos de outubro

    Salinas, 26/10/2017. Foto: Alex Sandro Mendes.

    O que é um indivíduo fascista? É aquele que se incomoda com a opinião política, social, filosófica e cultural dos outros. E, além disso, pratica assédios e ataques, virtuais e físicos, aos que pensam e agem diferentemente dele. Em resumo, o fascista é um fundamentalista, um projeto de terrorista.
    (29/10/2017)

    Perguntar não ofende: O cristão que defende liberação do porte de armas (indiretamente, maior mortalidade), permissão aos agentes da segurança pública para mais matar do que usar as tecnologias de inteligência, inferioridade feminina (machismo), zombaria com quilombolas e indígenas (racismo) e intolerância às pessoas homossexuais (homofobia) age verdadeiramente como seguidor de Jesus Cristo?
    (29/10/2017)

    Juiz permite que frases desrespeitosas aos direitos humanos não sejam motivos para zerar a nota da redação do Enem. Que justiça é essa que autoriza a promoção da maldade e do ódio? O golpe abriu os portões do inferno no Brasil.
    (27/10/2017)

    Em 2018 não teremos mais que duas opções, o eleitor se comportará como Hitler ou Mandela, a favor da morte ou defensor da vida digna, ogro ou cidadão, canalha ou companheiro, egoísta ou solidário, boçal ou inteligente, “Minion” ou Humano.
    Em tempo, feliz aniversário aos amigos e amigas de hoje, em especial ao grande estadista que se encontra em Montes Claros, Luiz Inácio Lula da Silva.
    (27/10/2017)

    Durante a visita do ex-presidente Lula ao campus do IFNMG em Salinas reencontrei vários ex-alunos meus que agora estudam lá. Que cabeças boas, esclarecidos, livres das urucubacas preconceituosas!
    (27/10/2017)

    O deus da bancada que se diz evangélica na Câmara Federal (a que salvou Temer da investigação), invocado no microfone do Congresso, deve ser escrito com inicial minúscula, com o mesmo “d” de dinheiro. Não é o Deus amoroso e justo de Jesus de Nazaré nem de nenhuma outra crença que celebra a justiça e a compaixão. É ídolo. É Baal.
    P. S.: Minha crítica é exclusivamente aos deputados que usam a religião evangélica para acobertar suas sem-vergonhices. Respeito o povo evangélico.
    (26/10/2017)

    – A culpa é do PT que pôs o Temer de vice.
    – Na vice, sim, infelizmente. Mas quem o colocou na presidência foram os patos, eleitores de Aécio, que saíram de amarelo às ruas batendo em panelas contra a “corrupsaum” e apoiando o golpe.
    – Ah, mas a Dilma acabou com o Brasil.
    – Que nada! Todo mundo sabe que ela caiu porque não aceitou que o PMDB roubasse. Então fica com o Temer, que para se livrar das denúncias gastou com os deputados 32 bi, mais do que o orçamento de um ano de todo o programa Bolsa Família.
    – Nossa bandeira jamais será vermelha!
    – Só que não! Já olhou sua conta de luz? Ficou sabendo que Temer vendeu hidrelétricas da CEMIG para a China da bandeira vermelha?
    (26/10/2017)

    De que lado deveria estar um afro-ameríndio-descendente, filho, neto, bisneto… de trabalhadores escravos, semi-escravos, analfabetos, semi-analfabetos, que teve a oportunidade de usufruir da política pública da educação e de participar da formação cristã libertadora nas pastorais sociais da Igreja? Do lado da “Casa Grande” que nunca suportou sua gente nem as oportunidades que ele teve? Ou do lado da “senzala”, da gente igual a ele, da transformação social e da luta pela redução das desigualdades? Esse sou eu e estou do lado do povo brasileiro.
    (25/10/2017)

    – As contradições da sociedade brasileira:
    * Quando o assassino é “de menor”, mas filho de “gente de bem” (leia-se: de classe média ou alta), é tratado como vítima, sofredor de problemas psicológicos, enfim, alguém que merece cuidados e uma segunda chance.
    * Quando o “de menor” é filho de pobre, mora na periferia ou é negro, aí a turba clama por redução da maioridade, linchamento ou cadeia.
    – Não adianta dizer que não é bem assim. É assim.
    – De minha parte, penso que todos deveriam inspirar cuidados e segundas chances de se tornarem pessoas aptas ao convívio cordial na coletividade.
    (22/10/2017)

    – Pode-se falar de comunismo na escola? Claro que sim.
    – Assim como do liberalismo econômico de Adam Smith e dos clássicos da economia, de capitalismo, empreendedorismo, feudalismo, fascismo, darwinismo e nazismo, de escravidão e liberdade, de direitos e deveres, de ditadura, judaísmo, cristandade e homossexualidade, de democracia, drogas, islamismo e religiões, de esquerda e de direita, de algarismos e alfabetos, de gregos e troianos, de incas, astecas e maias, de iorubás, bantos e egípcios, e do que mais existir na vida e nas relações humanas.
    – A escola é justamente para se saber das coisas, debater sobre elas, compreendê-las, criticá-las e reconstruí-las. A escola é lugar de acreditar que os seres humanos são inteligentes, de que eles são capazes de pensarem com a própria cabeça e de não se deixarem dominar por outros.
    – Ninguém se torna uma planta ao saber que os seres vegetais realizam a fotossíntese, nem vira Einstein ao aprender raiz quadrada.
    (19/10/2017)


  • Arrebatadores e resilientes: Francisco e Lula

    Francisco em Copacabana, Lula em Salinas

    * Por Levon Nascimento 

    Em quarenta anos de vida, só senti o que vou narrar aqui duas vezes.


