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  • Fraternidade e Juventude: da tragédia à esperança

    Artigo do Padre Gledson Eduardo de Miranda Assis, de Montes Claros – MG.


    Hoje, dia em que escrevo este artigo, é segunda-feira de carnaval. Já desde ontem esboçava algumas (ou a maioria) das ideias esboçadas aqui. Na quarta-feira, chamada “de cinzas”, a Igreja inicia o tempo da quaresma e, concomitantemente, há anos, vive Campanha da Fraternidade (CF), já tradicionalizada no contexto brasileiro. Neste ano de 2013 a CF versa sobre o tema da juventude. Tema pertinente e importante, uma vez que havia 21 anos não tínhamos uma campanha sobre a juventude. Aliás, pelo que disseram nos bastidores, incompreensivelmente, essa CF só foi conseguida pelo recolhimento de centenas de milhares de assinaturas e pedidos, quase que implorando à CNBB a prioridade à causa da juventude.


    Bastidores a parte, não podemos deixar de considerar que a CF desse ano, sobre a juventude, foi antecipada pela ceifa de mais de 200 jovens na recente tragédia de Santa Maria (RS), acontecimento, sem sombra de dúvidas, desolador. Que pensar? Vontade de Deus? Certamente não. Contudo, como lembra Leonardo Boff, “mesmo naquilo que não é vontade de Deus nós podemos perceber PRESENÇA DE DEUS”. Isso é mais importante. E essa presença de Deus, mesmo diante de um fato tão assolador para tantas famílias, nos ajuda a refletir algumas coisas importantes (que, inclusive, já refleti com o povo em algumas celebrações).


    Aos que partiram, infelizmente só nos resta a oração pelo conforto de seus familiares. Mas e os jovens que ainda estão neste mundo correndo os mesmos riscos? A eles e a nós é dada a oportunidade de revermos algumas atitudes, como, por exemplo: 1) A consciência de que não posso colocar 1000 pessoas onde só cabem 600, independente da margem de “lucro” que isso vá me trazer; 2) que não posso forrar um lugar fechado com material inflamável; 3) que não posso soltar fogos de artifício tóxicos em lugares fechados… e assim por diante. Mas será que a partir dessa tragédia o mundo vai agir diferente? Talvez não. E isso é que deve ser visto como causa de preocupação.

    Agora todos estão tentando identificar os culpados: prefeitura, bombeiros, boite, banda, etc… Mas ainda há mais uma realidade que precisa ser considerada e que certamente ainda não foi porque talvez seja a mais dolorida de ter que se reconhecer: infelizmente, meus amores, quase nenhum daqueles jovens que estavam lá procuraram antes saber se aquele lugar oferecia segurança a eles quando entraram. Infelizmente nenhum de nós faz isso. Somos convidados para festas em salões, por mais sofisticados que sejam, e simplesmente vamos entrando, mas nunca nos preocupamos em saber se tais lugares nos dão a segurança necessária ante uma fatalidade. E quando não damos atenção a isso, corremos o risco de nós mesmos, com nossas próprias pernas, caminharmos, mesmo que inconscientemente, ao encontro da morte. Claro que donos de casas como aquela devem oferecer segurança às pessoas que as frequentam. Mas ninguém cuida de nós ou se preocupa melhor conosco tanto quanto nós mesmos. Por mais que se preveja segurança, nada sobrevive a uma fatalidade de tal porte.


    Lembro-me que numa das reportagens transmitidas pela TV uma jovem disse: “Meu pai sempre me dizia pra olhar nos lugares onde eu ia se tinha extintor, saídas de emergência, etc… Quando cheguei na Kiss vi que só tinha uma porta, então procurei ficar mais no fundo, perto dela, por isso não tive dificuldades para sair quando o fogo começou”. É isso! O pai, a mãe, o educador, o avó, o padrinho… pessoas que nos orientam neste sentido. Quando dizemos que uma das prioridades da Igreja é a juventude não quer dizer que sua prioridade seja cuidar dos jovens, mas sim “ajudar os jovens a cuidar de si mesmos”. A Campanha da Fraternidade desse ano quer ser um auxílio nessa conscientização. Os pais precisam ajudar seus filhos a cuidarem de si mesmos, orientando neste aspecto. Será que estamos fazendo isso? Será que vamos passar a ter estes cuidados a partir de agora? O resultado da tragédia de Santa Maria é irreversível. Mas ainda podemos olhar com esperança para o futuro que nos é proposto e fazer diferente a partir de então.


    Lembrei-me de meu pai que, com toda sua fé e simplicidade, diz assim numa ocasião como essa: “Se estivessem todos numa Igreja rezando isso não tinha acontecido”. E fiquei pensando comigo que a fatalidade mereceria outra reflexão acerca de nós mesmos? Quem pode garantir que não aconteceria se estivessem numa Igreja? Agora os bombeiros estão numa empreitada ferrenha para fiscalizar e fechar as casas noturnas impróprias para o uso. Mas e se isso tivesse acontecido numa Igreja? A essa altura as casas noturnas nem estariam sendo lembradas e nossas Igrejas é que estariam sendo todas fiscalizadas. Aliás, não é porque estamos rezando que estamos seguros. Na verdade, pode ser até o contrário. Estava refletindo sobre isso e cheguei à conclusão de que se os bombeiros fossem fiscalizar nossas Igrejas (Templos), quase nenhum deles permaneceria aberto. E aí temos que reconhecer que nossas Igrejas, na grande maioria das vezes, não oferece NENHUM tipo de segurança ao fieis que as frequentam: nenhum extintor de incêndio, nenhuma saída de emergência, nenhum sensor de fumaça (até mesmo porque se tivessem nem poderíamos mais usar o turíbulo), nenhuma placa de luminosidade indicando a saída, muitas vezes só uma porta no fundo, que é a mesma de entrada pra todo mundo. Às vezes construídas sem projeto adequado por quem é de direito, às vezes ainda em construção e em funcionamento, cheias de gambiarras de fios de eletricidade soltos pelas paredes afora.


    Pois é, queridos(as)! Talvez então tenhamos mesmo que começar por nós. Costumo brincar que se formos levar à risca os padrões de segurança para locais de grande frequência de pessoas (tiremos o foco de casas noturnas e consideremos todos os outros), nossas igrejas, na grande maioria, “não são lugares de se frequentar”. Claro que fatalidade é fatalidade e pode acontecer em qualquer lugar e tempo. De outra parte, se formos alimentar nossas neuras com todas essas coisas, nem saímos de mais de casa. Mas, também, se ficamos em casa, pode vir a enchente e nos invadir, ou o terremoto e jogar tudo por terra.

