Autor: Levon Nascimento

  • “Comunista, graças a Deus!”

    “Comunista, graças a Deus!”

    Lênin não acreditava em céu ou inferno, pois era ateu. Porém, a julgar pelo propósito dele, que era derrotar a burguesia que adora o capital e despreza o próximo, e conhecendo o que diz o Evangelho de Jesus, sou da humilde opinião de que é mais fácil Lênin se encontrar no Paraíso do que os seus difamadores religiosos entrarem no Reino dos céus.

    Falo isso porque assisti a um vídeo produzido pelo gabinete do ódio do bolsonarismo, feito para difamar o ministro Flávio Dino, católico de esquerda, novo escolhido de Lula para o STF.

    No vídeo, em uma entrevista antiga, Dino diz que é “comunista, graças a Deus!”, numa referência ao seu antigo partido, o PCdoB. Hoje ele é do PSB. Nenhum problema. Os primeiros cristãos, segundo os Atos dos Apóstolos, também eram “comunistas, graças a Deus”, pois “tinham tudo em comum e dividiam seus bens com alegria”. Aliás, Jesus ameaçou os “capitalistas” da época com um chicote, no templo, “porque faziam da casa do Pai um mercado”, e em outra passagem disse categoricamente que era “mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino do céus”.

    Mas o que tem Lênin a ver com isso?

    É que no tal vídeo, Dino diz seguir a cartilha de Lênin. Mentirosamente, o vídeo feito para gente que nunca leu uma orelha de livro de Ciência Política ou História, faz uso do mais sujo fanatismo religioso. Diz que Lênin recebeu seu “decálogo” diretamente do inferno. Ignoram que além de político, Lênin foi um dos mais prestigiados intelectuais da política, da economia e da filosofia de sua época. Um decálogo para Lênin é pouco.

    Enfim, tanto quanto Cristo foi condenado pelos religiosos de seu tempo, mal comparando, com todos os nossos defeitos humanos, todas as lideranças que enfrentam o capitalismo e os ricos do mundo, como Lênin, Mandela, Dilma, Lula e Dino, são massacradas por gente que se diz de Deus; gente cujo “o lugar é o céu”. Nem que seja o céu da boca da onça.

  • Lançamento do livro Torpes Labéus

    Lançamento do livro Torpes Labéus

    Em 8 de dezembro de 2023, na sede da Câmara Municipal de Taiobeiras, norte de Minas Gerais, ocorreu o lançamento do livro “Torpes Labéus: Diário da Pandemia Fascista Brasileira (2013-2023)”, publico pela Editora Autografia, de autoria do professor Levon Nascimento.

    A obra retrata a década de 2013 a 2023, passeando pelos fatos históricos, políticos e sociais do Brasil no período, em formato de diário, com um viés crítico.

    No evento de lançamento, estiveram presentes o deputado federal Padre João (PT/MG), o deputado estadual Leleco Pimentel (PT/MG), lideranças políticas, religiosas, sociais e comunitárias da microrregião do Alto Rio Pardo, educadores, músicos, poetas e ativistas sociais e culturais.

    Confira as fotografias…

  • Gratidão por 2023. Feliz 2024!

    Gratidão por 2023. Feliz 2024!

    A palavra é gratidão! Agradecimentos. Muito obrigado!

    Ao Emanuel-Deus-Conosco, pela vida que não se esgota.

    À minha família, pela travessia amorosa neste tempo histórico.

    Aos/às amigos/as, pela gratuidade da amizade.

    Aos/às companheiros/as de lutas políticas de esquerda, partidárias e sociais, pelo compartilhamento dos sonhos de uma nova sociedade, mais justa, plural e fraterna.

    Aos/às colegas de trabalho, pela oportunidade de construir a educação pública, gratuita e de qualidade.

    Aos/às meus/minhas alunos/as, pelo carinho.

    Aos/às professores/as do doutorado, pelos ensinamentos, que nunca são poucos.

    Aos/às colegas do doutorado, pelas aflições passadas juntos.

    Aos irmãos/ãs cristãos/ãs, pela vivência autêntica do Evangelho de Jesus Libertador.

    Aos/às leitores dos meus livros, pela paciência em tentar compreender as minhas ideias.

    Aos/às colaboradores/as de Torpes Labéus, das mais variadas ajudas (ilustração da capa, exórdio, epílogo, mística das Camponesas, mestra de cerimônia, cantores, poetas, animadores, patrocinadores, colaboradores da “vakinha” online, “Juntos Para Servir”), meu afeto e abraço.