    Há pessoas que conseguem arrebatar pelo carisma. Na falta de expressão melhor, é como se uma energia poderosa emanasse delas e atingisse todos à volta. Uma onda de euforia, alegria e confiança se propaga.

    Não são deuses, santos ou entidades metafísicas. Humanos, imperfeitos e que muitas vezes se equivocam como os demais homens e mulheres. Mas são especiais.

    Sua especialidade se encontra na capacidade de liderarem. Não precisam de um exército ou de armas poderosas para imporem vontades. Semeiam ideias. Aliás, sua força e autoridade se concentram justamente na capacidade de se fazerem povo, gente como os outros, demonstrarem suas fraquezas e emoções, mas ao mesmo tempo as transformarem no combustível para a luta, o serviço e o enfrentamento das injustiças.

    Arrebatam multidões por onde passam porque não são covardes e, ainda, porque simbolizam a resiliência dos de baixo, dos rostos sofridos, dos escravizados e excluídos, dos explorados, inspirando compaixão, respeito, confiança, esperança e amor.

    Um desses resilientes arrebatadores com quem tive a experiência da energia que toca a multidão é o Papa Francisco, na praia de Copacabana, em julho de 2013.

    O outro é Luiz Inácio Lula da Silva, em Salinas, Norte de Minas Gerais, na tarde da quinta, 26 de outubro de 2017.

    Francisco é a grande voz mundial contra a ganância capitalista (Baal) destruidora da humanidade e da criação. Enfrenta reações desonestas até mesmo de agentes do clero, mas persiste na Revolução do Evangelho, sem esmorecer.

    Lula, o grande brasileiro, apesar de toda a perseguição midiática, jurídica e ignominiosa, caminha entre o povo de cabeça erguida. Em tempos de descrédito da política como via preferencial para a resolução de conflitos, reúne multidões nas praças do país para falar e fazer política.

    Não discuto aqui os feitos desses dois homens. Exalto a necessidade que a conjuntura atual tem de que prossigam vivos e ativos entre nós, por muito tempo. O amor, a solidariedade e o povo que não tem vez nem voz na agenda dos poderosos desta Terra agradecem.

  • O que significa a vinda de Lula a Salinas em 26 de outubro?

    Visita de Lula a Salinas em 1981
    * Levon Nascimento

    A presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Salinas na tarde da quinta, 23 de outubro, através da caravana Lula Pelo Brasil em Minas Gerais, será um momento de reencontro. Como em 1981, em sua primeira vinda, ainda operário em busca de organizar o PT, virá como símbolo de resistência da luta contra o golpismo de lesa-pátria.

    O povo do Alto Rio Pardo, esquecido pelas tradicionais lideranças que se revezam no poder, amargurado pela seca agravada pela ganância de uns poucos, agredido pela violência crescente e insatisfatoriamente representado nas esferas de poder, terá a chance de rever um velho aliado.

    Sim! Um aliado! E dos grandes!

    Durante os governos de Lula, pela primeira vez na história a região conheceu o que se pode chamar de políticas públicas. Ao invés de favores, direitos.

    A criação do Território da Cidadania do Alto Rio Pardo, como instância aglutinadora de políticas e organizadora da sociedade, foi uma experiência única e produziu frutos. A consolidação da Escola Família Agrícola Nova Esperança, sediada em Taiobeiras, é a joia da coroa dessa brilhante história.

    O “Bolsa Família”, que muitos equivocadamente julgam assistencialismo, salvou famílias da fome, empoderou mulheres chefes de núcleos familiares e proporcionou a universalização do acesso à educação fundamental no Alto Rio Pardo.

    A integração da antiga Escola Agrotécnica Federal de Salinas à rede dos Institutos Federais de Educação garantiu ensino tecnológico, técnico e superior de qualidade na microrregião, garantindo a jovens de todos os estratos sociais, principalmente das famílias trabalhadoras, o acesso ao conhecimento e à profissionalização.

    O “ProUni”, o “Sisu” e a vitaminação do “FIES” garantiram universidade para muita gente que jamais teria a oportunidade caso persistissem as velhas políticas de segregação do ensino superior, anteriores a Lula.

    O “Programa de Aceleração do Crescimento” (PAC) deu à maioria das cidades a possibilidade de pavimentação de ruas, de construção de redes de saneamento e esgotamento sanitário, uma velha demanda da saúde pública regional. Só para lembrar, antes de Lula Taiobeiras tinha 0% de rede de esgoto, uma marca vergonhosa para um município que se gaba do planejamento urbano desde tenra idade.

    Os financiamentos do “Minha Casa Minha Vida” permitiram o acesso ao sonho da casa própria a muitas famílias.

    O “Compra Direta” fez a merenda escolar mais nutritiva e aumentou a renda dos agricultores familiares locais.

    As políticas para a agricultura familiar, o “Programa de Cisternas” (caixas para armazenamento de água) e vários outros do mesmo tipo fizeram com que não houvesse uma onda gigantesca de migração, como ocorria no passado, mesmo com a região enfrentando a mais grave seca de que se tem notícia na história.

    O “Luz Para Todos” levou iluminação e informação às famílias da zona rural.

    Com Lula, o Brasil crescia e o povo tinha esperança. O Alto Rio Pardo se projetou, alcançou melhorias que antes eram apenas sonhos. Claro que não o suficiente, mas inéditas.

