Escrito em 20 de abril de 2020.
Sinceramente, diante de tudo o que se conhece e se vê, acerca de Bolsonaro e de suas milícias reais e virtuais, não sei o que dizer a uma pessoa que, em defesa de qualquer atitude criminosa dele e do bando, acredita e argumenta assim: “O homem tá aí resistindo à corrupção, querendo erguer o país e uns bandidos movidos a dinheiro não deixam…”
Eu poderia xingar, falar que a pessoa vive em outro planeta, que é uma alienada ou que se tocar o berrante o indivíduo iria correndo como gado para o matadouro; mas, não!
Essa é uma crença corrente entre milhões de brasileiros, a de que Bolsonaro, apesar de “meio doidão”, é honesto, e de que “os políticos” – como se ele não fosse político há mais de trinta anos (e dos piores) – não querem deixá-lo governar para o povo.
As pessoas que creem nisso também confiam nas boas intenções de Sérgio Moro e que a corrupta Lava-jato vai passar o país a limpo, mesmo com todas as revelações do The Intercept, que comprovam justamente o contrário.
Elas não enxergam que o Congresso Nacional (maioria dos deputados e senadores) aprovou praticamente tudo o que foi enviado por Bolsonaro, o que desmente a tese de que os políticos não o deixam governar, especialmente aquilo que retira direitos dos trabalhadores e piora a vida do povo brasileiro.
Também não tomam conhecimento das tramas do Queiroz, das milícias, das rachadinhas e do gabinete do ódio; muito menos do genocídio de indígenas e de populações periféricas, pelos asseclas de Bolsonaro; ou da destruição da pesquisa, da ciência e da soberania nacional. A irresponsabilidade com a pandemia do coronavírus, então, levou muitos bolsonaristas a arriscarem a própria vida para defenderem o seu “mito” em carreatas pelo fim do isolamento social.
Professam religiosamente que ele é um homem de Deus, cristão, que vai reparar a ordem, a paz e o Evangelho entre nós. Tornaram-se uma religião. Bolsonaro é o “messias” dessas pessoas.
Uma grande parte desses bolsonaristas de carteirinha é de caráter ruim mesmo; noutros, falta aprimorar o aparato cognitivo para além das fake news que chegam nos grupos de WhatsApp.
No entanto, todos foram vítimas de anos a fio de demonização da política e do antipetismo da grande mídia e do mercado financeiro. Tornaram-se zumbis, mortos-vivos pelo ódio político ao pensamento crítico tipicamente de esquerda.
Repetem com gozo: “todo político rouba”, “política só tem sujeira”, “político é tudo ladrão”, “eu não sou político”, “meu partido é o Brasil” e outras bravatas que foram bitolados a falar como se estivessem filosofando em alto nível. Lacram na estupidez.
Para eles, tudo que não é bolsonarista é corrupto, esquerdista, petista, comunista. E nesses três últimos não enxergam absolutamente nada de bom.
Aliás, a grande ironia é que agora eles também atacam a grande mídia, Globo à frente, chamando-a de (risos) comunista. Justo a Globo, que os criou através do esgoto informacional.A loucura é tanta, que até o mega-capitalista George Soros virou um “comuna” vermelho à espreita das criancinhas. Santo é Donald Trump, e tudo que remeta à bandeira norte-americana.
Repito: não sei como argumentar com pessoas que se encontram nesse estado catártico de piração. É essa gente que, em nome de Deus, nos conduz a passos rápidos para uma ditadura e para a morte.


















