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  • Oração ao Bom Jesus e à Mãe Aparecida em tempos de neonazismo

    Especialmente nestes dias em que assistimos à barbárie de extrema-direita na Noruega, ecoando os neo-racismos, neofascismos, Tea Party e neonazismos em toda a Europa, nos EUA e nos setores elitizados e extremistas religiosos das grandes metrópoles brasileiras, elevamos nossas preces aos grandes símbolos da mistura, da miscigenação e da fé simples, autêntica e bela do Povo Brasileiro.

    Imagem do Bom Jesus
    entronizada no altar da Lapa (BA)

    Pedimos ao bom Jesus da Lapa que, de sua cruz gloriosa, sinal de que os vencidos vencem os fortes e poderosos, entronizado em sua gruta de pedra entre os pobres do sertão nordestino, às margens do Velho Chico, que venha despertar em nós a sensibilidade para viver o que está escrito no seu Evangelho de amor. Não julgar. Não matar. Não roubar. Repartir. Socorrer. Perdoar. Libertar. Multiplicar o pão. Reunir. Conviver. Eis os valores que o bom Jesus nos ensina. Queremos aprendê-los e vivê-los neste mundo incerto e inseguro. Caminha conosco, bom Jesus!

    Imagem de N. Sra. Aparecida
    entronizadanuma das grutas
    de Bom Jesus da Lapa (BA)

    Pedimos à mãe Aparecida, que traz estampada em seu rosto a cor dos explorados nesta história do Brasil e do mundo, que nos ensine a respeitar e a conviver com todas as etnias e culturas, com os gêneros e as crenças, sem nos considerarmos melhores ou piores, mas iguais. Que ela nos guie, terna e carinhosamente, pelos caminhos da tolerância, do respeito fraterno, da caridade ecumência e da comunhão solidária. Que nos ajude a seguir os passos de seu Filho, o bom Jesus, sempre, aqui, agora e pelo futuro que há de vir com esperança. Rogai por nós, santa mãe do bom Jesus!

    Amém.

    Para entender a preocupação demonstrada nesta oração, leia aqui.

  • Orgulho de ser BRASILEIRO: Viva a "disfuncionalidade" do Brasil! (Divulgue)

    Operários, Tarsilda do Amaral
    (diversidade de raças enriqueceu o Brasil)
    Por Brizola Neto, no Tijolaço, via Escrivinhador

    O assassino em massa norueguês Anders Behring Breivik cita o Brasil, no manifesto racista que divulgou na internet, como um exemplo do que a “mistura de raças”“por causa da revolução marxista brasileira”, o Brasil teria se tornado uma mistura de raças o que se mostrou uma “catástrofe” para o país que é “de segundo mundo” produz em uma nação. Segundo sua mente transtornada pelo ódio, seríamos assim com um baixo nível de coesão social. Os resultados seriam os altos níveis de corrupção, baixa produtividade e conflitos entre as diferentes culturas”.

    Breivik é um doente, mas a forma que sua doença assume é moldada por um caldo de cultura que existe aqui também, embora nem todos os que pensam como ele vão sair fuzilando dezenas de jovens. Mas ele existe e tem muita gente que está mergulhada nele e, mesmo sem verbalizar ou escrever isso, acha que o Brasil negro, mestiço, cafuzo, mulato, é a praga e o atraso deste país. Cheios de dedos, para não explicitar seu racismo social, o que eram os que reclamavam daquela “gente diferenciada” que uma estação do Metrô traria a Higienópolis? Mas deles a gente está cansado de falar.

    Nós também temos culpa nisso. Porque paramos de celebrar, por nos agarrarmos – usando a expressão do próprio terrorista, em seu manifesto – à idéia de tribo, de grupo fechado por alguma razão: etnia, gênero, ideologia, a riqueza da diversidade. A maior perversidade da discriminação é essa: a de nos cegar para vermos a riqueza de nossa igualdade humana.

    Estamos, com razão e por dever, tão presos a afirmar os direitos de grupos – e todos eles os têm e são invioláveis – que descuidamos de proclamar a maravilha de nossa grande – por que não assumir a palavra – disfuncionalidade. Porque o ser humano não é uma função. Não é uma peça, um produto, algo feito em série, para cumprir um papel.

    O milagre do povo brasileiro não é apenas respeitar a diversidade, mas ter forjado nela uma unidade nessa tão rica e una diferença.

    Disfuncional, para aquele lunático terrorista. Desprezível, para nossas elites, que nos consideram, por isso, inferiores, embora não tenham mais coragem de afirma-lo com todas as letras, o que não os impede de colocar cercas eletrificadas, insulfilme e, sobretudo, de aderir e aplaudir a ideia de que este país seja de todo o seu povo.

    Que falta nos faz um Darcy Ribeiro agora – e como nossa intelectualidade se empobreceu por não os produzir às centenas – que proclame nossa miscigenação como virtude e avanço, e não esqueça dela porque tenha medo de dizer que ela é boa, porque soma todos os que somos iguais: negros, brancos, amarelos, índios e até nossos noruegueses. Como debocharam da ideia generosa do “socialismo moreno” que ele, Darcy, e Leonel Brizola, apregoaram diante de seus narizes torcidos, tentando dizer que, numa sociedade justa, aberta e igualitária, todos nós em algumas gerações, seríamos da mesma cor, feita de todas as cores. Como zombaram da ideia de uma “civilização dos trópicos”, por acharem boa, mesmo, aquelas frias e funcionais, que produzem desvios assim. E não é de hoje, vide as barbaridades coloniais, depois o nazismo e estes seus filhos tardios.

    Não temos de ser funcionais, o que nada tem a ver com não sermos racionais. Um país, como ser humano, vive em busca da felicidade. E felicidade é um estado de alegria coletiva, de aceitação, do que o Frei Leonardo Boff dizia ser a festa, onde as pessoas dizem sim a todas as coisas. É, porque a gente precisa entender e sentir que o não só tem sentido, quando se nega o sim para alguém. Nós não temos ódio, mas não descuidamos de lutar pelo direito – e o dever – de amar.

    É isso: só o que temos contra nossas elites é não aceitar que o povão seja gente. É não entender o verso do Tom que diz que é impossível ser feliz sozinho. O Rolex e a futilidade a gente aceita e tolera. E ainda pergunta que horas são.

    Leia outros textos de Outras Palavras
  • Chegando agora do 11º Encontrão das CEBs de Taiobeiras…

    Povo das CEBs no 11º Encontrão de Taiobeiras

    Chegando agora do 11º Encontrão das CEBs de Taiobeiras (MG). Muita gente! Centro Comunitário Paroquial lotado! Muitas pessoas vindas de todas as comunidades urbanas e rurais de Taiobeiras e, também, de municípios vizinhos, além da sede da Arquidiocese, Montes Claros (MG). Presenças de Sônia Gomes, da Coordenação Arquidiocesana de CEBs e do Padre Adilson, Coordenador Arquidiocesano de Pastoral. Engajamento também dos padres e das irmãs (freiras) da Paróquia São Sebastião de Taiobeiras.

    Grupo Teatral Pirraça na Praça, de Fruta de Leite (MG)
    no 11º Encontrão das CEBs de Taiobeiras

    Destaques especiais para a apresentação do Grupo Teatral Pirraça na Praça, da cidade de Fruta de Leite (MG) e do missionário da Comissão Pastoral da Terra arquidiocesana, Alvimar. O pessoal do teatro tratou com muita irreverência e profissionalismo das questões de reciclagem do lixo e de preservação do Meio Ambiente. Já Alvimar alertou sobre os riscos da atividade mineradora que está por se instalar no Alto Rio Pardo, bem como conclamou as comunidades a se unirem, se informarem e atuarem mais de perto junto às empresas de mineração e às esferas de governo.

