Autor: Levon Nascimento

  • Artigo do Levon: A morte na psiquê

    Artigo do Levon: A morte na psiquê

    Escrito em 28 de abril de 2020.

    Na condição de professor de História, sempre ensinei aos meus alunos que a morte era um elemento presente nas artes e no ideário medieval do século XIV, quando ocorreu a grande epidemia da peste bubônica na Europa, ou peste negra, quando uma em cada três pessoas do velho continente morreu da doença.

    Pinturas, livros, sermões e afrescos da época expõem sem cerimônia cadáveres, mortalhas e cores mórbidas.Meus alunos se assustavam. Eu também considerava aquilo um triste ponto fora da curva.

    Pois não é que agora me apanho escrevendo quase que cotidianamente sobre a morte?! Seja para alertar sobre os riscos do coronavírus ou para repudiar as ações genocidas do desgoverno brasileiro; também em minha literatura, inclusive nos poemas compostos para meu novo livro, Acepção.

    Sim, surpreendi-me com a temática que dominou minha psiquê.

    Percebi que a História é cíclica, recorrente e espiral, não evolutiva ou linear, como eu inadvertidamente acreditava.

    Há muito mais do que nos une com as almas da Idade Média, assombradas pela ignorância e superstição, do que daquilo que eventualmente nos separa.

  • Artigo do Levon: Nossos símbolos

    Artigo do Levon: Nossos símbolos

    Escrito em 11 de abril de 2020.

    O ser humano necessita de símbolos.

    Inclusive, pessoas são convertidas em símbolos.

    No caso, símbolo e prática se convergem nas ações do indivíduo.

    Bolsonaro, em si, é como milhões de brasileiros, ou seja, herdeiro de uma cultura má, autoritária, racista, torturadora, egoísta, exploradora e sociopata.

    Lula representa os brasileiros vítimas de exploração, racismo e de seculares humilhações de classe; além daqueles segmentos sociais que acreditam e lutam por um tipo de sociedade mais inclusiva, generosa e democrática.

    Importante destacar que não se pode relativizar a contribuição e a personalidade dos dois, obviamente, porque a pessoa de Lula é historicamente muito superior, qualitativamente, ao indivíduo Bolsonaro.

    Independentemente de Lula, tendo-o como um símbolo que transporá à sua existência física, continuaremos a ter pessoas e grupos lutando pelo que sua figura representa: um projeto de país mais justo, solidário, com democracia e soberania perante o mundo.

    Infelizmente, também sobreviverá o bolsonarismo mesquinho ao próprio Bolsonaro, porque já existia há pelo menos 500 anos nesta Pátria, e é fruto de nossas contradições estruturais. Apenas encontrou um porta-voz à sua altura (digo, baixeza).

    Lutemos sempre para derrotar essa visão/atitude diabólica de mundo.

  • Artigo do Levon: Os velhos

    Artigo do Levon: Os velhos

    Escrito em 23 de abril de 2020.

    Sinto muitas saudades dos idosos que passaram pela minha vida e já partiram. Alguns dos quais eu me entendi por gente e eles já eram velhos.

    Sim, uso a palavra velho. Não vejo defeito na velhice. É nosso objetivo de vida. Ou queremos morrer cedo?

    Saudades, porque eu aprendi bastante desses indivíduos mais vividos.

    Boa parte do meu repertório cultural, por exemplo, vem de madrinha Donila, que morreu em 2011, aos 104 anos. Quando eu nasci, ela já tinha 69.

    Não sabia ler e nem escrever, mas possuía um conhecimento prático e transcendental que muito influenciou meu arcabouço interpretativo, narrativo e espiritual.

    Tem horas que a nostalgia bate em forma de curiosidade.

    Qual seria a opinião, ou a percepção, ou mesmo a intuitividade deles em relação ao que se passa agora em nossas vidas, no presente?

    Bem, já partiram. Tomara que estejam felizes.

    Só lamento que haja sujeitos que não dão a mínima para os velhos e velhas, vivos, que estão em nossas casas e abrigos.

    Para essa gente corrompida pela cultura do descartável, os idosos são fardos improdutivos a serem carregados pelos “novos”.

    Tenho dó de quem não pode contar – ou não quer – com a proximidade formativa de uma pessoa idosa em alguma fase da vida.

    São pobres, paupérrimos, miseráveis mesmo! Nunca conheceram a juventude, de verdade.

  • Opinião: Bolsonaro X Moro

    Opinião: Bolsonaro X Moro

    Escrito em 23 de abril de 2020.

    – Quem é Sérgio Moro?

    – Uai, cê num lembra?

    – Não!- Moro é aquele juiz que mandou prender um candidato que tava disparado na frente das pesquisas pra presidente.

    – Ué?! E foi?

    – Sim. Num processo cheio de falcatrua, só pro candidato não poder disputar a eleição, senão ele ganhava.

    – E depois?

    – Uai sô! Depois, o segundo colocado, que num tinha nem metade das intenções de voto do outro, passou pra dianteira, porque Moro prendeu o primeiro.

    – E…?

    – E ganhou a eleição.

    – E o tal do Moro?

    – Ué! Foi presenteado com um ministério pelo sujeito que ele ajudou a ganhar, com a prisão do que tinha tudo pra levar a eleição.

    – Hum! Eu acho que tô me lembrando do tal Moro. Num é um que agora tá quase levando um chute do Bolsonaro?

    – Esse mesmo! Lá de Maringá…

    23Márcia Barreto, Flavia Josianne e outras 21 pessoas3 comentários2 compartilhamentosCurtirComentar

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  • Artigo do Levon: A imbecilidade fascista e Paulo Freire

    Artigo do Levon: A imbecilidade fascista e Paulo Freire

    Escrito em 22 de abril de 2020.

    A imbecilidade fascista que toma conta do Brasil elegeu Paulo Freire como um de seus inimigos.

    Acusam-no de comunista, como se aderência a um tipo de visão política fosse crime, ou de ser o responsável pelo fracasso do sistema educacional brasileiro, como se aqui as ideias de Freire tivessem sido adotadas na integralidade.