    Esqueçam do Lula que a velha mídia carcomida por interesses patrimonialistas e imperialistas, antinacional por origem e princípio, apresenta debochadamente. O Lula que sofre lawfare (perseguição jurídica baseada em muitas acusações e pouca ou nenhuma prova) por parte dos luminares de Curitiba mimetiza o povo resistente do Alto Rio Pardo, gente de potencial que resvala na elite tosca que teima em dirigir para o precipício os rumos da microrregião.

    E não chamem os que forem a Salinas vê-lo de ignorantes. São de tudo, menos isso. Potencialmente, pessoas atentas ao cenário e que sabem perfeitamente de que lado estão as lideranças e as instituições nacionais, se do povo ou de interesses mesquinhos. São os brasileiros corajosos a ponto de desafiarem as tramas do golpe, a retirada de direitos e a destruição da Nação. São os verdadeiros patriotas de que o Brasil necessita.

    O Lula que vem a Salinas é mais do que o homem, imperfeito e frágil. É o símbolo histórico do sertanejo que, apesar da crueza da seca, da ruindade dos coronéis e das agruras da vida, cisma em continuar vivo, pelejando, em romaria pelas estradas da vida, rumo à esperança da dignidade que só os fortes hão de conhecer.

    Lula e o povo do Alto Rio Pardo são duas lendas. São vitoriosos por serem justamente quem são, contra toda sorte de exploração e de exploradores.

    Bem-vindo, Lula. Pode chegar, a casa é sua.

    * Levon Nascimento é professor de História e mestrando em Estado, Governo e Políticas Públicas pela Fundação Perseu Abramo. Mora em Taiobeiras/MG, uma das cidades do Alto Rio Pardo, desde os três anos de idade.
  • Moralistas e manipulação

    As pessoas estão mais preocupadas com performances supostamente escandalosas em universidades, museus e teatros, coisas irrelevantes se levado em consideração o público que atingem, do que com as REALMENTE ESCANDALOSAS medidas adotadas por Temer e seu bando, tais como:
    * Liberação do trabalho escravo pela supressão de importantes critérios de fiscalização;
    * Retirada dos direitos trabalhistas;
    * Volta do Brasil ao mapa da fome;
    * Venda do pré-sal, de terras agricultáveis, de reservas florestais e de usinas hidroelétricas a empresas estrangeiras;
    * Aumento dos combustíveis, da energia elétrica e do gás de cozinha;
    * Seca natural historicamente agravada pela ação predatória do capitalismo;
    * Massacre de indígenas e populações faveladas;
    * Intensificação do clima de ódio e de intolerâncias em diferentes frentes no país (de classe, racial, de gênero, ideológica e política);
    * Diminuição abusiva de recursos para a saúde, a educação, a seguridade social e a agricultura familiar, devido à aprovação da PEC do teto;
    * Etc.
    A isto se dá o nome de LAVAGEM CEREBRAL, alienação, emburrecimento ou imbecilização. E dá-lhe videozinho, gif e memes idiotizantes no WhatsApp e no Facebook.
    Geralmente, moralismo exacerbado e hipocrisia andam de mãos dadas.

    Seja mais inteligente do que essa turma que se deixa conduzir pelo vento do moralismo de ocasião.
  • Beleza e capim

    A atenção do povo está em vídeos de WhatsApp que falam de moralidade e pedofilia nas artes.

    Enquanto isso, as elites lésa-pátria vendem as hidroelétricas e partes da Petrobrás para os estrangeiros, aumentando o preço dos combustíveis, do gás de cozinha e da energia elétrica; devastam as florestas, matam os índios e consomem o cerrado, agravando a seca e fazendo faltar a água; cometem abusos acima da lei nas lava-jatos estatais, violando ainda mais a nossa frágil ou inexistente democracia; retiram os direitos trabalhistas, de seguridade e previdenciários, transformando este mesmo povo em semi-escravos; aprovam leis inconstitucionais, retroagindo o país à Idade Média e a uma teocracia canhestra; perante a mudez do povo, que só enxerga a imoralidade… nas artes.

    Nunca o termo “alienação” foi tão bem empregado. É como aqueles tapa-olhos colocados em animais que puxam carga, de modo a fazê-los não se desviarem do trajeto ao impedi-los de ver o capim das margens, o que poderia lhes alimentar na longa jornada. Só veem a estrada árida.


    Triste é o povo que dá valor à voz do opressor e despreza o chão que pisa. Não lhe sobrará beleza nem capim.

  • Arte, polêmica e obscurantismo

    A Negra e Abaporu, obras de Tarsila do Amaral
    Museus, exposições, lançamento de livros, saraus literários-poéticos-musicais, peças de teatro, sessões cinematográficas, vernissages e outros eventos artísticos são também manifestações da cultura que merecem ter espaço na vida das pessoas. Pode-se não concordar, criticar, gostar, elogiar ou decidir não ver determinada expressão, jamais censurar.
    Eu detesto funk, mas isso não me dá o direito de querer proibi-lo ou de impedir quem o quiser fazer, ouvir ou dançar.
    Já pensou se a estátua do Davi, de Michelangelo, o quadro do Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli, as pinturas da Capela Sistina, ou as obras de Picasso e Tarsila do Amaral fossem censuradas? À sua época, eram criticadas pela moral vigente. Dificilmente o senso comum as consideraria como arte ao tempo de cada uma.
    Como ficaria a medicina se Da Vince não tivesse estudado e desenhado a anatomia de cadáveres humanos? No século dele, aquilo era considerado sacrilégio e profanação. Pararia na fogueira da inquisição se denunciado.
    Sem contar as descobertas científicas, sociais e econômicas, muitas delas atrasadas por séculos devido a preconceitos moralistas ou a dogmas religiosos fundamentalistas. Não teríamos vacinas, tratamentos medicinais, iluminação elétrica e viagens intercontinentais se aqueles raciocínios obscurantistas vencessem. Igualmente, as mulheres ainda seriam servas domésticas dos homens, os negros permaneceriam escravos, a educação escolar apenas para o sexo masculino e o direito de nascimento da nobreza persistiria como ordem celeste, emanada do próprio Deus.
    Portanto, tenha cuidado antes de embarcar na cruzada “moralista” puxada por grupos extremistas brasileiros, muitos deles se passando por religiosos e defensores da infância. Ela é conduzida por políticos e grupos que têm muitos objetivos. O menor deles é o de combater a pedofilia verdadeira. Menos ainda, o de lutar pelo futuro das crianças reais, principalmente daquelas que vivem nas periferias, nos morros ou nas áreas de risco da criminalidade.
  • Minhas memórias