    Muito proveitoso o 11º Encontrão. A realidade não foi esquecida. A esperança e a fé foram amplamente celebradas com alegria e dinamismo. Exemplos de testemunho cristão e de exercício da justa cidadania!

    Veja mais, ainda…
    1. A situação das CEBs de Taiobeiras;
    2. 11º Encontrão das CEBs de Taiobeiras;
    3. Testemunhas do Reino de Deus.

  • A situação das CEBs de Taiobeiras

    Foto do 3º Encontrão das CEBs de Taiobeiras, em 1999
    Está acontecendo neste domingo, 24 de julho de 2011, a 11ª edição do Encontrão das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) da Paróquia São Sebastião de Taiobeiras, partindo da Comunidade Cristo Rei, no bairro Nossa Senhora de Fátima, em caminhada até o Centro Comunitário Paroquial, no bairro Santo Cruzeiro.
    As CEBs ou comunidades de base, são a forma de organização da Igreja e da sociedade (especialmente das camadas populares) encontradas e assumidas em toda a América Latina a partir do Concílio Vaticano II (década de 60 do século XX). Elas se estruturam em pequenos grupos de reflexão e de ação que trabalham utilizando a metodologia Ver-Julgar-e-Agir, unindo a fé cristã à prática do cotidiano social. Lutam por uma sociedade nova, amparada nos conceitos cristãos de justiça, solidariedade e igualdade. Tentam imitar Jesus Cristo em sua evangélica opção preferencial pelos pobres e oprimidos.

    Em Taiobeiras, as CEBs começaram a ser articuladas em meados dos anos 80 do século XX, atingindo seu apogeu no final da década de 1990, com grande empenho dos leigos engajados, das Irmãs da Divina Providência e dos Frades Franciscanos. Atualmente, ainda muito atuantes, as CEBs taiobeirenses sofrem a cooptação política e ideológica de parte de suas lideranças por agentes das forças políticas direitistas que passaram a comandar o município a partir de 2005.

    Mesmo assim, a realização dos Encontrões, com todas as comunidades enviando representantes, é sinal de revitalização constante do ideal, da fé e da luta das CEBs.

    Oxalá, as CEBs reencontrem o caminho da independência, da fé que produz frutos e do entusiamo e esperança que levam ao mundo novo, baseado no amor e na justiça que emanam do Reino de Deus!
  • Zé Vicente: Romaria dos Mártires da Caminhada 2011 (divulgue)

    Zé Vicente
    Romaria dos Mártires da Caminhada: testemunhas do reino!
    Por Zé Vicente, poeta e cantor, no site Adital

    O sol do dia 16 de julho lançou seus últimos raios sobre a grande fogueira erguida no pátio da matriz da pequena cidade de Ribeirão Cascalheira – MT, entregando para a lua cheia, esplêndida no céu, o brilho a ser derramado sobre a 5ª Romaria dos Mártires da Caminhada Latino Americana, que reuniu cerca de sete a dez mil pessoas, sem contar os que olhavam das calçadas, admirados e atentos e muitos que, mesmo distantes, se uniram em espírito.


    Todos vestidos com vestes de festa, vindos dos quatro cantos do Brasil e de vários outros países, estamos postos num grande círculo, movidos pela energia vibrante dos abraços, beijos e sorrisos, trocados na emoção de reencontrarmos velhas amizades e sentirmos o calor de novos aconchegos.


    Entre nós e em nós, se manifesta a presença deles e delas, os mártires, testemunhas fiéis do Reino da Vida, cujo sangue foi derramado no colo da mãe terra, por mãos assassinas, quase sempre a mando de quem, na cegueira da ambição desenfreada, pela posse do dinheiro, dos bens de toda a terra e do poder, pagam pistoleiros violentos, para executarem quem atravessa seu caminho, denunciando seus intentos criminosos e anunciando com a verdade da própria vida, a solidariedade irrestrita com os injustiçados e oprimidos.

     Nas camisetas e faixas, nos estandartes e cantos, nos corpos de seus parentes que estão conosco e nas palavras testemunhais dos pastores, especialmente do Poeta e Profeta, Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia, com seus mais de 80 anos, 40 dos quais vividos nessa região, uma das mais violentas do Brasil. Marcado, há vários anos pelo Parkinson, Pedro, fez ecoar ainda com vigor que a fé lhe confere, sua mensagem de teimosa e resistente esperança pascal.

    Ao som dos tambores e mantras de diversas tradições místicas, entra no grande espaço, o cortejo de mulheres, portando vasilhas pintadas com motivos indígenas, levando águas e flores. Circulam e dançam em volta da fogueira. Em seguida chegam crianças, meninos e meninas do povo dali, trazendo belos estandartes, com fotos e nomes dos (as) mártires, para o centro da grande roda. A equipe de coordenação vai orientando. A saudação de acolhida, com um toque orante, veio do atual bispo da Prelazia, Dom Leonardo.

    Finalmente, entra a Cruz do P.e João, conduzida por jovens mulheres. Do Círio Pascal, sai o fogo, posto na fogueira e nas velas das pequenas lanternas, recebidas por cada pessoa presente. A praça, rapidamente, se transforma numa constelação de luz. Um casal de Araras passa sobre nós, num belo e sereno vôo, costurando uma linha livre e sutil, ligando a lua, a fogueira e o ultimo vestígio do sol, exatamente na direção por onde seguimos em Caminhada, entoando os cânticos conhecidos: “Sou, sou teu, Senhor, sou povo novo, retirante, lutador!”, “Vidas pela vida, vidas pelo Reino”, “Ribeirão Bonito, cruz do P.e João!”…

    Foram mais de três quilômetros até o pequeno Santuário dos Mártires, construído na margem esquerda da rodovia de quem sai de Cascalheira, logo após o pequeno rio, chamado Ribeirão Bonito. No trajeto alguns testemunhos, gritos de denuncia, das vitimas indígenas, jovens, mulheres, trabalhadores (as), cujos direitos sagrados estão sendo desrespeitados pelos atuais senhores do latifúndio, do agro-negócio, da droga, do sistema bancário. Passamos bem ao lado, da capelinha, onde o Padre João Bosco Penido Burnier, Missionário Jesuíta, viveu a sua última agonia, depois de ser alvejado à queima roupa, por um policial, no dia 12 de outubro de 1976. P.e João, acompanhava D. Pedro e foram pedir em favor de duas mulheres que estavam presas e eram torturadas injustamente. Ali, foi celebrada uma emocionante Vigília no dia anterior.

    Ao chegarmos ao Santuário, mais alguns testemunhos. Um momento para a leitura Bíblica, a prece do Pai Nosso, a benção e partilha de um tipo de bolinho popular na região. Para encerrar a noitada festiva, nós, artistas presentes animamos o povo, com cantos e poesias. Pelas onze horas da noite, retornamos para as casas e escolas, onde fomos acolhidos, com carinho pelas famílias da cidade.

    Na Eucaristia, o brilho da Glória Pascal!

    A manhã do domingo, 17 de julho, estava luminosa pelo sol e a beleza de cores, no espaço, atrás do Santuário dos Mártires, preparado para a Missa de despedida da Romaria, concelebrada pelos bispos D. Leonardo, D. Eugênio, bispo da cidade de Goiás e pelo próprio D. Pedro e mais de 30 padres.