    Em geral, desconhecem que entre os cem autores científicos mais citados no planeta Paulo Freire é o único brasileiro a figurar na lista.

    Também, sua pedagogia é adotada em quase todos os sistemas de ensino do mundo “livre”, desenvolvido e capitalista.

    Plataformas de educação privada, como a Anglo e a Positivo, usam e abusam dos métodos freirianos em suas apostilas e técnicas de ensino, mas os bolsonaristas que têm filhos matriculados em escolas particulares conveniadas a essas empresas acham de implicar com as instituições públicas, que segundo eles são antros de esquerdistas e da “maldita” ideologia de Paulo Freire.

    Caso não tenha entregue o cérebro à seita, recomendo a quem queira uma de suas obras basilares, “A Pedagogia do Oprimido”, escrita no outono de 1968, quando o pensador pernambucano nascido em 1921 no Recife, perseguido pela sanguinária e estúpida ditadura militar do Brasil, teve de se refugiar em Santiago do Chile.

    Eis o link para baixar gratuitamente.

  • Artigo do Levon: Eles acreditam na honestidade do presidente

    Artigo do Levon: Eles acreditam na honestidade do presidente

    Escrito em 20 de abril de 2020.

    Sinceramente, diante de tudo o que se conhece e se vê, acerca de Bolsonaro e de suas milícias reais e virtuais, não sei o que dizer a uma pessoa que, em defesa de qualquer atitude criminosa dele e do bando, acredita e argumenta assim: “O homem tá aí resistindo à corrupção, querendo erguer o país e uns bandidos movidos a dinheiro não deixam…”

    Eu poderia xingar, falar que a pessoa vive em outro planeta, que é uma alienada ou que se tocar o berrante o indivíduo iria correndo como gado para o matadouro; mas, não!

    Essa é uma crença corrente entre milhões de brasileiros, a de que Bolsonaro, apesar de “meio doidão”, é honesto, e de que “os políticos” – como se ele não fosse político há mais de trinta anos (e dos piores) – não querem deixá-lo governar para o povo.

    As pessoas que creem nisso também confiam nas boas intenções de Sérgio Moro e que a corrupta Lava-jato vai passar o país a limpo, mesmo com todas as revelações do The Intercept, que comprovam justamente o contrário.

    Elas não enxergam que o Congresso Nacional (maioria dos deputados e senadores) aprovou praticamente tudo o que foi enviado por Bolsonaro, o que desmente a tese de que os políticos não o deixam governar, especialmente aquilo que retira direitos dos trabalhadores e piora a vida do povo brasileiro.

    Também não tomam conhecimento das tramas do Queiroz, das milícias, das rachadinhas e do gabinete do ódio; muito menos do genocídio de indígenas e de populações periféricas, pelos asseclas de Bolsonaro; ou da destruição da pesquisa, da ciência e da soberania nacional. A irresponsabilidade com a pandemia do coronavírus, então, levou muitos bolsonaristas a arriscarem a própria vida para defenderem o seu “mito” em carreatas pelo fim do isolamento social.

    Professam religiosamente que ele é um homem de Deus, cristão, que vai reparar a ordem, a paz e o Evangelho entre nós. Tornaram-se uma religião. Bolsonaro é o “messias” dessas pessoas.

    Uma grande parte desses bolsonaristas de carteirinha é de caráter ruim mesmo; noutros, falta aprimorar o aparato cognitivo para além das fake news que chegam nos grupos de WhatsApp.

    No entanto, todos foram vítimas de anos a fio de demonização da política e do antipetismo da grande mídia e do mercado financeiro. Tornaram-se zumbis, mortos-vivos pelo ódio político ao pensamento crítico tipicamente de esquerda.

    Repetem com gozo: “todo político rouba”, “política só tem sujeira”, “político é tudo ladrão”, “eu não sou político”, “meu partido é o Brasil” e outras bravatas que foram bitolados a falar como se estivessem filosofando em alto nível. Lacram na estupidez.

    Para eles, tudo que não é bolsonarista é corrupto, esquerdista, petista, comunista. E nesses três últimos não enxergam absolutamente nada de bom.

    Aliás, a grande ironia é que agora eles também atacam a grande mídia, Globo à frente, chamando-a de (risos) comunista. Justo a Globo, que os criou através do esgoto informacional.A loucura é tanta, que até o mega-capitalista George Soros virou um “comuna” vermelho à espreita das criancinhas. Santo é Donald Trump, e tudo que remeta à bandeira norte-americana.

    Repito: não sei como argumentar com pessoas que se encontram nesse estado catártico de piração. É essa gente que, em nome de Deus, nos conduz a passos rápidos para uma ditadura e para a morte.

  • Artigo do Levon: O golpe de 2016

    Artigo do Levon: O golpe de 2016

    Escrito em 17 de abril de 2020.

    No dia 17 de abril de 2016, há exatos quatro anos, foi dado um golpe de Estado no Brasil.

    Retiraram do poder a presidenta da República reeleita em 2014, tendo como argumento político as irrisórias pedaladas fiscais, que nada mais são do que técnicas de contabilidade para alocar os recursos da União, sem prejuízo real para os cofres públicos.

    Portanto, não houve crime de responsabilidade cometido por Dilma Rousseff.

    Na mídia e nas redes sociais, reportagens mentirosas ou com meias verdades demonizavam a presidenta, seu partido político, seus aliados e as suas bandeiras ideológicas.

    O resultado foi a ascensão do fascismo brasileiro, a queda da soberania nacional, a interrupção do processo de redistribuição de renda iniciado no governo do ex-presidente Lula, a crise econômica persistente (com desemprego galopante e desindustrialização), a eleição fraudulenta de 2018, por meio de fake news, e o exercício do poder por este governo da morte (necropolítica) e da mentira (fake news e manipulação religiosa).

    Sei que muitos, infelizmente ainda vítimas da manipulação tramada para a execução do golpe de 2016, não concordarão hoje com esta minha afirmação. Mas, o futuro virá e me dará razão histórica.

  • Artigo do Levon: O projeto da morte no Brasil

    Artigo do Levon: O projeto da morte no Brasil

    Texto escrito para o Facebook, em 16/04/2020.

