Autor: Levon Nascimento

  • Artigo do Levon: Eita, mataram mais um ali

    Jovita Rego
    Artigo publicado originalmente no Jornal Folha Regional, Taiobeiras/MG, em 22 de novembro de 2013, edição número 222, ano X, página 3.


    “Eita, mataram mais um ali!”– teria exclamado a matriarca Jovita Secundina Rêgo no entardecer de 23 de setembro de 1911, quando ouvira mais um corriqueiro estampido de espingarda. Minutos depois, ela se daria conta de que aquele tiro adentrara a sala de estar e atingira certeiramente o peito de seu marido Martinho Rêgo, desfechando-lhe a vida. Martinho, líder político e homem próspero, foi o primeiro vereador eleito pelo povoado de Bom Jardim das Taiobeiras para a Câmara Municipal de Rio Pardo de Minas, visto que o distrito de Taiobeiras só passaria à jurisdição de Salinas em 7 de setembro de 1923. Aquele assassinato fora encomendado por um bandoleiro a quem Martinho havia preso e recolhido à cadeia de Rio Pardo por prática de arruaça na feira do povoado. Jurara vingança.


    Por pior que fosse aquela morte, a julgar pela frase de constatação conformada proferida por Jovita, por certo não era fato isolado e extraordinário no cotidiano do pequenino arraial de taiobas nativas e abundantes. Infelizmente, assim como também não tem sido “fatos incomuns” os muitos assassinatos cometidos em Taiobeiras pouco mais de um século depois daquele.

    A escalada da violência em Taiobeiras a partir do final de 2007, estendendo-se e ampliando-se até o momento em que escrevo este artigo, nos estertores de 2013, convoca a sociedade e as autoridades constituídas para uma reflexão mais profunda, para além da atávica propensão de tornar superficial e simplista o entendimento de um fenômeno que nos provoca e amedronta.

    Não é possível buscar soluções no topo das árvores, nas pontas dos galhos e nas folhas secas que caem. Isto seria o mesmo que começar a construir uma casa pelo telhado. Reconheço que o tema é complexo e que ninguém tem uma solução definitiva. No entanto, deve ser tratado a partir das raízes, das origens, das questões de fundo e não apenas do já deblaterados jargões de “senso comum”, segundo os quais os problemas são as “leis permissivas” associadas aos “menores impunes”.

    Defender bordões de redução da maioridade penal ou da instituição da pena de morte, somente mascaram um falsa vontade de resolver os problemas. Configura uma espécie de voluntarismo preguiçoso que se recusa a sacudir as mentes empoeiradas pela incapacidade de pensar no bem comum e em saídas humanizadas para os problemas sociais.

    É fato que a atual onda de violência encontra terreno fértil na juventude pobre, cotidianamente confrontada, humilhada e desafiada pela sociedade consumista e de ostentação. Na cara destes meninos e meninas que aderiram ao tráfico, todos os dias, lhes são aguçados os desejos mais profundos e irracionais da alma humana, tal e qual ocorre também com adolescentes e jovens das classes média e alta. A diferença é que com aqueles primeiros, geralmente excluídos das oportunidades mais básicas, inclusive da convivência familiar saudável, ainda lhes faltam os recursos financeiros para a satisfação dos desejos de consumo.

    Somam-se a isto a falência da família tradicional, a inoperância filosófica das instituições religiosas (mais ciosas de seus dogmas do que do entendimento honesto das necessidades do novo ser humano da era globalizada) e a incapacidade da educação formal (pública e sucateada ou privada e mercantil) de ser atraente e edificante na vida desses jovens.

    Em contraposição a tudo isto, traficantes e criminosos, nem sempre aqueles estereotipados com trejeitos de morros e favelas; muitas vezes bem vestidos e antenados com os valores de mercado, expandem seus negócios com uma psicologia e marketing capazes de dar inveja aos melhores estrategistas e profissionais diplomados e pós-graduados. Atuam pelas margens, estimulando “cheiros e sons”, satisfazendo as “sedes” e as “fomes” de atenção, possibilitando o “status” e a “valorização” que o Estado e a comunidade são incapazes de atender. Seduzem, compram, abduzem, dominam, incorporam, enviam, possuem.