    Deus recompense vocês com mais vida, saúde, alegria e amor.

  • Torpes Labéus: novo livro de Levon Nascimento

    Torpes Labéus: novo livro de Levon Nascimento

    * Por Levon Nascimento

    A produção de um livro é um tipo de operação que muita gente não vê, porém é árdua, exaustiva e complexa. Em outras palavras, dá trabalho… muito trabalho! É necessário valorizar, incentivar, comprar e, principalmente, LER.

    Meu novo livro, TORPES LABÉUS, que será lançado em dezembro próximo, é uma espécie de diário, que retrata os dez últimos anos de nossa história social, política e cultural. Como é um diário, traz a visão e a opinião do autor sobre os fatos ocorridos. Será uma fonte a mais de pesquisa para quem deseja entender sobre como chegamos nessa era de Torpes Labéus.

    A capa é do talentoso @cigania, o exórdio do amigo escritor rio-pardense @vladepatricio e o epílogo do amigo moçambicano @juma_acha.

  • Obras do novo Governo Lula em Taiobeiras

    Obras do novo Governo Lula em Taiobeiras

    #lula | #taiobeiras | Já tem obra do novo Governo Lula em Taiobeiras. A obra da foto é na Praça de Esportes. Mas tem muito mais. É Lula com o nosso povo! Do Zema e do Bolsonaro, ninguém sabe, ninguém viu.

  • Novo Minha Casa Minha Vida Rural em Taiobeiras

    Novo Minha Casa Minha Vida Rural em Taiobeiras

    Neste domingo (10/9/23), estive nas reuniões das associações comunitárias de Lagoa Dourada e Mirandópolis, juntamente com Rafael Ferreira, Geraldo Caldeira Barbosa, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras e Flaviana Costa Sena Nascimento, candidata a Conselheira Tutelar de Taiobeiras.

    Na oportunidade, falamos do novo programa Minha Casa Minha Vida Rural, das políticas públicas do Governo Lula, do associativismo e da importância de fazer parte do sindicato e esclarecemos sobre o processo de eleição do Conselho Tutelar, que ocorrerá no próximo dia 01 de outubro.

    Gratidão a Nelson, Nilson e dona Elza, que nós convidaram para participar desses frutíferos encontros.

  • Padre João e Leleco Pimentel no Riacho de Areia e em Olhos D’Água, em Taiobeiras

    Padre João e Leleco Pimentel no Riacho de Areia e em Olhos D’Água, em Taiobeiras

    No sábado (9/9/23), o Projeto “Juntos para Servir”, dos mandatos do Deputado Federal Padre João e do Deputado Estadual Leleco Pimentel (Partido dos Trabalhadores – MG), esteve em Taiobeiras, no Alto Rio Pardo.

    Primeiramente, os deputados se reuniram com os moradores da Comunidade de Olhos D’Água, onde prestaram contas do trabalho legislativo e fizeram a entrega de uma carreta-tanque e de um subsolador, frutos de emendas parlamentares, à associação comunitária.

    Em seguida, foi a vez da Comunidade Riacho de Areia, onde houve uma confraternização com os moradores e convidados das comunidades vizinhas. Foram entregues às associações de Manteiga e Riacho de Areia um trator e uma grade agrícola.

    Na oportunidade, os deputados reafirmaram os compromissos com as comunidades, a agricultura familiar, a educação do campo e a moradia popular de caráter social.

    Esclareceram sobre o novo Minha Casa Minha Vida Rural e as demais políticas públicas emancipadoras do Governo do Presidente Lula. Os diretores do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras, Geraldo Caldeira, Lourival Sena, Rafael Lucas, Gabriel Ferreira e Luciana, além de Tia Kêu, participaram das atividades com os deputados, organizadas pelo assessor regional Romário Fabri Rohm.

    O professor Levon Nascimento e os presidentes das associações visitadas, Antônio , Fabiano, Renilva e Marli, também acompanharam as atividades.

    Vilmar, presidente da Associação Municipal das Comunidades Rurais de Taiobeiras fez presença na reunião em Riacho de Areia.

    Edianilha (Nina), da Cooperativa de Restauradores do Cerrado Mineiro, presenteou os deputados com licores artesanais de frutos típicos da flora de Taiobeiras. Gratidão a todas e a todos!