    Na rusga de Bolsonaro com Mandetta é disputa de ego. Em bom português, ciumeira mesmo. O presidente que nada sabe sobre assuntos importantes, incomodou-se com a desenvoltura de seu ministro da saúde diante da mais grave crise que o país enfrenta neste século: a pandemia da COVID-19.

    O ministro, um direitista que pretendia privatizar o SUS, nem é lá essas coisas; porém, diante do ministério de excrescências do qual é formado o governo Bolsonaro, virou um anel cravejado de diamantes no dedo de uma porca manca. Enquanto isso, o Congresso Nacional aprova mais e mais pacotes bilionários de ajuda aos bancos e retira o resto dos direitos trabalhistas dos pobres. A classe média pensa que não é pobre, mas os direitos dela também foram suprimidos.

    O real problema do Brasil é o projeto de morte que o presidente executa, com a fiel omissão ou colaboração das instituições republicanas. Necropolítica, é o termo.

    Quando Bolsonaro quebra o isolamento social nas periferias de Brasília ou nos braços dos tolos manifestantes vestidos de verde e amarelo, compartilha desinformação em suas redes sociais, propagandeia um medicamento cuja eficácia ainda é tema controverso entre os especialistas, demora em pagar a ajuda emergencial de R$ 600,00 ou R$ 1.200,00 aos pobres, bate nos governadores e prefeitos que implementam medidas de redução das contaminações por coronavírus e estimula, ele próprio, que o povo se infecte, o que está subjacente é uma ação de genocídio contra os mais pobres, os idosos e os que moram nas periferias, que não terão acesso aos serviços de saúde quando vier o colapso do sistema.

    Não se poderia esperar outra coisa de Bolsonaro. Ele nunca enganou a ninguém. Em 1999, numa entrevista à TV, disse que se chegasse à presidência mataria uns 30 mil. Também afirmou que o erro da ditadura militar foi torturar e não matar. Todas as suas palavras, gestos e sinais indicam para a morte.

    É estarrecedor que pessoas religiosas, que se dizem cristãs, enxerguem em Bolsonaro um sujeito guiado por Deus. Tudo em nome de um ódio cego à política e aos ideais igualitários de esquerda. Certamente não é o Deus da vida de Jesus de Nazaré. Talvez algum ídolo que cobra vidas humanas imoladas em altares profanos. No caso, o altar do mercado, dos interesses inconfessos (ou cada vez mais explícitos) de limpeza populacional que a extrema-direita mundial, com sede nos Estados Unidos, tenta consolidar neste triste planeta já tão agredido pela ação consumista humana.

    Bolsonaro é uma peça nessa engrenagem neonazista. Uma luva que caiu muito bem numa mão assassina que desconhece fronteiras. Como outrora os colonizadores infectavam indígenas propositalmente com o vírus da gripe, para matar-lhes e tomarem suas terras; ou como Hitler conduzia multidões de judeus aos campos do holocausto, o que se vê agora no Brasil é um vaqueiro tosco, a conduzir o gado para o matadouro, pelo toque do berrante da ignorância orgulhosa.

    Quem tiver olhos, veja. Quem tiver ouvidos, escute. Proteja-se.

  • Livros de Levon Nascimento

    Livros de Levon Nascimento

    O escritor Levon Nascimento resolveu compartilhar alguns de seus livros já publicados em versão impressa no universo digital da internet, em formato PDF, para consulta dos interessados.

    Os livros podem ser baixados gratuitamente e compartilhados, no entanto, quem o fizer deve sempre citar a autoria e dar os devidos créditos em caso de citações das obras.

    1. Memorial da Juventude de Taiobeiras (2010): conta a história da Pastoral da Juventude em Taiobeiras/MG. Escrito em parceria com Flaviana Costa Sena Nascimento e patrocinado pelo Projeto Mais Cultura do Ministério da Cultura brasileiro.
    2. Sexagenarius Reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras (2014): é uma coletânea de artigos do autor, analisando criticamente o contexto do município de Taiobeiras/MG.
    3. Crer e Lutar (2017): é um livro contendo crônicas, contos e reflexões variadas do autor acerca do recrudescimento fascista na sociedade brasileira e mundial.
    4. Vidas Interrompidas Juventude, violência e políticas públicas em Taiobeiras – Minas Gerais (2018): é a dissertação de mestrado defendida pelo autor (Levon Nascimento) junto ao programa de Maestria en Políticas Públicas ofertado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), em parceria com a Fundação Perseu Abramo.
  • Artigo do Levon: Minha conversa com um apoiador do ex-capitão

    Artigo do Levon: Minha conversa com um apoiador do ex-capitão

    * Levon Nascimento

    – Ah! Mas, como pode o Papa Francisco receber Lula, um ladrão?

    – Jesus Cristo andou com os pobres, as adúlteras, as prostitutas, os publicanos e os pecadores. Além do mais, foi crucificado entre ladrões.

    – Ah! Mas o Lula é um condenado!

    – Mas Jesus nos ordena a não julgar para não sermos julgados.

    – Ah! Mas o Lula foi condenado pela Lei dos homens.

    – Sim! Foi condenado num processo cheio de controvérsias, que segundo grandes especialistas em direito do mundo inteiro, que leram a peça condenatória, não tem as provas demonstrativas de roubo e culpa. Basta lembrar que quem condenou Lula foi um juiz político que se aproveitou da situação para virar ministro do principal beneficiado da prisão do petista. Logo, não foi um juiz imparcial.

    – Ah! Mas, se está respondendo processo é porque tem culpa no cartório.

    – Pode ser e pode não ser. Jesus também foi vítima de um processo e foi condenado. Ele tinha culpa?

    – Heresia! Você está comparando Jesus com Lula?

    – Não. Mas o exemplo de Jesus serve para todos os seres humanos, sem distinção. Somos todos imagem e semelhança de Deus.

    – Ah! Mas por que o Papa não recebe o Bolsonaro?

