Para conhecer mais sobre as “Tradições de Maio em Taiobeiras”, clique aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
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Final da 55ª Festa de N. Sra. de Fátima em Taiobeiras
Com encerramento marcado para este 13 de maio de 2011, a 55ª Festa de Nossa Senhora de Fátima, realizada pela Paróquia São Sebastião de Taiobeiras, reuniu multidões na Praça da Igrejinha, nos dez dias de sua realização.
A fé mariana e as tradições religiosas do povo taiobeirense, inspiradas pelo exemplo de Frei Jucundiano de Kok, OFM (1902-1974), 1º pároco, se revitalizaram e entusiasmaram gente de todas as idades, especialmente aos jovens e às crianças.Neste ano, a renda das festividades será revertida para a construção do Centro Catequético Paroquial de Taiobeiras.
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Entrevista com Carlito Arruda: "Não sou situação nem oposição, me considero uma opção"

Carlito Pereira Costa Há cerca de um mês e meio participei de uma longa conversa com o empresário Carlito Pereira Costa, ou melhor, Carlito Arruda, como se tornou conhecido o jovem militante da Renovação Carismática Católica, proprietário de uma das empresas taiobeirenses que mais cresceu e alcançou reconhecimento na última década: a indústria e o comércio de produtos alimentícios Arruda. O diálogo se transformou em entrevista, a qual publico aqui no blog.Conheço Carlito há bastante tempo. Para ser mais preciso, desde 1994, quando participamos de um retiro espiritual da Pastoral da Juventude (PJ) de Taiobeiras. Para quem conhece as questões internas da Igreja Católica no Brasil, sabe que as linhas pastorais ligadas às CEB’s, como é o caso da PJ e os movimentos de caráter mais voltado ao pentecostalismo, como a RCC, enfrentaram grandes questionamentos e crises, sobretudo no final dos anos 90. Conosco não poderia ter sido diferente. Mas, creio eu, sempre nos respeitamos em nossas identidades eclesiais específicas. Recentemente, atuamos juntos na comissão que preparou, organizou e dirigiu os trabalhos do 1º Concílio Paroquial de Taiobeiras, em 2007. Acredito que ali, num grande momento de definição dos rumos do catolicismo taiobeirense, contribuímos de maneira muito efetiva para a mesma causa.
Politicamente, estivemos juntos nas eleições municipais de 1996 e 2000. Em campos opostos em 2004 e 2008. No entanto, nunca deixamos de nos falar francamente sobre este tema, mesmo nos momentos em que não estivemos do mesmo lado.
A impressão pessoal que tenho é a de que Carlito é bastante pragmático em tudo que faz. Calcula, planeja e executa. Parece nunca descansar. Bastante rigoroso com quem comanda e consigo mesmo. No entanto, sua disciplina não é maquiavélica. Não faz tudo o que está ao alcance para conseguir o que deseja. Pelo contrário, sua obstinação se ampara na rigidez com que aderiu aos valores do cristianismo.
Muitos o criticam pelo excesso de religiosidade. Outros, admiram. Como já disse anteriormente, posso ter discordâncias de linha pastoral com ele, e até mesmo de algumas concepções sociais e políticas, no entanto, reconheço e ressalto que sua adesão a Jesus Cristo e ao Projeto do Evangelho constitui a essência de sua pessoa. E isto é um valor e, também, uma garantia. Guiado por sua palavra, e também pela prática, quero crer – e tenho alguns motivos para tal – que Carlito, em matéria política ou social, não abrirá mão de seus princípios éticos, justamente por conta da fé cristã que cultiva.
O fato é que Carlito, como militante católico ou empresário, já é bastante conhecido. A realidade nova que se apresenta é que ele agora está cada vez mais se colocando como ator no grande palco da realidade política municipal. Seu nome despontou entre aqueles a quem as pessoas indicam como pré-candidato a Prefeito de Taiobeiras. Creio que ele ainda precisa construir uma identidade política própria. Qual é o projeto político que defende? Mas, pela conversa, sinto que está obstinado no propósito desta construção.
Acredito que a democracia se faz com informação. Quanto mais se sabe, melhor se decide. As ideias têm de fluir livremente para o conhecimento, o debate, a reparação e o enriquecimento coletivos. Sempre repito no que falo ou no que escrevo que Taiobeiras necessita de espaços e de liberdade amplos para as ideias florescerem e se apresentarem ao público. Carlito, neste momento, é ator-personagem social-político que desponta neste alvorecer histórico de Taiobeiras. Sua palavra, assim como a dos demais pré-candidatos – e também de todos os cidadãos – merece ser ouvida, levada em consideração, debatida e acrescida de contribuições.
Evidentemente que Carlito não se apresenta como candidato. Estamos há mais de um ano de distância das eleições municipais. Nem nós como eleitores. Somos todos, neste instante, cidadãos dispostos ao diálogo. Então, caro leitor deste blog, fique com a entrevista com Carlito Arruda. Usufrua dela, pense, comente, reflita. Vale bastante conhecê-lo cada vez mais e melhor. Leia a entrevista no post aqui abaixo…
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Entrevista com Carlito Arruda

Carlito Arruda “Não sou situação nem oposição, me considero, juntamente com alguns amigos, uma opção”
LEVON: O senhor é egresso do grupo político que atualmente comanda a Prefeitura de Taiobeiras. Sua participação no processo eleitoral de 2010 pode ser lida como um rompimento com este grupo?CARLITO: Não digo que foi um rompimento definitivo com o “Grupo” como um todo, talvez com algumas lideranças. Muitas vezes os pensamentos que divergem dos da direção dada pela liderança, de qualquer seguimento, tanto político, como associativista, e até mesmo religioso, na maioria das vezes não são bem vindos e até mesmo mal interpretados. Muitos líderes negam o direito ao “contraditório” a seus liderados. No entanto, tenho muitos amigos dentro deste grupo a que você se refere, a final de contas foram quatro campanhas para prefeito e várias outras para deputado.LEVON: Há um projeto mais amplo por trás da sua presença nas eleições de 2010? Este projeto tem a ver co m as eleições de 2012?CARLITO: Todo movimento político eleitoral sempre tem algum tipo de envolvimento futuro, tendo em vista que, na política, na maioria das vezes, o presente sempre é retroalimentado pelo passado. Estaremos preparados para ser uma nova opção para o povo de nosso município.LEVON: Como o senhor descreve o quadro político taiobeirense (situação, oposição, outra opção política, sociedade civil) na atualidade?CARLITO: Vejo que a atual administração fez um bom trabalho, soube aproveitar o momento político do país e do estado, tendo em vista que o presidente Lula queria fazer sua sucessora, como de fato a fez; e o Aécio queria, além de viabilizar sua candidatura à presidência da República, também eleger seu sucessor, como também o fez. Com esta conjuntura houve muitas oportunidades para todas as prefeituras do estado de Minas Gerais. Quanto às questões políticas, vejo que tanto situação como oposição não se preocuparam muito em preparar seus quadros para a disputa de 2012. A situação acha que com os altos índices de aprovação elegerá o sucessor, porém encontra dificuldades em escolher um nome do “grupo” que seja consenso e tenha liderança suficiente para levantar uma campanha vitoriosa. Além disso, os números da eleição de deputado demonstraram que transformar aprovação em voto não é tão fácil. Particularmente, acho que o “grupo” tem bons nomes, mas que qualquer um que for indicado terá de ser arrastado pelo prefeito, assim como fizeram Lula e Aécio. No entanto, numa realidade municipal as chances de isso dar certo são menores, pois além da máquina municipal não ser tão poderosa como a federal e estadual, existem muitas particularidades, tais como: amizade; famílias; grupos da sociedade civil, dentre outras. Já a oposição ligada ao ex-prefeito Joel, depois de sete anos de poder da situação, além dos fatos ocorridos com suas grandes lideranças na última eleição para prefeito, ficou desarticulada. No entanto, ainda tem a opção de ter o próprio Joel como candidato. Já no meu caso não sou situação nem oposição, me considero, juntamente com alguns amigos, uma opção. Uma nova opção política para nossa cidade, com novos pensamentos progressistas e desenvolvimentistas, e tenho certeza que iremos dar uma grande contribuição para nosso município, principalmente em promover uma discussão ampla do melhor modelo de desenvolvimento sustentável, de modo a aliar crescimento econômico, social e meio ambiente.LEVON: Na sua opinião, há algum setor