    E a cada morte, a cada crime, a sociedade se esconde de medo. As autoridades rugem, mas nada fazem de efetivo. Debatem como reprimir. Convenientemente se esquecem de que a repressão é apenas um medicamento paliativo ou um mero placebo que é dado à comunidade em crise histérica. A culpa, então, é do menor – este “monstro” que se formou sozinho – ladrão, violento, assassino – que precisa ser tirado do convívio das pessoas “normais” e “saudáveis”. Não se questiona de onde vem esta pessoa que mata ou que morreu. Aliás, comemora-se a morte de mais um “safado” e criminoso. “Fosse boa pessoa não teria se metido nisto!” – exclamam com “justa” autoridade moral. Mas, e quando a morte atinge o “inocente”, como em muitos casos ainda não desvendados pela polícia? Quem formou este menor? Qual a sua história? O que foi feito por ele para que não se tornasse mais um? Perguntas complexas para as quais não temos respostas. Nenhum de nós. Até quando?

    Nossa resposta não pode ser simplificadora ou vazia. Não pudemos sucumbir ao senso comum do “pega, esfola e mata” ou do “prende e arrebenta”. Precisamos ir além do “Eita, mataram mais um ali” pronunciado por Jovita há mais de 100 anos em nossa Taiobeiras. É hora de nos perguntarmos: “o que podemos fazer de bom para que mais um não seja morto ali?”.

  • 20 de novembro: Dia Nacional da Consciência Negra

    Homens e mulheres de pele escura, capturados em suas vilas e aldeias, retirados de seus pares e parentes, trazidos na marra, à força, singraram os mares, tratados como animais, mercadorias vis do vil metal capital.
    Vendidos como bichos, tratados ainda com menor relevância. Achincalhados, humilhados, estuprados, violentados no corpo e na alma. Reduzidos a nada. Levantaram-se, levantam-se, firmes com sua fé, sua cultura, sua crença.
    É necessário celebrar esta consciência NEGRA e se orgulhar dela: da cor, da pele, dos aspectos físicos, das feições, do cabelo e, principalmente, da condição de SER NEGRO no Brasil. Parabéns, Zumbi de Palmares. Parabéns, brasileiros afrodescendentes. A luta continua!
    Esta é a homenagem deste blog a todos que, afrodescendentes ou não, se dedicam à redução da desigualdade racial no Brasil e no mundo. Homenagem, também, a todos os meninos e meninas afrodescendentes, muitos deles meus alunos, que ainda não construiram a consciência de valorização da sua etnia e, lamentavelmente, ainda se martirizam por conta de suas características físicas de origem afro. 
    Homenagem à memória dos meus ancestrais, espoliados, massacrados, humilhados, excluídos em razão de serem negos, mesmo assim, firmes, ousados, inteligentes e dignos. Na eternidade, saibam que eu tenho orgulho de pertencer a este povo!
  • Video: Meritocracia, uma mentira conveniente

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    Qualquer semelhança com a realidade do município de Taiobeiras não é mera coincidência. É a teoria verificada na prática.
  • Preparando um novo livro para os 60 anos de Taiobeiras

    Estou preparando um novo livro, reunindo vários textos meus com uma só temática: Taiobeiras/MG. A minha pretensão é lançá-lo como parte das homenagens pelos 60 anos de emancipação da cidade, a ocorrer no próximo 12 de dezembro.

    Estou na captação de apoios financeiros. Uma grande contribuição artística já está garantida: a capa do livro será ilustrada por uma bela imagem criada pela artista plástica Elisiana Alves.

    Aguardem.

  • Livro do taiobeirense Hermínio Miranda

    Trata-se de um poema em 164 sextilhas (estilo cordel)
    narrando a epopeia da construção do monumento do
    Santo Cruzeiro dos Martírios, no final do século XIX,
    no local que viria a se transformar na cidade de
    Taiobeiras/MG. Este poema foi escrito entre 1995 e 1997,
    para comemorar os cem anos do “Santo Cruzeiro”.

    Mexendo aqui nos meus livros, encontrei “SANTO CRUZEIRO DOS MARTÍRIOS”, de autoria do taiobeirense, já falecido, HERMÍNIO MIRANDA COSTA, poema em 164 sextilhas, publicado em 1997. Uma preciosidade. Vou postar umas sextilhas para vocês. Vejam como é atual!