  • Audiência na CODEVASF

    Audiência na CODEVASF

    Na segunda (11/9/23), participei de uma audiência na 1a. Superintendência Regional da CODEVASF, em Montes Claros, a convite do Deputado Federal Padre João (PT) e do Deputado Estadual Leleco Pimentel (PT), juntamente com várias lideranças populares da base do Projeto “Juntos Para Servir” das regiões Norte de Minas e Alto Rio Pardo.

    Discutimos e cobramos o atendimento célere das demandas de políticas públicas estruturantes para os nossos municípios.

    Entre os participantes, Geraldo Caldeira Barbosa, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras, Rafael Ferreira Lucas, mobilizador do Programa Minha Casa Minha Vida Rural em Taiobeiras, Romário Fabri Rohm, assessor dos mandatos “Juntos Para Servir” no Alto Rio Pardo, e Letícia, vereadora de Águas Vermelhas.

  • Poesia em Partículas, livreto de Levon Nascimento, na Amazon

    Poesia em Partículas, livreto de Levon Nascimento, na Amazon

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    Vinte e oito poesias curtas, compostas em quatro semanas, inspiradas nas flores, no sol, na lua e nas estrelas; sobre a vida, o choro, a alegria, o local e o global, o presente e o universal. Para se reencantar no encanto de viver.

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  • Derrubaram pé de pequi do Cruzeiro em Taiobeiras

    Derrubaram pé de pequi do Cruzeiro em Taiobeiras

    Um dia para chorar!

    Derrubaram o pequizeiro do Santo Cruzeiro, árvore histórica e tombada, patrimônio natural, histórico e cultural de Taiobeiras. Era um dos três elementos do conjunto que se compõe com o Santo Cruzeiro dos Martírios e a capelinha.

    Foi sob sua sombra que os peregrinos dos gerais, em penitência por chuva, no longínquo 1896, fizeram a promessa de erguer um cruzeiro ornamentando com os instrumentos do martírio de Cristo se alcançassem a benção do fim da seca.

    Graça conquistada, pagaram o compromisso em 2 de julho de 1897, levantando a grande cruz ao lado do pequizeiro.

    No mínimo, 150 anos de memórias sucumbiram pela motosserra em questão de segundos. A dor da destruição!

    É importante que a lei seja aplicada, com direito à defesa, para punir os eventuais responsáveis. E a nós, resta chorar, feito o dia de hoje (21/07/2023), em que até os céus vertem lágrimas sobre Taiobeiras.

    #taiobeiras #patrimoniocultural #patrimoniohistorico #cultura #historia

  • Financiamento coletivo do livro “Torpes Labéus” de Levon Nascimento

    Financiamento coletivo do livro “Torpes Labéus” de Levon Nascimento

    “Torpes Labéus: Diário da Pandemia Fascista Brasileira (2013-2023)” é o meu oitavo livro. Trata-se de uma coletânea de memórias sobre os fatos da história brasileira ocorridos nos últimos dez anos. O livro está em fase de editoração e impressão. O custo é bastante elevado. Colaborações acima de R$ 60,00 terão direito a um exemplar do livro. Colabore.

    Pix da ‘vakinha’ colaborativa para o livro “TORPES LABÉUS”:

    3875812@vakinha.com.br

  • Levon Nascimento lança “Guia Pessoal de Cultura 2023”

    Levon Nascimento lança “Guia Pessoal de Cultura 2023”

    Olá! Sou Levon! Professor de história, mestre em políticas públicas, doutorando em direito ambiental, escritor, poeta e ativista da defesa da Pessoa Humana e da Casa Comum que é a Terra.

    Neste livreto você encontra um guia da minha produção intelectual, artística e cultural.

    São vídeos, poemas, programas de rádio e, principalmente, livros.

    Produtos de uma intensa e batalhada caminhada, cujo propósito não é comercializar, mas compartilhar.

    Compartilho dons. Dom é presente.
    De graça recebi. Gratuitamente reparto.

    Você pode conhecer mais a minha obra.
    Siga-me nas redes sociais e leia meus textos.

  • Como podemos interpretar a vinda de Maduro ao Brasil? Pergunta de João Victor Almeida

    Como podemos interpretar a vinda de Maduro ao Brasil? Pergunta de João Victor Almeida

    Resposta:

    Como a retomada das boas relações do Brasil com seus vizinhos.