social que está fora ou sub-representado na política de Taiobeiras e que poderia ser integrado e ter melhor participação?CARLITO: Tenho a convicção de que quando um grupo político chega ao poder ele não pode esquecer-se de dois problemas básicos, que acho serem as duas maiores tentações políticas. O primeiro é o de achar que são “proprietários do poder e dos recursos”, esquecendo-se de que foi eleito para estar à frente e não para ser “dono”. Devido a este pensamento vemos muitas distorções, dentre elas, posso citar: projetos sendo implementados sem a devida discussão pública; o uso dos recursos públicos como se fossem particulares e muitas vezes com o mau uso dos mesmos, em algumas situações até de apropriações indébitas; e a pior de todas, penso eu, a imposição vertical de suas idéias. O segundo problema está intrinsecamente ligado ao primeiro. É o fato de alguns governantes esquecerem que foram eleitos para “governar para todos” e não apenas para um grupo de pessoas, dando ênfase aos seus eleitores. Nesta situação se aplica uma máxima política, onde para os amigos “os benefícios” e para os inimigos “o rigor da lei”; e assim se vê a oposição, em quase todo país, ser massacrada durante um governo, principalmente quando se trata de casos de reeleição. Desta forma, respondendo sua pergunta, vejo que todos os grupos e movimentos que não participaram ativamente do processo eleitoral e que não estão totalmente em acordo com as “regras” de quem esta no poder ficam à margem das grandes discussões pertinentes a assuntos relevantes do município.LEVON: Quais os principais problemas sociais de Taiobeiras que necessitam de políticas públicas mais efetivas?CARLITO: A criminalidade envolvendo crianças, adolescentes e jovens em situação de risco social. É público e notório a falta de políticas públicas eficientes que visem combater o uso de crianças e adolescentes como ferramenta de trabalho dos traficantes e marginais, e que amparadas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente ficam sem a devida punição, aumentando assim a reincidência. Recentemente, alguns diretores da Associação Comercial e Industrial de Taiobeiras (ACIT), da qual sou presidente, reuniram-se com o promotor Bruno, no Ministério Público, onde conversaram sobre a viabilidade da construção de um centro de abrigamento do menor infrator, visando criar condições de tirar das ruas os menores infratores por até 45 dias, dando a eles condições para se livrarem do mundo da criminalidade, uma vez que os mesmos assim teriam acompanhamento de profissionais da psicologia, da pedagogia, da assistência social, dentre outras especialidades. Para a concretização deste projeto terá de haver um grande envolvimento de todos os seguimentos de nossa sociedade. Acredito, também, que devemos ter um trabalho voltado para a reestruturação familiar, combatendo o vício do álcool nas famílias.LEVON: Campanhas eleitorais taiobeirenses têm a fama de serem muito caras, dispendiosas e insanas; providas de muito marketing e de pouco espaço para o debate de ideias. Em sua opinião, como fazer para superar este modelo?CARLITO: Primeiramente, teremos que fazer valer a legislação eleitoral para combater este gasto excessivo, que, se caracterizado abuso de poder econômico, é crime eleitoral. Teremos de criar condições para mobilizar toda a população na discussão do modelo de desenvolvimento sustentável que queremos ter a partir de 2013. Temos aí muitas questões a serem trabalhadas, dentre elas: a mineração na região, um plano de desenvolvimento econômico sustentável, um plano de ampliação do comércio e da indústria de transformação em nosso município – uma vez que estamos nos consolidando como pólo regional –, um modelo de saúde pública para nossos munícipes, projetos para inclusão social dos jovens e um modelo de políticas públicas para o esporte, dentre outras.LEVON: Há ainda um contingente de taiobeirenses que não usufrui de todos os benefícios econômicos, sociais e políticos que o município tem alcançado nos últimos anos. Como incluir estas pessoas?CARLITO: Inclusão social e econômica se faz com educação. Neste sentido penso que temos que ampliar nossa capacidade de investimento nesta área. Gostaria de compartilhar uma experiência que tenho em minha empresa, onde temos implantado, e funcionando já por seis anos, um projeto social chamado “bolsa faculdade”, onde financiamos em até 50% da mensalidade da faculdade, além de flexibilizar o horário de trabalho, de modo que o colaborador possa conciliar trabalho e estudo. Este projeto já beneficiou mais de 20% dos funcionários de nosso grupo. Aumentando a riqueza intelectual de um povo, consequentemente aumentamos a riqueza econômica e, com esta, a inclusão social.LEVON: Com 57 anos de emancipação, qual a vocação de Taiobeiras para o futuro?CARLITO: O povo de Taiobeiras tem uma vocação nata, que é vocação empreendedora, desde décadas atrás, e hoje mais ainda, temos registros de muitos conterrâneos que se destacaram (e se destacam) em seus empreendimentos; e com isso somos vistos pelas cidades vizinhas como uma cidade onde o desenvolvimento acontece de forma rápida e organizada. Por isso, creio que continuaremos a crescer e a ocupar cada vez mais um lugar de destaque na liderança regional. Teremos cada vez mais um comércio forte, com nossas empresas exercendo influência em toda a região do Alto Rio Pardo, sendo fomentadoras de desenvolvimento e de progresso. No seguimento político, vejo um povo que atingiu um nível de amadurecimento bem acima do restante das cidades da nossa região, onde cada vez mais os administradores terão que atuar com competência e eficiência na gestão do nosso município. -
Fidel Castro: O assassinato de Osama Bin Laden

Fidel Castro * Artigo de FIDEL CASTRO, ex-Presidente da República de Cuba, em Adital.Os que se encarregam desses temas sabem que, em 11 de setembro de 2001, nosso povo ficou solidário com o dos Estados Unidos e ofereceu a modesta cooperação que no campo da saúde podíamos oferecer às vítimas do brutal atentado às Torres Gêmeas de Nova Iorque.Também oferecemos de imediato as pistas aéreas do nosso país para os aviões norte-americanos que não tivessem onde aterrar, por causa do caos reinante nas primeiras horas após aquele golpe.
Ataques de 11/09/2001 É conhecida a posição histórica da Revolução Cubana que sempre se opôs às ações que colocassem em perigo a vida de civis.Partidários decididos da luta armada contra a tirania de Batista; éramos, no entanto, opostos por princípios a todo ato terrorista que ocasionasse a morte de pessoas inocentes. Tal conduta, mantida ao longo de mais de meio século, outorga-nos o direito de expressar um ponto de vista sobre o delicado tema.Em um ato público maciço realizado na Cidade Esportiva expressei naquele dia a convicção de que o terrorismo internacional jamais seria resolvido mediante a violência e a guerra.
Osama Bin Laden Na verdade, ele foi durante anos amigo dos Estados Unidos que o treinou militarmente, e foi adversário da URSS e do socialismo, mas quaisquer que fossem os atos atribuídos a Bin Laden, o assassinato de um ser humano desarmado e rodeado de familiares constitui um fato aborrecível. Aparentemente foi isso o que fez o governo da nação mais poderosa que jamais existiu.O discurso elaborado com esmero por Obama para anunciar a morte de Bin Laden afirma: “… sabemos que as piores imagens são aquelas que foram invisíveis para o mundo. O assento vazio na mesa. As crianças que foram forçadas a crescerem sem sua mãe ou seu pai. Os pais que nunca voltarão a sentir o abraço de um filho. Cerca de 3 000 cidadãos marcharam longe de nós, deixando um enorme buraco em nossos corações”.
Barak Obama Esse parágrafo encerra uma dramática verdade, mas não pode impedir que as pessoas honestas se lembrem das guerras injustas desatadas pelos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão, das centenas de milhares de crianças que foram obrigadas a crescerem sem sua mãe ou seu pai, e aos pais que nunca voltariam a sentir o abraço de um filho.Milhões de cidadãos marcharam longe de seus povos no Iraque, no Afeganistão, no Vietnã, Laos, no Camboja, Cuba e noutros muitos países do mundo.Da mente de centenas de milhões de pessoas também não se apagaram as horríveis imagens de seres humanos que em Guantánamo, território ocupado de Cuba, desfilam silenciosamente submetidos durante meses e inclusive anos a insofríveis e enlouquecedoras torturas; são pessoas seqüestradas e transportadas a cárceres secretos com a cumplicidade hipócrita de sociedades supostamente civilizadas.
