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A saudade do servo na velha diplomacia brasileira
* Leonardo Boff em Adital
O filósofo F. Hegel em sua Fenomenologia do Espírito analisou detalhadamente a dialética do senhor e do servo. O senhor se torna tanto mais senhor quanto mais o servo internaliza em si o senhor, o que aprofunda ainda mais seu estado de servo. A mesma dialética identificou Paulo Freire na relação oprimido-opressor em sua clássica obra Pedagogia do oprimido. “Com humor comentou Frei Betto: “em cada cabeça de oprimido há uma placa virtual que diz: hospedaria de opressor”. Quer dizer, o oprimido hospeda em si o opressor e é exatamente isso que o faz oprimido”. A libertação se realiza quando o oprimido extrojeta o opressor e ai começa então uma nova história na qual não haverá mais oprimido e opressor, mas o cidadão livre.
Escrevo isso a propósito de nossa imprensa comercial, os grandes jornais do Rio, de São Paulo e de Porto Alegre, com referência à política externa do governo Lula no seu afã de mediar junto com o governo turco um acordo pacífico com o Irã a respeito do enriquecimento de urânio para fins não militares. Ler as opiniões emitidas por estes jornais, seja em editoriais seja por seus articulistas, alguns deles, embaixadores da velha guarda, reféns do tempo da guerra-fria, na lógica de amigo-inimigo é simplesmente estarrecedor. O Globo fala em “suicídio diplomático” (24/05) para referir apenas um título até suave. Bem que poderiam colocar como sub-cabeçalho de seus jornais: “Sucursal do Império”, pois sua voz é mais eco da voz do senhor imperial do que a voz do jornalismo que objetivamente informa e honestamente opina. Outros, como o Jornal do Brasil, têm seguido uma linha de objetividade, fornecendo os dados principais para os leitores fazerem sua apreciação.As opiniões revelam pessoas que têm saudades deste senhor imperial internalizado, de quem se comportam como súcubos. Não admitem que o Brasil de Lula ganhe relevância mundial e se transforme num ator político importante como o repetiu, há pouco, no Brasil, o Secretário Geral da ONU, Ban-Ki-moon. Querem vê-lo no lugar que lhe cabe: na periferia colonial, alinhado ao patrão imperial, qual cão amestrado e vira-lata. Posso imaginar o quanto os donos desses jornais sofrem ao ter que aceitar que o Brasil nunca poderá ser o que gostariam que fosse: um Estado-agregado como é Hawai e Porto-Rico. Como não há jeito, a maneira então de atender à voz do senhor internalizado, é difamar, ridicularizar e desqualificar, de forma até antipatriótica, a iniciativa e a pessoa do Presidente. Este notoriamente é reconhecido, mundo afora, como excepcional interlocutor, com grande habilidade nas negociações e dotado de singular força de convencimento.
O povo brasileiro abomina a subserviência aos poderosos e aprecia, às vezes ingenuamente, os estrangeiros e os outros povos. Sente-se orgulhoso de seu Presidente. Ele é um deles, um sobrevivente da grande tribulação, que as elites, tidas por Darcy Ribeiro como das mais reacionárias do mundo, nunca o aceitaram porque pensam que seu lugar não é na Presidência mas na fábrica produzindo para elas. Mas a história quis que fosse Presidente e que comparecesse como um personagem de grande carisma, unindo em sua pessoa ternura para com os humildes e vigor com o qual sustenta suas posições.O que estamos assistindo é a contraposição de dois paradigmas de fazer diplomacia: uma velha, imperial, intimidatória, do uso da truculência ideológica, econômica e eventualmente militar, diplomacia inimiga da paz e da vida, que nunca trouxe resultados duradouros. E outra, do século XXI, que se dá conta de que vivemos numa fase nova da história, a história coletiva dos povos que se obrigam a conviver harmoniosamente num pequeno planeta, escasso de recursos e semi-devastado. Para esta nova situação impõe-se a diplomacia do diálogo incansável, da negociação do ganha-ganha, dos acertos para além das diferenças. Lula entendeu esta fase planetária. Fez-se protagonista do novo, daquela estratégia que pode efetivamente evitar a maior praga que jamais existiu: a guerra que só destrói e mata. Agora, ou seguiremos esta nova diplomacia, ou nos entredevoraremos. Ou Hillary ou Lula.
A nossa imprensa comercial é obtusa face a essa nova emergência da história. Por isso abomina a diplomacia de Lula.
* Leonardo Boff, junto com Mark Hathaway, escreveu o livro The Tao of Liberation. Exploring the Ecology of Transformation, N.Y. 2009.
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Enquete sobre os jornais de Taiobeiras
A informação é um direito do cidadão do século XXI. Mais ainda, é um dever dos que informam repassar a notícia e o conhecimento de forma equilibrada, verdadeira, ética e crítica. Assim, creio, a sociedade elevará seu grau de politização e atuará organizadamente na solução dos problemas que afligem o conjunto dos seres humanos.
Com o surgimento das modernas Tecnologias de Informação, especialmente a internet, um novo filão de meios de noticiar se criou. Hoje, a Blogosfera (universo dos blogs – diários virtuais), de maneira democrática e livre, na velocidade do pensamento humano, é capaz de disseminar informação de todos os lados do mundo e de todos os pontos de vista culturais. Isto, com certeza, ajuda a derrubar o monopólio da notícia, antes detido pelos grandes grupos e corporações midiáticos ligados ao capital internacional.