    – O Papa, como líder religioso, recebe lideranças do mundo inteiro, de direita, de esquerda, de centro. Basta o Bolsonaro marcar uma audiência. Mas, no dia da canonização da irmã Dulce no Vaticano, Bolsonaro preferiu não ir e foi receber “a bênção” do Edir Macedo. Direito dele, claro.

    – Ah! Mas, por que você defende tanto o Lula?

    – Lula é um ser humano como eu e você. Mas é uma grande liderança nascida da pobreza e que representa o povo humilde e humilhado num país de cultura escravocrata. No governo dele, pela primeira vez, existiram políticas públicas visando a melhoria de vida dos mais pobres, das mulheres, dos negros, dos gays, dos trabalhadores, dos estudantes. E isso ninguém pode negar.

    – Ah! Mas o Bolsonaro está mudando o Brasil.

    – Não é o que dizem os números. O desemprego aumenta as agressões através da informalidade, a pobreza se multiplica e as políticas em favor dos mais necessitados são interrompidas ou destruídas. O obscurantismo e a anti-ciência transbordam, e as milícias e corrupções se escancaram, muito mais do que em outros tempos. Só o grande capital especulativo está tendo vantagens. E isto não é bom para o Brasil e nem para a maioria dos brasileiros.

    – Ah! Mas você é um petista que tem bandido de estimação. Não tem conversa com você.

    – Na democracia a gente pode ser petista ou filiado a qualquer outro tipo de partido político ou ideologia democrática. O que não pode é idolatrar torturador e psicopata, como faz o Bolsonaro em relação ao tal de Ulstra, nem ser envolvido com o crime organizado das milícias, que salta aos olhos de quem acompanha a cena política atual.

    – Ah! Petista é tudo igual! Vocês são viciados.

    – Não! Petista é cidadã e cidadão, geralmente com uma história de defesa dos direitos humanos e um bom conhecimento de conjuntura política. Não é melhor do que ninguém, mas também não é pior. Vamos buscar o diálogo e vamos respeitar a todos. Porém, queremos respeito a nossos pontos de vista. Também, respeitemos o Papa, que é um homem iluminado, a serviço do bem-comum do Evangelho, e ao Lula, que culpado ou inocente, tem o direito de buscar a bênção de Deus como qualquer um de nós. Abraços.

    * Professor de História, sociólogo e mestre em Políticas Públicas.

  • Artigo do Levon: Quando vão queimar os livros?

    Artigo do Levon: Quando vão queimar os livros?

    * Levon Nascimento


    Logo pela manhã, li a notícia de que a Secretaria de Educação do Estado de Rondônia havia enviado ofício sigiloso às bibliotecas escolares ordenando que obras literárias dos grandes mestres brasileiros fossem retiradas de circulação.

    Dentre os autores: Machado de Assis, Nelson Rodrigues, Euclides da Cunha, Osvald de Andrade, Rubem Braga, etc. Explicito: até o maior escritor da Língua Portuguesa, o “mulato” Joaquim Maria Machado de Assis!


    Em que pese o recuo do secretário de educação rondoniense, após vazado o ofício sigiloso, é bom lembrar a quem não sabe que o governo de Rondônia está alinhado ao pensamento de Jair Bolsonaro e ao famigerado Escola Sem Partido, batalha fanática de extrema-direita que apregoa o risco de um tal de marxismo cultural, simplesmente inexistente.

    Para essa gente, qualquer arte e pensamento crítico é comunismo. Eles odeiam a inteligência.
    Também é preciso ressaltar que toda ditadura proíbe a leitura de livros que considera oponentes à sua ideologia. É na democracia que há liberdade para o pensamento e a expressão. Estamos em ditadura no Brasil?

    Que se ressalte que o governo Bolsonaro planeja financiar apenas peças teatrais e obras cinematográficas que falem o seu idioma fundamentalista. Volto a perguntar: estamos numa democracia?

    Porém, o que mais me admirou na notícia é que no tal ofício de Rondônia havia uma ordem expressa para que “todos os livros de Rubem Alves” fossem suprimidos.

    Rubem Alves, já falecido, foi um pensador e escritor presbiteriano brasileiro que, sem abdicar de sua fé, tornou-se um ilustre combatente pelas letras contra a famigerada ditadura militar brasileira (1964-1985). Falava de fé, política, educação, cidadania e participação.

    Não por acaso, tenho há mais de vinte anos um exemplar de sua obra “Conversas sobre política” (Editora Verus). Didático, cristão e contundente, este livro não me sai de vista. Inspira-me muito.

    Daí que quero aproveitar a deixa para questionar vários amigos evangélicos (não todos, evidentemente), alguns deles presbiterianos, que ainda se comprazem de apoiar a ideologia que dá sustentação a Bolsonaro, convencidos de que participam de uma verdadeira cruzada cristã pela restauração moral do Brasil, em nome de Cristo. Respeito-os, mas os considero equivocados.

    Pergunto-lhes: o autêntico cristianismo, inclusive aquele a que Rubem Alves foi filiado e testemunha, combina com a perseguição ideológica e a falta de liberdade que se anunciam sem desfaçatez no Brasil?

    Quanto às obras censuradas, leiam-nas antes que as fogueiras sejam acesas. Foi assim na Alemanha de Hitler.

    * Levon Nascimento é professor de História e mestre em Políticas Públicas.

  • Artigo do Levon: Existe espaço para uma candidatura de esquerda em Taiobeiras?

    Artigo do Levon: Existe espaço para uma candidatura de esquerda em Taiobeiras?

    * Levon Nascimento

    A busca pela resposta da pergunta acima precisa ser cuidadosamente pensada por quem deseja uma Taiobeiras melhor e mais justa.

    No segundo turno da eleição presidencial de 2018, diante da campanha política mais escandalosa e viciada que o Brasil já viveu na era democrática, Fernando Haddad, do PT, alcançou em Taiobeiras 34,7% dos votos válidos, contra 65,3% do ex-capitão expulso do Exército, candidato da extrema-direita.

    Parece pouca a votação de Haddad, sobretudo em comparação com o resultado norte-mineiro, região em que está Taiobeiras, onde o candidato petista venceu em mais de 90% dos municípios.

