Autor: Levon Nascimento
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Claro como o sol e escuro como a noite
É nítido como a luz que brilha o quadro político brasileiro atual. As forças que perderam o comando do país em 2002, com a eleição de Lula para a presidência do país, querem dar um golpe de estado e destituir a Presidenta Dilma Rousseff. Quando não os mesmos, têm idêntico DNA dos que levaram Getúlio Vargas ao suicídio, tumultuaram o mandato de Juscelino Kubistchek, conclamaram o golpe de 1964 contra João Goulart e as Reformas de Base, deram suporte político e ideológico à ditadura civil-militar (1964-1985) e nunca engoliram a chegada do torneiro mecânico e da guerrilheira mineira ao posto máximo da República. Emprestaram a cadeira que sempre lhes pertenceu, desde que Cabral pôs os pés nesta terra, mas agora querem retomá-la a qualquer custo. Como não conseguiram em 2014, com seu candidato aviador, não se importam em manchar a imagem do país com um novo golpe, desta vez de inspiração hondurenho-paraguaio, midiático-judicial.Sim, trata-se de um golpe de estado! E não há como dizer que não é. Dirão que o impeachment está previsto na Constituição de 1988, que já foi usado contra Collor, etc. É verdade. Mas se esquecem de que o impeachment(cassação do mandato do presidente da República) só é permito pela Carta Magna quando há comprovação inequívoca de cometimento de crime de responsabilidade. Com Collor, havia dezenas de provas. Com Dilma, apesar do esforço da mídia, da oposição política e de setores do judiciário, não se provou exatamente nada contra ela. A Rede Globo tenta fazer a população acreditar de que se trata de uma “ladra, vagabunda e desequilibrada”. O juiz Moro quebra seu sigilo telefônico e “vaza a jato” no Jornal Nacional. Mas, tudo o que conseguiram provar é de se trata de uma mulher de fibra, que não se vergou aos torturadores da ditadura nem aos abutres – da atualidade – que a querem fora (viva ou morta) do cargo para o qual foi reconduzida com mais de 54 milhões de votos.É um golpe, sim! Com dois anos de investigação da Lava-jato, quebra de sigilo telefônico e dezenas de delações premiadas, nada se provou contra a honestidade de Dilma Rousseff. Tanto é um golpe que, apesar de todos os rumores acerca da Petrobrás, para pedir o seu impeachmentna Câmara, tiveram que inventar como motivo as tais “Pedaladas Fiscais”. Sim! Dilma não está ameaçada de perder o cargo de presidenta por conta do “Petrolão”. Querem cassar o seu mandato por causa das “pedaladas fiscais”. Aposto que você não sabia! A grande mídia, que manipula e aliena as pessoas, não faz questão de lhe explicar.Segundo a tese das pedaladas, Dilma teria cometido crime porque, ao iniciar os meses sem dinheiro no caixa do Tesouro Nacional, pegou dinheiro no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal – que são instituições públicas, sob seu comando, inclusive – para pagar os gastos do governo com os programas sociais: Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, ProUni, etc. Posteriormente, quando o dinheiro entrava no caixa, repassava-o de volta aos bancos federais. Em outras palavras, não estão “tirando” Dilma do poder porque ela pegou dinheiro público e pôs no próprio bolso, mas porque, assim como uma mãe, ela preferiu retirar dinheiro dos bancos ao invés de atrasar os compromissos com os programas sociais que tanto contribuem na inclusão de milhões de brasileiros pobres e trabalhadores. É necessário acrescentar que, vários outros presidentes antes de Dilma também realizaram as pedaladas fiscais e não sofreram impeachment, assim como diversos governadores de estado e prefeitos municipais. O vice Michel Temer, quando no exercício da presidência, também praticou as tais pedaladas. Se Dilma deixar de ser presidente por isto, então todos os governadores e prefeitos deveriam ser cassados.É um golpe de estado! E isto fica claro quando se percebe que a tal planilha ou lista da empreiteira Odebrecht, fruto das investigações da operação Lava-jato, contém mais de 300 nomes de políticos brasileiros, de quase todos os partidos políticos, menos os de Lula e Dilma. Enquanto que as gravações telefônicas dos dois foram divulgadas com estardalhaço pelo juiz Moro e pela Globo, sem nada provar contra eles, sobre a mesma lista, que levaria os “moralistas sem moral” à cadeia, também o mesmo juiz decretou sigilo judicial e o Jornal Nacional fez escandaloso silêncio. Acho que você nem sabia da existência dessa lista!É um golpe, sim! Pois os que agora tramam a queda de Dilma já negociam como seria o pacto do futuro governo comandado pelo vice Michel Temer. Em acordo com o PSDB, aquele mesmo que foi derrotado nas últimas quatro eleições presidenciais, Temer liquidaria com a Petrobrás, acabaria com o controle brasileiro sobre o pré-sal (por Lula destinado à saúde e à educação) e o entregaria à exploração das petroleiras americanas, daria prosseguimento à política tucana de privatização selvagem, reduziria os direitos sociais conquistados nos governos do PT, acabaria com as políticas públicas de inclusão social, perseguiria os movimentos sociais e a esquerda política e, pasmem!, abafaria a operação Lava-jato, de modo que ela ficasse restrita apenas à punição e execração pública dos petistas, salvando os corruptos e corruptores dos demais partidos políticos.É um golpe, sim! Uma presidenta sobre a qual, apesar de tanta investigação, não se conseguiu provar nenhum envolvimento em crimes ou roubalheiras, mas que pelo contrário, dá autonomia à Polícia Federal para que investigue a tudo e todos, inclusive os de seu próprio partido e a ela mesma, sendo ameaçada de perder o mais alto cargo da República, conquistado com a aprovação de mais de 54 milhões de votos, por um político mais sujo do que pau de galinheiro, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, com mais de duas dezenas de processos, provas de contas secretas na Suíça, machista declarado, contrário aos direitos sociais e atolado até o pescoço em corrupção. Metade dos deputados escolhidos para compor a comissão que analisa o impeachment de Dilma na Câmara é investigada na Lava-jato ou tem outros processos pesando contra si. São os verdadeiros corruptos posando de bons moços e ameaçando o mandato da presidenta, contra a qual não pesa atos de corrupção.