    Em janeiro de 1985 – com oito anos de idade – vi pela TV, sem entender direito, a eleição indireta no Congresso que elegeu Tancredo Neves e pôs fim à ditadura militar (1964-1985).

    Em 1986, a professora da 3ª série trabalhou uma revista em quadrinhos publicada pelo Governo de Minas Gerais que falava sobre Democracia, Assembleia Constituinte e Constituição. Encantei-me com as três expressões e elas nunca mais saíram de minha vida.

    Depois fui compreendendo mais, diferenciando “ditadura” de “democracia”, da 5ª à 8ª série, com uma excelente professora de História.

    O Ensino Médio e a militância na Pastoral da Juventude me ajudaram a consolidar as intenções democráticas e as utopias da participação política e da igualdade social.

    A graduação em Ciências Sociais me deu fundamentos para o caminho.

    Entre 2003 e 2014, o Brasil viveu o seu melhor momento histórico: superação do flagelo da fome por força de políticas públicas de distribuição de renda, criação de muitas novas universidades, triplicação do número de estudantes em cursos superiores e pós-graduações, com inclusão de jovens pobres, negros e indígenas, programas habitacionais massivos, política externa altiva e ativa e as menores taxas de desemprego desde que se começou a medir, tudo isso sem retirar direitos, antes pelo contrário. Brasil, ator global de relevo.

    Mas ingenuamente eu era um evolucionista social. Acreditava piamente que o atraso do arbítrio ditatorial estava sepultado e que nunca mais 1964 ou o nazifascismo se repetiriam. Ledo engano!

    Vieram 2016 e um outro golpe, desta vez jurídico-midiático-parlamentar, contra a suposta corrupção de uns, preservando os de sempre, novamente depondo da presidência alguém que fora eleita com a maioria dos votos dos brasileiros sem que ela houvesse cometido crime de responsabilidade, conforme reza a Constituição de 1988. Como em todos os outros momentos, para interromper a macha do país ao desenvolvimento, à diminuição das desigualdades históricas e ao seu posicionamento como grande partícipe no palco mundial.

    Foi assim também em 1889, 1937, 1945, 1954, 1964…

    E depois dos golpes, sempre as ditaduras. Esta, não mais militar, mas novamente arbitrária, judiciária e fascista.

    Seu estágio, no momento, é o do Estado de Exceção, dos julgamentos-linchamentos ideológicos conduzidos por agentes do Estado em conluio com a grande mídia (como o que levou o reitor Cancellier ao suicídio e o que pode impedir o maior estadista da história brasileira de disputar 2018), de escandalização da arte por moralistas sem moral, para desvio do foco da esbórnia neoliberal, e da venda de todo o patrimônio do Brasil por lésa-pátrias que se vestem da Bandeira Nacional e se fingem de patriotas e nacionalistas exaltados, enquanto condenam o povo, os pobres e os trabalhadores à eterna senzala, pena a qual estes tristes trópicos estão sempre a pagar.

    Mas eu continuo a acreditar em Democracia, na Constituição e na Igualdade Social.

  • Destruição da família: exposições em museu ou a retirada dos direitos?

    A estratégia da direita política brasileira é cristalina como água potável e suja como resíduos de esgoto: RETIRAR DIREITOS DOS POBRES E TRABALHADORES E AUMENTAR A ACUMULAÇÃO DE CAPITAL DOS MUITO RICOS.

    Como esse objetivo não ganha eleição se for confessado abertamente numa campanha, a direita desvia a atenção do público para assuntos irrelevantes, que normalmente atingem parcelas ínfimas da sociedade, mas de grande apelo popular num país conservador e de baixa formação educacional, como o Brasil, quando manipulados para interesses políticos: a suposta pedofilia em performance no MAM, exposições críticas e polêmicas em museus e temas ligados às pautas de gênero, enfim a “destruição da tradicional família brasileira” e dos “valores da sociedade ocidental”. Muita gente religiosa, de bom coração, acaba se deixando levar por esse desvio de foco.

    Tudo isso enquanto a verdadeira família está ameaçada pelo desemprego, pela terceirização e pelo aumento da idade de aposentadoria, que farão os pais e avós trabalharem mais e ganharem menos, ficando longe dos filhos e netos; pela PEC do teto aprovada em 2016, que congela os recursos para a saúde, a educação e a seguridade social por 20 anos (hospitais, escolas e municípios já estão sentindo a diminuição dos recursos e dos repasses dos governos federal e estaduais); com uma criança pobre presa na mesma cela que um pedófilo; com índios trucidados por ruralistas; com a venda da Amazônia, de hidrelétricas, de terras e da soberania nacional a estrangeiros; com o desmonte do conteúdo nacional nas prioridades de compras do governo federal; com o corte das políticas sociais de transferência de renda e dos programas de acesso dos mais pobres e negros às universidades; com o estado policialesco irresponsável promovendo linchamentos e levando pessoas honradas ao suicídio, como ocorreu com o reitor da UFSC; etc.