    Toda celebração teve como foco principal a vitória pascal de Jesus e de todas as testemunhas da Ressurreição, desde os discípulos de Emaús (Lc 24,13), lembrando a multidão dos que lavaram suas vestes existenciais no sangue do Cordeiro (AP 7,9) e de quem, neste tempo presente, mantém a fidelidade a causa maior da vida!

    Dom Pedro Casaldáliga

    Após a comunhão, ainda alguns testemunhos e denuncias, pela boca dos representantes indígenas; Cacique Marcos e sua mãe, do povo Xucuru, de Pernambuco, que fez uma bela prece aos Encantados, pela proteção da terra e dos seres vivos. Os Xavante, na sua dura luta pela retomada de sua terra tradicional Marãiwatsédé, no Mato Grosso, de onde foram deportados na década de 1960 e que retornaram em 2004 decididos a não abrir mão da terra sagrada, onde está sua memória e foram plantados os corpos de seus ancestrais.

    Antes da benção e envio final, a mensagem emocionada de Pedro, temperada de carinho, profecia e convocação para a fidelidade no testemunho pascal: “multipliquem as romarias dos mártires da caminhada!… Esta, possivelmente será minha ultima Romaria com os pés nesta terra…!”

    Com esta imagem inesquecível e ao som do hino: “Ribeirão Bonito, Cruz do Padre João, Alta Cascalheira, gente do sertão, o suor e o sangue, fecundando o chão!”,romeiros e romeiras da Caminhada, nos despedimos, para as longas viagens de volta, com os corações unidos e aquecidos na fogueira da esperança para a missão urgente, assumida, sem reserva, até o fim, por tantas testemunhas do reinado pleno e eterno da Vida para todas as vidas: João, Chicão, Marçal, Zumbi, Conselheiro, Margarida, Zé Claudio, Maria, Dorothy, Nativo…

    Fortaleza, 19 de julho de 2011
    Em memória da experiência da Revolução Sandinista de Nicarágua, cujos 32 anos se comemora neste dia.

    Zé Vicente – poeta-cantor
    E-mail: zvi@uol.com.br

  • 11º Encontro das CEBs de Taiobeiras

    11º Encontrão das CEBs reunirá sindicatos, movimentos e pastorais sociais

    A Paróquia São Sebastião de Taiobeiras (MG) [microrregião Alto Rio Pardo], Setor Norte da Arquidiocese de Montes Claros (MG), realizará no domingo, 24 de julho de 2011, o seu 11º Encontrão das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). O tema deste ano do encontro é “CEBs: discípulas missionárias a serviço da vida”. Confira a programação e participe!

    Fonte: Arquidiocese de Montes Claros (MG).

    Confira a programação:

  • Artigo de Alex Video sobre a pré-candidatura de Carlito Arruda

    Alex Sandro Mendes
    * Por Alex Sandro Mendes, diretor do Jornal Folha Regional, de Taiobeiras (MG). Artigo publicado na edição impressa n. 185, ano IX, julho/2011.

    Carlito bagunça o tabuleiro da política

    O empresário mais popular de Taiobeiras, Carlito Pereira Costa, conhecido por Carlito Arruda devido a sua empresa de temperos e condimentos, se tornou um dos mais comentados pré-candidatos a prefeito na cidade para 2012. Ele é católico praticante e membro da Renovação Carismática Católica – RCC. Seu nome surgiu como pré-candidato graças ao trabalho social desenvolvido através de sua empresa e devido a forte participação junto à sociedade organizada, já que é presidente da Associação Comercial, membro do Conselho de Saúde e integrante de uma série de entidades.

    A entrada para o mundo político como protagonista aconteceu nas eleições de 2010, quando formou grupo para apoiar o deputado estadual Paulo Guedes (PT) e o federal Zé Silva (PDT). Até então, Carlito era apenas coadjuvante no cenário político, já que apenas apoiava, moralmente e financeiramente, as campanhas lideradas pelo atual prefeito Denerval Germano (PSDB).

    Com o sucesso de seus candidatos nas urnas, Carlito ganhou projeção e passou a ser opção, principalmente para a oposição, que está atordoada com tantas derrotas acachapantes nas últimas eleições, mas, pelo que tudo indica, a vontade de Carlito é ter o apoio do grupo do prefeito Denerval, que, até então, está sem nomes convincentes para disputar a sucessão. O próximo passo agora é acertar os ponteiros com Denerval, dono dos votos.

    No entanto, o acerto não é tão simples, pois o prefeito se diz magoado com as últimas atitudes de Carlito. “Ele saiu do grupo e foi apoiar outros deputados. Isso criou um problema que não depende só de mim para resolver. Neste momento, a decisão de todo o grupo é muito importante”, disse Denerval na última conversa comigo, ocasião em que sinalizou para uma possível aproximação. “A decisão está com o grupo. Vamos conversar e decidir o que é melhor para Taiobeiras”, completou o prefeito, que esconde a sete chaves as suas pretensões políticas.

    Na verdade, Denerval mantém um discurso de decisão coletiva, mas, a impressão que se tem é que ele já tem o nome em mente. Na hora H, ele reúne as principais cabeças em sua residência e arquiteta a aprovação do nome escolhido. Sempre foi assim!

    Então, qual a chance desse nome ser Carlito? Só as pesquisas responderão. E quem seria o favorito para disputar a sucessão? Teoricamente o vice-prefeito Toninho, mas o próprio vive descartando a possibilidade com doses de desânimo para encarar o desafio.

    Carlito Arruda

    De imediato, Carlito alimenta um sério problema: não sabe se é situação ou oposição. Como não existe muro em política, ele pode cair no descrédito com o eleitorado, que aguarda a definição dos nomes com ansiedade. Para o eleitor de Taiobeiras, o importante é saber quem apóia quem. Se permanecer no muro, Carlito correrá o risco de servir apenas para a oposição, que tem poucas opções. Nesse caso, o que seria ideal para o empresário? Ele tem três opções óbvias: lançar projeto solo, numa espécie de 3ª via; voltar ao grupo de Denerval e articular sua candidatura ou aderir ao que restou da oposição e garantir a cabeça da chapa. Entretanto, essas teorias não se enquadram no pensamento de Carlito, pois, em entrevista ao blog do colunista Levon do Nascimento, ele disse: “Não sou situação nem oposição, me considero, juntamente com alguns amigos, uma opção”.

    Quanto a projeto político, em Taiobeiras não se pode perder tempo nesse propósito, nessa terra vale mais o que se oferece ao eleitor do que se oferece ao município, isso se percebe desde a filiação dos pré-candidatos a vereadores até o fechar das urnas. Prova disso é que as eleições taiobeirenses sempre são milionárias. Qual candidato pobre venceu eleição em Taiobeiras?

    Ao analisar friamente a entrevista concedida à Levon, percebe-se que Carlito realmente está em cima do muro. Ele morde e assopra. Disse que não rompeu com o grupo de Denerval, mas com algumas lideranças. Disse que a administração de Denerval está fazendo um bom trabalho, mas, nas entrelinhas, destila criticas louváveis, como a implementação de projetos sem discussão pública, a imposição vertical de idéias e a liberação de “benefícios” para amigos e o “rigor da lei” para os inimigos.

    Certo é que, Carlito está prestando uma enorme colaboração para a política taiobeirense, pois, pelo menos, vem promovendo o debate, instigando o cidadão a pensar, a analisar. Ele simplesmente bagunçou as peças do tabuleiro. Agora não se sabe ao certo quem é quem no grupo detentor do poder. Se não fosse Carlito, o prefeito Denerval estaria ainda mais acomodado, achando que faz tudo certo, sem ouvir ninguém, apenas os subordinados, que apenas balançam a cabeça. Com a propagação de Carlito, ninguém perde, pelo contrário, todos ganham, especialmente no campo das opções de escolha, já que a cidade estava caminhando para o regime de reinado.
  • Bom Jesus da Lapa

    Acabo de chegar de Bom Jesus da Lapa, Bahia, daquele que, para mim, é o local mais sagrado do sertão; onde a família e eu participamos de uma Romaria entre os dias 17 e 19 de julho. Neste ano o Santuário do Bom Jesus e da Mãe da Soledade completa 320 anos de existência. Em outros posts, darei mais detalhes e publicarei mais fotos.