É um golpe, sim! O país está em crise econômica. A luz, os combustíveis e os alimentos estão caros. O desemprego avança. Mas grande mídia não explica que é uma crise mundial. E que esta crise afetou o Brasil. Mas que o Brasil, apesar de tudo, passa por ela melhor do que a média dos demais países do mundo. Quem se lembra de outras crises pelas quais o Brasil já foi atingido sabe que havia quadros de fome generalizada. Hoje, apesar da gasolina alta, a maioria dos brasileiros tem carro ou moto e não deixa de rodar. Pode ter reduzido certos hábitos de consumo, mas nem de longe deixa de se alimentar. No passado, antes dos governos Lula e Dilma, quando se falava em crise no Brasil, o quadro era africano. A crise econômica atual é ampliada pela turbulência política. Enquanto não deixarem Dilma governar em paz, ela não passará. O golpe do impeachment só agravará a situação.É um golpe, sim! Está nítido e cristalino. É tão claro como o sol que raiou pela manhã. Nenhuma pessoa que está calada, apenas observando, poderá dizer no futuro que não tinha conhecimento ou de que fez confusão sobre os lados desta batalha. Embora ninguém seja anjo neste jogo, está muito claro quem são e quem não são os demônios. É de uma clareza insólita qual é o lado certo e qual é o lado errado, quem realmente está do lado povo e quem está contra. Há o golpismo e a defesa da jovem democracia brasileira. Se você não compreender a clareza solar desta situação e não se posicionar, o Brasil será envergonhado internacionalmente por mais um golpe de estado e se transformará numa realidade tão escura quanto a noite. Ficar no muro também é tomar partido, do lado dos golpistas. A História julgará cada um pelo lado que escolher.* Levon Nascimento é professor de História e mestrando em “Estado, Governo e Políticas Públicas” pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais. -
Artigo do Levon: Fascismo brasileiro
Inúmeras fontes afirmam que Adolf Hitler, Heinrich Himmler, Joseph Goebbels e outros próceres do nazismo eram pessoas dóceis e gentis no contato íntimo e interpessoal. Poderiam ser definidas como “boas pessoas”, amáveis, educadas e, pasmem!, honestas. O problema é que sofriam de uma patologia social chamada “fascismo”. Para os fascistas, uma parte da humanidade – a que eles pertencem – é pura, limpa, honesta e boa. Esta, na opinião dos que sofrem a “doença” fascista, é boa e merece viver. “Direitos humanos para humanos direitos” – eles falam. Já os demais, os diferentes, os judeus, os negros, os comunistas, os deficientes físicos e mentais… estes, no modo de pensar fascista, são sujos, impuros, imperfeitos, desnecessários, corruptos e não merecem viver. A ideologia fascista desumaniza e transforma em “demônios” as pessoas aparentemente diferentes ou que não pensam igual aos fascistas.Acontece que o fascismo é muito bom de propaganda. Antes de chegarem ao poder, eles convencem a maioria da população de que o “outro” – o “diferente” – não presta, é impuro, é corrupto e merece morrer. “Bandido bom é bandido morto” – eles afirmam. Assim, quando têm o poder nas mãos, os fascistas, em nome da bondade e do combate à maldade e à corrupção, praticam todas as crueldades possíveis contra aqueles que não se enquadram em suas ideias. Como já tinham feito a cabeça da maioria do povo, as maldades não são questionadas pela população que, pelo contrário, apoia, aprova e acha “normal” a banalização da violência, da perseguição e do “banimento” dos “impuros”.No Brasil atual, a Rede Globo e outras mídias, setores do Judiciário, da Polícia Federal e do Ministério Público têm feito o papel de estimular o fascismo. Vê-se boas pessoas, pais e mães de família, religiosos, gente cristã e honesta brandindo palavras de ordem com agressividade e violência. São amáveis e dóceis em casa e socialmente, mas quando se toca no tema da política, seu semblante se transforma e elas passam a vociferar ideias, no mínimo, questionáveis do ponto de vista dos avanços civilizatórios dos últimos dois séculos. Os petralhas, como eles chamam a qualquer pessoa que ouse pensar diferente do que eles propagam, ainda que não sejam formalmente filiados ao Partido dos Trabalhadores, são os novos judeus. Na pregação dos fascistas brasileiros, existiriam dois tipos de petistas: os “burros”, que seguem as lideranças, e os “bandidos”, que formariam uma quadrilha para assaltar o país.Desta forma, não importa se há provas dizendo que Lula e Dilma não roubaram na Petrobrás. A simples denúncia contra um deles ou contra qualquer petista é repetida na mídia como se já fosse uma comprovação de culpa, de modo a levar as massas a acreditarem que se tratam de pessoas extremamente corruptas, depravadas e imorais. Da mesma forma, qualquer cidadão que ouse defender a democracia, mesmo sendo crítico a certos pontos do governo atual, sofre desde linchamento moral a até mesmo agressões físicas, como as que ocorreram esta semana na Avenida Paulista, contra pessoas que usavam a cor vermelha, símbolo das lutas populares de esquerda no mundo inteiro.Assim, na escalada perigosa do fascismo brasileiro, os petistas são os novos judeus – sujos, imundos, corruptos e bandidos. Contra eles e seus líderes nacionais – Lula e Dilma – tudo é permitido: grampear, vazar informações, prender sem provas e fazer o impeachment mesmo que a presidenta não tenha cometido crime de responsabilidade conforme reza a Constituição Federal. Já contra os comprovadamente corruptos, como Aécio Neves, Geraldo Alckmin, Eduardo Cunha et caterva, blindagem na mídia, lentidão da justiça e hipocrisia da classe média.O resultado do fascismo na Alemanha e na Itália, a História já nos deu a conhecer. E no Brasil? Como será?É preciso que você faça um exame de consciência. Eu estou me deixando conduzir por ideias fascistas? Como faço para restabelecer minha saúde intelectual e social? E, se eu que agora bato palmas para as medidas adotadas contra os petistas for vítima delas daqui a algum tempo? -