    […]
    5.
    Neste inteirim da antiguidade
    Começou a povoar Taiobeiras
    Por necessidade
    Em um clima de primeira
    Hoje é uma cidade
    Marcada por uma estrela

    6.
    Há muitos anos na localidade
    No perímetro era gerais
    Já falavam em sociedade
    Em conhecimentos iguais
    Em sem ter piedade
    Passavam os outros pra trás

    […]
    17.
    Nos tempos de seca
    A terra fica turva
    As flores ficam pecas
    As estradas se encurvam
    Também se aceita
    Os que vêm pedir chuva

    […]
    19.
    Assim vem acontecendo
    Desde o princípio do mundo
    O povo não está compreendendo
    Nem nas horas e segundos
    Não se fica arrependendo
    Aí o castigo é profundo

    […]

  • Alguns pensamentos meus por Taiobeiras

    Matriz em Reforma, obra da artista plástica Elisiana Alves, retrata
    o interior da Igreja Matriz de S. Sebastião de Taiobeiras durante
    a última reforma, em 2010

    Originalmente, frases escritas no calor dos acontecimentos, na “tela quente” do Facebook, transcrevo-as e republico-as aqui no Blog, para “perpétua memória”! Aventure-se…!

    * Quando a Autoridade descamba para o varejo dos gracejos, para a seara das agressões verbais mais vis, é porque a crise se desnudou bem mais grave do pensávamos. Ou não tem mais autoridade ou porque nunca teve. (04/10/2013)
    * Quando vejo pessoas sérias comemorando o erro, fazendo de conta que a desonestidade é honesta, sinceramente, dá uma alegria imensa de ter as posições que tenho, de ser quem sou, de lutar pelo que luto… por um mundo mais justo, mais ético, mais humano! (04/10/2013)
    * O maior defeito do ignorante é a falta de dúvida, o mesmo que excesso de certeza. (04/10/2013)
    * Ó “ignorância” amada
    Idolatrada
    Salve, salve! (04/10/2013)
    * Vivemos no tempo das “falsas verdades” ou das “verdadeiras mentiras” ou sei lá… Resulta tudo na mesma decadência, ao final. (04/10/2013)
    * Existem “falsas mentiras”?
    Em caso afirmativo, é de se supor que, de fato, são verdades na clandestinidade. (04/10/2013)
    * Infeliz do tempo em que se comemoram os erros, as imundícies e as ilegalidades, ainda que travestidos dos mais reluzentes mantos de beatitude! (03/10/2013)
    * Assumir-se como situação ou como oposição é um ato de coragem política e de vigor intelectual. É mais fácil ser situação, estar do lado de quem está no poder. No entanto, numa democracia, é necessária a audácia dos que não se dobram e nem calam, a oposição, principalmente nas pequenas cidades como nossa Taiobeiras. (03/10/2013)
    * Quando você está no Facebook, discutindo as questões do dia-a-dia da cidade, do estado, do país, do mundo, você também está fazendo política. Numa manifestação de rua, numa greve, também é política. Nos partidos, também é política. O importante é que você tenha propósito e esteja do lado daquilo que beneficiará a comunidade, especialmente àqueles que mais necessitam de ajuda. Faça política, não tenha medo! (03/10/2013)
    * Toda eleição é política. Mas a política não se resume apenas a eleições. (03/10/2013)
    * Cumpra seus deveres, especialmente com a coletividade. Mantenha as ruas limpas, jogue o lixo na lixeira, não quebre os equipamentos públicos (bancos de praça, orelhões, lixeiras, banheiros públicos, etc.). Não é destruindo o que é de todos que se ataca a velha elite que nos retira a possibilidade de obter maior cidadania. (03/10/2013)
    * Exija seus direitos. Especialmente aqueles que sirvam para o bem de muitas pessoas, da comunidade, da coletividade. Não queira favores, “ajeitos”, regalias. Não venda sua consciência. (03/10/2013)
    * O conhecimento não pode estar separado da prática.
    Não é possível ser professor e não fazer política.
    Professor = magistério = ensino = conhecimento.
    Política = práxis = prática = bem comum. (03/10/2013)
    * Enquanto nossos direitos forem tratados como favores, não teremos uma sociedade democrática. (03/10/2013)
    * Agora à tarde
    A natureza está com aqueles rodeios
    Típicos de primavera no sertão
    Fazendo a corte
    Galanteando o espaço
    Pra ver se chove ou se não chove
    Tomara que chova! (02/10/2013)
    * Comunicador que assassina a “última flor do Lácio” é igual a:
    a) professor que não conhece a matéria que leciona;
    b) pedreiro que não levanta paredes;
    c) cozinheira que não entende de ligar o fogão;
    d) comerciante que não sabe vender;
    e) etc… (02/10/2013)
  • Taiobeiras em reflexões (V)

    De acordo com a Lei Eleitoral brasileira, os programas de propaganda de candidatos (não os de partidos), no rádio e na TV, vão ao ar no ano eleitoral, do mês de agosto até a última quinta-feira antes do dia da eleição. Por que aqui em Taiobeiras é diferente? É outro país? E aí Ministério Público Eleitoral?