  • Lula estreia site icidadania.org

    Luís Inácio Lula da Silva,
    ex-Presidente do Brasil
    * Por Daiane Cardoso, Agência Estado, em Yahoo Notícias


    Seis meses e 14 dias após deixar a Palácio do Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criou um espaço na internet para conversar diretamente com os internautas. “Quase desencarnado” da cadeira presidencial, Lula disse que pretende usar a internet para trocar ideias. “Acho que vamos ter muita coisa para comentar juntos, falar muito, falar bem e falar mal dos outros”, ironiza em um vídeo publicado no http://www.icidadania.org/. Citando o escritor e amigo Ariano Suassuna, Lula se justifica: “falar mal só tem sentido se a gente falar pelas costas, mas como eu estou falando pela internet não posso falar pelas costas. Nós vamos falar bem e mal pela frente”, brincou.




    No vídeo de quase quatro minutos, o ex-presidente admite que ainda não desligou por inteiro de seu governo. “Ainda não desencarnei totalmente porque eu tenho viajado muito e em todas as viagens eu tenho que contar o que as pessoas querem saber (sobre seu governo)”, explica, listando em seguida os feitos de gestão. O ex-presidente não se define como palestrante nem conferencista. “Não sou nada mais do que um contador de casos de um governo bem sucedido”, resume.

    Lula aproveita também para alfinetar a imprensa. “Vocês sabem que meus amigos da imprensa continuam falando muito bem de mim. Vocês acompanharam, primeiro eles tentaram dizer que a presidente Dilma era muito diferente de mim, que era outra coisa, depois passaram a dizer que era a mesma coisa, depois disseram que não era mais a mesma coisa, depois era fraca e depois era forte”.

    Em seguida, Lula afirma que a presidente Dilma Rousseff faz parte de um projeto que começou no seu governo. “As pessoas não percebem que a presidente Dilma faz parte de um projeto do qual participam milhões de brasileiros e do qual eu faço parte. Esse projeto é vencedor não apenas porque venceu as eleições, é porque tem o que fazer neste país até 2014, até 2018 e até dois mil e não sei quanto”, complementa.

    Longe do Planalto, o ex-presidente conta que a partir de agora pretende se dedicar à integração dos países da América Latina e que quer repassar a experiência das políticas sociais brasileiras para os países da África. No entanto, ele avisa que ainda tem “muita coisa para fazer neste país”.

    No final do vídeo, o ex-presidente destaca que continua o mesmo Lula do passado. “Você percebe que eu não mudei muito, que eu continuo falando demais”, diz. Ele conta aos internautas que voltou para o mesmo lugar de onde saiu para assumir a Presidência: a sala do Instituto Cidadania, na zona sul de São Paulo. “A casa é a mesma, a cortina é a mesma, só os livros que são diferentes porque eu ganhei antes de deixar a Presidência”.
  • Artigo do Levon: Doces ilusões

    Levon em palestra para estudantes
    * Levon do Nascimento, Professor de História e titular deste Blog. Publicado na edição impressa número 185, Ano IX, do Jornal Folha Regional, de Taiobeiras (MG), julho de 2011, página 10.

    Vivemos uma época mundial de hipercapitalismo. Em fase terminal, é verdade (vide crise financeira de 2008, ainda não resolvida nos EUA e na Europa). Tudo virou negócio e pode ser comercializado. O consumo é a regra. A satisfação hedonista do “eu” é o paraíso ou o nirvana a ser alcançado. As pessoas, assim como os produtos, tornam-se descartáveis. As relações humanas – familiares, inclusive – são quantificáveis no valor da cotação das moedas correntes nas bolsas de apostas do deus-Mercado. A Deus nada, a César tudo, especialmente nas igrejas e demais grupos religiosos. A ética, a moral e a fé se ajustam conforme as necessidades de posse dos bens tangíveis e dos burocratas ou dos hierarcas de plantão. Importa ter (possuir), poder (mandar) e satisfazer-se (prazer). Um cenário dantesco (infernal), depredador e deformado; agradavelmente maquiado, perfumado e bem-vestido com as melhores marcas de cosméticos e de confecções que a publicidade ilusória e inescrupulosa consegue forjar. Eis um retrato amargo de nosso tempo. Os calçados de marca desta era impedem que se vejam as pegadas de patas animalescas adquiridas nesta involução a que a humanidade se lançou.

    O planeta em crise climática. As energias, liberadas pelo descuido humano, destroem os biomas e ameaçam desalojar o próprio ser humano (vide caso da usina nuclear de Fukushima, no Japão). O aquecimento global é uma realidade que se nos impõe avassaladoramente. Tempestades destroem cidades inteiras, inundando e soterrando, especialmente as áreas onde moram os mais pobres e despossuídos para o deus-Mercado. As forças do capital financeiro se sobrepõem aos interesses das “democracias”. Aliás, democracias, será que existem?

    As intolerâncias e os ódios humanos se manifestam como se a civilização e os seus recursos tecnológicos e culturais ainda não tivessem sido alcançados. O desprezo com a vida, o elogio à violência, a admiração por agressores e corruptores, o desamor pelo próximo (especialmente o mais humilhado: o menor, a mulher, o negro, o índio, o deficiente, o homossexual, o mendigo) e o desapreço aos valores de bondade, respeito, solidariedade, honestidade e honra se manifestam a cada dia com mais força. Incrível, esquisito e lastimável como muitos grupos religiosos cristãos, depois de um tempo primaveril glorioso de amparo aos que sofrem, voltam a se fechar e a vomitar preconceitos, pusilanimidade e desprezo para com aqueles a quem a sociedade já havia tratado de humilhar. Fazem isto em nome de Deus. Na verdade, servem mais ao deus-Capital, a face visível do verdadeiro inimigo da divindade cristã.

    Resta aos que desejam um mundo mais à esquerda (solidário, igual, justo) das fórmulas à “direita” que construíram tais cenários de terror, lutar até o último fôlego contra toda essa catarse de coisas ilusórias, doces na aparência, amargas na essência. Para quem, em vez “do ter, do poder e do prazer”, busca um novo paradigma civilizatório, baseado no amor e no conteúdo, “no ser, no servir e no sentir”, contrariando as aparências esguias, produzidas pelos estúdios de conteúdo oco e perecível, abrem-se as portas da consciência cidadã universalista, da fé inteligente e ecumênica, e da razão lógica que se coloca a serviço das necessidades humanas e do planeta.

    Não se assuste o leitor ou leitora deste artigo com as constatações monstruosas dos três primeiros parágrafos. Saiba que há muitos homens e mulheres, de todas as idades e raças, de várias condições sociais e credos, trabalhando sem parar, a fim de que um novo tempo, melhor e mais justo, seja possível e concreto em nossas vidas. Liberte-se da cegueira ilusória do deus-Mercado. Junte-se àqueles que acreditam na proposta do “caminho, da verdade e da vida”.
  • José Prates: Minério – Dádiva ou Maldição

    José Prates, Prefeito de Salinas (MG)
    * Por José Prates, Prefeito de Salinas (MG), via e-mail da Coordenação de CEB´s (Comunidades Eclesiais de Base) da Arquidiocese de Montes Claros (MG)

    Mensagem às autoridades brasileiras

    É sabido, porquanto noticiado por variados meios, da existência de jazida de minério de ferro, supostamente na quantidade de 20 bilhões de toneladas, em uma região do Norte de Minas, tendo Salinas como centro geográfico e que, tal riqueza, encontra-se concentrada em reduzido aglomerado de Municípios.