Outra novidade é que as pequenas e médias cidades, ainda que com vários limites econômicos, educacionais e “de liberdade política”, passaram a produzir seus próprios meios de comunicação, sejam eles jornais impressos ou blogs, sobre os mais distintos temas.
Faço aqui, neste blog, uma enquete sobre os jornais impressos da cidade de Taiobeiras. Eles já são quatro, num período de 18 (dezoito) anos desde a criação do primeiro, o Jornal Taiobeiras Informa. Peço que votem no mais politizado e crítico de nossa cidade. As opções são: Folha Regional (Alex Video), Dia-a-Dia (Stanley Colombo e Paulo Colombo), Grande Vale (Leandro Grotti e Edilson de Souza) e Taiobeiras Informa (Zazau). O objetivo é permitir que nossos cidadãos e cidadãs discutam, leiam e apreciem a forma e o conteúdo dos meios de comunicação locais.
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Lula e o Brasil na imprensa mundial
Veja o que a revista alemã Der Spiegel publicou neste sábado a respeito do Presidente Lula e da nova política externa do Brasil. Dá muito orgulho de ser brasileiro no atual momento vivido pelo país, apesar de todos os problemas que, evidentemente, não podem ser esquecidos.
DER SPIEGEL, Samstag, 29. Mai 2010 : “LULA SUPERSTAR”
Um trecho: “Transpirando autoconfiança, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva está elevando o status global do seu país ao protagonizar um número cada vez maior de iniciativas na área de política internacional. Na mais recente dessas ações, ele convenceu o Irã a concordar com um polêmico acordo nuclear. Poderia este acordo proporcionar uma oportunidade para que sejam evitadas sanções e guerra ? Ele foi acusado de ser muitas coisas no passado, incluindo um comunista, um proletário grosseiro e um alcoólatra. Mas a época dessas acusações acabou há muito tempo. À medida que o Brasil cresce para tornar-se uma nova potência econômica, a reputação do presidente brasileiro cresce de forma meteórica. Hoje em dia muita gente vê o presidente como um herói do hemisfério sul e um importante contrapeso em relação a Washington, Bruxelas e Pequim”.
Outro: “…Lula demonstrou que sabe nadar no aquário dos tubarões grandes. Nos bastidores, Lula Superstar costuma contar como curou os diplomatas brasileiros da síndrome de vira-lata; assim ele denomina o profundo complexo de inferioridade que muitos dos seus compatriotas até pouco tempo atrás sentiam frente a americanos e europeus. Foi em 2003, na grande estréia internacional de Lula na cúpula do G-8, em Evian na França. Todos estavam sentados e esperaram por George W. Bush. Quando este finalmente entrou no salão, todos levantaram. Só Lula ficou sentado e mandou o seu Chanceler fazer o mesmo. ‘Eu não participo deste comportamento servil. Quando eu entrei, ninguém levantou’, disse o Presidente do Brasil”.
Fonte: Luis Nassif
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Irã: quem atira a primeira pedra?
Por Frei Betto, religioso dominicano, em Adital
O presidente Lula empreendeu uma delicada operação diplomática para evitar que o Irã utilize a energia nuclear para fins bélicos. As nações mais poderosas do mundo, capitaneadas pelos EUA, logo expressaram sua indignação e discordância: como um “paiseco” como o Brasil ousa querer ditar regras na política internacional?
Marx, Reich e Erich Fromm já nos haviam prevenido que preconceito de classe costuma ser um tabu arraigado. Como alguém que nasceu na cozinha tem o direito de ocupar a sala de jantar?
Pelo critério de George Bush, lamentavelmente preservado por Obama, o Irã faz parte das nações que integram o “eixo do mal”. Não morro de amores pela terra dos aiatolás, considero o governo iraniano uma autocracia fundamentalista e discordo do modo patriarcal que o Irã trata as suas mulheres, como seres de segunda classe. Diga-se de passagem, assim também faz o Vaticano, razão pela qual as mulheres são impedidas de acesso ao sacerdócio.
Mas não custa questionar o cinismo dos senhores do mundo com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU: por que Israel tem o direito de possuir arsenal nuclear e o Irã não? Ele jogaria uma bomba nuclear sobre outras nações? Ora, isso os EUA já fez, em 1945, sacrificando milhares de vidas inocentes em Hiroshima e Nagasaki.
O Irã desencadearia uma guerra mundial? Ora, o Ocidente civilizado já promoveu duas, a segunda vitimando 50 milhões de pessoas. O nazismo e o fascismo surgiram no Oriente? Todos sabemos: foram criações diabólicas de dois países considerados altamente civilizados, Alemanha e Itália.
Os árabes, ao longo de 800 anos, ocuparam a Península Ibérica. Deixaram um lastro de cultura e arte. A Europa ocupou e saqueou a África e a Ásia, e o lastro é de miséria, mortandade e extorsão. O Irã é uma ditadura? Quantas não foram implantadas na América Latina pela Casa Branca? Inclusive a do Brasil, que durou 21 anos (1964-1985). Há pouco, a Casa Branca apoiou o golpe militar que derrubou o governo democrático de Honduras.
Fortalecido belicamente o Irã poderia ocupar países vizinhos? E o que dizer da ocupação usamericana de Porto Rico, desde 1898, e agora do Iraque e do Afeganistão? E com que direito os EUA mantêm uma base naval, transformada em cárcere clandestino de supostos terroristas, em Guantánamo, território cubano?