Artigo do Levon: Estradas no deserto, rios em terra seca
Muitos companheiros não creem. Nem é minha intenção fazê-los acreditar. Ainda mais numa época em que a fé tem sido instrumentalizada para alimentar o preconceito desvairado e o fascismo depravado. Quero é compartilhar com vocês como a fé dialoga comigo neste tempo de angústias e incertezas, de modo a atiçar esperanças e a motivar a luta. Sim, a fé também é combustível para os que lutam à esquerda, por uma sociedade mais justa e igualitária. Não é monopólio dos trogloditas do fundamentalismo.A liturgia (católica)deste tão emblemático dia 13 de março de 2016, 5º domingo do tempo da Quaresma, traz como primeira leitura um trecho da profecia de Isaías (43,16-21). Aos olhos de quem entende a escritura não como um tratado de regras sobrenaturais e anacrônicas, mas como um amparo interpretativo para a humanidade inserida nos contextos históricos, o profeta proclama: “Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis? Pois abrirei uma estrada no deserto e farei correr rios na terra seca (…)” (Is 43,19).Aos olhos do militante de fé, este texto ilustra muito bem a angústia dos dias atuais. Vemos renascer das sombras o fascismo, a intolerância, a militância irracional (nas ruas e nas redes sociais) dos velhos medos e ódios de classe, incomodada com as conquistas populares alcançadas na última década. Um monstro de ódio que transforma pessoas em zumbis agressivos a reverberar palavras de horror, rancor e destruição. Hoje mesmo, neste de 13 de março, o “demônio” sai às ruas propugnando o retrocesso como novo ídolo para a “salvação” do Brasil. Grita contra a corrupção convocado e ladeado pelos maiores corruptos e corruptores da Pátria. Não se envergonha em clamar contra o direito do pobre, como se fosse ele a causa dos problemas econômicos e sociais da Nação. Não se importa que os poderes do Estado desviem-se para o linchamento moral e o justiçamento daqueles que buscaram, ainda que incipientemente, a inclusão de milhões de irmãos e irmãs “mais fracos”. Não almeja a devida justiça ou correção legítima e ampla de eventuais desvios.Em que a palavra de Isaías, escrita na velha Palestina, àquela altura como agora, vítima da ocupação imperialista das potências estrangeiras, resistindo a partir de sua fé e cultura, tem a dizer ao militante de fé no contexto brasileiro de 2016? Que tenha esperança! Que não se resigne a acreditar que o passado de golpes se repetirá inexoravelmente, nem se apegue às velhas cartilhas e métodos (“Não relembreis coisas passas, não olheis para fatos antigos”). Claro, isto não é um incitamento à negação da história, nem ao revisionismo. Pelo contrário, é um indicativo para a construção da novidade, ainda que em realidade adversa. Aliás, sempre foi difícil para nós, conforme jargão já vulgarizado. Não é tempo para lamentações ou indicação de culpas. É hora da unidade das esquerdas e de todos os que lutam por um mundo mais justo e fraterno. É momento de verificar as novidades que, assim como do parto dolorido vem à luz a bela criança, nascem neste tempo tão insano (“Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis?”). Os meninos que ocuparam as escolas de São Paulo contra a “reorganização” neoliberal, os movimentos sociais combativos sem a mordaça institucional dos partidos, a juventude que tem se reconhecido como “de esquerda” ante ao avanço irracional do fundamentalismo e, mesmo os velhos camaradas de lutas, diante do sacrifício imposto pelas Lava-jatos da vida, que se rendam ao novo e inaugurarem uma nova era de lutas. Construamos estradas no deserto da Paulista. Façamos jorrar rios na terra seca das instituições instrumentalizadas pela velha elite egoísta ou por seus lacaios temerosos da perda de privilégios.A fé indica que há esperança em meio a este mar de angústia. Na mesma liturgia, Jesus rompe com as tradições de justiçamento judaicas ao absolver a adúltera. “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra” (João 8,7b). Palavra certeira para o carola e justiceiro juiz Sérgio Moro, tão rígido e hipócrita como um fariseu daquele tempo. Rígido com petistas. Hipócrita e seletivo para com as inúmeras denúncias a tucanos e congêneres. “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?” – pergunta Jesus a ela em João 8,10. A mulher responde: “Ninguém, Senhor”. Ao que ele lhe afirma “Eu também não te condeno” (Jo 8,11). Vemos que a fé, corretamente vivida, passa longe dos julgamentos sumários ou linchamentos morais de nossos juízes, procuradores, mídia e igrejas bancárias. Contrariamente, é reeducação, compreensão, inclusão e retorno ao convívio da normalidade democrática.Enfim, também é da palavra da liturgia deste 13/03 que nos vem a certeza, conforme o salmista cantou (Salmo 125): “Os que lançam as sementes entre lágrimas, ceifarão com alegria”. Semeemos, semeemos, semeemos, lutemos… pois a luta continua… com alegria… sempre! Ceifaremos! -
O cruzeiro e a chuva…
Reza a antiga tradição do sertão norte-mineiro que, em anos de grande seca, o povo saia em procissão, entoando benditos e louvores ao Pai do Céu para que, por compaixão e misericórdia, envie as bênçãos da chuva.
Foi assim que, em 1897, o povo de Taiobeiras agradeceu a Deus erguendo um grande Cruzeiro de madeira, ornamentado com os símbolos do martírio de Jesus Cristo, como pagamento de promessa para que chovesse.E hoje, 16 de janeiro de 2016, mais uma vez o povo saiu em peregrinação rumo ao velho Cruzeiro.Os céus não esperaram nem as pessoas chegarem lá… Abriram-se as comportas do alto e a chuva jorrou sobre os peregrinos. Deus ouviu o clamor do seu povo, mais uma vez (Êxodo 3,7), ao contrário dos que governam a “polis”, que não escutam nunca.Viva a chuva! Viva a fé! Viva a vida! Viva a cultura sertaneja! Viva Deus!Texto de Levon Nascimento.