  • Taiobeiras em reflexões (IV)

    Na História de Taiobeiras, nunca houve um político que ainda não tenha alcançado mandato tão perseguido quanto Carlito Arruda. É o medo do “estabilishment” em relação ao potencial da liderança e dos ideais transformadores que ele inspira. Mesmo agora, fora do período propriamente eleitoral, ele tem sido vítima de uma campanha de ódio, calúnia e difamação. Isso demonstra a importância que assumiu para a vida política de Taiobeiras, bem como o seu potencial eleitoral para o futuro do município.

  • Taiobeiras em reflexões (III)

    Lutar
    Participar
    Defender
    Discordar
    Novamente…
    Lutar
    Participar
    Defender
    Convergir
    É desse tipo de política que Taiobeiras necessita!
    É dessa política que eu participo!

  • Taiobeiras em reflexões (II)

    Desde as eleições de 2012 que dialogar em Taiobeiras tem um sentido apenas: falar o que os “vencedores” da eleição querem ouvir. Se disser outra coisa, você é “pessoa recalcada” ou “gente do mal”. Não é diálogo, é monólogo. #ditadura!

  • Taiobeiras em reflexões (I)

    VAMOS PENSAR: A onda de radicalização política que atingiu Taiobeiras de um ano para cá é altamente vergonhosa para nossa cidade e município. Se, como dizem, a situação venceu com uma margem de votos tão grande, por que tanto medo da oposição? Por que partir para baixaria sempre? Diálogo verdadeiro não é somente escutar o que se quer, mas saber conviver com os argumentos críticos. Taiobeiras precisa de oposição, sim! E agora temos, de verdade! Muita gente não se conforma com isto. #Avancemos!

  • Como os professores são tratados…

    “Uma perigosa professora ameaça a integridade física de D-E-Z-O-I-T-O policiais militares indefesos” no RJ, em 1º de outubro de 2013. Foto: Yahoo Notícias.


  • Esopo em Taiobeiras e os lobos em pele de cordeiro

    Interessante e lamentável, a radicalização política após a Operação Esopo, da Polícia Federal, passar por Taiobeiras no dia 9 de setembro de 2013. Trataram logo de culpar e acusar a oposição local, numa óbvia manobra para desviar o foco. “A melhor defesa é o ataque”.
    A verdade é que a oposição de Taiobeiras atuou somente e democraticamente na últimas eleições. E tem atuado dentro do Parlamento Municipal. Acho, até, que deveria agir mais. Mas não é o caso. Ponto.
    Esta operação é da Polícia Federal, que não tem lado, nem oposição nem situação. Está ocorrendo em 10 estados do Brasil, em várias cidades de Minas, acusando ex-prefeitos dos mais variados partidos políticos, do PT ao PSDB, do PDT ao PMDB, etc.
    Logo, as pessoas deveriam ficar mais atentas, entender do que se trata, saber quais são as acusações e a gravidade delas, antes de sair por aí tomando defesas cegas ou partindo para a ignorância política.
    Em última instância, qualquer um de nós, que paga tantos impostos, deveria estar preocupado em desmascarar os devidos culpados por tantos desvios. Mas, deixemos as acusações para a Polícia Federal e para o Ministério Público Federal. Cabe a estas instituições, por direito, esta árdua tarefa. A nós, exigir resultados, punições ou comprovação de inocências.
    No fundo, no fundo, quase sempre, todos nós acabamos iludidos por “lobos em pele de cordeiro”. Avancemos!
  • Minhas razões existenciais para ser de oposição em Taiobeiras

    Encontros da Pastoral da Juventude Taiobeiras na
    década de 1990
    Às vezes fico pensando – e lamentando – sobre como alguns companheiros, que vieram da mesma luta que eu, tanto se alienaram e se entregaram aos ditames da direita política daqui de Taiobeiras.
    Fico matutando também sobre o porque de eu não estar lá, na comodidade, numa condição de status, num universo de facilidades e honrarias, alcançando um poder pessoal na sombra dos senhores de plantão.
    E, nesta hora, apesar da tristeza por aqueles que não suportaram o peso da luta e que debandaram para o lado da opressão, meu coração se alegra, sobremaneira, pela minha fidelidade ao propósito, pelo meu amor ao compromisso, pela minha adesão aos que sofrem e aos que precisam das minhas energias vitais para a cada dia se tornarem mais humanos.
    É como sempre ouvi do profeta Jeremias (1,10), desde que iniciei minha militância nas pastorais sociais da Igreja e, em seguida, no PT e nas Ciências Sociais, “Olha, ponho-te neste dia sobre as nações, e sobre os reinos, para arrancares, e para derrubares, e para destruíres, e para arruinares; e também para edificares e para plantares”.
    E me pergunto, respondendo de imediato, como na canção “O Profeta”: “Como calar? Como escapar? Se tua voz arde em meu peito!”
  • Dilma afirma: "Falhou quem apostou contra o Brasil!"