Respaldado em que lei internacional os EUA implantaram 700 bases militares em países estrangeiros? Só na Itália existem 14. Na Colômbia, 5. E quantas bases militares estrangeiras há nos EUA?
Há que admitir: o Irã não está preparado para se integrar no seio das nações civilizadas… Nações que financiam, pelo consumo, os cartéis das drogas, tratam imigrantes estrangeiros como escória da humanidade; fazem do consumismo o ideal de vida.
E convém lembrar: fundamentalismo não é apenas uma síndrome religiosa. É, sobretudo, uma enfermidade ideológica, que nos induz a acreditar que o capitalismo é eterno, fora do mercado não há salvação e a desigualdade social é tão natural quanto o inverno e o verão.
Lula candidato era discriminado pelo elitismo brasileiro por não dominar idiomas estrangeiros. Surpreendeu a todos por falar a linguagem dos pobres e revelar-se exímio negociador em questões internacionais.
Sem o apoio do Brasil não avançaria essa primavera democrática que, hoje, semeia esperança de tempos melhores em toda a América Latina. Os eleitores dão as costas às velhas oligarquias políticas e escolhem governantes progressistas.
Essa nova geopolítica latino-americana, que oficializará em 2011 a União das Nações Latino-Americanas e Caribenhas, certamente preocupa Washington. A crise financeira bate as portas das nações mais poderosas do mundo e a Europa entra num período de recessão. O livre mercado, o Estado mínimo, a moeda única (euro), a ciranda especulativa, mergulham numa crise sem precedentes.
Tudo indica que, daqui pra frente, o mundo será diferente. Se melhor ou pior, depende do resultado do embate entre duas forças contrárias: os que pensam a partir do próprio umbigo, interessados apenas em obter fortunas, e os que buscam um projeto alternativo de sociedade, menos desigual e mais humano. É a antiética em confronto com a ética.
* Foto: O Globo (Lula e o presidente do Irã).
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Bodas de Brilhante da Paróquia de Taiobeiras
Dentro das comemorações dos setenta e cinco anos da criação da Paróquia São Sebastião de Taiobeiras, o pároco Padre Ivan Alckimin, msF, elaborou e publicou a seguinte oração celebrativa do Jubileu de Brilhante:
“Senhor, ao longo deste ano estamos comemorando os setenta e cinco (75) anos de existência da nossa Paróquia São Sebastião de Taiobeiras. Deste modo, concede Senhor a nós, que somos seus filhos e filhas, a fidelidade criativa ao Espírito Santo, que ilumina esta Paróquia e a Nossa Senhora de Fátima, que caminha conosco. Que a luz do Espírito Santo possa estar presente em cada um de nós, trazendo força e proteção, para lutar por um mundo justo e igualitário e sermos propagadores do Evangelho juntos a nossa Paróquia. Amém.”
20 de maio de 1935 – 20 de maio de 2010.Foto: Dia Nacional da Juventude (1991) – Arquivo da Pastoral da Juventude de Taiobeiras (MG). -
Maio de 2010: 75 anos Paróquia de Taiobeiras
Quero pedir desculpas por não ter me lembrado no dia certo. Uma data tão especial não poderia ter passado despercebida. Dia 20 de maio de 2010 completaram-se os 75 (setenta e cinco) anos de criação da Paróquia São Sebastião de Taiobeiras (MG). O decreto episcopal que a fundou foi assinado em maio de 1935 pelo primeiro Bispo Diocesano de Montes Claros. Foram as Bodas de Diamante, no ano do Centenário da Arquidiocese de MOC.
Mas a própria paróquia celebrou discretamente o evento. Foi na missa de Pentecostes e de encerramento da 12ª Festa de Santa Rita, na comunidade homônima, no bairro Bom Jardim, no domingo à noite, 23 de maio.
Veja aí no You Tube o vídeo amador que fiz a partir de algumas imagens da celebração. Nele você acompanhará a oração especial que o pároco, Pe. Ivan Alckimin, MSF, compôs para celebrar o jubileu paroquial.
Para conhecer mais sobre a história da Paróquia de Taiobeiras clique nos links a seguir: -
Preciosidades dos gerais: "igrejinha" octogonal de Taiobeiras
Mês de maio, das mães, de Maria e das festas tradicionais de Taiobeiras. Por que não exaltar um de nossos cartões postais, símbolo da fé de muitos, da beleza simples dos lugares do interior e do orgulho de um povo? Falo da “Igrejinha” octogonal de Nossa Senhora de Fátima, erguida em 1957, situada na praça que leva seu nome, numa extensão da Avenida do Contorno, em Taiobeiras (MG).
Veja algumas fotografias, de minha autoria, que retratam esta preciosidade dos “gerais” taiobeirenses:
< Senhoras do Apostolado da Oração deixam a Igrejinha após suas orações.