    No entanto, estamos a tratar de Taiobeiras, município fortemente alinhado à visão aristocrática da sociedade, historicamente dominada por um alinhamento a princípios de direita.

    Não custa lembrar de que em Taiobeiras não venceram Vargas, Juscelino e Lula, os três presidentes mais populares da história brasileira.

    Na política local, em linha do tempo, prevaleceram sucessivamente a UDN, a ARENA e o PSDB, os partidos em que periodicamente se organizaram as oligarquias brasileiras anti-povo, mesmo com metade da população vivendo com uma média de menos de meio salário mínimo per capita, segundo dados do CadÚnico em 2016. Com a crise econômica persistente, nada faz supor que esse indicador tenha melhorado na atualidade.

    Além do mais, praticamente não houve campanha orgânica de Haddad no município. Daí que a sua votação quase que espontânea revela que há um público de cerca de 5.600 pessoas (e suas respectivas famílias) que não se deixou dominar pela avalanche de fake news e ódio fascista.

    Também, nada faz supor que os votos dados ao ex-capitão expulso do Exército são necessariamente expressões do pensamento fascista. O mais correto seria entender que uma grande parte da população se deixa guiar pelo pensamento hegemônico no município. Uma candidatura diferenciada na proximidade municipal poderia despertar a atenção de parte desse público para uma agenda de conquistas coletivas, retirando-o da bolha bolsonarista.

    Em que pese a fragilidade da representação de esquerda no município, admito, esse quadro revela que há espaço para uma candidatura à prefeitura alinhada aos princípios de igualdade social e econômica para a maioria do povo.

    O eleitorado de Haddad não se deixou encabrestar e há chances de crescer entre os votos de Bolsonaro, explorando a identidade de classe trabalhadora e sofredora, que une a maioria dos taiobeirenses.

    Penso além: acredito que seria a oportunidade de politizar temas que dizem respeito às condições da maioria do povo, que vive em situação de vulnerabilidade social, econômica, racial e de gênero.

    O candidato da esquerda poderia furar o bloqueio da falta de debate das candidaturas tradicionais, que invariavelmente focam em ataques pessoais e comparações de personalidade dos competidores. Seria a chance ideal de qualificar a disputa política, dando-lhe o que deveria ser comum: opção de fato ao eleitor.

    Resta organização, desprendimento e coragem a quem sonha com uma Taiobeiras do século XXI, distante do pensamento escravocrata do século XIX.

    * Levon Nascimento é professor de História e mestre em Políticas Públicas.

  • Taiobeiras aos 66 anos: um sonho de generosidade (Artigo de Levon Nascimento)

    Taiobeiras aos 66 anos: um sonho de generosidade (Artigo de Levon Nascimento)

    Taiobeiras nasceu da imigração dos baianos, tropeiros que vinham para Minas Gerais em busca de uma vida melhor. Era terra de passagem, que aos poucos se tornou o lar definitivo de muita gente. Hoje é a somatória de culturas, esperanças e sonhos de um povo.

    O povo de Taiobeiras – eu diria, o nosso povo – é plural, diverso, intenso e tem sonhos muito claros. Não se trata somente do sonho materialista de enriquecer. Falo do sonho de construir uma vida digna, bonita e cheia de significados.

    Primeiro, Taiobeiras pertenceu a Rio Pardo de Minas. Depois, a Salinas. A luta pela emancipação, o sonho de ser uma cidade que se destaca, não foi só das famílias tradicionais e ricas. Todo o povo trabalhador, homens, mulheres e jovens, participaram desse esforço de ser cidade. E continuam lutando para participar.

    Nos últimos anos, viveu-se um clima de muita tristeza em Taiobeiras por causa da violência que tirou a vida de muitos jovens. Eu acredito que a luta pela paz, pela cultura de paz, pelo respeito à vida, não para nunca. Todo dia é preciso começar de novo. Temos que incutir na cabeça dos jovens, com políticas públicas e bons exemplos, o gosto pela paz e pela vida digna.

    Taiobeiras é sem dúvida uma cidade muito bonita, destaque no Alto Rio Pardo e Norte de Minas. Mas é preciso que fique ainda mais bela – de outro tipo de beleza, proporcionando oportunidades de igualdade ao nosso povo. Ninguém pode ser discriminado em Taiobeiras por raça, religião, orientação sexual, condição econômica ou opção política. Que os direitos de emprego, respeito e valorização sejam para todos os taiobeirenses. Sonho com isso.

    Eu aprendi a entender o mundo enxergando Taiobeiras. É uma relação de família, de amor. Aqui eu fiz a minha vida. Aqui eu me fiz como gente. Meus livros, meus textos, minhas abordagens sempre partiram da realidade taiobeirense. Eu não sou quem sou sem que Taiobeiras seja o que é.

    Nestes 66 anos de emancipação política e de autonomia, como diz a canção, que a festa seja dentro de nossas almas, por generosidade. Uma salva de palmas para a nossa cidade de Taiobeiras!

    * Levon Nascimento é professor de História e mestre em Políticas Públicas.

  • O projeto de poder

    * Levon Nascimento

    – O poder… Ah! O poder! Que mal há em ti?
    – Todos e nenhum.
    – Mas, como? Que mistério é esse, o teu?
    – Ora, todos os vícios e malícias humanas passam por mim; ou pelo desejo de me possuir.
    – Então, de fato, tu és maligno!?
    – Não. Em verdade, eu não tenho essência ou alma, como queira. Sou como o vidro translúcido. Nada se agarra em mim. Diria que minha grande característica é a de ser escorregadio, como a pedra coberta pelo musgo.
    – Ora, se tu não és em essência, por que tantos te querem?
    – Não me querem por quem sou ou pelo que eu sou, mas pelo que ambicionam ser, cada um e cada uma.
    – Não entendo. Querem-te para quererem a si próprios.
    – Sim, para se afirmarem quem são.
    – Mas, e o mal que tu dizes ter e que também afirmas não ser?
    – É! Não tenho o mal. Nem sou o mal. Sou um intermeio. Por mim podes amar e odiar, construir e destruir, elevar e fazer cair.
    – Então, o que há de bom em ti?
    – Se queres servir, não há melhor meio do que por mim. Se queres dominar, também o farás, se me dominar.
    – Então, a escolha está em mim?
    – Se me queres apenas para ti, serás consumido por mim. Se me queres por bem-querer aos teus semelhantes, para servi-los de bem-comum, serei teu parceiro.