    Presidenta
    Presidenta Dilma no desfile cívico de 7 de setembro de 2013,
    em Brasília/DF. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.

    A presidenta Dilma Rousseff comemorou resultados econômicos alcançados nas últimas semana e afirmou que o governo precisa ter humildade para entender o direito da população de reclamar e de se manifestar, autocrítica para reconhecer que o país que ainda precisa melhorar muito seus serviços públicos. Mas assinalou que há muitos avanços a serem observados.

    Em dez minutos do tradicional pronunciamento, além do breve balanço geral apresentado, Dilma endereçou alguns recados específicos. Ao colunismo econômico, reafirmou que a economia está firme e, apesar do cenário internacional adverso, cresceu no primeiro semestre mais que os ricos EUA, Alemanha e que os concorrentes emergentes, como México e Coreia do Sul. “Nosso tripé de sustentação continua sendo a garantia do emprego, a inflação contida e a retomada gradual do crescimento”, disse, acentuando que “falhou” quem apostou o contrário.

    A presidenta também alinhou-se ao clima de manifestações instalado para o 7 de setembro, ao falar em humildade e autocrítica do governo para reconhecer a precariedade dos serviços públicos e o direito das pessoas de protestar. As palavras escolhidas dão entender que vai também um recado aos órgãos de imprensa que carregam nas notícias negativas na tentativa de minar a aprovação do governo. “Não podemos aceitar que uma capa de pessimismo cubra tudo e ofusque o mais importante: o Brasil avançou como nunca nos últimos anos”.

    Mesmo lembrando mais o tom confiante de pronunciamentos feitos antes de junho, Dilma incorporou o ambiente pós-onda de protestos. “Estamos aprofundando os cinco pactos para acelerar melhorias na saúde, na educação e no transporte, e para aperfeiçoar a nossa política e a nossa economia”, listou. Mas foi direta, logo na abertura da fala, aos que tentam se apropriar do clima com vistas a influenciar as eleições de 2014: “Hoje, nosso Grito do Ipiranga é o grito para acelerar o ciclo de mudanças que, nos últimos anos, tem feito o Brasil avançar. O povo quer, o Brasil pode e o governo está preparado para avançar nesta marcha”.

    Houve ainda um recado para o Congresso Nacional, no que diz respeito às preferências da presidente em torno do balaio de propostas e torno de um reforma política. Dilma foi categórica em defender o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) elaborado por parlamentares do PT, PCdoB, PSB, e PDT e que obteve mais de 180 assinaturas, o bastante para ser entregue na Diretora da Câmara na semana passada para poder tramitar. O projeto prevê plebiscito em torno de temas caros aos movimentos sociais, como o fim do financiamento privado de campanhas.

    Matéria do site Rede Brasil Atual.

    Veja o vídeo do pronunciamento da Presidenta Dilma em 6 de setembro de 2013.

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  • 50 anos do Vaticano II: Bispos Casaldáliga, Pires e Balduíno escrevem aos demais bispos do Brasil

    Uma das seções do Concílio Ecumênico Vaticano II, iniciado há 50 anos
    no papado do bem-aventurado João XXIII
    Queridos irmãos no episcopado,

    Somos três bispos eméritos que, de acordo com o ensinamento do Concílio Vaticano II, apesar de não sermos mais pastores de uma Igreja local, somos sempre participantes do Colégio episcopal, e junto com o Papa, nos sentimos responsáveis pela comunhão universal da Igreja Católica.

    Alegrou-nos muito a eleição do Papa Francisco no pastoreio da Igreja, pelas suas mensagens de renovação e conversão, com seus seguidos apelos a uma maior simplicidade evangélica e maior zelo de amor pastoral por toda a Igreja. Tocou-nos também a sua recente visita ao Brasil, particularmente suas palavras aos jovens e aos bispos. Isso até nos trouxe a memória do histórico Pacto das Catacumbas.

    Será que nós bispos nos damos conta do que, teologicamente, significa esse novo horizonte eclesial? No Brasil, em uma entrevista, o Papa recordou a famosa máxima medieval: “Ecclesia semper renovanda”.