Fotos de Carmem Sousa. -
Feliz 2016
2015 para mim foi um ano difícil. Creio que para a maioria das pessoas, exceto para os que vivem do rentismo fácil da banca desumana do capital mundial.
Difícil no trabalho. Difícil nas relações interpessoais. Difícil nas impressões e ações políticas. Afinal, traições, golpismos, fascismos e todo nojo de atitudes que não condizem com o ideal do bem comum estiveram presentes ao longo deste ano espinhoso. Difícil no clima. Difícil na saúde.
Mas o termino de forma leve e agradecido a Deus por tê-lo enfrentado e vencido.
Leve na vida, que continua e se perpetua. Mais um na família. Leve nos valores e na dignidade. Travei bons combates pela democracia, pela dignidade e por mais igualdade social. Leve na compreensão do outro, ainda que eu não concorde com ele. Estou aprendendo, mais e mais, a tolerar as diferenças. Leve nos projetos. Alcancei o sonho de passar na seleção do mestrado. Novos objetivos e perspectivas se abrem.
Leve, graças a Deus! Pronto para receber e propagar a Misericórdia em 2016. A luta continua! Felicidade para todos nós! -
Artigo do Levon: Quando os bons são vistos como os vilões
Quem se lembra de como era o Brasil antes da chegada de Lula ao poder em 2003, sabe que a corrupção era muito pior e maior do que atualmente. A lavagem de dinheiro, as fraudes, o abuso do poder político/econômico e a manipulação do povo corriam soltas e não havia fiscalização da mídia, muito menos do Ministério Público ou da Justiça. Tudo era encoberto e terminava em “pizza”. Os poderosos mandavam ilimitadamente e o povo pobre e trabalhador não tinha vez nem voz. Como agravante, a miséria absoluta reinava na maioria das famílias brasileiras. A fome e o desemprego atingiam milhões de pessoas. O sonho de um jovem de 18 anos era possuir uma bicicleta. A mídia colocava medo no povo e dizia que se o PT chegasse ao poder o “comunismo” seria implantado no país.
Com a eleição de Lula em 2002, desacreditado pelos poderosos e pela classe média, que o chamavam de analfabeto e cachaceiro, o Brasil não precisou mais ficar de joelhos pedindo empréstimos ao Fundo Monetário Internacional (FMI), passou a fazer parte das grandes rodadas de decisões mundiais, criou programas sociais premiados internacionalmente, como o Bolsa Família, que distribuíram renda para milhões de brasileiros, tirando da miséria tantos cidadãos, mais do que a população total da Argentina. Mais de 10 universidades federais foram criadas, além de cerca de 100 institutos de educação. O Enem se tornou a principal forma de entrada no Ensino Superior, facilitando o acesso ao ProUni, ao SiSU e ao FIES. Uma nova classe média surgiu. As ruas se entupiram de carros novos e de motocicletas, que se tornaram mais acessíveis para a maioria absoluta do povo. O acesso a bens de consumo, à casa própria ou a materiais de construção “bombaram”. A qualidade de vida saltou positivamente, “como nunca antes na história deste país”.A taxa de desemprego brasileira baixou a níveis civilizados, inclusive bem menor do que a de países europeus como Espanha, Portugal e Itália. A Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), iniciativa do governo estadunidense sob o comando de Bush Filho, que transformaria a América Latina num imenso quintal norte-americano, foi implodida graças à liderança de Lula. A Petrobrás que quase foi privatizada nos governos anteriores permaneceu sob o controle do Estado nacional e descobriu as imensas jazidas de combustível fóssil embaixo da camada de pré-sal do oceano, tornando-se o passaporte do Brasil para o futuro. O salário mínimo que valia muito menos do que cem dólares, chegou à marca dos 300 dólares, aumentando o poder de compra dos trabalhadores brasileiros. O SAMU e o Mais Médicos foram implantados na maioria dos municípios do país. A crise mundial do capitalismo de 2008, ainda em curso, demorou a chegar ao Brasil, graças à solidez das políticas macroeconômicas petistas. Leis mais rigorosas de combate à corrupção foram aprovadas. Ao contrário dos tempos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), a Polícia Federal ganhou autonomia, o que facilitou a punição de crimes de altos funcionários públicos, inclusive de ex-integrantes do próprio governo petista.
Mas, nada disso serviu para consolar a elite econômica, midiática e aristocrática do velho Brasil. Nunca aceitaram o torneiro mecânico que chegou à presidência, nem a primeira mulher, militante contra o regime ditatorial de 1964, a alcançar o posto de Presidenta da República Federativa do Brasil, Dilma Rousseff. A luta contra a esquerda, os petistas, Lula e Dilma foi ganhando ares de batalha entre o bem e o mal, apequenando e despolitizando o país. A recusa da oposição em aceitar a derrota de 2014 paralisa o Brasil. É bem verdade que, para isto, também contribuiu a inglória incursão de lideranças petistas em casos escandalosos de corrupção. Isto manchou a trajetória histórica do PT e tem sido, saborosamente, utilizado pela grande mídia e pelos adversários das conquistas populares dos últimos anos.