    Não foi só Maduro quem veio nesta terça a Brasília, mas todos os presidentes sul-americanos. É uma tradição brasileira, desde o Barão do Rio Branco, manter política de boa vizinhança com as Nações sul-americanas. Bom hábito cultivado, inclusive, no Estado Novo (1937-1945) e na Ditadura Militar (1964-1985), quebrado apenas na gestão ignorante e nazifascista de Jair Bolsonaro (2019-2022).

    Lula, ao receber Maduro, muito mais do que uma opção ideológica, reafirma a liderança natural do Brasil sobre esta parte do globo. Inclusive, Lula conseguiu de Maduro um acordo para a retomada dos pagamentos de dívidas venezuelanas para com o nosso BNDES.

    Todas as ações internacionais de Lula, até agora, resultaram em ganhos financeiros, econômicos, políticos e geoestratégicos para o país. A choradeira da extrema-direita e da mídia é apenas mais um reflexo da mente colonizada que guia nossa elite do atraso.

    Imagine se Lula e Janja tivessem recebido jóias de centenas de milhões da ditadura da Arábia Saudita…

  • De novo a Barragem de Berizal? O porquê de insistir no assunto

    De novo a Barragem de Berizal? O porquê de insistir no assunto

    Levon Nascimento, levon2012@yahoo.com.br

    Há uma grande sensibilidade do Governo Lula para com a Barragem de Berizal. É o que pude sentir nas palavras do Ministro Waldez Góes, em Montes Claros, durante o 1º Fórum “Desenvolve Sudeste” do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (29/05/2023).

    Mas, também nas manifestações do Ministro, o Presidente Lula somente se comprometerá com a efetivação da obra se as condicionantes levantadas pelos diversos órgãos competentes estiverem todas resolvidas, pois há um ordenamento legal a ser seguido. E Lula, com sabemos, é um legalista por excelência. Prova disso foi sua obediência ao Poder Judiciário nacional, mesmo quando lhe era infligida a injustiça máxima de sua condenação sem provas por um juiz “suspeito e incompetente” (sentença proferida pela própria Suprema Corte constitucional).

    É compreensível que os cidadãos se encontrem cansados da novela “da barragem” e descrentes dos órgãos de Estado. Exigir que entendam esses meandros, quando a luta pela sobrevivência faz a pauta do cotidiano, é um tanto ingênuo.

    Para isso, os lutadores sociais e os atores políticos precisam agir na compreensão técnica sobre o que são essas condicionantes e a quais órgãos elas competem.

    Não basta só pedir a um Ministro, ou mesmo ao Presidente, fazer discurso e fotografar. Eu mesmo discursei e fotografei. É absolutamente insuficiente. Necessária se faz uma força-tarefa multidisciplinar e suprapartidária, técnica e política (na melhor acepção do interesse da polis), que verifique ponto a ponto o que entrava a obra e busque soluções para cada um deles.

    Ao contrário das falácias da extrema-direita que desgovernou o país por seis anos, o Governo Lula é de atenção, diálogo e ação. Ação dentro da factualidade e da legalidade, sobretudo levando em conta o povo trabalhador, os agricultores e as agricultoras familiares, as famílias trabalhadoras, a população pobre e em insegurança hídrica. Sem revanchismos, porém sem tergiversações.

    O primeiro passo, a meu ver, é retomar consistentemente a organização do Território da Cidadania do Alto Rio Pardo, para na transversalidade das políticas públicas, decidir com “os de baixo” os rumos de nossa região. A barragem será para todos, como deve ser.

    Outra coisa: a região tem de compreender que a melhor chance dessa obra virar realidade é com Lula; e não deixar a ideologia atrasada do colonialismo neoliberal fechar a janela de oportunidade da história.

    #OBrasilVoltou #OBrasilFelizDeNovo

  • Frei Feliciano e o ato de ler

    Frei Feliciano e o ato de ler

    Na manhã de 30 de abril de 2023, um dia raramente nublado e fresco em Montes Claros – cidade costumeiramente quente, como o sol do Norte de Minas – resolvi bater perna pelo centro. Domingo e em véspera de feriado, tudo totalmente esvaziado e com lojas fechadas, por óbvio. Passei em frente ao local de uma antiga loja de livros (este ponto pintado de verde, na foto que acompanha o texto). Não sei o que funciona ali agora. Mas a história que vou contar a seguir me veio à memória de imediato.

    Em novembro de 1994, fui eleito delegado-jovem da Paróquia São Sebastião de Taiobeiras para a 4ª Assembleia de Pastoral da então Diocese de Montes Claros. Era um evento grande, que durava quatro dias, no qual eram decididos os compromissos da Igreja e as diretrizes pastorais católicas para o Norte de Minas.