    De fato, estamos cercados de todos os lados, mas se soubermos prevenir nosso caminho e o caminho dos outros, poderemos evitar muitos males maiores. Já pensaram, por exemplo, nos shows pirotécnicos que são feitos por ocasião de nossas festas de padroeiros? Podem até ser bonitos, mas além de ser uma verdadeira queima de dinheiro, na grande maioria das vezes são realizados por pessoas sem a especialização ou autorização necessárias para tal manuseio. E não se busca especialização só “pra ficar mais baratinho, porque tem um paroquiano aqui que tem costume de fazer isso há muito tempo e faz ‘muito bem’”.   Há alguns anos (saiu em tudo que foi jornal), por ocasião do encerramento do Jubileu de São José Operário, em Barbacena, uma daquelas girândolas subiu e não estourou… desceu e estourou no meio de todo mundo. Conclusão? Anos e anos a Arquidiocese pagando indenização às vítimas. Hoje todas as programações impressas de festa de padroeiro, têm que trazer a seguinte nota: “Por determinação da Arquidiocese, a paróquia NÃO se responsabiliza por fogos de artifícios soltos durante as festividades”. Correto, por que assim, quem soltar os fogos é que assume a responsabilidade pelos mesmos.

    Só estou dizendo tudo isso porque agora no carnaval mais uma vez milhões de nossos jovens estão saindo para as ruas e, depois, também para as casas noturnas, no meio de fogos, de serpentinas metalizadas (apesar de terem sido proibidas mas ainda comercializadas) e de bebida alcoólica. Será que eles seriam capazes, sob efeito de álcool, de correr a tempo caso outra fatalidade acontecesse. Os blocos comportam mesmo a quantidade de pessoas que neles tem? Será que já nos esquecemos da tragédia de Santa Maria? Tomara que todos estejam tendo um bom carnaval e não se esqueçam de levar em conta o sinal de Santa Maria para fazermos de modo diferente a partir de então. Só depende de nós.


    Eu vos escrevo, jovens, porque sois fortes, porque a Palavra de Deus permanece em vós (1Jo 2,14c). Que a Palavra de Deus nos ilumine e a Campanha da Fraternidade deste ano ajude nossos jovens a construir um futuro melhor para suas vidas, pensando não só na curtição, mas também, e sobretudo, na prevenção, “em todo tempo e lugar”. Só assim estaremos prontos a, como Isaías, diante de Deus, oferecermo-nos também como servos disponíveis a continuar a construção do seu Reino. A Juventude é a grande esperança da Igreja. E tal esperança só se concretizará com base na disponibilidade de cada coração para o exercício da missão. Que possamos todos juntos, quando o Senhor nos perguntar: “Quem enviarei? Quem irá por nós?” Respondermos com firme e comprometida voz: “Eis-nos aqui. Envia-nos” (Is 6,8).
  • Papas que renunciaram

    Papa Bento XVI
    Papa Celestino V

    Entre os 263 papas da história da Igreja Católica, sucessão iniciada pelo Apóstolo Pedro e, atualmente, ocupada pelo alemão Bento XVI, apenas quatro renunciaram:

    Eis a lista:
    Ponciano, em 235 d.C.;
    Celestino V, em 1294 d.C.;
    Gregório XII, em 1415 d.C.;
    Bento XVI, em 2013 d.C.

    Papa Gregório XII
    Papa Ponciano
  • Papa Bento XVI renuncia dia 28/02/2013. Leia íntegra de seu discurso aos cardeais

    Papa Bento XVI

    O Papa Bento XVI anunciou nesta segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013, que renunciará ao Ministério de São Pedro, ou seja, ao comando da Igreja Católica Apostólica Romana, no próximo dia 28 de fevereiro de 2013, às 20h, no horário de Roma, Itália.

    Leia a íntegra do discurso do Bispo de Roma:

    “Caros irmãos:

    Convoquei-os para este consitório, não apenas para as três canonizações, mas também para comunicar a vocês uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Após ter repetidamente examinado minha consciência perante Deus, eu tive certeza de que minhas forças, devido à avançada idade, não são mais apropriadas para o adequado exercício do ministério de Pedro. Eu estou bem consciente de qu esse ministério, devido à sua natureza essencialmente espiritual, deve ser levado não apenas com com palavras e fatos, mas não menos com oração e sofrimento. Contudo, no mundo de hoje, sujeito a mudanças tão rápidas e abalado por questões de profunda relevância para a vida da fé, para governar o barco de São Pedro e proclamar o Evangelho, é necessário tanto força da mente como do corpo, o que, nos últimos meses, se deteriorou em mim numa extensão em que eu tenho de reconhecer minha incapacidade de adequadamente cumprir o ministério a mim confiado. Por essa razão, e bem consciente da seriedade desse ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério como Bispo de Roma, sucessor de São Pedro, confiado a mim pelos cardeais em 19 de abril de 2005, a partir de 28 de fevereiro de 2013, às 20h, a Sé de Roma, a Sé de São Pedro, vai estar vaga e um conclave para eleger o novo Sumo Pontífice terá de ser convocado por quem tem competência para isso.

    Caros irmãos, agradeço sinceramente por todo o amor e trabalho com que vocês me apoiaram em meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. E agora, vamos confiar a Sagrada Igreja aos cuidados de nosso Supremo Pastor, Nosso Senhor Jesus Cristo, e implorar a sua santa mãe Maria, para que ajude os cardeiais com sua solicitude maternal, para eleger um novo Sumo Pontífice. Em relação a mim, desejo também devotamente servir a Santa Igreja de Deus no futuro, através de uma vida dedicada à oração.


    Bento XVI.”

    Fonte: G1

  • Juventude e Fraternidade

    Aproveitando a deixa de que o tema da Campanha da Fraternidade de 2013, que começa nesta quarta-feira de Cinzas, é Juventude e Fraternidade. Vamos relembrar a Campanha da Fraternidade de 1992, também sobre jovens.

    Veja o vídeo e relembre ou conheça canções que marcaram época na caminhada da juventude organizada.

  • A imbecilização do Brasil


    Imbecilização coletiva

    * Mino Carta, editor-chefe da Revista CartaCapital, em 01/02/2013.


    Há muito tempo o Brasil não produz escritores como Guimarães Rosa ou Gilberto Freyre. Há muito tempo o Brasil não produz pintores como Candido Portinari. Há muito tempo o Brasil não produz historiadores como Raymundo Faoro. Há muito tempo o Brasil não produz polivalentes cultores da ironia como Nelson Rodrigues. Há muito tempo o Brasil não produz jornalistas como Cláudio Abramo, e mesmo repórteres como Rubem Braga e Joel Silveira. Há muito tempo…


    Os derradeiros, notáveis intérpretes da cultura brasileira já passaram dos 60 anos, quando não dos 70, como Alfredo Bosi ou Ariano Suassuna ou Paulo Mendes da Rocha. Sobra no mais um deserto de oásis raros e até inesperados. Como o filme O Som ao Redor, de Kleber Mendonça, que acaba de ser lançado, para os nossos encantos e surpresa.