    Por pensar nessa nossa responsabilidade como bispos da Igreja Católica, nos permitimos esse gesto de confiança de lhes escrever essas reflexões, com um pedido fraterno para que desenvolvamos um maior diálogo a respeito.

    1. A Teologia do Vaticano II sobre o ministério episcopal
    O Decreto Christus Dominus dedica o 2º capítulo à relação entre bispo e Igreja Particular. Cada Diocese é apresentada como “porção do Povo de Deus” (não é mais apenas um território) e afirma que, “em cada Igreja local está e opera verdadeiramente a Igreja de Cristo, una, santa, católica e apostólica” (CD 11), pois toda Igreja local não é apenas um pedaço de Igreja ou filial do Vaticano, mas é verdadeiramente Igreja de Cristo e, assim a designa o Novo Testamento (LG 22). “Cada Igreja local é congregada pelo Espírito Santo, por meio do Evangelho, tem sua consistência própria no serviço da caridade, isto é, na missão de transformar o mundo e testemunhar o Reino de Deus. Essa missão é expressa na Eucaristia e nos sacramentos. Isso é vivido na comunhão com seu pastor, o bispo”.

    Essa teologia situa o bispo não acima ou fora de sua Igreja, mas como cristão inserido no rebanho e com um ministério de serviço a seus irmãos. É a partir dessa inserção que cada bispo, local ou emérito, assim como os auxiliares e os que trabalham em funções pastorais sem dioceses,todos, enquanto portadores do dom recebido de Deus na ordenação são membros do Colégio Episcopal e responsáveis pela catolicidade da Igreja.

    2. A sinodalidade necessária no século XXI
    A organização do papado como estrutura monárquica centralizada foi instituída a partir do pontificado de Gregório VII, em 1078. Durante o 1º milênio do Cristianismo, o primado do bispo de Roma estava organizado de forma mais colegial e a Igreja toda era mais sinodal.

    O Concílio Vaticano II orientou a Igreja para a compreensão do episcopado como um ministério colegial. Essa inovação encontrou, durante o Concílio, a oposição de uma minoria inconformada. O assunto, na verdade, não foi suficientemente amarrado. Além disso, o Código de Direito Canônico, de 1983 e os documentos emanados pelo Vaticano, a partir de então, não priorizaram a colegialidade, mas restringiram a sua compreensão e criaram barreiras ao seu exercício. Isso foi em prol da centralização e crescente poder da Cúria romana, em detrimento das Conferências nacionais e continentais e do próprio Sínodo dos bispos, este de caráter apenas consultivo e não deliberativo, sendo que tais organismos detêm, junto com o Bispo de Roma, o supremo e pleno poder em relação à Igreja inteira.

    Agora, o Papa Francisco parece desejar restituir às estruturas da Igreja Católica e a cada uma de nossas dioceses uma organização mais sinodal e de comunhão colegiada. Nessa orientação, ele constituiu uma comissão de cardeais de todos os continentes para estudar uma possível reforma da Cúria Romana. Entretanto, para dar passos concretos e eficientes nesse caminho – e que já está acontecendo – ele precisa da nossa participação ativa e consciente. Devemos fazer isso como forma de compreender a própria função de bispos, não como meros conselheiros e auxiliares do papa, que o ajudam à medida que ele pede ou deseja e sim como pastores, encarregados com o papa de zelar pela comunhão universal e o cuidado de todas as Igrejas.

    3. O cinquentenário do Concílio
    Nesse momento histórico, que coincide também com o cinqüentenário do Concílio Vaticano II, a primeira contribuição que podemos dar à Igreja é assumir nossa missão de pastores que exercem o sacerdócio do Novo Testamento, não como sacerdotes da antiga lei e sim, como profetas. Isso nos obriga colaborar efetivamente com o bispo de Roma, expressando com mais liberdade e autonomia nossa opinião sobre os assuntos que pedem uma revisão pastoral e teológica. Se os bispos de todo o mundo exercessem com mais liberdade e responsabilidade fraternas o dever do diálogo e dessem sua opinião mais livre sobre vários assuntos, certamente, se quebrariam certos tabus e a Igreja conseguiria retomar o diálogo com a humanidade, que o Papa João XXIII iniciou e o Papa Francisco está acenando.

    A ocasião, pois, é de assumir o Concílio Vaticano II atualizado, superar de uma vez por todas a tentação de Cristandade, viver dentro de uma Igreja plural e pobre, de opção pelos pobres, uma eclesiologia de participação, de libertação, de diaconia, de profecia, de martírio… Uma Igreja explicitamente ecumênica, de fé e política, de integração da Nossa América, reivindicando os plenos direitos da mulher, superando a respeito os fechamentos advindos de uma eclesiologia equivocada.