Vista da Igrejinha pela Praça, na Avenida do Contorno. >< Vista da Igrejinha pela frente, na Rua Osvaldo Argolo.Vista interna, com destaque para as colunas que circundam o altar da Imagem de N. Sra. de Fátima. >< Vista da "cúpula" da Igrejinha, também octogonal.Altar de N. Sra. de Fátima. A imagem está circundada por uma redoma desde 2005 e só é retirada em circunstâncias muito especiais, como a 50ª edição da festa religiosa e a abertura do 1º Concílio Paroquial de Taiobeiras. >< Vista interna da "cúpula" da Igrejinha.Outro ângulo das colunas, do altar, da imagem e das velas deixadas pelos visitantes. > -
Pesquisa Datafolha: Dilma crescendo, Serra caindo, empate técnico
Divulgada pesquisa do Instituto Datafolha em 22 de maio de 2010. De acordo com ela, a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff subiu de 30 (trinta) pontos na última sondagem, para 37 (trinta e sete) hoje. Já o pré-candidato do PSDB, José Serra, caiu de 42 (quarenta e dois) pontos para 37 (trinta e sete). Portanto, deu-se um empate técnico entre ambos, marcando as tendências de crescimento acelerado da petista e queda do tucano.
Veja gráfico a seguir, cujos créditos são do Jornal Folha de S. Paulo:
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Festa de Santa Rita de Cássia em Taiobeiras
Ocorre neste final de semana (20 a 23 de maio) a 12ª Festa da Padroeira da Comunidade Eclesial de Base de Santa Rita de Cássia, da Paróquia São Sebastião de Taiobeiras (MG).
O tema geral é “A exemplo de Santa Rita, sejamos perseverantes na fé”.
Durante os dias da festa a comunidade realizará rezas do terço, celebrações litúrgicas, procissão, levantamento de mastro e bandeira, barraquinhas de comidas típicas e shows culturais.
A Comunidade de Santa Rita fica na Rua Carangola, nº 48, no Bairro Bom Jardim, em Taiobeiras.
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O Alto Rio Pardo precisa da Esquerda
* Artigo de Levon do Nascimento para veiculação em jornal impresso e no blog.
A microrregião Alto Rio Pardo precisa de pessoas que pensem e ajam um pouco mais à “esquerda”.
Os termos “esquerda” e “direita” aplicados à política e à economia surgiram na França, durante a grande revolução burguesa no final do século XVIII. Na esquerda da sala onde se reunia a Assembleia Na-cional se sentaram os deputados que representavam os interesses das camadas populares, pequeno-burguesas e pobres da sociedade francesa. Na direita, os representantes da alta burguesia e da nobreza, as camadas ri-cas.
De lá para cá, duzentos e poucos anos se passaram e muita coisa mudou na História. No século XIX, foram chamados de “esquerdistas” todos os militantes das várias correntes socialistas, desde os utópicos de Saint-Simon e Fourier, até os científicos Karl Marx e Friederich Engels, além dos anarquistas.
Durante a Guerra Fria (1945-1989), com o mundo polarizado entre os Estados Unidos capitalista e a União Soviética socialista, “esquerda” era sinônimo de “comunismo”. Quando veio a queda do Muro de Berlim em 1989, com a consequente crise dos paradigmas socialistas tradicionais, as terminologias “esquer-da” e “direita” pareceram ter morrido, perdido o significado ou caído da moda. Era o “fim da História” nas palavras de Bush “pai”. Não foi.
No tempo atual, a escalada do neoliberalismo privatizador de “direita” nos países pobres (com suas nefastas consequências para o aumento da violência e a perca da qualidade da educação pública); as reações dos movimentos sociais em todo o mundo; a grave crise econômica de 2008/2009; e os riscos do aquecimen-to global, mais uma vez reascendem o conceito de “esquerda”. Desta vez, não mais alinhado à ideia de uma sociedade regida unicamente pelo Estado, sem classes ou inimiga da propriedade privada, mas como um pensamento que exalta a perspectiva de maior igualdade política, social e econômica entre todos, ou pelo menos, entre a maioria dos seres humanos. O Brasil de Lula tem liderado o caminho para esta nova “esquer-da” e o mundo aplaude.
“Ser de esquerda”, então, significa defender que todo o desenvolvimento tecnológico, científico, cul-tural e financeiro do presente deve estar a serviço da comunidade humana como um todo, e não somente sob o controle rígido e egoísta da propriedade privada. Significa, ainda mais, perceber que há, sim, diferenças significativas entre os homens, sejam elas étnicas, religiosas ou culturais, mas que estas mesmas desseme-lhanças não podem ser motivos para uns imperarem sobre os outros. A política externa do Brasil lulista revela esta tendência.
A consciência ecológica de que a Terra é dom para todas as pessoas, bem como a busca do equilíbrio ambiental entre os humanos consigo próprios e com o restante dos seres vivos, demonstram um “esquerdismo novo”. Um “esquerdismo” que rompe a lógica brutal e irresponsável da acumulação irrefreável de lucro meramente pessoal, egoísta e predador.
“Estar à esquerda”, ao invés da “direita”, simboliza ir contra a ideia comum de que no mundo é “cada um por si só”. Ser “esquerdista” agora, muito mais do que comunista ou socialista do passado, é entender que a humanidade só é humana porque um indivíduo depende do outro, é responsável pelo outro e tem o mesmo valor que o outro.
Quando digo que o Alto Rio Pardo precisa de pessoas mais à “esquerda”, na verdade afirmo que nos-sas lideranças sociais, religiosas, comunitárias e políticas precisam ultrapassar a mentalidade imediatista do capital e construir bases sólidas para que o humano cresça, eduque-se e consiga desenvolver uma nova cons-ciência de mundo e de fraternidade.