    Mas nada disso importa à direita e aos seus militantes. Eles só querem escandalizar a população através do discurso moralista, abusando do nome de Deus e de trejeitos religiosos, se possível, impedindo eleições livres em 2018.

    E, se tudo der errado, prender o candidato com maior possibilidade de melhorar a vida dos pobres, ainda que contra ele só haja delações e nenhuma prova cabal, acusando-o de coisas irrisórias se comparadas ao poderio que deteve nas mãos, e implantar um regime de terror, torturas, censura e morte de vozes críticas, assim como o nazifascismo original realizou na Alemanha e na Itália. Temos pelo menos dois candidatos a Hitler ou Mussolini. Um mais escrachado, outro mais assessorado pelo marketing à moda Trump, das “fake news” ao discurso agressivo e mentiroso. Em ambos os casos, o odor de morte exala.

    Quem tiver olhos que veja. Quem tiver ouvidos que ouça. Quem tiver nariz que o tape
  • Sobre a tragédia de Janaúba

    Sobre a tragédia de Janaúba, algumas postagens de desespero na rede social.


    O grande mistério do mal, do diabo, do caos, ou do ódio, ou como o queiramos chamar, quase sempre uma estratégia bem sucedida, é que ele nos infecta de indignação, vontade de vingança, mais ódio e ruindade.

    É preciso ser forte e romper com este ciclo da maldade, ser compassivo e misericordioso. Menos vingança, menos raiva, mais solidariedade, justiça e perdão.
    (06/10/2017)


    A reação instintiva de todos nós é classificar o vigia que ateou fogo em si e nos inocentes de monstro.

    Outros, bradam que é possessão demoníaca. É fácil adjetivar o horror.

    Difícil é enxergar que a tragédia e a monstruosidade habitam em todos nós humanos, assim como também a misericórdia, a compaixão e o heroísmo, materializados na professora que morreu bravamente tentando salvar seus alunos e nos que prontamente atenderam os desesperados com gotas de solidariedade.

    É uma encruzilhada diária, diante da qual devemos discernir continuamente entre o exercício do ódio, da raiva e do mal ou o do amor, da tolerância e da bondade.

    “Escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19).
    (06/10/2017)


    Baseando-me unicamente nas imagens vistas em redes sociais e na televisão, pareceu-me que a creche era um espaço adaptado, desses que o poder público improvisa para o “povão”, de modo a servir educação infantil a crianças pobres, filhos e filhas das classes humildes e trabalhadoras.

    O atentado poderia ocorrer em qualquer lugar, inclusive numa escola particular bem estruturada? Sim, e seria igualmente trágico e injusto com as crianças.

    Mas o que a realidade parece mostrar é que a pobreza e o tipo de serviço que se oferta aos pobres facilitaram e agravaram ainda mais o horror.

    Se eu estiver errado quanto às condições da creche, me corrijam, que humildemente mudarei a impressão que tive e este texto de lamento.
    (06/10/2017)


    Professores:

    Falam tão mal dos professores. Pagam tão mal. Têm condições de trabalho tão difíceis.

    Inclusive, querem lhes imputar todas as mazelas sociais.

    Acusam os professores de doutrinadores.Retiram sua autoridade pedagógica.

    Mas, lembrem-se, professores entregam suas vidas pelo futuro de outras pessoas. Recordem-se da professora Heley de Abreu Silva Batista, de Janaúba.
    (06/10/2017)
  • Tchau, querida (estabilidade)!

    Vi muitos servidores públicos felizes com o impeachment da Dilma.

    Não tinha argumento meu que os ajudasse a pensar diferente.

    Falei que o golpe contra Rousseff era só uma manobra para acabar com os nossos direitos de trabalhadores.

    Chamaram-me de fanático, partidarista, petralha, mortadela, esquerdopata, blá blá blá. Essas idiotices de gente que nunca se dedicou a ler mais do que um “meme” do Ilisp sobre política.

    Hoje, a turma que “impichou” a presidenta aprovou o fim da estabilidade para servidor público numa comissão do Senado. Logo-logo vota no plenário. Tudo isso, enquanto desvia a atenção dos despreparados para se indignarem com exposições em museus.

    Eu não sei se rio porque estava certo ao alertar os colegas ou se choro junto com os coitados que me mandaram estupidamente “Tchau, Querida” pelo Whatsapp na noite de 17 de abril de 2016.

  • A experiência, o serviço e a luta

    Por Levon Nascimento

    À medida que se avança nas experiências da vida, aprende-se a conhecer o espírito humano e a diferenciar quem nos usa de quem nos aprecia.

    São raros os contatos, as ligações e os convites para oportunidades, reconhecimentos e solidariedade com as lutas que travamos.

    Ao contrário, quase sempre somos “intimados” a fazer, a servir, a nos expor e a obedecer. Geralmente para colocarmos a cara a tapa em contextos nos quais os que nos convocam não têm a coragem de o fazer, muito menos de seguir nossos passos ou de serem solidários conosco.

    Nada contra servir solidariamente. Aliás, a formação em pastorais sociais da Igreja Católica progressista me envia para isso. É pelo Ressuscitado e pelos pobres.