    Concluído o Concílio, alguns bispos – sendo muitos do Brasil – celebraram o Pacto das Catacumbas de Santa Domitila. Eles foram seguidos por aproximadamente 500 bispos nesse compromisso de radical e profunda conversão pessoal. Foi assim que se inaugurou a recepção corajosa e profética do Concílio.

    Hoje, várias pessoas, em diversas partes do mundo, estão pensando num novo Pacto das Catacumbas. Por isso, desejando contribuir com a reflexão eclesial de vocês, enviamos anexo o texto original do Primeiro Pacto.

    O clericalismo denunciado pelo Papa Francisco está sequestrando a centralidade do Povo de Deus na compreensão de uma Igreja, cujos membros, pelo batismo, são alçados à dignidade de “sacerdotes, profetas e reis”. O mesmo clericalismo vem excluindo o protagonismo eclesial dos leigos e leigas, fazendo o sacramento da ordem se sobrepor ao sacramento do batismo e à radical igualdade em Cristo de todos os batizados e batizadas.

    Além disso, em um contexto de mundo no qual a maioria dos católicos está nos países do sul (América Latina e África), se torna importante dar à Igreja outros rostos além do costumeiro expresso na cultura ocidental. Nos nossos países, é preciso ter a liberdade de desocidentalizar a linguagem da fé e da liturgia latina, não para criarmos uma Igreja diferente, mas para enriquecermos a catolicidade eclesial.

    Finalmente, está em jogo o nosso diálogo com o mundo. Está em questão qual a imagem de Deus que damos ao mundo e o testemunhamos pelo nosso modo de ser, pela linguagem de nossas celebrações e pela forma que toma nossa pastoral. Esse ponto é o que deve mais nos preocupar e exigir nossa atenção. Na Bíblia, para o Povo de Israel, “voltar ao primeiro amor”, significava retomar a mística e a espiritualidade do Êxodo.

    Para as nossas Igrejas da América Latina, “voltar ao primeiro amor” é retomar a mística do Reino de Deus na caminhada junto com os pobres e a serviço de sua libertação. Em nossas dioceses, as pastorais sociais não podem ser meros apêndices da organização eclesial ou expressões menores do nosso cuidado pastoral. Ao contrário, é o que nos constitui como Igreja, assembleia reunida pelo Espírito para testemunhar que o Reino está vindo e que de fato oramos e desejamos: venha o teu Reino!

    Esta hora é, sem dúvida, sobretudo para nós bispos, com urgência, a hora da ação. O Papa Francisco ao dirigir-se aos jovens na Jornada Mundial e ao dar-lhes apoio nas suas mobilizações, assim se expressou: “Quero que a Igreja saia às ruas”. Isso faz eco à entusiástica palavra do apóstolo Paulo aos Romanos: “É hora de despertar, é hora e de vestir as armas da luz” (13,11). Seja essa a nossa mística e nosso mais profundo amor.

    Abraços, com fraterna amizade,

    Dom José Maria Pires, arcebispo emérito da Paraíba.
    Dom Tomás Balduino, bispo emérito de Goiás.
    Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia.

    15 de agosto de 2013.
  • Artigo do Levon: Rumo a Jesus, com Francisco, nas areias de Copacabana

    * Levon Nascimento
    Artigo publicado originalmente na edição impressa do Jornal Folha Regional, Taiobeiras/MG, agosto de 2013, ano IX, n. 218.

    Entre os dias 24 e 29 de julho participei da 28ª Jornada Mundial da Juventude na cidade do Rio de Janeiro, juntamente com outras pessoas da Paróquia São Sebastião de Taiobeiras.

    Foram dias especiais, de aprendizado, oração e partilha. A presença do Papa Francisco, sempre gentil, afetuoso e firme na mensagem do Evangelho, a todos nós encantou, educou e fortaleceu na fé e nos valores cristãos.

    Especialmente, nos chamou a atenção a enorme “Babel” de povos do mundo espalhados pelo Rio de Janeiro. Gente de todos os países a falar em seus idiomas. Muitos argentinos barulhentos e alegres, conterrâneos do Papa Francisco. No entanto, a “Babel” carioca, ao contrário da bíblica, parecia-se mais com o Pentecostes, no qual os apóstolos e Maria receberam o Espírito Santo. Apesar dos diferentes povos e línguas faladas, no Rio todos se entendiam, se confraternizavam e compartilhavam as experiências com carinho e admiração. Fez-se ali uma pequena demonstração do que deve ser o desejo de Deus para o seu povo: união, amor, misericórdia, compaixão, partilha.