    Nos últimos dez anos o País experimentou inegáveis progressos econômicos e sociais, e a história ensina que estes, quando ocorrem, costumam coincidir com avanços culturais. Vale sublinhar, está claro, que o novo consumidor não adquire automaticamente a consciência da cidadania. Houve, de resto, e por exemplo, progressos em termos de educação, de ensino público? Muito pelo contrário.


    E houve, decerto, algo pior, o esforço concentrado dos senhores da casa-grande no sentido de manter a maioria no limbo, caso não fosse possível segurá-la debaixo do tacão. Neste nosso limbo terrestre a ignorância é comum a todos, mas, obviamente, o poder pertence a poucos, certos de que lhes cabe por direito divino. Indispensável à tarefa, a contribuição do mais afiado instrumento à disposição, a mídia nativa. Não é que não tenha servido ao poder desde sempre. No entanto, nas últimas décadas cumpriu seu papel destrutivo com truculência nunca dantes navegada.


    Falemos, contudo, de amenidades do vídeo. De saída, para encaminhar a conversa. Falemos do Big Brother Brasil, das lutas do MMA e do UFC, dos programas de auditório, de toda uma produção destinada a educar o povo brasileiro, sem falar das telenovelas, de hábito empenhadas em mostrar uma sociedade inexistente, integrada por seres sem sombra. Deste ponto de vista, a Globo tem sido de uma eficácia insuperável.


    O espetáculo de vulgaridade e ignorância oferecido no vídeo não tem similares mundo afora, enquanto eu me colho a recordar os programas de rádio que ouvia, adolescente, graciosas, adoráveis peças de museu como a PRK30, ou anos verdolengos habitados pelos magistrais shows de Chico Anysio. Cito exemplos, mas há outros. Creio que a Globo ocupe a vanguarda desta operação de imbecilização coletiva, de espectro infindo, na sua capacidade de incluir a todos, do primeiro ao último andar da escada social.


    O trabalho da imprensa é mais sutil, pontiagudo como o buril do ourives. Visa à minoria, além dos donos do poder-real, que, além do mais, ditam o pensamento único, fixam-lhe os limites e determinam suas formas de expressão. O alvo é a chamada classe média alta, os aspirantes, a segunda turma da classe A, o creme que não chegou ao creme do creme. E classe B também. Leitores, em primeiro lugar, dos editoriais e colunas destacadas dos jornalões, e da Veja, a inefável semanal da Editora Abril. Alguns remediados entram na dança, precipitados na exibição, de verdade inadequada para eles.


    Aqui está a bucha do canhão midiático. Em geral, fiéis da casa-grande encarada como meta de chegada radiosa, mesmo quando ancorada, em termos paulistanos, às margens do Rio Pinheiros, o formidável esgoto ao ar livre. E, em geral, inabilitados ao exercício do espírito crítico. Quem ainda o pratica, passa de espanto a espanto, e o maior, se admissível a classificação, é que os próprios editorialistas, colunistas, articulistas etc. etc. acabem por acreditar nos enredos ficcionais tecidos por eles próprios, quando não nas mentiras assacadas com heroica impavidez.


    O deserto cultural em que vivemos tem largas e evidentes explicações, entre elas, a lassidão de quem teria condições de resistir. Agrada-me, de todo modo, o relativo otimismo de Alfredo Bosi, que enriquece esta edição. Mesmo em épocas medíocres pode medrar o gênio, diz ele, ainda que isto me lembre a Península Ibérica, terra de grandes personagens solitárias em lugar de escolas do saber. Um músico e poeta italiano do século passado, Fabrizio de André, cantou: “Nada nasce dos diamantes, do estrume nascem as flores”. E do deserto?
  • Vaticano digitaliza e disponibiliza biblioteca na web

    Primeiros 265 documentos on-line foram digitalizados com tecnologia da NASA
    Sergio Mora, via Zenit.


    Códigos, manuscritos e cartas, até agora acessíveis somente aos peritos creditados junto à Biblioteca Apostólica do Vaticano, poderão ser consultados por quem desejar, de qualquer parte do mundo, com um clique.

    Os primeiros 256 documentos do imenso tesouro da “biblioteca dos papas” já estão on-line. Para vê-los, basta inscrever-se no site da Biblioteca Apostólica.

    A Bibliotheca Apostolica Vaticana, como é chamada em latim, é considerada desde a fundação como a “biblioteca do papa”, já que pertence a ele diretamente. É uma das mais antigas do mundo e guarda uma fabulosa coleção de textos históricos.

    O projeto da digitalização dos documentos é ambicioso. De acordo com o prefeito da Biblioteca do Vaticano, dom Cesare Pasini, em entrevista à agência de notícias Ansa, todos os livros conservados na biblioteca, cerca de 80 mil, deverão ser disponibilizados na internet.

    Pasini destacou ainda, em entrevista à Radio Vaticano, que a filosofia da Biblioteca Apostólica Vaticana, desde o início, foi tornar os bens da humanidade acessíveis a todos os interessados em usá-los, conhecê-los e estudá-los. O mesmo espírito de serviço determinou a digitalização dos documentos que agora está em andamento.

    Entre os documentos históricos, há partituras musicais, textos cuneiformes e manuscritos gregos e judaicos. Os textos incluem obras de Homero, Platão, Sófocles, Hipócrates, manuscritos judeus dentre os mais antigos preservados até hoje e alguns dos primeiros livros italianos impressos durante o Renascimento, de acordo com informações da agência EFE. Entre as joias está o Codex Vaticanus, um dos mais antigos manuscritos da bíblia grega de que se tem notícia.

    O projeto digital começou em 2011 e utiliza a tecnologia da NASA denominada Fits (Sistema de Transporte Flexível de Imagens, na sigla em inglês), criada no começo da corrida espacial para conservar as imagens das suas missões.

    O papa Nicolau V fundou a biblioteca em 1448, reunindo cerca de 350 códices gregos, latinos e hebraicos, herdados de seus antecessores. Entre eles, havia diversos manuscritos da biblioteca imperial de Constantinopla. A oficialização da fundação aconteceu com a bula Ad decorem militantis Ecclesiae (15 de junho de 1475), do papa Sisto IV, que definiu um orçamento específico para a biblioteca e nomeou como bibliotecário Bartolomeu Platina, responsável pelo primeiro catálogo das obras ali guardadas, elaborado em 1481.