Ninguém quer a corrupção, seja ela do PT, dos partidos da direita ou da iniciativa privada, mas a sanha anti-corrupção derramou-se, de forma fascista e lunática, seletivamente contra petistas e esquerdistas, preservando seus adversários muito mais corruptos e decrépitos em termos de moralidade com a coisa pública. Este é o grande drama e a imensa contradição da política nacional neste momento. O comprovadamente corrupto dep. Eduardo Cunha (PMDB/RJ), presidente da Câmara Federal, é aplaudido e tolerado. Já presidenta Dilma Rousseff, contra a qual não há investigação na Operação Lava-jato, da Polícia Federal, e sabidamente se reconhece que é uma pessoa séria e honesta, é execrada em praça pública e se busca o seu impedimento sem que tenha cometido crime de responsabilidade, configurando a ameaça de um golpe de Estado. Um Congresso Nacional lotado de políticos corruptos, apoiado por uma mídia hipócrita, manipuladora e seletiva, ameaça retirar do poder uma Presidenta da República que nem sequer é citada em qualquer processo de investigação de corrupção no país. Tudo isto com o apoio de milhões de brasileiros que foram, cuidadosamente, transformados em “zumbis” anti-petistas, através da alienadora lavagem cerebral dos grandes meios de comunicação nacionais.É uma realidade trágica, que só encontra paralelo na história da Alemanha nazista dos anos 1930. O povo brasileiro foi condicionado pela mídia e pelas estruturas de difamação que utilizam as modernas redes sociais da internet, a odiar o PT e a encará-lo como a própria encarnação do mal. As religiões têm sido utilizadas politicamente para difundir preconceitos e mentiras que transformam o PT e os petistas em “asseclas do demônio”, tudo isto com a complacência do Judiciário e de pessoas que têm acesso a maior informação. Boatos que não resistem a uma pesquisa no Google são cotidianamente divulgados e compartilhados, ganhando ares de verdade. Todos os diabos mais temidos foram libertados da caixa de Pandora dos velhos oligarcas brasileiros. Racismo, homofobia, intolerância religiosa, saudosismo da ditadura militar, linchamentos midiáticos e reais, medo do comunismo, xenofobia contra haitianos e africanos, crescimento de bancadas religiosas fanáticas no Congresso Nacional, acobertamento de crimes cometidos pelos políticos da direita, como o helicóptero do pó, a lista de Furnas e os aeroportos de Aécio Neves, tal e qual na época nazista, estão em moda no Brasil de 2015. É preocupante e compromete demasiadamente o futuro da democracia brasileira.
Em pequenas cidades, como Taiobeiras, no norte de Minas Gerais, militantes petistas, em que pese sua honra, sua honestidade e seu compromisso com os pobres, são espezinhados, tachados de ignorantes e execrados por figuras que trazem no DNA o velho patrimonialismo e a corrupção política histórica que sempre vicejou nestes lugares, os quais passaram a posar de vestais da moral e dos bons costumes. Os verdadeiros corruptos, mais sujos e imorais de toda a história, ganham ares de honestos e de defensores da justiça, crucificando aqueles que sempre lutaram pela inclusão social e pela igualdade para a maioria dos brasileiros.O PT, de milhões de filiados e simpatizantes honestos e lutadores, gente que nunca se calou diante dos desmandos da secular oligarquia, se transformou na “Geni” nacional, insultado e vilipendiado. Mas, nada nunca foi fácil para o PT, a esquerda e sua militância. Quem enfrentou a escravidão negra e a venceu, a ditadura militar e a suplantou, a fome e a miséria e as derrotou, terá de encontrar forças para superar a atual onda de insanidade fascista que assola o Brasil. A luta continua! -
Só jovens pobres serão punidos. Ricos, não!
Se os sistemas judiciário e prisional brasileiro funcionassem de forma justa, igual para todos, até que a redução da maioridade faria algum sentido. Mesmo assim, as estatísticas mundiais a condenam.
Agora, sabendo como é a Justiça no Brasil, tenho certeza de que somente jovens pobres, sem estrutura ou apoio familiar, negros ou favelados serão jogados às masmorras.
Filhos de ricos e da classe média alta continuarão matando no trânsito, incendiando índios em bancos de praças, estuprando domésticas, assassinando em trotes universitários e transportando drogas ilícitas com a certeza da impunidade.
Seus papais têm muito dinheiro para pagar bons advogados e muita influência, muita mesmo, no “establishment” jurídico-estatal.
Enfim, a redução é uma atitude que pode tomar Pôncio Pilatos como padroeiro: “lavei as mãos”. Ou o próprio Herodes.
#ReduçãoNãoÉSolução! -
Ódio de classe
Zumbi de Palmares, Tiradentes, os Conjurados baianos de 1798, até mesmo a Princesa Isabel após a decretação do fim da escravidão negra, Antônio Conselheiro de Canudos, João Cândido da Revolta da Chibata, Luís Carlos Prestes, Olga Benário, Getúlio Vargas na fase trabalhista, João Goulart após o aumento de 100% no valor do salário mínimo, Luiz Inácio Lula da Silva após a grande greve de 1978, Dilma Rousseff desde a luta armada contra a ditadura sanguinária, a militância aguerrida do PT e dos demais partidos de esquerda: todos vítimas do mesmo ódio visceral, presente no DNA (como disse Luis Fernando Veríssimo em sua coluna de 25/06/2015) da classe dominante brasileira e em seus tentáculos extraclasse, que não suportam qualquer alteração na estrutura colonial deste país nem a inclusão social de amplos setores populares secularmente marginalizados. Este é o resumo de nossa história e do contexto atual.