    Mas se aprende, nas dificuldades da caminhada, o porquê da luta, por quem e com quem lutar: por uma sociedade mais justa, para aqueles que nada podem nos oferecer de retorno, uma vez que nada possuem, e com quem nos é parceiro, amigo e fraterno na militância.

    Os que nos usam e “escravizam” não merecem nossas energias.

  • O Alto Rio Pardo precisa ser visto pelos governos

    Beatriz Cerqueira, Tânia Ladeia e Levon Nascimento durante
    a Plenária Regional de Educação do Sind-UTE/MG em Salinas/MG
    SÍNTESE DA MINHA INTERVENÇÃO NA PLENÁRIA REGIONAL DA EDUCAÇÃO EM SALINAS (24/09/2017)
    Por Levon Nascimento, professor de História.
    O Alto Rio Pardo tem características históricas, sociais e econômicas comuns. É um região humana e potencialmente rica do Norte de Minas Gerais.
    Precisa alcançar também a visibilidade e o respeito no esquema organizacional do Estado de Minas Gerais. Não é mais admissível que a região não seja sede de campi de universidades públicas de relevo ou que esteja esquartejada quanto à estrutura do sistema de ensino estadual, com municípios distribuídos e divididos entre as SREs de Montes Claros, Janaúba, Araçuaí e Almenara.
    Também não é possível que tenhamos como principal acesso, sem qualquer sinal de melhoria, a temerária BR-251, um verdadeiro corredor da morte, nem que seja destino apenas de ambulâncias e viaturas, sem investimento efetivo em saúde, segurança, seguridade e políticas públicas de promoção da dignidade humana.
    A gestão da água e dos recursos do meio ambiente precisam ser encaradas com o olhar criterioso dos interesses públicos e humanos, não o do capital e da ganância de uns poucos grupos econômicos.
    Enfim, é preciso avançar também na integração das manifestações culturais e na valorização dos agentes que promovem a essência “de ser” do povo geraiseiro alto-riopardense.
    P.S.: Os municípios que compõem o Alto Rio Pardo são: Taiobeiras, Salinas, Rio Pardo de Minas, São João do Paraíso, Águas Vermelhas, Rubelita, Montezuma, Berizal, Novorizonte, Fruta de Leite, Santa Cruz de Salinas, Santo Antônio do Retiro, Vargem Grande do Rio Pardo, Berizal, Indaiabira, Ninheira, Curral de Dentro e Divisa Alegre.
  • Cidades do Alto Rio Pardo são ricas em literatura

    Mosaico com capas de livros do Alto Rio Pardo

    Tendo a porção mineira do Vale do São Francisco a oeste, o Vale do Jequitinhonha a sul e leste e o Sudoeste baiano a norte, a microrregião do Alto Rio Pardo, no Norte de Minas Gerais, produz cultura literária com muito empenho.

    De variados estilos, livros têm sido publicados cada vez com mais frequência.

    Taiobeiras, Salinas e Rio Pardo de Minas lideram a produção de literatura da região que engloba ainda as cidades de São João do Paraíso, Berizal, Ninheira, Montezuma, Santo Antônio do Retiro, Vargem Grande do Rio Pardo, Águas Vermelhas, Divisa Alegre, Santa Cruz de Salinas, Rubelita, Novorizonte, Fruta de Leite, Indaiabira e Curral de Dentro.

    São estudos acadêmicos, memórias, artigos de opinião, crônicas, contos, poesias, cordel e relatos históricos.

    Veja abaixo uma lista dos exemplares que detenho em minha biblioteca pessoal, de vários autores, incluindo os que eu mesmo já publiquei até o momento. Mas tem outras publicações, às quais espero em breve garimpar e compartilhar com os leitores do Blog.

    – Cônego Newton de Ângelis

    O cônego premonstratense Padre Newton de Ângelis, natural de Rio Pardo de Minas, publicou uma coletânea de textos extraídos de livros da Igreja, da Câmara Municipal e de cartórios de sua cidade natal, em quatro volumes que se constituem em preciosos registros históricos e fontes de pesquisa para toda a região do Alto Rio Pardo. O título: Efemérides Riopardenses (1698 – 1972).

    – Avay Miranda

    O juiz aposentado Avay Miranda, natural de Taiobeiras, escreveu primeiramente o livro Crônicas: Desenvolvimento, Política e Folclore em 1986, no qual elenca uma série de artigos de opinião publicados originalmente na imprensa de Montes Claros. Ao final deste livro, publica um breve ensaio sobre a história de Taiobeiras, que desenvolveria anos mais tarde.

    Em 1997, Avay publica em dois volumes a obra Taiobeiras: seus fatos históricos pela editora Thesaurus, de Brasília. Nestes livros ele relata documentos, memórias e informações recolhidas em entrevistas que ilustram a formação e o desenvolvimento do município de Taiobeiras.

    Nesta volume II dessa mesma obra, Avay Miranda cedeu espaço para a professora Maria Antônia Gomes dos Santos escrever um ensaio sobre a história de Berizal, distrito de Taiobeiras que foi emancipado em 1996. Uma dos pontos altos da escrita de Maria Antônia são suas lembranças e relatos de como os jovens berizalenses conseguiam informação crítica sobre o país durante a ditadura militar (1964-1985).

    Como suplemento de Taiobeiras: seus fatos históricos, Avay Miranda também produziu a publicação do livreto Santo Cruzeiro dos Martírios (1997), poema em sextilhas, literatura de cordel, escrito por seu tio Hermínio Miranda Costa, relatando em fantasia os acontecimentos que levaram à edificação de um importante monumento histórico de Taiobeiras.