  • A frase de Morgan Freeman sobre Consciência Negra

    Levon Nascimento

    Volta e meia, perto do dia 20 de novembro de cada ano, aparecem pessoas postando uma suposta frase dita pelo famoso ator negro estadunidense Morgan Freeman (O Todo Poderoso e outros filmes). A seguir: “O dia em que pararmos de nos preocupar com Consciência Negra, Amarela ou Branca e nos preocuparmos com Consciência Humana, o racismo desaparece”.

    Essa frase, aparentemente correta e de boa vontade, deixa subentender que o racismo existe porque se insiste em ressaltar as “consciências” das diferentes raças.

    Fica parecendo que a “culpa” pela existência do racismo é de quem insiste em denunciá-lo. Logo, se parássemos de falar de “cultura negra”, por exemplo, o racismo contra negros deixaria de existir.

    Idem para as políticas afirmativas, como as cotas para negros, pardos e indígenas em universidades, também a título de exemplo.

    O que esse texto atribuído ao ator norte-americano não esclarece é que o racismo contra negros passou a existir, há cerca de 500 anos, por conta da ganância do sistema econômico capitalista nascido na Europa, que incutiu na cabeça daqueles seres humanos a trágica ideia de que os povos não brancos não teriam consciência, logo não seriam tão humanos quanto os europeus-brancos.

    Portanto, celebrar a consciência negra, ou outras consciências não-brancas, não é estímulo ao racismo ou à separação. Pelo contrário, é ressaltar que todos, além dos povos brancos, também têm consciência e, portanto, são tão humanos quanto.

    Cuidado com as frases feitas. Elas podem esconder justamente aquilo que aparentemente parecem combater.

  • Artigo: Conformados com o farelo da Casa Grande, por Levon Nascimento

    Artigo: Conformados com o farelo da Casa Grande, por Levon Nascimento

    *Levon Nascimento

    Dia desses, num espaço público da cidade, eu lia um panfleto deixado propositalmente para que as pessoas o levassem de graça, publicado por um proletário que se contenta em beliscar os farelos que lhe caem da mesa da Casa Grande local. Lamentando, ele afirmava que o Presidente (assim mesmo, com “p” maiúsculo) recebe críticas injustas, xingamentos e acusações de gente que torce para que o Brasil não dê certo. Mais: que não se pode atacar daquele jeito o chefe da pátria (com “p” minúsculo, escreveu), que deve reagir com bravura. AI-5?

    Lembrei-me na hora de que o dito escritor não se incomodou quando o ex-presidente Lula tornou-se vítima (e ainda é) de bullying por ter perdido um dedo da mão no chão de fábrica, nem quando a ex-presidenta Dilma, xingada aos palavrões pela classe média paulista na abertura da Copa do Mundo de 2014, foi caricaturizada nas tampas do reservatório de combustível dos carros, a simular um estupro, no tempo em que o litro da gasolina ainda custava R$ 2,80 e o botijão de gás de cozinha se comercializava a R$ 40,00. Antes pelo contrário, ele aplaudiu e justificou: “o gigante acordou!”

    Por que me espanto? Afinal, se os atingidos forem a representação do operário ou da mulher, tudo pode.

    Fui além, para não ficar só no campo da esquerda, recordei-me da época em que Dona Lia (PSDB) era prefeita de Taiobeiras (1993-1996). Ainda adolescente, eu não tinha a capacidade reflexiva e o arcabouço teórico para compreender e externar o que sentia, mas já me incomodava o machismo e a misoginia com que a única representante do sexo feminino a ocupar a cadeira principal do Paço do Bom Jardim era tratada nas ruas e nos demais ambientes sociais. Não! Nunca foi crítica política ou de oposição de ideias, mas insultos baixos pelo fato único e exclusivo de a chefe do executivo municipal ser uma mulher, era óbvio.

    Nas eleições municipais de 1996, enquanto Dona Lia apoiava a candidatura a prefeito de seu vice, Donato Rodrigues, pai do atual governante de Taiobeiras, Danilo Mendes Rodrigues (PSDB), o ex-governador Newton Cardoso, visivelmente embriagado, subiu no palanque do adversário, que terminaria por vencer o pleito, e xingou a prefeita fazendo referência ao órgão genital feminino, para delírio e aplauso da multidão.

    De lá para cá, pouca coisa mudou por aqui em matéria de avanço civilizatório. Muitos dos que orgasticamente celebraram a misoginia direcionada a Dona Lia, mulheres inclusive, aplaudem os despautérios preconceituosos de Bolsonaro. Cotas continuam a serem vistas como privilégio para negros; apenas uma mulher alcançou a vereança e a esquerda jamais conseguiu lograr vitória. É um município de lordes ingleses situado no polígono das secas, em que a metade da população precisa de algum programa social para complementar a renda, sem deixar de se portar como milordes e miladies, of course!

    As agressões brutais e covardes à honra, à moral, à condição operária e/ou feminina de Lula, Dilma e Dona Lia, bem além de suas opções partidárias, em contraposição à justa crítica política ou às necessárias denúncias de possível envolvimento com os criminosos milicianos, dirigidas a Bolsonaro, como os distintos tipos de indignação que despertam, em diferentes figuras, demonstram o nível civilizatório do brasileiro comum (e do taiobeirense, em particular), como o escriba do folhetim: dóceis e subalternos para com as forças hegemônicas do machismo, da misoginia e do neoliberalismo escravocrata; porém brutos e cruéis em relação aos ícones de destaque da emancipação trabalhadora e feminina.

    Tenho cá comigo que a luta presente está muito além de nomes: Lula, Dilma, Dona Lia, Bolsonaro ou quem quer que seja. É o enfrentamento fundamental entre o ser humano decaído, sombrio e ruim contra o ser humano que evolui à generosidade, ao respeito e ao amor.