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São João: o melhor período do ano
O quadro de estilo barroco de São João Batista, quer seja na bandeira, no estandarte ou dependurado numa das paredes das casas simples, reproduzido em milhares de lares do sertão brasileiro, especialmente no Nordeste do país e no Norte de Minas Gerais, mais do que qualquer símbolo do marketing capitalista, é um ícone que ao ser observado por quem viveu algum grau da cultura do sertão, dispara de imediato a memória afetiva e desperta, a despeito de todas as agruras e sofrimentos, uma sensação de felicidade, de encontro e ternura. Rosto angelical de criança, cabelos cacheados e emoldurados por uma auréola circundada de arabescos; o ombro coberto por uma pele de ovelha; abraçado a um cordeiro de olhar piedoso, com uma das mãos segura a cruz rústica, de madeira ainda esperançosamente verde, na qual se entrelaça uma faixa branca onde está escrito em latim “ECCE AGNUS DEI” – “Eis o Cordeiro de Deus” – , frase proferida pelo próprio João Batista ao avistar Jesus, segundo a descrição do quarto Evangelho, no capítulo 1, versículo 36, na qual imagem e texto se revestem de especial figura de linguagem, ocasião em que o Cristo é comparado ao cordeiro que os hebreus imolavam na Páscoa desde a libertação do Egito, nos tempos de Moisés; embaixo, uma nuvem da qual brotam ramos floridos de cores variadas; em torno, um céu azul pontilhado de estrelas.A utilização desta imagem alegórica no tempo junino é cultura popular de amálgama ou reunião, genuinamente cristã e brasileira. Junta em si as tradições hebraicas, ibéricas, indígenas e africanas, afirmando-se como algo sempre novo e autenticamente do Brasil.Neste tempo em que a intolerância política e o fanatismo religioso de certos grupos querem e parecem estar conseguindo alcançar o poder no Brasil, é necessário que a cultura popular, como as festas juninas, sejam resgatadas, de modo incutir nas novas gerações a lembrança das raízes afetivas que, apesar da violência da colonização, produziram a reunião da tolerância simbólica e a ternura fraterna estampada no rosto de São João.Em volta da fogueira de 23 de junho, melhor tempo do ano popular, quando há fartura de pão e de alegria, ouvindo os estampidos de traques e rojões, observando o colorido das bandeirolas, “chuvinhas” de prata e fogos de artifício, que se busque recobrar o sentido de brasilidade e se condene o neofascismo político-religioso que tenta nos empobrecer e “capitalizar” o espírito! -
Dom Geraldo Majela de Castro: minhas memórias

Dom Geraldo Majela de Castro, O. Praem. Nesta quinta-feira, 14 de maio de 2015, partiu desta vida para a casa do Pai, o arcebispo emérito de Montes Claros, Dom Geraldo Majela de Castro, O. Praem, quase aos 85 anos de idade, os quais completaria em 24 de junho próximo. Destes, quase três, os últimos, internado num leito da Santa Casa montes-clarense, vítima de uma doença rara, a ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica). Mais cedo, ao saber da notícia, prometi escrever alguma coisa. Não um resumo biográfico, já disponível em diversos meios de comunicação. Optei por relatar as experiências que tive ao seu lado em diferentes momentos da minha vida.
Porém, antes de prosseguir, destaco que seu falecimento ocorreu um dia depois da data na qual a Igreja celebra a grande Mãe de Deus, Maria Santíssima, sob o título de Nossa Senhora de Fátima (13 de maio). Um destes misteriosos detalhes, quiçá irrelevantes, mas que merecem de nossa parte uma atenção especial. Dom Geraldo era especialmente devoto da Mãe de Jesus. Parece que, neste momento, ouço seu canto nas celebrações, saudando a ela: “Neste dia, ó Maria, nós te damos nosso amor!” Talvez, jamais saberemos, a mãe veio em auxílio de um filho que tanto a venerava, num momento de tanto sofrimento e dor.
As primeiras vezes em que vi Dom Geraldo foram durante as festas de Nossa Senhora de Fátima, em Taiobeiras. Em princípio, ainda na condição de bispo-coadjutor, vinha substituir Dom José Trindade, seu antecessor no governo da Diocese de Montes Claros. A partir de 1988, quando assumiu em definitivo o pastoreio montes-clarense, passou anualmente a vir à maior manifestação religiosa do povo taiobeirense.
Ainda adolescente, eu comecei a tomar conhecimento de suas ideias lendo o famoso Documento Azul (Compromissos Eclesiais e Diretrizes Pastorais – CEDP da Igreja Particular de Montes Claros), síntese da 3ª Assembleia Diocesana de Pastoral, de 1990, então convocada e presidida por Dom Geraldo. Líamos os números do documento em grupos de reflexão ou nas tão educativas novenas de Natal realizadas com as cartilhas produzidas em Montes Claros, outra conquista sua. Os materiais de Montes Claros, contextualizados na realidade de nosso sertão norte-mineiro, vieram a substituir as novenas “importadas” de outras realidades, muitas vezes tão distintas da nossa.
Em 1992, o primeiro contato pessoal. Dom Geraldo presidiu o momento em que recebi o Sacramento da Confirmação do Batismo, a Crisma. “Recebe, por este sinal, o Dom do Espírito Santo!” – disse ele. Daquele momento em diante, assumi categoricamente a missão do Evangelho de Jesus, especialmente no serviço à causa dos pobres e dos marginalizados. Compromisso que, apesar dos meus limites e da minha pequenez humana, continuo tentando realizar sob o auxílio daquele mesmo Espírito de bondade e justiça.
Aliás, as celebrações de crisma são um capítulo à parte. Demonstram o quanto Dom Geraldo foi comprometido com a sua função de colaborador de Cristo, pastor do Povo de Deus e sucessor apostólico. Amava viajar por todas as comunidades da sua querida Diocese de Montes Claros. Todas, sem exceção de limites, distâncias e dificuldades. Na Paróquia São Sebastião de Taiobeiras, tão distante de Montes Claros, e que em sua época também abrangia Berizal, ficava até mesmo a semana inteira, realizando as missas de crisma nas comunidades. Conhecia-as e ao povo de Deus que delas participava.
Numa dessas celebrações, na Comunidade de Olhos D’Água (Taiobeiras), após o término, foi convidado a almoçar numa casa muito simples, mas de mesa farta. Mesmo já estando com restrições alimentares por conta de sua saúde, fez questão de não desapontar aos seus anfitriões, provando um pouco do que, tão carinhosamente, lhe haviam preparado. Mas, o mais belo, foi, ao final da refeição, chamar o casal para uma conversa reservada. A comunidade, propositalmente, já havia escolhido aquela casa para receber o Arcebispo porque sabia que ali a família passava por dramas de convívio. Naquele diálogo, aconselhou aos dois, orou com eles, explicou-lhes a palavra de Deus e abençoou-os.
Mais especificamente, estreitei laços com Dom Geraldo no período em que estive na militância da Pastoral da Juventude da Diocese de Montes Claros. Sempre presente, atento e educador. Ainda que proveniente de uma formação conservadora, foi aberto, democrático, paciente e flexível conosco. Permitiu-nos caminhar na Igreja e com a Igreja. Não nos tolheu em nossa caminhada. Apoiou-nos. Claro que, como homem tinha limites e uma visão de mundo que lhe era própria. Mas nem um nem a outra o impediram de abraçar uma juventude que ansiava por um “novo jeito de ser Igreja”.