    Ouve-se ainda que o teor ferrífero da jazida seria de, no máximo, 20%, o que poderia tornar muito dispendioso o investimento, diminuindo portanto o interesse em sua exploração.

    Registra-se também a reiterada informação dos interessados que, a fim de compensar a “perda” ocasionada pelo possível baixo teor ferrífero, necessário se tornaria fazer o seu transporte até um porto por meio de mineroduto, vez que a construção de ferrovia e o transporte por este meio, encareceria ainda mais os custos da produção.

    Há algum tempo, temos presenciado em nossas cidades, grande movimentação de representantes diversos de empresas mineradoras, fazendo pesquisas e sondagens por meio de aviões ou diretamente no solo de alguns Municípios, na maioria dos casos, sem articulação com as autoridades municipais, embora muitos dos gestores tenham buscado abordar o assunto, sem êxito, com representantes dessas empresas.

    Simultaneamente assistimos à venda de papéis, indicando inusitada especulação sobre uma riqueza inexplorada, ante o silêncio das autoridades federativas.

    Assistimos à assinatura de termos de cooperação e protocolos de intenções.

    ASSISTIMOS! Esta é a palavra, porque em nenhum dos casos tivemos a chance de opinar e discutir o assunto em nome dos munícipes a quem representamos.

    Não temos, até o momento, conhecimento da existência de um plano envolvendo toda a região ferrífera, subscrito pelos representantes dos entes federativos e pelos interessados na exploração dessa importante riqueza.

    Microrregião Alto Rio Pardo (Norte de Minas)
    Em vista desses acontecimentos, como Prefeito Municipal de Salinas, sentimo-nos no dever de esclarecer e propor para reflexão das autoridades as seguintes observações.

    1. Vimos estudando a folha geológica da região de Salinas há cerca de 10 anos e podemos afirmar que não são verdadeiras as informações sobre a localização da jazida ferrífera, como divulgada, e que o seu teor seria de apenas 20%. A verdade é que ela acha-se espalhada por 21 Municípios ainda que, mais intensa em alguns que em outros, e seu teor alcança até 30% em média, encontrando-se de forma aflorada, em sua maioria, o que facilita a exploração e reduz todos os custos operacionais.

    2. A riqueza do subsolo brasileiro, embora monopólio da União, pertence ao povo e em seu interesse deve ser explorada. Assim, a utilização de recursos públicos neste investimento deve ser visando, prioritariamente, o desenvolvimento regional e a elevação da condição de vida do povo.

    3. A proposta de mineroduto parece-nos inadequada, vez que, além do uso predatório da água, bem dos mais valiosos desta região, revela um propósito colonialista de quem deseja adotar tal empreendimento, qual seja, retirar o minério, transportá-lo para outro lugar, especialmente fora do Brasil, deixando aqui apenas o grave passivo sócio-ambiental.

    4. As informações, até o momento sigilosas, devem ser amplamente democratizadas e publicitadas, fornecendo números não apenas sobre o minério de ferro mas sobre toda a vasta e rica folha geológica da região.

    5. Todos os protocolos de intenções e acordos de exploração devem ser Municipalistas e Republicanos e assinados somente após ouvir os Municípios, o Estado e a União, deixando clara a imprescindibilidade do Município.

    6. O Estado de Minas Gerais, em parceria com as empresas mineradoras, deverá patrocinar a elaboração de um Plano Diretor Regional de Desenvolvimento Sustentável, com foco na mineração, contemplando a construção de ferrovia, porto seco, qualificação de recursos humanos, e a implantação de usinas de beneficiamento do minério em diversas formas, planejamento territorial sustentável quanto ao uso e ocupação do solo e parceria para sustentação dos impactos na saúde, na educação e segurança pública.

    7. A criação de um PACTO REGULATÓRIO PARA A EXPLORAÇÃO MINERÁRIA REGIONAL é imprescindível e urgente a fim de referenciar todas as ações necessárias à formulação dos projetos e sua execução, já que ainda não dispomos de MARCO REGULATÓRIO DO MINÉRIO em nível nacional.

    8. Os maus exemplos de exploração minerária, ocorridos em Minas Gerais e em outros Estados devem ser conhecidos e estudados para que não sejam repetidos aqui.

    9. As situações em que as perdas econômicas, a degradação ambiental e social prevaleceram, não podem aportar aqui, em hipótese alguma, sob pena de nós, gestores públicos, estarmos avalizando a destruição do patrimônio do povo e o sacrifício da população norte mineira.

    10. Por fim, cabe deixar claro que os gestores públicos, sejam eles municipais, estaduais ou federais, não podem enxergar esses acontecimentos de forma parcial, seccionada, nem tampouco apenas como fatos inerentes ao seu mandato, ou no seu tempo, pois nosso compromisso transcende o tempo: é com nosso Município, nossa região, com Minas, o Brasil e com todas as gerações brasileiras.

    11. É por isto que temos dito sempre e o reafirmamos aqui: MINÉRIO PODE SIM, DAR VÁRIAS SAFRAS! BASTA QUE TENHAMOS RESPONSABILIDADE NA SUA EXPLORAÇÃO E SOLIDARIEDADE PATRIÓTICA QUANTO AO SEU USO!

    Assim, deixamos claro que nosso maior propósito é de parceria benigna e dinâmica, que contemple soberanamente a prosperidade e a felicidade do nosso amado povo e que a exploração minerária seja componente libertador e não maldição!
  • O monstro indomável da intolerância

    Por Luiz Horácio no Blog do Luis Nassif

    A intolerância não é nem da esquerda nem da direita. Haverá intolerância enquanto não forem esclarecidos determinados pensamentos e sentimentos que estão agindo em diversas e seguidas situações, variáveis para cada um. A pessoa que se fecha para o conhecimento, convida o vampiro para entrar. Mas não o conhecimento acadêmico e científico. O que vale, neste caso, é o conhecimento como sabedoria.

    As deformidades, obscuridade, tiranias e tragédias pessoais que derivam dessa imprudência humana, a de não desejar conhecer a fundo as coisas, deixaram um rastro de ódio, tristeza e sangue na história humana, e nem assim as gerações seguintes se esforçaram o suficiente para aprender sobre esses erros terríveis, a fim de não repeti-los.

    A intolerância é um dos piores erros que alguém pode cometer. O de achar que o outro é diferente dele, e de sustentar, com toda a convicção, que essa diferença o qualifica e desqualifica o outro, e esse deve então sofrer as sanções ou castigos correspondentes. Claro, isso vale para determinadas posições polêmicas. Então se associam em grupos de intolerância capazes de cometer as piores atrocidades de que se tem notícia, contra alguém ou contra toda uma comunidade. Conhecemos bem isso, mas esquecemos desse perigo com extrema facilidade.