    Fomos para a assembleia no carro da paróquia. Dirigindo, o próprio pároco, Frei Feliciano van Sambeek, um franciscano holandês, bonachão, gente muito boa, alto, cabelos branquíssimos, bochechas rosadas, como é comum aos nativos dos Países Baixos, riso fácil, que falava num sotaque engraçado, meio que assoviando ao final das frases. Ele gostava de tocar teclado e cantar. Até que tentou isso durante as missas, mas era difícil conciliar a presidência da celebração e a atividade musical. Além de nós, iam também a Irmã Laudeci, representando as religiosas da paróquia; Vitor Hugo, conselheiro paroquial; e mais outras duas pessoas, também escolhidas para a delegação taiobeirense em Montes Claros.

    O evento começaria à noite, com missa solene na Catedral. No restante dos dias, a programação seguiria na Casa de Pastoral do bairro Santo Antônio. Como chegamos no início da tarde, fomos caminhar pelo centro de Montes Claros.

    No “Quarteirão do Povo Simeão Ribeiro”, rua transformada em galeria comercial, onde o trânsito de veículos automotores é impedido até a atualidade, que leva até a praça da primeira Matriz montes-clarense, entramos numa livraria.

    Distraidamente, todos nós a observarmos os produtos à venda, assistimos ao Frei Feliciano pegar um livro e dizer: – “Este foi o primeiro que li, ainda jovem, quando estava aprendendo português para vir em missão ao Brasil”. Era “Dom Casmurro”, originalmente lançado em 1899, de Machado de Assis. – “Muito bom! Muito bom! É o maior autor da sua língua”. O frade tinha o hábito de repetir duplicadamente as expressões de exclamação.

    Todo esse rodeio, até aqui, para eu revelar que senti vergonha naquele momento. Envergonhado pelo motivo de que ali eu era um jovem que cursava o 3º ano Técnico em Contabilidade, equivalente ao 3º ano do Ensino Médio, e jamais lera Machado de Assis. Já ouvira falar, mas jamais tivera a iniciativa de conhecer. Nem a ele, como a nenhum de tantos outros e outras, da honorável galeria de escritores nacionais.

    Senti-me acanhado, pois um estrangeiro conhecia melhor a literatura do meu país, mais do que eu, brasileiro, estudante, jovem, liderança dos grupos da minha cidade, blá, blá, blá, etc. Quando a gente é novo se acha, né?

    Eu até que lia. O primeiro que consumi inteiramente foi “O Burrinho Alpinista” (de Iêda Dias da Silva), na 2ª série. Mas era o indicado pela escola. O zero-um, de fato, que considero, foi “A Ilha Perdida” (de Maria José Dupré), na 4ª série, que me abriu as portas para a Coleção Vaga-Lume, da Editora Ática. Também os clássicos, como “A Escrava Isaura” e “O Seminarista”, ambos de Bernardo Guimarães, eu já tinha lido naquela ocasião. O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry), O menino do dedo verde (Maurice Druon), Os meninos da Rua Paulo (Ferenc Molnár), também já constavam do meu currículo. Mas era pouco. Muito Pouco! Muito Pouco! – parafraseando Frei Feliciano. Faltava o “bruxo do Cosme Velho”, como alcunhavam ao Joaquim.

    Joaquim Maria Machado de Assis nasceu e viveu a maior parte da vida no século XIX. Filho de um “mulato” (palavra racista usada aqui para destacar o quanto o racismo é insidioso, inclusive na cultura) brasileiro com uma mulher branca, imigrante portuguesa.

    Escritor brilhante e fundador da Academia Brasileira de Letras, fez sucesso justamente no momento em que a recém-nascida República buscava branquear o Brasil através da política de importação de imigrantes brancos famintos, que viviam na miséria da Europa industrializada, doando-lhes terras e recursos no Sul do país, enquanto empurrava os negros recentemente alforriados para morros e favelas; e defenestrava os poucos povos indígenas que sobraram dos tempos coloniais.

    Machado foi “clareado” nas fotos e nos livros. Não era suportável para as classes dirigentes racistas brasileiras, que o maior escritor das Américas, do hemisfério Sul e, quiçá, da própria língua portuguesa, fosse um pardo.