    A biblioteca possuía então mais de 3.500 manuscritos, o que já fazia dela, com grande diferença, a maior do mundo ocidental. Em 1587, Sisto V contratou o arquiteto Domenico Fontana para construir um novo edifício para a biblioteca, situado no interior do Vaticano. O edifício é usado até hoje.

    Os estudiosos dividem a história da biblioteca em cinco etapas:

    Pré-lateranense: os inícios da biblioteca, correspondentes à primeira etapa da história da Igreja, antes de ser instalada no Palácio de Latrão. Muito poucos livros fazem parte dessa etapa.

    Lateranense: livros e manuscritos passam a ser guardados no Palácio de Latrão. Esta etapa vai até o final do século XIII, durante o papado de Bonifácio VIII.

    Avignon: neste período, crescem notavelmente as coleções de livros e arquivos dos papas que residiram em Avignon, entre a morte de Bonifácio VIII e o ano de 1370, quando a sede papal retorna a Roma.

    Pré-Vaticana: de 1370 a 1447, a biblioteca fica dispersa, com parte das obras em Roma, Avignon e outros lugares.

    Vaticana: é a etapa atual, iniciada em 1448, quando a biblioteca é transferida para o Vaticano.

  • Santa Maria: "Navegar é preciso…"

    Leonardo Boff

    Os antigos já diziam:”vivere navigare est” quer dizer, “viver é fazer uma viagem”, curta para alguns, longa para outros. Toda viagem comporta riscos, temores e esperanças. Mas o barco é sempre atraído por um porto que o espera lá no outro lado.

    Parte o barco mar adentro. Os familiares e amigos da praia acenam e o acompanham. E ele vai lentamente se distanciando. No começo é bem visível. Mas na medida em que segue seu rumo parece aos olhos cada vez menor. No fim é apenas um ponto. Um pouco mais e mais um pouco desaparece no horizonte. Todos dizem: Pronto! Partiu!

    Não foi tragado pelo mar. Ele está lá, embora não seja mais visível. E segue seu rumo.

    O barco não foi feito para ficar ancorado e seguro na praia. Mas para navegar, enfrentar ondas, vencê-las e chegar ao destino.

    Os que ficaram na praia não rezam: Senhor, livra-os das ondas perigosas, mas dê-lhe, Senhor, coragem para enfrentá-las e ser mais forte que elas.

    O importante é saber que do outro lado há um porto seguro. Ele está sendo esperado. O barco está se aproximando. No começo é apenas um ponto levemente acima do mar. Na medida em que se aproxima é visto cada vez maior. E quando chega, é admirado em toda a sua dimensão.

    Os do porto dizem: Pronto! Chegou! E vão ao encontro do passageiro, o abraçam e o beijam. E se alegram porque fez uma travessia feliz. Não perguntam pelos temores que teve nem pelos riscos que quase o afogaram. O importante é que chegou apesar de todas as aflições. Chegou ao porto feliz.

    Assim é com todos os que morrem. O decisivo não é sob que condições partiram e saíram deste mar da vida, mas como chegaram e o fato de que finalmente chegaram. E quando chegam, caem, bem-aventurados, nos braços de Deus-Pai-e-Mãe de infinita bondade para o abraço infinito da paz. Ele os esperava com saudades, pois são seus filhos e filhas queridos navegando fora de casa.

    Tudo passou. Já não precisam mais navegar, enfrentar ondas e vencê-las. Alegram-se por estarem em casa, no Reino da vida sem fim. E assim viverão para sempre pelos séculos dos séculos.

    (Em memória dolorida e esperançosa dos jovens mortos em Santa Maria na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013).

    Fonte: Recolhido na rede social Facebook em 30/01/2013.
  • Audiência sobre mineração em Grão Mogol – parte 1

    Participei, na noite de 22 de janeiro de 2013, da Audiência Pública sobre o licenciamento do Projeto Vale do Rio Pardo da SAM (Sul Americana de Metais S/A), promovida no Ginásio Poliesportivo da bela cidade de Grão Mogol/MG pelo IBAMA.
    População quer ferrovia ao invés de mineroduto
    O Projeto Vale do Rio Pardo é aquele que prevê a construção de um mineroduto partindo do município de Grão Mogol, na região do Vale das Cancelas, atravessando todo o Alto Rio Pardo, inclusive “dividindo” o município de Taiobeiras ao meio, chegando à Bahia e despejando o minério em navios no Porto Sul (município de Ilhéus/BA).
    Em vermelho, a linha do mineroduto, conforme projeto da SAM
    Estou escrevendo e, logo, publicarei aqui no Blog as impressões que tive da audiência. Tentarei sintetizar os argumentos da empresa em favor do projeto (mineroduto) e, também, os argumentos das organizações sociais e populações atingidas que criticam a proposta da forma como ela está colocada. Mas, adianto, é preciso que a sociedade norte-mineira (inclusive nós taiobeirenses) se organize urgentemente. Ao que tudo indica, o MINERODUTO vai mesmo ser construído. Vamos participar do debate. O QUE VOCÊ ACHA?
  • Dilma baixa tarifa e energia elétrica fica 18% mais barata


    A presidenta Dilma Rousseff afirmou, em pronunciamento, que, a partir desta quinta-feira (24), passará a vigorar a redução de 18% na tarifa de energia para os consumidores residenciais. Para o comércio e a indústria, a diminuição será de até 32%. O corte é ainda maior do que o anunciado pela presidenta em setembro de 2012: 16,2% para residências e até 28% para a indústria. Dilma também disse que o Brasil é um dos poucos países que ao mesmo tempo reduz a tarifa de luz e aumenta a produção de energia.

    “Esse movimento simultâneo nos deixa em situação privilegiada no mundo. Isso significa que o Brasil vai ter energia cada vez melhor e mais barata, significa que o Brasil tem e terá energia mais que suficiente para o presente e para o futuro, sem nenhum risco de racionamento ou de qualquer tipo de estrangulamento no curto, no médio ou no longo prazo”, afirmou Dilma.

    Dilma ressaltou que os investimentos permitirão dobrar, em 15 anos, a capacidade instalada de energia elétrica. A presidenta disse ainda que a redução vai permitir a ampliação do investimento, aumentando o emprego e garantindo mais crescimento para o país e bem-estar para os brasileiros.

    “Temos baixado juros, reduzido impostos, facilitado o crédito e aberto, como nunca, as portas da casa própria para os pobres e para a classe média. Ao mesmo tempo, estamos ampliando o investimento na infraestrutura, na educação e na saúde e nos aproximando do dia em que a miséria estará superada no nosso Brasil”.

    A presidenta esclareceu que todos os brasileiros serão beneficiados pela medida, mesmo os atendidos pelas concessionárias que não aderiram ao esforço feito pelo governo federal para a redução da tarifa.