    As pessoas totalmente irresponsáveis que articulam essas forças sempre perdem totalmente o controle sobre elas, acreditam que podem usar isso como instrumento conveniente para um momento, e depois são atropeladas e levadas pelo vagalhão que criaram. Não há clima de intolerância que deixe impune a sociedade que a alimentou, e as consequências são sempre funestas, sempre sombrias.
  • Cesar Kuzma: E a Igreja se fez show…

    * Por Cesar Kuzma


    Padre Reginaldo Manzotti
    Neste último domingo, dia 19 de junho, assisti a apresentação do Pe. Reginaldo Manzotti no “Domingão do Faustão”. Com certeza, o Pe. Manzotti alcançou a fama que procurava há muito tempo e hoje se tornou tão conhecido como o Marcelo Rossi (a quem imitou e seguiu) e outros “midiáticos” da Igreja Católica no Brasil e, também, do mundo da música e do entretenimento. No entanto, tal apresentação me faz parar e refletir alguns pontos: 1) O que representa para a Igreja Católica atual uma personalidade assim? 2) O que ele traz de novo, ou se realmente ele traz algo novo? 3) Que imagem de Igreja estamos passando para a sociedade com uma pessoa assim e, obviamente, para a própria Igreja, hoje tão carente de formação? Cada um destes pontos merece uma análise profunda, que não faremos, a ideia é apenas uma breve reflexão sobre o assunto, crítica, mas respeitosa.


    O Documento Lumen gentium do Concílio Vaticano II (1962-1965), que apresenta uma reflexão dogmática sobre a Igreja, destacando sua natureza e missão, começa assim: “Lumen gentium cum sit Christus“, ou seja, a Igreja é luz para os povos assim como Cristo. Ser luz, no entanto, é transmitir a mensagem do Evangelho, na qual Cristo é a luz. A Igreja, que somos nós, não tem uma luz própria e não prega a si mesma e, consequentemente, não conduz as pessoas a si, pois ela não é o fim, o destino de todos. A Igreja é iluminada pela luz de Cristo, cujo Espírito a conduz. A Igreja, como “luz do mundo” anuncia Cristo e o seu Reino e conduz as pessoas a este fim, a este éschaton (destino último); assim ela é sinal e sacramento. Este mesmo documento apresenta-nos o papel dos batizados, que compõem a Igreja de Cristo, discernindo a sua vocação e missão. Isso fica claro quando ela nos remete a questão do serviço, um serviço ao Reino, a exemplo de Jesus, que na sua humildade e pequenez conduziu as pessoas à esperança num reino de amor, justiça e paz; um Jesus que declarou bem-aventurados os pobres e, a partir deles, iniciou o seu testemunho, fazendo-se pobre para de tudo nos libertar, sendo ponto de justiça, caminho e verdade.


    Preocupa-me saber o que representa o Pe. Manzotti para a Igreja e para a sociedade brasileira atual. Será que ele representa o seguimento de um Jesus pobre da Galiléia, tão profundamente descrito nos Evangelhos, ou será que ele representa a si mesmo, diante do orgulho e da vaidade, pecado tão sutil aos membros da mídia, ou daqueles que são feitos ou produzidos por ela? Quem fez o Pe. Manzotti e a sua fama e o que ele representa? Será que ele representa a Igreja Católica ou representa as gravadoras e emissoras de rádio e TV em que atua? O Pe. Manzotti anuncia a “boa nova” do Evangelho ou anuncia a “sua boa nova“, tão frágil e carente de conteúdo. Com certeza, o Pe. Manzotti não representa a Igreja que eu sigo e acredito, pois sua pregação, atuação e postura estão muito longe (mas longe mesmo!) do que entendo como proposta de seguimento, discipulado e missionariedade. Não falo apenas das letras de suas músicas (muitas delas, por sinal, com graves erros teológicos que educam o povo erroneamente); não falo das suas fotos sensuais nos álbuns dos CDs; não falo dessas situações, pois é pequeno demais e nem vale a pena; mas falo da postura, atuação e pregação que deve ter um cristão, quer ele seja um leigo, um religioso ou um padre, mas uma atuação de seguimento e de exemplo… Lumen gentium! É uma pena, pois um projeto de inculturação da fé deveria ser um serviço de integração com a sociedade e não uma maneira de ser refém desta, juntando seu capital, glamour e aparência. Uma Igreja que propõe discipulado e missionariedade com o Documento de Aparecida (2007) fica a mercê diante desta forma de “evangelizar“. O que representa o Pe. Manzotti? Bem, certamente, representa a si mesmo e a sua imagem…


    É evidente que sua pregação não traz nada de novo, pois dentro de músicas modernas se esconde uma postura de Igreja fechada e clerical, que coloca o padre (o sacerdote, maneira como ele sempre se apresenta) em destaque diante dos fiéis. Antes tínhamos o padre que apenas rezava a sua missa, deixando o povo na expectativa, como alguém que sempre recebe. Agora temos o mesmo padre com suas vestes carregadas e pomposas (como de antigamente) tornando-se um cantor e animador de auditório em programas de televisão e em praças públicas pelo Brasil. Não negamos que a Igreja deva adotar uma nova postura diante da sociedade moderna e pós-moderna, de maneira a integrar mais as pessoas e seus novos problemas e questionamentos, acontece que posturas assim envolvem o povo em luzes e sons, transformando o altar num palco e a Eucaristia num show, totalmente oposto aos ensinamentos da Igreja e totalmente contraditório com a proposta de Jesus, que se tornou igual e semelhante ao seu povo e só assim pôde conduzi-los no caminho do Reino (Fl 2,6-9). O Pe. diz que não faz show, fico em dúvida, então, para saber o que ele faz… Um dos seus programas de televisão chama-se “evangeliza show“, algo próximo ao “show da fé” de R. R. Soares. Há que se entender que Igreja não é show business. Quando a Igreja passa a ser show ela deixa de ser comunidade, ela deixa de ser o local onde as pessoas se reúnem para partilhar do mesmo pão, ao redor de uma mesma mesa, tornando-se um só, em Cristo. Quando a Igreja se torna show ela deixa de ter eclesialidade, pois tira dos seus membros a participação ativa diante de sua missão, pois ninguém se conhece, todos são “turistas religiosos” atrás de um cantor, que neste caso, também é padre. Quando a Igreja se torna show ela se distancia drasticamente da proposta do Evangelho de Jesus, que nasceu pobre numa estrebaria, que viveu pobre na Galiléia e que morreu pobre e sozinho numa cruz em Jerusalém.


    Padre Marcelo Rossi
    Mas alguém poderá dizer: mas ela fala tão bem, ele atrai tanta gente… Não nego que tenha méritos, e deve haver, mas questiono a forma e o modelo com que faz tais coisas. Até que ponto as pessoas seguem a Cristo e não o Padre? Até que ponto as pessoas vão à missa pelo Padre e não pela comunidade? Até que ponto as pessoas estão usando isso para um alimento pastoral e engajamento, e sim, para um aumento do individualismo e do culto ao “Eu-com-Deus“, distanciando-se de uma proposta de Igreja de comunhão? Até que ponto a mensagem do Evangelho é atrair mais pessoas para a Igreja Católica (ou para outra Igreja)? Esta nunca foi a proposta de Jesus Cristo.


    Quando questionado pelo rico faturamento que seu projeto traz, ele rapidamente diz que o dinheiro é para o projeto “Evangelizar é preciso” e não para ele. Mas o que é este projeto, que não fazer a divulgação dos trabalhos, CDs, livros, shows e produtos do padre? Evangelizar é preciso, é claro, mas o que é mesmo evangelizar? Se evangelizar for montar um projeto milionário, se for ser amigo do governador do Estado, aliado de pessoas da elite social e fazer shows, gravar CDs e ter programas de televisão e rádio, acho que não sei mesmo o que é evangelizar. Se fosse assim, Jesus deveria ter começado a sua missão no palácio de Herodes, na casa de Caifás e Anás e ter um grande acordo com Pôncio Pilatos, ao invés de começar em uma aldeia de pescadores da Galiléia. Acho que tudo isso é importante e deve e pode ser feito, desde que o horizonte último seja Cristo e o seu Reino, desde que isso possa ser multiplicado nas pequenas coisas e exemplos do cotidiano. Num momento em que Igreja reflete a sua eclesiologia (sobre a Igreja) em tentativa de resgate a pequenas comunidades, menores e mais concentradas, mas com mais vigor e postura evangélica, tal postura do Pe. Manzotti vai contra este pleito.