    Sentir vergonha da própria ignorância, longe de baixa autoestima, num tempo como agora em que muitos se orgulham do próprio desconhecimento e se proclamam “coaches do abstrato”, deveria ser prática comum para quem deseja “superar os desafios” e “vencer na vida”, se é que isto é possível (muita ironia envolvida).

    Vergonha na cara não mata. No mínimo, melhora o vocabulário.

    Frei Feliciano, que foi pároco de Taiobeiras entre 1993 e 1995, partiu para a morada eterna em 2 de junho de 2021, aos 92 anos de idade, e eu, hoje, pelo menos sei quem são Capitu e Bentinho.

  • 97 anos da passagem dos “revoltosos” da Coluna Prestes em Taiobeiras

    97 anos da passagem dos “revoltosos” da Coluna Prestes em Taiobeiras

    Exatos 97 anos atrás, era uma segunda-feira, dia 26 de abril de 1926. Naquela manhã, o grupo de cerca de 1.500 combatentes da coluna revoltosa tenentista liderada pelo capitão Luís Carlos Prestes adentrou o pequeno distrito de Bom Jardim de Taiobeiras, vindo da região de Serra Nova, município de Rio Pardo de Minas, onde empreendera a famosa manobra do “laço húngaro”.

    Os soldados foram bem recebidos por Teófilo Rêgo, comerciante do povoado que não fugira para os matos do Grama.

    Único evento da história nacional que tem um pequeno capítulo desenrolado em Taiobeiras, a Coluna Prestes foi uma rebelião contra o governo oligárquico do presidente Arthur Bernardes (1922-1926).

    Em pouco menos de três anos, percorreu cerca de 25 mil quilômetros pelo Brasil, lutando contra – e vencendo na maioria das vezes – as tropas oficiais e mercenárias contratadas pelos coronéis aliados do Governo Federal.

    Em nossa região, seu tempo é conhecido como a época dos revoltosos. Muitas das atrocidades atribuídas ao grupo, na verdade, foram praticadas pelas hostes oficiais que, sem escrúpulos, punham a culpa nos combatentes invictos.

    Entre os objetivos da gloriosa coluna, estavam o de banir a oligarquia e industrializar o país.

    Teófilo Rêgo atendeu às demandas de Luís Carlos Prestes que, ao sair de Taiobeiras rumo à Bahia, entregou ao estalajadeiro um coturno cheio de moedas, que somavam valor suficiente para cobrir os custos da estadia.

    Que tal em 2026, aos cem anos dessa epopeia, Taiobeiras erguer um monumento celebrativo desse fato histórico?

    Levon Nascimento

  • Livro Acepção Levon Nascimento

    Livro Acepção Levon Nascimento

    Acepção foi composto em março de 2020, quando o autor (Levon Nascimento) experimentou uma modalidade de deserto pós-moderno. Inicialmente, pela greve dos trabalhadores em educação de Minas Gerais; em seguida, no isolamento social provocado pela pandemia da COVID-19. Os poemas sinalizam as luzes de duas virtudes que são muito caras ao autor: a esperança e a fé. Esperar o que há de vir, a ansiar pelo bem maior; e acreditar sempre no amor eterno, mesmo quando não há os primeiros raios de sol da aurora.

  • Livro Vidas Interrompidas Juventude Violência e Políticas Públicas Taiobeiras Levon Nascimento

    Livro Vidas Interrompidas Juventude Violência e Políticas Públicas Taiobeiras Levon Nascimento

    A sociedade se acostumou à tragédia. Antes era a notícia de televisão, relacionada aos grandes centros, atualmente é realidade pelas ruas: balas perdidas, juras de morte, vidas interrompidas, inocentes atingidos. Jovens executados pelo que se convencionou chamar de guerra do tráfico. São os inconvenientes e os excluídos. Suas mortes, assim como suas vidas, demandam apuração dos diversos campos do conhecimento. As políticas públicas que acessaram (ou não) são chaves para o início da investigação.

  • Livro Crer e Lutar Levon Nascimento

    Livro Crer e Lutar Levon Nascimento

    Num tempo em que os grandes deste mundo voltam a construir muros para separar os filhos de Deus e em que outros sentem imenso prazer por espalhar ódio na velocidade da luz pelas redes sociais, entrego as palavras e os pensamentos de Crer e Lutar a você. Como ensina o poeta Dom Pedro Casaldáliga, bispo da Igreja, que elas lhe sirvam para… “Combater amando, Combater amando, Morrer pela vida, Lutando na paz”.