    “Neste novo Brasil, aqueles que são sempre do contra estão ficando para trás, pois nosso país avança sem retrocessos, em meio a um mundo cheio de dificuldades. (…) Porque somente construiremos um Brasil com a grandeza dos nossos sonhos quando colocarmos a nossa fé no Brasil acima dos nossos interesses políticos ou pessoais”, finalizou.

    Fonte: Blog do Planalto.

  • Taiobeiras: muita chuva no dia do padroeiro, S. Sebastião

    Procissão de S. Sebastião em Taiobeiras/MG

    Chuva intensa, necessária e esperada em Taiobeiras (Alto Rio Pardo, norte de Minas) neste 20 de janeiro, dia da memória litúrgica de São Sebastião, mártir do terceiro século cristão, padroeiro da cidade.

    Se há ou não coincidência, fica por conta de quem acredita ou não. Importante é que, com a chuva, o risco iminente da falta d’água se dissipa por um tempo. No entanto, é necessário que, para além da fé, as pessoas se mobilizem para encontrar diversas soluções de convivência com a seca períodica no Alto Rio Pardo, quais sejam:
    * Recuperação das matas ciliares nos diversos rios e demais cursos d’água;
    * Construção de médias e pequenas barragens, para estoque de água e perenização dos rios e córregos;
    * Educação popular para evitar o desperdício de água;
    * Responsabilização de empresas (Copasa) e órgãos de governo (prefeitura, estado e União) para a solução dos problemas graves de construção e manutenção em boas condições dos reservatórios de água, sobretudo para os momentos mais agudos de crise.

    Salve, São Sebastião! Salve a chuva! Salve o Povo que se organiza.

  • Católicos escolhem Juventude como tema da Campanha da Fraternidade 2013

    Cartazes das Campanhas da Fraternidade 2013 e 1992 (respectivamente)
    com o tema Juventude
    Será lançada no dia 13 de fevereiro, Quarta-feira de Cinzas, mais uma edição da Campanha da Fraternidade (CF). Esse ano o tema será “Fraternidade e Juventude” e o lema “Eis-me aqui, envia-me Senhor”

    Após 21 anos da Campanha da Fraternidade de 1992, que abordou como tema central a juventude, a CF 2013, na sua 50ª edição, terá a mesma temática. A acolhida do tema “Fraternidade e Juventude” tem como objetivo ter mais um elemento além da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) para fortalecer o desejo de evangelização dos jovens.

    Acesse
    .: Cifra do hino da CF 2013

    O presidente da Comissão para Juventude da CNBB, Dom Eduardo Pinheiro, explicou que uma das metas principais da CF 2013 é olhar a realidade juvenil, compreender a riqueza de suas diversidades, potencialidades e propostas, como também os desafios que provocam atitudes e auxílios aos jovens e aos adultos.

    O objetivo geral da Campanha é acolher os jovens no contexto de mudança de época, propiciando caminhos para seu protagonismo no seguimento de Jesus Cristo, na vivência eclesial e na construção de uma sociedade fraterna, fundamentada na cultura da vida, da justiça e da paz.

    “Dentro do sentido da palavra ‘acolher’ está o valorizar, o respeitar o jovem que vive nesta situação de mudança de época e isso não pode ser esquecido”, destacou o presidente da Comissão para Juventude da CNBB.

    Na Arquidiocese de Aparecida (SP), o lançamento da CF 2013 será no dia 31 de janeiro, em Guaratinguetá, às 19h30. A abertura será feita pelo Cardeal Arcebispo de Aparecida, Dom Raymundo Damasceno Assis, com as presenças dos padres Leandro, assessor da CF na Diocese de Taubaté e o Padre Evaldo César do Comitê Local da Jornada Mundial da Juventude.


  • Dica de filme: Sobreviventes, filhos da Guerra de Canudos

    Documentário de Paulo Fontenelle

    Estou aqui, aproveitando as férias para ler mais e ver bons filmes. Acabo de assistir SOBREVIVENTES: Filhos da Guerra de Canudos. Documentário dirigido por Paulo Fontenelle, trás uma série de depoimentos de filhos dos sobreviventes de Belo Monte (1893 – 1897), bem como várias fotografias históricas.

    A maioria dos depoentes está tem entre 88 e 110 anos. Eles buscam na memória, já embotada pela idade, as narrativas sertanejas, para além da versão oficial, do que foi a cidadela comandada por Antônio Conselheiro e das lembranças do horror da guerra empreendida pela jovem República brasileira, oligárquica, contra aquele povo simples do sertão baiano.

    Para mim, a parte marcante de SOBREVIVENTES está  no orgulo com que a gente simples do sertão, mesmo ferida pela memória do massacre, se lembra de que em Belo Monte (Canudos) “não havia polícia, prefeito ou autoridade, mesmo assim, todos tinham terra, trabalhavam e não sentiam fome, não existindo entre eles ladão, prostituta ou pedinte”.

    Nestes tempos em que vivemos, quando a classe média ignorante tenta varrer para debaixo do tapete da memória os vestígios “de povo” de nossa história, inclusive bradando contra as lideranças que vêm buscando a inclusão social de amplas maiorias de brasileiros (Lula, Dilma…), SOBREVIVENTES serve para demonstrar como a elite brasileira sempre tratou as experiências de vida digna “a partir dos pobres”, com desdém e extrema crueldade.

    Viva Belo Monte! Viva Antônio Conselheiro! Sempre!

  • Por que a "Igrejinha" de Taiobeiras tem oito lados?

    Foto: Fellipe Lucas
    A Capela de Nossa Senhora de Fátima em Taiobeiras, popularmente conhecida como “Igrejinha”, é octogonal e foi construída nos anos 50 do século XX para abrigar a imagem peregrina da Virgem Maria (Fátima) trazida de Portugal a pedido do pároco da época, Frei Jucundiano de Kok (OFM).

    Reportagem especial sobre Taiobeiras, veiculada na primeira edição do telejornal MG InterTV (Rede Globo, Montes Claros, MG), nesta sexta, 04 de janeiro de 2013, apresenta um suposto mistério acerca dos reais motivos que levaram à construção deste belo e singelo templo em forma de octógono.