* Levon do Nascimento é professor da Educação Básica. Leciona História na rede pública e privada em Taiobeiras (MG). Autor dos livros “Palavras da Caminhada” (2006) e “Blogosfera dos Gerais” (2009). Seu blog é http://levontaiobeiras.blogspot.com/.
Foto: Leo Drumond – Projeto Beira de Estrada – Disponível no site http://beiradeestrada.zip.net/ (Ponte velha sobre o Rio Pardo, na estrada entre Taiobeiras-MG e São João do Paraíso-MG)
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18 de maio: combate à exploração sexual infantil
* Do Blog do Catequista Adelino
O “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”, instituído pela Lei Federal 9.970/00, na data 18 de maio, é uma das conquistas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com o objetivo de mobilizar e convocar toda a sociedade a participar dessa luta.
Esse dia foi escolhido, porque em 18 de maio de 1973, em Vitória–ES, um crime bárbaro chocou todo o país e ficou conhecido como o “Crime Araceli”. Esse era o nome de uma menina de apenas 08 anos de idade, que foi raptada, drogada, estuprada, morta e carbonizada por jovens de classe média alta. Esse crime, apesar de sua natureza hedionda, até hoje está impune.
A violência sexual praticada contra criança e adolescente é uma violação dos Direitos Humanos, em especial do direito à vivência sadia da sexualidade. Nessa violação, são estabelecidas relações diversas de poder, nas quais pessoas e/ou redes satisfazem seus desejos e fantasias sexuais e/ou tiram vantagens financeiras e lucram usando, para tais fins, as crianças adolescentes.
Assim, dar atenção especial para o dia 18 de maio e envolver todos – família, escola, sociedade civil organizada, governos, instituições de atendimento, mídia – com o compromisso de fazer a nossa parte no enfrentamento da violência sexual é promover as condições para o desenvolvimento digno e feliz da sexualidade de crianças e adolescentes.
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Encontro com os jovens do Covão (Taiobeiras)
A convite de Jurailde Ferreira de Souza, coordenadora da Pastoral da Crisma (área rural) da Paróquia São Sebastião de Taiobeiras (MG), estive monitorando o tema “Santíssima Trindade”, juntamente com outras pessoas que trabalharam temas diversos, junto a um grupo de crismandos da Comunidade Eclesial de Base “Santa Clara de Assis” (Comunidade Rural de Covão), situada a cerca de 25 Km de distância da sede (Taiobeiras), próxima da divisa com o município de Curral de Dentro (Diocese de Araçuaí).
Veja algumas fotos:
Jovens crismandos, tocando e cantando, animação e formação. >< Sob o sol forte do cerrado, fazendo uma experiência da Trindade (a melhor comunidade): o sol nos dá luz e calor Os três são distintos, porém inseparáveis, sendo essencialmente a mesma coisa. Assim é a Trindade: o Pai criador nos envia o Filho salvador, que nos doa o Espírito de amor.Igreja de Santa Clara de Assis, Comunidade de Covão, Paróquia de São Sebastião, Município de Taiobeiras (MG), Arquidiocese de Montes Claros (MG). >> Vista de dentro da Igreja de Santa Clara de Assis, Comunidade de Covão, para o mastro e a bandeira da Padoreira, erguido pelo povo, em agosto de 2009.A formação para os jovens revela uma porta e um caminho abertos para um futuro de mais amor e justiça. -
Virada 2: Dilma na frente de novo, diz Sensus
Seg, 17 Mai, 12h16
Seguindo a mesma tendência apontada pela pesquisa Vox Populi no fim de semana, o levantamento do Instituto Sensus, encomendas pela Confederação Nacional do Transportes (CNT), também mostra hoje pela primeira vez a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, numericamente à frente do pré-candidato do PSDB, José Serra, em uma lista induzida. No rol em que a CNT/Sensus apresenta pela primeira vez aos entrevistados todos os prováveis 11 candidatos, incluindo os de partidos pequenos, Dilma aparece com 35,7% da preferência, seguida de Serra com 33,2%.
Como a margem de erro é de 2,2 pontos porcentuais, Dilma e Serra estão em situação de empate técnico. Segundo o diretor da Sensus, Ricardo Guedes, considerando o espaço para intersecção da margem de erro para dois pré-candidatos, Dilma e Serra, a probabilidade de empate é de 68%. Já a probabilidade de a petista estar efetivamente à frente do tucano é de 32%.
Em uma segunda lista induzida, apenas com os principais nomes, o ex-governador de São Paulo ainda mantém a liderança numérica com 37,8%, mas seguido muito de perto por Dilma, com 37%. Marina tem 8% das intenções de voto nesta lista com três nomes. Na lista mais ampla, com 11 pré-candidatos, a pré-candidata do Partido Verde (PV) também aparece na terceira posição, mas com 7,3%.
Marina antecede nesta lista ampliada os seguintes pré-candidatos: José Maria Eymael (PSDC), com 1,1%; Américo de Souza (PSL), com 1%; Mario de Oliveira (PTdoB), com 0,4%; Plínio de Arruda Sampaio (Psol), com 0,4%; Zé Maria (PSTU), com 0,4%; Rui Costa Pimenta (PCO), com 0,2%; Levy Fidelix (PRTB), com 0,1% e Oscar Silva (PHS), com 0,1%.