Prisão norte-americana em Guantánamo,
território indevidamente ocupado em CubaObama não tem forma de ocultar que Osama foi executado na presença dos seus filhos e esposas, agora em poder das autoridades do Paquistão, um país muçulmano de quase 200 milhões de habitantes, cujas leis têm sido violadas, sua dignidade nacional ofendida, e suas tradições religiosas ultrajadas.
Como impedirá agora que as mulheres e os filhos da pessoa executada sem Lei nem julgamento expliquem o acontecido, e as imagens sejam transmitidas ao mundo?Em 28 de janeiro de 2002, o jornalista da CBS Dan Rather, difundiu por essa emissora de televisão que a 10 de setembro de 2001, um dia antes dos atentados ao World Trade Center e ao Pentágono, Osama Bin Laden foi submetido a uma diálise do rim em um hospital militar do Paquistão. Não estava em condições de ocultar-se e proteger-se em profundas cavernas.Assassiná-lo e enviá-lo às profundezas do mar demonstra temor e insegurança, tornam-no em uma personagem muito mais perigosa.A própria opinião pública dos Estados Unidos, após a euforia inicial, terminará criticando os métodos que, em vez de proteger os cidadãos, terminam multiplicando os sentimentos de ódio e vingança contra eles.4 de maio de 2011, 20h34. -
55ª Festa Religiosa de N. Sra. de Fátima em Taiobeiras
Igrejinha octogonal de N. Sra. de Fátima em Taiobeiras Entre 4 e 13 de maio de 2011 ocorre, na Praça da Igrejinha em Taiobeiras (MG), a 55ª Festa Religiosa de Nossa Senhora de Fátima, promovida pela Paróquia São Sebastião. A programação começa, todos os dias, a partir das 18 horas e segue até por volta das 22 horas.
Participe!
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A esperança no cristianismo

João Paulo II Na homilia da Celebração Eucarística em que foi declarado “Bem-aventurado” o servo de Deus, Papa João Paulo II (1978-2005), em 1º/05/2011, o Papa Bento XVI disse as seguintes palavras: “Aquela carga de esperança que de certo modo fora cedida ao marxismo e à ideologia do progresso, João Paulo II legitimamente reivindicou-a para o cristianismo, restituindo-lhe a fisionomia autêntica da esperança, que se deve viver na história com um espírito de ‘advento’, numa existência pessoal e comunitária orientada para Cristo, plenitude do homem e realização das suas expectativas de justiça e de paz”.O pontífice acerta, sobretudo se suas palavras forem analisadas no contexto em que o Papa Wojtyla viveu em sua Polônia natal durante quase toda a vida, até ser eleito sucessor de Pedro em 1978. Também fazem sentido as frases do Santo Padre, se observadas no contexto destrutivo da Guerra Fria, para os cristãos da Europa, em particular, e para toda a humanidade, no geral. No entanto, humildemente, creio eu, nós católicos precisamos rogar a Deus, e também trabalhar, para que surjam novos “gigantes da fé” a nos devolverem a “autêntica esperança” cristã frente ao avanço do “deus-mercado-capitalista”, que hoje devora corações e mentes em tudo o mundo, sobretudo em nossa América Latina, ameaçando a própria existência da vida na Terra. “A criação geme em dores de parto”. (Rm 8,22)Creio eu, também, que muitos destes “gigantes” já estiveram ou estão entre nós, cabendo-nos solicitar ao Espírito Santo o dom da sabedoria, para sabermos discernir seus gritos a nos alertarem.Sinto que alguns deles são os seguintes, em nosso contexto de Brasil: Helder Câmara, Aloísio Lorscheider, Evaristo Arns, Luciano Mendes de Almeida, Pedro Casaldáliga, Oscar Romero, Leonardo Boff, Dorothy Stang, dentre tantos outros…“Quem tem ouvidos, ouça!” (Mt 13,9) -
Pronunciamento da Presidenta Dilma Rousseff em 29/04/2011
Se não teve a oportunidade de ver e/ou ouvir o pronunciamento da Presidenta Dilma Rousseff (PT) na última sexta-feira, 29 de abril de 2011, em rede nacional de televisão e rádio, assista agora, por meio do canal de vídeos do Palácio do Planalto, no site You Tube. No discurso, a Presidenta do Brasil saúda os trabalhadores e trabalhadoras pela passagem do 1º de maio, Dia Internacional do Trabalho, e ainda aborda temas como o combate à inflação, a criação do Pronatec (Programa Nacional de Aprendizagem em Escolas Técnicas), os programas sociais de erradicação da miséria e os incentivos à chamada “nova classe média” brasileira.
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A consciência de Taiobeiras
* Levon do NascimentoTaiobeiras é uma cidade de pouca memória pública. Também, pudera! Um lugar onde pouco se lê, quase não se discute questões de interesse coletivo ou político democraticamente e a classe educadora sofre de baixa auto-estima generalizada, não poderia ser diferente.Pode, sim! Tem que ser diferente. A história é algo que se realiza mediante a tomada de consciência de seus sujeitos. Não há determinismo que impeça as pessoas de exercerem as transformações sonhadas, possíveis e desejadas. Não há cabresto econômico ou ideológico que segura as pessoas quando estas libertam suas mentes e corações para o “bom combate”. Tem boas lutas a ser travadas em Taiobeiras.Texto curto e de ideias incompletas, este, não? Claro que sim. Nossa memória é bastante curta, conforme já explicitado lá no primeiro parágrafo. Forcemos nossa consciência a respeito do que devemos valorizar em nosso passado. Apertemos um pouquinho o pensamento sobre os desafios a que todos temos que enfrentar. Sejamos criativos e apontemos soluções. Completemos este raciocínio… coletivamente. -
Homenagem a Donila Maria de Souza

Donila Maria de Souza (1907 – 2011) * Por Levon do NascimentoEla nasceu Donila Maria de Oliveira, em 15 de setembro de 1907, um domingo, dia do Senhor em quem ela tanto confiou nesta vida terrena. Filha de Antônio e Teodora, veio ao mundo como inúmeros brasileiros e brasileiras, nordestinos e sertanejos, na pobreza dura do sertão, na comunidade rural de Baraúnas, município de Jacaraci, no Estado da Bahia. Por força do casamento, passou a se chamar Donila Maria de Souza.Fez sua caminhada sobre este chão que “geme em dores de parto” por exatos 103 anos, 7 meses e 6 dias. Um tempo dela, mas, sobretudo, um tempo de Deus. Taiobeiras, em Minas Gerais, a acolheu há 32 anos.Este mesmo Deus e Senhor, “Nossinhô”, em seu linguajar carinhoso, a chamou de volta ao lar na última quinta-feira, 21 de abril de 2011, às 8 horas da manhã. Notem, não foi uma quinta-feira qualquer. Foi a quinta-feira que antecede o grande dia em que o Senhor Jesus se entregou, por nossas limitações, a toda sorte de suplícios, pelo nosso reencontro com o Pai. Foi na quinta-feira na qual a Igreja celebra o grande dom da partilha fraterna, da comunhão solidária e da Eucaristia – alimento eterno – que faz nosso corpo e nossa alma nunca desanimarem da caminhada rumo ao Reino Definitivo.O Senhor efetivamente escolheu o melhor dia. Um dia de festa. Sim, porque Eucaristia, comunhão e partilha são festas. Festa na Terra e festa no Céu. O povo que crê em Jesus, definitivamente, é um povo que crê na comum-união. É um povo que não se apega às coisas que possui. É um povo que doa bens e dons. E Donila era assim.