    – Milton Santiago

    O poeta salinense Milton Santiago, membro da Academia de Letras de Salinas é autor de vários títulos Força da Expressão, Eternas Lições e Poemas para o Mundo.

    Em 2014, Milton lançou Miltonalidades, livro de poemas com capa da artista plástica Lizz Campos (Elisiana Alves). A proposta da obra foi a de explorar os tons (cores) e os sons da poesia.

    Em 2016, Milton Santiago enveredou pelo lado da história da região, para ele uma senhora com muitos rostos, nuances e pontos de vista. Lançou Os Mil Tons da História. A capa novamente foi de Lizz Campos.

    Neste ano, novamente Milton voltou a publicar poemas. Um livro mesclando fantasia, mística e poesia foi lançado: A menina e o poeta. Também com capa produzida por Lizz Campos. Nesta obra, o autor evoca ainda o conceito de Salinidade, expressão que representaria o modo de viver e ser do povo de Salinas.

    – Vladimir Mendes Patrício (Vlade)

    Vladimir Mendes Patrício estreou como autor de livros na última semana (16/09/2017), publicando o livro de memórias e crônicas Um olhar no passado, em que registra suas lembranças da infância e juventude na Rio Pardo de Minas dos anos 1970 até por volta de 2000.

    – Isaías Costa (Zazau)

    O radialista, humorista e poeta taiobeirense Isaías Costa tem publicado vários títulos, entre livros de poesia, de piadas e de “conselhos”.

    Simplesmente Zazau (2013), trás no título a sua síntese: poemas, mensagens, pensamentos e conselho.

    Só rindo e meditando com Zazau (2014), como o nome já indica, une elementos bem distintos como humor e meditação.

    – Fabiano Alves Pereira

    No livro livro Um convite à reflexão, o professor Fabiano Alves Pereira junta artigos de opinião e relatos históricos da contemporaneidade de Taiobeiras, além de descrever suas experiência em educação e música.

    – Lázaro Gomes

    Em obra lançada em 2012, o taiobeirense Lázaro Gomes relata as memórias vibrantes de um jovem que foi estudar no internato da antiga Escola Agrotécnica Federal de Salinas, o atual campus Salinas do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais. Experiência pessoal contada com emoção e vigor juvenil. O título: Longe de Casa: Sonhos e Saudades.

    – Alex Saraiva

    Como estudo acadêmico, o publicitário taiobeirense Alex Saraiva escreveu e publicou Madonna e a Construção da Imagem no Universo da Polêmica Midiática.

    – Levon Nascimento

    Publiquei o primeiro livro em 2006, Palavras da caminhada: superando a falta de memória pública com artigos e ensaios, no qual tornei público textos sobre Taiobeiras e a região que começaram a ser escritos dez anos antes. A proposta foi a de dar munição à memória do povo, propositalmente sempre esquecida do passado, para tornar o presente e o futuro mais humanos e justos.

    Em 2009 veio Blogosfera dos Gerais: Opinião, Testemunho e Outras Reflexões, livro contendo textos críticos, também correlacionados à sociedade contemporânea de Taiobeiras, os quais eu publiquei originalmente em meu Blog na internet.

    Em seguida, minha esposa Flaviana Costa Sena Nascimento e eu publicamos Memorial da Juventude de Taiobeiras (2010), um relato histórico-fotográfico sobre os movimentos organizados de jovens de Taiobeiras, especialmente a Pastoral da Juventude. O livro foi resultado de uma pesquisa financiada pelo Mais Cultura Projetos do Ministério da Cultura.

    A obra Sexagenaius: Reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras, contendo artigos de opinião e entrevistas que retratam criticamente a cidade no período em que completava seis décadas de emancipação, era para sair em 12 de dezembro de 2013, data exata da efeméride. Por motivos diversos, foi lançada oficialmente em abril do ano seguinte. A capa de Sexagenarius é assinada por Lizz Campos.

    Meu último trabalho publicado, neste em junho de 2017, é Crer e Lutar, um livro em que uno mística e crítica política, contos, crônicas e memórias para denunciar a crescente onda de neofascismo que assola a sociedade brasileira. Lizz Campos também é a autora da capa de CRER E LUTAR.

  • Rio Pardo de Minas: Vlade Patrício lança livro

    Vlade Patrício (de gravata, ao centro) no lançamento
    de UM OLHAR NO PASSADO

    * Levon Nascimento


    Na noite de 16 de setembro de 2017, a cidade de Rio Pardo de Minas ganhou um presente: o livro “UM OLHAR NO PASSADO”, obra do comerciante e escritor Vladimir Mendes Patrício, o Vlade.


    Prefaciado por Zenilda Simões Antunes e Dário Teixeira Cotrim, “UM OLHAR NO PASSADO” é uma coletânea de memórias afetivas, pessoais e coletivas, do autor e da cultura rio-pardense.

    Rio Pardo de Minas é a mais antiga cidade do encontro entre o Norte de Minas, o Vale do Jequitinhonha e a região da Serra Geral baiana. Berço da microrregião Alto Rio Pardo, que tem ainda Taiobeiras, Salinas, São João do Paraíso e mais outras treze cidades, é rica em cultura, arte e potencial hídrico-econômico. Por muito tempo se lamentou da falta de atenção e de políticas públicas que geram desenvolvimento. O livro de Vlade, resgatando histórias e saberes do povo, supera esta fase e toma nas mãos as rédeas simbólicas para o avanço cultural dessa importante porção de Minas Gerais.