    Aprendemos que é preciso cultivar a fé sem deixar de estar atentos à realidade vivida. Como nos ensinou Francisco, a fazer eco ao Evangelho de Cristo, não é possível que julguemos o diferente ou o excluamos. A todos sem exceção, temos de amparar, acolher, respeitar e promover o diálogo ecumênico e inter-religioso. Precisamos “ir às ruas”, abraçar, acolher, “globalizar a solidariedade e combater a indiferença”.

    Seguindo o ensinamento de Francisco, já não é mais possível uma Igreja com mentalidade “de príncipes”. É hora dos católicos avançarem e “fazerem a Igreja nas ruas”, compartilhando da pobreza concreta ou espiritual dos destinatários da mensagem cristã. Destinatários que devem ser encontrados não mais nos centros civilizacionais ou econômicos do mundo, mas nas periferias do planeta, periferias existenciais e geográficas.
    Devido à dinâmica acelerada dos eventos da Jornada e da dificuldade de locomoção pelo Rio, uma vez que muitas vias estavam interditadas por causa do evento, não pudemos subir o Corcovado para ver a estátua do Cristo Redentor. Muitos de nossos companheiros de viagem lamentavam. Só ao final de tudo, quando fizemos um momento de oração e partilha, é que entendemos. Na verdade, o Redentor esteve pedagogicamente conosco durante toda a viagem, assim como no “desconhecido” Jesus ressuscitado que acompanhou e explicou as escrituras aos dois discípulos que se dirigiam a Emaús na tarde do domingo de Páscoa. Amedrontados com a crucificação do mestre e ainda sem saber do ocorrido naquela manhã, eles não eram capazes de ver naquele estranho o Senhor que ressuscitara. Somente tomaram conhecimento disso quando Ele partiu o pão em sua casa.

    Assim foi conosco. Não vimos de perto a estátua do redentor. Nem por isso o Redentor (de fato) deixou de compartilhar conosco todo o seu amor e ensinamento durante a JMJ Rio 2013.
    As areias e o asfalto de Copacabana, tomados por quase 4 milhões de pessoas na manhã do domingo 28 de julho de 2013, demonstraram ao mundo que ainda há uma enorme sede de fé e uma grande fome de união universal; um enorme espaço para que a mensagem do jovem carpinteiro de Nazaré da Galileia, de amor e fraternidade, permaneça mais viva e útil do que em qualquer outro momento da história humana.

  • Mais obras dos Governo Federal em Taiobeiras

    Para dar continuidade à série de postagens sobre as obras do Governo Federal, comando da Presidenta Dilma Rousseff (PT), no município de Taiobeiras, apresentamos a ampliação do Sistema de Esgotamento Sanitário da cidade. Uma obra com grande investimento público e que está mudando a realidade da saúde e do saneamento para a população taiobeirense. Mas uma prova do comprometimento do governo do PT com a melhoria da infraestrutura urbana de todo o Brasil, especialmente dos municípios pequenos e de regiões carentes, como é o caso do Norte de Minas Gerais.

    A continuidade da obra do Esgoto de Taiobeiras tem custo total de R$ 13.428.404,36 e revoluciona a política de saneamento básico municipal.

    É mais uma prova do compromisso republicano do Governo Federal, sob comando do PT, que segue as regras democráticas, não discriminando a oposição tucana. Exemplo, como já foi dito neste blog, que deveria ser seguido por todos os demais níveis de governo e por amplos setores da sociedade brasileira.

    Placa oficial com informações sobre a obra de ampliação da Rede de
    Esgotamento Sanitário de Taiobeiras/MG
    Para saber mais sobre as outras obras do Governo Federal em Taiobeiras, clique neste link.
  • Dia dos Pais: Parabéns!

    * Texto de Levon Nascimento

    Parabéns aos pais do mundo inteiro
    De todas as classes
    De todas as etnias
    De todos os povos
    De todos os olhares!

    Parabéns, especialmente, aos pais do Povo
    Aos jovens pais
    Aos pais idosos, vovôs
    Aos pais das favelas
    Aos pais quilombolas
    Aos pais indígenas!

    Parabéns aos pais
    Consanguíneos
    Adotivos
    Espirituais
    Mestres!

    Parabéns aos pais
    Parabéns aos pais padrinhos
    Parabéns a quem sabe ser pai
    Parabéns, Abba, paizinho, criador, eterno!


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