    Escriba, saia de debaixo da mesa. A vida é bem mais gostosa do que as migalhas que lhe caem.

  • Declaração de voto

    * Levon Nascimento

    O Brasil passa por um golpe e pelo pior ataque à democracia desde a ditadura militar (1964 a 1985).

    As pessoas de boa vontade, os democratas e humanistas, e os que sonham com uma sociedade mais justa precisam reagir politicamente.

    Nestas eleições, além de garantir a vitória dos candidatos majoritários (governador, senadores e presidente da República) afinados com as pautas do povo trabalhador, é necessário escolher o maior número possível de deputados estaduais e federais que garantam conquistas e evitem a retirada de direitos (Reforma da Previdência, entrega dos recursos naturais, etc.).

    Temos excelentes companheiros e companheiras de luta para serem nossos (as) representantes na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e na Câmara dos Deputados, em Brasília. Fiquei com o coração partido de não poder votar em todos.

    Beatriz Cerqueira, grande lutadora das causas da educação em Minas, merece voto para deputada estadual.

    Rogério Correia, um dos parlamentares mais aguerridos e comprometidos de Minas Gerais, merece voto para deputado federal.

    Padre João, parlamentar importantíssimo no Congresso Nacional, aliado dos movimentos populares, merece voto para deputado federal.

    Mas tive de fazer uma escolha.

    Escolhi pensando na capacidade de luta parlamentar, que todos os citados anteriormente têm de sobra, mas também a partir das necessidades de representação regional do Norte de Minas.

    *Escolhi Leninha 13456, minha candidata a deputada estadual. Mulher, negra, militante das causas sociais, revelação política, uma legítima representante dos povos trabalhadores norte-mineiros.*

    *Escolhi Paulo Guedes 1378, meu candidato a deputado federal. Sertanejo e parlamentar de coragem, grande líder dos povos norte-mineiros.*

    Não tiro nenhum voto dos companheiros do Partido dos Trabalhadores e aliados de esquerda. Precisamos de Beatriz Cerqueira, Rogério Correia, Padre João, Leninha e Paulo Guedes nos parlamentos. Todos eles são importantes e necessários para a garantia da democracia e das conquistas do povo.

    *Com Dilma 133 (Senadora), Miguel Corrêa 130 (Senador), Fernando Pimentel 13 (Governador) e Lula-Haddad-Manu 13 (Presidente), vamos à luta!*

    Professor Levon Nascimento e família
    Taiobeiras, 10/09/2018.
  • A culpa é do professor: outro "p" deste país

    * Levon Nascimento

    Utilizar erroneamente as redes sociais é fonte de dores de cabeça. Um dia da caça, outro do caçador. Embora este texto não seja sobre redes sociais, mas a respeito do suicídio profissional que se cometeu ao tratar os professores de Taiobeiras como larápios, na semana que passou, através das ditas ferramentas de comunicação virtual.

    Para ser professor o cidadão tem que fazer graduação superior, pós-graduação lato sensu e vários cursos de aperfeiçoamento ao longo da carreira, como em qualquer profissão liberal: médicos, advogados, enfermeiros, engenheiros, etc.

    Mas são mal pagos. Ultimamente nem têm recebido em dia, além do parcelamento dos salários ao longo do mês. Isso sem falar do desrespeito cotidiano de alunos malcriados, estruturas escolares sucateadas e a concorrência, pelo interesse dos estudantes, com a mídia venal e o tráfico.

    No entanto, geralmente os pais de alunos, que empurram os rebentos aos cuidados dos “mestres”, têm colocado a culpa nesses pela crise financeira pela qual passa o setor de educação.

    A Constituição de 1988 é muita clara em dizer que educação é direito de todos e dever do Estado, da família e da sociedade.

    Acontece que o Estado brasileiro, no pós-golpe de 2016, tem retirado recursos, acabou com a regra de destinação dos royalties do Pré-Sal para as escolas e trata os professores como estorvo e não como ativo.

    Enquanto os altos escalões da República ganham acima do teto, viajam para receberem premiações escusas em paraísos fiscais e auferem auxílio-moradia mesmo tendo casa na cidade em que trabalham, professores são tratados como culpados pela falta de recursos públicos, pelos baixos índices educativos do país (como se fossem os únicos responsáveis por isso) e ainda têm que sustentar a atividade de ensino com recursos próprios, pois sem isso não conseguem trabalhar.

    Nem se fala do risco de aprovação da lei de censura “escola com mordaça”.

    É o xerox das atividades, a vaquinha para a festa do dia das crianças e do estudante, os refrigerantes para servir na recepção dos pais e mães de alunos no dia da festa da família na escola. Tudo sai do bolso dos professores. Além de serem babás de algumas crianças cujas famílias não se importam (ou não podem?) em ofertar o mínimo de ensinamentos para saberem viver em coletividade com respeito.

    Pois não é que em Taiobeiras esses mesmos professores estão sendo acusados de “viajar para praia às custas dos pais”? Aliás, para as “melhores praias do Brasil”. Tudo na teia do Mark Zuckerberg.

    É triste ver proletário atacando proletário, pobre atacando pobre, pais de alunos atacando professores. Enquanto isso, os grandes riem de nós.

    Rede social aceita tudo. No passado era o papel. Com outros ditados, “quem conversa demais dá bom dia a cavalo”, “muito ajuda quem não atrapalha” e fulano “calado é um poeta”.

    Viva as professoras e os professores deste país!

    * Professor de história, escritor e mestre em Estado, Governo e Políticas Públicas.
  • Sobre a crise dos combustíveis

    Esqueça um pouco do disco arranhado da corrupção. Vamos discutir o país? Sobre a crise dos combustíveis.

    Os governos Lula e Dilma pensavam a Petrobrás pela ótica do interesse do Estado brasileiro, visando o desenvolvimento econômico nacional a longo prazo. Nunca foram comunistas. A lógica era a de um capitalismo moderado (se é que isso seja possível).