Sua mesa de pobre do sertão sempre foi rica no pouco que com Deus sempre se fez muito. Sim, “o pouco com Deus é muito”, repetia ela o provérbio sábio do povo brasileiro. Seu prazer era se colocar a serviço. Não estudou. O Brasil no qual ela nasceu não lhe ofereceu este benefício. Mas aprendeu. E aprendeu muito. E também ensinou.Aprendeu a servir sua família. Aprendeu a servir ao próximo. Parteira de comunidade rural aonde médico não ia, ajudou a trazer dezenas de filhos de Deus à luz divina irradiada sobre esta Terra de Santa Cruz, chamada Brasil. Não havia hora certa. Certa era a hora em que necessitavam dela e ouviam um sim corajoso.Casou-se com Leordino. Viveram juntos até que o Senhor o chamou em 1988. 12 filhos tiveram. Três o Senhor chamou ainda nos primeiros dias de vida. Outros três também fizeram a passagem, mas já com as famílias constituídas. O seis restantes louvam a Deus pela vida de Donila, vida de ensinamentos e de exemplos.Catequista por excelência, de sua boca nunca se ouviu um lamento contra a vontade do Pai. Uma crença muito forte em Jesus e na misericórdia intercessora de Nossa Senhora. Vida de oração, sem fanatismo ou pedantismo. Vida de oração. Vida de tolerância e de respeito, até mesmo quando alguns dos seus passaram a professar crenças diferentes da sua. Acreditou até no último instante. Levantou os ramos (mesmo diante da celebração televisionada) para o Senhor entrar mais uma vez em Jerusalém, a Jerusalém do seu coração, até no último domingo, o de Ramos, em que pôde estar presente nesta Terra.Hoje, nesta celebração, rogamos ao Deus da Vida, que ressuscitou Jesus dentre os mortos, que conforte os corações dos que lamentam a passagem de Donila.Porém, mais do que isto, aqui nos reunimos no entorno do altar da Eucaristia, do Pão Vivo descido do Céu, neste tempo Pascal em que o Senhor Ressuscitou, orando para que Jesus receba Donila junto de si, que ela compartilhe do banquete celestial, que ela tenha morada junto do Pai, que ela seja feliz eternamente…Bendito seja Jesus Cristo, pela salvação que nos ofereceu pelo mistério da Cruz. Bendito seja Jesus Cristo que, pela sua Ressurreição, ressuscita dentre os mortos, para a vida eterna, todos aqueles que crerem e praticarem o seu eterno amor.Amém!* Mensagem lida durante a Ação de Graças da Celebração Eucarística de 7º dia, em 28/04/2011, às 19h, na Igreja Matriz de São Sebastião de Taiobeiras (MG).
Texto publicado também no site da Arquidiocese de Montes Claros (MG). Clique aqui. -
Nota de falecimento
Faleceu hoje, nesta quinta-feira santa, 21 de abril de 2011, às 8 horas da manhã, a senhora Donila Maria de Souza, a quem considero como avó, aos 103 anos, 7 meses e 6 dias de vida. Que o Deus de Jesus Cristo, em quem ela sempre teve fé, a acolha junto de si em seu Reino que não terá fim. O sepultamento será na sexta-feira santa, 22 de abril de 2011, às 16 horas, no Cemitério do Santo Cruzeiro, em Taiobeiras (MG).Correção: O sepultamento ocorrerá, de fato, às 13 horas de 22/04/2011.Missa de 7º dia: Quinta-feira, 28 de abril de 2011, às 19 horas, na Igreja Matriz de São Sebastião de Taiobeiras (MG).Donila nasceu em 15 de setembro de 1907, na comunidade rural de Baraúnas, município de Jacaraci, estado da Bahia. Em 1945, já casada com Leordino Neres de Souza, mudou-se para a comunidade rural de Barra do Rio, próximo ao Distrito de Alegre, no município de Condeúba, também na Bahia. Em 1979, já idosos, o casal passou a viver na cidade de Taiobeiras, estado de Minas Gerais, para onde vários filhos já haviam se transferido. Em 1988 seu esposo faleceu. Ela ainda sobreviveria a ele 23 anos. -
STJ: proteção a professores agredidos
* Matéria extraída da versão on line do Correio do Brasil17/4/2011 7:35Na matéria especial desta semana, a Rádio do STJ aborda um dos temas mais debatidos dos últimos dias: violência nas escolas. O foco, desta vez, é a agressão contra professores por seus próprios alunos.A reportagem traz o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, com o ministro Castro Meira, em decisão que confirmou indenização de R$ 10 mil a uma professora agredida no Distrito Federal. Além de opiniões de profissionais da área de educação, representante do Sindicato dos Professores do DF e do legislativo local. E ainda, o resultado de uma pesquisa sobre o percentual dessa agressão no país.Dados da Unesco, revelaram que mais de 80% dos professores nas principais capitais brasileiras já conviveram com violência no trabalho. Já o ministro Castro Meira, ressaltou que é preciso melhorar o tratamento dado a professores no país. A deputada distrital Rejane Pitanga, também entrevistada, apresentou um projeto para criar uma cultura de paz nas escolas do DF.Então, vale a pena conferir! A reportagem está disponível na página da Rádio, neste domingo (17), a partir das 8h, além de integrar a programção da Rádio Justiça, FM 104.7.Siga @STJnoticias e fique por dentro do que acontece no Tribunal da Cidadania.Mais leituras de hoje:
Frei Betto: Tragédia carioca, sobre o assassinato de estudantes no Rio.
Ex-governador de MG e atual senador, Aécio Neves é pego em blitz, com habilitação vencida, na noite carioca. -
Atualizando o blog
Olá amigos (as) e seguidores (as) deste blog. Há mais de uma semana não posto por aqui. A temporada de aplicação de provas, correções e entregas de resultados do 1º bimentre têm me impedido de escrever ou publicar. Pretendo fazer isto na próxima semana. Tenho muito coisa para compartilhar. Eis alguns itens:
1. A paralisação dos professores da rede estadual de Minas Gerais e a manifestação em Ouro Preto na próxima terça, 19 de abril;
2. Mais um artigo meu, sobre a “Religião que agrada a Deus”; e
3. Uma entrevista, seguida de uma matéria, que fiz com/e/sobre o empresário e potencial pré-candidato a Prefeito de Taiobeiras, Carlito Arruda.
Permaneçam acessando o blog. Comentem. Enviem sugestões.
Um abraço a todos. Feliz semana! Que ela seja “santa” para todos (as)!
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A tragédia na escola do Rio de Janeiro
Sobre a tragédia do tiroteio perpetrado por um ex-aluno numa escola municipal da cidade do Rio de Janeiro, ocorrida hoje, 7 de abril de 2011, algumas palavras:
1. Não me atrevo a analisar as motivações do assassino (suicida?), com vem tentanto fazer todas as redes de televisão aberta em seu afã sensacionalista. Não me cabe esta análise. Creio que somente aos especialistas. E se a análise for feita corretamente, servirá a muitos: profissionais da educação e da segurança pública, políticos, famílias, religiosos… de modo a prevenir novas barbaridades como esta.
2. A morte que afligiu tantos alunos em ambiente escolar nos emudece.
3. Somente agora o país, diante do choque, toma conhecimento de uma realidade que, há muito, nós professores já chamávamos a atenção e não éramos ouvidos, nem pelos pais, nem pela sociedade, muito menos pelos políticos: a questão da segurança nas escolas. Além dos baixos salários pagos aos educadores, do sucateamento da educação pública, da progressão automática direta ou indireta (todo mundo passa, professor querendo ou não), o fato é que nossas escolas não têm qualquer sistema de segurança para quem nelas estuda ou trabalha. Enquanto bancos dispõem de guardas armados e de portarias eletrônicas, escolas são escancaradas, mal-projetadas e esquecidas, especialmente as que estão sob responsabilidade de estados e municípios. Sinal de que em nossa sociedade valem mais os templos do capital do que os santuários da cultura e da informação. Mais vale o dinheiro do que as pessoas.
Que, apesar da tristeza deste dia, fique a lição a quem de direito para que novas tragédias não se repitam.
Mais:
Após tragédia no Rio, professores organizam paralisação
Carta do suicida: terrorismo islâmico ou cristão?
A cobertura tendenciosa da Globo
O que fazer quando a religião cega o ser humano? -
Amor e Revolução
Surpreendi-me positivamente com duas coisas relacionadas à nova novela do SBT, Amor e Revolução, que não estou acompanhando, diga-se de passagem.
1ª. O grande número de alunos e até de colegas professores que vem se “supreendendo” com a crueldade da Ditadura Militar brasileira (1964 – 1985) apresentada na trama. Quer por vocação política, quer por força de ofício (sou professor de História), as informações e descrições do regime militar não me são novidades, embora sempre que os revisito em leituras e conversas me despertem continuada indignação.