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Virada: Dilma na frente com 38%, diz Vox Populi
Do site Dilma na web
Dilma cresce e lidera pesquisa
A pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, cresceu e está liderando, pela primeira vez, a preferência para as eleições presidenciais deste ano. Segundo pesquisa do instituto Vox Populi, divulgada hoje à noite pelo canal de televisão Band, Dilma tem 38% das intenções de voto na consulta estimulada, com um aumento de nove pontos percentuais em relação ao levantamento de janeiro.
José Serra, pré-candidato do PSDB, caiu três pontos percentuais e está agora com 35%, de acordo com a Band. Marina Silva, do PV, se manteve no patamar de 8%. Os indecisos representam 11%, e os votos brancos e nulos estão em 8%.
No cenário de segundo turno, Dilma superaria Serra por 40% a 38%. Como a margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais, os dois candidatos estão tecnicamente empatados tanto na simulação de primeiro turno como na de segundo turno.
Na pesquisa espontânea, quando o eleitor responde aos pesquisadores em quem votar, Dilma também é indicada como a melhor opção dos eleitores. Ela aparece com 19% das intenções de voto, e o adversário tucano, com 15%.
Os eleitores dos estados do Nordeste preferem Dilma, onde tem a maior aprovação: 45%. Na divisão de gêneros, a pré-candidata do PT tem mais aprovação entre os homens brasileiros, com 42% dos votos, e 34% são das mulheres. Para Serra, o cenário é mais equilibrado: 35% dos seus votos são de mulheres e 34% de homens.
O Vox Populi consultou 2.000 eleitores em 117 cidades de 23 estados e o Distrito Federal. Os dados foram levantados entre os dias 8 e 13 maio. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número 11.266/2010.
Comentário do Levon:
Óbvio que a velha mídia – Globo, SBT, Revista Veja, Folha de S. Paulo, Estado de Minas, etc… – divulgará esta notícia no rodapé de suas páginas impressas ou virtuais, ou em flashes de um segundo de duração nos seus telejornais. Se fosse o contrário, ficaria uma semana inteira no ar, martelando na cabeça das pessoas. Só por este mero detalhe, relacionado ao apoio/desapoio da imprensa elitista, já se sabe qual dos dois é a mais indicada para governar o Brasil.
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Tradições de maio em Taiobeiras – Parte 1
A veneração à Virgem Maria se iniciou nos primeiros decênios após a ressurreição de Jesus Cristo. Os primeiros cristãos buscavam ressaltar o modelo de coragem, obediência e fidelidade da mãe de Jesus. Coragem ao assumir-se grávida sem casamento numa sociedade machista, obediência ao projeto salvífico de Deus a ser operado por meio da encarnação de seu Filho e fidelidade a Jesus e à comunidade cristã principalmente nos momentos mais difíceis e nas perseguições.
De lá para cá, Maria foi e é chamada pelos cristãos por diversas nomenclaturas, tais como: “Mãe de Deus”, “Mãe de Jesus”, “Mãe da Igreja”, “Nossa Senhora”, “Cheia de graça”, etc.; além de várias titulações relativas a situações, invocações ou locais onde sua presença e santidade teriam (têm) se manifestado.
Em 1917, na localidade de Fátima (uma palavra árabe de herança do período de dominação muçulmana na Península Ibérica) em Portugal, três crianças pobres afirmaram ver, ouvir e falar com a Virgem Maria, em aparições que se verificaram todos os dias 13 entre os meses de maio e outubro daquele ano. Segundo tais meninos, Maria lhes mandava orar frequentemente, oferecer atos penitenciais pelos pecados humanos e, ainda, os alertara sobre os perigos da guerra e da indiferença religiosa.
Na esteira dos traumas provocados pela primeira guerra mundial, bem como na luta que a Igreja vinha travando contra as ideologias ateias e secularistas, a devoção a Nossa Senhora de Fátima – como passou a ser chamada a Virgem Maria a partir daqueles fenômenos – cresceu e se espalhou por vários países, chegando ao Brasil.
Em 1957, após grande missão realizada pelos padres capuchinhos na recém-emancipada cidade de Taiobeiras, que traziam a imagem visitadora de Nossa Senhora de Fátima aos lugares em que exerciam suas pregações evangelizadoras, o Frei Jucundiano de Kok – frade franciscano e primeiro pároco da Paróquia São Sebastião – mandou construir com a ajuda dos fieis leigos, uma pequena igreja octogonal às margens da cidade (hoje situada na região central da mesma, devido ao crescimento urbano). Ali depositou uma imagem da Virgem (foto), em tamanho natural, que havia importado de Portugal. Iniciava-se a maior tradição festiva, religiosa e cultural, da história do município de Taiobeiras.
A cada ano, desde então, passou a ocorrer nove dias de novena e, um décimo, de festa litúrgica em memória e honra a Nossa Senhora de Fátima, sempre iniciando na primeira sexta-feira que antecede o 13 de maio e encerrando-se dez dias depois. Missas, coroações à imagem da Virgem, rezas do terço, batizados, crismas, casamentos comunitários, procissões (foto), visitas pastorais do bispo diocesano, quermesse e atividades culturais e sociais extra-eclesiais, como jogos de futebol entre os times da cidade ou da seleção local contra times de fora, tudo fazia parte da programação e dos costumes do povo. Era a Festa de Nossa Senhora de Fátima, em sua versão integral – religiosa, social e cultural. O palco disto era o entorno da pequena “igrejinha” de oito lados.