    Os liberais do PSDB, juntos com Temer, que lhes serve, pensam na Petrobrás como um instrumento de ganhos privados (particulares), servindo às ordens das petroleiras estrangeiras.


    Ao assumir a presidência, Temer nomeou o tucano Pedro Parente, ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), para presidente da Petrobrás.


    Ao contrário da época de Dilma, em que a presidência da Petrobrás controlava os preços dos combustíveis até onde era possível (Dilma chegou a ser processada por não deixar a livre concorrência determinar o preço da gasolina), Pedro Parente passou a deixar “o mercado” conduzir os preços.


    O interesse do “mercado” é sempre o do lucro dos acionistas, gente rica, muitos estrangeiros, pouco se importando se está caro ou não para os consumidores comuns.


    Ou seja, a crise que temos agora é fruto do LIBERALISMO ECONÔMICO que algumas pessoas, equivocadamente, defendem como sendo o “novo” remédio para o país.


    O correto é defender o controle público do Brasil sobre suas reservas de combustíveis fósseis, assim como sobre outros setores estratégicos para o desenvolvimento nacional.


    Nada de intervenção militar, que não resolveria os problemas econômicos da Nação. Nada de histeria e maluquice. A saída é pela democracia e por eleições livres, com a participação de todos os partidos políticos, expondo com clareza o projeto de cada um para o Brasil.

  • Qual justiça?

    * Levon Nascimento
    A derrotar o pedido de HC para Lula, os seis ministros do STF alegaram que é preciso interpretar a Constituição Federal segundo a vontade das ruas. Seria como na Idade Média, em que mulheres eram queimadas nas fogueiras da inquisição porque uma grande quantidade de homens bradava nas ruas que elas estavam possuídas pelo demônio. A justiça se dava na base do grito.
    A Constituição diz que ninguém pode ser considerado culpado antes de que o processo transite em julgado, ou seja, sem que o processo chegue ao final. Mas, a Constituição não existe mais no Brasil. Nem a democracia.
    Muita gente a favor da prisão do ex-presidente Lula lembrou que no país os processos demoram muito e que a justiça tarda e acaba não sendo feita.
    Mas alguns problemas precisam ser levantados. Lula foi condenado já em segunda instância, apesar de vários juristas, a maioria deles longe de ser petista, afirmarem que seu processo tem falhas graves, que não apresentou provas e que se baseou apenas em delações premiadas ( quando o sujeito já condenado, denuncia outro em troca de ganhar redução da pena e de não perder parte do dinheiro roubado com corrupção).
    Dessa forma, Lula estaria sendo vítima de um processo político e não se teria 100% de certeza de que realmente é culpado do crime que lhe imputam.
    Quando se observa que os políticos dos partidos adversários a Lula jamais foram julgados e nem sequer passaram perto do tipo de tratamento que é dado ao líder petista, começa-se a dar razão a esses juristas que questionam o processo em que Lula foi condenado por conta do tal tríplex do Guarujá.
    Aécio Neves, com malas e gravações, está livre. Michel Temer, com áudio, malas e outros escândalos, está na presidência. Geraldo Alckimin, José Serra, FHC, Eduardo Azeredo, com processos prescrevendo por causa da lentidão da Justiça, que jamais prendeu tucanos. Até Eduardo Cunha, ninguém sabe como realmente se encontra.
    Dá para desconfiar de que, na verdade, trata-se de uma imensa perseguição a Lula, justamente porque ele é o líder absoluto nas pesquisas de intenção de votos a presidente da República para as eleições de 2018.
    Também contribuiu para se passar da desconfiança à certeza de que é uma perseguição política implacável, a campanha de grupos de direita, da Rede Globo e dos demais veículos da grande mídia, de setores privilegiados do Judiciário e até de parte das Forças Armadas contra Lula.
    É um processo político para impedir eleitoralmente o líder político mais bem avaliado da história brasileira. Justamente aquele que governou criando políticas que redistribuíram renda, melhorou a economia do país e incluiu milhões de brasileiros pobres à condição de sujeitos de direito, com acesso aos bens da cidadania.
    Dá para se ver que o processo que condenou Lula, na verdade, não ouviu a voz das ruas. Pelo menos não das ruas onde vivem os trabalhadores, os mais humildes, os que foram incluídos pela cidadania na era petista. E nem deveria. Os tribunais devem se ater à letra da lei. No caso do STF, sua missão seria a de ser o último guardião da Constituição Federal. Nela está escrito que ninguém será considerado culpado antes do trânsito em julgado de um processo.
    A Justiça, ao não conceder o HC a Lula, permite que o ex-presidente seja preso a qualquer momento, antes que seu processo termine. Supondo que, futuramente, nas instâncias superiores se descubra que ele não é culpado do que o acusam, já será tarde demais. O ex-presidente terá experimentado a cadeia, sido humilhado e seu legado político vilipendiado. Da mesma forma, não poderá disputar a eleição, permitindo que candidatos fascistas, que desprezam a democracia, ocupem o seu espaço.
    Os seis ministros do STF que disseram estar ouvindo os clamores das ruas e da sociedade para não concederem o direito de Lula responder a todo o processo em liberdade, fizeram igual a Pôncio Pilatos no histórico julgamento de Jesus. Mesmo não encontrando crime algum no Filho de Deus, mandou surrá-lo, coroá-lo de espinhos e matá-lo numa cruz porque a multidão, manipulada pelos sacerdotes do templo (uma espécie de Rede Globo da época), gritava histérica a favor da condenação do nazareno na porta do palácio do governador romano da Palestina ocupada.
    Antes que digam que estou comparando Lula com o Filho de Deus e que dessa forma cometo sacrilégio ou blasfêmia, digo em minha defesa que a analogia se restringe à forma como ambos os julgamentos foram conduzidos: parciais, manipulados, a serviço dos grandes e poderosos, contra réus inocentes, em desserviço do bem comum e da coletividade.
    Ademais, Jesus mesmo nos ensinou a ter fome e sede de Justiça. É o que resta aos brasileiros progressistas, nacionalistas e solidários nesta triste hora da Nação. Justiça que não seja a praticada pelo Poder Judiciário.