2ª. O fato do SBT, emissora de pouquíssimo conteúdo relevante, ter a coragem de apresentar uma novela com temática tão importante para a memória histórica do Brasil, também me interessou, e espantou. Não é comum. Mas é bom. Nosso país, de memória curta, precisa conhecer sua história, criticar seu passado e exorcizar seus “demônios” por meio da informação e da verdade. A TV, meio de comunicação de maior audiência entre os brasileiros, deveria se prestar mais a cumprir este papel de educadora. Evidentemente que não faço aqui uma análise das qualidades técnicas e de teledramaturgia do folhetim em questão.
Que outras iniciativas do gênero prosperem!
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"O Velho – A história de Luis Carlos Prestes" no Cine Clube de Taiobeiras
O Cine Clube de Taiobeiras, o Arte em Cena, apresenta sessão neste domingo, 3 de abril de 2011, às 16 horas no plenário da Câmara Municipal, o filme O Velho – A história de Luis Carlos Prestes.Leia a sinopse que extraí do blog Acervo Nacional:“O fim da guerra fria e da ditadura militar tornou possível a realização de um filme inédito sobre um dos personagens mais emblemáticos da história do Brasil no século XX: Luiz Carlos Prestes. Um nome, por si só, carregado de estigma, aversão, entusiasmo, desconfiança … O Velho, a história de Luis Carlos Prestes é a história de um mito, de um homem que encarnou uma causa. Um comunista convicto que carregou ideais, hoje soterrados pelos escombros do muro. O roteiro atravessa setenta anos da história contemporânea brasileira, da qual Prestes foi um dos agentes principais. O caminho de “ouro de Moscou” na insurreição comunista de 35; Olga Benário, o primeiro amor de Prestes, na verdade espiã do Exército Vermelho; a participação dos agentes estrangeiros no levante; o cruel assassinato de Elza por importantes dirigentes do PCB; o surpreendente acordo entre Vargas e Prestes em 46; a equivocada posição do Velho diante do iminente golpe de 64 … Finalmente, estes fatos marcantes e obscuros são trazidos à tona para ajudar a entender nosso passado recente. Foram colhidos os depoimentos de políticos, historiadores, escritores, jornalistas, amigos, família e ex-membros do Comitê Central do PCB. Uma exaustiva pesquisa de filmes de época na precária memória da país revela imagens raríssimas de Luiz Carlos Prestes. O Velho é um abrangente painel sobre a história da esquerda brasileira. Sempre clandestinos ou foragidos, poucos registros visuais sobre os comunistas brasileiros resistiram à feroz perseguição policial. É a primeira iniciativa do gênero, um filme sobre a história não oficial do Brasil. O Velho carregou durante toda sua vida um projeto coletivo. Neste final de século [começo do século XXI], onde as utopias viraram pó histórico e a humanidade se encontra envolvida com seus pequenos projetos individuais, o filme nos resgata a trajetória de um Quixote que entregou sua vida a uma causa social. No índice remissivo da história, as páginas da vida de Prestes, como o destino do Brasil, estão coladas num epílogo sem fim …”A história pessoal e política de Luis Carlos Prestes sempre me fascinou, seja pelos ideiais; seja pelas “lendas” dos “revoltosos” por ele liderados, que há mais de 80 anos passaram pelas regiões onde nasci (na Bahia) e onde fui criado (aqui em Taiobeiras); ou também por Olga Benária, sua primeira companheira. Enfim, um grande herói e um mito da história do Brasil do século XX.Vá à sessão e veja o filme.
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Aprovação inicial do Governo Dilma supera as de Lula e FHC
* Do Yahoo NotíciasBRASÍLIA (Reuters) – O governo Dilma Rousseff registrou no início de sua gestão uma taxa de aprovação superior às obtidas pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso no começo de seus mandatos, mostrou pesquisa divulgada nesta sexta-feira. A sondagem realizada pelo Ibope por encomenda da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou o governo Dilma com avaliação ótima ou boa para 56 por cento dos entrevistados em março. Já 27 por cento veem como regular o governo Dilma e outros 5 por cento o avaliam como ruim ou péssimo.
Em março de 2003, o governo Lula tinha 51 por cento de avaliação positiva e quatro anos depois essa aprovação era de 49 por cento. No caso de Fernando Henrique, no início de seu primeiro, em março de 1995, o Ibope verificou 41 por cento de avaliação ótima ou boa, proporção que caiu para 22 por cento quatro ano depois. Para o gerente-executivo de Pesquisa, Avaliação e Desenvolvimento da CNI, Renato da Fonseca, o desempenho da economia e a herança da popularidade do governo Lula ajudam na boa avaliação do governo Dilma. “A boa avaliação do governo Lula acaba passando para o governo Dilma”, disse.
A aprovação pessoal de Dilma chegou a 73 por cento, segundo o levantamento, contra 12 por cento dos entrevistados a desaprovam, enquanto 14 por cento disseram não saber ou não responderam.
O Ibope também pediu que os entrevistados comparassem o governo Dilma com o de seu antecessor e padrinho político. Para 64 por cento dos ouvidos pelo Ibope os dois governos são iguais, ao mesmo tempo que 13 por cento avaliam a administração da presidente como pior e 12 por cento a consideram melhor. Pesquisa CNI/Ibope realizada em dezembro, antes de Dilma assumir, mostrou que 62 por cento dos entrevistados na ocasião tinham expectativa de que o governo da petista seria ótimo ou bom. Mostrou ainda aprovação de 80 por cento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O levantamento divulgado nesta sexta mostrou também que 44 por cento dos entrevistados afirmaram que o combate à inflação deve ter prioridade igual a outras políticas do governo, enquanto 40 por cento avaliaram que deve receber prioridade maior. Segundo a pesquisa, 48 por cento aprovam as medidas do governo para combater a elevação dos preços, enquanto 42 por cento a desaprova. A política de juros do governo tem 43 por cento de aprovação e exatamente o mesmo percentual de desaprovação. Levantamento do Datafolha divulgado no dia 20 de março apontou avaliação positiva do governo de 47 por cento.
O Ibope entrevistou 2.002 pessoas em 141 municípios entre os dias 20 e 23 de março. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais. -
Morre o ex-vice-presidente José Alencar
Por Vagner Magalhães, direto de São Paulo.Morreu nesta terça-feira, aos 79 anos, o empresário mineiro e ex-vice-presidente da República José Alencar (PRB), no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Alencar lutava contra o câncer desde 1997.
O ex-vice foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na segunda-feira, com um quadro de suboclusão intestinal, em “condições críticas”. Ele havia recebido alta em 15 de março, após uma internação de mais de um mês na instituição devido a uma peritonite (inflamação da membrana que reveste a cavidade abdominal) por perfuração intestinal.
Nascido em 17 de outubro de 1931, José Alencar foi o 11º filho de um total de 15 do casal Antônio Gomes da Silva e Dolores Peres Gomes da Silva. O ex-vice-presidente nasceu em um povoado às margens de Muriaé, cidade de 100.063 mil habitantes no interior de Minas Gerais. José Alencar era casado com Mariza Campos Gomes da Silva e deixou três filhos reconhecidos: Josué Christiano, Maria da Graça e Patrícia.Ele começou a trabalhar aos 7 anos, no balcão da loja do pai. Em 1946, aos 15, deixou a casa da família, na zona rural, para trabalhar como balconista em uma loja de tecidos da cidade. Dois anos depois, em maio de 1948, José Alencar mudou-se para Caratinga, onde conseguiu emprego como vendedor. Ao completar 18, em 1950, Alencar abriu seu próprio negócio, com a ajuda de um dos irmãos. Em 1967, em parceria com o empresário e deputado Luiz de Paula Ferreira, fundou, em Montes Claros (MG), a Companhia de Tecidos Norte de Minas (Coteminas), hoje um dos maiores grupos industriais têxteis do País.
Nos anos seguintes, José Alencar foi presidente da Associação Comercial de Ubá, diretor da Associação Comercial de Minas, presidente do Sistema Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria.