Continua na parte 2, abaixo…
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Tradições de maio em Taiobeiras – Parte 2
Continuação…
Na década de 1970, com a aprovação do Plano Diretor de Taiobeiras e consequente implantação da Avenida do Contorno, a “Igrejinha” (foto) ficou “condenada” por se situar numa extremidade do traçado da nova via de trânsito rápido da cidade. Um erro grosseiro do planejador, que não foi sensível às tradições e devoções religiosas nem ao monumento cultural e arquitetônico representado pelo pequeno templo. Chegou-se ao cúmulo de se ventilar a sua demolição. Até uma praça, com nome “13 de maio”, a Prefeitura criou para em algum momento se construir uma nova Igreja e realizar as festividades ali. A ideia não vingou. A “Igrejinha” continuou de pé. Quando houve o asfaltamento de uma parte da Avenida, em 1982, os engenheiros tiveram que realizar modificações no projeto para contemplar o popular templo. E este, cada vez mais, ganhou ares de santuário popular dos taiobeirenses.
Mas na mesma década de 70, o “técnico” se impôs pela primeira vez ao “religioso”. Apesar da “Igrejinha” permanecer na Avenida do Contorno, as festividades de maio tiveram de ser transferidas para a Praça da Igreja Matriz de São Sebastião. Alegava-se razões de segurança, pois a Avenida do Contorno de então era também uma extensão da Rodovia que ligava Taiobeiras a Salinas (Rio Bahia e BR-251, por conseguinte) e Taiobeiras a Rio Pardo de Minas. Desde então, na manhã do primeiro dia da novena, após grande alvorada com fogos, carro de som com música religiosa e oração do terço, buscava-se a imagem de Nossa Senhora de Fátima em sua “Igrejinha”, com grande procissão e alarde, dirigindo-se até a Matriz.
Devido ao grande número de fieis daqueles dias, já naquela época, todas as celebrações de Nossa Senhora de Fátima, bem como as coroações, eram realizadas ao ar livre, demandando a construção de um palanque provisório feito de madeira. Quase todas as gerações de Taiobeiras, desde então, passaram por este “altar” nas cerimônias em homenagem à Virgem. As coroações, aliás, são patrimônio imaterial da cultura de Taiobeiras, reconhecidas no inventário cultural de 2006, que concedeu pela primeira vez o “Selo Unicef Município Aprovado” à cidade. No nono dia da novena, um sábado à noite, a Liga Operária levantava o mastro com a Bandeira de Nossa Senhora, acompanhados de foguetório e de folia de reis (atualmente o mastro/bandeira é erguido pela Liga Católica). Já em seguida, na manhã de domingo, havia a grande procissão de Nossa Senhora e a missa de encerramento. A grande passarela de palmeiras da Praça da Matriz foi especialmente projetada para acolher a procissão e sua chega triunfante à Igreja de São Sebastião. À noite, mais uma missa, chamada de “A despedida” era realizada e, mais uma vez em procissão, o povo levava a Imagem de Nossa Senhora de Fátima à sua “Igrejinha” octogonal, entre muitos “vivas”, “benditos” e forte emoção. Ficava a saudade e o desejo de novas celebrações para o próximo ano.
A partir de 1983, no mandato do Prefeito Geraldo Sarmento de Sena, a Prefeitura buscou dar ordem às muitas barracas particulares, extra-quermesse, que se impunham no cenário da festa religiosa na Praça da Matriz. Espaços foram demarcados, taxas cobradas, exigências de horário de funcionamento impostas. Também aproveitou para incrementar a parte social e cultural. Um parque de diversões passou a ser instalado nos fundos da Matriz e um palanque extra, na frente da Prefeitura, passou a ser espaço para shows artísticos variados, após as missas e coroações, nos dez dias da festa.
Os eventos sociais cresceram e atraíram os interesses comerciais e políticos. As administrações municipais passaram a aproveitar do momento festivo para alcançar ganhos publicitários e eleitorais. Situações grotescas como bebedeiras, uso de drogas, brigas e até prostituição, passaram a sufocar as atividades especificamente religiosas e a constranger a Igreja e os católicos. Diante do caráter mundano e consumista que o evento tomou, a crítica interna e externa à Igreja avolumou-se.
Continua na parte 3, abaixo…
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Tradições de maio em Taiobeiras – Parte 3
Continuação…
A primeira grande atitude de questionamento por parte da Igreja partiu do pároco Frei João José de Jesus, OFM, em 1989, quando este, não conseguindo que a Prefeitura disciplinasse os horários de funcionamento de barracas e shows artísticos – que insistiam em funcionar ao mesmo tempo em que as celebrações da Igreja – , protestou ao não deixar divulgar a programação religiosa no mesmo panfleto da festa social, impresso pela municipalidade. Também determinou a realização de todas as cerimônias religiosas dentro da Igreja Matriz, como que denunciando o cerco que a Paróquia sofria diante do comércio indiscriminado e abusivo.
No ano seguinte, diante do mal-estar causado, a Prefeitura cedeu e criou novas regras de funcionamento de barracas, parque de diversões e shows culturais, inclusive no tocante aos horários de atendimento. A Igreja retomou as atividades tradicionais. Mesmo assim, a secularização e a vontade de lucrar de certos comerciantes burlou as regras do município e incomodaram aqueles que desejavam participar tão somente de um evento religioso e espiritual. Mais um sintoma de incômodo foi que, também o feriado municipal de 13 de maio, dedicado à memória de Nossa Senhora de Fátima, passou a ocorrer sempre na segunda-feira imediatamente posterior ao término das festividades, sendo chamado a partir daí de “feriado da ressaca”.