De forma especial, permitiu-me, durante os anos em que morei em Montes Claros e trabalhei na Pastoral da Juventude, escrever no jornal diocesano “Far-Elo de Vida”, muitas vezes contra a oposição de figuras da própria Igreja. Devo-lhe isto, a confiança em mim despositada.
Igualmente, devo-lhe também pela confiança expressa em mim quando me candidatei a vereador em Taiobeiras, em 2004. Sem misturar o púlpito com o palanque, mas fazendo uso coerente daquilo que aprendemos a chamar de caridade cristã manifestada na militância política do leigo, demonstrou-me apoio humano e abençoou a minha luta. Dom Geraldo estava mais uma vez em Taiobeiras para celebrar crismas. Era agosto. A campanha eleitoral a pleno vapor. Não fui lhe pedir que me desse declaração de apoio político. Mandou me dizer que queria falar comigo na casa paroquial. Quando cheguei lá, entregou-me um papel escrito de próprio punho e disse-me: “Pode publicar”, sem mais.
Texto manuscrito de Dom Geraldo No papel estava escrito (veja fotografia do original): “Há muitos irmãos e irmãs nossos que têm o ideal de servir desinteressadamente a todos. Levon resolveu colocar o nome dele como candidato a vereador. Pelo que viveu até hoje, penso que posso recomendá-lo! Será um bom vereador! É confiável!”.
Não venci aquela eleição. Também, pouco importa. De fato, vale a confiança daquele homem à minha pessoa. Confiança de quem tanto aprendi, especialmente a amar Jesus Cristo e sua mensagem. Da mensagem, aquilo que mais me toca são os gestos e a palavra. “É confiável” – disse Dom Geraldo.
A última vez em que nos falamos foi quando os franciscanos deixaram a Paróquia de Taiobeiras. Era o início de fevereiro daquele ano. Eu estava na condição de Conselheiro Paroquial. Momento grave! Depois de 72 anos, os frades da Ordem de São Francisco entregavam Taiobeiras. Dom Geraldo me disse que também sentia muito por aquela mudança inesperada. Informou-me de que havia feito todos os esforços junto ao provincial franciscano para que retrocedesse daquela decisão. Porém, como já era fato consumado, que insistiu que tivéssemos confiança em Jesus, de que as coisas se ajeitariam da melhor forma.
Enfim, era um legítimo pastor, um homem de Deus e um servo incansável da Igreja. Como homem, dotado de limitações e contradições. Como ministro do Evangelho, uma luz para a caminhada deste nosso povo de Deus sertanejo.
“It et Vos” ou “Ide também vós para a minha vinha”, como mandado do Senhor, foi o seu lema de bispo. Mais do que uma frase, tornou-se a expressão de sua vida. Ele foi a todos os recantos da grande vinha que o Senhor lhe concedeu: a Arquidiocese de Montes Claros, levar a Palavra ilumina e o exemplo que arrasta.
Neste momento de imensa dor por sua partida, lembro-me de Dom Geraldo Majela de Castro com a oração da Igreja que ele tanto amava: “Dai-lhe, Senhor, o descanso eterno! E brilhe sobre ele a vossa luz!” -
O Evangelho é revolucionário!
Para além da confissão religiosa ou da inexistência dela, o Evangelho (mensagem + prática de Jesus) é revolucionário:
a) dar a outra face;
b) não julgar; c) não vingar;
d) perdoar; e) misericórdia;
f) compaixão;
g) desapego econômico e partilha solidária;
h) justiça;
i) não-discriminação;
j) doação e sacrifício pelos outros;
k) combate ao egoísmo idolátrico e cultivo do altruísmo.
Tão distante da cultura vingativa, machista e escravista da época em que Jesus viveu na Terra! Tão diferente da “ética” capitalista de alguns religiosos! Tão atual, urgente e necessário! Pena que, em 2000 mil anos, tão poucos o tenham compreendido e vivido.
Ainda falta muito. -
2015: o ano revelador
2015 é um ano revelador.
Das profundezas do inferno capitalista renasce o nazifascismo preconceituoso, ignorante e autoritário. Nas manifestações (15/03 e 12/04) contrárias a Dilma e ao PT, uma classe média egoísta brada absurdos contra todas as conquistas que os trabalhadores brasileiros alcançaram nos últimos 12 anos.
Na Câmara dos Deputados, onde impera o fundamentalismo de certos tipos de religiosos que nada têm a ver com o verdadeiro Evangelho de Jesus, pautas constrangedoras e atrasadas avançam: Redução da Maioridade Penal X Políticas Públicas de Reeducação, Terceirização que Precariza Direitos Trabalhistas X Combate ao Trabalho Escravo, Fim de Rotulação dos Alimentos Transgênicos X Maior Regulação e Informação, etc.
Enquanto isto, professores da rede pública dos estados do Paraná e de São Paulo, governados pelos tucanos (que têm total blindagem da mídia) são alvos de repressão policial, violência e abusos de toda ordem.