Estabelecido no setor empresarial, candidatou-se para o governo de Minas em 1994 e, em 1998, disputou uma vaga no Senado Federal, elegendo-se por Minas Gerais com quase 3 milhões de votos. No Senado, foi presidente da Comissão Permanente de Serviço de Infraestrutura, membro da Comissão Permanente de Assuntos Econômicos e membro da Comissão Permanente de Assuntos Sociais.
Embora tenha se caracterizado como a principal voz dissonante do governo Lula em relação à política de juros ao longo dos oito anos de mandato, sua inclusão na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 foi decisiva para que o petista conquistasse o apoio do empresariado e, pela primeira vez, a Presidência do País.
A presença de Alencar foi decisiva na vitória de Lula ao angariar o apoio do empresariado, desconfiado com a possibilidade de um presidente da República sindicalista. Em 2004, Alencar passou a acumular a vice-presidência com o cargo de ministro da Defesa, função que exerceu até março de 2006. Em 2007, assumiu o segundo mandato como vice-presidente após ser reeleito, novamente, ao lado de Lula.
Alencar se desligou do Partido Liberal (PL) em 29 de setembro de 2005, após a crise envolvendo o nome de seu sobrinho Daniel Freitas, um dos fundadores da DNA Publicidade e falecido em 2002. A DNA, que tem como sócio o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, foi investigada por suposto envolvimento no escândalo do mensalão. Ainda em 2005, juntamente com outros ex-membros do PL, Alencar participou da fundação de um novo partido: o Partido Republicano Brasileiro (PRB).
No tempo em que ocupou o cargo de vice-presidente, José Alencar ganhou os títulos de cidadão honorário dos Estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe, do Distrito Federal e de 53 municípios brasileiros, sendo 51 deles em Minas Gerais.
Juros
Desde o início do primeiro mandato, o empresário foi voz discordante da política econômica do governo Lula, comandada então pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci. Mudou o titular da pasta, assumiu Guido Mantega, mas não o discurso de Alencar. Ao longo de oito anos, sua posição pela queda na taxa de juros foi tão ferrenha que se tornou uma marca registrada.Tanto que, ao comentar o bom estado de saúde do então vice após a cirurgia de 17 horas a que ele se submeteu em janeiro de 2009 – a mais complexa que enfrentou na luta contra o câncer -, o então presidente Lula afirmou, em tom de brincadeira: “tenho certeza de que a primeira palavra dele será para pedir a redução da taxa de juros”.
Câncer
Alencar lutou contra o câncer desde 1997, quando, após um check-up, foi encontrado um tumor no rim direito e outro no estômago, retirados naquele mesmo ano. Em 2000, uma nova cirurgia retirou um tumor na próstata. Depois da remoção de outros nódulos no abdome, Alencar foi diagnosticado com câncer no intestino.Em janeiro de 2009, ele enfrentou cerca de 17 horas de operação para a retirada de nove tumores na região abdominal. Na mesma cirurgia, os médicos retiraram parte do intestino delgado, outra do intestino grosso e uma porção do ureter, canal que liga o rim à bexiga. Alencar chegou a ficar internado 22 dias após a operação.
Reconhecimento de paternidade
Alencar morreu em meio a um polêmico reconhecimento de paternidade disputado na Justiça. Em julho de 2010, a Justiça de Caratinga (MG) concedeu à professora Rosemary de Morais, 55 anos, o direito de ser reconhecida como filha do empresário. Ela seria fruto de um relacionamento com uma enfermeira, na década de 50.Alencar se recusou a fazer o teste de DNA e sua defesa contestou a decisão. Em setembro do mesmo ano, o então vice-presidente obteve no Tribunal de Justiça de Minas uma liminar para impedir o uso do sobrenome e a mudança do registro de nascimento da professora. O recurso ainda será analisado pela corte.
Internação antes do 2° turno e infarto
Alencar foi internado no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, no dia 25 outubro de 2010, a menos de uma semana do segundo turno das eleições. O ex-vice deu entrada na instituição com quadro de suboclusão intestinal, um entupimento parcial do intestino. Por estar hospitalizado, Alencar não pôde registrar seu voto no pleito, que encerrou com a vitória da petista Dilma Rousseff.No dia 11 de novembro, Alencar se sentiu mal no hospital e foi diagnosticado um infarto agudo do miocárdio. Ele foi submetido a um caterismo, mas os médicos não encontraram obstruções arteriais importantes. O então vice ficou internado até 18 de novembro.
Hospitalizado, Alencar perde posse de Dilma Rousseff
Após outra internação e da 16ª cirurgia no final de novembro, Alencar voltou ao Sírio-Libanês em 22 de dezembro de 2010, com um sangramento intestinal grave. Apesar dos procedimentos que controlaram a hemorragia e da insistência do então vice em acompanhar a transmissão de cargo de Lula para Dilma Rousseff, os médicos não permitiram a viagem até Brasília.Homenagem no aniversário de São Paulo
Em 25 de janeiro de 2011, quando a capital paulista completou 457 anos, Alencar recebeu a Medalha 25 de Janeiro, uma homenagem da prefeitura, das mãos da presidente Dilma Rousseff. O ex-vice deixou o hospital, com autorização da equipe médica, somente para a cerimônia.Visivelmente emocionado, Alencar afirmou que fazia um discurso “de coração” e que está “vencendo as dificuldades”. “Eu tinha um texto preparado no bolso, mas resolvi falar do coração. Ainda que (as dificuldades) sejam fortes, estamos vencendo. Quem fica num hospital esse tempo (90 dias, segundo seus cálculos), tem muitas reflexões… Se eu morrer agora, é um privilégio, porque é tanta gente torcendo por mim… Se eu morrer agora, tá bom demais”, disse. O evento contou com a presença do ex-presidente Lula.
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Comblin: Bastão de Deus que fustiga os acomodados

Teólogo Pe. José Comblin,
falecido em 27/03/2011Faleceu neste domingo, 27 de março de 2011, o padre e teólogo José Comblin, no Estado da Bahia, aos 88 anos de idade. Leia artigo sobre Comblin.* José Lisboa Moreira de Oliveira, disponível em AditalEstou acompanhando o que se anda dizendo nos últimos dias sobre o nosso irmão teólogo José Comblin. Houve quem tentou até se compadecer dele dizendo que já passou dos oitenta e chegou a insinuar que ele está meio “gagá”. E por está gagá, coitadinho, passou a dizer umas coisas fora de lugar, fazendo umas afirmações pessimistas, vendo o horizonte escuro, tendo uns ataques de “alucinação”, enxergando coisas que não existem, falando mal da hierarquia da Igreja e assim por diante.Todas essas coisas me fizeram imediatamente pensar nos profetas de todos os tempos. Também eles, quando começaram a falar sem meios-termos, a “dar nomes aos bois”, a colocar o dedo em certas feridas, foram logo acusados de serem visionários, lunáticos, inimigos da religião e do rei. Amós, por exemplo, foi acusado por Amasias, sacerdote de Betel e “capanga” de Jeroboão, de ser um visionário. Por essa razão foi impedido de profetizar no santuário do rei (Am 7,10-17). Jeremias foi surrado e preso (Jr 20,1-6). Antes deles, Elias teve que se refugiar no deserto para não ser assassinado por Jezabel (1Rs 19,1-8). Geralmente todos os profetas são perseguidos e ridicularizados por que falam a verdade e não camuflam a realidade. Creio que o paradigma de todos os profetas é Miquéias, odiado porque nunca profetizava coisas boas, mas só desgraças (1Rs 22,8). Ou seja, não era bajulador e conivente com os poderosos, mas falava apenas o que Javé mandava falar (1Rs 22,14). Era fiel somente a Deus.Também Jesus, o profeta por excelência, não escapou da fúria dos poderosos. Falou o que pensava, do que estava convencido, atacando tanto o sistema religioso como o poder político. Por essa razão chegaram a pensar que ele estava louco (Mc 3,21). Terminou os seus dias crucificado como um malfeitor. Tinha feito tremer a ordem estabelecida e ameaçado a posição dos privilegiados, desmascarando suas hipocrisias e suas falsidades (Mt 23,1-36).Não. Comblin não está