    Apresento, a seguir, uma das possíveis explicações, baseada em informação histórica, para a escolha deste modelo de construção, típico da arquitetura religiosa de estilo português:

    “O octógono, polígono de oito lados e oito vértices, é considerado como símbolo do mundo intermediário, que comunica o Céu, ou mundo superior, com a Terra, ou mundo inferior – simbolizados, respectivamente, pelo círculo e pelo quadrado. Ou seja, “sendo o quadrado uma representação da terra e o círculo uma imagem do céu, o octógono é considerado como uma figura capaz de unir ambos”. Ora, Nossa Senhora, representação do arquétipo da Grande Mãe, sempre foi considerada [pelos católicos] a mediadora entre o Céu e a Terra. E, tendo sido alçada em corpo e alma até a morada celestial, como proclama o dogma da Assunção, todas as suas aparições – hierofanias do Sagrado Feminino – têm o dom de sacralizar a existência humana, pois são um meio pelo qual o Céu e a Terra, o Divino e o Profano, permanecem unidos. Este é o simbolismo da planta octogonal da igrejinha de Nossa Senhora da Glória do Outeiro [no Rio de Janeiro]. Significativamente, octogonal é a planta de várias igrejas templárias, como a do Convento de Cristo, em Tomar, sede da Ordem do Templo em Portugal, e é bem conhecida a profunda dedicação desses monges cavaleiros à Virgem Maria, da qual eram fervorosos devotos.”
    Outra informação: Conforme ficou claro na explanação acima, que trata da Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, no Rio de Janeiro, a “Igrejinha” de Taiobeiras não é a única de oito lados da América Latina, conforme foi veiculado na reportagem. Existem outras. Uma delas está edificada na Praça da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Claro que, as dimensões (em metros quadrados) e as características arquitetônicas variam entre os templos.

    Independente de ser a única ou não, a “Igrejinha” de Nossa Senhora de Fátima em Taiobeiras é realmente um tesouro de fé e um monumento cultural importantíssimo. Ela marca singularmente a paisagem taiobeirense e merece todo o empenho da população em preservá-la para a admiração das futuras gerações.
  • Taiobeiras: "A miséria moral de ex-esquerdistas"

    Não tenho prazer algum em republicar esse artigo do Emir Sader. Já o tinha feito em 9 de março de 2010. Continua válido. Faço-o e ofereço para a reflexão de alguns “companheiros” filiados ou simpatizantes do PT (Partido dos Trabalhadores) de Taiobeiras que, equivocadamente, se distanciaram das ideias de esquerda para apoiar a legenda tucana na última eleição. Uma verdadeira lástima. Não preciso nominá-los. Eles se auto-identificarão.

    * Emir Sader, sociólogo.

    Alguns sentem satisfação quando alguém que foi de esquerda salta o muro, muda de campo e se torna de direita – como se dissessem: “Eu sabia, você nunca me enganou”, etc., etc. Outros sentem tristeza, pelo triste espetáculo de quem joga fora, com os valores, sua própria dignidade – em troca de um emprego, de um reconhecimento, de um espaçozinho na televisão.

    O certo é que nos acostumamos a que grande parte dos direitistas de hoje tenham sido de esquerda ontem. O caminho inverso é muito menos comum. A direita sabe recompensar os que aderem a seus ideais – e salários. A adesão à esquerda costuma ser pelo convencimento dos seus ideais.

    O ex-esquerdista ataca com especial fúria a esquerda, como quem ataca a si mesmo, a seu próprio passado. Não apenas renega as idéias que nortearam – às vezes o melhor período da sua vida –, mas precisa mostrar, o tempo todo, à direita e a todos os seus poderes, que odeia de tal maneira a esquerda, que nunca mais recairá naquele “veneno” que o tinha viciado. Que agora podem contar com ele, na primeira fila, para combater o que ele foi, com um empenho de quem “conheceu o monstro por dentro”, sabe seu efeito corrosivo e se mostra combatente extremista contra a esquerda.

    Não discute as idéias que teve ou as que outros têm. Não basta. Senão seria tratar interpretações possíveis, às quais aderiu e já não adere. Não. Precisa chamar a atenção dos incautos sobre a dependência que geram a “dialética”, a “luta de classes”, a promessa de uma “sociedade de igualdade, sem classes e sem Estado”. Denunciar, denunciar qualquer indicio de que o vício pode voltar, que qualquer vacilação em relação a temas aparentemente ingênuos, banais, corriqueiros, como as políticas de cotas nas universidades, uma política habitacional, o apoio a um presidente legalmente eleito de um país, podem esconder o veneno da víbora do “socialismo”, do “totalitarismo”, do “stalinismo”.

    Viraram pobres diabos, que vagam pelos espaços que os Marinhos, os Civitas, os Frias, os Mesquitas lhes emprestam, para exibir seu passado de pecado, de devassidão moral, agora superado pela conduta de vigilantes escoteiros da direita. A redação de jornais, revistas, rádios e televisões está cheia de ex-trotskistas, de ex-comunistas, de ex-socialistas, de ex-esquerdistas arrependidos, usufruindo de espaços e salários, mostrando reiteradamente seu arrependimento, em um espetáculo moral deprimente.

    Aderem à direita com a fúria dos desesperados, dos que defendem teses mais que nunca superadas, derrotadas, e daí o desespero. Atacam o governo Lula e o PT como se fossem a reencarnação do bolchevismo, descobrem em cada ação estatal o “totalitarismo”, em cada política social a “mão corruptora do Estado”, do “chavismo”, do “populismo”.

    Vagam, de entrevista a artigo, de blog à mesa redonda, expiando seu passado, aderidos com o mesmo ímpeto que um dia tiveram para atacar o capitalismo, agora para defender a “democracia” contra os seus detratores. Escrevem livros de denúncia, com suposto tempero acadêmico, em editoras de direita, gritam aos quatro ventos que o “perigo comunista” – sem o qual não seriam nada – está vivo, escondido detrás do PAC, do Minha casa, minha vida, da Conferência Nacional de Comunicação, da Dilma – “uma vez terrorista, sempre terrorista”.

    Merecem nosso desprezo, nem sequer nossa comiseração, porque sabem o que fazem – e os salários no fim do mês não nos deixam mentir, alimentam suas mentiras – e ganham com isso. Saíram das bibliotecas, das salas de aula, das manifestações e panfletagens, para espaços na mídia, para abraços da direita, de empresários, de próceres da ditadura.

    Vagam como almas penadas em órgãos de imprensa que se esfarelam, que vivem seus últimos sopros de vida, com os quais serão enterrados, sem pena, nem glória, esquecidos como serviçais do poder, a que foram reduzidos por sua subserviência aos que crêem que ainda mandam e seguirão mandado no mundo contra o qual, um dia, se rebelaram e pelo que agora pagam rastejando junto ao que de pior possui uma elite decadente e em vésperas de ser derrotada por muito tempo. Morrerão com ela, destino que escolheram em troca de pequenas glórias efêmeras e de uns tostões furados pela sua miséria moral. O povo nem sabe que existiram, embora participe ativamente do seu enterro.


    Fonte: Portal Luis Nassif.

  • 2013: "Deus criou o infinito pra vida ser sempre mais!"