    Entre as histórias narradas por Vlade Patrício se destacam as memórias de pessoas comuns, imortalizadas justamente pela forma como tingiram o tecido social rio-pardense (e, por que não dizer, norte-mineiro e brasileiro?) com o brilho de suas singularidades, às vezes trágicas, às vezes cômicas, mas extremamente vivas e cheias de conteúdo.

    Na cerimônia de lançamento do livro, no salão de reuniões do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, destacaram-se o recital de poemas da professa Zaide Mesquita, as canções do compositor Ziguileu e a reunião do nascente movimento de escritores, artistas e ativistas culturais do Alto Rio Pardo.
    Como nos ensina o próprio Vladimir Mendes Patrício em seu trabalho, “Os livros têm cheiro e sabor, as palavras nos alimentam a alma, e os textos são como uma magnífica viagem” (2017, p. 12), vamos continuar a trajetória literária pelo curso do nosso Rio Pardo.
  • Doutor Lobisomem

    Astromar Junqueira (Rui Rezende), pernóstico de dia
    e lobisomem à noite, com Mocinha (Lucinha Lins),
     a filha da aristocracia.

    * Por Levon Nascimento

    Respondam-me: o que consegue ser mais brega, atrasado e pé-no-saco (assim mesmo, sem firulas) do que os floreios, as citações em latim, os rapapés, as togas e os vocativos mofados de “vossa excelência” prá cá e “doutor” prá lá, na boca da maioria dos “ilustres” operadores do direito no Brasil? Remontam à cultura bacharelista da colônia e do império (muito latim e pouco trabalho).

    No caso das autoridades judiciárias, guardadas as devidas e merecidas exceções, utilizam-se de um linguajar pernóstico e pomposo, tipo “embromation”, para esconderem que nos custam caro e produzem pouco.

    Quem viveu a década de 1980 – eu tinha uns 10 anos quando passou – se lembra perfeitamente dos discursos sonolentos do professor Astromar Junqueira, papel interpretado pelo ator Rui Rezende na festejada telenovela Roque Santeiro, de Dias Gomes.

    Como nosso Judiciário, de dia Astromar fazia discursos rebuscadíssimos e cortejava a mão de dona Mocinha (Lucinha Lins), filha do prefeito Florindo Abelha (Ary Fontoura); pela noite, virava lobisomem.

  • Terrorismo religioso no Brasil?

    Sete terreiros, templos religiosos de matriz africana, foram invadidos no Rio de Janeiro por bandidos armados que se auto-denominam como evangélicos (veja aqui), humilhando e impedindo os frequentadores de exercerem a sua fé.

    O que é o grupo terrorista Estado Islâmico, senão o desvirtuamento dos ensinos da religião muçulmana? Como você acha que um grupo terrorista religioso começa?

    Vamos deixar que aconteça a mesma coisa com o cristianismo do século 21?

    Quando, no final de 2015, a significativa imagem de Nossa Senhora de Fátima, abrigada na histórica capela octogonal em Taiobeiras, Norte de Minas, foi destruída por um homem supostamente com problemas mentais (veja aqui), que bradava frases típicas de grupos religiosos cristãos anti-católicos – aliás, episódio que nunca ficou bem explicado -, uma luz de alerta se acendeu sobre a manifestação da intolerância religiosa através de formas mais agressivas.

    Também em Montes Claros/MG, a Igreja Matriz foi alvo de uma ação desse tipo, dessa vez por um jovem identificado como membro da Universal, igreja dona da Record (veja aqui).

    As religiões afro sempre sofreram este tipo de ataque, vítimas de intolerância associada ao secular racismo. Os indígenas viram suas crenças serem ridicularizadas e demonizadas pelo colonizador europeu. É preciso ressaltar ainda que no passado as religiões de origem protestante, atualmente evangélicas ou neopentecostais, sofreram muito preconceito e perseguição num Brasil majoritariamente católico.

    Hoje os terreiros, amanhã as igrejas, as casas espíritas, as sinagogas, as mesquitas, a liberdade religiosa e a vida das pessoas. Vamos esperar novas fogueiras inquisitoriais se acenderem?

    Cristão intolerante com a religião dos outros não é verdadeiro seguidor de Jesus Cristo. É blefe, é terrorista.

  • A exposição polêmica e a inquisição fascista

    Inquisição queimava “os diferentes” na fogueira

    “Posso não concordar com uma só palavra sua, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lá”. Frase atribuída a Voltaire, um filósofo iluminista (século XVIII).

    Uma exposição foi fechada em Porto Alegre porque religiosos conservadores e militantes do grupo fascista MBL apelaram contra ela.

    Vi algumas imagens da exposição. Não gostei. Ofendem minha fé. Para mim, obras de mal-gosto e desnecessárias. Mas não me cabe definir o que é arte ou o que é necessário.

    Quem produziu as obras tem o direito de se manifestar e de expor livremente, porque a sociedade deveria ser livre e o Estado, laico.

    Na Idade Média, havia o “index” dos livros proibidos e os hereges eram queimados em fogueiras. Na Alemanha nazista, livros fora do “padrão ariano” também pararam no fogo, e os judeus, em campos de concentração.

    Hoje fecham essa exposição dizendo que ela contem heresias e sacrilégios. Amanhã prendem a você ou a mim por conta da nossa fé e das nossas ideias.

    Não dê alimento ao monstro enquanto ele lhe é útil e destrói aquilo que esteticamente você acha estranho. Lembre-se de que é um monstro. Amanhã ele pode lhe devorar.

    Melhor seguir a máxima de Voltaire, pelo menos até não ameaçar o direito à vida.