    Preocupa-me saber que imagem nós estamos passando de Igreja, preocupa-me saber que Igreja nós estamos formando para nossos filhos e membros e que mensagem de Reino nós estamos passando à sociedade. Foi-se o tempo em que cantávamos na missa ou nos grupos sem nos preocupar de quem era a música ou o CD (disco ou cassete na época), foi-se o tempo de que as músicas religiosas tinham mais teor evangélico e mais coerências sociais (ainda encontramos isso no Pe. Zezinho e Zé Vicente e em alguns outros), foi-se o tempo em que pertencer a determinada comunidade trouxesse ao cristão uma identidade viva e coerente, capaz de ligar a comunidade a sua vida, e assim por diante. Há um crescimento do turismo religioso motivado por fenômenos como o Manzotti, mas um declínio de conteúdo e discernimento da fé. Parece que damos razão a nossos interlocutores críticos da religião como Marx que disse: “A religião é o ópio do povo”. Quando a Igreja se faz show, vemos que Marx tinha razão, pois ao invés de libertar ela aliena, pois o aprisionamento religioso faz parte de sua postura ideológica. Lamentável!


    Profeta: Dom Pedro Casaldáliga
    É lamentável entender que a Igreja Católica no Brasil hoje passa a ser representada por padres midiáticos como este, onde sua proposta de missão obedece mais aos interesses das gravadoras como “Som Livre” e outras do que a proposta do Evangelho. Esta representação deixa um Jesus de Nazaré pequeno, quase esquecido, diante das luzes que compõem o grande espetáculo. É triste entender e lembrar que no passado estávamos representados (e muito bem!) por pessoas como Dom Helder Câmara, Dom Paulo Evaristo Arns, Dom Ivo e Aluisio Lorscheider, Dom Pedro Casaldáliga e tantos outros que deram a sua vida de fé em favor da paz, do amor e da justiça, testemunhas autênticas do Evangelho, e hoje, quem diria, somos representados por pessoas assim… É uma pena que pessoas tão importantes e atuantes pelas causas da Igreja só sejam reconhecidas depois de mortas em martírio, como Irmã Doroty e tantos outros, esquecidos por nós (Igreja) e pela sociedade. É uma pena imensa que pessoas atuantes em pastorais sociais e em diversos movimentos sejam muitas vezes esquecidos pela Igreja ou punidos por ela (TdL) por defenderem a causa da justiça contra os ricos e poderosos; ricos e poderosos que sustentam esta estrutura piramidal e patrocinam “novas lideranças” como o Pe. Manzotti, que pela postura, servem a seus interesses. É triste dizer que a Igreja se fez show…


    *Cesar Kuzma é teólogo leigo, católico, professor de Teologia da PUCPR. Assessor em grupos e movimentos eclesiais.

  • Série de reportagens relembra Itamar Franco

    Itamar Franco

    Textos legais do jornalista Luis Nassif com recordações do ex-presidente Itamar Franco. Muito pitoresco, assim como Itamar. Clique nos links:


    Itamar Franco 9

  • Novas Irmãs são recebidas em Taiobeiras

    Irmã Clarícia e Irmã Gracilda, respectivamente, recepcionadas
    na Matriz de S. Sebastião de Taiobeiras em 03/07/2011
    Neste domingo, 3 de julho, festa litúrgica dos apóstolos Pedro e Paulo, a Paróquia São Sebastião de Taiobeiras recebeu, na celebração das 9 horas da manhã, as novas religiosas que passarão a morar e a prestar trabalho pastoral nas comunidades paroquiais. Elas integrarão uma comunidade religiosa mista denominada João Paulo II.

    São elas, a Irmã Clarícia Gramarin, natural de Val Paraíso (SP), integrante da Congregação das Irmãs da Caridade de Ottawa, e a Irmã Gracilda Galvão Guimarães, natural de Petrolina (PE), da Congregação das Irmãs Carmelitas da Caridade de Vedruna.

    Ambas residirão na chamada “Casa das Irmãs”, de propriedade da paróquia, na Rua Ceará, 835, no Bairro Vila Formosa e prestarão apoio às pastorais da Igreja e às pessoas mais excluídas da sociedade.

    As Irmãs chegam a Taiobeiras depois de uma experiência de cinco anos e meio em Ninheira (MG), cidade da microrregião Alto Rio Pardo pertencente à Diocese de Janaúba.

    Histórico:

    1. Desde janeiro de 2011 o pároco de Taiobeiras, Padre Ivan Alckimin, convidou as irmãs para trabalharem na paróquia. O convite foi aceito pelas superioras de ambas após visita preliminar realizada às comunidades paroquiais.

    2. As novas religiosas chegam a Taiobeiras no ano em que se completam 20 anos da criação da primeira comunidade de freiras da paróquia, composta pelas Irmãs da Divina Providência, que permaneceram até 2005.

    Desejamos bom trabalho pastoral às irmãs.

  • Itamar Franco

    Itamar Franco
    A morte do ex-presidente da República e ex-governador de Minas Gerais Itamar Franco, hoje (02 de julho de 2011), finaliza mais um capítulo da chamada Nova República (iniciada em 1985). A grande mídia que já xingou muito Itamar quando este fez oposição cerrada a Fernando Henrique Cardoso (entre 1999 e 2002), tratou de enaltecer o então senador da República eleito no ano passado ao lado de Aécio Neves.

    Itamar, de fato, me pareceu um político honesto e de personalidade. A estabilização da economia é obra sua que melhorou muito a vida dos brasileiros. No entanto, é bom lembrar, o mesmo Plano Real (1994) que suplantou a inflação, trouxe o neoliberalismo que sucateou e privatizou quase todo o patrimônio público do Brasil, bem como elevou os índices de desemprego às alturas, no país, nos oito anos seguintes.

    Itamar, mesmo sendo ético, não foi um exemplo de coerência nas alianças. Isto não chega a ser um problema. Mudar de ideia é um direito de quem está vivo. Disputou o Governo de Minas contra Newton Cardoso em 1986 e perdeu atirando verbalmente contra o adversário. Foi eleito vice-presidente ao lado do “caçador de marajás” cassado Fernando Collor de Mello. Tornou-se presidente por obra do impeachment do titular. Foi o responsável pela eleição de Fernando Henrique à presidência em 1994. Com quem brigou logo depois. Apoiou Lula em 2002, rompendo logo a seguir. Apoiou Alckimin em 2006 e Serra em 2010. O mesmo Serra a quem negou palanque em 2002. Em 1998, quando se elegeu governador de Minas, teve como vice Newton Cardoso, o mesmo a quem acusara de deslealdade e trapaça em 1986.

    Enfim, um político… um grande político mineiro e brasileiro!
  • Leonardo Boff: Crise terminal do capitalismo?

    Leonardo Boff
    * Via mensagem de e-mail proveniente de Sônia Gomes de Oliveira,
    do Secretariado de CEB’s da Arquidiocese de Montes Claros.

    ** Leonardo Boff

    Tenho sustentado que a crise atual do capitalismo é mais que conjuntural e estrutural. É terminal. Chegou ao fim o gênio do capitalismo de sempre adapatar-se a qualquer circunstância. Estou consciente de que são poucos que representam esta tese. No entanto, duas razões me levam a esta interpretação.