    “Deus criou o infinito pra vida ser sempre mais”

    2013 começou! Nossa missão e nossa luta persistem. Por um mundo melhor, por um país mais justo. Por uma cidade e campo mais fraternos. Estejamos do lado daqueles que ainda não “têm voz, nem vez, nem lugar”! Acreditemos, com alegria, que “Deus criou o infinito pra vida ser sempre mais”!

    Se calarem a voz dos profetas (Pão da igualdade)
    Se calarem a voz dos profetas,
    as pedras falarão.
    Se fecharem os poucos caminhos,
    mil trilhas nascerão.
    Muito tempo não dura a verdade,
    nestas margens estreitas demais,
    Deus criou o infinito pra vida ser sempre mais.
    É Jesus este Pão de igualdade,
    viemos pra comungar,
    com a luta sofrida de um povo
    que quer, ter voz , ter vez, lugar.
    Comungar é tornar-se um perigo,
    viemos pra incomodar,
    com a fé e a união nossos passos um dia vão chegar.
    O Espírito é vento incessante
    que nada há de prender.
    Ele sopra até no absurdo, que a gente não quer ver.
    Muito tempo não dura a verdade,
    nestas margens estreitas demais.
    Deus criou o infinito pra vida ser sempre mais.
    É Jesus este Pão de igualdade,
    viemos pra comungar,
    com a luta sofrida de um povo
    que quer, ter voz , ter vez, lugar.
    Comungar é tornar-se um perigo,
    viemos pra incomodar,
    com a fé e a união nossos passos um dia vão chegar.
    No banquete da festa de uns poucos,
    só rico se sentou.
    Nosso Deus fica ao lado dos pobres,
    colhendo o que sobrou.
    Muito tempo não dura a verdade,
    nestas margens estreitas demais.
    Deus criou o infinito pra vida ser sempre mais.
    É Jesus este Pão de igualdade,
    viemos pra comungar,
    com a luta sofrida de um povo
    que quer, ter voz , ter vez, lugar.
    Comungar é tornar-se um perigo,
    viemos pra incomodar,
    com a fé e a união nossos passos um dia vão chegar.

    O poder tem raízes na areia,
    o tempo faz cair.
    União é a rocha que o povo usou pra construir.
    Muito tempo não dura a verdade,
    nestas margens estreitas demais.
    Deus criou o infinito pra vida ser sempre mais.

    É Jesus este Pão de igualdade,
    viemos pra comungar,
    com a luta sofrida de um povo
    que quer, ter voz , ter vez, lugar.
    Comungar é tornar-se um perigo,
    viemos pra incomodar,
    com a fé e a união nossos passos um dia vão chegar.
  • Taiobeiras: uma agenda para 2013

    Eis alguns itens que sugiro, como cidadão, para a agenda de Taiobeiras em 2013:

    * Instituir programas sociais efetivos para a juventude, de modo a interromper o aliciamente por parte do tráfico ou da violência;
    * Debater com a sociedade e encontrar soluções coletivas para as questões social, ambiental e econômica da proximidade das atividades mineradoras na região;
    * Implementar soluções efetivas e constantes para uma convivência menos traumática com a seca cíclica em nossa região;
    * Melhorar a qualidade dos serviços de saúde, educação e cultura.

    Que nossa sociedade se mobilize! 

  • Feliz 2013 a todos e todas!

    A todos e todas que, em 2012, acreditaram no Desenvolvimento Sustentável de Taiobeiras, a ser alcançado com sustentabilidade nos campos econômico, social, cultural e ambiental, tendo sempre como personagem principal toda e qualquer pessoa, sem qualquer distinção ou discriminação, desejamos um Feliz 2013!

  • Taiobeiras: como nossa gente é valorizada!

    Imagem disponível na rede social Facebook

    Perdoar é necessário. Manter a memória, também. O perdão reconstitui a alma. A memória viva reconstrói a dignidade.

    Essa triste imagem, símbolo da truculência e da ignorância do poder político em Taiobeiras durante o ano de 2012, não deve ser esquecida. Ela representa, ainda, o baixo nível cultural, intelectual e político de nossa sociedade. Infelizmente, pelo que se vê na imagem, é assim que nossos governantes costumam “valorizar nossa gente”.

    Perdão, sim. Esquercer, jamais!

  • Artigo do Levon: Taiobeiras, a eleição de 2012 e os mitos derrubados

    Título: Titã-fragmento. Escultora: Beatriz Cunha

    A eleição de 2012, em Taiobeiras, serviu para revelar uma realidade que já existia, mas que estava encoberta pelo surreal manto da ideologia e da propaganda. Os mitos caíram e, junto com eles, as máscaras políticas esculpidas desde o ano 2000. Vejamos algumas lendas nas quais ainda tem gente que acredita. Porém, pelos fatos, foram cabalmente desmentidas.

    1. O perigo do joelismo com Joel. E o joelismo sem Joel:
    Desde o ano 2000 que a figura pública do ex-prefeito Joel da Cruz Santos passou a ser trabalhada na mente dos taiobeirenses como a verdadeira expressão de tudo aquilo que não presta. Em outras palavras, Joel e o joelismo seriam o próprio mal em pessoa, na boca dos novos inquilinos do poder. Para além da crítica política, democraticamente necessária a qualquer governo, especialmente ao de Joel – que não era nenhum exemplo –, uma verdadeira cruzada contra sua vida pessoal e liderança política foi milimetricamente posta em prática, demonizando a ele e aos seus apoiadores ou admiradores. Uma vez ganhando a prefeitura em 2004, o grupo do prefeito Denerval passou a brandir o mito de que “nada de bom” foi feito em Taiobeiras até aquele momento e que, portanto, seria necessário impedir o retorno ao suposto caos do joelismo. Nada mais falso. A elite de Taiobeiras, que serviu e deu sustentação ao ex-prefeito enquanto ele se mantinha firme na corda bamba da política, é a mesma que atualmente se une em torno do Pacto de Poder liderado por Denerval. Inclusive, com mais fervor e devoção que outrora. Na prática, atualmente há um joelismo que dispensa a figura de Joel. Evidentemente, por boa educação, não é necessário citar nomes de pessoas ou de gerações familiares inteiras que sob Joel ou sob Denerval, se conservam em vistosos cargos da administração municipal.