gagá, não está louco, não está tomado de pessimismo e nem tão pouco de derrotismo. Comblin é um dos poucos profetas que ainda temos na Igreja dos nossos dias. Infelizmente em tempos de exílio eclesial, como o que estamos vivendo atualmente, é rara a figura do profeta. “Nesse nosso tempo, não há chefe, profeta ou dirigente” (Dn 3,38). Quando a corrupção atravessa os limiares da religião, e permanece entranhada dentro dela, são poucas as pessoas dotadas de clareza e de lucidez (1Sm 3,1). Todos querem fazer carreira e preferem silenciar, mesmo sabendo interiormente que o que acontece não condiz com o projeto de Deus. Como verdadeiro profeta, Comblin não se deixa enganar e não se ilude com o que vê. Enxerga longe, além das aparências e dá o seu prognóstico, mesmo que tal prognóstico, como no caso de Miquéias, apareça cruel, sem piedade e sem esperança. Mas é assim mesmo e assim deve ser, pois se trata de profeta e de profecia.O profeta é o bastão de Deus que fustiga os acomodados. E onde há profetas verdadeiros e autênticas profecias há incômodo e mal-estar para muita gente. Dom Tonino Bello, bispo de uma minúscula diocese do sul da Itália, falecido ainda jovem, vítima de um câncer, gostava de afirmar que o autêntico cristão deve consolar os aflitos e afligir os consolados e acomodados. De fato, ele incomodou bastante seus colegas bispos italianos. Sua simplicidade e pobreza, sua determinação em defender os pobres, especialmente os imigrantes africanos, o colocou em rota de colisão com as eminências e excelências. Teve inclusive que dar explicações à cúpula da Igreja acerca da sua atitude audaciosa de acolher no palácio episcopal alguns imigrantes africanos. Mandaram-lhe como visitador um bispo de uma diocese da Sicília, o qual, logo depois de sua visita a Dom Tonino, ficou conhecido no país por suas ligações com a máfia, sendo inclusive processado pela justiça italiana. Não foi preso porque a diplomacia vaticana entrou em ação e não permitiu que isso acontecesse.Comblin é um autêntico teólogo e como tal não se contenta em ficar repetindo o que os outros já disseram. Não é teólogo-papagaio e nem faz teologia de coorte, apenas repetindo frases do Catecismo ou de documentos da Igreja para agradar a cúpula eclesiástica, receber elogios ou até compensações, como, por exemplo, uma roupa roxa ou avermelhada. Comblin faz teologia de verdade, ousando dizer o que ninguém diz, propondo alternativas para o que aí está, apontando caminhos que podem ser trilhados. Como teólogo-profeta mostra que certos modelos atuais de Igreja estão carcomidos pelo tempo e por vícios seculares e não dizem mais nada para a humanidade que sonha com outro mundo possível e com uma comunidade eclesial que, de fato, seja sinal desse novo mundo.Com sua ousadia e determinação profética, Comblin não tem medo de afirmar que a Igreja precisa perscrutar os “sinais dos tempos”. Não pode viver acomodada, acreditando que o atual modelo eclesiástico é o melhor de todos os tempos. Creio que Comblin está sendo ridicularizado porque do alto de sua sabedoria anciã tem a coragem de falar palavras proféticas como essas: “A experiência mostra que a hierarquia errou muitas vezes na condução da Igreja em circunstâncias determinadas. O Espírito mostra o caminho por outros meios. A hierarquia deve estar atenta aos sinais dos tempos que alguns cristãos têm o dom de entender. Deve escutar se não quer errar e provocar desastres” (A profecia na Igreja, São Paulo: Paulus, 2008, p. 11). Alguns membros da hierarquia não suportam tanta sinceridade e honestidade. Estendendo o dogma da infalibilidade papal para todos os casos e para todos os hierarcas, sem exceção, não admitem que alguém diga que alguns deles, em algum momento, erraram e continuarão a errar se não souberem escutar. Atribuem a si mesmos uma prerrogativa divina, ocupando na Igreja e na terra um lugar que pertence exclusivamente a Deus.Não temos como negar. É visível a mudança de rota na Igreja Católica Romana a partir do final da década de 1970. Aos poucos as propostas e intuições do Concílio Vaticano II são postas de lado ou reinterpretadas a partir de uma eclesiologia jurídica, segundo a qual o direito canônico está acima do Evangelho. Enquanto se perde tempo com a discussão de temas banais, questões sérias não são enfrentadas. Basta lembrar, por exemplo, o caso da centralidade da celebração eucarística. Institui-se um ano eucarístico, afirma-se que a Eucaristia é o centro e o cume da vida cristã, e, no entanto, não se resolve o problema gravíssimo das milhares e milhares de comunidades católicas que ficam meses e até anos sem a celebração eucarística dominical.Qualquer pessoa honesta, que conheça bem a situação da Igreja no momento atual, não poderá negar que ela está sendo dominada por grupos e movimentos ultraconservadores. Tais grupos e movimentos estão trazendo de volta a Igreja da Contra-Reforma, fechando cada vez mais os espaços de participação do povo de Deus, impondo uma moral rigorista e “tirando do baú” costumes e tradições arcaicas, “mofadas” e ridículas. Os pobres são cada vez mais esquecidos e é notória a adesão desse modelo de Igreja a sistemas políticos de direita. Com isso a Igreja Católica Romana vai se distanciando da realidade do povo e se tornando cada vez mais um sinal opaco e sem sentido do Reino de Deus. Por essa razão é cada vez mais visível o afastamento das comunidades eclesiais de pessoas com um pouco de bom senso e com consciência crítica. A Igreja Católica vai se transformando, no dizer de Cappelli, numa comunidade “infantil, feminil e senil”. Uma Igreja só de crianças e de mulheres idosas. Alguns até se empolgam porque, de vez em quando, aparecem jovens distraídos em alguns espaços religiosos. Mas não deveriam se iludir. A participação de jovens nas comunidades católicas não ultrapassa a percentagem de 1% do total de jovens da nossa sociedade.Dizia pouco antes, citando o profeta Daniel, que na atualidade não temos mais nem chefe e nem profeta. De fato, as lideranças cristãs transformaram o serviço de coordenação e de presidência das comunidades em puro carreirismo. Por isso adotam uma atitude de subserviência, não se importando com os reais problemas de suas comunidades. Os próprios bispos não mais cultivam a solicitude por todas as Igrejas, elemento fundamental do ministério episcopal e do colégio episcopal. Assim sendo, não falam com as instâncias vaticanas com a autoridade de bispos das Igrejas locais e da Igreja Católica, de igual para igual. Agem com timidez e medo, deixando de oferecer à direção da Igreja em Roma seus pareceres sobre questões e problemas eclesiais inadiáveis. Sem falar em todo o problema da onipotência da burocracia eclesiástica que, como nota o próprio Comblin, não se move e não faz nada para uma maior descentralização (cf. Quais os desafios dos temas teológicos atuais? São Paulo: Paulus, 2005, pp. 60-64).Por que, então, tanto escândalo e tanto alvoroço com aquilo que Comblin falou ultimamente? Será que perdemos a capacidade de enxergar? Por que insistimos num comportamento de avestruz, recusando-nos a ver o que é tão visível? Por que duvidar da possibilidade de “politicagem e de conchavos” dentro da Igreja Católica? Por acaso não conhecemos a sua história para saber que ela sempre esteve cheia desses casos? Será que esquecemos que os escritores dos primeiros séculos do cristianismo a chamavam de “casta meretrix”, de “casta prostituta”? Será que chegamos a um nível tal de arrogância a ponto de achar que o atual sistema eclesiástico é tão perfeito a ponto de não mais precisar de reformas e nem de profetas para pregar a conversão da Igreja?Comblin é um profeta que possui sensibilidade para perceber o que está acontecendo. E por isso fala sem medo e sem falsas contenções. Ele, enquanto ancião, é um verdadeiro modelo para as novas gerações de cristãos e de cristãs. Como o velho Eleazar (2Mc 6,18-31) prefere a morte, a perseguição e a calúnia do que trair suas próprias convicções. Não aceita fingir para escapar dos olhares mortíferos dos acomodados e incomodados. Recusa-se a ser tratado com benevolência e a trocar sua fidelidade por vantagens. Assim, “coerente com a sua idade e com o respeito da velhice, coerente com a dignidade dos seus cabelos brancos” (2Mc 6,23), prefere continuar firme em sua profecia. Como Eleazar, ele tem consciência de que o fingimento, em troca de certas vantagens e do “bom nome”, escandalizaria os mais jovens. Assim é para todos nós um exemplo honrado de fidelidade. Uma fidelidade diferente, é claro. Ele não pretende amar a Igreja mais do que os outros, como insinuou alguém. Apenas ama-a de um modo diferente, radical e corajoso. Um modo, aliás, que não se tem visto ultimamente, inclusive entre os anciãos, e do qual tanto precisamos em nossos dias.* José Lisboa Moreira de Oliveira é filósofo, doutor em teologia, ex-assessor do Setor Vocações e Ministérios/CNBB, ex-presidente do Instituto de Pastoral Vocacional, gestor e professor do Centro de Reflexão sobre Ética e Antropologia da Religião (CREAR) da Universidade Católica de Brasília.Leia mais: -