2015 é revelador: enquanto os ignorantes põem a culpa de tudo em Dilma e no PT, o que há de mais nefasto, atrasado, brutal e irracional avança a passos largos no Brasil. Quando os tolos acordarem do transe coletivo que manda gritar “Fora Dilma” ou “Fora PT”, estarão fisgados pelo monstro bestial da barbárie. -
Razões da minha fé
Ter fé independe de estar filiado a uma instituição religiosa. Eu tento viver a fé em um Deus misericordioso e bom, o Deus de Jesus de Nazaré, que a todos convida ao seu encontro e se entrega por causa dos fracos. O Deus que desce e faz opção pelos pequeninos. Minha fé se baseia na tradição católica popular do Brasil (de herança ibérica e afro-ameríndia) e nas referências da Igreja pós-Vaticano II, em especial da caminhada latino-americana iniciada em Medellin. É a fé de Jesus, de Maria, dos santos, de Francisco de Assis e de tantas anônimas testemunhas do mundo inteiro. Não sou prosélito. Tento ser ecumênico. E sei diferenciar religião e laicidade. Minha fé não pode ser imposta a ninguém. Cada um deve ser livre para exercer sua fé ou nenhuma fé, sem ser constrangido por qualquer instituição religiosa. Enfim, busco viver a fé com inteligência, bem longe do fundamentalismo religioso de qualquer matiz e de todo tipo de fanático que esta praga costuma gerar. (26 de abril de 2015)
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Taiobeiras e a violência: reflexões históricas no Facebook

Violência e extermínio da juventude em Taiobeiras Textos que escrevi na rede social Facebook:
Quando vemos a situação de violência, criminalidade e medo na atualidade de Taiobeiras, pensamos que é coisa somente dos dias de hoje. Embora não se possa relativizar, investigando a história taiobeirense, ficamos sabendo que o povoado/distrito/município sempre teve momentos em que ficou sitiado pela insegurança, importada ou nativa. Leonídio, Renero, Zeferino e Maneca Primo: alguns nomes de “foras da lei” que aterrorizaram Taiobeiras no passado. E, olha que não falamos da classe dirigente de outrora, que resolvia suas contendas com intimidação e tiros. Será que há alguma relação processual na história de nossa violência? (20 abril de 2015)
O que terá acontecido à mulher e à filha pequena de Leonídio em Taiobeiras, após o seu extermínio, no longínquo 1920? Pobres e sem rosto, mulher e filha de “bandido”, nem mesmo seus nomes foram legados à posteridade pela historiografia. (20 de abril de 2015)
Por que Maneca Primo, pistoleiro a soldo (mercenário), que dias antes havia participado da deposição de um governo legítimo em Salinas (Juventino Nunes) e ajudado a entronizar um coronel (Idalino Ribeiro) no poder daquela cidade, fez o que fez, aterrorizou e saqueou a pobre Bom Jardim das Taiobeiras, sem resistência dos “poderosos” do lugar, somente encontrando resistência e derrota em São João do Paraíso? (20 de abril de 2015)
Por que o povo do distrito de Bom Jardim das Taiobeiras fugiu para o mato em abril de 1926, por medo dos “revoltosos” (Coluna Prestes), mas não resistiu ou se escondeu dos pistoleiros do mando, muito mais impiedosos e injustos, ao longo das décadas de faroeste sertanejo? (20 de abril de 2015)
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Diadorim repousa em Taiobeiras?

Praça Joaquim Teixeira, local do antigo cemitério de Taioberias/MG Reza a lenda de que a verdadeira Diadorim, a que teria inspirado o genial João Guimarães Rosa na obra “Grande Sertão Veredas”, estaria sepultada debaixo do solo que alimenta estas imensas árvores (foto) da Praça Joaquim Teixeira, em Taiobeiras, exato lugar onde ficava o antigo cemitério de Bom Jardim. Verdade ou mito?
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Chip da besta: idiotice nas redes sociais
Se você está com medo de um novo tipo de carteira de identidade que possui um chip, então saiba que seu celular tem um chip com seus dados cadastrados; seu tablet, notebook ou PC possuem capacidade de armazenamento e transmissão de dados milhares de vezes maior do que um chip; você já compartilhou seus dados quando abriu contas no WhatsApp, no Facebook, no Instagram, no Twitter, no Yahoo ou em outras redes sociais; e seu cartão de crédito – que possui um chip que você usa para comprar, rsrs, e a máquina do cartão, para vender. O nome da “besta” que criou tudo isto é Capitalismo.
Ah, mas você ouviu na sua igreja que o grande vilão é o Socialismo bolivariano, não é mesmo? -
Imagem peregrina de N. Sra. Aparecida em Taiobeiras
Só mesmo a soberana virgem Maria, a mãe Aparecida, mãe de Jesus de Nazaré, para aquecer e amolecer o gélido e duro coração taiobeirense. Bem-vinda, esposa de José! A gente está precisando. (11 de abril de 2015).
Viva Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil! Ela que sempre nos socorre quando mais precisamos! (12 de abril de 2015) -
Romero, Helder Câmara e Luciano: tempo de colher santos

Dom Oscar Romero 
Dom Helder Câmara e Dom Luciano Mendes de Almeida Dom Oscar Romero em breve será beatificado. Dom Helder Câmara declarado “Servo de Deus” pelo Papa Francisco. O processo de beatificação de Dom Luciano Mendes de Almeida já avança. Houve um tempo em que as sementes foram plantadas na América Latina; e regadas pelo sangue do Cordeiro e dos Mártires da Caminhada. Agora é hora de colher Santos
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Os momentos difíceis e a esperança
Tem momentos em que nos cansamos de tanta hipocrisia, dos vilipêndios que sofremos, da maldade que muitos têm prazer em sentir e desferir contra nós, das trapaças que nos servem de pedras de tropeço, da ruindade que nos praticam envergando sorrisos falsamente amistosos. Estou num momento desses em minha vida. Vontade de ser egocêntrico e só cuidar de mim, dos meus e das minhas coisas. Porém, não foi para isto que fui chamado.
“Mas, entre vós, não deve ser assim: quem quiser ser grande, seja vosso servo; e quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos”. Marcos 10,43-44.
(9 de abril de 2015) -
A lei das terceirizações
Os dois deputados federais mais votados em Taiobeiras no ano passado, Domingos Sávio (PSDB) e Zé Silva (SD) votaram a favor da nova lei das Terceirizações, que prejudica enormemente os trabalhadores brasileiros. O terceiro mais votado em Taiobeiras, Padre João (PT), votou contra, ficando do lado dos trabalhadores. Acompanhe seu deputado. Veja se ele está ao seu favor ou ao lado de interesses contrários ao seu. (9 de abril de 2015)
Um servidor da Câmara, com vínculos com o Paulinho da “Farsa” do Solidariedade, aquele partido que não tem nada de solidário para com os trabalhadores, soltou uns ratos na sessão da CPI da Petrobrás. Aí, uns tolos, teleguiados pela Globo, comentam mais sobre isto, para atacar a Dilma e o PT, do que sobre a desastrosa aprovação da Lei das Terceirizações, pelos tucanos e fisiológicos, que pode lhes custar perca do emprego ou baixos salários. Ehhhh vida de gado! (10 de abril de 2015)