    2. O clientelismo joelista, porém, “chique” e sofisticado:
    A grande crítica que se fazia à política joelista era com relação à corrupção, à manipulação do voto através do atendimento de pequenas demandas isoladas de cada eleitor, ao clientelismo e à compra de votos. Designou-se, inclusive, o velho termo sociológico “coronelismo”, apropriado para a análise histórica da República Velha (1889-1930), para o entendimento do caso taiobeirense. A crítica, claro, não era infundada. Vivia-se o descalabro. No entanto, entra para a galeria dos mitos, o fato de que essa política persistiu no pós-Joel, com uma nova roupagem, mais sofisticada e moderna, nem por isso menos odiosa e prejudicial. Vive-se um populismo disfarçado, um clientelismo “chique”. A campanha de 2012 pareceu demonstrar, com base nos processos de pedido de cassação de candidaturas e inelegibilidades ainda em curso, que tudo o que se ofertou no mercado eleitoral foi avidamente consumido não importando as consequências.

    3. O risco de Taiobeiras retroceder aos “caos” pré-2005. E as táticas nazistas:
    Uma das grandes mentiras do processo eleitoral de 2012, contada mais de mil vezes, sob inspiração de Goebels, ministro da propaganda nazista, a fim de que se tornasse mais uma “verdade” fabricada pelo regime político-ideológico firmemente instalado no Paço de Bom Jardim, era o de que Carlito se unira a Joel para fazer Taiobeiras retroceder aos tempos de antigamente e, dessa forma, destruir os “avanços” construídos por Denerval de 2005 para cá. Como já disse no primeiro item, o joelismo sem Joel, da Prefeitura nunca saiu. Tampouco, apesar de toda crítica merecida que se possa fazer a Joel, até mesmo os adversários mais ferrenhos reconhecem que a maior parte da infraestrutura pública existente em Taiobeiras foi edificada sob seus mandatos. Também, qualquer pessoa sensata, que compreenda um pouco de história, sabe que Taiobeiras não foi inventada por Denerval nem iniciada em 2005, como o marketing oficial quer nos fazer crer. Logo, a união entre os partidos políticos PDT, de Carlito e PR, de Joel, foi apenas uma justa coalização eleitoral, absolutamente necessária, e legalmente permitida, para além da “demonização” com a qual se deleitaram os detratores.

    4. Para ser prefeito precisa ser um administrador. E a negação disso em 2012:
    Denerval foi candidato a prefeito de Taiobeiras três vezes. Perdeu na primeira, mas se firmou como liderança, abrindo caminho para as vitórias seguintes. Sua tática eleitoral: a desconstrução impiedosa do adversário, atacando inclusive a vida pessoal do sujeito (Joel e João da Caixa que o digam). Seu discurso: o de que a prefeitura precisa ser administrada com o mesmo rigor e técnica com que se coordena uma empresa privada. Para isto, o prefeito precisaria ser um empreendedor de sucesso, como ele. Discurso que lhe caiu como uma luva, em contraposição ao jeitão desleixado e popular de seus antecessores. O fato é que esse argumento foi escandalosamente abandonado em 2012. Claro que para não prejudicar o candidato do momento, que não possui este mesmo perfil. Também, para não beneficiar o candidato da oposição, este sim, um empresário reconhecido. Para quem tem um pouco de memória e senso crítico, deve ter sido irônico ouvir da propaganda do grupo tucano em 2012 a seguinte frase: “Lembre-se, administrar uma prefeitura é diferente de administrar uma empresa…” Nas eleições anteriores falavam justamente o contrário. Também concordo que, para ocupar um cargo político, não é necessário ser empresário. O melhor exemplo é o ex-presidente Lula. Questiono sobre como os argumentos políticos são descartáveis, utilizados como roupas, que são vestidas ou despidas ao prazer ou necessidade do usuário. Conveniências cínicas da política, somente possíveis porque o povo de Taiobeiras é propositalmente levado à despolitização e à alienação.

    5. O refinamento da elite política que subiu ao trono em 2005. E o Facebook e o boneco:
    Com a subida dos tucanos ao poder taiobeirense em 2005, difundiu-se a ideia de que a nova classe política seria mais moderna e refinada do que a anterior. Mais um daqueles preconceitos de classe bem típicos da nova burguesia. No dizer deles próprios, a turma de João da Caixa representaria a bagunça e, eles, a retidão moral que chegou para por ordem na casa. Como já disse, repito, foram-se Joel e seu vice, João Emílio, mas o joelismo permaneceu no Paço. Se não escancarado, pelos menos presente no modus operandi. A campanha de 2012 jogou mais este mito no chão. A virulência na internet, especialmente na rede social Facebook, demonstrou a face “pouco meiga” do regime. O patrulhamento ideológico e as desmoralizações contra os adversários se deram, e continuam ainda, num nível muito abaixo do que pode ser chamado de civilizado. Para quem foi oposição a Joel, e continua, agora, aos tucanos, como este que redige o artigo que você lê, é possível dizer que havia maior respeito democrático naquele tempo do que hoje. O Facebook e o boneco da cruz-de-tau – queimado em praça pública – estão aí por testemunhas.

    Há muitos outros mitos estatelados no chão. Foram derrubados por seus próprios inventores. É urgente que a comunidade taiobeirense os identifique e os reflita. Eles venceram o pleito, mas a constatação de seus estratagemas para o alcance e a manutenção do poder tornou-se evidente para muitos, como nunca antes. Cabe à sociedade, que votou ou não no grupo vencedor, ter o discernimento desses fatos para saber cobrar e controlar.

    Não basta somente uma sociedade avançar no plano econômico. É preciso criar os meios para que a política, a cultura e o regime democrático co-participem do crescimento da economia. Também, é necessário construir uma cidade que vá além da beleza de suas praças e avenidas ou da alegria de suas festas. Um lugar onde as pessoas, especialmente aquelas que estão segregadas pela pobreza, pelas drogas ou pelo baixo conhecimento cultural, sejam integradas ao convívio cidadão.

    Taiobeiras é hoje uma cidade de “contos de fadas”. Não se pode negar que haja muitos avanços, boa parte deles porque o Brasil também avançou. Mas não existe na classe política que a dirige uma sensibilidade para com os que estão à margem; para com as questões da juventude: vítima da violência e das drogas; para com as situações étnico-culturais; para com a educação contextualizada e de qualidade; não há um olhar social efetivo e moderno ou comprometido como a elevação da dignidade da pessoa humana. Tudo isso tem de ser alcançado através da luta da comunidade.

    Que em 2013, a sociedade caminhe na direção de uma Taiobeiras mais justa, solidária e humana.

  • Natal: de onde vem a nossa crença

    “O povo que andava em trevas, viu grande luz…”

    “Portanto o Senhor mesmo vos dará sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e Lhe chamará Emanuel.”
    “O povo que andava em trevas, viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte resplandeceu-lhes a luz.”
    “Porque um Menino nos nasceu, um Filho se nos deu; o governo está sobre os Seus ombros; e o Seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.”

    Isaías 7,14; 9,2.6

    Feliz Natal de Jesus a todos os amigos e amigas deste Blog.