Artigo do Mino Carta: A ausência de Lula

Luís Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil * Mino Carta, diretor da Revista CartaCapitalO ausente foi mais presente do que os presentes. A frase não é minha, é do professor Delfim Netto, e diz respeito às reações da mídia nativa à ausência de Lula no almoço oferecido pela presidenta Dilma a Barack Obama. Os jornalões mergulharam no assunto em colunas e reportagens por três dias a fio, entregues com sofreguidão à tarefa de aduzir o porquê daquela cadeira vazia sem receio de provar pela enésima vez sua vocação onírica.Neste espaço, o sonho midiático foi meu tema da semana passada, mas os especialistas em miragens insistem em mostrar a que vêm, sem contar o complexo de inferioridade tão explicitamente exposto com a visita do presidente americano apresentada como um celebrity show. As emissoras globais ficaram no ar 24 horas para contar todos os passos de Obama ou mesmo para esperar que ele os desse. A certa altura vimos um perdigueiro da informação aguardar no Galeão, por mais de uma hora, a chegada do avião que levava o visitante de Brasília ao Rio, em proveito exclusivo de uma visita instrutiva dos telespectadores a um aeroporto às moscas.É o recalque do vira-lata, e esta definição também não é minha, já caiu da boca de Lula. Quanto à sua ausência no almoço de Brasília, li entre as versões que ele não apareceu para “não ofuscar” a anfitriã, a mostrar toda a sua pretensão, acompanhada pela dúvida de um colunista: “ao recusar o convite”, foi malandro ou zé mané? Textos de calibres diversos clamam contra “a descortesia”. Uma colunista do Estadão aventa a seguinte hipótese: o ex-presidente quis evitar o constrangimento “de ouvir sem compreender a conversa na mesa, da qual fazia parte Fernando Henrique Cardoso”. Ah, o príncipe dos sociólogos, este é um poliglota. E não falta quem convoque a inveja de Lula por Dilma, que recebe Obama em lugar dele, embora o tivesse convidado em 2008.Segundo um colunista do Valor Econômico, o ex também foi descortês com Obama, que já o tratou tão bem. A Folha localizou “um amigo de Lula” disposto à revelação: ele está irritado “com os elogios excessivos da mídia a Dilma”. Uma colunista da Folha vislumbra na ausência de Lula a demonstração “do contraste de estilos” e até a torna mais evidente. Neste esforço concentrado no sentido de provocar algum desentendimento entre o ex e a atual, imbatível o editorial do Estadão de domingo 20, provavelmente escrito por um aluno de Maquiavel incapaz de entender a ironia do mestre.Fala-se em “mudança de mentalidade que emana do Planalto”, “sobriedade em lugar de espalhafato”, “distanciamento das inevitáveis servidões” do ofício presidencial. Transparente demais a manobra. Não escapa, porém, ao ato falho, ao discordar da presidenta no que se refere à posição de Dilma quanto “ao atual surto inflacionário”, embora formulada a objeção com suave cautela, para aplaudir logo o propósito do governo de abrir os aeroportos à iniciativa privada em regime de concessão.São teclas antigas de quem professa a religião do Deus Mercado e enxerga nas privatizações os caminhos da Graça. Os praticantes brasileiros dos jogos financeiros não estão sozinhos: de fato, para variar, trata-se de pontuais discípulos, ou imitadores. Os Estados Unidos ensinam, por lá os vilões do neoliberalismo, responsáveis pela crise mundial, continuam a postos para atiçar a doença. O exemplo seduz. Aí se origina a tentativa, levada adiante obviamente pela mídia, de derrubar o ministro Guido Mantega, representante da continuidade que a tigrada gostaria de ver interrompida de vez.As consequências da aventura neoliberal, que deixaria o próprio Adam Smith em pânico, atingem inclusive o Brasil. No ano passado crescemos 7,5%, este ano a previsão fica bastante abaixo, entre 4% e 4,5%. Será um bom resultado no confronto com outros, mas dirá que ninguém está a salvo. CartaCapital confia na permanência de Mantega e na continuidade, ainda que, desde a posse, reconheça na presidenta a capacidade de imprimir à linha do governo características da sua personalidade.É simplesmente tolo imaginar a ruptura almejada pela mídia, perfeita intérprete de um sentimento que sobe das entranhas de burgueses e burguesotes contra o metalúrgico nordestino eleito à Presidência duas vezes por larga maioria e destinado a passar à história como o melhor e mais amado desde a fundação da República. Pelo menos até hoje. Os senhores do Brazil zil zil ainda cultivam o ódio de classe. O mesmo Lula, que frequentemente mantém contatos com a sucessora, a qual, do seu lado, sabia previamente da ausência do antecessor ao almoço, observa: “Quando me elegi, me apresentaram como a continuidade de FHC, agora dizem que Dilma não dá continuidade ao meu governo”.O ex-presidente tucano formula, aliás,- a sua hipótese sobre a ausência de Lula: inveja dele mesmo, FHC. Quem sabe o contrário se dê de fato quando, dentro de poucos dias, Lula receber o canudo honoris causa da Universidade de Coimbra.Teste final: se Lula fosse ao almoço, que diria a mídia? Foi para: A. Não ficar atrás de FHC; B. Pronunciar um discurso de improviso em louvor a Chávez, Fidel e Ahmadinejad. C. Ofuscar Dilma. -
20 anos da chegada das Irmãs em Taiobeiras
Ir. Letícia com livro Memorial da Juventude de Taiobeiras Há 20 anos atrás, em 16 de março de 1991, chegavam a Taiobeiras as Irmãs da Divina Providência. Elas assumiam mais uma missão no Norte de Minas. Fundaram a Comunidades Jesus Peregrino, vinculada à Paróquia São Sebastião, situada no bairro Vila Formosa. O pároco da época era o Frei João José de Jesus, OFM. As primeiras religiosas a assumir o trabalho pastoral foram irmã Laudeci Ouriques de Sousa e irmã Maria Eliza de Brida, provenientes do estado de Santa Catarina.
A atuação das irmãs gerou grandes e boas mudanças na caminhada das Comunidades Eclesiais de Base taiobeirenses. Houve uma intensa formação de lideranças leigas, articulação das comunidades rurais, reforço nas Pastorais da Juventude, da Criança, do Batismo e da Liturgia, além da criação do CEIA (Centro Educacional para a Infância e Adolescência) e da Banda Divina Providência.
Outras irmãs também vieram conviver nos vários momentos da Comunidade Jesus Peregrino. São elas: Nilza Cascaes, Neusa F. Nascimento, Maria Rita, Glauciene Ribeiro, Marias das Neves, Letícia Rocha, Elídia, Edilza, Maria Aparecida e Aparecida Ribeiro.
A presença das irmãs ainda despertou três jovens vocações taiobeirenses que ingressaram na Congregação. São as hoje irmãs Markelísia, Ilsa e Elizete.
Em 2005 as Irmãs da Divina Providência, deixando um grande legado evangelizador, partiram de Taiobeiras para prosseguir sua missão na Diocese de Almenara, a convite do Bispo Diocesano Dom Frei Hugo von Steekelemburg, OFM.
Na foto que ilustra este post, veja um momento da visita da irmã Letícia Rocha – missionária da Comissão Pastoral da Terra – (com livro Memorial da Juventude de Taiobeiras nas mãos), que recebi em minha casa na semana do carnaval.