A situação somente se agravou, chegando ao cúmulo de no ano de 1995 a grande passarela de palmeiras (foto) estar totalmente tomada por barracas e com trânsito impedido por veículos de barraqueiros de outras cidades (na altura da Rua Rio Pardo), sitiando a Matriz e impossibilitando a procissão de término da festa de Nossa Senhora. Nem apelos à Polícia Militar, naquele dia, resolveram a situação. A parte religiosa definitivamente havia perdido o brilho e estava vergonhosamente sendo posta de lado pela ganância comercial e pela inação dos poderes públicos.
No ano 2000, sem perspectiva de solução dos problemas, a Igreja tomou uma decisão radical: retomou as festividades de Nossa Senhora de Fátima junto da “Igrejinha” de oito lados, mesmo no chão batido, sem calçamento, na Avenida do Contorno. A Igreja Matriz, cercada por barracas, parque de diversões e shows sem grande sentido cultural ou artístico, ficou lacrada durante os dez dias de festividades. Foi uma atitude ousada e radical. Nem todos entenderam as medidas adotadas. Trocou-se o calçamento e o conforto do centro, por uma praça sem nenhum tipo de urbanização, poeirenta, sem cadeiras, sem quermesse que auferisse algum donativo à instituição, com sonorização claudicante e com uma juventude ausente, já que esta se acostumara mais aos eventos “sociais” do que às celebrações religiosas. Parecia que a tradição iniciada por Frei Jucundiano estava com os dias contados. Definitivamente, não estava.
Em 2003, sob a administração de Frei Antônio Teófilo da Silva, OFM, pela primeira vez a Festa de Nossa Senhora de Fátima passou a ter tema geral de reflexão e sub-temas por dias de novena. Cadeiras para os idosos e tendas de proteção foram instaladas para maior conforto. Em 2006, na 50ª edição, um amplo trabalho de preparação foi realizado, equipes liturgias e de canto foram treinadas, jovens, pastorais e movimentos foram mobilizados, um estandarte comemorativo percorreu cada comunidade da Paróquia prenunciando as festividades. Uma multidão acorreu à Praça “poeirenta” da “Igrejinha” para celebrar a Mãe de Jesus.
Continua na parte 4, abaixo…
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Tradições de maio em Taiobeiras – Parte 4
Continuação…
Em 2007, nova mudança ocorreu. Uma barraca de quermesse da Igreja foi organizada pelas pastorais no local da festa religiosa, desta vez sem a venda de bebidas alcoólicas. Uma tentativa de testemunhar o discurso. Também pela primeira vez a data da Festa religiosa de Nossa Senhora de Fátima não coincidiu com a da Festa de Maio, novo nome que tomou a porção social da mesma. Para isto, a paróquia enfrentou a resistência de amplos setores da prefeitura e do comércio, que insistiam na manutenção de datas conjuntas, embora em locais separados, para ajudar nas vendas que passaram a movimentar o sistema comercial local. Mesmo assim, por decisão do Conselho de Pastoral, a Igreja transferiu as celebrações religiosas para a última semana do mês de maio, de modo a garantir uma maior “paz de espírito” que o evento demandava.
Em 2008 a Prefeitura dobrou-se e passou a realizar a Festa de Maio no terceiro final de semana de maio, após o término da Festa religiosa de Nossa Senhora de Fátima.
Em 2009 foi inaugurada a pavimentação da Praça da Igrejinha, que melhorou o conforto para os fieis que procuram as celebrações.
Excepcionalmente, em 2008 e 2009, a parte religiosa durou 13 dias.
Por fim, a Festa de Maio, como passou a ser chamada a porção social e cultural da antiga Festa de Nossa Senhora de Fátima sofreu as seguintes alterações na última década: em 2002 e 2003, o Prefeito João Emílio Arifa Silva a transferiu do entorno da Matriz para a Praça do Ginásio Poliesportivo, reduzindo seus dias de dez para quatro, iniciando numa quinta e terminando no domingo seguinte. Em 2005, o Prefeito Denerval Germano da Cruz manteve os quatro dias de festividades, porém retornou o evento à Praça da Matriz, porém não mais em volta da Matriz, mas em frente à Câmara Municipal. Neste mesmo ano, a Prefeitura e a ACIT (Associação Comercial e Industrial de Taiobeiras) criaram a FERARP (Feira Regional do Alto Rio Pardo), na qual o comércio, a indústria e os serviços da microrregião são expostos ao público e aos potenciais clientes.
Assim, os cartazes de divulgação em 2010, proclamam distintamente, a 54ª Festa Religiosa de Nossa Senhora de Fátima, entre 4 e 13 de maio, promovida pela Paróquia São Sebastião de Taiobeiras; a 54ª Festa de Maio, entre 13 e 16 de maio, promovida pela Prefeitura Municipal; e a 6ª FERARP, também de 13 a 16/05, realizada em parceria entre a administração municipal e a ACIT.
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Programa de TV do PT, com Dilma: clique e olhe
Veja o programa eleitoral do PT, exibido na noite de 13 de maio de 2010, em cadeia de rádio e televisão, de acordo com a lei eleitoral brasileira.