    A primeira é a seguinte: a crise é terminal porque todos nós, mas particularmente o capitalismo, encostamos nos limites da Terra. Ocupamos, depredando, todo o planeta, desfazendo seu sutil equilíbrio e exaurindo excessivamente seus bens e serviços a ponto de ele não conseguir, sozinho, repor o que lhes foi sequestrado. Já nos meados do século XIX, Karl Marx escreveu profeticamente que a tendência do capital ia na direção de destruir as duas fontes de sua riqueza e reprodução: a natureza e o trabalho. É o que está ocorrendo.

    A natureza, efetivamente, se encontra sob grave estresse, como nunca esteve antes, pelo menos no último século, abstraindo das 15 grandes dizimações que conheceu em sua história de mais de quatro bilhões de anos. Os eventos extremos verificáveis em todas as regiões e as mudanças climáticas tendendo a um crescente aquecimento global falam em favor da tese de Marx. Como o capitalismo vai se reproduzir sem a natureza? Deu com a cara num limite intransponível.

    O trabalho está sendo por ele precarizado ou prescindido. Há grande desenvolvimento sem trabalho. O aparelho produtivo informatizado e robotizado produz mais e melhor, com quase nenhum trabalho. A consequência direta é o desemprego estrutural.

    Milhões nunca mais vão ingressar no mundo do trabalho, sequer no exército de reserva. O trabalho, da dependência do capital, passou à prescindência. Na Espanha o desemprego atinge 20% no geral e 40% entre os jovens. Em Portugual 12% no pais e 30% entre os jovens. Isso significa grave crise social, assolando neste momento a Grécia. Sacrifica-se toda uma sociedade em nome de uma economia, feita não para atender as demandas humanas mas para pagar a dívida com bancos e com o sistema financeiro. Marx tem razão: o trabalho explorado já não é mais fonte de riqueza. É a máquina.

    A segunda razão está ligada à crise humanitária que o capitalismo está gerando. Antes se restringia aos paises periféricos. Hoje é global e atingiu os países centrais. Não se pode resolver a questão econômica desmontando a sociedade. As vítimas, entrelaças por novas avenidas de comunicação, resistem, se rebelam e ameaçam a ordem vigente. Mais e mais pessoas, especialmente jovens, não estão aceitando a lógica perversa da economia política capitalista: a ditadura das finanças que via mercado submete os Estados aos interesses dos capitais especulativos que circulam de bolsas em bolsas, auferindo ganhos sem produzir absolutamente nada a não ser mais dinheiro para seus rentistas.

    Mas foi o próprio sistema do capital que criou o veneno que o pode matar: ao exigir dos trabalhadores uma formação técnica cada vez mais aprimorada para estar à altura do crescimento acelerado e de maior competitividade, involuntariamente criou pessoas que pensam. Estas, lentamente, vão descobrindo a perversidade do sistema que esfola as pessoas em nome da acumulação meramente material, que se mostra sem coração ao exigir mais e mais eficiência a ponto de levar os trabalhadores ao estresse profundo, ao desespero e, não raro, ao suicídio, como ocorre em vários países e também no Brasil.

    As ruas de vários paises europeus e árabes, os “indignados” que enchem as praças de Espanha e da Grécia, são manifestação de revolta contra o sistema político vigente a reboque do mercado e da lógica do capital. Os jovens espanhois gritam: “Não é crise, é ladroagem”. Os ladrões estão refestelados em Wall Street, no FMI e no Banco Central Europeu, quer dizer, são os sumo-sacerdotes do capital globalizado e explorador.

    Ao agravar-se a crise, crescerão as multidões, pelo mundo afora, que não aguentam mais as consequências da super-exploracão de suas vidas e da vida da Terra e se rebelam contra este sistema econômico que faz o que bem entende e que agora agoniza, não por envelhecimento, mas por força do veneno e das contradições que criou, castigando a Mãe Terra e penalizando a vida de seus filhos e filhas.

    ** Leonardo Boff – Doutor em Teologia e Filosofia pela Universidade de Munique, nasceu em 1938. Foi um dos formuladores da “Teologia da Libertação”. Autor do livro Igreja: carisma e poder, de 1984, que sofreu um processo judicial no ex-Santo Oficio, em Roma, sob o cardeal Ratzinger. Participou da redação da Carta da Terra e é autor de mais de 80 livros nas várias áreas das ciências humanísticas.

  • 23 de junho: a noite de São João

    Uma das datas do calendário litúrgico católico e popular que eu mais gosto. A união da fé cristã simples e genuína com a cultura lúdica e criativa do povo brasileiro. A noite de São João Batista, véspera do “Dia-santo” (feriado em alguns município brasileiros, inclusive Taiobeiras) do “padrinho” de “Nosso Senhor” (Jesus Cristo).
  • Os temas mais importantes da semana

    Greve dos Professores da Rede Estadual de Minas Gerais contra o “desmonte” da Escola Pública Mineira levado a efeito pelos Governos tucanos de Aécio Neves e Antônio Anastasia. Leia mais sobre isto, clicando nos seguintes links:

    2º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas em Brasília (DF), ajudando a combater a ditadura da mídia no Brasil.

    Boa semana a todos. Muita leitura, também. Que cresçamos bastante em nossa cidadania!
  • Zé da Máquina: um comentário que merece ser publicado

    Zé da Máquia (segurando faixa) em manifestação na
    Av. da Liberdade, em Taiobeiras, no 1º de maio de 1997.
    No ano passado publiquei uma enquete no meu blog sobre os principais fatos históricos de Taiobeiras. Um dos itens enumerados foi a trajetória esquerdista de Zé da Máquina (José Sena).


    Leia o que escrevi no post que instruía a enquete:


    8. A trajetória esquerdista de Zé da Máquina. Um dos fundadores do PT e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras, candidato a vice-prefeito e prefeito, eleito vereador, líder comunitário, polêmico e comprometido com as causas sociais, o cidadão José Sena, conhecido como Zé da Máquina, foi a primeira grande liderança de Taiobeiras a acreditar que era possível fazer política pela Esquerda neste município do Alto Rio Pardo. Faleceu em 2008, num auto-exílio a que se impôs numa cidade do Estado do Tocantins.


    Hoje (13/06/2011) recebi um comentário do leitor que se identifica como Cristiano. Achei interessante e transcrevo-o na íntegra, conforme o recebi. Leia:


    “Meu Nome é Cristiano, não resido mais nesta cidade querida, mas dentre os fatos enumerados pelo prof levon(todos com seu valor) oque observei foi a lembraça do lider trabalhador José da Máquina, que como outros lideres antidos de Taiobeiras foram esquecidos. Sou jovem mas tive a oportunidade de conhecer Zé da máquina,homen reto, corajoso, perseguido que foi ainda levantava sua bandeira. Em Taiobeiras pessoas como seu Zé, nunca tiveram vez. Fato é que até os dias atuais o nome sindicato em Taiobeiras não existe. A exemplo Quem representa os funcionários do comercio de Taio. Parabéns levon pela lembrança de seu Zé. E você sabedor que é Taiobeiras está esquecendo de muitos Zés da cidade, que tanto ajudou o povo no passado.´Zé da maquina, Zé candinha, Zé Coló e por aí vai. Abraço.” 13 de junho de 2011 15:59


    Zé da Máquina é um dos maiores líderes morais da história de Taiobeiras. Seu legado, suas ideias e sua honestidade precisam ser descobertos pelas novas gerações e imitados por todos aqueles que desejam uma sociedade mais justa e solidária.